Revista eletrônica de cultura e literatura

do Grupo Literário A ILHA

 

Outubro/2009

 

OUTUBRO, MÊS DA CRIANÇA

Outubro é o mês da criança e Literarte presta a sua homenagem a todas as crianças do mundo, com a publicação de poemas de vários autores sobre o tema. Precisamos dar mais educação e saúde para nossas crianças, para que possamos ter um amanhã com melhores perspectivas.

 

TRINADOS DE AMOR

Já li o novo livro de Urda Alice Klueger, “Trinados Para o meu Passarinho”, que foi lançado em setembro, em Florianópolis e Blumenau, bem na chegada da primavera. São vinte e uma crônicas de puro amor. Sabe aquele amor firme e forte, incondicional, que a gente pensa até que não existe mais? Pois ele está contido todinho neste grande livro, da primeira à ultima palavra, lindíssimo.
Como já disse, ele é um hino de amor, uma coletânea de poemas em prosa, daqueles mais inspirados. Esse livro lembra a toda gente que o amor ainda existe, que é preciso procurá-lo dentro de nós, dentro dos olhos, dentro do peito, dentro da alma. Que é preciso adentrar os olhos e o coração do próximo que esse sentimento maior e inconfundível está lá, dentro de nós e dentro de alguém que precisamos encontrar.
Beija-Flor - Quase Abril é antológico, é a obra-prima da sensibilidade e do sentimento. A capacidade de amar que transborda nesse livro e, consequentemente na autora, é incomensurável.
Algumas crônicas eu já havia lido, e continuam belíssimas, outras eu não conhecia e fico aqui babando, como ao ler Pseudo-primavera, A garça e o segredo das Dunas, Patos Gansos e Cisnes e todas as outras.
Este é um livro feito de alma e coração, para dar de presentes às pessoas mais queridas da gente, no aniversário, no Natal, no dia dos namorados, para dizer-lhes "Eu te amo".
Porque “Trinados Para o meu Passarinho” é isso: amor de verdade, no mais alto grau que o sentimento pode chegar, que um coração pode suportar.
Como pudemos ficar sem essas canções de amor de Urda por tanto tempo?
(LCA)
Amar é isso.

 

TODAS AS CRIANÇAS


Luiz Carlos Amorim


Tenho pequenos sorrisos grandes,
saudáveis, perfeitos, felizes,
inspiração maior dos meus versos,
motivos do meu viver.

Tenho pequenos abraços grandes,
apertados, singelos, vivazes,
cálices transbordantes
de carinho e de alegria.

Tenho pequenos beijos grandes,
lambuzados, melados, molhados,
expressão maior do amor
que tenho prá dividir.

E os sorrisos presos nos lábios?
E os abraços não dados?
E os beijos sem endereço?
Quanto amor desperdiçado...
Tanto amor abandonado...

 

 

E A PRIMAVERA CHEGOU...

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com )

A primavera chegou. O dia 22 não estava dos mais bonitos, mas até houve um pouco de sol, no começo do dia, e a manhã ficou iluminada, preparando a chegada da primavera, à noitinha. Pena que a tarde daquela terça-feira foi quase toda meio cinzenta, com cara de chuva - saí para caminhar de guarda-chuva na mão - mas a nova estação chegou assim mesmo, graças a Deus.
Meu pequeno jardim não tem espaço para plantar muita coisa, mas um de meus pés de jacatirão deu as boas vindas à primavera ainda com uma flor, uma única flor, porque as outras duas já estavam perdendo as pétalas. Mas fico feliz que ele tenha persistido florescendo, para acolher com as suas cores esta estação tão esperada. Assim como outros tantos deles em tantos outros jardins, ainda carregados de pétalas brancas, lilazes e vermelhas, prestando homenagem à estação mais bonita do ano.
Meus amores-perfeitos, felizmente, estão fartamente florescidos, apesar de estarem há meses produzindo suas flores. Sei que eles sabem em que época estamos, apesar do que o nosso descaso com a natureza fez com o tempo, desregulando as estações. E em sabendo disso, mesmo com as flores diminuindo neste mês de setembro, eles rejuvenesceram e explodiram em flores de novo, para receber a primavera.
As orquídeas, de vários tipos, florescem espetacularmente em tudo que é jardim. São cachos e mais cachos de orquídeas de todas as cores, tamanhos e formas, perfumando tudo ao seu redor.
Meus pés de morango, que eu pensei que estavam parando de produzir, encheram-se de flores novamente, promessa de muita fruta vindo por aí. Até o meu pé de guaco está cheio de flores, embora elas não sejam bonitas.
Nem todos os pés de ipê estão exibindo sua florada, com o descompasso do tempo não sei se o tempo de florescer ainda não chegou ou já está acabando. Mas aqueles que têm flores compensam a falta de sol, irradiando luz de pequenas ilhas de ouro, como se um Midas tivesse passado e tocado algumas árvores. A primavera chegou...O mundo vestiu-se de flores,a vida enfeitou-se de cores e a gente se enche de amor... É primavera! A vida sorrindo, música ao vento, poesia no ar.
Ah, a primavera... contigo renasce a vida, brota de novo a poesia, renova-se a esperança. Vem, primavera: lança sobre nós o sol, raio de luz, força e cor, essência de vida de nós,
pequenos filhos da terra. A festa da vida recomeça e eu te festejo, primavera!

