Revista eletrônica de literatura e cultura

do Grupo Literário A ILHA.

Maio/2012

Visite o Blog CRÔNICA DO DIA, em Http://luizcarlosamorim.blogspot.com , com textos sobre arte e cultura, principalmente literatura e cotidiano em geral.

Twitter: @amorimluc

 

LITERANOITE

A sétima edição do LITERANOITE, projeto cultural da Fundação de Cultura e Turismo de São José, acontece no dia 21 de junho, as 19h30min e recebe o escritor Luiz Carlos Amorim, coordenador do Grupo Literário A ILHA.

A iniciativa busca outras possibilidades, além da Biblioteca Pública, para incentivar a leitura, sobretudo de literatura. O Literanoite representa um estímulo ao exercício dialógico entre literatura, leitura, cultura, escritores, publicações, editoras, alunos e público participante.

Já participaram do projeto escritores como Urda Alice Klueger, também do Grupo Literário A ILHA, Salim Miguel e outros autores catarinenses.

 

 

PRESENTE


Luiz Carlos Amorim


A vida se repartindo,
coração se avolumando,
amor se multiplicando...
isto é você, mãe, mulher.

Todos os dias são seus,
toda vida lhe pertence;
a natureza, perfeita,
é sua irmã gêmea.

Que presente, então, lhe dar,
a não ser nosso respeito,
todo carinho e amor
e uma pequena flor,
gigante como você?

 

 

O DIA DELA

Por Luiz Carlos Amorim

Minha mãe teve dez filhos. Eu sou o primeiro deles e ajudei a cuidar dos outros, porque ela trabalhava. E ela teve que dar conta de “criar” os mais novos quando a caçula chegou, porque ficou sozinha. Então digo que ela é a nossa heroína, pois sempre trabalhou e ainda teve que cuidar dos filhos, pois mais da metade dos dez ainda eram menores.

O que não a impediu de dar uma boa educação a todos eles, não deixando lhes faltar nem alimentação, nem teto, nem o que vestir e calçar, nem a educação básica. Não éramos uma família rica, éramos até bem humildes, mas me orgulho de ser honesto e esta é a maior herança que minha mãe me deixará.

E tenho orgulho da mãe que Deus me deu, pois ela formou pessoas dignas, amou a todos os filhos como se fosse um único, deu a eles tudo o que foi possível e daria a própria vida, se fosse necessário.

Lembro de quando eu era menino, que antes de sair para o trabalho, de manhã, ela deixava o almoço encaminhado, deixava o café para a filharada pronto e as tarefas para os maiores. Quando chegava de volta, ao meio dia, terminava o almoço, servia todo mundo, almoçávamos e ela ainda adiantava a lida da casa antes de retornar ao trabalho. À tarde, quando voltava, lavava roupa, fazia pão, limpava a casa, fazia comida, cuidava dos filhos, ufa! Nos finais de semana ela tentava descansar um pouquinho, mas era muito pouquinho mesmo. Como não trabalhava no sábado à tarde, fazia doces – bolo, cuca, biscoitos de araruta com coco. Fazia compras, fazia limpeza geral, por dentro e por fora da casa, que naquele tempo morávamos em casa, com jardim, quintal, horta, pomar. Capinávamos, cortávamos grama, varríamos o chão. Plantávamos, colhíamos. E era ela quem nos ensinava. E olhe que naquele tempo as coisas não eram muito fáceis. A água era encanada, para a cozinha, para o banheiro, para a área de serviço, mas não era de rede. Era de poço, e como o solo mais profundo de nosso terreno era de pedra, tínhamos um poço de apenas uns três metros. E no verão faltava água. Então minha mãe tinha que se virar com o pouco de água que a gente ia buscar no rio para lavar e na vizinhança para beber e cozinhar. Mas sobrevivemos.

Fico pensando, então, cada vez que o Dia das Mães se aproxima: o que dar para uma mãe assim? Um presente caro, uma jóia fina? Posso até dar qualquer coisa assim, mas o que vale mesmo é dar a ela o mesmo carinho que sempre tive, o amor que me empurrou pra frente na vida, o abraço, o beijo. E, mais que tudo, dar a nossa presença, o nosso respeito e admiração, sempre.

