SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Edições A ILHA

 

 

Edição Eletrônica da revista do Grupo Literário A ILHA - Edição 106 - Florianópolis SC

Dezembro/2008

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Capa Suplemento A ILHA 107

Miolo Suplemento A ILHA 107

 

QUINTANARES

Cecília Meireles

O Natal foi diferente
porque o Menino Jesus
disse à Senhora Sant'Ana:
"Vovozinha, eu já não gosto
das canções de antigamente:
cante as do Mario Quintana!"

 

Aqui está mais uma edição do Suplemento Literário A ILHA, revista do Grupo Literário A ILHA, recheada de prosa, poesia e informação literária e cultural. Esta é a edição de número 107 e estamos caminhando para completar os trinta anos de circulação. Não é coisa para qualquer publicação. Esta revista é um registro da literatura catarinense das últimas décadas, sem influência da "cultura oficial". E não é só a literatura catarinense que desfila por aqui: temos a presença de autores até de outros países, como é o caso de Estados Unidos, Eslováquia, Portugal e Cabo Verde, nesta edição.
Como esta é a edição de dezembro de 2008, temos poesia e prosa de Natal, além de assuntos como a reedição do maior concurso literário do estado, de abrangência nacional, o Prêmio Cruz e Sousa. Também focalizamos a dificuldade com as feiras do livro na grande Florianópolis, promovidas pela Câmara Catarinense do Livro. E muito mais.
Aliás, recebemos uma ótima notícia de última hora, no fechamento desta edição: a 23ª Feira do Livro de Florianópolis, da qual falamos no artigo "Feiras do Livro" (pagina 10), vai se realizar, de 10 a 20 de dezembro, no Largo da Alfândega. Fecho de ouro para o ano de 2008. Feliz 2009 para todos.

 

UM NATAL COM SOL

Rosângela Borges (Eslováquia)

Neste natal,
Eu não quero ver Papai Noel
Basta-me ter o sol
Amarelo, quente e especial,
Um sol de presente de natal.
Neste natal,
Preciso de sol,
Para aquecer o corpo
Aplaudir minha estrada
E colorir meu coração.
Um sol feito de poesia
Dia, luz e canção!
Neste natal,
Não quero ver o mar
Quero tirar a areia do meu corpo,
o frio da minha alma
E buscar ondas de esperança
Luz e carinho,
Pra todo esse mundo
Perdido, triste, sozinho!
Nesta natal,
Eu não quero árvores coloridas
Basta-me uma pequena,
Repleta de flores
meninos
e meninas
Para crescer nesse mundo tão escuro
Feito de janeiros, setembros e outubros.
Neste natal,
Quero abraçar
O sol com as mãos,
E levá-lo até você
Que precisa de outro
Novembro, de um novo dezembro,
Que precisa de luz
para sorrir, amar e viver.
Nesta natal,
Não quero ver papai Noel
Basta-me ter o sol
Amarelo, quente, especial,
Um sol de presente de natal!

 

"O NATAL É A CELEBRAÇÃO DA VIDA"

