Revista eletrônica de literatura e cultura

do Grupo Literário A ILHA.

Maio/2013

Visite o Blog CRÔNICA DO DIA, em Http://luizcarlosamorim.blogspot.com , com textos sobre arte e cultura, principalmente literatura e cotidiano em geral.

Twitter: @amorimluc

ESCRTOR CATARINENSE NO

DIRevista, Diário do Iguaçu

 

 

PRESENTE


Luiz Carlos Amorim


A vida se repartindo,
coração se avolumando,
amor se multiplicando...
isto é você, mãe, mulher.

Todos os dias são seus,
toda vida lhe pertence;
a natureza, perfeita,
é sua irmã gêmea.

Que presente, então, lhe dar,
a não ser nosso respeito,
todo carinho e amor
e uma pequena flor,
gigante como você?

 

 

O DIA DELA

Por Luiz Carlos Amorim

Minha mãe teve dez filhos. Eu sou o primeiro deles e ajudei a cuidar dos outros, porque ela trabalhava. E ela teve que dar conta de “criar” os mais novos quando a caçula chegou, porque ficou sozinha. Então digo que ela é a nossa heroína, pois sempre trabalhou e ainda teve que cuidar dos filhos, pois mais da metade dos dez ainda eram menores.

O que não a impediu de dar uma boa educação a todos eles, não deixando lhes faltar nem alimentação, nem teto, nem o que vestir e calçar, nem a educação básica. Não éramos uma família rica, éramos até bem humildes, mas me orgulho de ser honesto e esta é a maior herança que minha mãe me deixará.

E tenho orgulho da mãe que Deus me deu, pois ela formou pessoas dignas, amou a todos os filhos como se fosse um único, deu a eles tudo o que foi possível e daria a própria vida, se fosse necessário.

Lembro de quando eu era menino, que antes de sair para o trabalho, de manhã, ela deixava o almoço encaminhado, deixava o café para a filharada pronto e as tarefas para os maiores. Quando chegava de volta, ao meio dia, terminava o almoço, servia todo mundo, almoçávamos e ela ainda adiantava a lida da casa antes de retornar ao trabalho. À tarde, quando voltava, lavava roupa, fazia pão, limpava a casa, fazia comida, cuidava dos filhos, ufa! Nos finais de semana ela tentava descansar um pouquinho, mas era muito pouquinho mesmo. Como não trabalhava no sábado à tarde, fazia doces – bolo, cuca, biscoitos de araruta com coco. Fazia compras, fazia limpeza geral, por dentro e por fora da casa, que naquele tempo morávamos em casa, com jardim, quintal, horta, pomar. Capinávamos, cortávamos grama, varríamos o chão. Plantávamos, colhíamos. E era ela quem nos ensinava. E olhe que naquele tempo as coisas não eram muito fáceis. A água era encanada, para a cozinha, para o banheiro, para a área de serviço, mas não era de rede. Era de poço, e como o solo mais profundo de nosso terreno era de pedra, tínhamos um poço de apenas uns três metros. E no verão faltava água. Então minha mãe tinha que se virar com o pouco de água que a gente ia buscar no rio para lavar e na vizinhança para beber e cozinhar. Mas sobrevivemos.

Fico pensando, então, cada vez que o Dia das Mães se aproxima: o que dar para uma mãe assim? Um presente caro, uma jóia fina? Posso até dar qualquer coisa assim, mas o que vale mesmo é dar a ela o mesmo carinho que sempre tive, o amor que me empurrou pra frente na vida, o abraço, o beijo. E, mais que tudo, dar a nossa presença, o nosso respeito e admiração, sempre.

Se não pudermos, por qualquer razão, comprar-lhe um presente, uma flor pejada de carinho e de ternura e o abraço apertado, não serão aceitos de bom grado? Eu tenho certeza que sim. Dou, também, meu coração de presente, que é o que tenho de mais caro. E sei que ela merece.

 

 

Mãe

Cora Coralina


Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.

 

ANTOLOGIA VARAL DO BRASIL 2


Por Luiz Carlos Amorim - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com


A terceira antologia do Varal do Brasil, Varal Antológico 3, organizada pela escritora brasileira Jaqueline Aisenaman, que vive na Suiça, será lançada no Salão Internacional do Livro de Genebra, no dia 3 de maio. Escritores do Grupo Literário participam da antologia, como Maria de Fátima Barreto Michels, a própria Jacqueline e Luiz C. Amorim. O Coordenador do Grupo A ILHA estará presente ao Salão para o lançamento da antologia e de trs obras suas, "O Rio da MInha Cidade" - crônicas, Menção Honrosa nos Prêmios Cidade de Manaus, "Nação Poesia" - antologia poética e "Borboletas nos Jacatirões" - crônica. Uma edição especial do Suplemento Literário A ILHA com alguns dos escritores brasileiros e portugueses que estarão no Salão também foi preparada e será lançada em Genebra. Os escritores do Grupo Literário A ILHA que não foram à Genebra estarão com sua obra no Salão, pois a edição normal da revista, de março, estará lá, representando a literatura catarinense

 

 

 

MÃE

Mário Quintana


Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.

Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande

Como o bem que ela nos quer...

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!

