Revista eletrônica de literatura e cultura.

Fevereiro/2008

 

MOVIMENTO LITERÁRIO PAULO DANTAS

Foi criado em São Paulo o Movimento Literário Paulo Dantas, idealizado pela poeta Maria Lúcia Lopez, Mirian Waltruch e Sueli Gonçalves, com o objetivo de resgatar a obra do conhecido escritor, relembrar episódios de sua vida, promover a releitura de seus livros e discuti-los sob variados ânbulos. Iniciado de forma modesta por admiradoras, sem maiores pretensões, o Movimento cresceu, recebendo apoio de amigos, leirores e admiradores, entre eles o escritor Possidonio Sampaio, Luiz Ernesto Kawal, Fernandes Neto e vários outros, tanto da Paulicéia como do Vale do Paraíba. Também deram seu apoio o jornal "Linguagem Viva", a UBE-SP e a Academia de Letras de Campos do Jordão, cidade a que Dantas foi muito ligado. As reuniões são quinzenais e acontecem na Biblioteca José Paulo Paes, no Largo do Rosário, Penha, na capital paulista. Outros amigos de Paulo Dantas, assim como admiradores dos escritores de sua especialidade, como Euclides da Cunha, Guimarães Rosa e Monteiro Lobato têm prestigiado o Movimento. (Contatos - Travessa Cardan, 7 - Penha - CEP 03627-110 - S. Paulo).

 

SAUDADE II

Aracely Braz

Passa dia, passa noite,
Do borbulhar espumante do mar
Passa a brisa alvissareira
E não passa esta saudade.
De ante-ontem, de ontem,
De há pouco, aperta agora...
Pretendo jogá-la fora,
Mas a coragem não vem.
Oh, saudade, dê uma volta,
Mas não largue minha escolta:
Sem você, não sou ninguém...

 

PAULO DANTAS

Enéas Athanázio

Esquecido e solitário, faleceu sem alarde, no dia 11 de junho, o escritor Paulo Dantas (Neto), aos 85 anos de idade, fato que descobri por mero acaso. Nada vi a respeito, acreditando mesmo que nada saiu. Fosse algum político, ainda que inexpressivo, inclusive daqueles que serviram à ditadura, e as manifestações alardeariam mundo a fora, registrando as costumeiras cenas patéticas de viúvas em óculos escuros e negros véus rendados. Mas como o trabalho intelectual no Brasil pouco ou nada vale, o pobre Paulo desapareceu envolto no mais discreto silêncio. No entanto, foi um talentoso e diligente escritor, autor de obra significativa em nosso panorama literário.
Sempre atuando na área das letras e no jornalismo cultural, morou no Rio de Janeiro, em Brasília e, por maior tempo, em São Paulo, aonde veio a falecer. Acometido de séria enfermidade (tuberculose pulmonar) ao tempo da II Guerra Mundial, quando andava pelos vinte anos, contou com a decisiva ajuda moral e financeira de Monteiro Lobato, sempre pronto a amparar os amigos, mesmo que tantas vezes ele próprio necessitasse de um apoio que nunca vinha. As cartas de Lobato, coligidas por Edgard Cavalheiro, registram as mensagens de otimismo e coragem que ele transmitia ao jovem escritor, então exilado em Campos do Jordão, animando-o a batalhar pela sobrevivência, uma vez que nova penicilina já se anunciava no horizonte e haveria de curá-lo em definitivo, como de fato aconteceu. "Qualquer coisa que queiras é só me escrever - diz Lobato. - Terei muito gosto em te ajudar de todas as formas... Nada de fraquezas, porque a vitória está perto. E depois da vitória da saúde, virá, brilhantíssima, a vitória literária." Reconhecido, Dantas jamais esqueceria do amigo devotado por cuja memória nutria verdadeiro culto. Sobre ele escreveu um de seus melhores e mais sinceros livros. Também os árduos dias de sanatório resultaram em páginas repletas de sentimento e melancolia: "Aquelas muralhas cinzentas" e "Cidade enferma", livros que mereceram importantes premiações e projetaram o autor em todo o país.
Apaixonado pelas obras de Euclides da Cunha e Guimarães Rosa, sobre elas produziu excelentes trabalhos. Sua introdução a um livro sobre Lampião e o cangaço se tornou referência no assunto. Nos anos vividos em Brasília escreveu a biografia de Bernardo Sayão, figura importante na edificação da nova capital. Produziu romances, novelas, biografias, ensaios, literatura infantil, organizou antologias e jamais cessou de escrever para a imprensa, sendo autor de inumeráveis textos. Foi um dos fundadores da União Brasileira de Escritores (UBE/SP).
Conheci Paulo Dantas em São Paulo, numa das tantas reuniões da UBE, e logo nos tornamos amigos. Recebi sempre seus livros, todos com dedicatórias imensas, e suas curiosas cartas, repletas de casos e sugestões. Manifestava curiosidade pelos nossos Campos Gerais, motivado pela leitura de meus contos, com a intenção de conhecê-los. Essa visita chegou a ser marcada duas vezes, mas nunca aconteceu. Nestes últimos tempos, adoentado e melancólico, retirou-se da vida literária e nunca mais o encontrei. Fiquem estas palavras como singela homenagem ao bom amigo e incansável trabalhador das letras. (2007)

