Revista eletrônica de literatura e cultura

do Grupo Literário A ILHA.

Abril/2012

 

 

A PÁSCOA DE SEMPRE

Por Luiz Carlos Amorim

É Páscoa. No final do ano, antes do Natal, falamos, em outra crônica, que precisávamos contar as nossas crianças o significado daquela festa maior, para que não crescessem pensando que ela era apenas luzes, enfeites e presentes e a desvinculassem do nascimento do Menino que morreria, trinta e três anos mais tarde e ressuscitaria, subindo ao céu.
Bem, a Páscoa também não é simplesmente ovos e coelhos de chocolate. A palavra Páscoa vem do hebraico e significa "passagem". Os judeus comemoravam esse dia antes mesmo do nascimento de Cristo, desde há muito tempo, então com outro sentido: o de liberdade, ou seja, a libertação de anos de escravidão no Egito. Para os cristãos, a Páscoa passou a celebrar o renascimento de Cristo, a passagem dEle deste mundo para o Pai.
Páscoa, então, é renascimento, renovação, a festa da libertação. Época de repensar a vida e renová-la, de refletir sobre o Menino que se tornou homem, morreu e ressuscitou, elevando-se ao céu, provando aos homens que há uma força divina, maior, regendo nossos destinos.
Lembrei, então, que numa das crônicas de Natal eu falava da solidariedade que podemos exercitar, olhando para o lado e prestando atenção no irmão menos privilegiado do que nós. Assim como já havia feito em um Natal, numa Páscoa não muito distante da minha vida, resolvi fazer pequenos pacotes com pequenos ovos de chocolate, bombons e balas, coisa simples, quase simbólica, que eu tinha pouco pra dividir. E fui, num sábado de aleluia, distribuí-los às crianças de uma comunidade carente. As dezenas de pacotes quase não foram suficientes para as muitas crianças, que ficaram muito felizes, pois aquilo era tudo que teriam naquela Páscoa. Dava para ver, pelo brilho dos olhos e pelo sorriso estampados nos rostos, que estavam felizes. Pena que não pude explicar o significado dos ovos e coelhos, símbolos da Páscoa, e da razão porque eu estava oferecendo aquele pequeno presente.
Poderia ter falado a eles sobre o coelho, que apesar de não botar ovos, assumiu o papel de produtor e entregador dos ovos de Páscoa, pela sua notória capacidade de reprodução, símbolo da fertilidade. E que o ovo representa a pureza e a fertilidade, um símbolo da vida, daí sua relação com a ressurreição de Cristo.O ovo é como a eternidade, não tem começo nem fim.
Recentemente fomos visitar uma creche, destas que assistem crianças de famílias carentes, que deixam lá os filhos pequenos porque têm que trabalhar. E os voluntários nos mostraram uma mesa enorme coberta de cestinhas, enfeitadas, mas vazias. Explicaram-nos que, como a creche sobrevive de doações, e às vezes falta até comida, não têm como encher as cestas.
Então resolvi que vamos ajudar. Vamos tentar colocar algum recheio nas cestas. E desta vez será da maneira correta, pois as crianças, pelo menos aquelas que já podem entender, estão aprendendo o significado da Páscoa.

 

A POESIA DO HOMEM

 

Jacqueline Aisenman (Suiça)

O homem

não vive

de poemas.

Mas vive,

o seu coração,

de poesia.

Seu pão é a vida.

Sua água é a vida.

O homem é poeta

sem saber,

artista sem querer.

 

ANTOLOGIA VARAL DO BRASIL

A segunda antologia Varal do Brasil está pronta. Textos reunidos, de autores de vários pontos do Brasil e também de Portugal, além de brasileiros radicados em outros países, dão a oportunidade de vislumbrar a paisagem de um novo panorama literário formado por várias mentes e corações unidos em muitas páginas e com um só propósito: dar o melhor ao leitor!

A editora da antologia, Jacqueline Aisenman, anuncia os lançamentos: Em Salvador, na Biblioteca Central de Barris no dia 25 de maio - 19h00

Em Brumadinho, Minas Gerais - 01 de junho, na Casa da Cultura às 19h30min

O livro também será lançado no segundo semestre deste ano na Suíça.
Tenho a honra de ter sido convidado para ser o apresentador do livro, que eu recomendo.

