Revista Eletrônica do literatura e cultura do Grupo Literário A ILHA

Fevereiro/2010

 

DE NOVO O FIM DO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim

O ano de 2009 completou a primeira década deste século. E se olharmos para trás, poderemos ver que este início de século foi um divisor de águas. Não me refiro ao fato de os últimos anos terem sido os anos da violência, da corrupção e da impunidade, do descaso com o meio ambiente e a consequente ira da natureza, traduzida em tempestades, ventos excessivos e inundações.
Refiro-me ao boom da tecnologia da informação e da comunicação. Os primeiros anos deste novo século nos deram os celulares multifunção, que fazem de tudo, começando por permitir que se fale com qualquer pessoa em qualquer lugar, passando pela fotografia, pela música, televisão, internet, etc. Foi nessa década que estouraram os sites de relacionamento, como Orkut, Facebook e outros, estreitando a comunicação entre os internautas. Foi nestes anos que sites como You Tube popularizaram o vídeo na internet e que houve uma revolução na maneira de se ver filmes, seriados e televisão, com a banda larga ficando um pouco mais larga, felizmente. A internet democratizou a distribuição de filmes e as locadoras, como as lojas de CD, ficam cada vez mais obsoletas. A própria televisão se transformou, com a chegada das transmissões digitais, com as novas telas de leds, suplantando as de LCD e plasma, que baixam um pouquinho mais o seu preço, à medida que vendem mais.
E a tecnologia digital está influenciando e revolucionando até a maneira de lermos livros. O e-book, os livros eletrônicos que, apesar de terem sentenciado o fim do livro tradicional já nos anos 90, até aqui não tinham dado certo, estão voltando com força, já que aparelhos como o Kindle, leitor de textos americano que agora também é vendido para o Brasil, apesar de já haver um leitor fabricado aqui na terrinha, estão caindo no gosto de uma pequena parcela de leitores.
E já que o leitor de e-book foi bastante vendido nesse final de ano, volta também o discurso de que o livro impresso, de papel, está com os dias contados. Sei que o avanço do livro eletrônico, da popularização dos leitores de e-books é inevitável, embora a longo prazo, mas vai ser muito difícil acabar com o livro físico, como o conhecemos até hoje. Ele vai existir paralelamente ao livro eletrônico, mesmo que este se torne popular, mesmo que o preço do leitor baixe e mesmo que os arquivos a serem comprados sejam vendidos por um preço muito baixo.
Como dizia uma editora de uma grande casa publicadora de livros, o leitor de textos digitais pode ser uma ótima ferramenta para alguns, mas não para outros. Sempre haverá quem goste do livro de papel, assim como haverá quem goste de ler o que quer que seja em aparelhos como o Kindle.
Uma coisa conviverá com a outra, pacificamente. Uma complementará a outra. Assim como já aconteceu com outras mídias, como a música, o filme, o rádio, etc.

 

Meu Berço Natal

Martim Elias


Verdes campos de minha terra
Da minha Campina querida
Orgulho de minha vida
Minha grata inspiração
Os seus rios transbordando
De coração te saudando
Nesta simples criação

Um panorama que me guarda
As nuvens negras que passam
Em busca de outros ninhos
Me deixando tão sozinho
Pensativo a meditar
Vai e leva contigo
As saudades e os castigos
Traz amor no seu lugar

 

 

 

A PAIXÃO PELOS LIVROS

Por Enéas Athanázio

PROFECIAS VÃS E MIRABOLANTES

Quando teve início a difusão da Internet, repetiram-se as profecias no sentido de que o livro, em seu formato tradicional, estava com os dias contados e acabaria por desaparecer num futuro não muito distante. A freqüência com que surgiam esses vaticínios deixou deveras preocupados os amantes do livro, mas foi uma preocupação vã porque até agora aquelas profecias se revelaram mirabolantes, não se realizaram, e os fatos parecem indicar que estavam equivocadas. Com efeito, nunca foram publicados tantos livros e sobre os mais variados assuntos como nos dias de hoje, inclusive no Brasil, e o consumo também cresceu de forma considerável.