 

PERSEVERANÇA


Jurandir Schmidt



Nesta destruição desenfreada
em algum lugar deve existir
uma árvore preservada
para que a ave
construa seu ninho.

É importante
que isto aconteça,
pois a esperança
não quer parar de voar.

 

16ª FESTA DA CULTURA AÇORIANA - AÇOR

A Universidade Federal de Santa Catarina e a Prefeitura Municipal de Palhoça lançam a 16ª edição da Festa da Cultura Açoriana de Santa Catarina. A realização é do Núcleo de Estudos Açoriano (NEA), da UFSC, em conjunto com a Secretaria de Educação e Cultura do município.

O AÇOR acontecerá este ano na cidade de Palhoça, de 9 a 11 de outubro. A cada ano a festa é sediada em uma cidade do litoral catarinense. Serão realizadas exposições, mostra de vídeos, apresentações culturais e palestras, destacando folclore, artesanato, dança, gastronomia e religiosidade de base açoriana.

Nos três dias de festa serão realizadas mais de 50 apresentações folclóricas, além de shows musicais no encerramento das noites dos dias 9 e 10. No dia 11 de setembro, às 10h, na avenida Barão do Rio Branco, no centro de Palhoça, acontecerá o desfile folclórico dos grupos que atuarão nos três dias de AÇOR.

Outro destaque é a Missa do Encontro das Bandeiras do Divino Espírito Santo, que será realizada no domingo (11/10), às 10h, na Igreja Matriz de Palhoça. Estão confirmadas oito cantorias (folias do Espírito Santo) e 15 bandeiras do Divino Espírito Santo, que virão de diferentes municípios.

A Festa da Cultura Açoriana já foi realizada nas cidades de Itajaí, Imarui, Imbituba, Penha, Içara, Porto Belo, Garopaba, São José, Araquari, Tijucas, São Francisco do Sul, Barra Velha, Laguna e Governador Celso Ramos.

Troféu Açorianidade

Na solenidade de lançamento da 16ª Festa da Cultura Açoriana foi entregue o Troféu Açorianidade, criado em 1996 para homenagear pessoas, instituições e empresas que atuam na pesquisa, preservação e divulgação da cultura de base Açoriana noEstado de Santa Catarina.

Todos os anos são entregues 10 troféus. Nove levam nomes das ilhas do Arquipélago dos Açores (São Miguel, Pico, Terceira, São Jorge, Graciosa, Santa Maria, Faial, Corvo, Flores). “O décimo troféu tem o nome da Ilha de Santa Catarina, a qual chamamos carinhosamente de 10ª Ilha Açoriana”, lembra o diretor do Núcleo de Estudos Açorianos da UFSC .

 

 

CRIANÇA

Aracely Braz


Se vejo você na chuva
Chutando, feliz, as poças,
Participo desse samba
Pois criança também sou.

Na ramada você é pássaro,
Me ensurdece o seu trinar.
Desperta-me para a vida
Meu chamado original.

Se a livre borboleta
Beija as flores sem cessar,
É você, criança amada,
A colorir meu viver.

Parabéns, pequeno amigo,
Dos anjos é oriundo.
Torna a existência mais leve,
Transforma todo esse nosso mundo.