Por outro lado, a editora do Varal do Brasil está se preparando para o badalado Salão Internacional do Livro de Genebra, onde estará com um stand e muita programação! Durante os dias do evento (25 a 29 de abril) teremos 14 autores autografando (vindos do Brasil, da Itália, dos EUA e de vários locais da Suíça), três leituras dirigidas ao público infantil e, no palco Scène Libre, apresentaremos uma homenagem a Jorge Amado através de um cordel realizado e declamado por Valdeck Almeida de Jesus e coordenado e musicado por Marcelo Candido Madeira. Estaremos lá com muitos títulos para você descobrir os talentos da nova literatura brasileira, inclusive apresentando um catálogo de autores, em Francês.

 

RENASCIMENTO


Luiz Carlos Amorim


Há um raio de luz
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.

É a vida ressurgindo,
É a Páscoa
do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus

 

 

AS VELHAS PÁSCOAS

Por Urda Alice Klueger

Fico entristecida quando vejo o que a sociedade de consumo fez com a Páscoa: para a maioria das pessoas, hoje, Páscoa significa ir aos supermercados disputar ovos de chocolate anunciados como os mais baratos do Brasil, muitas vezes levando junto as crianças para que elas próprias escolham sua marca preferida. A magia e o encanto da Páscoa se dissiparam paulatinamente com o avanço do progresso, e eu tenho uma saudade imensa daquelas maravilhosas Páscoas da minha infância, tanta saudade que vou contar como eram.

Na verdade, a Páscoa começava muitos meses antes, quanto, em cada casa, as mães quebravam cuidadosamente só a pontinha de cada ovo usado, para guardar as casquinhas vazias. Elas eram lavadas, secas e armazenadas, e só de olhá-las já se criava uma expectativa a respeito da Páscoa.

Ainda antes da Semana Santa já se começava a preparar a Páscoa. Cada casquinha era decorada, e as formas eram muitas. Podia-se pintá-las com tinta a óleo ou outras tintas apropriadas que existiam, que lhes davam lindas cores vivas, ou podia-se decorá-las com tiras e tiras de papel de seda ou crepom picotados, que as deixavam com uma cara de gostosas! Essas eram as formas mais fáceis de decorar casquinhas – havia outras, é claro, mais sofisticadas, e resquícios delas ainda aparecem nas lojas especializadas nesta época do ano. Paralelamente à confecção das casquinhas, se faziam as cestas, usando papelão e muito papel colorido picotado e encrespado, serviço para noites e noites à volta do rádio. Algumas crianças tinham a felicidade de possuir cestinhas de vime, que eram reaproveitadas a cada ano.

Era necessário, também, preparar o amendoim, que a gente comprava com casca, descascava, torrava, tirava as pelezinhas, para depois a mãe da gente confeitá-lo com calda de açúcar, ato que por si só já gerava uma grande magia, com a criançada toda em torno do fogão prendendo a respiração para ver se a calda “dava ponto”. Depois era hora de encher as casquinhas, e fechá-las com estrelinhas de papel coladas com cola de trigo. De noite, misteriosamente, tudo sumia: o Coelho levava as guloseimas e as cestinhas embora para sua toca.

Faziam-se, também, os ovos cozidos pascoais. Colava-se folhinhas de avenca, de rosa, etc (com clara de ovo) em ovos frescos, os quais eram amarrados dentro de trouxinhas de pano e depois cozidos em águas com plantas que lhes davam cor. Marcela, casca seca de cebola e capim melado produziam ovos de três tons de amarelo; a batata de cebolinha vermelha produzia ovos vermelhos. Depois do cozimento, tirava-se a trouxinha e as folhas, e se obtinha belos ovos decorados para serem comidos no café da manhã de Páscoa.

Ah! A manhã de Páscoa! Na véspera, as crianças tinham feito seus ninhos, com palha ou capim, ninhos enfeitados com pétalas de flores e papel colorido picado, escondido no jardim. O despertar na manhã de Páscoa era uma loucura: corria-se para fora de casa ainda de camisola, a procurar o que o Coelho deixara. No ninho sempre havia alguma coisa, mas havia coisas também, escondidas em todos os cantos possíveis. Acontecia de a cesta da gente estar escondida dentro do galinheiro (todos tinham galinheiros nessa época), e aí havia outra surpresa: as galinhas brancas estavam azuis, ou verdes, resultado de paciente trabalho dos pais, durante a noite, que lhes pintara as penas com anilina. Nós não tínhamos vacas, mas nas casas onde as havia, as partes brancas do pêlo delas também eram coloridas com anilina, e tudo aquilo criava um encanto muito grande nas nossas mentes infantis. Era um ser maravilhoso, esse Coelho!