Se não pudermos, por qualquer razão, comprar-lhe um presente, uma flor pejada de carinho e de ternura e o abraço apertado, não serão aceitos de bom grado? Eu tenho certeza que sim. Dou, também, meu coração de presente, que é o que tenho de mais caro. E sei que ela merece.

 

 

Mãe

Cora Coralina


Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.

 

ANTOLOGIA VARAL DO BRASIL 2


Por Luiz Carlos Amorim - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com


A segunda antologia Varal do Brasil está pronta. Textos reunidos, de autores de vários pontos do Brasil e também de Portugal, além de brasileiros radicados em outros países, dão a oportunidade de vislumbrar a paisagem de um novo panorama literário formado por várias mentes e corações unidos em muitas páginas e com um só propósito: dar o melhor ao leitor!

A editora da antologia, Jacqueline Aisenman, anuncia os lançamentos: Em Salvador, na Biblioteca Central de Barris no dia 25 de maio - 19h00

Em Brumadinho, Minas Gerais - 01 de junho, na Casa da Cultura às 19h30min

O livro também será lançado no segundo semestre deste ano na Suíça.
Tenho a honra de ter sido convidado para ser o apresentador do livro, que eu recomendo.

Por outro lado, a editora do Varal do Brasil participou, com pleno sucesso, do Salão Internacional do Livro de Genebra, onde esteve com um stand oferecendo livros de autores brasileiros, lançamentos de livros e muito mais! Durante os dias do evento (25 a 29 de abril) estiveram lançando seus livros 14 autores (vindos do Brasil, da Itália, dos EUA e de vários locais da Suíça), três leituras dirigidas ao público infantil e, no palco Scène Libre, uma homenagem a Jorge Amado. Estivemos lá, mesmo aqueles autores que não puderam ir à Suiça, com nossas obras, inclusive fazendo parte de um catálogo de autores brasileiros, em Francês.

 

PRIMEIRO DE MAIO, 2012

Teresinka Pereira(USA)

Primeiro de maio
é o dia do trabalhador
imigrante,
do ser humano
que carrega consigo
uma quota de miséria
porque o chamado de "Sonho Americano"
foi para si irrelizável
como uma promessa não cumprida.

Trabalhador sem trabalho:
o rumo de seus passos
é o muro injusto
que leva a rubrica
daquele que atravessa
fronteiras proibidas
para nada mais que
uma troca de patrões.

 

 

 

MÃE

Mário Quintana


Mãe... São três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o Céu tem três letras...
E nelas cabe o infinito.

Para louvar nossa mãe,
Todo o bem que se disse
Nunca há de ser tão grande

Como o bem que ela nos quer...

Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!

 

 