 

 

PRESENTE PARA O DIA DA CRIANÇA

Por Luiz Carlos Amorim

E chegou a primavera, e veio outubro e está chegando o dia da criança. Primavera, tempo de renovação, de vida que desabrocha, de esperança de tempos melhores. Isso tudo não e sinônimo de criança? A criança é a única esperança de que o ser humano tem de ser melhor, ter uma vida sem violência, com mais saúde, educação e meio ambiente preservado, de aprendermos a cuidar melhor da natureza, para que haja um futuro. E o mundo precisa de muitos e muitos meninos para ensinarem aos homens a salvar a natureza... Se os adultos de hoje souberem cuidar de nossos meninos e meninas, proporcionando uma educação decente e uma vida digna, com bons exemplos - nada a ver com o que vemos, hoje, em nossa sociedade - as nossas crianças terão perspectiva de poder lutar por um mundo melhor amanhã. Mas temos que começar agora.
Não queria dar brinquedos de presente, apenas, para as crianças, no seu dia. Queria poder dar, para as crianças de hoje e de amanhã, rios vivos, limpos e claros, ar puro, alimento sem contaminação de agrotóxicos e produtos químicos, estações definidas, climas amenos, natureza preservada.
No entanto, não posso evitar que nossas crianças vejam desastres ecológicos por desrespeito à natureza, violência e falta de moral, falta de humanidade e de consciência, decorrentes da ganância e da miséria.
Os adultos, todos, até os donos do poder - principalmente eles, talvez - deviam ser mais crianças, para serem mais honestos, mais humanos. E quanto às crianças, se eu pudesse dar-lhes um conselho, pediria que crescessem, sim, mas que não se transformassem em "gente grande": que fossem apenas GENTE. E que nunca, jamais, deixassem morrer a criança dentro de seus corações, seja qual for a idade que tenham.
Pois é da criança que emana a vida, alento, felicidade, poesia. É isto que brota de mãos pequeninas e faísca de olhos de luz de pequeninos seres que chegam a este mundo que temos o dever de tornar melhor para que eles tenham um futuro melhor que o nosso.
Pequeno grande mundo que pode ser mais feliz, pois enquanto houver criança, teremos a certeza de que Deus ainda tem esperança no ser humano...

 

NECESSIDADE

Luiz Carlos Amorim


Cresça, criança,
cresça....
Mas não seja
"gente grande":
deixa crescer a alma,
mantendo intacta a pureza,
a singeleza, a verdade,
a paz e a serenidade
que o mundo
precisa tanto...

 

 

 

BAILARINOS ESPECIAIS

Por Luiz Carlos Amorim

Assisti, no finalzinho de setembro, a Oitava Mostra de Dança do Cefid - Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da UDESC. Não é só porque minha filha Daniela também é bailarina e porque ela participou de dois números, o que, cá pra nós, me enche de orgulho - ela é integrante de dois grupos de dança -, mas também porque sempre gostei de dança. De qualquer tipo de dança. Tanto que nunca dancei nada e, agora, ficando velho, estou aprendendo dança de salão.
Desde garoto gosto de dança e minha maior frustração, quando jovem e depois, também, era não saber dançar absolutamente nada. Todo mundo já ouviu falar do Festival de Dança de Joinville, não é? Pois a primeira edição do festival, ainda no Harmonia Lira, eu e minha esposa assistimos de pé o primeiro dia e alguns outros dias daquela semana.
Então onde houver dança, se eu puder, estou lá. Nem tanto pra dançar, que danço mal, mas para assistir. E a Mostra de Dança, com mais de vinte apresentações de grupos aqui da grande Florianópolis, é um prato cheio. Tem balé clássico, jazz, dança de rua, dança do ventre, dança de salão, dança contemporânea, folclórica, popular, tudo. Esta edição, particularmente, estava muito boa.
Minha filhota dançou jazz e contemporânea. Estava brilhante. Mas houve uma performance que marcou a noite. A apresentação de dança contemporânea do Instituto de Educação Especial Manoel Boaventura Feijó, da APAE de Florianópolis foi uma coisa fantástica, de arrepiar a gente. Ver um grupo grande de pessoas especiais, trazer um espetáculo como aquele, de oito minutos, um trabalho preparado com carinho e dedicação tanto dos professores como dos dançarinos, foi um presente e tanto. É coisa pra gente não esquecer.
Eu já ficara impressionado com a capacidade que tem as pessoas especiais - e quando digo especiais, quero dizer nos dois sentidos: especial porque tem alguma limitação e especial porque é especial no exato sentido da palavra - porque já vi, em outras ocasiões, elas provarem que têm uma capacidade enorme de aprendizado e de realização.
Então parabenizo todos os dançarinos e organizadores da Oitava Mostra de Dança e agradeço pela oportunidade de ver um tão belo espetáculo. Tanto a apresentação do grupo da APAE como todos os outros participantes foram espetaculares. Sei o quanto todos se dedicam e se esforçam para ensaiar, tendo que exercer outras atividades para sobreviver. O que valoriza ainda mais o trabalho de todos, integrando som e movimento e transformando-os em beleza.