 

 

MÃES & MÃES

Maria de Fátima Barreto Michels


No Planeta animal, programa de TV, é muito divertido ver as mães cuidarem dos seus filhotes. O mundo dos animais é surpreendente, e aos nossos olhos, esquisito também. Os pássaros, os seres aquáticos, as macacas, as hienas, as elefantas enfim, essas mães e pais agem das mais curiosas formas para manter suas famílias. A sociedade dos bichos não inclui julgamentos, eles são amorais. Cada casal, cada bicho em sua comunidade tem seu proceder próprio. Para eles vale a lei da natureza. Os machos, se tornam pais, agem das mais diversas formas. Existem aqueles muito zelosos e outros totalmente displicentes. As mães também mostram variadas performances, indo do heroísmo ao que poderíamos identificar como desnaturadas. Bem, os valores da ética e das leis humanas que ora emprestamos ao reino animal, não fazem o menor sentido para os bichos.
Na verdade neste maio desejamos louvar a grande mãe de todos nós: a Natureza. A homenagem será feita em forma de oração. Linguagem que coloca sentimentos e emoções em contato com Deus, a oração é grandemente utilizada pelas mães. Hoje existem estudiosos comprovando os benefícios desta prática. Além daquelas que me foram ensinadas por meus pais, invento também as minhas. Para o dia de hoje escolhi uma versão ecológica do Pai Nosso, "Oração pela Vida", e para rezar por nossos filhos a "Ciranda de Amor".
"Oração pela Vida"
Pai nosso que estais no céu
Mãe nossa que estais e sois Terra
Santificados sejamos todos nós desde a pequenina pedra que viaja no riacho, até a águia de vôo mais alto. Que seja nosso o nosso reino. Que seja feita a vontade da Vida.
Vida que é expressão da Vossa Grandeza. Vida que em mim assume a humana forma, assim na terra como no céu.
O pão nosso, o das formigas, o das árvores, dos rios, dos pássaros, dos peixes, o de todos, nos dai hoje, e sempre. (Não) perdoai a quem maltrata a Vida. Não nos deixeis cair em tentação de agredir a Natureza. Livrai-nos de todo mal, Pai que também sois Mãe. Assim seja.
"Ciranda de Amor"
Que tu inspires o Bem. Que em tua presença enfraqueça toda intenção do Mal. Que despertes a Lucidez. Que seja sabedoria teu proceder. Que leves luz e clareza por onde passares. Que espalhes harmonia e a beleza de ser Gente. Que se afaste de ti toda e qualquer violência. Que despertes a auto-confiança e sejas auto-confiante. Que deixes certeza por onde andares. Que teus hábitos sejam saudáveis. Que contamines com saúde ao teu redor. Que teu passo seja seguro e tua atitude seja firme. Que teu olhar imprima dignidade e respeito. Que nada impeça tua caminhada. Que a energia e a proteção dos teus antepassados te conduzam em ciranda de luz e de amor. Que tenhas vida produtiva e longa. Que sejas promotor (a) da Vida.

* A "Oração pela vida" foi incluída na apresentação da bióloga Ma. Antonia M. de Souza em sua tese de mestrado na UFPR

 

 

TODAS AS MÃES


Virgínia Vendramini


Mães não são criaturas perfeitas.
São apenas mulheres
Com defeitos e qualidades,
Traumas, desgostos e desejos,
Como qualquer ser humano.

As mães não se tornam santas
Só porque geraram um filho,
Nem se modifica por isso
A essência de seu caráter.

Às vezes é difícil amá-las,
Entendê-las ou simplesmente aceitá-las.
Outras vezes é preciso perdoá-las.
Esquecê-las, porém, é impossível.

Podem ser anjos que velam,
Algozes ou carcereiras,
Podem ser cumplicidade,
Compreensão, tolerância,
Doce presença que afaga,
Que também tolhe e cerceia.

Mães não são criaturas perfeitas.
Erram, acertam, dizem tolices,
Abandonam e são abandonadas...
Não são exemplos de amores perfeitos.
Mas quando se tornam ausência,
Aquela ausência que nada preenche,
Todas elas viram saudade.


 

POEMA SEM TÍTULO
(para minha mãe)


Thiago de Melo


Minha mãe, guarde esta flor:
São pétalas de palavras,
mas é uma rosa de amor,
brilhante como o orvalho
que seu carinho inventou.
O seu olhar, minha mãe,
me guia na escuridão.
Seu riso é um sol que derrama
estrelas pelo meu chão.
O que eu sei fazer de bom
seu coração me ensinou.
Por isso, feliz, lhe oferto
uma ternura de brisa
perfumada de jasmim
para festejar sua vida:
vida que é suave canção
de um amor que não tem fim.

 

 

CANÇÃO


Luiz Carlos Amorim


Canto uma canção antiga,
uma canção romântica,
uma canção de amor,
uma canção de vida.
Canto prá você, mãe.

Canto todas as canções
numa cantiga só...
Às vezes desafino, é verdade,
mas a canção é poesia,
acalanto, emoção,
é alma, é sentimento.
É tudo, é você, mãe.

 

 

CÂNTICO 14


Cecília Meirelles


Eles te virão oferecer o ouro da terra.
E tu dirás que não.
A beleza.
E tu dirás que não.
O amor.
E tu dirás que não, para sempre.
Eles te oferecerão o ouro d'além da terra.
E tu dirás sempre o mesmo.
Porque tens o segredo de tudo.
E sabes que o único bem é o teu.

 

 

Mães que se reciclam

Para Ivani Butzke

Por Urda Alice Klueger

Se tivesse tido a oportunidade, minha mãe teria sido uma geógrafa, tal o seu gosto por saber tudo a respeito dessa ciência. Mas ela só teve acesso à escolinha rural de onde se criou, e só pode estudar até a terceira série primária.
Ela teve uma vida difícil: criou-se comendo do que seu pai produzia nas roças, e ganhando o vestido novo no Natal, o único do ano.
Eu a conheci quando ela passava dos 30 anos, e fazia tudo com suas mãos : ajudava a matar porco, mourejava numa horta e num jardim, criava, desde o choco, as galinhas dos almoços de Domingo, fazia tachos de sabão com sebo e breu, costurava as roupas das suas três meninas, bordava as nossas fronhas e engomava as nossas anáguas.
O tempo passou, o mundo mudou, e minha mãe se reciclou com a mesma velocidade do mundo. Beirando os 80 anos, ela manda recados via Internet para os netos que moram lá longe, no Continente Africano; ela tudo sabe sobre o que os políticos fazem em Brasília e sobre o que os artistas fazem nos bastidores da televisão. Continua mourejando numa horta e num jardim; produz a metade do que come, e "sem agrotóxicos", diz com orgulho. Ela nasceu para ser uma geógrafa, mas não deu. Só que não abandona a sua inclinação natural. Minha mãe, acredito, é a única mãe de quase 80 anos, do Brasil, que ganha Atlas novos, no Dia das Mães, quando a Geografia muda, e num instante interpreta o seu Atlas e descobre os novos países e as suas particularidades. Se ela tivesse tido a oportunidade da escola!
Quantas mães se reciclam com a velocidade da minha?