BIENAIS E FEIRAS: SUCESSO RECORRENTE

As Bienais do Livro, tanto em São Paulo como no Rio, são visitadas por um público cada vez maior e vendem milhões de exemplares de todos os gêneros. O mesmo ocorre com as feiras mais tradicionais realizadas em várias cidades, como em Paraty e Porto Alegre, por exemplo, cujas vendas são consideráveis. É verdade que, em termos comparativos com nossa população, o percentual de compradores de livros ainda é pequeno, mas houve uma evolução sensível desde que comecei a freqüentar essas feiras. Sempre que visito as livrarias, em especial as grandes, fico impressionando com a quantidade, a qualidade, a variedade e o tamanho das obras publicadas. Livros sofisticados, impressos em papel especial, em várias cores e recheados de ilustrações revelam uma indústria livreira competente e arrojada, sinal de que confia no mercado e investe pesado. Afirmava-se também que os livros grandes, com muitas páginas, não encontrariam público, mesmo porque o tempo dos leitores é cada vez mais escasso. Puro engano: obras enormes, em vários volumes, beirando o milheiro de páginas, figuram muitas vezes entre as mais vendidas, apesar do preço elevado. Em viagem a São Paulo conheci a “Livraria da FNAC”, num imenso subsolo da Avenida Paulista, cuja exposição é tão grande e variada que mais parece um shopping livreiro, exigindo tempo e paciência para uma simples visita. Ela promove, todos os meses, inúmeros eventos relacionados ao livro e à literatura a que denomina “Encontros na FNAC”, atraindo considerável público interessado. Por outro lado, tanto os catálogos das editoras como as notícias de lançamentos de novos títulos, publicadas nos jornais, informam a respeito da grande quantidade de obras novas que são colocadas no mercado a todo instante. O jornal “Folha de S. Paulo” criou a “Publifolha”, espécie de editora paralela de livros, e tem feito o lançamento de obras importantes, nacionais e estrangeiras, a preços reduzidos e com boa qualidade gráfica. A “Biblioteca Folha” publicou uma coleção de clássicos a preços baixos em relação aos de mercado, incluindo obras de Hemingway, Graham Greene, Somerset Maugham, Franz Kafka, Vargas Llosa, F. Scott Fitzgerald, Joseph Conrad, James Joyce, Vladimir Nabokov, Graciliano Ramos e outros. Depois, em nova série, publicou uma coleção dos melhores autores nacionais, entre os quais Machado de Assis, Guimarães Rosa, Lima Barreto, Mário de Andrade, Érico Veríssimo e outros, também absorvida em quantidade pelos leitores. A reedição da obra adulta de Monteiro Lobato, agora pela Editora Globo, tem superado todas as expectativas, provocando agradável surpresa. Conclui-se, pois, que aqueles que previam a substituição do livro pelo computador estavam equivocados. Esse discurso ainda é repetido, aqui e ali, pelos preguiçosos, porque a leitura é um exercício a dois, que exige do autor e do leitor, e requer certa dose de imaginação, ou pelos chamados “analfabetos funcionais”, aqueles que, mesmo sabendo ler, não lêem. Em recente artigo a respeito, Ferreira Gullar mostrou, com base em elementos históricos, que todas as profecias sobre o fim do livro falharam. Livro e computador seguirão seus passos em linhas paralelas.

