Revista eletrônica de literatura e cultura do Grupo Literário A ILHA

Outubro/2006

 

TODAS AS CRIANÇAS


Luiz Carlos Amorim


Tenho pequenos sorrisos grandes,
saudáveis, perfeitos, felizes,
inspiração maior dos meus versos,
motivos do meu viver.

Tenho pequenos abraços grandes,
apertados, singelos, vivazes,
cálices transbordantes
de carinho e de alegria.

Tenho pequenos beijos grandes,
lambuzados, melados, molhados,
expressão maior do amor
que tenho prá dividir.

E os sorrisos presos nos lábios?
E os abraços não dados?
E os beijos sem endereço?
Quanto amor desperdiçado...
Tanto amor abandonado...

 

FILME BASEADO NA OBRA DE URDA A. KLUEGER


Baseado na obra da escritora catarinense Urda Alice Klueger, o fillme "Por Causa do Papai Noel", com direção e roteiro de Mara Salla, foi um dos cinco selecionados pelo Projeto de Apoio à Produção de Trabalhos de Conclusão de Cursos de Cinema e Audiovisual 2004/2005 da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. O prêmio permitiu que o filme fosse rodado em película 35mm.
O filme foi rodado na cidade de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, de colonização alemã, que lembra muito a Blumenau da infância de Urda, período em que se passa o filme.
O roteiro da Mara faz uma brincadeira com a obra e a história de vida de Urda, misturando passagens de sua biografia com a literatura, quando uma menina de doze anos é tão apaixonada pela leitura que os personagens dos livros que lê passam a fazer parte da sua vida.
Abaixo vai a sinopse oficial, que vai para o DVD:
Urda Alice Klueger, uma menina de doze anos, sofre um acidente de bicicleta, ferindo gravemente o pé. Tal situação muda a vida de Urda, que precisa se afastar da escola e das aventuras e descobertas, próprias de uma menina dessa idade. A mãe, porém, começa a ocupar as tardes da filha com muita leitura. Urda passa a entrar em contato com a literatura brasileira e a encantar-se com as aventuras surgidas nas páginas dos livros que devora. A descrição detalhada nos romances que lê aliada à sua imaginação fértil faz com que ela traga para seu mundo personagens de Erico Verissimo e Jorge Amado, entre outros. Com um final surpreendente, Urda Alice Klueger depara-se com seu próprio futuro de escritora.

A equipe é quase completamente composta por estudantes de cinema e vídeo da Unisul. Cerca de 50 pessoas compuseram a equipe, que passou uma semana em São Pedro de Alcântara fazendo as filmagens. O filme acabou de ser finalizado e está em fase de planejamento da estréia, que deve acontecer em dezembro, por causa do Natal.
A própria escritora Urda atua no filme.

Curta premiado em Brasília


O filme catarinense, da cineasta Mara Salla, foi premiado na 7ª Mostra
Taguatinga, no Distrito Federal. O curta-metragem em 35mm "Por Causa do
Papai Noel", previsto para estrear em dezembro de 2006, foi escolhido
o melhor filme de ficção. Baseado na obra da escritora catarinense Urda
Alice Klueger, no conto que leva o mesmo nome, o filme chegou ao festival
graças ao Prêmio de Apoio à Produção de Trabalhos de Conclusão de Cursos de
Cinema e Audiovisual, promovido pelo Ministério da Cultura e Forcine em
2005."

 

SONHOS PERDIDOS


Regilene Rodrigues Neves

A vida passa cortando a luz dos sonhos
Quimeras já distantes partindo em utopias
Felicidade por aqui é poesia em arrimo de esperança...

Lá fora crescem arranha-céus
Em vidros fumê de ilusões
Olho pela janela da minha alma
Sinto um barco a deriva
Um mar agitado em altas ondas
Querendo saltar para um outro lugar
Sair desta ilha deserta de versos melancólicos

Um som de amor se ouve ao longe
Somente as ondas se abraçam
Entrelaçam carinhos sobre os céus
Tépidos de um infinito olhar...