 


SER MÃE

Coelho Neto

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!

 

 

O dia...a dia...das mães

(sem nenhuma sublimação)

Por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

Tenho 62 anos de idade e uma parte em mim ainda é jovem, nos anseios, na alegria, nas metas e essa parte jovem, que em mim habita, um dia foi educada pra crescer, em todos os sentidos, com amor, e, sobretudo, com o exemplo dos meus pais, que como nas velhas tribos indígenas, parece que se reproduz dos ancestrais e passa adiante, como forma de subsistência da própria tribo. Abrigo ainda, em mim, uma parte semi jovem e outra não jovem.

Sou profissional atuante, tenho e-mail, entendo de computador, conserto meu computador e se precisar os dos meus filhos também, dirijo dois tipos de veículos, carro de passeio e uma cadeira de rodas, e dirijo bem, já estive no Orkut e agora estou no facebook e no twitter, tenho três blogs, um de poesias, outro de e-books, sendo as poesias e livros de minha autoria, e mais um, ainda, voltado às pessoas portadoras de necessidades especiais (quer dizer todas), porto obrigatoriamente uma carteira de Identidade, título de eleitor, carteira de motorista, me casei e tenho uma certidão de casamento averbada com o óbito do meu marido. Ah! também guardo uma certidão de batismo, ainda que seja espírita kardecista convicta, e meus pais quando indagados sobre isso, disseram-me que a religião oficial do país é a Católica, e, por isso, então me batizaram, acreditando, como eu também acredito, que Deus é uno. Tenho diploma universitário e carteira de ordem. Falo e entendo o português. Para os demais idiomas, apenas, preciso de tradutor. Meu nome consta, ainda, na certidão de nascimento dos dois únicos filhos que tive e por decorrência estou em toda a documentação de ambos, na categoria “mãe”. Ah! Por imediato e oportuno também consto na lista dos cadastrados na Receita Federal, onde detenho um número próprio.

Por tudo isso, resolvi fazer uma abordagem diferente, para esse próximo dia das mães. Penso até que ponto alguém imagina que cria novos comportamentos. Através da observação, ainda que com cataratas, enxergo diferente, cada pessoa gera em si em restrita órbita um tipo diferenciado de comportamento, nos atos íntimos, próprios de cada ser, porém, quanto à esfera social, o comportamento segue etapas bastante nítidas desde que o primeiro homem inaugurou o humano do ser, até porque a sociedade existe para a preservação do próprio homem. E não nos confundamos com modismos.

O foco ou a falta de foco está, em minha opinião, no umbigo que se perde, e que se rompe, e que deveria causar a perda, com brusca ruptura, da simbiose que nutre o feto e o liga ao útero materno.

Diríamos que aí se inicia a etapa principal da vida terrena, o feto apenas nasce quando está completo, com ou sem anomalias. O espírito acopla antes, sempre com anomalias.

Desse momento em diante o ser humano terreno, recém-nascido, necessitará de amparo, e caberá aos pais, assim proporcionar condições para que desenvolva suas potencialidades materiais, emocionais e espirituais.

Já sabemos bastante sobre isso, porque vivemos assim, porém ao chegarmos à uma certa etapa de nossas vidas, reencontramo-nos, via de regra, com o problema umbilical, porque já formados física e profissionalmente, dizemos....precisamos nos libertar do cordão umbilical....que por óbvio é sinônimo de mãe.

Nesse momento, experimento, portanto, uma nova sensação, agora como mãe, que além de haver emprestado o meu umbigo e ter perdido boa parte dele, ainda sou considerada, pela grande maioria dos filhos jovens, semi jovens e não jovens fora de tudo o que dizem ser normal.... “eu não entendo”, “eu não sei”, “eu não devo”... ou seja, juntamente com o umbigo, parece que as mães deveriam, todas, ir para o ralo, mas eu não vou e a maioria delas acredito que também não, porque não somos apenas mães, somos mais que isso em nossa plenitude humana.

E então me pergunto mais, no mundo atual, em que a falta de preconceitos é ressaltada, por todos os filhos jovens, semi jovens e não jovens, que portam bastante bem essa bandeira, por que, então, via de regra, nós como mães é que precisamos colocar e tirar a mesa do café da manhã, do almoço e do jantar, refeições essas que devem ser preparadas também, por nós, previamente, entendendo-se que a maioria dos filhos jovens, semi jovens e não jovens, bem educados, come e retira os próprios pratos em que comeu e ponto final, e se nós, mães, não os lavarmos ali permanecem sujos? Ainda que tenhamos uma ajudante, essa ajudante não vai às compras e nem sabe de cardápios e menos ainda ganha para o sustento da casa em que trabalha, ao contrário, ganha da casa em que trabalha para o sustento da sua própria casa e família, e, mais ainda, por certo, como cada um de nós enquanto profissionais, ela não trabalha aos finais de semana e nem é a substituta da mãe.

