Revista literária eletrônica do Grupo Literário A ILHA

Setembro/2009

 

É SETEMBRO


Por Luiz Carlos Amorim


De novo um setembro está começando e esperamos que seja um setembro com sol, cores, esperança e uma realidade mais amena, mais humana. Precisamos de mais poesia, mais reflexão, mais coração e muito menos violência, corrupção e falta de respeito. Ainda somos seres humanos. Precisamos parar de agir como animais irracionais e pensar no nosso futuro, ou não haverá futuro.
Que independência, que liberdade é essa que não dá perspectiva nenhuma de amanhã? Há que se pensar com menos imediatismo, há que se pensar no depois, no mais adiante.
Como festejar a nossa independência, se ela se esvai no descaso de nossos governantes, na falência da saúde, da educação, da justiça e da segurança? Como comemorar uma coisa que não temos, que foi solapada por políticos imorais e corruptos, que ao invés de defender os direitos do cidadão, ao contrário, roubam descaradamente os impostos tantos que ele paga com tanto sacrifício, a maior quantidade de impostos do mundo?
Como podemos nos considerar independentes se estamos a mercê de um senado (sim, com letra minúscula) repleto de estelionatários, corruptos e corruptores de carteirinha que têm a conivência da justiça e da presidência do país?
Precisamos, nós cidadãos, proclamar a nossa independência, não votando mais nessa corja que aí está, escolhendo melhor ou mesmo não votando em ninguém, anulando o voto, para manifestarmos nossa insatisfação e revolta com tanto desrespeito, desonestidade, falta de vergonha na cara, mesmo, falta de hombridade e humanidade.

 

INDEPENDÊNCIA ou MORTE


Else Sant’ana Brum


Neste Brasil, em cada coração
seja filho ou imigrante
Há o dom de ser livre
E nos seus olhos se reflete o brilho
Que toda geração herda e revive
de uma data memorável de setembro.
Mil oitocentos e vinte e dois
e era sete o dia...
Nasceu com esplendor a liberdade
na tarde que morria!
Do reino português independente
Mostrou este Brasil a toda a gente
sua imutável vocação:
nascido aos pés da cruz, livre seria!
Insurgiu-se altaneiro contra a tirania,
quebrou o vínculo da escravidão.
Livre, pôs-se a crescer de sul a norte
que independência quis
e não a morte!
Hoje é assim o Brasil:
Vive em clima de paz constantemente
Agasalhando os filhos docemente;
E nunca cedendo a quem servil o queira
faz tremular ante as nações do mundo
a mensagem sagrada de sua Bandeira.
Canta, Brasil! E cada brasileiro
cante orgulhoso, sobranceiro e forte
e ouça ressurgir do alto do Ipiranga
o antigo e novo brado:
INDEPENDÊNCIA OU MORTE


CARTA RESPOSTA A LUIZ C. AMORIM PELO ARTIGO “A SITUAÇÃO DO ESCRITOR PRASILEIRO”

Por Teresinka Pereira (Presidente da International Writers Association – USA)