Por Cissa de Oliveira

A temática específica, Natal, torna este um livro ainda mais especial. Não é segredo para ninguém que a época natalina sempre exerceu fascínio sobre a humanidade. Isto posto, não poderia escapar à sensibilidade dos escritores, muito embora nem todos tenham conseguido, pelos mais diversos motivos, reunir tais escritos em livro. O autor Luiz Carlos Amorim, no entanto, vem com esta edição, brindar o leitor pela segunda vez com o seu "Livro de Natal".
Brindar é maneira de dizer, porque "Livro de Natal" é um mágico presente que chega embrulhado em três belíssimas embalagens: crônicas, contos e poesias, num total de vinte e nove textos. Justiça seja feita, até o título desta apresentação, cujo convite muito me honrou, foi retirada de uma frase contida num destes belíssimos textos.
É certo que um livro, qualquer que ele seja, é um objeto, portanto tão palpável quanto qualquer outro. Então claro está que eu me refiro ao "presente" possível de ser resgatado entre as linhas deste leque delicado que, aberto, nos perfuma a alma, seja à custa de mirra e incenso das mais remotas noites de Natal, ou de uma inevitável melancolia decorrente do sentido já tão deturpado que o comércio atribui à época do Natal. Só uma coisa é certa: a importância da data; e o autor nos relembra isto quando escreve: "... Natal, essa época mágica de desembrulhar esperanças, de dar de presente carinho, compreensão e amor, de construir e fortalecer a paz e a fé, de engavetar a saudade...".
E não há que se esperar o romper da última embalagem para maravilhar os olhos e o coração do leitor, e despertar nele a criança que um dia foi, quando se lê: " ... temos que resgatar o nosso eu-criança em algum cantinho, temos que continuar sendo um pouquinho criança para não deixarmos de festejar com a alma e o coração o nascimento do menino Deus...".
Já que eu falei em presente, houve outro, então recebido pelo autor, e também falando em Natais e que, segundo ele teria o poder de ressuscitar o Natal dentro de todos nós. É este ressuscitar, por mais que o comércio se aproprie da data, o que o Natal, pela força do seu significado transcendental deve evocar em todos nós. Ciente disto, Luiz Carlos Amorim, destaca: "... as nossas crianças precisam ser esclarecidas, desde bem cedo, sobre o significado do Natal. Precisamos ensinar-lhes que o Natal não é simplesmente uma data para se ganhar brinquedos de Papai Noel..." e que esta data é antes de tudo "... a oportunidade de reafirmarmos nossa fé em uma força superior que rege o universo, que rege o futuro, não importa o nome que lhe demos...".
São roupagens diversas - e às vezes é a mesma -, e diferentes abordagens, sempre versando e materializando o Natal. E se esta importante data, curiosamente, é invocada até mesmo no inverno, é devido a presença de outras árvores, tão amadas quanto as de Natal: os jacatirões. Árvores de Natal? Por que não? Pois se não são elas as que depois, "... em fins de outubro, início de novembro, no auge da primavera, prenunciam o verão e anunciam a festa maior da humanidade..."?
É encantador que ainda se fale em Natal com todo o mesmo encanto que a gente vai supondo desbotado no coração das pessoas, e também em presépios, porque "... Natal não se resume a presentes, Papai Noel, árvores enfeitada, guloseimas e roupa nova, coisas que nem todos podem ter..." e que nos seja relembrado através desta bela crônica (Presépio de Natal), e através do encantamento que a ocasião exerce sobre as crianças, que o Natal não é esta data consumista em que vivemos, salienta o autor.
E para comprovar que o Natal não é apenas uma questão de presentes e guloseimas mas também de sonho e encanto, o autor emociona quando conta que numa feita encomendou a visita de um Papai Noel para surpreender as filhas e outras crianças, tendo este no entanto se embebedado nas visitas anteriores e faltado ao combinado. Mas o clima natalino, ele diz, foi restabelecido de forma bem mais subjetiva, ou seja, com cânticos e comentários sobre O aniversariante. Emocionante também um conto muito realista , onde crianças são inquiridas sobre o sentido do Natal. Não menos emocionante é a crônica onde relata a perda de uma filha bem próximo à data natalina: "... e dentre tantos Natais felizes, um foi muito triste, para mim e para minha esposa: perdemos nossa primeira filha no final de um outubro, numa primavera linda, quando as primeiras flores de jacatirão começavam a desabrochar. E quando dezembro chegou, a ferida ainda doía muito e nunca uma criança - a nossa criança - fez tanta falta num Natal...".
É na embalagem das poesias natalinas, no entanto, que a o brilho puro do Natal se faz mais característico através dos versos de Luiz Carlos Amorim: Um menino, / espírito de luz,/ símbolo do amor, / de fé e de esperança, /nasceu em meu coração./ É Natal...". Nestes poemas o autor também conjuga a lírica do tema natalino entremeada à poesia da paisagem, muitas vezes através das belas árvores dos jacatirões: "... meu pé de jacatirão/ caiu semente em mim.... pintou de vinho, / vermelho e paz / todo o chão/ do meu coração..." ; e "...é dezembro, / é verão, é Natal... / Explode com força a cor / da flor do Jacatirão...".
Por fim, em "Livro de Natal" há relatos de muitos e diferenciados Natais. Ora são parte integrante das memórias do autor, ora relatos transversais, como os que ele cita as árvores dos jacatirões, comentários de relatos natalinos em músicas, outros livros e poesias. Tudo sob o olhar sensível dele, que vai retratando a importância da data e também de se cultuar o verdadeiro sentido natalino.
Se algum livro pudesse dizer "Hou, hou, hou", outro não seria senão este.
(Prefácio para o "Livro de Natal", de Luiz C. Amorim)

 

NATAL

Aracely Braz

Quero sentir
a estrela do Oriente
que brilha em alerta
à noite santa;
Quero reviver o aniversário
de um Rei tão pobrezinho
enriquecido de amor;
Quero entender o desabrochar
da flor do jacatirão,
Prenúncio de mais um natal;
Quero oferecer
meu melhor presente
Recheado de esperança
a todo irmão.
Quero aprender a perdoar,
E quero ser perdoado.
Quero que aquela luz
Que resplandeceu
Na manjedoura de Jesus,
Brilhe em cada coração.

 

 

OLHO CRÍTICO

Por Enéas Athanázio

A crítica literária tradicional, publicada nos jornais, está desaparecendo no Brasil. Existem três ou quatro críticos ainda militantes, enquanto os resenhistas proliferam. As análises passaram a ser feitas sob a forma de crítica universitária, naquela linguagem abstrusa e que ninguém lê, exceto os cupins das estantes empoeiradas. Isso é prejudicial para a literatura porque é o crítico, na condição de leitor mais experiente, que orienta os demais leitores, separando o joio do trigo e evitando que obras sem qualidade acabem prosperando.

Entre esses críticos, ainda que não seja apenas isso, está Fernando Jorge. Escritor e jornalista, biógrafo de reconhecidos méritos, homem de grande erudição e dono de admirável memória, assina a coluna literária da revista "Imprensa" e de uma cadeia de 40 jornais espalhados pelo país. Na atividade crítica ele não costuma poupar os que cometem erros naquilo que escrevem ou tomam atitudes equivocadas na área cultural. Numa de suas recentes manifestações, sugeriu a concessão do "Prêmio Nobel de Besteiras Notáveis" ao Prof. Evanildo Bechara por haver este declarado "que ninguém fala errado, todo mundo fala o idioma usado em sua comunidade." Ora, diz Fernando Jorge, se é assim, poderemos falar "Framengo", "sastifeito", "cardeneta", "nóis", "temo" etc. Ele provou - continua o crítico - ser membro da Academia Brasileira de Letras, instituição sobre a qual Fernando Jorge publicou corajoso e fundamentado livro.

