Revista eletrônica de literatura e cultura

do Grupo Literário A ILHA.

Abril/2011

 

GRUPO A ILHA NA FEIRA DO LIVRO DE JOINVILLE

A OITAVA Feira do Livro de Joinville, edição 2011, acontece de 01 a 10 de abril, desta vez no Expocentro Eduardo Doubrava, não mais na praça Nereu Ramos..
Nessa edição a Feira do Livro joga luz sobre três questões urgentes e indissociáveis: Educação, Cultura e Sustentabilidade. A leitura não apenas liberta, como dá consciência de liberdade – do cidadão, do indivíduo, do espírito, da imaginação, da subjetividade, das emoções...!
O grupo A ILHA estará presente, com o lançamento dos livros "Terra - Planeta em Extinção" e “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas” - crônicas, de Luiz C. Amorim, no dia 3, as 15 horas. Na oportunidade, será lançada também a edição 116 do Suplemento Literário A ILHA.

 

A PÁSCOA DE TODOS NÓS

Por Luiz Carlos Amorim

É Páscoa. No final do ano, antes do Natal, falamos, em outra crônica, que precisávamos contar as nossas crianças o significado daquela festa maior, para que não crescessem pensando que ela era apenas luzes, enfeites e presentes e a desvinculassem do nascimento do Menino que morreria, trinta e três anos mais tarde e ressuscitaria, subindo ao céu.
Bem, a Páscoa também não é simplesmente ovos e coelhos de chocolate. A palavra Páscoa vem do hebraico e significa "passagem". Os judeus comemoravam esse dia antes mesmo do nascimento de Cristo, desde há muito tempo, então com outro sentido: o de liberdade, ou seja, a libertação de anos de escravidão no Egito. Para os cristãos, a Páscoa passou a celebrar o renascimento de Cristo, a passagem dEle deste mundo para o Pai.
Páscoa, então, é renascimento, renovação, a festa da libertação. Época de repensar a vida e renová-la, de refletir sobre o Menino que se tornou homem, morreu e ressuscitou, elevando-se ao céu, provando aos homens que há uma força divina, maior, regendo nossos destinos.
Lembrei, então, que numa das crônicas de Natal eu falava da solidariedade que podemos exercitar, olhando para o lado e prestando atenção no irmão menos privilegiado do que nós. Assim como já havia feito em um Natal, numa Páscoa não muito distante da minha vida, resolvi fazer pequenos pacotes com pequenos ovos de chocolate, bombons e balas, coisa simples, quase simbólica, que eu tinha pouco pra dividir. E fui, num sábado de aleluia, distribuí-los às crianças de uma comunidade carente. As dezenas de pacotes quase não foram suficientes para as muitas crianças, que ficaram muito felizes, pois aquilo era tudo que teriam naquela Páscoa. Dava para ver, pelo brilho dos olhos e pelo sorriso estampados nos rostos, que estavam felizes. Pena que não pude explicar o significado dos ovos e coelhos, símbolos da Páscoa, e da razão porque eu estava oferecendo aquele pequeno presente.
Poderia ter falado a eles sobre o coelho, que apesar de não botar ovos, assumiu o papel de produtor e entregador dos ovos de Páscoa, pela sua notória capacidade de reprodução, símbolo da fertilidade. E que o ovo representa a pureza e a fertilidade, um símbolo da vida, daí sua relação com a ressurreição de Cristo.O ovo é como a eternidade, não tem começo nem fim.
Recentemente fomos visitar uma creche, destas que assistem crianças de famílias carentes, que deixam lá os filhos pequenos porque têm que trabalhar. E os voluntários nos mostraram uma mesa enorme coberta de cestinhas, enfeitadas, mas vazias. Explicaram-nos que, como a creche sobrevive de doações, e às vezes falta até comida, não têm como encher as cestas.
Então resolvi que vamos ajudar. Vamos tentar colocar algum recheio nas cestas. E desta vez será da maneira correta, pois as crianças, pelo menos aquelas que já podem entender, estão aprendendo o significado da Páscoa.