Li por acaso, porque fomos publicados lado a lado no jornal O DIA do Piauí, mas com muita atenção, o seu artigo “A Situação do Escritor Brasileiro”. Você tem muita razão em tudo o que diz ali: todos os escritores do mundo dizem a mesma coisa, que o único espaço acessível ao escritor moderno é a internet. Eu creio que nos encontros de escritores nós devíamos fazer alguma coisa mais produtiva do que reclamar.
Temos que encontrar uma saída para a crise de espaços. Os editores de revistas, jornais e até de alternativos (e você é um bom exemplo) merecem nosso aplauso, nosso agradecimento e nossa admiração, porque sacrificam seus recursos econômicos, seu tempo e suas energias criativas para fazê-lo, pois em vez de estar escrevendo sua própria obra, estão ajudando aos outros escritores a divulgar a deles. Felizmente, quase todos os amigos publicados por esses meios, reconhecem e mandam umas palavras agradecendo.
Li em uma revista que, segundo editores franceses, de acordo com a realidade do sarcozismo, a cultura da paz e humanitarismo não são temas de lucro comercial, quer dizer, não vendem. Todo o mundo saiu a criticar os editores e a Nicolas Sarkozy, que representa essa mentalidade de que o lucro comercial é a nossa salvação, idéia clonada da Wall Street americana. Talvez o povo francês, o que trabalha, anda pela rua, compra e vende, já esteja cansado de ser modelo literário e cultural do mundo e queira encher os bolsos de euros em vez de livros que não tem tempo de ler. E o resto do mundo vai na mesma onda. E temos que considerar que a recessão econômica vai ensinar que barriga vazia pode inspirar a um poeta ou a um filósofo, mas não deixa ninguém com vontade de ler. E o que acontece quando o leitor não acha que o livro valeu o preço que pagou por ele? Pois o que você mesmo diz em seu artigo é verdade: “Consta que, apesar da dificuldade de se publicar livros, o número de escritores aumenta cada vez mais, ainda que a qualidade de uma grande parte seja discutível”.
Pois o que acontece é isso: uma decepção. A gente compra um livro e depois verifica que o mesmo não corresponde a nossa expectativa. Temos que recordar que o livro é considerado quase que como um objeto sagrado para os bibliófilos como eu. O lugar mais importante da minha casa e da IWA (International Writers Association) é a biblioteca.
Ninguém tem o direito de ir lá e procurar livros sem o meu consentimento e tem que fazê-lo sob minha vigilância. Portanto, temos que esperar que o livro mereça esta estimação. O escritor venezuelano Victor Bravo diz com certeza: “O livro é um âmbito de cultura, mais que um meio para um fim. Esse âmbito é uma das conquistas mais valiosas da humanidade.”
Mas não é necessário ir ao estrangeiro para buscar elogios ao livro por excelência e como objeto de saber. O escritor brasileiro Cyro Armando Catta Preta escreveu esta quadra sobre o livro: “O livro é teu grande amigo / o braço que ajuda e ampara. / É alimento, é vinho, é trigo, / colhidos em messe rara...”
Quero contribuir com essa investigação de como resolver o problema da publicação das obras literárias botando minha colher de pau na panela. Temos que considerar que os editores não são os únicos culpados, embora eles sejam os primeiros a receber o xingatório por serem comerciantes interessados somente no lucro de venda da nossa criatividade e sacrifício. E olhando por esse mesmo lado, os consumistas também são culpados, porque em vez de comprarem um livro ou uma revista literária para ler um novo escritor ou um poeta ainda não consagrado, não arrisca seu pequeno investimento circunstancial e prefere comprar ou um desses livros de ajuda psicológica ou social, que os vai ensinar como se comportar ou como pensar positivamente para serem bem sucedidos na vida. Ou pior ainda, compram uma revista pornográfica que vai mais diretamente ao ponto da diversão, ou um livro de autor já conhecido para aumentar o seu conhecimento lítero-cultural.
Portanto, se os editores são tão difíceis de convencer, vamos tentar convencer aos prováveis compradores de livros de que o nosso livro representa a melhor e mais vantajosa compra que ele vai fazer. As vezes uma capa mais colorida e chamativa pode fazer o truque, às vezes o título, às vezes a publicidade no lançamento. Mas para lançar um livro, temos que publicá-lo, imprimi-lo primeiro. E se não conseguimos convencer um editor ou uma cooperativa, vamos ter que pagar pela edição nós mesmos. Nisso sou toda a favor! Os grandes escritores do presente e do passado, os que ficaram na história da literatura fizeram isso ao começar a se expor ao gosto do público. Podem investigar que vão achar que as primeiras edições foram pagas pelo autor. E como gastar tanto dinheiro para fazer a edição por conta própria, se um livro editado custa quase o mesmo que um carro, uma viagem ao estrangeiro? Pode custar menos! Portanto, pague-se o livro e que espere o carro, a viagem. Estas coisas terão mais valor quando nosso livro for bem recebido, bem reconhecido. Mesmo que não seja possível jamais realizar o sonho do carro ou da viagem, vamos fazer companhia aos milhões de poetas ou escritores pobres desse mundo... mas o mais certo é que o livro vai nos ajudar a encontrar um emprego de professor, de jornalista, de empregado público, se para isto tivermos também diplomas e capacidade. O livro vai abrir muitas portas no mundo intelectual, que é o nosso mundo e o único que queremos: o livro publicado pode ser nosso melhor investimento para o futuro. Mas...
O livro que publicarmos terá que ser excelente! Tem que ser uma estréia para dar o que falar, para ser resenhado, para ser lido pelos críticos literários e professores, os quais, naturalmente devem receber o livro como um presente. Se esses leitores escolhidos não gostarem do livro ou acharem que o livro não apresenta nenhuma novidade, que o autor está chovendo no molhado, que foi tudo uma perda de tempo, eles provavelmente não vão fazer muitos comentários favoráveis e vai faltar publicidade. E pior do que tudo, os leitores que pagaram pelo livro podem pensar que o escritor fez uma falta ecológica por ter gastado papel.
Portanto, cabe ao escritor, inclusive ao poeta, encontrar a solução para o problema do espaço viável para se expor à crítica, a qual determinará se vai à consagração ou ao esquecimento. E lembramos que, como criadores literários, devemos ir não pelo caminho já trilhado antes, que surte mais efeito e talvez dê bom resultado, mas por uma paisagem nova, por um lugar aonde ninguém passou ainda e deixar um novo caminho descoberto.
Obrigada pela inspiração, companheiro Luiz Carlos Amorim. Valeu.