CHAMA


Luiz C. Amorim

Um menino
cruzou o meu caminho.
Despido de tudo,
até quase de vida,
restava-lhe, apenas,
no fundo dos olhos,
uma chama pequena,
quase apagada,
de pura inocência.
Dei-lhe um sorriso,
velho e surrado,
de esmola
e fui procurar
a minha chama
perdida...

 

 

Nascentes
Viagem às Nascentes da Língua Portuguesa


Por Emanuel Medeiros Vieira


Para Victor Alegria e a todos os companheiros da jornada às nascentes (de 21 de junho a 1° de julho de 2009)


"Da minha língua vê-se o mar"
(Vergílio Ferreira)


Nossa Pátria é a Língua Portuguesa.
Ou melhor, as "línguas portuguesas".
Falar de uma viagem preciosa? Um encantamento ou deslumbramento meditado em breve reflexão.
Um personagem de Godard disse que as viagens formam a juventude.
Creio que elas formam a nossa vida toda: enriquecem, e dão uma dimensão maior do mundo, muito maior, inundam o nosso olhar de coisas belas.
Não, não falarei em tudo, e serei fragmentário.
Resumindo? A gente buscou "olhar", olhar muito, indo ao Portugal profundo, durante 10 intensos e inesquecíveis dias.
Ah, Porto - que belíssima cidade! -, Rio D'Ouro (bate uma imensa vontade de voltar), Alcobaça, Sintra, Coimbra, Fátima,, Braga, Almerim, Mafra, Vila do Conde, Viana do Castelo, Guimarães (berço da nacionalidade lusa). Eu sei, não citei todos os lugares, nem segui a ordem geográfica.
Meu mapa é afetivo, do coração.
Naquele maravilhoso dia passado em Coimbra - universidade fundada em 1° de março de 1290 -, pensava em todos os pés que ali pisaram antes de nós, os poetas românticos, os seres todos.

Pedras, mosteiros, rios, vidas. E seres humanos inesquecíveis, como o guia Carlos (sempre atento e disciplinado), sua terna esposa Inês, os também humanistas, cultos e amorosos professores Carlos e Fernando, o generoso Felipe e a "brasileira" de Alagoas, a querida Manaíra.
Não posso me esquecer do eficiente Rui e dos outros colegas escritores do Porto. E do jantar na UNICEPE, com declamação de poemas.
Não cito nominalmente os companheiros de viagem (mas todos estão no meu coração).
Garçons, motoristas, gente dos hotéis, transeuntes a quem pedíamos informações, passeios variados, amigos queridos feitos na viagem - e não individualizarei para não cometer injustiças. Mas lembro de um emocionado Ligório declamando poemas de autores pernambucanos num inesquecível almoço em Alcobaça.
Poderia falar sobre Sintra, pastéis de Belém, vinhos, bacalhau, café longo, paés deliciosos, a "sopa de pedra", em Almerim...
Toda narrativa é um ato de escolha. Precisaria de um diário de viagem.
Queria dizer que voltamos "melhores": mais enraizados em nossas nascentes - ah, nosso destino comum-, nessa Língua tão bela e plural.
Voltamos (somos cidadãos do mundo, nossa pátria é o "exílio"...).
Ah, Tejo.
Visita à Biblioteca Nacional, em Lisboa, à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tão bem recebidos pelo embaixador Lauro Moreira.
(Quem ler, dirá com razão: o cronista esqueceu de tanta coisa! Mas o propósito não foi esgotar o assunto.)
É verdade: sou apenas o redator de um telegrama
Recordar vem do latim "recordis" e significa "tornar a passar pelo coração".
E é por tantas razões que escrevemos. Para despistar a morte, deixar algo além da poeira do tempo, para amar e ser amado. Escrevemos porque não sabemos por quê...
Porque somos o único animal eu sabe que vai morrer. Somos ontologicamente finitos. Mas nosso obra pode ser infinita. Eterna.
Como esquecer do "Livro na Rua" - ecumênico, plural e democrático - distribuído para o estudantes de Coimbra (e dialogamos com os moços), e em tantos outros lugares?
Não ficará no oblívio, a festa de São João, no Porto. O Café Majestic. As pontes. E chegamos à Galícia, na Espanha.
Somos todos nós que construímos essa Língua, dia a dia.
Foi uma viagem fantástica, No fundo, o mero turista só "registra". Nós não só registramos. Olhamos, vivemos. E, principalmente, amamos.
Que saudade eu sinto agora olhando o mapa de Portugal!
Esta Língua...
Como diz Eduardo Lourenço, "é ela que vive em nós e não nos que vivemos nela."
Agradeço a todos os companheiros de viagem (um agradecimento especial ao Victor e à sua dedicada esposa Ises), à Célia, sempre companheira, ao Maurício, terno, humano, o filho que todo pai gostaria de ter.
Encerro: "Isso é coisa normal,/mas anormal, se me entendes,/se tu bem
me compreendes,/agora és de Portugal!
Vê se então outrora/soou-te o sinal da sina/pondo-te na vida uma quina/Portugal, chegou a hora!"