 

A POESIA DO HOMEM

 

Jacqueline Aisenman (Suiça)

O homem

não vive

de poemas.

Mas vive,

o seu coração,

de poesia.

Seu pão é a vida.

Sua água é a vida.

O homem é poeta

sem saber,

artista sem querer.

 

VARAL DO BRASIL

A escritora Jacqueline Aisenman, brasileira que vive na Suiça, esteve recentemente no Brasil, para cuidar da edição da antologia do Varal Brasil, revista eletrônica que ela publica através da internet, desde Genebra. A antologia reúne escritores de várias partes do Brasil e dois integrantes do Grupo Literário participam dela, eu e a Fátima (Maria de Fátima Barreto Michels), de Laguna. Aliás, agradeço mais uma vez o convite para participar de tão importante projeto.

Tive a oportunidade de conhecê-la, em encontro aqui em Florianópolis promovido pela escritoria Fátima de Laguna e foi muito bom ver de perto uma pessoa tão agradável e tão simpática. E sensivel e talentosa, pois pude conhecer mais da obra dela, de seus contos curtos e sua vasta produção de poemas. O lançamento da antologia e dos dois livros de Jacqueline - "Lata de Conserva" - contos e "Poesia nos bolsos" - poesia, será no dia 13 de maio, as 19h30min, na Livraria Catarinense do Beiramar Schopping. Na próxima edição de Literarte estarei falando dos livros da escritora.

RENASCIMENTO


Luiz Carlos Amorim


Há um raio de luz
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.

É a vida ressurgindo,
É a Páscoa
do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus

 

 

AS VELHAS PÁSCOAS

Por Urda Alice Klueger

Fico entristecida quando vejo o que a sociedade de consumo fez com a Páscoa: para a maioria das pessoas, hoje, Páscoa significa ir aos supermercados disputar ovos de chocolate anunciados como os mais baratos do Brasil, muitas vezes levando junto as crianças para que elas próprias escolham sua marca preferida. A magia e o encanto da Páscoa se dissiparam paulatinamente com o avanço do progresso, e eu tenho uma saudade imensa daquelas maravilhosas Páscoas da minha infância, tanta saudade que vou contar como eram.

Na verdade, a Páscoa começava muitos meses antes, quanto, em cada casa, as mães quebravam cuidadosamente só a pontinha de cada ovo usado, para guardar as casquinhas vazias. Elas eram lavadas, secas e armazenadas, e só de olhá-las já se criava uma expectativa a respeito da Páscoa.

Ainda antes da Semana Santa já se começava a preparar a Páscoa. Cada casquinha era decorada, e as formas eram muitas. Podia-se pintá-las com tinta a óleo ou outras tintas apropriadas que existiam, que lhes davam lindas cores vivas, ou podia-se decorá-las com tiras e tiras de papel de seda ou crepom picotados, que as deixavam com uma cara de gostosas! Essas eram as formas mais fáceis de decorar casquinhas – havia outras, é claro, mais sofisticadas, e resquícios delas ainda aparecem nas lojas especializadas nesta época do ano. Paralelamente à confecção das casquinhas, se faziam as cestas, usando papelão e muito papel colorido picotado e encrespado, serviço para noites e noites à volta do rádio. Algumas crianças tinham a felicidade de possuir cestinhas de vime, que eram reaproveitadas a cada ano.

Era necessário, também, preparar o amendoim, que a gente comprava com casca, descascava, torrava, tirava as pelezinhas, para depois a mãe da gente confeitá-lo com calda de açúcar, ato que por si só já gerava uma grande magia, com a criançada toda em torno do fogão prendendo a respiração para ver se a calda “dava ponto”. Depois era hora de encher as casquinhas, e fechá-las com estrelinhas de papel coladas com cola de trigo. De noite, misteriosamente, tudo sumia: o Coelho levava as guloseimas e as cestinhas embora para sua toca.