E, mais, por que as camas devem ficar desarrumadas, as roupas jogadas ao chão, as toalhas molhadas sobre as camas, ou de preferência sobre a escrivaninha, ou sobre aquela cadeira estofada especial que já até perdeu a cor, os armários com as portas abertas e o banheiro em caos? Por que? Não foi isso o que aprendemos todos, filhos jovens, semi jovens e não jovens, de nossos pais.

Então, hoje, me veio a questão. Se nossos filhos falam tanto em “romper o cordão umbilical”, entendo que estejam prontos para assumirem suas responsabilidades sociais, e família é célula primeira da sociedade, portanto não pode ser a célula primeira do caos, sob pena de assim o estendermos indefinidamente. E, aí, também me veio a resposta, não há como centrar-se apenas no próprio umbigo, imaginando que os demais devam conviver com a bagunça dos que se reputam filhos, sejam jovens, semi jovens e não jovens, que se alastra do quarto, passando pela sala, com travesseiros, almofadas, mantas, copos, papéis de salgadinhos, de chocolate, latinhas de cerveja, à cozinha com copos e louça empilhada e até onde houver um espelho.

Assim, parece-me idiossincrasia nossos filhos tanto dizerem sobre o lixo reciclável, sobre os cuidados ambientais, quando na verdade parece ainda não saberem muito bem o que é lixo e que cada um deve, sim, cuidar do seu próprio lixo, pois nós mães não somos eternas garis e nem a natureza assim o é. Provavelmente muitos de vocês possam responder, previsivelmente, que este texto é um lixo, e lhes garanto, não é, porque constatação exige experimentação e conhecimento e tudo o que eu gostaria de saber é “Por que?”, para podermos repensar novas atitudes, que bem poderiam começar nesse próximo dia das mães, não é?

 

FEIRA CATARINENSE DO LIVRO

Na volta do Salão Internacional do Livro de Genebra, Luiz Carlos Amorim estará lançando seu mais recente livro, "O Rio da Minha Cidade" - crônicas, na Feira Catarinense do Livro. A feira é um esforço da Câmara Catarinense do Livro para difundir a leitura na Grande Florianópolis.

 

ARTES E SONHOS BRASILEIROS
MARCAM ENCONTRO NA BAVIERA

Por José Luiz Longo

Os rios e as florestas ligam o mundo real ao paraíso imaginário na Terra, comunhão partilhada só por despojados visionários.
Aos botos cor-de-rosa, com os seus encantos, foram dadas a missão de preservar e a ensinar a força da sustentabilidade das águas.
Às amazonas, com sua coragem arrebatadora, confiaram-se a incumbência de guerreiras guardiãs dos povos, da fauna e da flora.
Ao artista plástico, concedeu-se o privilégio de ceder criação sua para ser a capa de livro mais profundo e enraizado do que folclore.

'Mumuru' é o trabalho do pintor Walde-Mar de Andrade e Silva que a REBRA (REDE DE ESCRITORAS BRASILEIRAS) escolheu para capa da antologia 'A Literatura das Mulheres da Floresta', lançada em 11.03.2013 em São Paulo. Uma composição da atmosfera amazônica. Representação nota 10 de um trabalho que estará presente entre 3 e 4 de maio em Munique, em meio a uma série de atividades culturais de essências e aromas ecológicas das várias artes. Autor e inspiração vão se rever na Baviera

"Eu não conhecia o Walde-Mar antes dessa antologia 'Mulheres da Floresta'. Foi ela, que se fingindo de destino, nos aproximou. Se deu assim: quando lancei a ideia de uma antologia com inspiração ecológica, as associadas começaram a enriquecê-la com sugestões. Uma delas, a escritora Alexandra Zeiner, enviou uma de suas obras - 'Mumuru' - como sugestão de capa. A partir daí, entrei em contato com ele que imediatamente, com muita generosidade, cedeu a publicação de sua obra pra capa dessa 10ª antologia chancelada pela Rebra. Eu adorei porque a obra é linda. A alegria das 94 autoras que participaram desse trabalho foi imensa", depoimento de Joyce Cavalccante, romancista, contista, cronista, conferencista, fundadora e presidente da R EBRA.


ENTREVISTA COM WALDE-MAR DE ANDRADE E SILVA EM 14.03.2013
narrativa se sustenta nas impressões colhidas pelo repórter JOSÉ LUIZ LONGO durante agradável conversa com o artista na Casa do Índio, em Embu das Artes (Grande SP)

A PINTURA DA FLORESTA VIVA
Walde-Mar sonhou com índios, brincou moleque com índios, pintou ainda
criança índios idealizados e transformou-se no pintor-escritor de lendas e
mitos dos povos da exuberância amazônica ... vivendo anos a fio no Parque
Nacional do Xingu