Paulo Coelho, outro integrante da ABL, também mereceu a atenção do crítico. Os freqüentes erros por ele cometidos são apontados em seus textos, como as reiteradas redundâncias, a má colocação dos pronomes, a prática de cacófatos, erros de concordância, uso inadequado de vocábulos e por aí além. Erros encontrados em verbetes de dicionários, observações equivocadas de "ombudsmans", corrigindo o que estava correto, também não escapam ao seu crivo. Sem falar nas deliciosas crônicas que compõe, inspiradas em coisas do gênero.

Mais interessante ainda é uma crônica sobre José Sarney, onde ele revela que o senador-poeta afirma em versos que as estrelas são vacas: "As estrelas são vacas/ que vagam e se perdem/ nas enseadas da noite" ("Os maribondos de fogo"). Diante disso, sugere o crítico que os astronautas passem a levar grandes quantidades de capim ao espaço, depois de estudar qual o preferido das estrelas quadrúpedes: Capim-bobó? Capim-açu? Capim-gordura? Capim-guiné? Capim-jaraguá? Capim-membeca? Capim-bambu? Capim-canudinho? Capim-de-angola? Capim-elefante? Capim-limão? Capim-marmelada? Capim-de-burro? Capim-barba-de-bode? Assunto deveras grave, uma vez que a escolha errada poderá implicar na alimentação deficiente das pobres vacas celestes que correrão o risco de perder a luminosidade. Como ficariam, então, os demais poetas sem estrelas brilhantes nos céus? Para concluir, Fernando Jorge compôs um poema inspirado na tese sarneyana enquanto contemplava embevecido "a imensidão toda estrelada, ou melhor, toda avacalhada" do céu.
Haveria ainda, penso eu, o risco de ofender as estrelas. Vaca, hoje em dia, tem duplo significado, dependendo da entonação.

 

CARTA DE SAUDADE AO AMIGO
FERNANDO PESSOA

Nuno Rebocho
(Cabo Verde)

meu caro fernando: ainda me lembro
do charro que bailámos no atelier
- arrastavas-te com o pesado arreganho dos cartazes
e a minha mente era tômbola até eu dizer
nunca mais. eu tinha o entusiasmo das verduras
mergulhado na tabacaria mas recusei
atirar-me da janela como vítor fez
quando te descobriu (deixou recado: já não há
mais nada para dizer). entretanto passaram
oceanos e os dias incharam de velhice
(confesso, álvaro: estou velho) mas continuei
pronto para viver olhando o mundo
embora incapaz de fazer o pino: e vieram
outros amigos (o tzara, o apollinaire,
o manuel maria, o drummond, o craveirinha, o vário)
que por aqui passaram
e agora confraternizam contigo
no lugar das coisas
- suponho que não desistiram de escrever poesia
(os poetas nunca desistem). quando eu aí chegar
quero ler esses poemas e escrever convosco
um cadáver esquisito. daqui levar-te-ei chocolates
para adoçar as bocas amargosas das vergonhas
com a metafísica da esperança e contar-te-ei
como os teus direitos autorais enricaram
familiares que te chamavam pobre diabo
e nunca te leram antes de saberem
que as gerações te amavam. depois leram-te
e fingiram perceber.
ah, fernando: rir-te-ás deste mundo.

 

 

PRÊMIO CRUZ E SOUSA E A LEI GRANDO

Por Luiz Carlos Amorim

Logo depois de assumir a Fundação Catarinense de Cultura, há alguns meses, a atual presidente falou aos grandes jornais do estado, declarando que garantia os recursos para a realização de mais uma edição do Concurso Cruz e Sousa e para fazer cumprir a Lei Grando, que regula a compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais em todo o Estado, homologada em 1992.
O Prêmio Cruz e Sousa, conforme prometido, está sendo reeditado, depois de seis anos da sua última realização. O gênero escolhido foi o romance e as inscrições estão abertas desde o dia 21 de outubro até o dia 5 de março de 2009. Haverá duas categorias e serão contempladas seis obras: R$ 50 mil ao primeiro lugar, R$ 20 mil para o segundo e R$ 10 mil ao terceiro para a categoria Nacional. Na categoria Catarinense, os mesmos valores, num total de cento e sessenta mil reais, os maiores prêmios de concurso do gênero. Palavra cumprida, então, no que diz respeito a um dos maiores prêmios literários brasileiros.

Com respeito à Lei Grando, que não é cumprida por todos esses dezesseis anos, não se fala nada, e já estamos quase no final de novembro. Será que novamente a lei nº 8.759, criada em julho de 1992 e regulamentada quatro anos depois, será relegada ao esquecimento? O texto regula a obrigatoriedade do Estado em adquirir e distribuir às bibliotecas públicas municipais, anualmente, 22 livros publicados por autores de Santa Catarina. A lei estipula a compra de 300 exemplares de cada obra, adquiridos com 50% de desconto no valor da capa. A responsabilidade de realizar a seleção dos títulos beneficiados estava a cargo da Comissão Catarinense do Livro (Cocali), criada em função da lei, mas que nunca fez o seu trabalho.