Faziam-se, também, os ovos cozidos pascoais. Colava-se folhinhas de avenca, de rosa, etc (com clara de ovo) em ovos frescos, os quais eram amarrados dentro de trouxinhas de pano e depois cozidos em águas com plantas que lhes davam cor. Marcela, casca seca de cebola e capim melado produziam ovos de três tons de amarelo; a batata de cebolinha vermelha produzia ovos vermelhos. Depois do cozimento, tirava-se a trouxinha e as folhas, e se obtinha belos ovos decorados para serem comidos no café da manhã de Páscoa.

Ah! A manhã de Páscoa! Na véspera, as crianças tinham feito seus ninhos, com palha ou capim, ninhos enfeitados com pétalas de flores e papel colorido picado, escondido no jardim. O despertar na manhã de Páscoa era uma loucura: corria-se para fora de casa ainda de camisola, a procurar o que o Coelho deixara. No ninho sempre havia alguma coisa, mas havia coisas também, escondidas em todos os cantos possíveis. Acontecia de a cesta da gente estar escondida dentro do galinheiro (todos tinham galinheiros nessa época), e aí havia outra surpresa: as galinhas brancas estavam azuis, ou verdes, resultado de paciente trabalho dos pais, durante a noite, que lhes pintara as penas com anilina. Nós não tínhamos vacas, mas nas casas onde as havia, as partes brancas do pêlo delas também eram coloridas com anilina, e tudo aquilo criava um encanto muito grande nas nossas mentes infantis. Era um ser maravilhoso, esse Coelho!

Nas manhãs já frias de Abril, voltávamos para casa com as cestas cheias de casquinhas e alguns espetaculares chocolates (chocolate, na época em que eu cresci, só era comido no Natal e na Páscoa), que eram contados e divididos igualmente entre todas as crianças. Ia-se à Igreja, a seguir, à missa das nove, e o ar fino e já frio de Abril estava totalmente impregnado de uma profunda magia, e a gente não via a hora de voltar para casa para começar a comer as guloseimas! Primos vinham brincar, nestas tardes de um tempo em que a Páscoa era tão maravilhosa, e a gente criava cenários fantásticos nos gramados verdes, onde os coelhinhos de chocolates e os ovos eram personagens.

Ah! Que pena que o espaço está acabando! Quanto, quanto ainda queira falar sobre as antigas Páscoas! Mas acho que já deu para dar uma idéia de que elas eram muito diferentes da Páscoa que a sociedade de consumo criou: qual é a graça de levar as crianças aos supermercados para escolher seu tipo de ovo preferido? Onde ficou a magia da espera e do Coelho?

 

PÁSCOA


Luiz Carlos Amorim


É tempo de celebrarmos
a Páscoa, irmão.
Não com coelhos e ovos,
mas com o amor
que Ele ensinou,
morrendo por todos nós
e renascendo
em nossos corações.

Não se preocupe
com presentes, irmão.
Celebremos a Páscoa
exercitando o presente
que Ele nos deixou,
esparramando amor
por todos os lugares,
a todos os olhares,
através do sorriso,
de uma palavra amiga,
de um aperto de mão,
de um abraço apertado
ao irmão que está ao lado.
Celebremos a Páscoa!

 

A OITAVA FEIRA DO LIVRO DE JOINVILLE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com


Pois então. Acabo de chegar do norte do Estado, onde participei da Feira do Livro de Joinville, com o lançamento da segunda edição do meu livro “Terra: planeta em extinção”. A sessão de autógrafos foi ótima, muito mais do que o esperado, pois chovia muito em Joinville, naquela tarde. Foi muito bom, havia várias pessoas esperando: estudantes, escritores amigos, leitoresl. Não poderia ser melhor. Revi amigos, conheci leitores, encontrei muita gente. É bom voltar às origens. Encontrei muita gente querida que eu queria mesmo rever.