Parte I
A SINFONIA QUE DELEITA E CALA FUNDO
Logo de entrada, como um aperitivo de boas vindas, o artista idealista pelos índios e pela floresta me recebe com um cumprimento fraternal e nem bem começa a ouvir minhas perguntas logo vai abrindo e mostrando os seus trabalhos. O primeiro deles já é um mergulho na alma das pessoas de bem: Walde-Mar conta-me o por que de os bichos ficarem nesse jeitão assentado com o bumbum no chão, apoiado nas patas traseiras, as dianteiras eretas a sustentar o corpo empinado com a cabeça a olhar o infinito.
Em noite alta, de lua cheia, o som de uma flauta silencia o farfalhar e o bulício no paraíso ligeiramente crescido na Terra. É hora de as guerreiras amazonas descansarem, pegarem no sono e viajarem em sonhos na mansidão da floresta habitada por espécies ferozes da natureza em seu estado de pureza, de graça e de beleza da exuberância em seu estágio primitivo.
Reza a lenda que é o sapo que - sentado em seu banquinho enfincado nas dunas crateras lunares - dedilha e compõe as melodias ... ouvidas em posição de sentido, de alerta, por toda a fauna, a pela começar pela onça pintada, a maior felina das Américas. Sentada sobre as patas traseiras, as dianteiras inteirinhas empinadas e a cabeça alevantada para a bola de onde sai o clarão, ela é guardiã da sinfonia.
Mas houve um tempo que nem tudo era harmonia assim. O sapo conseguiu dar o pulo para a sua sobrevivência com ardiloso estratagema depois de contínua insônia. Toda noite, a fera rondava o lago em que o feliz anuro coaxava do...ré...mi...fá...só...lá...si.., em contraltos com as rãs, as pererecas e os grilos. Os clarões da lua iluminavam tudo ao redor, exibindo a silhueta do príncipe saltitante toda vez em que ele emergia das águas em novas acrobacias
Percebendo a intenção da onça pintada de jantá-la, o sapo lhe propôs acordo mais interessante: cascavéis são mais esbeltas, sem gordura, e rendem bom prato, ótimo caldo e saborosa farofa. A faminta onça pintada - que nada havia comido para melhor degustar aquele sapo maestro da escuridão - foi na conversa, encantada e extasiada que estava com os arranjos bem entonados do cascudo saltador.
Deu um bote e matou a cobra. Seus dentes caninos e molares cravados formaram buracos que viriam a ser as casinhas das notas musicais da flauta.

Foi como um salto olímpico com vara

Explico: enquanto a onça pintada debatia-se em dominar a danada da cascavel, mais que depressa, o sapo deu no pé. Sentindo-se enganada, a fera largou a cobra e foi embora. Dias de sol a pino esturricaram, fizeram do ofídio um galho seco, seco, qual uma taquara de bambu. A noite caiu outra vez ... e lá voltou a onça pintada para tirar satisfações.
Com um salto daqueles que vemos na TV com bastão que arremessa pessoas ao espaço, o sapo aconchegou-se na lua, a segurar a cascavel em pau e a emitir cantigas de ninar dos buracos que se formaram após as dentadas felinas. Também provocava a irritada onça pintada cá embaixo. Até que, noite após noite, os dois bichos se deram conta de que um não mais vivia sem o outro.
Para o bem dos povos, da fauna e da flora da gigante casamata, mata de cascatas, rios e fartura, a dupla mantém-se em vigília permanente à espreita de caçadores e malvados exploradores.

A ENTREVISTA:
Walde-Mar: um fascinante fascinado pelo fascínio com o índio, desde a tenra idade

Cativo, nativo desde o ventre da terra-mãe, pois este é Walde-Mar. Filho de Itararé (pedra escavada na língua tupi) e tendo passado a infância no ninho, pequeno feixe amarrado com nó bem dado (como Manduri é conhecida em guarani), só podia ter o dom de retratar em sua pujança de cores e brilho da luz: duas cidades às margens de rios, como a correr nas paralelas e nas transversais dos colossos amazônicos, exaltados em seus quadros, nos desenhos em óleo sobre tela.
É ...! A magia da densa vegetação e a intensa ingenuidade de alma e espírito que reinam e habitam na floresta povoam a Casa do Índio, único espaço para visitação pública em funcionamento permanente no País. Naquele casarão, o artista desbrava, mergulha, some, enfurna-se, reaparece ... sempre com o fulgor do menino que desde o princípio pulsa no seu imaginário o real mundo do fascínio das tribos, suas lendas, seus mitos, suas crenças, suas querências, sua criação, moinhos, mós redemoinhos da mãe-natureza que os monjolos gira em quedas-d'água.
Hiperativa testemunha abraçada com emblemáticos, ternos e eternos brinquedos de verdade, Walde-Mar desarranja a tudo num piscar de molhos ... tudo para mostrar a singeleza do seu trabalho. Dedicação reconhecida mais lá fora, no estrangeiro, do que no lar, na pátria ventral. Igualzinho a sabedoria popular, tão cara aos índios: santo de casa não faz milagre.
Coração apaixonante, ser apaixonado por todos os índios de todas as tribos e suas causas, sempre disponível para novos desafios, Walde-Mar mais que prontamente aceitou conceder um de seus temas para introduzir os leitores na jornada das escritoras brasileiras que enaltecem e engrandecem as narrativas a respeito dos zeladores da Amazônia: os seus moradores.
Na noite de lançamento da 'Antologia das Mulheres da Floresta', em 11 de março, na Livraria da Vila do Páteo Higienópolis (em SP), lá estava ele: ao mesmo tempo, acanhado e orgulhoso. Acanhado pela grandiosidade e o reconhecimento de seu trabalho, consubstanciado na presença das autoras de poemas, contos, crônicas, com textos curtos, longos, gente humilde de aldeia misturada com mestres do ensino na gloriosa e prazerosa tarefa de dar depoimento, um bocadinho que fosse, do caldeirão de uma cosmovisão tão despojada quanto a dos povos indígenas. Orgulhoso de ver, de partir um naco de uma experiência de 7 anos de vivência, convivência, convívio, vida vivida vívida junto a etnias cuja oportunidade a tão poucos se é conferida ... Só aos obstinados abnegados.
Uma emoção para os usufrutuários dessa dádiva; uma emoção para o próprio artista: "Antes de conhecê-lo em carne e osso, eu já pintava índio, já o conhecia, já falava, já interagia com ele. Ao ter a chance de conviver com eles no Parque Nacional do Xingu, então, pude reforçar e entrelaçar como raízes de uma figueira secular laços preditos em afetos intensamente irrigados pela paixão por corações desprendidos a respingar das tintas e pincéis de minhas obras", disse Walde-Mar, em poucas palavras ditas bem baixinho, às quais adicionei pitadas buriladas pela suavidade que me imantava.