Um grito fantasma vem do silêncio
Querendo chorar a lagrima sem ternura
O colo vazio o lábio ressequido
No corpo sem amor!
Em prece confessa sentimentos torpes
Arrancados do seio no leito da dor!

A alma chorosa joga seu último olhar ao vento
A brisa solta um frenesi lânguido no meu corpo
O sonho pega o barco que parte sem destino
Numa viagem sentimentalista do coração
Em conhecer um mundo dantes sonhado

Vagam as lembranças céticas
De uma saudade vitima de desencontros
Não mais peço a presença da poesia
Que alimenta este desejo alvoroçado no peito
Que o verso do poeta chore sua dor sem ilusões
Feneça no espírito abraçado ao meu corpo
Todo amor roubado do meu sonho de felicidade.

 

A PRIMAVERA SEMPRE VOLTA

Por Luiz Carlos Amorim

E não foi só pelos dias lindos de sol e pelas flores tantas a enfeitar os caminhos que me dei conta que a primavera chegou. Minha amiga Irene, do Rio Total, me manda mensagem, no final de setembro, me perguntando o que houve com minha página em Escritores e Poetas daquele portal, pois já estava com mais de duas mil visitas só nesta primavera. Na do ano passado foram mais de cinco mil visitas. Fiquei tão feliz com o sucesso de meus poemas sobre a primavera (pequenos poemas, simples e humildes, embora sinceros), que resolvi falar da nova estação, coisa que nem pretendia fazer, pois neste ano esta época tão bonita foi invadida pelas eleições, com tanta corrupção e sujeira vindo à tona.
Então não me furto a cantar aos quatro ventos a beleza dos ipês, majestosos, travestidos de sol, espalhando luz e cor e enchendo meus olhos extasiados. Não posso deixar de mencionar as orquídeas, exalando perfume e exibindo suas cores. Não posso esquecer as onze horas, os girassóis, as petúnias, as primaveras e tantas outras flores enfeitando jardins por todas as cidades.
E o jacatirão, ah, o jacatirão... O jacatirão de jardim, híbrido, já floresceu maravilhosamente, embora algumas árvores ainda exibam alguma cor remanescente. Mas no norte e nordeste de Santa Catarina começa a florescer o jacatirão nativo, aquele que ninguém plantou, que nasceu livre na floresta, nas encostas, nos caminhos. É agora que o verde das suas folhas começa a desaparecer em meio a tanta flor de cor branca, vermelha e vinho, pontilhando toda a mata com ilhas de tons avermelhados.
E no auge do verão a beleza se instala, numa explosão de nuances que vão desde o branco até o lilás, como se fora enfeite para a chegada do Natal e do novo ano que chega.
Então, agora que parece que finalmente o inverno foi embora, levando com ele o frio, a solidão, a saudade, eu agradeço à Mãe Natureza por deixar vir a nós a primavera para vestir a terra de flores, de verde e de cores.
Seja bem-vinda, primavera. Contigo renasce a vida, brota de novo a poesia, renova-se a esperança. Lança sobre nós o sol, raio de luz, força e cor, essência de vida de nós, pequenos filhos da terra.
Vem, primavera e traz contigo a paz, a melodia do cantar dos passarinhos, e a flor do jacatirão...

 

A BELEZA DELA


Ma.de Fátima Barreto Michels


Olhou-me.
Mostrei-lhe as mãos vazias eu não levava bolsa.
Observei-a.
Um corpo, uma competência, uma historia em crescimento

Sem passagem .De passagem.
Que criança linda circulando ali pela rodoviária

Muito cedo para desaprender sobre dinheiro
Cedo demais para precisar saber quanto custa.

Aquele jovem, rendeu-se, à beleza dos seis anos dela.
Deu-lhe todas as moedas que possuía,em um dos bolsos.

Mas se ela crescer, talvez consiga viajar
Cabotagem em boléia de caminhões é quase de graça.

Olhei-a afastando-se em leveza e candura

Levei comigo a feiúra da nossa sociedade.
Contrastando .

A BELEZA DELA incomodava tanto.