 

 

OS MENINOS


Luiz Carlos Amorim


Outra vez menino,
aprendo engatinhares,
vou vivendo novas vidas,
sorrindo novos sorrisos,
sentindo mais emoções.

Menino de novo,
divido tantos e tantos sonhos,
aprendo novos amares,
descubro luz nos caminhos
e vejo a força do amor.

Menino que sou,
olhos sem vendas, coração criança,
ainda vejo a natureza,
vejo cores, vejo luzes,
apesar do abandono
do homem à própria vida.

O mundo precisa de muitos,
muitos e muitos meninos
para ensinarem aos homens
a salvar a natureza...

 

O MENINO POETA

Por Luiz Carlos Amorim

Comprei, num dia quase distante, quando minhas filhas mal andavam, um disco de canções e poemas para crianças. Lembram dos "LPs" de vinil? Pois é. Era um bolachão de vinil, um disco sobre criança para criança. Trata-se de "O Menino Poeta", que me atraiu pelo título e pela capa, que traz um menino sentado no chão segurando os pés, desenhado com giz de cera, muito colorido, ainda que com um ar melancólico. Achei-o numa daquelas incursões por lojas de disco para comprar música para criança. E foi um achado, mesmo. Ainda hoje é um achado.
"O Menino Poeta" traz poemas para crianças, cantados e declamados, de grandes poetas como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e outros. As declamações são de ninguém mais, ninguém menos que Irene Ravache. Os poemas musicados são cantados por Solange Maria, Mirinha e Coral Infantil. Quem colocou música nos poemas cantados foi Antonio Madureira, que também fez os arranjos e dele também é a regência.
Achei e continuo achando fantástico esse recurso de colocar a poesia para ser cantada, para um público que, como bem diz e repete minha amiga Eloí Elisabet Bocheco, entende e ama a magia e o encantamento desse gênero literário. Isso favorece que aproximemos a literatura de nossas crianças desde muito cedo, para que esses leitores em formação tenham o gosto pela leitura.
Os poemas de Quintana, Drummond, Vinícius, Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira, Cassiano Ricardo, Jorge de Lima, Henriqueta Lisboa, Stela Leornardos, Mário de Andrade estão deliciosos na voz da excelente atriz Irene Ravache ou cantadas pelo coral ou pelas cantoras Mirinha e Solange, conferindo-lhes, quem sabe, mais lirismo e mais alegria, reinventando o mágico e o lúdico na cultura infantil.
Que melhor maneira de iniciar nossas crianças na poesia, na literatura, do que apresentá-las à obra de grandes mestres na mais tenra idade? Sempre defendi que a criança que gosta de ler e que sabe o que ler é a criança que conviveu com livros e com literatura desde muito pequena, em sua casa, com sua família.
Não sei se os Estúdios Eldorado, que produziram o disco, lançaram essa seleção em CD. Espero que sim, pois seria uma pena se mais crianças e mais pais não pudessem conhecer um trabalho tão bom em prol da disseminação da boa poesia.
Abaixo, dois poemas dos dezesseis que estão no disco:
CANÇÃO DA GAROA (Mário Quintana): Em cima do meu telhado,/Pirulin, lilin, lulin,
Um anjo todo molhado/Soluça no seu flautim.
O relógio vai bater:/As molas rangem sem fim,/O retrato na parede/Fica olhando para mim.
Chovem sem saber por que.../E tudo foi sempre assim"/Parece que vou sofrer:/Pirulim, lulin, lulin...
O MENINO POETA (Henriqueta Lisboa) O menino poeta/não sei onde está/procuro daqui/procuro de lá/tem olhos azuis/ou tem olhos negros?/Parece Jesus/ou índio guerreiro?
Ai! que esse menino/será, não será?/procuro daqui/procuro de lá.
O menino poeta/quero ver de perto./Quero ver de perto/para me ensinar/as bonitas coisas/do céu e do mar.