Ouvidos apurados para moças

'Mumuru, a estrela dos lagos', portal da antologia 'A Literatura das Mulheres da Floresta', é uma das 24 histórias do seu livro 'Lendas e mitos dos índios brasileiros', de 1999, pela Editora FTD. Conta o desejo da jovem e bela Maraí, que passava os dias a brincar tanto bem pertinho de um lago que se tornou companheira dos peixes, das aves e dos outros animais que ali vinham beber água. Numa noite risonha e clara de pontinhos piscantes como vagalumes, desejou ser estrela.
Maraí ficou mais radiante ainda ao saber que Jacy (a lua) tinha ouvidos afinados e apurados para moças com tais vontades ... a indiazinha passou então a suplicar-lhe que a levasse para bem alto no céu. Depois de muito tempo de observações recíprocas, Jacy apareceu e refulgiu a água. Maraí viu-se refletida: maravilhada e atraída pela própria formosura de sua própria imagem, a fogosa desceu para o fundo do lago ... hoje, reina nas águas como vitória-régia; da mesma forma que brilharia no firmamento, caso tivesse virado estrela.
Esta e outras narrativas são frutos de pesquisas e adaptações que o próprio Walde-Mar fez, desenhou, pintou e escreveu. Algumas que não são de sua autoria inspiraram-se na obra 'Xingu - Os índios, seus mitos', de Cláudio e Orlando Villas Bôas, os irmãos sertanistas desbravadores e agentes da integração com os povos do Xingu, que se conectaram num amor à primeira vista com um novo mundo novo.
Walde-Mar recorda que - aos 26 anos, levado pelo seu irmão mais velho - foi o primeiro artista a expor seus quadros na Praça da República, no Centro Novo da capital paulista, palco de antigas, velhas e modernas batalhas políticas pré e pós os nomeados governos da República do baronato e dos capitães do mato ... e do grito de resistência contra a ditadura militar.
Passavam os idos de 1959, tênue período dos anos dourados de um grande país gigante chamado Brasil. Encostados, apoiados, pendurados, apresilhados nos gradis da tradicional Escola Caetano de Campos, nas pranchetas e nos cavaletes, seus quadros reproduziam, contavam peripécias de temática indígena: "Em vez de traquinar ou até desenvolver traços com outras figuras e contextos de temas diferentes, eu nunca mexi com tintas, guaches, óleos, telas que não refletissem, não cultuasse o índio. Não aquelas tristes e humilhadas criaturas de natureza distorcida, caricaturizada pelo preconceito para com uma cultura de valores opostos aos nossos", pondera Walde-Mar.
O índio idealizado e apresentado pelo artista solitário em pleno pulmão da cidade que já transitava para a condição de metrópole trazia emoldurada a altivez, a liberdade cultivada na plenitude. "Nada de indolência ou preguiça; tudo com a grandeza de uma outra natureza: generosa, gentil e descompromissada", prossegue o artista
Pois esses atributos irradiados em pequenas amostras foram a dose certa para arregalar os olhares do corpo consular americano, que montava exposição no Conjunto Nacional, complexo misto (residencial/comercial) de estilo modernista inaugurado três anos antes daquela experimentação a céu aberto de WaldeMar. A Embaixada dos EUA ficava - e fica até hoje - na Avenida Paulista, ao lado do prédio do evento em gestação.

Irmãos Villas Bôas convidam para visita

"Aquele momento significou o impulso de que o meu trabalho precisava. Durante a mostra, atraídos pela temática silvícola, os irmãos Villas Bôas percorreram a galeria, observaram e trocaram opiniões entre si sobre as obras e se foram. Não sem antes um convite para eu lhes visitar. Deram-me um cartão, com endereço e horário para conversarmos", recorda WaldeMar.
Emocionei-me numa infusão de euforia e solene reverência, diante de uma pessoa rebobinando um filme de estilo que eu aprecio demais. Naquele instante, um acontecimento se passava em câmera lenta, em closes de pertencimento a uma intimidade característica e externada apenas por quem detém humanidade.
O brilho dos olhos de Walde-Mar era o da empolgação de uma criança que acabara de ganhar um mimo ... 54 anos de lapso de tempo são insuficientes para apagar os vestígios da mais importante e crucial existência do artista.
Motivados com a pintura do artista, os sertanistas propuseram-lhe conhecer o Xingu. Prontamente, Walde-Mar aquiesceu. Em 1971, atravessou o portal das civilizações e quedou-se a pintar, a reproduzir, a desvendar usos e costumes mais antigos, mais desapegados, mais despojados e de humanos gratos na harmonia por simplesmente terem nascido ... e, talvez por isso, receberam em retribuição vasto e magnífico ambiente. "Minha nossa, lembro-me como se fosse agora: batemos lata num daqueles Caravelle do Correio Aéreo Nacional (CAN), sobrevoamos a imensidão e aterrissamos na aldeia"! Cenário inesquecível!
Walde-Mar reconhece que a sua permanência acrescentou-lhe, sedimentou-lhe a predisposição, o entendimento e a compreensão latente de sua visão desde menino sobre os povos indígenas. "Era o que eu supunha ... e muito mais". Nesse ponto da entrevista, mais do que depressa, o escritor e pintor soltou uma frase/conceito de seu mestre Eugênio Kusnet: "A arte é a mais bela manifestação do espírito humano".
Surpreendi-me com esta outra faceta do artista filho de baianos: ter desfrutado o privilégio de aluno do russo Kusnet, que veio ao Brasil revolucionar o teatro nacional. Um conhecimento que seguramente impregnou-lhe no contato e na sua interação com as tribos. O método de Kusnet relaciona-se estreitamente com o trabalho de Walde-Mar: "A interpretação é a impressão de absoluta verdade, que não pode se confundir com a mera imitação da realidade", ensinava o mestre aos atores brasileiros de primeira linhagem. Estes precisavam carregar a eterna dualidade de criar uma ilusão quase mágica e, ao mesmo tempo, jamais perder a noção do tempo e do espaço de que se está no palco".

