SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Edições A ILHA

Edição Eletrônica da revista do Grupo Literário A ILHA - Edição 106 - Florianópolis SC

Setembro/2008

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Capa Suplemento A ILHA 106

Miolo Suplemento A ILHA 106

 

LITERATURA NO AR

E aqui está um novo número do Suplemento Literário A ILHA, ultrapassando a marca dos vinte e oito anos de circulação. A segunda metade deste tempo com um alcance muito maior, com a sua edição on-line atingindo leitores nos quatro cantos do mundo, através da internet.
Por isso, além de publicar escritores da terra, catarinenses, brasileiros, publicamos também poetas de outros países, pois eles nos lêem, nos divulgam e nos publicam lá fora também.
Nesta edição do Suplemento Literário, matérias como “O Livro Impressoa X Livro Digital”, embate que não acabará com o livro tradicional, como o conhecemos até agora, mas está abrindo caminho para novos suportes eletrônicos. Também sobre a Nova Ortografia da Língua Portuguesa, que começa a valer no próximo ano, resultante de acordo firmado entre os países que têm como língua oficial o português, para unificá-lo, e suscita discussões.
E ainda crônicas, contos, informações culturais e literárias e muita poesia.

 

EM TOM MENOR

Virgínia Vendramini

No silêncio do piano antigo
Que perdura apenas na memória
A saudade se exercita em notas tristes
Nas escalas em tom menor.
Depois a melodia simples
Dedilhada devagar, ao acaso,
Entre pausas e compassos de espera,
Busca harmonia na perfeição do acorde.
E no silêncio do piano antigo
Que só ressoa na memória
A saudade repete incessante
Suas canções prediletas...
Amor - seu eterno tema.

 

A UNIFICAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA

Por Luiz Carlos Amorim

O Acordo Ortográfico, para unificação da língua portuguesa entre os países onde ela é a língua oficial, recentemente teve a aprovação e adesão de Portugal e passa a vigorar em 2009. Assim, Portugal, Cabo Verde, Brasil e São Tomé e Príncipe passam a escrever o português da mesma maneira, com pouquíssimas exceções.
É bom para os países envolvidos o fato de todos escreverem o idioma oficial da mesma maneira? As opiniões divergem. Apesar de cada país continuar falando a língua da maneira que falava, a grafia unificada significa avanço para uns e desperdício para outros. Em Portugal, as mudanças serão um pouco mais acentuadas - 1,42% contra apenas 0,43% no Brasil - e lá também as opiniões se dividem. A classe intelectual, segundo a imprensa, acha que é uma decisão política, que significa ceder a interesses do Brasil, onde há a maior quantidade de pessoas falando a língua portuguesa no mundo.
No Brasil, igualmente, há correntes diferentes. Políticos acham que é bom, que vai melhorar a comunicação internacional, facilitando contatos diplomáticos e comerciais. Editores e livreiros festejam, pois todos os livros (e apostilas) didáticos usados no Brasil terão de ser reimpressos, não podendo mais ser usados, a partir de 2010, aqueles em circulação impressos até então, mesmo novos ou em bom estado.
E há a corrente que acha um absurdo se gastar tanto dinheiro público para imprimir todos os livros da escola pública novamente, sem contar o aumento da conta na compra de obras exigidas pelas escolas particulares (só particulares?), para os pais de alunos. Não se poderá usar mais os livros usados de anos anteriores e não será possível, pelo menos por enquanto, fazer-se trocas em feiras de livros usados ou comprar mais barato nos sebos, pois eles estarão desatualizados.
Considerando-se que a mudança é pouca, reduzindo-se quase que apenas à mudança de acentos e sinais e supressão deles, o gasto que isso reflete na republicação de obras didáticas, dicionários e gramáticas e o aumento do custo na edição de obras literárias, pois o trabalho de revisão será muito maior, não parece valer muito a pena para o consumidor final, o leitor, o estudante, o cidadão comum, que é quem vai pagar a conta, na verdade. Como sempre.
As gráficas e editoras, sim, tem tudo para comemorar, pois vão ter muito mais trabalho nos próximos anos. O MEC já determinou que as obras do Plano Nacional do Livro Didático estejam de conformidade com as novas normas a partir de 2010. Assim, todos os livros didáticos que serão comprados para as escolas públicas deverão estar em consonância com as novas normas ortográficas da Língua Portuguesa. O MEC autorizou, também, as editoras a fazerem essa adaptação a partir de 2009, apesar de ainda não ser obrigatória.