Conforme matéria do DC, a própria presidente da Fundação Catarinense de Cultura, Anita Pires, desconhecia a existência da lei. Depois de procurar o deputado Sérgio Grando, autor da lei, Anita decidiu reservar R$ 50 mil do orçamento da FCC deste ano para reativar a lei.
Ainda segundo a reportagem, a presidente afirmou que, "para o próximo ano, esse montante deverá, no mínimo, ser duplicado". As obras de autores catarinenses, que deveriam chegar às prateleiras das bibliotecas públicas até o final do ano, seriam escolhidas por uma nova comissão - não mais a Cocali - formada por membros de diversas entidades, como Academia Catarinense de Letras, Udesc e UFSC.
É certo que, além do Prêmio Cruz e Sousa, "foram lançados também dois editais em prol da cultura em Santa Catarina: o Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, promovido pela FCC e o Conselho Estadual de Cultura, pretende estimular a produção, circulação, pesquisa, formação, preservação e difusão de trabalhos artísticos, com recursos do Funcultural. E o edital dos Pontos de Cultura, que contemplará 60 projetos de entidades sociais e que promovam a inclusão social e construção da cidadania, com geração de emprego e renda por meio do fortalecimento das identidades culturais. Serão concedidos R$ 180 mil pelo prazo de três anos". Mas houve uma promessa com a garantia de ter sido reservada verba para dar cumprimento à Lei Grando ainda este ano. Será que neste mês de dezembro veremos, finalmente, o Estado cumprir sua parte, comprando livros de escritores catarinenses para entregá-los às Bibliotecas municipais? Será?

 

 

JOÃO DE BARRO

Else Sant´Anna Brum

Levando barro no bico
Pra fazer sua casinha
O João-de-barro trabalha
Desde manhã à noitinha.

É muito amigo do homem
Pois, não raro, faz seu ninho
Nos beirais de sua casa
Para ficar bem pertinho.

Quase sempre escolhe os postes
Pra assentar sua morada.
Seu canto bem ritmado
Parece uma gargalhada.

Este pássaro alegre
Dá lições de bem viver,
Pois a sua companheira
Ele só deixa ao morrer.

 

A LÍNGUA DAS BORBOLETAS

Por Urda Alice Klueger

Das tantas línguas com quem se encontrou Cabeza de Vaca nas suas longas andanças pelo continente americano (só na região da América do Norte onde hoje ficam Estados Unidos e México, de uma assentada só, caminhou mais de 10.000 quilômetros), penso que a mais falada e soberana até hoje seja a língua guarani, usada atualmente na Bolívia, Argentina, Brasil - mas, com muito maior força e reconhecimento, no nosso vizinho Paraguai.
Na primeira vez em que fui de verdade ao Paraguai (nós, brasileiros, costumamos ir até a zona franca que fica entre Brasil e Paraguai, e depois dizermos que fomos ao Paraguai - e ficarmos falando mal daqueles poucos quilômetros cheios de quinquilharias, sem termos a menor noção da beleza que é aquele país), depois de vários dias na belíssima cidade de Assunción, decidi visitar uma região mais ao Noroeste, o estado Menonita. Conhecer a terra dos Menonitas, só por si dá um livro, e então deixo para contar em outra oportunidade. O que quero falar é da língua guarani, que tanto me espantara já em Assunción.
O guarani é a primeira língua de um paraguaio, a língua que ele aprende em casa, com a mãe. Mais adiante vai aprender o espanhol, mas desde os primeiros balbucios e choros, um paraguaio os faz em guarani. Por muitos dias ficara perambulando pelas ruas e praças de Assunción, bastante pasma ao escutar o uso constante do guarani, e não só por pessoas com "jeito" de paraguaias (se é que existe tal "jeito") como também por gente evidentemente estrangeira, como aqueles loirões modelo Hollywood que são gerentes de Bancos Internacionais, etc. Nas livrarias, interessara-me profundamente pelos livros em guarani, onde não consegui entender nenhuma palavra escrita, e onde comprei, para um amigo que gosta de estudar línguas, um livro de lendas (em guarani, claro!) e um dicionário Guarani/Espanhol.
Mas estava contando que acabei viajando para o tal estado Menonita, e na rodoviária de Assunción, já instalada no ônibus, vi entrar nele três jovens e lindas moças sem aquele "jeito" paraguaio ao qual já me referi acima - eram muito loiras, pareciam-se mais com descendentes de europeus do sul do Brasil. Há dias e dias sem ouvir o português, captei alguma palavra em português na fala delas, e fui lá conversar. As moças eram as famosas brasiguaias, que vinham de um estado ao Nordeste do Paraguai, lugar onde vivem muitos brasileiros e seus descendentes. Sim, tinham raízes no sul do Brasil, e falavam português, embora com alguma dificuldade e algumas falhas. Como andava muito curiosa a respeito, perguntei-lhes se falavam guarani. Elas me olharam como se eu tivesse dito uma asneira - claro que falavam guarani! Quem não tinha aprendido em casa tinha aprendido na escola - e então eu me espantei mais: a escola era em guarani? Claro, a escola era em guarani, em que outra língua seria?
E estávamos nessa conversa, elas a contarem que estavam indo para o estado Menonita para trabalharem, quando prestei atenção numa menina que estava na rodoviária, do lado de fora do ônibus, sentada sobre uma alta mala. Teria oito ou nove anos, e lia atentamente um colorido livro infantil cuja capa não deixava dúvidas: era em guarani!
- Gente, olhem a menina, olhem a menina! Está lendo um livro infantil em Guarani!
As três lindas moças me olharam como se eu fosse boba, e depois se entreolharam. Acho que acharam que deveriam dar uma explicação ao ser humano sem bom senso que eu era:
- E daí? Nossos livros infantis também eram em guarani!
Aí fiquei quieta e feliz como não saberia explicar a elas. Pensei em Cabeza de Vaca. Se ele soubesse que, quase cinco séculos depois, aquela língua estaria completamente viva tanto nos livros infantis quanto nas universidades paraguaias, o que diria ele aos seus sucessores que vieram munidos da cruz e da espada para acabar com tudo o que não fosse cristão? Tendo lido um bocado sobre Cabeza de Vaca, acho que ele ficaria bem feliz!
Até hoje estou pensando por que nos chamam de América e Latina! É tão parco o latim nesta nossa terra de tantas línguas antigas!