A feira mudou de lugar, agora está no Expocentro ao lado do Centreventos, onde se faz o Festival de Dança. É um ótimo lugar, bem amplo e a feira ficou bem distribuída, com os stande de livrarias, editoras e de sebos, um palco com auditório bem amplo, no meio do espaço, com mais de cem cadeiras e outro auditório em um dos lados, separado, maior ainda, onde escritores famosos como o Andre´Trigueiro fizeram ou vão fazer sua palestra até o dia 10, quando se encerra o grande evento literário, o maior do Estado se considerarmos o tamanho e as personalidades que participam dele. Trigueiro fez longa palestra na tarde de sábado, autografou seus livros e fez o maior sucesso. A oficina com Antonio Torres foi no Centreventos, mas eu não pude participar porque transcorreu no mesmo tempo do meu lançamento. Cheguei as três da tarde e saí as seis e foi muito gratificante. Depois da oficina houve um encontro de escritores, mas também não pude participar, o que foi uma pena.

Foi importante ver o respaldo que a feira de Joinville vem tendo, com realização a cargo de setores da Prefeitura Municipal da cidade, como a Fundação Cultural da cidade, do SIMDEC – Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura, de Secretaria de Educação e do Instituto Feira do Livro, do apoio da Fundema, Santander, Sesc e AN Escola, e do patrocínio da Companhia Águas de Joinville. Precisávamos de respaldo assim aqui em Florianópolis, para as feiras de livro da capital, que andam meio fraquinhas, por falta de recursos da Câmara Catarinense do Livro e por falta de repasse de verbas do Estado e/ou do município.

 

DIA MUNDIAL DA POESIA

Teresinka Pereira (USA)


Poesia, fruto maduro
da alma,
alimento necessário
dos sonhos e esperanças.

A poesia éternura,
mel de palavras,
universo de mistérios,

mágica memória
do céu vivido
na terra
todos os dias.

 


Páscoa


Vânia Moreira Diniz

Hoje me aproximo do aniversário do sofrimento de Cristo. Que padeceu com martírios e dores imensas. Mas imagino que sua maior angústia tenha sido a injustiça. Creio, aliás, que o sofrimento da alma foi o verdadeiro calvário de Jesus. Ele veio para salvar a humanidade e encontrou ingratidões, traições, inimizades, ódios e muita incompreensão. Tudo isso que predomina no mundo até hoje mas que num dia próximo às lembranças da Cruz carregada pelo filho de Deus nos transporta às nossas variadas imperfeições.

Será que dá realmente para visualizar todo o seu causticante tormento? Creio que Jesus tenha sido o maior filósofo da humanidade. Claro que além de seu Poder Divino.

Essa filosofia que fez dele aquele ser ao mesmo tempo severo e pacífico, amoroso e duro em certas palavras e atos, mas principalmente extremamente generoso, capaz de gestos os mais fantásticos para interromper sofrimentos e humilhações de outras pessoas E poderosamente carismático. Um carisma impressionante que passou através de séculos de luz e de calor confortando nosso coração.

Tudo é uma questão de fé. De acreditar ou não. De querer entender ou ficar na escuridão. E em meio às desesperanças e muito desespero o nascimento de Jesus e sua Via Crucis foi algo que serviu para enternecer os adeptos da fé. Fazê-los compreender a importância da presença do Mestre durante aqueles 33 anos de ensinamentos e de humanidade.

Cristo foi antes de qualquer coisa, até mesmo de sua filosofia profunda e inerente um humanista, um maravilhoso entendedor do coração humano , dos sofrimentos da humanidade, suas misérias, exclusões, doenças e racismo que separa dolorosa e vergonhosamente o ser humano. Ele era o médico realmente de almas e fosse Deus ou não a primeira pessoa que lutou pelos direitos humanos, sentindo na própria pele a dor do semelhante.