PANORAMA NO ESTADO

Aqui no Estado a situação não é tão promissora. Nossas feiras do livro são fracas e não dispomos de boas livrarias, com poucas exceções. E o mais grave é que não temos livreiros, na verdadeira acepção da palavra, daqueles que conhecem e amam o métier, ressalvadas as exceções de praxe. Salva-se a Feira do Livro de Jaraguá do Sul, cuja terceira edição, em julho passado, foi um grande sucesso.
Consta que existem no Estado cerca de cinqüenta editoras, entre as quais as oficiais.
A rede de livrarias no território estadual é pequena, o mesmo ocorrendo com as bibliotecas públicas, muitas delas apenas nominais, que não funcionam ou o fazem de forma precária. A visita a muitas delas é desanimadora. Creio que nunca houve, pelo menos que me lembre, um esforço sério e contínuo para dotar o Estado de bibliotecas públicas bem aparelhadas, com um acervo razoável e pessoal qualificado.

LIVRARIAS E SEBOS

No plano nacional tem aumentado o número de livrarias convencionais. Ao lado delas funcionam os sebos, muitos deles de luxo, embora a maioria seja popular, instalada nos mais diversos locais, inclusive em calçadas das vias públicas. Os primeiros compram e vendem obras raras, esgotadas e de difícil acesso, atingindo algumas delas preços incríveis. É o caso da “Leart – Livraria e Encadernação”, pertencente à amiga Zelina Castello Branco, viúva do escritor, jornalista e bibliófilo Carlos Heitor Castello Branco, o maior expert em livros que pude conhecer. Instalada no bairro de Pinheiros, em São Paulo, possui livros que fazem a alegria de colecionadores de todo o país e que a visitam de tempos em tempos na incansável pesquisa de raridades. Alguns sebos paulistanos também são admiráveis pela quantidade e variedade de obras à venda. Em visita a um deles, que ocupa nada menos que nove andares, com as paredes recobertas de estantes repletas, o gerente ficou muito aborrecido porque não encontrei nenhum dos três títulos que procurava. Outros sebos bons existem também no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Blumenau e outras cidades, inclusive aqui, muitos deles com aquele cheirinho característico do livro usado que os identifica à distância. Sebos populares vendem livros a preços inferiores ao de um exemplar de jornal. Só não lê quem não quer. Nas cidades nordestinas é comum encontrar sebos em plena rua e em todos os lugares, costume que não existe por aqui, onde os livros só são exibidos de maneira mais formal.

COMÉRCIO MARGINAL

À margem desse mercado oficial do livro se desenvolve imensa rede informal constituída pelas pequenas editoras, edições feitas pelos próprios autores (edições do autor), edições feitas em sistema de cooperativas, obras editadas por empresas e instituições culturais e obras fora do comércio. Em tiragens maiores ou menores, quase nunca chegam às livrarias ou só são expostas em algumas, realizando seus autores as vendas diretas aos interessados, com largo uso do sistema dos correios para a distribuição. Circula dessa forma grande volume de livros, cujo número é impossível precisar.
Houve um período bastante longo em que ocorreu verdadeira “febre” de antologias, todas publicando e vendendo. O encarecimento dos custos diminuiu essas edições, embora muitas ainda continuem sendo feitas. A publicação por tais meios nem sempre influi na qualidade das obras; muitas vezes são de qualidade literária superior às que contam com grande divulgação e esmerada distribuição. A maioria dos best-sellers que pulula nas montras dos livreiros é de valor literário inferior. Em literatura, distribuição agressiva e divulgação constante na mídia não constituem garantias de qualidade. Muitos autores célebres preferiram publicar seus livros em pequenas edições pessoais e bem elaboradas que em tiragens mecânicas e impessoais saídas de grandes prelos. O escritor português Miguel Torga é um exemplo; a britânica Virgínia Woolf criou pequena editora artesanal na qual dava a público obras artísticas em conteúdo e feição gráfica. Por outro lado, muitos autores que publicam por conta própria vendem bem, tornam-se conhecidos e até se transformam em escritores profissionais. Suas obras, com o tempo, conquistam espaços, vencendo os óbices criados pela ausência de divulgação e se impõem. Tenho conhecido escritores que viajam pelo país com suas obras embaixo do braço, vendendo-as aqui e ali, e vivem apenas dessa atividade. Muitos nomes poderiam ser lembrados.