 

 

UM MOÇO

Maria de Fátima Barreto Michels

Aquele sujeito é assim um tipo leve.
Um moço.
Esquisito observar um moço.
Geralmente nos dias de hoje vemos
os rapazes. Uns caras. Os gatos. Os meninos.
Os bombados. O cara. Um jovem...
Hoje há de tudo, mas fazia tempo eu não via,
um moço.
Ora que tanto rodeio estou a fazer...
Claro que nem todo moço é um poeta
Mas homem poeta é geralmente um moço.
Acho que ele será, mesmo com a idade, um moço.
Sempre.
Terá sempre aquele ar de moço que para meus olhos,
teve até o fim por exemplo, um sujeito de nome
Mário de Miranda Quintana
Aquele moço que vi hoje é assim um tipo leve.
Leveza de poeta. Hoje vi um moço. E poeta.

 

 

FEIRAS DO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim

Depois da Feira do Livro de Rua de Florianópolis deste ano, em maio, diante de algumas reclamações sobre a falta de convidados de renome nacional, realização de debates, oficinas e seminários, poucos lançamentos de livros, o presidente da Câmara Catarinense do livro, realizador do evento, declarou que iria repensar as feiras na grande Florianópolis. Só faria feira de novo quando tivesse recursos suficientes, o que poderia significar apenas uma por ano.
As feiras do livro se multiplicaram, nos últimos anos na grande Florianópolis e sofreram algumas mudanças: a de setembro, que era realizada no sexto andar do Beiramar Shopping, passou a ser realizada também no Largo da Alfândega, como a Feira de Rua do Livro, que acontece em maio, há oito anos. Antes, havia apenas uma feira do livro. E no ano passado, a Câmara Catarinense do Livro realizou, também, a primeira Feira do Livro de São José, no Shopping Itaguaçu, no final do ano.
Talvez uma feira do livro apenas por ano, bem realizada, fosse o bastante. A verdade é que estamos em dezembro e não se falou nada até agora sobre a Feira do Livro de Florianópolis ou sobre a de São José. Aliás, o site da Câmara Catarinense do Livro foi atualizado, a última vez, em setembro, com a divulgação da Feira do Livro de Tubarão. Então falei com a secretária da Câmara e soube que a casa programou a 23ª Feira do Livro de Florianópolis para dezembro, do dia 11 ao dia 20, mas está dependendo de liberação da SUSP. Talvez haja uma feira do livro de fim de ano.
À guisa de integração dos escritores dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, um acordo foi firmado no ano passado entre a Câmara Riograndense do Livro e a Câmara Catarinense do Livro. Através do referido acordo, escritores catarinenses participaram da Feira do Livro de Porto Alegre, em novembro de 2007. Na contrapartida, escritores gaúchos participariam da Feira do Livro de Florianópolis. Mas a Feira de Porto Alegre já passou e não houve nenhuma comunicação a respeito da manutenção ou não do acordo. Uma pena.
Será que as dificuldades da Câmara Catarinense do Livro se devem à falta de apoio de editoras e livreiros daqui da terra, no que diz respeito à associação à entidade e pagamento de anuidades ou mensalidades, o que causaria a falta de recursos e inviabilizaria o investimento na sua atividade principal? Seria bom que a feira do livro de dezembro se realizasse, pois ela é, também, uma fonte de arrecadação para a Câmara, com a venda dos stands.

 

 

LEMBRANÇA DEPOSTA


Joel Rogério Furtado

Indubitável dor me assalta
quando me flagro só
(de mãos vazias e algemadas).
Assim mesmo queria dar-te
meu momento mais puro
meu pensamento mais duro
na incoerência
desta funda ausência.
Agora vivo momento confuso
no caminho difuso
dessa história sem nexo
no momento reflexo
de dor introspectiva.
E ressentido espero
apesar dos pesares -
apesar dos azares
e dos duros momentos
de olvido.
Também quero espargir amor
por sobre os montes
tudo fazer para desvendar
a esfinge da cruel indiferença.
A realidade posta e
em descanso -
a maldade reposta
no caminho das sombras -
a boa lembrança (pulverizada)
de nossas ânsias
(sem piedade)
são ingredientes do sonho.
Afinal
Transcende a tudo
o caminho colorido
das reminiscências.