 

ALVORECER

Selma M. Franzoi de Ayala

Na noite
a angústia cativa
No dia
as amarras de saudade e dor...

Tamanha crueldade contigo
Livre, só o canto do teu sonhar!
...E quando o tempo passou...Livre!
Viva tua infinita liberdade!
Viva teu etéreo sonhar!
Meu irmão negro,
pobre de teu coração
sofredor...

Negro banzo a te matar,
negras correntes a te marcar,
negra a noite da tua solidão...

 

 

OS SARAUS POÉTICOS

Por Luiz Carlos Amorim

Descobri que nós, do Grupo Literário A ILHA, somos precursores na realização de modernos saraus. O Recital de Poemas, que fazíamos nas praças, em feiras de arte e em locais fechados como festas e escolas eram, na verdade saraus de poesia.
Isso me ocorreu ao ler matéria sobre a existência de dezenas de saraus na cidade de São Paulo, na edição de ontem do Estadão. São mais de trinta, ao todo, a maioria deles reunindo poetas para ler e ouvir poesia, mas alguns dão especo também para teatro, dança, etc.
Fiquei feliz ao saber que um trabalho que já fazíamos há trinta anos atrás está se popularizando, tornando a poesia mais conhecida e praticada, motivando as pessoas a lerem mais e a produzirem mais este gênero ainda meio maldito, pois apesar de ter produção tão intensa, vende tão pouco. Ainda bem que é bastante lido, também, pois a internet possibilitou a exposição e o acesso, embora a qualidade do que é publicado lá nem sempre seja das melhores. Mas isso é assunto para outra crônica.
O importante é que os espaços estão lá, abertos a quem queira utilizá-los e a realidade dos saraus se multiplicando dá gás, dá motivação a quem produz e prazer a quem ama a poesia.
Precisamos voltar a fazer os saraus, por aqui, porque a boa poesia encontra cada vez mais ouvintes, seja aonde for.

 

 

INDEPENDENTES?

Célia B. Veiga

Se vivemos num país independente
Porque ainda não aprendemos
A valorizar o que é nosso?
Porque ainda precisamos
Buscar valores de outros países
Renegando os valores nacionais?
Porque vamos buscar cultura
Em outros povos
Tachando de ridícula
a nossa cultura?

Se queremos ser mesmo
independentes,
Precisamos lembrar, antes de tudo,
Que enquanto não valorizarmos
O que é nosso,
Continuaremos sendo
um povo colonizado...

 

NOVA EDIÇÃO DO SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Já está no ar, no portal PROSA, POESIA & CIA.- http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ -do Grupo Literário A ILHA, a nova edição da revista Suplemento Literário A ILHA, de número 110 – Setembro de 2009.
Nessa edição, assuntos como “Os 103 anos de Quintana”, “O Livro Estático”, “Portal do Grupo Lit. A ILHA muda de endereço”, “Oficina de Crônica da Academia Catarinense de Letras”, “Cumprida a Lei Grando, finalmente”, “Euclides da Cunha, o escritor quase esquecido”, e ainda crônicas de Célia Biscaia Veiga, Maria de Fátima Barreto Michels, Enéas Athanázio, Urda Alice Klueger, Mary Bastian e Sônia Pillon. Também muita poesia, de poetas do grupo e de poetas de outros países, como Grécia, Portugal, Cabo Verde, Estados Unidos e Eslováquia.
Visite o Portal Prosa, Poesia & Cia. do Grupo Literário A ILHA, agora em novo endereço e veja também a edição de setembro da revista eletrônica LITERARTE, com mais prosa e poesia e muita informação literária e cultural.
São quase trinta anos de circulação da revista Suplemento Literário A ILHA e de atividades do Grupo Literário A ILHA. Acesse o portal e conheça o trabalho do grupo em prol da literatura catarinense e brasileira.
Pedidos da revista impressa para o e-mail lc.amorim@ig.com.br

 

 

 

INDEPENDÊNCIA ...

Luiz Carlos Amorim

Progresso...
Grandes cidades,
arranha-céus,
computadores, máquinas.
E a ordem?
A justica?
A liberdade?
Nas grandes cidades.
A poluição, que envenena o ar,
os rios e o mar,
matam árvores, peixes,
animais e homens...
Nas grandes cidades,
a máquina substituindo o homem,
o homem construindo armas
para destruir-se a si mesmo
e à natureza.
No campo, o homem deixando a terra
pra morrer de fome na cidade.
Nas grandes cidades
e até nas pequenas,
crianças com fome,
velhos abandonados,
pela rua, sem futuro...
Que progresso é esse?
Onde a ordem?
A liberdade, a independência?
Abaixo o progresso!
Amor e respeito!

 


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