Nas manhãs já frias de Abril, voltávamos para casa com as cestas cheias de casquinhas e alguns espetaculares chocolates (chocolate, na época em que eu cresci, só era comido no Natal e na Páscoa), que eram contados e divididos igualmente entre todas as crianças. Ia-se à Igreja, a seguir, à missa das nove, e o ar fino e já frio de Abril estava totalmente impregnado de uma profunda magia, e a gente não via a hora de voltar para casa para começar a comer as guloseimas! Primos vinham brincar, nestas tardes de um tempo em que a Páscoa era tão maravilhosa, e a gente criava cenários fantásticos nos gramados verdes, onde os coelhinhos de chocolates e os ovos eram personagens.

Ah! Que pena que o espaço está acabando! Quanto, quanto ainda queira falar sobre as antigas Páscoas! Mas acho que já deu para dar uma idéia de que elas eram muito diferentes da Páscoa que a sociedade de consumo criou: qual é a graça de levar as crianças aos supermercados para escolher seu tipo de ovo preferido? Onde ficou a magia da espera e do Coelho?

 

PÁSCOA


Luiz Carlos Amorim


É tempo de celebrarmos
a Páscoa, irmão.
Não com coelhos e ovos,
mas com o amor
que Ele ensinou,
morrendo por todos nós
e renascendo
em nossos corações.

Não se preocupe
com presentes, irmão.
Celebremos a Páscoa
exercitando o presente
que Ele nos deixou,
esparramando amor
por todos os lugares,
a todos os olhares,
através do sorriso,
de uma palavra amiga,
de um aperto de mão,
de um abraço apertado
ao irmão que está ao lado.
Celebremos a Páscoa!

 

A NONA FEIRA DO LIVRO DE JOINVILLE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com


A nova edição da Feira do Livro de Joinville acontecerá de 12 a 22 de abril, no Expocentro Edmundo Doubrava. Essa é a nona edição e será, provavelmente, a maior feira do gênero realizada no Estado.

O tema da feira e Cultura e Educação e não será focada apenas no livro, mas na Educação. Grandes nomes já estão confirmados, como Martinho da Vila, Affonso Romano de Sant´Anna, Ana Maria Machado – presidente da Academia Brasileira de Letras, Fernando Moraes e os atores Marcos Palmeira e Eliane Giardini, entre outros.

Nenhuma feira do livro realizada aqui no Estado teve a participação de um número tão expressivo de convidados tão importantes em suas áreas de atuação: literatura, jornalismo, música, cinema, teatro, etc.

Em Florianópolis, por exemplo, não se fala nada da Feira do Livro de Florianópolis, que é realizada todo início de ano, em abril ou maio.Infelizmente a feira transformou-se, nos últimos anos, em mero comércio de livros, sem a presença de, pelo menos, algum grande nome da literatura brasileira. Falta, talvez, mais participação do Estado, valorizando a cultura.

 

 

Páscoa


Vânia Moreira Diniz

Hoje me aproximo do aniversário do sofrimento de Cristo. Que padeceu com martírios e dores imensas. Mas imagino que sua maior angústia tenha sido a injustiça. Creio, aliás, que o sofrimento da alma foi o verdadeiro calvário de Jesus. Ele veio para salvar a humanidade e encontrou ingratidões, traições, inimizades, ódios e muita incompreensão. Tudo isso que predomina no mundo até hoje mas que num dia próximo às lembranças da Cruz carregada pelo filho de Deus nos transporta às nossas variadas imperfeições.

Será que dá realmente para visualizar todo o seu causticante tormento? Creio que Jesus tenha sido o maior filósofo da humanidade. Claro que além de seu Poder Divino.

Essa filosofia que fez dele aquele ser ao mesmo tempo severo e pacífico, amoroso e duro em certas palavras e atos, mas principalmente extremamente generoso, capaz de gestos os mais fantásticos para interromper sofrimentos e humilhações de outras pessoas E poderosamente carismático. Um carisma impressionante que passou através de séculos de luz e de calor confortando nosso coração.

Tudo é uma questão de fé. De acreditar ou não. De querer entender ou ficar na escuridão. E em meio às desesperanças e muito desespero o nascimento de Jesus e sua Via Crucis foi algo que serviu para enternecer os adeptos da fé. Fazê-los compreender a importância da presença do Mestre durante aqueles 33 anos de ensinamentos e de humanidade.