 

A PONTINHA DAS PÁGINAS

Recebi o livro "A Pontinha das Páginas", da minha amiga Cissa de Oliveira, publicado pelas edições Muiraquitã, da Prefeitura de Manaus. A obra foi publicada através do concurso Prêmios Literários Cidade de Manaus, onde a autora foi contemplada com o Prêmio Péricles Moraes, de Crônicas. O trabalho de Cissa já é conhecido do público leitor, pela sua participação no Coojornal, do portal Rio Total (www.riototal.com.br) e outros sites na grande rede. As crônicas de Cissa são delliciosas, lê-las é como se estivéssemos conversando com ela.

 

POEMINHA BEM HUMORADO

Cissa de Oliveira


assusta-me a felicidade calma dos domingos
especialmente se vêm chuvosos

guio-me pela sabedoria impressa na pele
das flores vívidas no parapeito da varanda

e pelos seus faróis de sol
porto que somente se alcança
com a calmaria das mãos

quando eu morrer que seja num domingo
de chuva bem mansinha

escreverei no parapeito de mármore molhado
da varanda enquanto ele reflete o movimento das flores
uma mensagem

e se estiver muito inspirada
- ou em dúvida entre as palavras saudade
e felicidade – acrescentarei:

saibam que eu detesto as segundas-feiras!

SANGUE SUIÇO... CORAÇÃO BRASILEIRO!

Outro livro que recebo e leio de cabo a rabo é "Willy Holderegger - Sangue suiço... coração brasileiro", de Wilson Gelbcke, esse escritor cada vez mais valorizando a literatura produzida em Joinville. Com sinceridade, quando ele me falou de seu próximo livro a ser publicado, uma biografia, eu não sabia o que esperar. O escritor é um exímio romancista, escreve texto infanto-juvenil com maestria - já foi premiado por um deles - e é um bom poeta romântico. Então, quando recebi seu mais recente livro, fui ler de imediato. Primeiro, para saber como era a obra e segundo porque se tratava do criador da indústria de refrigeração Consul, primeira empresa onde trabalhei na minha juventude, na época em que implantaram a fábrica dois. E como não poderia deixar de ser, o autor não decepcionou. Sua excelência em escrever qualquer gênero provou que ele consegue tranformar qualquer gênero em boa literatura. O livro é muito bem estruturado, conta a história do fundador da Consul de maneira romanceada e sempre com bom humor, mas fiel aos acontecimentos e à verdade. Tenho certeza de que será um dos livros mais lidos na nossa Santa e bela Catarina, notadamente no norte do estado.

 

"BORBOLETAS NOS JACATIRÕES"

Clevane Pessoa de Araújo Lopes


Luiz Carlos Amorim, prosador de finíssima poesia, tem um especial amor pelas natureza e ama as flores de forma explícita em seus escritos.
Um dos prazeres de 2007,foi receber seu encantador BORBOLETAS NOS JACATIRÕES.
A capa,de Jonnny H.Kamigashima, tem o poder de, na concepção artística, literalemente colocar o autor entre flores e borboletas.