SOCIEDADES E AGREMIAÇÕES LIVREIRAS

Falando-se em livros, não podem ser esquecidas as sociedades ou agremiações que reúnem bibliófilos, bibliômanos, bibliomaníacos, colecionadores aficionados ou simples leitores. Entidades do gênero existem em todo o mundo. Aqui no Brasil, merece referência especial a “Confraria dos Bibliófilos do Brasil” (CBB), com sede em Brasília. Criada por José Salles Neto, com número limitado de associados (apenas 350), edita obras escolhidas pelos seus integrantes em volumes numerados para cada um deles, conforme a ordem de sua inscrição. São livros de reconhecida qualidade literária, sempre que possível publicados em datas que relembram eventos da vida de seu autor, em formato grande, com sobrecapa e caixa, ilustrados de forma exclusiva por artistas plásticos de renome.
A Confraria editou, até o momento em que escrevo, cerca de 15 obras, entre elas “Dez Contos Selecionados de Clarice Lispector”. Escolhidos com esmero, com o auxílio do próprio presidente, os contos constituem uma antologia única, revelando inúmeras facetas da contística da autora em suas diversas fases. O livro foi composto em linotipo, a impressão do texto e das vinhetas foi realizada em máquina tipográfica manual, a encadernação e o acabamento executados por técnico especializado, no miolo foi utilizado papel de elite, a capa e a sobrecapa feitas em papel fabricado à mão com fibras vegetais por artesã papeleira. As ilustrações foram reproduzidas em serigrafia a partir dos originais. Elas são de autoria do artista plástico Marcelo Grassmann, muito conhecido, que apresenta, no final do volume, uma suíte com várias páginas de desenhos, em outra tonalidade de cor, enriquecendo ainda mais o livro.
Como se vê, uma obra similar ao que se faz em todo o mundo nas melhores editoras artísticas. Em paralelo, a Confraria lançou as “Edições da Confraria”, publicando livros com venda aberta ao público e com as mesmas qualidades. Sua mais recente publicação foi “Sentinela do Nada e Outros Contos”, de autoria do ficcionista e crítico de artes plásticas catarinense Harry Laus, desconhecido no país mas muito cortejado na Europa. Em nosso Estado a entidade conta com três ou quatro associados. (Contatos: Caixa Postal 8 6 3 1 – CEP 70312-970 – BRASÍLIA/DF).

LIVROS SOBRE LIVROS

Como existem livros sobre todos os assuntos imagináveis, é natural que também existam livros sobre livros. O já mencionado Somerset Maugham, leitor aficionado, daqueles que, à falta de outra coisa, liam até guias telefônicos, costumava dizer que não pode haver objeto mais inútil que livro que fala de outros livros. E, no entanto, ele próprio se entregava com prazer à leitura desses livros. Pensando bem, de que serve ler livros sobre outros livros? Não seria mais útil e proveitoso ler os próprios?
Para mim, embora reconhecendo que sou dos poucos, essa leitura ainda tem encantos. Passam os anos e não me canso de ler coletâneas de ensaios literários, como acabo de fazer, trilhando as páginas amareladas de um velho volume denominado “Método e Interpretação”, de José Aderaldo Castello (Edição do CEC/SP – 1964). Nele o autor reuniu textos analíticos de livros de diversos autores, entre os quais Lima Barreto, Monteiro Lobato e Gilberto Amado, nada menos que três dos meus monstros sagrados. Mesmo sendo um exigente exercício de leitura, foi uma experiência agradável, mostrando quão vastos são os caminhos que uma obra pode abrir para um crítico competente. Outras coletâneas de ensaios têm ocupado meu tempo, algumas delas comentadas neste jornal.