Dotado de um carisma impressionante, ouvindo os infelizes, se apiedando dos sofredores, amando os doentes, Jesus foi o maior humanista que o mundo jamais teve. Aquele que realmente curava as misérias e dores da forma mais suave que alguém podia fazê-lo. E sabendo que muito breve ele próprio passaria por tormentos e injustiças atrozes.

A paixão de Cristo foi um acontecimento tão doloroso que seria impossível visualizarmos na proporção que se deu. Mas depois de tudo veio a glória, ressurreição e a vida comemorada com nossa Páscoa tão emocionada e na qual as crianças encontram um ovo de chocolate trazido por um lindo coelhinho branco.

É esse o espírito. A Páscoa é como a redenção de toda a humanidade sofredora e encarnada na figura tentadora de chocolates, alegrias e comemorações pelo renascimento de um homem, mestre e Deus humanista , filósofo e que na sua generosidade esqueceu as dores para lembrar da glória no perdão.

 

 

A PÁSCOA

Letícia (Porto-Portugal)

A páscoa é tempo de dar sem esperar receber.
Tempo de jogar sem temer perder.
Tempo de sorrir sem medo de chorar.
A páscoa é tempo de amor e carinho.
Tempo de ajudar aqueles que mais amamos.
A páscoa é renascer mais uma vez para a vida
é tempo de ser criança novamente.
É tempo de ressurreição.

 

CRôNICAS E SUSTENTABILIDADE NA FEIRA DO LIVRO


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com


A feira do livro de Joinville traz novidade, este ano, além das personalidades literárias de renome nacional: mudou de local, agora acontece no Expocentro Edmundo Dobrava, ao lado do Centreventos. Estou ansioso para ver como se desenrolará a feira no novo local, depois de ter todas as edições anteriores na Praça Nereu Ramos, tradicional local para eventos culturais desde os anos setenta.
Era lá que acontecia a Feira de Arte e Artesanato nos anos setenta e oitenta e onde nós, do Grupo Literário A ILHA, levávamos o Varal da Poesia e o Recital de Poemas. Então será curioso ver essa nova fase da feira do livro de Joinville, essa feira que tem crescido tanto, a ponto de ser , talvez, a mais importante do Estado. Maior e melhor do que a de Florianópolis.
O Grupo Literário A ILHA, quase completando 31 anos de existência e tendo desenvolvido suas atividades em Joinville por quase vinte, não poderia deixar de participar de projeto tão ambicioso. No sábado, dia 3 de abril, as 15 horas, será o lançamento do livro "TERRA: PLANETA EM EXTINÇÃO", seleção de crônicas publicadas em diversos jornais espalhados por todo o Brasil, incluindo aí A Notícia. O livro se enquadra bem no tema da feira deste ano, "Educação, Cultura e Sustentabilidade".
O tema, segundo a organizadora do evento, dona Sueli Brandão, pretende colocar em discussão de que forma a educação e a cultura podem contribuir na sustentabilidade do planeta. E isso é o que muitas das crônicas do livro "TERRA: PLANETA EM EXTINÇÃO" propõe, por isso é uma obra tão afim com essa filosofia.
Estará sendo relançando, também, o livro "APHRODITE E AS CEREJEIRAS JAPONESAS", que também é composto de textos publicados aqui e em jornais de todos os estados brasileiros.
Cuidar de nosso planeta, usar a literatura para educar-nos no sentido de preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, para que tenhamos perspectiva de futuro, é o que muitos dos textos dos dois livros sugere. Porque precisamos refletir sobre isso sempre e agir, e a função da literatura é provocar isso.