A vida gira em torno da família

Mais do que certo ... inquestionável a definição do teórico teatrólogo. No caso do tabuleiro de Walde-Mar, a lógica materializou-se conformadora, validadora do feitiço visceral da infância: a comunidade primitiva se enraizou, corporificou e cristalizou como imanência na partilha imaterial do Xingu. "Minha comunhão no Parque Nacional foi um achado positivamente benéfico: o importante para qualquer etnia é viver a família, cuja dimensão transcende ter uma família", destaca. E complementa: "A vida deles gira no sentido dos atos e atitudes de bem comum; vi, conheci, convivi e curti o prazer da ausência absoluta da exploração material ... pois havia o dinheiro; por isso, TODOS SÃO IGUAIS".
Embora não se exprima abertamente, sua arte também adquiriu uma fase mais fulgurante. Não que Walde-Mar tenha modificado, repensado conceitos, métodos e princípios. Contudo, sua presença de corpo e alma no Parque Nacional do Xingu agregou o resplendor, a incadescência e a placidez do céu, do sol, da lua, das estrelas, da floresta, das águas, da fauna, da flora. Cores mais vibrantes, intensas de cada componente do universo, da cosmologia dos habitantes da floresta. Nuanças e pujanças que não se justapõem usurpando o lugar alheio, mas que se complementam em camadas e limites, como são as frequências e ondas de inspiração ... com linhas, horizontes, personagens, detalhes delineados com a clareza do sagrado.
Feito um cubo mágico ou quebra-cabeças que uma criança completa e exulta com o aprendizado, a descoberta. Mas isso é uma outra história. Confira à parte, o jogo de cartas da floresta que se constitui em fundamento de alfabetização na rede pública de ensino na Alemanha.

JOGO BRASILEIRO
EDUCA ALEMÃES

Walde-Mar de Andrade e Silva criou e desenvolveu um jogo de baralhos cujas cartas qualquer criança em fase de alfabetização consegue montar e participar, formando múltiplas possibilidades de parcerias ... só pode brincar sozinha, mas o sentido da ferramenta educativa é despertar as virtudes da solidariedade e coletividade durante a brincadeira ludopedagógica.
São 48 cartas, nenhuma igual à outra. Pintada uma a uma, fino pincel a preencher delicadamente o espaço com um tema indígena ... desde um indiozinho caçador ao mais sofisticado dos afazeres e lidas do cotidiano dos povos da floresta em seu hábitat natural. Cores vívidas, contrastes de brilho e luminosidade numa diversão com quebra-cabeças de gente, bicho, planta, flor, céu, lua, água, rio, mata ... com diálogos e expressividades.
Qualquer indivíduo faz o jogo, não importa quantos. Cada um vai montando de trás para a frente, de frente para trás, de cima para baixo, de baixo para cima, de um lado para o outro ... vai contando, narrando sua história, a minha história, histórias em comum.
Produção paradidática, o trabalho foi adotado pela rede de ensino básico germânico.
É o 'Morená', espécie de RPG com temática da Amazônia. As cartas vêm armazenadas numa caixinha de madeira extraída da própria selva, no tamanho e formato do baralho. Lembra a caixa de giz da minha professorinha.


A LITERATURA DAS MULHERES DA FLORESTA

11.03.2013 correspondeu a mais um marco no abnegado trabalho da REBRA (REDE DE ESCRITORAS BRASILEIRAS). Nesta data, as lendas e os mitos da Amazônia se mostraram em massa e energia na selva de pedra chamada São Paulo.

O espaço de Ciências Humanas e Filosofia da Livraria da Vila (no Páteo Higienópolis) serviu de espécie de clareira para a apresentação de 94 destemidas reunidas na antologia 'Literatura das Mulheres da Floresta'. Se não de corpos presentes... resplandeciam juntas... todas com seus poemas, contos e crônicas.
Era noite de Lua Nova. Ambiente apropriado para a magia benvinda de 'Mumuru, a estrela do lago', uma jovem e bela índia desejosa de brilhar no céu que virou a vitória-régia ao mergulhar fundo sob o clarão como testemunha. Obra do pintor Walde-Mar a ilustrar... abre-alas... a exuberância natural.
Agregar quase uma centena de escritoras de íris e matizes diversas e múltiplas facetas num único trabalho, cuja amarração foi a temática amazônica, significou uma façanha digna das lendárias AMAZONAS BRASILEIRAS. A organização, sistematização e coordenação esteve a cargo da romancista, contista, cronista, teatróloga e conferencista Joyce Cavalccante, presidente da REBRA.
Embora singela, teve a expressiva grandiosidade de uma avant-première do I ENCONTRO DE ESCRITORES NA BAVIERA, cujo caráter será o de congraçamento de autores brasileiros que vivem no Exterior com residentes em seu próprio País. O condão meritório da sessão de autógrafos notabilizou-se pelo brilho, num único local, de digníficas de diversas regiões de braços dados com seus exemplares e irmanadas pela autossentabilidade.
Oito dessas guerreiras tomarão conta de Munique, entre 3 e 4 de maio, durante o I ENCONTRO DE ESCRITORES NA BAVIERA, em nome das 94 que narrarão sonhos e realidades da Amazônia, através da coletânea 'A Literatura das Mulheres da Floresta'.
Uma das organizadoras do evento, em Munique, é Alexandra Magalhães Zeiner, representante da REBRA na Áustria. Ela explicou que, concomitante à literatura, o leque abriu-se para outras formas de arte: plástica, musical... E o pintor de lendas e mitos dos índios brasileiros será um dos homenageados.