PAIXÃO PELOS LIVROS

Li também uma coletânea de crônicas sobre livros, esta mais voltada à análise da paixão livresca, publicada por pequena editora Trata-se de “A paixão pelos livros”, reunindo depoimentos de autores brasileiros e estrangeiros, como Carlos Drummond de Andrade, D’Alembert, Flaubert, Petrarca, John Milton, Camilo Castelo Branco, Montaigne, William Saroyan, Varlam Chalámov, Plínio Doyle, José Mindlin e outros. A disparidade literária entre os textos salta aos olhos, mas o conjunto é interessante. Mindlin e Doyle não são escritores, embora tocados pela mesma paixão que fez deles os maiores bibliófilos nacionais. Os depoimentos do russo Varlam Chalámov e do norte-americano William Saroyan são tocantes, como também o empenho de Doyle para obter algum livro desejado, virando mundos e fundos para integrá-lo à sua biblioteca, hoje pertencente à Fundação Casa de Rui Barbosa. Como se sabe, ele foi o anfitrião do “Sabadoyle”, reunião de escritores que acontecia em sua residência, no Rio de Janeiro, e que tive ocasião de freqüentar algumas vezes, onde conheci alguns escritores que depois se tornaram grandes amigos, como Joaquim Inojosa, Sílvio Meira, José Chamilete e outros. Iniciadas por Drummond, as reuniões dos sábados duraram cerca de trinta anos e reuniam as maiores figuras de nossas letras. Alguns escritores faziam longas viagens para comparecer. Não tinha estatuto, regulamento ou quaisquer normas. Um dos convidados era encarregado de lavrar a ata, algumas delas feitas em versos, que deveria ser lida ao final da reunião. O nome “Sabadoyle” foi inventado por Raul Bopp, o célebre autor de “Cobra Norato” (sábado+Doyle). Sobre ele existe hoje extensa bibliografia e muitas atas foram publicadas.
Outro apaixonado foi o poeta Cassiano Nunes (1921/2007). Ele vivia – literalmente – na biblioteca, uma vez que os livros invadiram todas as peças de sua casa, inclusive o quarto de dormir.
O livro aqui comentado faz indagar sobre a forma como se inocula a “doença livresca” e o apego que se desenvolve na pessoa, tantas vezes inibindo-a de se desfazer de um livro que nunca serviu para nada, é um autêntico trambolho, mas que tem algo de especial e indefinível aos olhos de seu dono. Como tem acontecido comigo.

LIVROS QUE NÃO SE VENDEM

E os livros que não se vendem? Nelson Palma Travassos, editor que passou a vida fazendo livros, próprios e alheios, costumava dizer que livro que não se vende é inútil. É claro que tal afirmação era uma brincadeira, pois, se assim não fosse, os livros mais importantes que existem, ou pelo menos a maioria deles, nunca teria sido publicada. O próprio Travassos, homem culto e escritor de talento, sabia muito bem disso, tanto que publicou inúmeros livros de vendagem duvidosa mas de significação cultural ou literária. Como se isso não bastasse, ele próprio publicou um livro denominado “Livro sobre livros” (Editora Hucitec – S. Paulo – 1978), reunindo parte do que produziu de melhor.
Eis aí algumas observações, muito pessoais e empíricas, de quem tem vivido os últimos trinta e cinco anos às voltas com os livros, lendo-os, divulgando-os, escrevendo-os e viajando sempre com eles embaixo do braço. E que não saberia viver num mundo onde eles não existissem.

 

 

 

PRIMEIRO VAGA-LUME

Roseana Murray

Há um unicórnio pousado
no parapeito da janela:
com seus olhos dourados
espreita o mundo,
espera o instante exato
em que se acenderá o primeiro
vaga-lume
para alçar voo rumo ao poema.