 

 

METAMORFOSE AFINAL

Márcia Vilarinho

De tanto ter que suprir
Aprendi a não desistir
De tanto ter que fazer
Esqueci de descansar
De tanto ter que viver
Não deixei de respirar
De tanto ter que ser mãe
Fui ventre por inteiro
De tanto ver sofrer
Tentei fazer sorrir
De tanto ter que defender
Fui loba, leoa em fera
Despreparada, desprotegida
Ríspida, agressiva, defensiva
Silenciosamente chorosa
Amorosa como a rosa
Na seiva que a torna assim
E muitas vezes fui carmim
Amei, desejei, fui amada
Desejada e apaixonada
A vida veio
Varreu o meu caminho
Levou meu amor pro amanhã
Lá no etéreo
Deixando-me aqui no térreo
Sem qualquer elevador
E o tempo foi passando
Esvaziando o ninho
E a metamorfose chegando
Transformou me
Em carinho
E de tão carente
Ninguém me reconheceu...
E foi então que eu disse adeus
Às minhas cascas enfim

 

O ENSINO PÚBLICO EM SANTA CATARINA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Vocês viram o estudo realizado por uma equipe de especialistas internacionais da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – estudo pago pelo Estado, diga-se de passagem – que fez uma radiografia do ensino público de Santa Catarina em todos os níveis?
Pois é. Precisavam pagar mais de uma centena de milhares de reais para uma empresa gringa, gastando dinheiro público que poderia ser usado na melhoria de salário dos professores, para constatar que a educação vai de mal a pior, por culpa do próprio Estado que não estava nem aí, pelo menos até agora, para o ensino público? Será que vai mudar daqui pra frente?
Todo mundo vê, só não vê quem não quer. O Estado não investe nas escolas, que estão caindo aos pedaços, literalmente. São infiltrações, rachaduras, instalações elétricas precárias, instalações hidráulicas idem, falta de equipamento para ensinar, falta de professores, baixa remuneração, falta de atualização para os professores, falta de motivação para que eles trabalhem e assim por diante. Ao invés disso, excesso de carga horária, excesso de alunos em cada sala de aula, falta de tempo para dar todo o conteúdo, falta de tempo para o aluno aprender o conteúdo, salário baixo sem previsão de piso, e violência cada vez mais presente nas escolas.
Havia necessidade de vir gente de fora para dizer que o ensino público está neste estado lastimável, havia necessidade de pagar para alguém dizer que a coisa está tão ruim assim? O Estado não acredita nos professores, diretores e pais de alunos, precisa pagar, gastar o dinheiro público para que alguém lhe diga uma coisa que está saltando aos olhos?
Esperemos que o novo governo catarinense que recém tomou posse tome providências quanto a essa herança maldita, esse descaso total que os governantes anteriores deixaram. O diretor geral da Secretaria de Estado da Educação diz que está sendo elaborado o Plano Estadual de Educação para os próximos quatro anos, paralelo ao Plano Nacional de Educação. Será que esses planos resolverão o caos que está instalado na educação brasileira falida? Sim, porque o problema não é só catarinense, é nacional. Uma das maiores heranças que o governo Lula deixou foi a falência da Educação, entre outras falências. Mas a educação em Santa Catarina já foi uma das melhores do país e a gestão anterior (ou gestões anteriores, pois Luiz Henrique ficou 7 anos no poder e o seu tapa-buraco Leonel Pavan ficou um ano) que “governou” o Estado foi no rastro do malfadado presidente, sucateando o ensino público de qualidade que tínhamos.

 

 

VELHA CIDADE

Cassiane Schmidt

De tanto ter que suprir
Aprendi a não desistir
De tanto ter que fazer
Esqueci de descansar
De tanto ter que viver
Não deixei de respirar
De tanto ter que ser mãe
Fui ventre por inteiro
De tanto ver sofrer
Tentei fazer sorrir
De tanto ter que defender
Fui loba, leoa em fera
Despreparada, desprotegida
Ríspida, agressiva, defensiva
Silenciosamente chorosa
Amorosa como a rosa
Na seiva que a torna assim
E muitas vezes fui carmim
Amei, desejei, fui amada
Desejada e apaixonada
A vida veio
Varreu o meu caminho
Levou meu amor pro amanhã
Lá no etéreo
Deixando-me aqui no térreo
Sem qualquer elevador
E o tempo foi passando
Esvaziando o ninho
E a metamorfose chegando
Transformou me
Em carinho
E de tão carente
Ninguém me reconheceu...
E foi então que eu disse adeus
Às minhas cascas enfim

 

QUE BLOG CARO!