 

 

PRIMAVERA

Luiz Carlos Amorim

A primavera chegou...
O mundo vestiu-se de flores,
A vida enfeitou-se de cores,
A gente encheu-se de amores...

É primavera!
A vida sorrindo,
Música ao vento,
Poesia no ar.
É primavera!

 

 

 

CAFÉ LITERÁRIO

Por Luiz Carlos Amorim

Participei, no dia 24 de setembro, como convidado, do Café Literário, evento cultural realizado pela Escola Básica Plácido Xavier Vieira, de Joinville. É um longo caminho o deslocamento daqui de Florianópolis até lá, mas valeu a pena, pois o que vi superou todas as minhas expectativas.
Foi a segunda edição do evento. A primeira edição, no ano passado, foi realizada num único dia, mas neste ano a programação ocupou dois dias, 23 e 24. Foram convidados escritores, eu e o Jorge Luiz Hoffmann, também da terrinha, o artista plástico Amandus Sell e uma representante da Fundação Cultura de Joinville.
A acolhida e a homenagem que recebi foram fantásticas. Alunos e grupos de alunos declamaram diversos poemas meus - e é emocionante ver versos que a gente criou sendo recriados, por crianças, para uma platéia enorme de pais, alunos e professores. Além disso, os professores trabalharam a minha obra em sala de aula e fizeram trabalhos com os meus poemas, com as crianças de primeira a quarta séries, e vi paredes cheias de textos e poemas feitas por elas a partir de poemas meus.
É muito gratificante ver uma escola de excelente qualidade, como descobri que é a Plácido Xavier Vieira, estudando escritores como eu e o Jorge Luiz Hoffmann, mas também é mais importante ainda constatar que essa unidade de educação municipal está encontrando espaço para a literatura catarinense, local. São méritos que nem toda escola tem. E isso se deve à capacidade e dedicação de professores e diretora, que fazem um trabalho espetacular nessa escola que contempla os primeiros anos do primeiro grau.
É uma escola de período integral e além da aula curricular, dada por professores que vestem a camisa do ensino eficiente e eficaz, que oferecem mais do que o currículo escolar exigiria - o compromisso de ensinar praticado com vocação e com amor -, os alunos têm atividades como dança, música, capoeira, xadrez, teatro, iniciação à pesquisa, inglês, literatura, filosofia e sociologia.
Fiquei impressionado com o fato de a escola oferecer tanto e com o resultado disso, pois tivemos a oportunidade de assistir a performances dos alunos que apresentaram teatro, declamação, canto e literatura.
E andando pela escola, antes do evento, vi cadernos e trabalhos dos alunos de primeiro ano - agora as crianças entram na escola com seis anos - escrevendo em caixa alta, caixa baixa e até letra cursiva - como gente grande. Vi recriações de obras do artista plástico que visitou a escola, feita pelos estudantes mirins, que impressionam pela beleza.
Um trabalho excepcional, que proporcionará um futuro com certeza mais promissor aos estudantes daquela escola. Por que o início da criança na escola é tudo, vai moldá-la e dar-lhe capacidade para chegar bem ao segundo grau e à universidade.
Parabéns aos professores, à diretora, aos alunos e aos pais dos alunos. Essa é a educação, o ensino que deveríamos ter em todas as nossas escolas.