 

LIVROS ESCOLARES

Por Luiz Carlos Amorim

Vai começar o ano letivo e os pais já estão na lida da compra do material escolar para seus filhos. Os livros, sabemos, corroem grande parte do orçamento de início de ano, pois eles são os itens mais caros. Para aqueles alunos que estão em colégios que usam as famigeradas apostilas, nenhum refresco, porque como não se compra todas as apostilas do ano de uma vez, só no final do ano é que saberemos o tamanho do rombo. A verdade é que as apostilas acabam saindo mais caro que os livros que elas substituem. Se somarmos o total gasto em apostilas durante o ano, vamos perceber que poderíamos comprar todos os livros correspondentes e ainda sobraria dinheiro, não raro. A apostila veio, a principio, para facilitar a vida dos pais, justamente para desencarecer a despesa com livros, mas foi se "elitizando" e acabou ficando mais cara.
Para os estudantes que estão em escolas que usam os tradicionais livros, os pais devem ficar antenados para saber se na cidade ou no colégio onde os filhos estudam é feita a feira de troca. Nessas feiras, a gente leva os livros do ano que passou, em bom estado, e negocia com quem precisa deles e tem os livros do ano em curso. Funciona bem e dá uma economia e tanto. Se não tivermos nenhum livro para trocar, podemos comprar, também, o livro usado que nos interessa na referida feira, que vai sair bem mais barato.
A feira de troca no próprio colégio é melhor, pois os livros de interesse são os mesmos. Se for numa feira da cidade, aí complica um pouquinho porque os livros são diferentes para uma e outra escola. Mas vale a pena garimpar, pois sabemos que livro ainda é um artigo muito caro e se pudermos trocar ou comprar um usado, qualquer que seja a economia, é bem vinda.
Material escolar mais IPTU, mais imposto de renda, IPVA e o escambau não é fácil.

 

 

A LÁGRIMA

Eliane Brito de Lima

Instrumento de expressão dos mais diferentes sentimentos....

Lágrima que rola de saudade,
tristeza,
alegria,
incerteza,
ansiedade.

Lágrima que rola nos momentos de emoção,
momentos de insegurança,
incerteza,
desgosto,
ou satisfação.

Lágrima que tantas vezes vem selar
Um momento de oração.

Presente na euforia, na multidão,
no silêncio, no isolamento;
exposta ao público ou guardada,
no mais íntimo do coração.

Sempre tem um sentido próprio,
um sentido que nem sempre tem explicação.

Pertence aos olhos de quem chora,
pertence aquele/a em que o sentimento aflora
e com efervescência jorra
expressando comoção.

 


O PLÁGIO

Por Luiz Carlos Amorim

Sabemos que não podemos assinar nada que não seja de nossa autoria. Podemos até citar trecho de autoria de outrem, desde que o coloquemos entre aspas e desde que revelemos o autor e a fonte. Copiar um texto de alguém e omitir o nome do autor já é grave, imagine apropriar-se da obra, assinando como se a tivesse criado.
É preciso enfatizar, sempre, que não podemos nos apropriar da obra alheia, porque isso é plágio e podemos ser processados por isso.
Não se pode, simplesmente, copiar alguma coisa de onde quer que seja, sem que copiemos também o nome do autor e, de preferência, sem deixar de citar o lugar de onde a copiamos. Seja de livro, de jornal, de revista, da internet, de qualquer lugar.
Infelizmente o plágio proposital, de má fé existe - há quem copie um texto e passe adiante com se fosse seu. Isso precisa ser denunciados para que essa atitude criminosa não seja, cada vez mais, banalizada. Para que se exerça e se valorize a criatividade e se respeite a propriedade alheia.
O engraçado é que, atualmente, já não existe só o plágio "tradicional". Existe um outro, que não prejudica apenas o autor, prejudica também o leitor, que confuso, acaba comprando gato por lebre: os editores publicam um volume com título e capa parecidos com um best-seller e o leitor é induzido a comprar, pensando que é o sucesso literário da hora.
Essa prática tem se tornado comum e sempre há um "clone" para obras de sucesso, como no caso dos livros de Don Brown, por exemplo. Acontece com livros que estão nas livrarias hoje, tentando vender no rastro de obras como "A Cabana", "2012", "Lula, o Filho do Brasil".
É comum acontecer com pessoas que querem dar livro de presente, que tentam saber da preferência do amigo ou parente a ser presenteado e vão comprar, mas se não conhecerem bem a obra podem levar o item errado.