 

A GRÁVIDA

Conto de Célia Biscaia Veiga

Era cedo. Era muito cedo. Ainda estava escuro. E lá estava ela, de olhos abertos, olhando para cima e não vendo nada, pois nada conseguia ver naquela escuridão. Se olhasse para a direita, poderia ver os ponteiros luminosos do despertador que ira tocar dentro de pouco mais de uma hora. Mas ela não queria ver as horas. Queria era dormir, mas o sono não vinha. Ouvia o ressonar do marido virado para o outro lado. Ainda bem que ele estava dormindo, assim não ira preocupar-se com ela.
Desde que soubera que estava grávida, passada a primeira sensação de euforia, uma inexplicável tristeza a acompanhava. Não sabia explicar porque, mas a verdade é que "sabia" que morreria no parto e isso a preocupava muito.
Será que seu bebê sobreviveria? E se sobrevivesse, coitadinho, não teria a ela para amamentá-lo. Seria criado na mamadeira desde pequenininho. O pior era pensar nos riscos de saúde que ele correria, pois não recebendo leite materno não receberia os anticorpos contidos na alimentação natural.
O primeiro filho havia sido amamentado até quase dois anos e tinha uma saúde de ferro. E este, desde o primeiro dia não iria receber o seu leite. Nem o colostro, rico em nutrientes, ela poderia oferecer a ele, visto que sua morte ocorreria durante o parto...
E quem cuidaria dele e do outro, maiorzinho, mas ainda pequeno, precisando tanto de cuidados...
Lágrimas doloridas escorrem de seus olhos. Ela nem se mexe para enxugá-las com medo de acordar o marido e ter que explicar porque estava chorando.
Finalmente consegue adormecer, pouco antes do relógio despertar.
Levanta com olheiras e vai cuidar de seus afazeres diários, mantendo-se ocupada durante o dia todo com a vida, sem tempo para pensar na morte.
Mas quando a noite chega, os pensamentos voltam. Mais uma noite sofrida, imaginando como seria se o bebê também morresse com ela. Será que seu marido teria estrutura para suportar e atender as necessidades que surgiriam para o filhinho mais velho?
Será que o seu garoto teria raiva do irmãozinho, visto que ficaria associada em sua cabecinha a chegada do irmão com a partida da mamãe?
E assim seus pensamentos mórbidos sempre a levavam às lágrimas, noite após noite. Até o dia em que seu marido, que até então apenas percebia que ela andava abatida, mas levava em conta do cansaço natural da gravidez, acorda com ela chorando. Assustado, quer saber o que aconteceu. Ela não queria contar, sabia que ele não iria entender e riria dela, mas depois de muita amorosa insistência, acaba despejando todas as suas angústias.
O marido não sabe o que dizer. Acha que tudo aquilo era bobagem, sem fundamento algum, pois o primeiro filho nascera de parto normal sem nenhuma complicação, então porque ela "teria" que morrer durante o segundo parto? Mas sabia que não poderia falar assim tão francamente, pois ela não se sentiria apoiada e a insegurança seria pior.
Amorosamente a abraça e fala que esses pensamentos se devem ao fato dela estar com a sensibilidade aguçada pela gravidez, mas que se tinha alguma dúvida, devia conversar com o médico, para poder se tranqüilizar.
Mas mesmo após a conversa com o médico, a absurda certeza da morte inevitável a acompanhava. Organizou toda a sua vida para não precisar deixar nenhum problema para trás. Escreveu uma longa carta para seu filho mais velho, falando de todo o seu amor e de todas as expectativas que tinha para o futuro dele, e o quanto queria que ele fosse feliz. Fechou o envelope e o endereçou ao filho, com a recomendação escrita de que era para entregar a ele quando ele tivesse condições de ler e entender a carta.
Escreveu também para o bebê, dizendo o quanto gostaria de estar presente em todas as fases de sua vida, e que, embora não o tivesse visto com os olhos, o via com o coração e muito o amava. Igualmente o envelope fechado para entregar quando fosse capaz de entender.
Ela tinha tanta certeza, que seu marido começou a se preocupar, influenciado pela sua atitude. Por mais que a razão lhe dissesse que nada havia a temer, o emocional estava também o angustiando.
Finalmente, numa terça-feira, quando ele está no trabalho, recebe uma ligação da mulher, pedindo que viesse para levá-la à maternidade, pois entrara em trabalho de parto. Nervoso, volta para casa, passando pela casa da sogra e levando-a para ficar cuidando do filho, como já tinha sido combinado.
Chegando na maternidade, um último beijo cheio de expectativa e temor...
O bebê nasce. Um garoto forte, de quase quatro quilos. A mãe passa bem, e é levada ao quarto para o necessário repouso.
Quando o marido entra no quarto, a vê sorridente na cama, vivinha da silva. Então só lhe ocorre dizer:
- Viu como você não morreu?