MÃES & MÃES

Maria de Fátima Barreto Michels


No Planeta animal, programa de TV, é muito divertido ver as mães cuidarem dos seus filhotes. O mundo dos animais é surpreendente, e aos nossos olhos, esquisito também. Os pássaros, os seres aquáticos, as macacas, as hienas, as elefantas enfim, essas mães e pais agem das mais curiosas formas para manter suas famílias. A sociedade dos bichos não inclui julgamentos, eles são amorais. Cada casal, cada bicho em sua comunidade tem seu proceder próprio. Para eles vale a lei da natureza. Os machos, se tornam pais, agem das mais diversas formas. Existem aqueles muito zelosos e outros totalmente displicentes. As mães também mostram variadas performances, indo do heroísmo ao que poderíamos identificar como desnaturadas. Bem, os valores da ética e das leis humanas que ora emprestamos ao reino animal, não fazem o menor sentido para os bichos.
Na verdade neste maio desejamos louvar a grande mãe de todos nós: a Natureza. A homenagem será feita em forma de oração. Linguagem que coloca sentimentos e emoções em contato com Deus, a oração é grandemente utilizada pelas mães. Hoje existem estudiosos comprovando os benefícios desta prática. Além daquelas que me foram ensinadas por meus pais, invento também as minhas. Para o dia de hoje escolhi uma versão ecológica do Pai Nosso, "Oração pela Vida", e para rezar por nossos filhos a "Ciranda de Amor".
"Oração pela Vida"
Pai nosso que estais no céu
Mãe nossa que estais e sois Terra
Santificados sejamos todos nós desde a pequenina pedra que viaja no riacho, até a águia de vôo mais alto. Que seja nosso o nosso reino. Que seja feita a vontade da Vida.
Vida que é expressão da Vossa Grandeza. Vida que em mim assume a humana forma, assim na terra como no céu.
O pão nosso, o das formigas, o das árvores, dos rios, dos pássaros, dos peixes, o de todos, nos dai hoje, e sempre. (Não) perdoai a quem maltrata a Vida. Não nos deixeis cair em tentação de agredir a Natureza. Livrai-nos de todo mal, Pai que também sois Mãe. Assim seja.
"Ciranda de Amor"
Que tu inspires o Bem. Que em tua presença enfraqueça toda intenção do Mal. Que despertes a Lucidez. Que seja sabedoria teu proceder. Que leves luz e clareza por onde passares. Que espalhes harmonia e a beleza de ser Gente. Que se afaste de ti toda e qualquer violência. Que despertes a auto-confiança e sejas auto-confiante. Que deixes certeza por onde andares. Que teus hábitos sejam saudáveis. Que contamines com saúde ao teu redor. Que teu passo seja seguro e tua atitude seja firme. Que teu olhar imprima dignidade e respeito. Que nada impeça tua caminhada. Que a energia e a proteção dos teus antepassados te conduzam em ciranda de luz e de amor. Que tenhas vida produtiva e longa. Que sejas promotor (a) da Vida.

* A "Oração pela vida" foi incluída na apresentação da bióloga Ma. Antonia M. de Souza em sua tese de mestrado na UFPR

 

 

TODAS AS MÃES


Virgínia Vendramini


Mães não são criaturas perfeitas.
São apenas mulheres
Com defeitos e qualidades,
Traumas, desgostos e desejos,
Como qualquer ser humano.

As mães não se tornam santas
Só porque geraram um filho,
Nem se modifica por isso
A essência de seu caráter.

Às vezes é difícil amá-las,
Entendê-las ou simplesmente aceitá-las.
Outras vezes é preciso perdoá-las.
Esquecê-las, porém, é impossível.

Podem ser anjos que velam,
Algozes ou carcereiras,
Podem ser cumplicidade,
Compreensão, tolerância,
Doce presença que afaga,
Que também tolhe e cerceia.

Mães não são criaturas perfeitas.
Erram, acertam, dizem tolices,
Abandonam e são abandonadas...
Não são exemplos de amores perfeitos.
Mas quando se tornam ausência,
Aquela ausência que nada preenche,
Todas elas viram saudade.


 

POEMA SEM TÍTULO
(para minha mãe)


Thiago de Melo


Minha mãe, guarde esta flor:
São pétalas de palavras,
mas é uma rosa de amor,
brilhante como o orvalho
que seu carinho inventou.
O seu olhar, minha mãe,
me guia na escuridão.
Seu riso é um sol que derrama
estrelas pelo meu chão.
O que eu sei fazer de bom
seu coração me ensinou.
Por isso, feliz, lhe oferto
uma ternura de brisa
perfumada de jasmim
para festejar sua vida:
vida que é suave canção
de um amor que não tem fim.

 

 

CANÇÃO


Luiz Carlos Amorim


Canto uma canção antiga,
uma canção romântica,
uma canção de amor,
uma canção de vida.
Canto prá você, mãe.

Canto todas as canções
numa cantiga só...
Às vezes desafino, é verdade,
mas a canção é poesia,
acalanto, emoção,
é alma, é sentimento.
É tudo, é você, mãe.

 

 

CÂNTICO 14


Cecília Meirelles


Eles te virão oferecer o ouro da terra.
E tu dirás que não.
A beleza.
E tu dirás que não.
O amor.
E tu dirás que não, para sempre.
Eles te oferecerão o ouro d'além da terra.
E tu dirás sempre o mesmo.
Porque tens o segredo de tudo.
E sabes que o único bem é o teu.

