Revista eletrônica de cultura e literatura

do Grupo Literário A ILHA

Novembro/2013

Visite o Blog CRÔNICA DO DIA, em Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

 

 

ENTREVISTA

A revista Divulga Escritor, na sua edição deste mês de novembro, traz entrevista com o escritor e coordenador do Grupo Literário A ILHA, feita pela escritora de Campinas, Cissa de Oliveira. Além da entrevista de quatro páginas, a revista traz, também a página Momento da Poesia, com poemas do mesmo autor. Você pode ver algumas páginas da revista no link REVISTA DIVULTA ESCRITOR.

 

 

FEIRA DO LIVRO DE FLORIANÓPOLIS

A Câmara Catarinense do Livro promove a 28 Feira do Livro de Florianópolis, a acontecer de 10 a 21 de dezembro, no Largo da Alfândega. O Grupo Literário A ILHA estará participando, mais uma vez, com o lançamento da edição de dezembro da sua revista Suplemento Literário /a ILHA e do novo livro de Luiz Carlos Amorim, HISTÓRIAS DE NATAL, além do livro de crônicas "O Rio da Minha Cidade".

 

ENCONTRO DE ESCRITORES EM JOINVILLE

Na foto, o grande poeta Júlio de Queiroz, a professora Mariz e o escritor Adauto

 

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br



Depois de mais de vinte anos da realização de um encontro de escritores catarinenses em Joinville, um novo encontro acontece neste dia 9 de outubro na cidade da dança e das flores. Em 18 de outubro de 1991, o Grupo Literário A ILHA promoveu em Joinville o Encontro do Escritor Catarinense, reunindo escritores de vários pontos do Estado, como Blumenau, Florianópolis, São Francisco do Sul, etc. Antes ainda, em 27 de novembro de 1981, o mesmo Grupo Literário A ILHA, ainda com sede em São Francisco, onde foi fundado, realizava o seu primeiro encontro de escritores, possibilitando o congraçamento de autores da ilha, de Joinville e de Florianópolis, como Silveira de Souza, Glauco R. Correa, Pinheiro Neto e outros.

Depois que o Grupo A ILHA mudou sua sede para Florianópolis, no final do século passado, a literatura perdeu um pouco da sua força em Joinville, apesar do aparecimento de outros grupos. Com o aparecimento, nesta nova década, da Confraria das Letras, a literatura passou a ser cultivada com mais dinamismo e arrojo e recuperou o seu status. Os escritores da região se uniram, novamente, e a sua literatura ganha cada vez mais força.

O 1º Encontro Catarinense de Escritores da Confraria das Letras de Joinville reunirá mais de uma centena de escritores da região, além de escritores que virão de outras cidades do Estado. E contará, também, com a presença de Gilberto Mendonça Teles, escritor de renome nacional, para uma palestra que, certamente, agradará escritores e leitores.

Eu fui convidado para participar deste grande evento literário, mas infelizmente não poderei comparecer, por motivo de força maior. Mas estarei bem representado, pois outros escritores do Grupo Literário A ILHA também foram convidados e estarão participando de mesa de debates, como Urda Alice Klueger e Júlio de Queiroz. Ela, a grande romancista catarinense e ele, o grande poeta da capital, além de grande contista.

Jonville estava precisando de um evento literário dessa magnitude. Parabéns à Confraria das Letras, que chegou para dar vez e voz ao escritor não só da Grande Joinville, mas aos escritores de toda Santa Catarina. Escritores organizados, literatura cada vez mais forte e melhor e mais leitores conquistados. E o objetivo maior é o incentivo à leitura, o acesso à leitura, o hábito da leitura.

 

 

FESTA DAS CORES


Luiz Carlos Amorim


Na esquina do sol
e da chuva,
na esquina das cores,
brota uma cidade:
a Cidade das Flores.

Joinville da poesia,
da primavera sem fim,
Joinville da Magia.

Em todas as estações,
ela se banha de luz
e floresce a orquídea,
a azaléia, a petúnia,
o ipê, o jacatirão.
E é a festa das cores...

 

 

O NINHO DAS TROVOADAS

Por Urda Alice Klueger

 

Éramos só eu e Atahualpa, meu cachorro, sobre o morro alto, na varanda da cabaninha rústica, naquele lugar que se chama Nova Rússia, e eu nunca espiara tão de perto o Ninho das Trovoadas.

Desde pequena que ouvia falar dele, daquele lugar onde as trovoadas nascem dentre os morros, ao sul do município, região de preservação ambiental, onde ainda dava para se viver como um dia, no passado... Pela vida afora vira incontáveis trovoadas vindo de lá e caindo sobre as minhas tardes, mas nunca estivera tão perto do ninho de onde elas saem. Então, no último sábado, sozinha com Atahualpa naquele lugar alto[1], consegui ver bem direitinho como é que uma trovoada nasce.