 

 

NOVO LIVRO DE ROSÂNGELA

Está saindo o segundo livro infantil da escritora e poetisa Rosângela Borges, de Joinville. Trata-se de "Limpeza na Gaveta", publicado pela Franco editora, de Belo Horizonte.. É destinado à crianças de zero a 6 anos. O texto é curtinho, as ilustrações são lindas, a apresentação do livro é primorosa. Mais um sucesso da escritora, que teve a primeira edição do seu primeiro livro, "Conversa de Bichos", esgotada em poucos meses e que já tem uma segunda edição no prelo.

 

 

UM MENINO

Wagner Farinéa

Um menino sorri um sorriso emprestado
[Um tanto forçado
O peito angustiado relembra o passado
O rosto marcado implora um trocado
Às vezes para o bem
Às vezes para o mal
Mas afinal
Se "há males que vem para o bem"
Por que com ele não pode ser assim também?

Um menino corre um tanto assustado
[Num mundo mudado
Do sonho encantado ao pesadelo fardado
No muro encostado ele é revistado
Às vezes por bem
Às vezes por mal
Mas afinal
Se "há males que vem para o bem"
Por que com ele não pode ser assim também?

 

 

Batam Palmas Pra Mim

Tania Melo

Todos somos imperfeitos, mas aí é que reside o belo, pois são essas imperfeições que fazem a diferença entre mim e o outro. Somos seres únicos.

Quando descobrimos isso, conseguimos NOS ver. A partir daí paramos de nos esconder atrás de imagens criadas para agradar aos outros e mostramos nosso verdadeiro eu.

Assim teremos muito mais chances de sermos verdadeiramente felizes e realizados, coisa difícil de acontecer se conduzirmos nossa vida tão somente na direção dos aplausos alheios, dando mais atenção ao que os outros esperam e acreditam em lugar do que realmente queremos.

Quem vive apenas para ser admirado é infeliz, porque esquece do compromisso consigo mesmo.

Quando nascemos, trazemos um potencial infinito em nosso interior, mas, por que motivo, ele vai diminuindo, mudando de aparência, se deformando, até não mais conseguirmos reconhecê-lo?

Conforme vamos tomando contato com a vida em família, na escola e culminando pelo grupo total de seres com os quais convivemos em nosso dia a dia, abandonamos os nossos verdadeiros ideais e perdemos o rumo. Passamos a viver em função dos outros. Medimos o nosso sucesso pelas reações que nossas atitudes provocam nessas pessoas e não como nós nos sentimos em realizá-las

Deixamos de lado a maioria de nossos sonhos por acharmos que eles não servem. Mas não servem para quem? Por terem sido criticados pelos outros, vão se encolhendo, se encolhendo, até se tornarem tão diminutos que morrem, ou se transmutam em algo sem a menor semelhança com a semente que lhes deu a vida.

É necessário aprender a apreciar o que fazemos, superar o medo dos riscos, independente da distância entre o que pretendemos e o que estamos colhendo, acompanhados, continuamente pela disposição de seguir pelas trilhas que ainda nos faltam. Mas tudo isto deve ser embalado por um querer intrínseco, que não nos transforme em algo diverso de quem somos, com a distorcida visão de que estamos acertando e conquistando o mundo por estarmos sendo aplaudidos lá fora.

Na verdade, os aplausos de que precisamos, são aqueles que vêm da nossa alma.

 

CAENORHABDITIS ELEGANS*

Teresinka Pereira (USA)


Comecamos a nao acreditar
o dia em que nascemos
e a vaidade chega a nossa mesa
com o pao que comemos cada dia.

Mas vivemos em desterro
por vontade propria
e nosso transito por terras alheias
nos acerca as muralhas quebradas
que nos cobrem a cara com
suas frias sombras de ameacas.

Por isso nos sentimos como vermes,
nos equivocamos ao falar outro idioma,
nos esquecemos de nosso nome,
nossa idade e ate mesmo quem somos.

Mas um dia seremos capazes de regressar
a perdida intimidade de nossas pegadas
e na fragilidade melancolica
de nossa fadiga, recordaremos
que o heroismo e somente a conquista
de um itinerario um pouco mais legitimo.

* Nome cientifico de um verme


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