 

JOÃO DE BARRO


Else SantÁnna Brum

Levando barro no bico
Pra fazer sua casinha
O João-de-barro trabalha
Desde manhã à noitinha.

É muito amigo do homem
Pois, não raro, faz seu ninho
Nos beirais de sua casa
Para ficar bem pertinho.

Quase sempre escolhe os postes
Pra assentar sua morada.
Seu canto bem ritmado
Parece uma gargalhada.

Este pássaro alegre
Dá lições de bem viver,
Pois a sua companheira
Ele só deixa ao morrer.

 

IMPOSTO PARA O LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim

O governo, grande governo brasileiro, está instituindo - pasmem - o Imposto do Livro. Nos moldes da CPMF, "contribuição" para a saúde - altas cifras que nunca foram utilizadas, na verdade, com a finalidade para a qual foi proposta, ou seja, deveria subsidiar a saúde, que ficou cada vez pior - o imposto taxa a indústria gráfica em 1% do preço final do livro, o que significa que quem vai pagar é o consumidor final, o leitor, o cidadão que não é levado a ter o gosto pela leitura também porque o preço do livro é muito alto. E, com isso, pode ficar mais caro ainda.
Que governo é esse, que ao invés de tornar o livro mais acessível, torna-o ainda mais caro? Ele diz que o imposto está sendo criado porque o setor editoral não paga PIS e Cofin e mesmo com a isenção desses impostos, o preço do livro não caiu. Então já, que não caiu, vamos aumentar um pouco mais? Ou será que o presidente e o Ministro da Cultura, ou ainda o excelentíssimo autor da idéia da taxa, acham que eles vão cobrar o imposto e isso não vai ser repassado para o consumidor, o leitor, que é cada vez mais empurrado para longe do livro?
O brasileiro já lê pouco, seja pelo preço do livro, seja pela educação desse país que está cada vez pior, relegada a último plano, assim como a saúde e a segurança. Então vêm os nossos "governantes" e criam um imposto para colocar o livro mais longe ainda do alcance do cidadão.
Não estão conseguindo reativar a CPMF, então tentam conseguir arrecadar mais dinheiro para gastarem às custas do leitor, já escasso, também eleitor, que deveria, isso sim, ter este artigo "de luxo" incluído na cesta básica.
Enquanto alguns tentam incentivar a leitura, incutir o gosto pelos livros, como alguns professores de primeiro grau, que apesar de praticamente não ter espaço no currículo escolar para ensinar literatura, fazem das tripas coração e arranjam tempo para abordar os clássicos, os contemporâneos e até os escritores locais, como bem tive a oportunidade de ver, recentemente, em Joinville, os donos do poder dão um jeitinho de complicar. Para que facilitar, se é possível colocar mais obstáculos?
Outra iniciativa meritória em favor da divulgação, reconhecimento e valorização da literatura para os leitores em formação, que tivemos recentemente, aqui na grande Florianópolis, foi o 4º Seminário de Literatura Infantil e Juvenil de Santa Catarina.
Então, na contramão de trabalhos que vêm sendo realizados para que aquela velha e infeliz máxima que diz que "brasileiro não lê" deixe de ser verdade, nossos "governantes" aparecem com este grande incentivo à leitura, presente de fim de ano para todos nós.
Gostaria de ter esperanças de que o projeto não vai passar no Ministério da Fazendo, para onde foi encaminhada, mas não tenho muitas ilusões.

 

 

EXCEPCIONAIS ?!??!!?

Laura B.Martins

«Criança excepcional!»
Mas o que é isso?
Em relação aos outros,
sabes mais?
És só diferente;
chamam-te, por isso,
‘deficiente’,
diferente dos demais.

Não sabes fazer
muito mais que aquele, dito
’normal’,
sendo ele igual a tanta gente.
Tu sabes fazer menos
que o prescrito,
na tua forma própria,
um pouco ausente.

Nessa mentalidade
não concebes,
que haja no mundo
diferenças tais.
Porque tu és diferente,
não percebes,
‘que todos são diferentes
mas iguais’.

Talvez nos caiba a nós,
ditos ‘normais’,
porque abarcamos tudo isso
num segundo;
porque somos humanos
e animais,
respeitar
todos os seres vivos do mundo.