 

 

Mães que se reciclam

Para Ivani Butzke

Por Urda Alice Klueger

Se tivesse tido a oportunidade, minha mãe teria sido uma geógrafa, tal o seu gosto por saber tudo a respeito dessa ciência. Mas ela só teve acesso à escolinha rural de onde se criou, e só pode estudar até a terceira série primária.
Ela teve uma vida difícil: criou-se comendo do que seu pai produzia nas roças, e ganhando o vestido novo no Natal, o único do ano.
Eu a conheci quando ela passava dos 30 anos, e fazia tudo com suas mãos : ajudava a matar porco, mourejava numa horta e num jardim, criava, desde o choco, as galinhas dos almoços de Domingo, fazia tachos de sabão com sebo e breu, costurava as roupas das suas três meninas, bordava as nossas fronhas e engomava as nossas anáguas.
O tempo passou, o mundo mudou, e minha mãe se reciclou com a mesma velocidade do mundo. Beirando os 80 anos, ela manda recados via Internet para os netos que moram lá longe, no Continente Africano; ela tudo sabe sobre o que os políticos fazem em Brasília e sobre o que os artistas fazem nos bastidores da televisão. Continua mourejando numa horta e num jardim; produz a metade do que come, e "sem agrotóxicos", diz com orgulho. Ela nasceu para ser uma geógrafa, mas não deu. Só que não abandona a sua inclinação natural. Minha mãe, acredito, é a única mãe de quase 80 anos, do Brasil, que ganha Atlas novos, no Dia das Mães, quando a Geografia muda, e num instante interpreta o seu Atlas e descobre os novos países e as suas particularidades. Se ela tivesse tido a oportunidade da escola!
Quantas mães se reciclam com a velocidade da minha?

 


SER MÃE

Coelho Neto

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso!

 

 

O dia...a dia...das mães

(sem nenhuma sublimação)

Por Márcia Fernandes Vilarinho Lopes

Tenho 62 anos de idade e uma parte em mim ainda é jovem, nos anseios, na alegria, nas metas e essa parte jovem, que em mim habita, um dia foi educada pra crescer, em todos os sentidos, com amor, e, sobretudo, com o exemplo dos meus pais, que como nas velhas tribos indígenas, parece que se reproduz dos ancestrais e passa adiante, como forma de subsistência da própria tribo. Abrigo ainda, em mim, uma parte semi jovem e outra não jovem.

Sou profissional atuante, tenho e-mail, entendo de computador, conserto meu computador e se precisar os dos meus filhos também, dirijo dois tipos de veículos, carro de passeio e uma cadeira de rodas, e dirijo bem, já estive no Orkut e agora estou no facebook e no twitter, tenho três blogs, um de poesias, outro de e-books, sendo as poesias e livros de minha autoria, e mais um, ainda, voltado às pessoas portadoras de necessidades especiais (quer dizer todas), porto obrigatoriamente uma carteira de Identidade, título de eleitor, carteira de motorista, me casei e tenho uma certidão de casamento averbada com o óbito do meu marido. Ah! também guardo uma certidão de batismo, ainda que seja espírita kardecista convicta, e meus pais quando indagados sobre isso, disseram-me que a religião oficial do país é a Católica, e, por isso, então me batizaram, acreditando, como eu também acredito, que Deus é uno. Tenho diploma universitário e carteira de ordem. Falo e entendo o português. Para os demais idiomas, apenas, preciso de tradutor. Meu nome consta, ainda, na certidão de nascimento dos dois únicos filhos que tive e por decorrência estou em toda a documentação de ambos, na categoria “mãe”. Ah! Por imediato e oportuno também consto na lista dos cadastrados na Receita Federal, onde detenho um número próprio.

Por tudo isso, resolvi fazer uma abordagem diferente, para esse próximo dia das mães. Penso até que ponto alguém imagina que cria novos comportamentos. Através da observação, ainda que com cataratas, enxergo diferente, cada pessoa gera em si em restrita órbita um tipo diferenciado de comportamento, nos atos íntimos, próprios de cada ser, porém, quanto à esfera social, o comportamento segue etapas bastante nítidas desde que o primeiro homem inaugurou o humano do ser, até porque a sociedade existe para a preservação do próprio homem. E não nos confundamos com modismos.