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Acho muito louvável o trabalho de Maria Bethânia divulgando a poesia com seu show “Bethânia e as Palavras”, que ela vem apreesentando peloBrasil. Precisamos de todas as iniciativas que incentivem o gosto pela literatura, o gosto pela leitura, o gosto pela poesia. Mais louvável ainda que ela disponibilize isso na internet, em um blog, para que todos aqueles que não puderam ver o espetáculo possam ver o que é o projeto.
Mas daí a ter que captar, através da Rei Rouanet, um milhão e trezentos mil reais para colocar o blog no ar, com a anuência do Ministério da Cultura, está parecendo, para muita gente, um pouco de exagero. O dinheiro captado é dinheiro público, pois é imposto que seria pago aos cofres da União e, ao invés disso, será redirecionado para custear o blog da cantora. Ora, primeiro, a declamação de poemas que a cantora fará no já famoso blog “O mundo precisa de poesia” já foram objeto de produção, a maioria deles, alguns já devem ter sido até gravados. Então não há, na verdade, necessidade de tanto dinheiro. Ou há?
Segundo, eu tenho um blog há quase três anos e nunca gastei um tostão com ele. É claro que não tenho ninguém famoso como Bethânia para gravar poesia para eu postar nele, o que seria muito bom, mas ela não tem que pagar uma celebridade como ela própria é, para gravar as declamações.
A desculpa do Minc é que o projeto foi apreciado como qualquer outro e ele não pode rejeitar um proponente pelo fato de ser famoso. Mas cá pra nós, isso ajuda, ou não?
Também estão tentando amenizar a polêmica, afirmando que a cantora não recebeu dinheiro público, que ela foi autorizada a “tentar captar” os recursos. Como já dissemos, esses “recursos” são impostos que deixarão de ser pagos e serão entregues a Bethânia.
Enfim, é bom saber que Bethânia gosta de poesia e vai continuar com o trabalho de difusão dela através da gravação de poemas. Se ela já recebeu o dinheiro ou ainda vai captá-lo, eu não sei. Que ele seja bem usado e possibilite que mais pessoas gostem de poesia por esse imenso Brasil tão carente de leitura.
O que vocês acham de eu tentar um projeto junto ao Minc, para custear meu blog e o portal PROSA, POESIA & CIA., do Grupo Literário A ILHA, que tem divulgado a literatura por mais de trinta anos? O problema é que não sou famoso e não sei cantar, então... Como me disse a leitora Luma Rosa, preocupa mais ainda o fato de o Minc afirmar que há muitos outros projetos de mais de um milhlão... Dinheiro farto esse que pagamos de imposto, não? E as vítimas das enchentes estão por aí, em vários estados, esperando ajuda, mas parece que não tem "verba"...

 

 

RUÍDOS (fragmento)


Sonia Alcalde


Que ruídos não me deixam dormir?
O túnel do vento
as folhas dançando ao relento
a lata rolando no pátio
o apito avisando o ladrão
o batuque do meu coração.

O sobe mais que desce da inflação.
Chega!

 

 