Não vi o ovo de onde a tempestade saiu, pois estava escondido lá no ninho, mas acompanhei atentamente o jeito como ela se arrumou e cresceu depois de nascer – primeiro, se anunciou por tímidos clarões piscando no horizonte, mostrando no escuro o contorno das montanhas que circundam o ninho – mais um pouco e os clarões já não eram tímidos, e ficava bem evidente que lá naquele lugar nascera e vivia mais uma trovoada que seria grandiosa dentro em pouco.

E ela foi crescendo, bem como crescem filhotes saudáveis. Em algum momento, ronronou docemente pela primeira vez, e como que se estendeu pelo céu se espreguiçando, enfeitada cada vez mais por clarões relampejantes. Então, a precedê-la, veio uma lufada de vento que refrescou um bocado o mundo, seguida de ágil exército de uns esqueléticos seres de finas pernas de água, que correu com muita rapidez sobre as árvores, a grama, o telhado da nossa cabaninha, resvalando para dentro da varanda onde espiávamos e esperávamos.

Aquilo foi como um prelúdio. Aquele primeiro ágil exército foi seguido por outros, e outros, e outros, os seres cada vez com perninhas menos frágeis, tangidos pelos grandes roncos que começaram a vir rolando pelo céu escuro, intermitentemente iluminado pelo piscar da trovoada que se libertava do ninho e pestanejava luz e raios, e as lufadas de vento, agora, ora molhavam um lado da nossa varanda, ora molhavam outro, e Atahualpa e eu mudávamos de lugar a cada vez que a chuva mudava de direção, mas permanecíamos ali, fascinados, e por nada do mundo eu perderia aquele espetáculo do nascimento e crescimento de uma trovoada!

E ela veio vindo, veio vindo, e quando percebi engolira todo o céu e todos os morros, e molhara cada folha de cada árvore e cada polegada de chão, bem como nosso telhado inteirinho e partes da nossa varanda, e se tornara alguém tão forte que mal dava para imaginar que, pouco antes, fora apenas um filhotinho de trovoada se escapando de um ovo, lá onde eu sempre ouvira contar que era o ninho das trovoadas!

Permanecemos ali a vê-la ir passando sobre nós, ir-se indo para longe, para lá distante, onde havia a cidade, sacudindo seu imenso corpo com grande rumorejo, muitos relâmpagos, arfar de ventos e abundância de chuva.

Trovoadas são assim: nascem, crescem, passam e se vão, e houve um momento em que aquela também se foi, e apenas uns respingos e uns troares ainda vinham da sua cauda fustigante que se afastava, mas não perdi um momento sequer da sua passagem e ida. Quando, afinal, seus lampejos foram se perdendo dentre outros morros distantes e olhei a volta da cabaninha onde estávamos, via-a cercada de árvores e grama que pareciam envernizadas de fresca água, brilhantes à luz da nossa pobre lâmpada elétrica, coisa tão fraca e sem expressão perto da imensa força e potência de uma trovoada de verdade, vista desde o momento do seu nascimento!

E pensar que tive o privilégio de ver, enfim, onde é o Ninho das Trovoadas!

 

 

RECEITA

Júlio de Queiroz

 

Eu preciso é de chorar;
deixar que um rio me lave;
bater com os pés, ranzinzando,
rolar no chão da calçada
e me negar à caminhada
que outros me apontam, sem ir.
Mas vou, manso, pelas ruas
dando bons dias a todos,
sorrindo, vendendo olhares,
quando a melhor solução
seria dar um gemido
que nunca mais se acabasse.

 

 

 

O NOVO ROMANCE DE APOLÔNIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br


Apolônia Gastaldi é uma das escritoras catarinenses que mais produz, atualmente. Chega,agora, ao vigésimo livro publicado, além de outros inéditos, que em breve estarão também impressos. Só este ano, ela já publicou os romances “Menina dos Olhos Verdes” e “Sombras do Crime”.

A mais recente obra publicada é “Sombras do crime”, romance ambientado no interior, cenário para as desventuras do protagonista, Fausto. O clima de violência, inusitado no cenário pacato e tranquilo do campo, evidencia a culpa do vilão da história. Escorraçado, ele dá uma guinada na sua vida, com muito esforço e abnegação. É preciso ler o romance de Apolônia para saber qual é o destino do personagem.

Já em “Menina dos Olhos Verdes”, Apolônia abandonara o enredo tradicional e assumiu a prerrogativa de que nem sempre o autor é obrigado a fazer seus personagens sofrerem até chegar a um final feliz. Nesse novo romance, ela dá uma virada total na vida do protagonista.