O foco ou a falta de foco está, em minha opinião, no umbigo que se perde, e que se rompe, e que deveria causar a perda, com brusca ruptura, da simbiose que nutre o feto e o liga ao útero materno.

Diríamos que aí se inicia a etapa principal da vida terrena, o feto apenas nasce quando está completo, com ou sem anomalias. O espírito acopla antes, sempre com anomalias.

Desse momento em diante o ser humano terreno, recém-nascido, necessitará de amparo, e caberá aos pais, assim proporcionar condições para que desenvolva suas potencialidades materiais, emocionais e espirituais.

Já sabemos bastante sobre isso, porque vivemos assim, porém ao chegarmos à uma certa etapa de nossas vidas, reencontramo-nos, via de regra, com o problema umbilical, porque já formados física e profissionalmente, dizemos....precisamos nos libertar do cordão umbilical....que por óbvio é sinônimo de mãe.

Nesse momento, experimento, portanto, uma nova sensação, agora como mãe, que além de haver emprestado o meu umbigo e ter perdido boa parte dele, ainda sou considerada, pela grande maioria dos filhos jovens, semi jovens e não jovens fora de tudo o que dizem ser normal.... “eu não entendo”, “eu não sei”, “eu não devo”... ou seja, juntamente com o umbigo, parece que as mães deveriam, todas, ir para o ralo, mas eu não vou e a maioria delas acredito que também não, porque não somos apenas mães, somos mais que isso em nossa plenitude humana.

E então me pergunto mais, no mundo atual, em que a falta de preconceitos é ressaltada, por todos os filhos jovens, semi jovens e não jovens, que portam bastante bem essa bandeira, por que, então, via de regra, nós como mães é que precisamos colocar e tirar a mesa do café da manhã, do almoço e do jantar, refeições essas que devem ser preparadas também, por nós, previamente, entendendo-se que a maioria dos filhos jovens, semi jovens e não jovens, bem educados, come e retira os próprios pratos em que comeu e ponto final, e se nós, mães, não os lavarmos ali permanecem sujos? Ainda que tenhamos uma ajudante, essa ajudante não vai às compras e nem sabe de cardápios e menos ainda ganha para o sustento da casa em que trabalha, ao contrário, ganha da casa em que trabalha para o sustento da sua própria casa e família, e, mais ainda, por certo, como cada um de nós enquanto profissionais, ela não trabalha aos finais de semana e nem é a substituta da mãe.

E, mais, por que as camas devem ficar desarrumadas, as roupas jogadas ao chão, as toalhas molhadas sobre as camas, ou de preferência sobre a escrivaninha, ou sobre aquela cadeira estofada especial que já até perdeu a cor, os armários com as portas abertas e o banheiro em caos? Por que? Não foi isso o que aprendemos todos, filhos jovens, semi jovens e não jovens, de nossos pais.

Então, hoje, me veio a questão. Se nossos filhos falam tanto em “romper o cordão umbilical”, entendo que estejam prontos para assumirem suas responsabilidades sociais, e família é célula primeira da sociedade, portanto não pode ser a célula primeira do caos, sob pena de assim o estendermos indefinidamente. E, aí, também me veio a resposta, não há como centrar-se apenas no próprio umbigo, imaginando que os demais devam conviver com a bagunça dos que se reputam filhos, sejam jovens, semi jovens e não jovens, que se alastra do quarto, passando pela sala, com travesseiros, almofadas, mantas, copos, papéis de salgadinhos, de chocolate, latinhas de cerveja, à cozinha com copos e louça empilhada e até onde houver um espelho.

Assim, parece-me idiossincrasia nossos filhos tanto dizerem sobre o lixo reciclável, sobre os cuidados ambientais, quando na verdade parece ainda não saberem muito bem o que é lixo e que cada um deve, sim, cuidar do seu próprio lixo, pois nós mães não somos eternas garis e nem a natureza assim o é. Provavelmente muitos de vocês possam responder, previsivelmente, que este texto é um lixo, e lhes garanto, não é, porque constatação exige experimentação e conhecimento e tudo o que eu gostaria de saber é “Por que?”, para podermos repensar novas atitudes, que bem poderiam começar nesse próximo dia das mães, não é?

 


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