Quando lhe escrevi sobre a palavra "jacatirão", segui-se uma troca mui rica, onde eu falava de manacás-da-serra(conforme os conhecia aqui na Minas Gerais), ele me enviava fotos tiradas por ele mesmo, dos jacatirões.
Demorei todo esse tempo para comentar o livro (apesar de haver comentado aqui no blog, o lançamento ), porque andei acamada,por motivos ortopédicos-e uma das faxineiras que vieram até minha casa, colocou o exemplar dentro de uma revista, o que apenas descobri há pouco.


BORBOLETAS NOS JACATIRÕES é da Editora Hemisfério Sul, em cujo Conselho Editorial está a Urda Alice Klueger, de quem temos publicado textos, aqui e em meu blog http:itaquatiara.blogspot.,com ,Viegas Fernandes da Costa e Enéas Athanásio. A consultora de Português da editora é Daise Fabiana da Costa.Considero da maior importância essa consultoria.Muitos selos bem intencionados não submetem a obra ao olhar experiente de quem pode fornecer um parecer abalizado ao autor.A editoração é do capista mencionado, Kamigashima.

Cronista por excelência, Luiz Carlos Amorim, do Grupo "A Ilha", catarinense com formação na faculdade de Filosofia,Ciências e letras de Joinville,é no Brasil, um dos pioneiros na ocupação de espaços públicos, urbanos, não convencionais, para a apresentação da POIESIS:

São dele os projetos:

POESIA NO SHOPPING
POESIA NA RUA
POESIA CARIMBADA
PACOTE DE POOESIA
POESIA NA ESCOLA.

O Grupo Literário "A Ilha", dá um perfeito modelo de resitência,(qual o PSIU PoÈTICO, em Montes Claros ,MG):Mais de duas décadas (quase três, na verdade), de vpárias ações e intervenções de sucesso.
A idéia do Varal de Poesia, tão sobejamente imitado ( felizmente), tirava o Poeta de uma redoma , poemas de gavetas e o levava para apresentações publicas, emn saraus, praças, bares, enfim , onde a voz pudesse ser erguida.isso uniu sobremaneira os poetas, abriu-lhes oportunidades e levou o gosto pela Poesia além dos limites de um ócio que não mais pode ser aceiro.É tendência mundial que as Artes e as Letras invadam perspectivas vpárias urbanas, entrosando o cidadão comum com autores e obras.BORBOLETAS NOS JACATIRÕES, um dos 22 livros de Luiz carlos Amorium, apresenta ao leitor a esplanação leve e descontraída de seu autor.As rememórias unem-se a informações úteis e interessantes.Todas as relembranças de infância nos trazem , bem além da nostalgia, a devolução desse prórpio período de vida.Há uma certa nostalgia, mas sempre permeada de enrgia e experiências de vida.O autor sabe tocas a alma do leitor:

(...)"Acho que gostaria de ter um dia,apenas mais um dia para mim e meu pai,para que pudéssemos preencher esse vazio,essa falta de alguma coisa que poderia ter sido,mas não foi,poderia ter existido,mas não existiu,poderia ter acontecido, mas não aconteceu.essa sensaçãode amor contido,desperdiçado.perdido.
Sinto saudade de ter saudade de meu pai".

O cronista é de uma filosofia de vida clara e consitente.O estilo jamais cansa, é agradéval e ,muitas vezes, comovente.Colore e movimenta com os pensamentos papilonáceos, que tanto pousam em copas floridas, quanto descem às beiras de rio, pulsam em beirais,e, vibrantes, ascendem no espaço.
Belo livro.

 

POEMA NOVO

Teresinka Pereira



O silencio me domina
e nao posso contradize-lo.
A convivencia com a noite
traz finissimas gentilezas.

Nao espero reconstruir
meu passado, mas seguir
em busca de um novo Sol
que escrevera meu futuro.

As diafanas ansias
ja se transformaram
em aventureiros sonhos
e utopias.

 

O DIA EM QUE O MAR FLORESCEU

Urda Alice Klueger

Manhã de fevereiro, mais precisamente 2 de Fevereiro, e eu estava sentada numas pedras grandes e negras, que avançavam mar adentro, um verde mar cheio de ondas, com a maré a encher, e o mar tinha florescido.