AS MUDANÇAS NO BRASIL

Tem circulado pela Internet uma tabela relacionando as mudanças do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Se é oficial, não conseguimos apurar, pois não tem procedência. Mas transcrevemos alguma coisa do documento, para conhecimento: - Não existe mais o trema na língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano. Acentuação: Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas. Exemplos: assembleia, ideia, panaceia, paranoia, jiboia, heroico. Obs: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, anéis. Obs2: o acento no ditongo aberto ‘eu’ continua: chapéu, céu, ilhéu. - O hiato ‘oo’ não é mais acentuado. Ex.: enjoo, voo, perdoo. - O hiato ‘ee’ não é mais acentuado. Ex: creem, leem, veem, descreem. - Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas. Ex.: para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo). - Não se acentua mais a letra ‘u’ nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de ‘g’ ou ‘q’ e antes de ‘e’ ou ‘i’ (gue, que, gui, qui). Ex.: averigue, enxague, enxaguemos. - Não se acentua mais ‘i’ e ‘u’ tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo. Ex.: baiuca, feiura. Hífen: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por ‘r’ ou ‘s’, sendo que essas devem ser dobradas. Ex.: antessala, autorretrato, antissocial, antirrugas, autorregulamentação, contrassenha, ultrassonografia, suprarrenal. Obs: em prefixos terminados por ‘r’, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, inter-racial, inter-relação, super-racional, etc.

- O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal. Ex.: autoafirmação, autoajuda, autoescola, contraindicação, contraordem, extraoficial, infraestrutura, intraocular, neoimperialista, semiautomático.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc. Obs2: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por ‘h’: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.
- Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal. Ex.: anti-inflamatório, anti-inflacionário, arqui-inimigo, micro-ondas, micro-ônibus.
Obs: esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen.
- Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu a noção de composição. Ex.: mandachuva, paraquedas, paralama, parabrisa.
Obs: o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constiui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi, etc.
O uso de hífen permanece: Em palavras formadas por prefixos ‘ex’, ‘vice’, ‘soto’. Ex.: ex-marido, vice-presidente, soto-mestre.
- Em palavras formadas por prefixos ‘circum’ e ‘pan’ + palavras. Ex.: pan-americano, circum-navegação.
- Em palavras formadas com prefixos ‘pré’, ‘pró’ e ‘pós’ + palavras que tem significado próprio. Ex.: pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação.
- Em palavras formadas pelas palavras ‘além’, ‘aquém’, ‘recém’, ‘sem’.Ex.: além-mar, recém-nascidos, recém-casados, sem-teto.
Não existe mais Hífen: Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais). Ex.: cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel.
Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa.

 

TEU SORRISO

Luiz Carlos Amorim

Teu sorriso é primavera
Que se espalha por teu rosto
E sorri a tua boca
E sorri o teu olhar
E sorri teu coração
E sorri a tua alma...

 

EU E OS LIVROS

Por Mary Bastian

Quase toda a minha vida fui bibliotecária. Até quando pequena selecionava os livros de estórias e os gibis e organizava tudo no meu quarto. Apesar de aposentada, ainda sou e serei sempre bibliotecária. Pra mim, um livro não é só um livro, é uma coisa viva. Não pego nele, simplesmente o abraço. Não passo suas folhas, as acaricio. Jamais dobro um livro ao contrário, muito menos o canto da folha pra marcar onde parei a leitura.
Antes de começar a ler o texto, faço por prazer, a leitura técnica, leio tudo que ele me informa, orelhas, prefácio, sumário, índice, dedicatória, biografia do autor, tudo. E não é por ser bibliotecária, é um hábito que vem de longe, da infância. Queria saber tudo, de que tratava o livro e que outros tinha aquele autor escrito.
Monteiro Lobato fez a minha felicidade e Emília era minha personagem favorita com toda sua malcriação e esperteza. Perdi o número de livros que dei como presente aos afilhados, aos amigos, filhos e agora às netas.
Acho que o primeiro livro que minha mãe leu pra mim foi o “Patinho Feio”. Fiquei e ainda fico com muita pena do bichinho discriminado. O incentivo à leitura, foi o maior presente que meus pais me deram.
Um livro pra mim é tão importante quanto uma boa refeição e tão gostoso quanto tomar um sorvete, tão divertido quanto uma excursão com amigos.
Ainda tenho o primeiro livro que ganhei, foi minha avó materna quem mandou encadernar uns fascículos semanais de estórias antes de nascer a primeira neta, eu. São estórias fascinantes.
Por estes sentimentos é que sei que escolhi as profissões certas, bibliotecária e escritora, com muito prazer. A avó lia e guardava tudo que achava interessante. Minha mãe era fã de jornais, biografias, e da “Seleções”.
As minhas netas “lêem” desde o tempo em que levavam o livrinho de plástico para a banheira e a mãe delas mostrava as figura.
O livro é uma coisa maravilhosa, é um companheiro silencioso que está sempre a nossa disposição. Devemos cuidar dele com carinho, mesmo que já o tenhamos lido. Quem sabe numa outra ocasião nos dê vontade de passar aquela estória outra vez, com outros olhos, outra cabeça, e aí vai se ver o que não se viu na primeira leitura. Pensem nisto, não é verdade?