 

PRÊMIO JABUTI 2009

Moacyr Scliar ganha como melhor romance. A Câmara Brasileira do Livro divulgou ontem o nome dos três primeiros lugares de cada categoria do Prêmio Jabuti, o principal prêmio das letras brasileiras. No total, são 21 categorias. Na mais refinada delas, a de melhor romance, o gaúcho Moacyr Scliar ficou em primeiro lugar com “Manual da Paixão Solitária”, da Companhia das Letras. O segundo e o terceiro lugar no romance também foram para autores da editora: Milton Hatoum ficou em segundo com “Órfãos de Eldorado”, e Daniel Galera conquistou a terceira posição com o seu “Cordilheira”.

Em “Manual”, Scliar reconta novamente uma história do Antigo Testamento – já havia feito isso em “A Mulher que Escreveu a Bíblia” – e cria a sua versão da História de Judá e de Tamar.

Na categoria contos e crônicas, Carpinejar foi premiado com “Canalhas!”. Rubem Alves ficou em segundo com “Ostra Feliz não Faz Pérolas” e, em terceiro, “Os Comes e Bebes nos Velórios das Gerais e Outras Histórias”, de Déa Rodrigues da Cunha Rocha.

A poetisa curitibana Alice Ruiz, viúva do poeta Paulo Leminski, levou o seu “Dois em Um” ao primeiro lugar. “Antigos e Soltos Poemas e Prosa da Pasta Rosa”, livro póstumo de Ana Cristina César, lançado pelo Instituto Moreira Salles, arrebatou o segundo lugar. Em terceiro, empatou a poesia de Eucanaã Ferraz com “Cinemateca” e “Outros Barulhos”, de Reynaldo Bessa.

A pré-seleção de dez obras de cada modalidade foi feita no dia 20 de agosto. A premiação será no dia 4 de novembro, mesmo dia em que será anunciado os ganhadores dos prêmios especiais de Livro do Ano Ficção e Livro do Ano Não-Ficção.

 

 

Eu posso


Valéria Eik


Eu posso
sei que posso
andar lado a lado com meus passos
e seguir à frente dos meus sonhos
pois, quando eles me alcançarem
lá estarei eu
plena de cores e espaços
mostrando o troféu da realidade
erguendo a taça desse compasso
simples amadurecimento
de quem entende que pouco sabe
de quem faz ao invés de esperar
de quem vai ao invés de ficar.

Sim, eu sei que posso
andar pela vida
descalça e nua de tormentos
sem medo dos detritos
sem temor da loucura
pois, sendo quem sou
livre pensadora, somente
dou asas às palavras
esculpindo meus desejos
realizados um a um
simplesmente porque eu vou
porque eu quero
porque eu sou.

 

JORNAL DO ENÉAS

Saiu a vigésima quinta edição do Jornal do Enéas, o boletim cultural independente do escritor e pesquisador Enéas Athanázio. Sempre dando espaço a escritores de todo o país, o conteúdo da publicação é sempre de qualidade, pois para entrar em uma edição do Jornal do Enéas, o texto tem que ser bom. Então lá encontramos bons contos, poemas, crônicas, ensaios e até quadrinhos, eventualmente, e boas ilustrações.
O Dr. Enéas já praticou muito essa coisa de divulgar outros escritores, criar novos espaços, em colunas que assinava em alguns jornais aqui no estado e até de outros estados. Ainda assina coluna em jornal de Balneário Camboriú e publica seus artigos e ensaios em portais na internet, como Rio Total (www.riototal.com.br), Prosa, poesia & Cia. (http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br) e outros e em revistas e jornais pelo Brasil.
É muito bom ver que, apesar da facilidade da internet, ainda existem boas publicações literárias, jornais e revistas impressas, como o Jornal do Enéas. A sensação de folhear o papel impressão, a perenidade da publicação são coisas que a gente nunca vai deixar de valorizar. Por isso, cada edição do jornal é sempre esperada e bem recebida.
Você não encontrará o Jornal do Enéas em bancas de jornais e revistas. As edições inteiras são distribuídas por mala direta, assim como o Suplemento Literário A ILHA. Entre em contato com o editor. Pedidos podem ser feitos ao e-mail e.atha@terra.com.br

 

 

CRÔNICA DO DIA

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