 

 

O PERFUME DA TERRA

Telmo Lemos

Vi teus braços fortes,
Estendidos semeando a terra cultivada.
O perfume da terra arada, envolvia-me
com a suave brisa da manhã.
O sol suave do outono resplandecia
a alegria jovial de meu rosto.
As sementes desciam a cova,
Meus olhos fitavam os céus.
Meu sorriso, solto,brindava exuberante,
Minha liberdade.
Meu lenço de ceda púrpura na cabeça.
Meu vestido longo, florido,
Não escondiam de mim toda minha felicidade.
Você, todo sorriso.
Teus olhos azuis brilhavam,
Teus braços me pediam um abraço
Neste imenso e lindo jardim.
No cesto da vida, um pão,
Na terra a semente lívida,
Nos meus braços o fruto da gratidão.

 

 

 

CLÁSSICO E CONTEMPORÂNEO

Por Luiz Carlos Amorim

Andei lendo "Crepúsculo", o primeiro livro da saga dos vampiros "bonzinhos" e até gostei, apesar da rasgação de seda para a beleza dos "sanguessugas". O sucesso da série de livros que está se transformando um por um em filmes - o terceiro já está a caminho - não é à toa. A autora tem fôlego e está abordando o tema de maneira nova, original, talvez daí o seu êxito.
Tanto gostei que não li o segundo volume, mas assisti o filme e estou lendo o terceiro, "Eclipse".
Não sei ainda como é que tudo vai terminar - já existe um quarto livro, "Amanhecer" - mas o que estou achando interessante é um desdobramento literário que exteriorizou a obra. Desde o primeiro volume, "Crepúsculo", a narradora cita o clássico "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Bronte, como leitura preferida da heroína da história e depois também do "mocinho". E não é que a o livro passou a vender mais, por conta da citação nos livros da popular coleção dos vampiros?
Há até uma nova publicação do romance, com a capa em preto, branco e vermelho, imitando as capas da saga que começou com "Crepúsculo", com a edição esgotada, partindo para uma nova.
Parece uma boa coisa um sucesso literário contemporâneo alavancar a leitura de um clássico.

 

 

HAITI

TERESINKA PEREIRA

Busco-te outra vez, HAITI,
terra de sol e calor, de gente que danc,a
e que canta sorrindo, lucidamente humana.
Uma vez a vi em dia de paz, enquanto ainda
era possivel fazer confidencias subversivas.
Os estudantes se preparavam para a luta,
defendendo a soberania nacional.
A terra do campo e' boa e nela
a gente trabalhava com orgulho, ate' que
chegaram as fabricas yanques
e que para nelas trabalhar era preciso
mudar-se para a cidade, ir viver nas favelas,
onde os casebres eram frageis e iam-se
amontoando quanto mais crecia a miseria.
Entao veio o terremoto, porque as coisas
nao mudam ate' que o povo diga "Basta!"
E chegaram os marines* que em vez de agua,
medicamentos e comida, carregam armas
para impedir que o povo confisque a comida
encerrada nos mercados e depositos yanques.
Entretanto ha' mais vivos que mortos,
e enquanto os vivos enterram os mortos,
o povo trata de curar-se e os medicos haitianos
e estrangeiros fazem o que podem para salvar
a alguns feridos que ainda respiram
e esperam pelos medicamentos presos
no aeroporto e nos navios.
Mas la' os guardam os marines, piores
que o terremoto, que os criminosos, que
os ladroes de armazens, e eles estao armados!
Que triste me sinto pelos irmaos haitianos,
e que vontade tenho de gritar outra vez:
"Yanque go home!" E de unir-me 'a luta
por uma Haiti livre de fabricas, de caridade
e dos marines yanques.

 


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