Alguém vai usar essa imagem em sentido figurado, vai achar que se trata de um delírio oriundo de algumas doses de LSD, vai dizer : "A escritora endoidou!", mas eu garanto : naquele dia o mar tinha florescido de rosas de todas as cores, tinha mais rosas do que o jardim da casa da minha tia Fanny.

Como é que o mar pode florescer?

Na Bahia o mar floresce, principalmente no dia 2 de Fevereiro, dia de Iemanjá.

Era meu último dia em Salvador - marcara a volta para o dia seguinte, para ver como era a festa de Iemanjá. A festa acontece na praia do Rio Vermelho, lugar onde mora um conhecido de todos nós, um baiano que entra em todas as casas do Brasil e do mundo, um tal de Jorge Amado. Jorge Amado mora sobre um morro, em casa idílica que já visitei, e cá embaixo está a praia de Iemanjá, a praia do Rio Vermelho.

Há um outeiro dominando a praia, e sobre ele a igreja católica, e do lado, a casa de Iemanjá. O padre católico abençoa cá e lá; o povo frequenta cá e lá, nessa coisa baiana e doce de ser-se católico e de candomblé ao mesmo tempo, sem conflitos.

A festa de Iemanjá começou antes do sol nascer, com o povo que tinha que ir trabalhar durante o dia indo fazer suas oferendas à rainha do mar antes de pegar no trampo - continuou pelo dia afora e, tanto quanto sei, foi até o dia raiar outra vez. Eu cheguei pouco antes do meio dia e fui logo subindo naquelas pedras de que falei acima, abobada de ver o mar florescido, coberto de rosas de todas as cores. Fiquei olhando e refletindo - nem a mais caprichosa das donas-de-casa de origem alemã de Santa Catarina conseguiria, algum dia, Ter um jardim daqueles - era a imensidão do mar verde florescido de rosas, rosas que boiavam e dançavam ao sabor das ondas, e outras flores cheirosas a completarem um séquito do qual Iemanjá deveria estar gostando muito.

Acabei comprando uma rosa também, e entrando numa longa fila que ia dar na Casa de Iemanjá, ao lado da Igreja Católica. Na minha frente, na fila, um casal de jovens franceses, também com suas rosas, totalmente encantados com o bucólico daquilo tudo; pela fila toda, centenas de turistas europeus misturados com os baianos e os brasileiros de todos os quadrantes, todos curiosos, todos, respeitosamente, levando rosas para a rainha da festa.

A casa de Iemanjá, sobre o outeiro, é toda aberta para o mar, o sol e o vento, bem como deve ser a casa de uma rainha de uma coisa imensa como o mar.. Incontáveis mães-de-santo, rigorosamente vestidas de branco, estavam na casa, organizando os balaios de oferendas - toda aquela imensa fila de gente portanto rosas e outras oferendas se encontrava com elas, que iam enchendo balaios e mais balaios com as coisas que as pessoas traziam e que Iemanjá gosta, coisas de vaidade feminina : além das flores, as pessoas traziam perfumes, sabonetes, brincos, bijuterias em geral, e até algumas jóias.

Os balaios cheios eram arrumados em fila, na praia, para a grande oferenda da tarde, que completaria os pequenos atos de oferta pelo dia todo, aqueles que já tinham resultado num mar florescido. E eles foram para o mar antes do por-do-sol, em barcos lotados de flores e coisas cheirosas. Havia um frenesi na praia, nessa hora. Iemanjá receberia bem as oferendas? Gente importante estava lá, como Caetano Veloso, Gal Costa, atores que a gente vê na telinha, Jorge Amado e Zélia Gattai, rigorosamente de branco, todos esperando para ver a reação de Iemanjá.

Correu tudo bem. Cada balaio cheio de oferendas que era colocado na água afundava imediatamente, sinal certo de que Iemanjá o recebia com agrado. O povo suspirou de alívio e de satisfação. A rainha do mar estava de bem com eles!