 

HOMEM DO SAMBAQUI

Else Sant´Anna Brum

Ao longo da costa,
Ao longo dos rios,
Deixaste teus rastros
De tantas maneiras
Que ao contemplá-los,
Me surpreendi.
Removendo as conchas,
Os restos, os ossos,
Até pude ver-te
Caçando, pescando,
Montando as fogueiras
E então descobri:
Aquilo que vemos
Ao longo dos rios,
E que conhecemos
Como “sambaqui”,
São marcas na História
Retratos de ti!

 

LEMBRANDO PÁSSAROS

Por Jurandir Schmidt

A saudade voltou. Abro aquela caixa de lembranças que estava esquecida ou ignorada em algum lugar, dela saindo pássaros descolorados pelo tempo e enaltecidos pela fotogenia imaginativa.
Não é uma caixa de aprisionamento, mas uma caixa de coisas que aconteceram e que de uma maneira ou outra, foram registradas e agora retornam agregadas ao progresso evolutivo.
Mesmo não sabendo se as lembranças se adaptam ao modernismo atual, arrisco estar adequado às coisas da natureza.
Lembro do pássaro que chegou ao quintal pela porta do anoitecer e se foi antes que o sol despertasse. Dele ficou o cantar mavioso, pois não consegui desvendar suas cores. Deve estar ainda esvoaçando campos e pradarias, sentindo a liberdade a cada soprar do vento. Tomara que não esteja agrilhoado e com marcas de tirania.
Lembro do pássaro que esvoaçava na bonança do espaço após cada temporal, confundindo-se com as cores do arco-íris. Não sei onde terminou o seu caminho e sempre que chove, fico esperançoso que retorne sorvendo todas as cores do espaço. Tomara que não tenha se tornado parte do arco-íris.
Lembro do pássaro na romãzeira disputando as sementes nutritivas, entre bicados e pisoteados nos galhos arreados de tanta agitação. Não sei onde realiza seu banquete para sustento e vida. Tomara que continue sendo em alguma árvore frutífera ainda preservada sob o céu azul da liberdade.
Lembro da ave sustentada pela vitória-régia em límpidas águas, que eram ondeadas pelo vento e vagueava a planta com seu emplumado carona. Não sei em que outras águas seu lazer é garantido. Tomara que seja entre as formas verdes da natureza e que não esteja sofrendo por ser colorido e canoro.
Lembro de todas estas coisas e sinto uma imensa felicidade por ter, como prêmio, estas encantadoras figuras. São pássaros que retornam e que se transportam pela saudade, iluminando meus sonhos com suas cores e sonorizando com seu cantar.
Eles são tudo e muito mais. Pena que na minha insignificância não possa ser um pouco de tudo que são. Se pudesse ser, estaria ligado eternamente a eles.

 

NÃO FOSSEM OS SONHOS

Cissa de Oliveria

As estrela são bolhas de sabão do céu
cristalizadas nos sonhos que a gente
não sabe que tem

não acorde os sonhos com o barulho
das máquinas erguendo casas
por onde abrigá-los

deixe-os quarando ao vento
sob a sua poeira líquida
de anil inocência

e liberte-os ao sol derretido
entre as águas límpidas
de um rio

- não fossem os sonhos
não haveria estrelas no mar

 