A CAPITAL SEM EDITAIS DE INCENTIVO À CULTURA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Tenho recebido livros de escritores e escritoras de Joinville, de Jaraguá do Sul e de outras cidades catarinenses que publicaram suas obras porque participaram de editais de apoio à cultura. Livros selecionados dentre muitos títulos que se inscreveram e que foram avaliados por jurados do meio literário de cada região, o que significa que são trabalhos de qualidade, com conteúdo e com aprimorada apresentação gráfica.
São várias cidades a publicarem seus editais a cada ano, dando oportunidade a novos talentos das letras locais de se projetarem, de renovarem a literatura produzida em nosso Estado.
Então me salta aos olhos uma constatação: diversas cidades catarinenses têm seus editais, não só para a literatura, mas para várias outras artes, como teatro, música, cinema, etc., mas a capital, Florianópolis, não. Florianópolis não tem um edital de apoio à cultura, que fomente a literatura, nem outras artes.
O Estado até tem o concurso Cruz e Souza, que anda um tanto quanto bissexto, nos últimos tempos – será que sai, este ano? – e que revelou, no passado, autores de romance, conto e poesia, não só de Santa Catarina, mas de todo o Brasil; tem também a Lei Grando, que determina que o Estado compre 300 exemplares de pelo menos dez livros de autores catarinenses todo ano, através de edital, mas depois de quase vinte anos sem que a lei fosse cumprida, em 2009 finalmente foi levada a efeito. No entanto, no ano seguinte já não se falou mais nela – será que teremos edital este ano?
O Estado tem outros editais de cultura que beneficiam outras artes, também, mas Florianópolis, a cidade de Florianópolis, não tem. Que capital é essa, que fica atrás de cidades do interior, que relega a sua cultura ao esquecimento? Por que será que as outras cidades podem investir em cultura e a capital não? Será falta de cultura dos próprios governantes?
Precisamos cobrar mais do prefeito e dos vereadores da capital, que não têm pensado na cultura da cidade. E cobrar intenções nesse sentido antes de votar neles.

 

 

MAR ABERTO


Apolônia Gastaldi


Mar aberto
Calmaria
Nada
A espuma
Frisa a quilha

Sol alto
Brilha n'água
0 meu desencanto


Silêncio


A gaivota bóia
E meu pensamento
Voa


Voa
Como espuma solta
Meu pensamento
Voa

Mergulho
No silêncio
E
A vida voa!

 

FLORIANÓPOLIS TERÁ EDITAIS DE INCENTIVO À CULTURA

Por Luiz Carlos Amorim

Vejo nos jornais deste dia 29 de março matéria sobre a criação do Fundo Municipal de Cultura em Florianópolis, que já nasce se proclamando o maior de Santa Catarina. Tomara que seja. O Fundo, que foi lançado oficialmente hoje na Fundação Cultural Franklin Cascaes, deverá beneficiar todas as áreas da cultura e arte, com exceção do audiovisual, porque já existem recursos municipais para essa modalidade. A escolha dos projetos a serem contemplados com financiamento do novo Fundo Municipal de Cultura seria feita por editais. A matéria não especifica mais, infelizmente, porque gostaríamos de saber quanto será destinado ao edital de Literatura, por exemplo, quais as artes que serão beneficiadas, quando sairão os editais, como funcionarão, que prêmios darão. São informações importantes que ficaremos aguardando.
Escrevi, no dia 12 de março, aqui no meu blog e posteriormente publiquei em alguns jornais da grande Florianópolis, a crônica “A Cultura Oficial da Capital”, chamando justamente a atenção sobre o fato de que algumas cidades do interior do Estado, como Joinville, Jaraguá, Blumenau, etc., têm editais de incentivo à cultura e tenho recebido belíssimos livros, tanto em apresentação como em conteúdo, resultantes desses editais. Florianópolis não tinha.
Parece que deu resultado, pois agora surge o Fundo Municipal de Cultura, com orçamento de um milhão e duzentos mil reais para lançar editais para todas as modalidades de arte, exceto cinema, que já tinha seu edital.
Esperemos que os editais desse novo fundo privilegie e alavanque a cultura da capital, tão carente de dispositivos que contemplem artes como a literatura, por exemplo. O Estado tem o Concurso Cruz e Sousa, mas ele tem estado bastante esporádico, nos últimos anos e não contempla só a literatura catarinense, pois tem âmbito nacional.
Então já não era sem tempo. Temos a esperança – e precisamos ter – de que os editais beneficiem os produtores de arte da capital de maneira justa, sem privilegiar panelinhas, como era comum acontecer no âmbito do Estado.

 


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