 

SUPOSIÇÃO

Margarete Iraí



Supondo que eu soubesse do sofrimento
que eu teria....
E de tanto mal que tu me farias...

Supondo que, de antemão,
pudesse evitar,
e mesmo assim
ainda te conheceria?
e menos eu te amaria ?

Supondo que hoje
retornasses a vida minha,
e de tudo já sabendo,
te aceitaria?
e mesmo assim
ainda eu te amaria?

Supondo que retornes
à vida minha,
e me dês todo amor
que deste um dia,
Por ti, tudo, novamente
eu sofreria
e ainda
muito mais eu te amaria...

 

 

SAUDADES

Por Mary Bastian


Quando os nossos nos deixam para sempre, a dor e a surpresa acabam conosco. Até aliviar, a gente chora, xinga, pergunta , chora outra vez, nega, sufoca e entra num círculo destrutivo e depressivo. Não adianta nada ouvir o que os outros tem pra nos dizer. Não queremos ouvir. Só queremos a solidão da nossa tristeza.
Mas o tempo nos traz uma caixa bem fechada, onde se guarda os sentimentos dolorosos pra poder continuar o dia a dia. Aí a gente disfarça, porque ninguém tem culpa da nossa tristeza.
Mas a saudade tem formas estranhas de se manifestar quando menos se espera: um bolo de laranja, uma tapeçaria de girassóis, um calhambeque detonado que nos lembra um certo Ogro Móvel.
A dor está sempre ali, na caixa que a gente olha e não tem coragem de abrir. A saudade também fica guardada nas fotos que se tirou de circulação, dos bilhetinhos fechados num envelope, que a covardia nos impede de ler novamente.
E assim vai- se levando os sentimentos pra outra dimensão, tentando diluí-los. Nesta dimensão, ficam os outros sentimentos, o amor e carinho pelos que ficaram, pelos que ainda precisam de nós e aqueles de quem a gente precisa. É o batido circulo da vida e da morte. Uns entendem de um jeito, outros tem outra visão e muitos tem várias explicações.
A gente ouve todas e escolhe qual vai aceitar, e muitas vezes não se aceita nenhuma, por que a dor e a saudade são só nossas, ninguém tem uma idéia exata da sua enormidade.
Mas precisamos continuar sendo fortes, porque sempre fomos, e é isto que esperam de nós. Então , vamos lá, não se pode abrir a guarda e ficar entregue ás lembranças doloridas, só às boas, mas estas também nos trazem desalento, pois não se repetirão.
E a gente fica presa ao inevitável, esperando que os que estão aqui tenham razão, e que um dia todos nós nos encontremos numa confraternização celestial. Até lá , resta manipular a saudade.

 

 

NATAL

Aracely Braz

Quero sentir
a estrela do Oriente
que brilha em alerta
à noite santa;
Quero reviver o aniversário
de um Rei tão pobrezinho
enriquecido de amor;
Quero entender o desabrochar
da flor do jacatirão,
Prenúncio de mais um natal;
Quero oferecer
meu melhor presente
Recheado de esperança
a todo irmão.
Quero aprender a perdoar,
E quero ser perdoado.
Quero que aquela luz
Que resplandeceu
Na manjedoura de Jesus,
Brilhe em cada coração.

 

FOLHAS QUE CAEM

Por Jurandir Schmidt

Quando as folhas das árvores perdem a sua cor verde e adquirem outras tonalidades, significa que nelas estão ocorrendo transformações químicas. A maioria destas transformações ocorre quando aparece o frio e elas caem.
Em todos os lugares arborizados, sempre há folhas pelo chão. Elas caem em todas as estações, em algumas de maneira mais intensa do que nas outras. Não é somente as folhas secas que se desprendem das árvores; algumas vivas e verdes também deixam as alturas e planam até o chão. Fatores alheios aos naturais causam as quedas e a maioria deles, ligados às ações humanas. Não há alarde quando elas descem sobre a terra, mas fica uma preocupação entre o casual e o provocado.
Nas alturas o cheiro da vida, em baixo o cheiro da morte. Entre estes dois quesitos, o transcorrer dos fenômenos observados pelos olhares contemplativos das pessoas sentadas nos bancos da vida: das folhas bailando ao vento; das folhas ornamentadas pelas flores; das folhas protegendo os ninhos; das folhas sombreando os frutos e as pessoas; das folhas deixando saudades nos galhos em que foram geradas.
As folhas possuem virtudes diferentes e muito longe do sentido simbólico, possuem valores que provocam ações utilitárias e contemplativas. Reclamamos quando elas sujam o chão e não as exaltamos quando proporcionam sombreamento. Varremos, amontoamos, queimamos, enterramos e até as utilizamos artesanalmente. No meio destes trabalhos, muitas vezes, o vento as espalha de acordo com a sua intensidade, parecendo brincar com a nossa paciência.
Histórias adormecidas do cotidiano repousam no chão e por cima delas, caminhamos sem noção dos fatos ocorridos. Muitas destas folhas caracterizaram momentos da nossa vida e guardam um pouco de nós.
Desejaria comprar uma caixa de lápis de cor, somente na tonalidade verde e colorir todas as folhas caídas que encontrasse. Logo desisto da intenção, pois que estaria cometendo o mesmo erro de muitas pessoas ao alterar os propósitos da natureza.