Depois, dançou-se, comeu-se e bebeu-se por toda a noite, para externar a alegria de Iemanjá estar contente. Turistas do mundo inteiro dançaram, comeram e beberam junto, por toda a praia. São coisas da Bahia. Na Bahia, até o mar floresce!

 

PARECE INCRÍVEL

Maria de Fátima B. Michels


Ainda existem famílias
com flores no portão, desde a entrada
As vezes margaridas, de outras, japonesas lanterninhas
e até um estradinho para suspender algumas
tipo aéreas, a engenheira da casa construía
Por ali subiam flores, feito uma colcha amarela
Eu me lembro
minha mãe sempre preenchia uma nesga
de terra que sobrava...
com florinhas ao lado da calçada

Parece incrível mas o mundo é feito só de idiotas não!
Esses correndo atrás do carro do ano, em agonia
Minha mãe é muito inteligente,
todas as pessoas que plantam flores e chazinhos, inteligentes são
Parece incrível mas há quem declare seu amor pelas
árvores
Ainda existem famílias das quais clandestinos amantes
não roubam a energia
Ainda existem famílias onde pais e filhos conversam e
tocam violão

Parece incrível mas existem
famílias onde pai e mãe conversam com
suas filhas e a elas dão valor igual
a elas respeitam conforme fariam, se nascidos fossem varões
Parece incrível mas há quem compreenda
netos antecipados de uma gravidez inesperada
Ainda existem famílias onde há saúde mental
que oxigenam com amor seu dia a dia
Nessas casas não entram drogas, nenhum tipo de porcaria
Parece incrível mas ainda existe vida inteligente,
cérebros que percebem o mundo com espaço
para as flores as pedras e todo bicho
lugar para toda a gente
Priorizam a proteção à infância
o direito à velhice respeitada
Parece incrível, mas ainda tenho ESPERANÇA

 

 

AS FLORES DO BRASIL

Por Luiz Carlos Amorim

Viajando para Santos, neste janeiro quente e chuvoso, fiquei extasiado com o espetáculo descortinado diante de meus olhos ávidos de cor e luz. Falo muito do jacatirão nativo que vejo explodir em flores no fim da primavera e no verão, aqui em Santa Catarina: em Joinville, em Corupá, em São Francisco do Sul, Barra Velha, Jaraguá do Sul, etc.
Sabia que eles existiam pelo Brasil afora, mas agora fui testemunha: eles são belíssimos e em grande quantidade nas matas cortadas pelas rodovias do norte do Paraná e principalmente em São Paulo. Depois de Registro e até perto de Santos o quadro é de uma beleza grandiosa: o jacatirão domina a paisagem, enchendo a mata verde de manchas vermelhas.
Considerava-me privilegiado em ter a profusão de flores de jacatirão no verão, no norte e nordeste da nossa Santa e bela Catarina, mas fico feliz de saber que o privilégio não é só nosso, que os paulistas também são abençoados pela Mãe Natureza com essas árvores generosas e majestosas.
Vi, também, flamboiãs vermelhíssimos em Ilhabela, também em Búzios e em Salvador, além de algumas primaveras enormes e muito floridas, mas nada que se comparasse aos jacatirões, que espalham suas incontáveis flores pelas florestas que se espraiam pelos lados das rodovias paulistas, paranaenses, catarinenses. E, quiçá, de tantos outros estados.
Impossível não vê-los e não admirá-los, árvores singelas e majestosas ao mesmo tempo, a balançarem seus galhos pejados de flores que vão do branco ao vermelho, algumas pendendo para o lilás.
Elas estão lá, no nosso caminho, mostrando que Mãe Natureza ainda nos ama, a nós, seres humanos, que desdenhamos tanto dela, que a menosprezamos tanto. Mas é preciso, repito mais uma vez, olhar e ver. Algumas coisas belas estão sempre ao alcance dos nossos olhos, sempre no nosso caminho e, de tão presentes, acabamos não vendo. Olhamos e não vemos. Temos de olhar e ver, para atribuir-lhes o devido valor e preservá-las, pois do contrário podem não estar mais lá amanhã.
Então, irmãos de todos os lugares, verão é tempo de jacatirão, de flamboiã, de primaveras floridas. Não deixem de vê-los. São espetáculos gratuitos e enchem os olhos e o coração.

 


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