O FUTURO DO LIVRO
ou O LIVRO IMPRESSO X LIVRO DIGITAL

Por Luiz Carlos Amorim

As novas tecnologias de comunicação estão transformando com assustadora rapidez o modo de vida do ser humano. Com o boom da informática, lá pelo início dos anos 90, sentenciou-se o fim do livro como suporte tradicional para qualquer publicação de obra literária ou não. Apostava-se nos livros virtuais, textos digitais para ler na tela do computador. Eu me manifestei descrente dessa previsão e não fiquei sozinho nisso. Primeiro, porque o avanço da informática a produzir recursos cada vez mais completos e indispensáveis para a produção de impressos, facilitava cada vez mais a edição de livros, revistas e jornais. Segundo, porque o monitor do computador, com tubo de imagem que emitia brilho e radiação excessivos, não permitia que o ser humano lesse nele textos extensos, como as volumosas páginas de um romance. Os olhos do homem não foram feitos para visualizar por tanto tempo uma superfície emitindo brilho continuamente, com o risco de comprometer seriamente a visão. E os e-books, então, não vingaram.
Mas no início do novo século os monitores de LCD, que não emitem tanto brilho nem radiação, se popularizaram e novos suportes para a leitura de textos digitais apareceram, como o E-book Reader, aparelho do tamanho de um livro, de tela fosca, que não emite luz e imita uma folha de papel para se ler livros eletrônicos; como o Celular, que já tem arquivos de textos (livros) apropriados para ele; como os computadores de mão (Palmtops), que lêem os e-books que também podem ser lidos no computador tradicional (desktop) e no notebook. E por aí afora.
Então, apesar de não acreditar que o livro impresso em papel vá acabar, sei que já existe uma pequena legião de leitores que lêem e-books. Até eu me surpreendi lendo dois ou três livros, um de 345 páginas, na tela do meu notebook, recentemente, ao receber a nova obra de alguns amigos escritores em PDF, antes de o livro sair.
Não acredito no fim dos livros tradicionais, nem na popularização a curto prazo do e-book, mas já admito que a leitura de textos digitais em novos suportes é uma possibilidade. É o futuro chegando, o progresso da tecnologia mudando hábitos e costumes.

 

 

INDAGAÇÃO

Lorreine Beatrice

Com que olhos vês o futuro?
Se enxergares tristeza
É porque em teus olhos
Moram lírios solitários.
Planta tulipas
E que sejam coloridas as tulipas
Para que tua vida
Repouse na mais serena alegria
E teus olhos nunca
Cantem em vão.

 

CASAMENTO POR AMOR

Conto de Enéas Athanázio

Afazendada para as bandas da Picada do Canoas, onde geria com mão de ferro os campos inçados de guamirim e caraguatá, semeados de cupins bem altos, de pequena propriedade herdada dos pais, Nhãnhã Botina assim se tornou conhecida pelos resmungos que emitia quando concordava com alguma coisa: nhãnhã, nhãnhã! Apesar da vida pobre que levava, impava-se de orgulho e humana vaidade por uma razão que enchia sua alma: a filha mais velha, moça sem grandes atrativos, estava casada com Osmânio das Neves, um dos homens mais ricos da região, cujos teres constavam de terras, pinheiros, gado, dinheirama posta a juros e... heranças sem fim. É que se dizia, ainda que pelas costas, que ele não conseguia empobrecer e quando os maus negócios indicavam que ficaria à míngua, morria algum parente e uma bolada de herança vinha sem esforço às suas mãos. Verdade ou lenda, o fato é que vivia em constantes trapalhadas, limitando-se a mal administrar suas coisas e jamais trabalhava. Dedicava à sogra um tratamento especial, regado a mimos e gentilezas, inclusive porque sabia com quem lidava.
Nhãnhã, enquanto isso, desfrutava da fama de má e desinformada. Corriam histórias a seu respeito, umas cabeludas, outras engraçadas. Dizia-se que, numa roda onde se falava sobre a África, ela teria perguntado a um dos presentes: “Doutor, elefante cóme gente?” Por outro lado, quando alguém desagradava pessoa da família, seu conselho se repetia: “Mande matá, meu fio! Mande matá!” Diante disso, a distância se recomendava e vizinhos precavidos evitavam maiores contatos com a matrona.
Mas vai que um dia a filha adoeceu, os tratamentos foram inúteis, e Osmânio se viu viúvo. Nhãnhã sentiu fundo o duro golpe, não só pela perda da filha mas também pela fortuna que se afastava. Gemeu tristezas, repetiu recriminações, talvez até chorasse em algum canto. Mas o tempo foi passando e chegou a solerte notícia de que o ex-genro estava de namoricos com moça bonita, de família rival e muito rica. Nhãnhã ferveu: como se atrevia o miserável, como poderia fazer aquilo? Ruminou em silêncio e decidiu intimar o ex-genro à sua presença. Ressabiado, ele compareceu e tiveram secreta conferência a portas fechadas. Desde esse fatídico dia, ele começou a sofrer perseguições e até foi vítima de tocaia quando cruzava a Picada do Canoas, lugar onde eram freqüentes, escapando das balas por puro milagre dos céus.. Percebeu ali o dedo de Nhãnhã, odienta e vingativa, e mesmo redobrando cuidados aprazou novo encontro com ela. Foi então que correu a notícia de seu noivado com a outra filha da fazendeira, a mais nova, e com ela acabou se casando numa festa de arromba que teve a presença de todo o vizindário e Nhãnhã se exibindo em trajes de luxo, impávida e faceira. Tudo se arranjou em família, a paz voltou a reinar.
Terminada a festa, um dos presentes comentou: “Esse foi um verdadeiro casamento por amor!” E completou: “Por amor ao próprio couro!”