Cristo foi antes de qualquer coisa, até mesmo de sua filosofia profunda e inerente um humanista, um maravilhoso entendedor do coração humano , dos sofrimentos da humanidade, suas misérias, exclusões, doenças e racismo que separa dolorosa e vergonhosamente o ser humano. Ele era o médico realmente de almas e fosse Deus ou não a primeira pessoa que lutou pelos direitos humanos, sentindo na própria pele a dor do semelhante.

Dotado de um carisma impressionante, ouvindo os infelizes, se apiedando dos sofredores, amando os doentes, Jesus foi o maior humanista que o mundo jamais teve. Aquele que realmente curava as misérias e dores da forma mais suave que alguém podia fazê-lo. E sabendo que muito breve ele próprio passaria por tormentos e injustiças atrozes.

A paixão de Cristo foi um acontecimento tão doloroso que seria impossível visualizarmos na proporção que se deu. Mas depois de tudo veio a glória, ressurreição e a vida comemorada com nossa Páscoa tão emocionada e na qual as crianças encontram um ovo de chocolate trazido por um lindo coelhinho branco.

É esse o espírito. A Páscoa é como a redenção de toda a humanidade sofredora e encarnada na figura tentadora de chocolates, alegrias e comemorações pelo renascimento de um homem, mestre e Deus humanista , filósofo e que na sua generosidade esqueceu as dores para lembrar da glória no perdão.

 

 

A PÁSCOA

Letícia (Porto-Portugal)

A páscoa é tempo de dar sem esperar receber.
Tempo de jogar sem temer perder.
Tempo de sorrir sem medo de chorar.
A páscoa é tempo de amor e carinho.
Tempo de ajudar aqueles que mais amamos.
A páscoa é renascer mais uma vez para a vida
é tempo de ser criança novamente.
É tempo de ressurreição.

 

 

"DO OUTRO LADO DO MAR"

O romance "Do Outro Lado do Mar", da escritora Kariane Alves Ribeiro, será lançado no dia 18 de abril, na Livraria Catarinense do Shopping Newmarket. O livro já foi lançado em Florianópolis e Gaspar, em noites de autógrafo revestidas de pleno sucesso.

Com uma linguagem fluida e objetiva, sem rebuscamentos inúteis, ela nos conduz pelos cenários da Noruega e de Santa Catarina, onde circulam os personagens principais da sua obra, com seus dramas pessoas, seus fracassos e vitórias, seus erros e acertos. Além de nos brindar com um bom enredo e personagens interessantes, Karine ainda divulga as belezas da costa catarinense. “No outro do mar” é uma ótima amostra do potencial dessa escritora que vem até nós com seu primeiro livro. Ainda ouviremos muito o nome dessa autora, que deverá representar muito bem as letras catarinenses. "

 

 

A EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O ENSINO MÉDIO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com


O Ministério da Educação homologou, no início deste ano, novas diretrizes curriculares para o ensino médio. São 23 artigos que ocupam 50 páginas, que “sugerem” às escolas que enquadrem seus currículos em quatro dimensões: trabalho, ciência, tecnologia e cultura, mas sem desobedecer a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, onde estão fixadas as disciplinas obrigatórias. Aí a coisa já fica um tanto quanto redundante: se as matérias obrigatórias têm de ser observadas, porque inventaram as tais dimensões? Essas matérias obrigatórias já deveriam estar enquadradas nessas quatro dimensões aventadas nas novas diretrizes.

Fui procurar na Lei de Diretrizes e bases da Educação, no site do MEC, a relação das tais disciplinas obrigatórias e não encontrei. Tive que juntar cacos lá e cá, mais as disciplinas mais recentes incluídas pelo Mec, como Sociologia, Filosofia e História Geral, para chegar às treze finais: as três já citadas, mais Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Literatura, Matemática, Física, Química, Biologia, História, Geografia, Educação Física.

As novas diretrizes querem deixar a escola mais atraente para os estudantes, com a ideia de inserir conteúdos relacionados às quatro dimensões inventadas. De novo: como inserir conteúdo se já existem as treze disciplinas obrigatórias? Será que o MEC quer que as escolas aumentem as disciplinas do currículo?

Seria absurdo, já que muitas escolas não conseguem dar nem todas aquelas disciplinas que são obrigatórias.

As “novas” diretrizes podem ser muito bonitinhas e ter boas intenções, mas é só palavreado, infelizmente não vai melhorar em nada o ensino médio que, como os outros, fundamental e superior, estão cada vez piores no Brasil.

A educação brasileira precisa de mais atenção, de mais planejamento, de estrutura, de renovação. Sem o que a falência para a qual ela está sendo encaminhada, não é de hoje, é inevitável.


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