 

 

DESILUSÃO

Apolônia Gastaldi (Portugal)

As estrelas aparecem
Mostrando a noite.
Os sonhos que não fenecem
Surgem em procissões.
Como terrível açoite
Vêm cantando as lembranças
Entoam velhas,
esquecidas confissões,
Antigas e novas promessas.

A insônia feiticeira,
Abre o cofre das grandes recordações.
Mostra imensas ternuras
Registros escritos ontem
No mar das ilusões.
Na falsa areia perdida
Desenhos de corações

E a lágrima
Não contida
Cai no chão,
Convertida.

Desilusão,
Só.

 

 

“OS LUZÍADAS” EM VERSÃO PARA CRIANÇAS

Depois de encantar milhares de pessoas há mais de 400 anos, o épico "Os Lusíadas", de Luís de Camões, ganha uma versão para o público infantil. Em "Os Lusíadas para Crianças - Era uma Vez um Rei que Teve um Sonho", Leonoreta Martins conta a história de maneira simples, com uma linguagem acessível aos pequenos leitores. As ilustrações de José Fragateiro ajudam a entender o texto escrito por volta de 1570.
A epopéia da literatura portuguesa ganha na versão infantil uma narrativa que explora ainda mais as aventuras em torno da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Leonoreta Martins recria seus principais episódios e inclui citações da obra original de Camões. Deuses imortais e prodigiosos que assumem formas humanas, a descoberta de povos e mares desconhecidos e fatos históricos contados com o sabor que só um grande escritor sabe criar são ingredientes que tornam a leitura ainda mais interessante. Mais do que retratar as dificuldades que os marujos portugueses enfrentavam, Leonoreta busca incentivar o gosto das crianças pela ciência. Editora Martins.

 

 

POESIA

Teresinka Pereira
(USA)



Pouco é a poesia.
Para alguns
não é nada.

Mas se é o único
em que podemos crer,
que podemos compartilhar,
que podemos viver,
e no qual podemos perguntar,

que me acaricies
com seus sons
de paixão
porque jamais a inteligência
chegará a tanto.


DEPOIS DE 6 ANOS, É LANÇADA NOVA EDIÇÃO DO PRÊMIO CRUZ E SOUSA

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Cruz e Sousa de Literatura. Promovido pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), esta edição do prêmio vai contemplar romances inéditos, escritos em língua portuguesa por brasileiros, em duas categorias de premiação: Nacional e Catarinense. As inscrições foram abertas em 21 de outubro de 2008, e podem ser realizadas até o dia 5 de março de 2009. O Edital com a ficha de inscrição está no link "Downloads" do site da FCC (www.fcc.sc.gov.br). Os candidatos nascidos em Santa Catarina, bem como os residentes no Estado há no mínimo três anos, concorrerão automaticamente nas duas áreas, nacional e catarinense, desde que escrevam em cada uma das cópias, ao lado do título e do pseudônimo, a palavra "catarinense". Todos os romances devem ser rigorosamente inéditos. O concurso vai premiar seis concorrentes nas duas categorias, totalizando R$ 160 mil em prêmios. Além do montante em dinheiro, cada autor premiado terá sua obra publicada pela FCC, à qual cederá os direitos autorais da primeira edição. Os resultados do concurso serão divulgados junho de 2009.

 

POEMA sELMA

 

ONDE ENCONTRAR OS LIVROS DA EDITORA HEMISFÉRIO SUL

O livro “Borboletas nos Jacatirões”, de Luiz C. Amorim e todos os livros da Hemisfério Sul estão à venda nas seguintes livrarias: Saraiva (inclusive virtual), Curitiba e Catarinense. Central Livros e Rio Centro (Rio do Sul), Convivência, Fapeu, Livros e Livros, Catarainense, Saraiva (Florianópolis), Aladim e Casa Aberta (tajaí), Acadêmica, Alemã, Papelaria Danúbio, Blulivros (Blumenau), Diocesana (Lages), LDV (Indaial), Papelaria Mosimann (Brusque), Cultural (São Leopoldo-RS), Bauhaus (Balneário Camboriu), Midas e Catarinense (Joinville), Nova Objetiva (S. Miguel do Oeste), Origem (Timbó), Grafipel (Jaraguá do Sul), Recanto do Livro (Videira), Refopa Joli (Pomerode), Fátima Art. Esp. (Criciúma), Ponto do Livro (Cruz Alta-RS). Pedidos também para o e-mail hemisferiosul@san.psi.br

 

EXPLOSÃO

Luiz Carlos Amorim

É dezembro,
é verão, é Natal...
Explode com força a cor
da flor do Jacatirão:
pétalas de esperança
colorindo o futuro...
Sinal de vida, ainda,
a luz do nosso caminho

 

RENASCIMENTO

Luiz Carlos Amorim

Há um raio de luz
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.
É a vida ressurgindo,
é o Natal do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus!


EXPEDIENTE

Suplemento Literário A ILHA - Edição Nº 107 - DEZEMBRO/2008 - Ano 28
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
Contoatos: lc.amorim@ig.com.br - prosapoesiaecia@yahoo.com.br
A ILHA na Internet: Veja o portal PROSA, POESIA & CIA. em
Http://geocities.yahoo.com.br/prosapoesiaecia


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