Quando o leitor acha que a trama está indo por um caminho, tudo muda e ele é surpreendido com novo destino das personagens. Apolônia é um ótima contadora de histórias e o fato de usar um tom coloquial, com vocabulário bem aproximado do que seria a realidade das personagens, naquele espaço e naquele tempo, faz com que o seu romance tenha certa verossimilhança, apesar do toque de fantástico-maravilhoso.

Apolônia é uma operária das letras e sua disposição para o trabalho é infinita. Ela já é autora de clássicos da literatura catarinense, como “Barra do Cocho”, e muito mais ainda deve vir por aí.

 

 

COISA ESTRANHA

Jacqueline Aisenman (Suiça)


Saudade é uma coissa estranha
Que vem sempre na hora errada
Arromba a porta da entrada
Penetrando as entranhas

Traz os mortos, traz os vivos
Esquecidos ou lembrados
Sentimentos tão jogados
Sofrimentos intensivos...

Que fazer dela, senão sentir
Senão deixá-la parir
As dores do afeto...

Que sentir d'outro senão
O aperto no coração
Falta do que não está perto.

 

 

O DOM DA POESIA


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor

(Extraído do Jornal A Notícia)


Em evento literário recente, um dos poetas, antes de dizer o seu poema, fez questão de falar com o público. E disse de sua incursão por uma escola, onde havia "ensinado" poesia aos estudantes. Mais adiante, outro acadêmico, no seu discurso, dizia, entre outras coisas, que "poesia e ensino se repelem, se excomungam".
Atentei para as duas afirmações contrárias, porque a segunda não foi proposital em oposição à primeira. O discurso do segundo poeta e acadêmico já estava escrito, quando o primeiro falou.
E a verdade é que o segundo tem razão. Poesia não se ensina. Poesia é um dom, é uma coisa nata, nós exteriorizamos ou não essa ânsia de transformar emoções, sensibilidade e lirismo em palavras. Poesia é alma, é coração. É claro que a prática - escrever, escrever muito e escrever sempre - e a leitura, fazem com que possamos consolidar nosso estilo, melhorar nosso fazer poético. Mas não devemos ter a pretensão de querer ensinar poesia. Até porque cada poeta tem a sua marca, a sua cosmovisão, o seu estilo. Podemos, sim, incentivar a produção, incutir o gosto pela leitura, fazer a poesia chegar a todos os olhos, ouvidos e corações, pois ela torna o ser humano mais humano.
Se "ensinássemos" alguém a escrever poesia, estaríamos transferindo a nossa maneira de sentir e ver o mundo para outra pessoa, estaríamos imprimindo nosso estilo na produção de outra pessoa, o que não é justo nem honesto. O que devemos fazer é incentivar aqueles que já descobriram que são poetas, apoiar, apreciar, avaliar e valorizar a sua poesia.
Porque ser poeta é ver através das coisas, é ver mais além, é ver o que os outros não veem. Ser poeta é olhar e ver, como já disse Cecília Meirelles. Ou somos poetas ou não somos. A poesia flui, não precisamos arrancá-la.
É claro que nem todos que pensam que escrevem poesia são poetas, mas isto é assunto para outra discussão. Acho que mais importante do que tentarmos arrancar um poema de quem não é poeta é mostrar a poesia a todos, em todos os lugares, levar a poesia de todos os modos possíveis - seja ela escrita em qualquer suporte ou declamada e gravada em qualquer mídia, para que quem não a conhece passe a conhecê-la e descubra se gosta dela ou não. Assim estaremos fazendo novos leitores e popularizando a poesia.

 

 

A TEMPESTADE

Karine Alves Ribeiro - Blumenau-SC

A tempestade é a água em alvoroço,
quando ela quer dançar.
Deus risca um fósforo...
No estrondo do trovão nasce a histeria.

Neste estado, nada transcende,
mas tudo transmuda.
Uns rezam, outros se escondem...
Prefiro correr
de encontro à tempestade!

Há sempre uma fenda na nuvem mais escura,
é só atravessar.
No outro lado, depois do túnel das torrentes,
há um caminho margeado de velas acesas
[milhares delas
Dizem que o paraíso fica lá,
além das velas, subindo os montes azuis
Depois é só descer
de asa delta...

Eu fui lá uma vez,
quando as labaredas levaram ao céu,
as fagulhas fulgurantes da alma
de Joana D'Arc

Cinco pontinhos de luz saíram
de dentro de uma flor magnífica
E vieram dizer ao meu ouvido:

Brotar é descerrar a alma;
nascer é o meio;
buscar é a Lei.

 

 



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