A LENDA DAS GUERREIRAS AMAZONAS:
UMA SIMBIOSE DA MULHER BRASILEIRA
por Joyce Cavalccante

"Desde há muito, a mulher amazona coincide com o arquétipo da mulher brasileira: livre, independente e autossustentável, sobrevivendo bem com, ou sem, o arrimo masculino e almejando
Não por coincidência, o nome amazon é a forma jônica para a palavra hamazan, cujo significado é 'lutando junto'. Os povos jônicos, segundo vestígios históricos, foram os primeiros a entrar em contato com elas e, provavelmente, a selar alianças. Porém, as narrativas sobre a existência de uma tribo de mulheres aguerridas estão em todas as civilizações: da China à Capadócia, chegando à Grécia, onde sincretizaram com o mito da deusa Artemis, de quem tiravam inspiração. Também passaram pela Guerra de Tróia, quando a rainha Pentesileia foi ferida mortalmente pelo matador em série, Aquiles; assim como pela rainha Hipólita, se apaixonou o mulherengo herói Teseu.
Depois, um largo hiato se fez, sem que se tivessem notícias das intrépidas mulheres, cujo costume era lutar ao lado de seus parceiros pelas boas causas. Delas, muito se falava e pouco se sabia. Talvez estivessem transitando, já que o mundo era sua pátria. E sua pátria era o mundo.
Assim, foram localizadas no norte do Brasil, enquanto afugentavam conquistadores estrangeiros que lhes queriam tomar as terras e violar a natureza. Humilhados, os invasores espalharam que haviam sido derrotados pelas imbatíveis amazonas, capazes de cauterizar um dos seios para melhor desempenhar sua missão. Emoldurados em respeito, esses conceitos habitam o imaginário popular quando se refere à mulher brasileira. E nós nos reconhecemos nessas descrições. Hoje, a nossa tribo é composta de 97,4 milhões de guerreiras empenhadas em conduzir este País continental ao seu verdadeiro destino de ordem, justiça, paz e progresso."

O ENCANTAMENTO DO BOTO
por Alexandra Magalhães Zeiner

"Na Floresta Amazônica, tudo está correlacionado, e a água é o elemento de ligação entre o mundo real e o irreal. O rio abre as portas para um mundo encantado e só os botos podem guiar os seres humanos para este lugar mágico. Pedro é filho do boto e seu pai lhe fala através de sonhos, pedindo a ele que proteja o mundo encanto da floresta amazônica dos perigos que o cerca. Guiado por esses sonhos, Pedro pede à sua família e a seus amigos ajuda para encontrar solução para preservar este mundo encantado".
participar da vida pública por seus próprios méritos."
Trecho de seu primeiro livro infanto-juvenil (inglês/português), 'O Filho do Boto Cor de Rosa'. Baseado em uma das lendas dos habitantes do Amazonas, procura transmitir a cultura, o respeito entre as gerações e a responsabilidade dos seres humanos para com o meio ambiente. Natural de Fortaleza, é mestra em biologia marinha, atua em questões ambientais e usa a água como meio de cura (shiatsu aquático).

FRANKFURT, BRASIL
Ano literário do Brasil na Alemanha


Os agentes envolvidos nas ações durante o I ENCONTRO DE ESCRITORES DA BAVIERA se propõem a contribuir para ampliar a visibilidade internacional das obras de autores brasileiros radicados no Exterior. O evento se constituirá numa pequena demonstração do que ainda virá em 2013, em exaltação ao brilho indiscutível talento do brasileiro em várias áreas culturais.
Em outubro, a FEIRA INTERNACIONAL DE FRANKFURT, maior e mais importante do mundo no segmento literário, homenageará autores e obras brasileiros. A REBRA prepara-se para levar sua experiência, com participação efetiva no exposição.
O ENCONTRO DE ESCRITORES NA BAVIERA está estruturado para ser o elo articulador de várias atividades.
. O projeto Adote um autor, abraçado pela REBRA, terá espaço de enorme valia para dar o seu primeiro grande passo, com uma edição-piloto especialmente preparada para a ocasião: Brasileiros espalhados em comunidades e de larga expressividade na Europa terão a oportunidade do intercâmbio de suas artes, sempre enraizadas pela cosmovisão social e poética enriquecida pela experimentação da vivência em outros países.
. O Varal do Brasil também será uma iniciativa a merecer divulgação. É uma revista on line, distribuída no formato PDF, que divulga a língua e os escritores brasileiros. A adesão é gratuita e o compromisso, ecológico.
. Consta do rol de atrações o projeto Livros que voam, inspirado no conceito bookcrossing: gaiolas abertas sugerem liberdade (como deve ser com os pássaros) de troca, doação e retirada gratuita de publicações.
. Os visitantes tomarão contato com a Rua dos Livros, que leva cultura a todas as faixas etárias de uma comunidade inteira de uma cidade, divulgando sobretudo a literatura brasileira.
. Como entrelaçamento, a editora In House celebrará 10 anos de atividades que enfatizam a responsabilidade social.
. Apoio relevante virá da Associação Cultural Teuto-Brasileira (DBKV e.V.), atuante desde 1988 em Munique e do Esperanto-Klub München, sede da língua planejada mais falada no mundo e valorizada pela Unesco por facilitar a comunicação entre nações.
. O intercâmbio literário será complementado enriquecido com exposição de livros e ilustrações, palestras e fórum de debate para reflexão de artistas e convidados, apresentação de projetos literários sociais, lançamento de novos títulos, programação infantil variada, mostra do filme 'Brasilien fica na Alemanha' (de Zé do Rock), cobertura colaborativa, recolhimento de obras e coleções.


VOLTAR