 

 

MEU FILHO

Célia Biscaia Veiga

Hoje meu filho deu sinal de vida
Pela primeira vez eu o senti mexer...
É algo que não dá pra descrever
A sensação mais linda de ser vivida.

Sentir que este pequenino ser
Vai tendo sua forma definida.
Esta criança sabe que é querida,
E por isso se mexe com prazer.

Esta maravilhosa sensação
Que invadiu-me inteiro o coração,
Emocionou-me do princípio ao fim.

Porque não existe maior ventura
Que viver esse instante de ternura:
Meu filho brincando dentro de mim!

 

A PROPOSTA CURRICULAR DE SC
E A LITERATURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim

Uma coisa pela qual os escritores catarinenses vêm lutando há muito tempo é a parceria do Estado no que diz respeito à distribuição de suas obras às bibliotecas municipais catarinenses. Em congressos, encontros, seminários e reuniões de escritores já foram tiradas inúmeras cartas reivindicando a compra de livros de autores da terra para entrega às bibliotecas. Ou a publicação dos mesmos, depois de feita uma boa seleção, pois dono da edição, o Estado poderia esparramá-los por bibliotecas municipais e escolares de toda a Santa e bela Catarina.
A Lei Grando, que na verdade é a lei nº 8.759, criada em julho de 1992 e regulamentada em 96, e que regula a obrigatoriedade do Estado em adquirir e distribuir às bibliotecas públicas municipais, anualmente, 22 livros publicados por autores de Santa Catarina, teve promessa da atual diretora da Fundação Catarinense de Cultura de fazê-la valer. Ela garantiu que já tem a verba para isso.
Com a promessa de fazer com que a lei seja cumprida ainda este ano, deveremos ter algumas obras de escritores da terra chegando às bibliotecas em 2009. Esperamos que isso se concretize.
Ao tomar conhecimento de trecho da Proposta Curricular de Santa Catarina, através de uma monografia de Lílian Becher Camargo, intitulada “Divulgação das Obras e Autores Catarinenses nas Escolas”, publicada no livro “Escritores Catarinenses e o Grupo Literário A ILHA”, fiquei um tanto preocupado.
A Proposta Curricular de 1998 sugere aos professores do estado o incentivo à leitura de obras escritas aqui no estado: “A Literatura Catarinense dispõe de excelentes obras e pode-se através da leitura das mesmas, realizar o estudo dos gêneros literários. (...) São inúmeros os bons contistas, romancistas catarinenses e escritores infanto-juvenis.” (p.51) (Só existe contista, romancista e autor de literatura infanto-juvenil em Santa Catarina?) “O estudo da Literatura catarinense deve ser contemplado em nossas escolas buscando conhecer as obras mais perto de nós, sejam produções estaduais, regionais ou locais. Há que se estimular esse estudo nas escolas, sob pena de deixarmos de lado uma fatia do conhecimento de Literatura”. (p. 52)
Como diz Lílian Becher, em sua monografia, “a própria proposta só menciona a literatura e os autores catarinenses na última parte do seu texto e, ainda assim, de forma lacônica.”
O problema é que o que transcrevemos está na Proposta Curricular/SC de 1998, e já existe uma mais recente, de 2005, que eu fui ler para ver se o assunto era contemplado com mais profundidade. E fiquei pasmo ao constatar, depois de ler as 192 páginas do documento, que nessa nova edição o assunto nem sequer é mencionado.
A proposta curricular é um documento que deveria instruir de forma firme e categórica o estudo dos autores catarinenses de todas as regiões, da genuína literatura catarinense, deixa de abordar o assunto superficialmente para nem sequer lembrá-lo na sua edição “revista” de 2005.
Lamentável.

 

RODA VIVA

Aracely Braz

De mansinho, o espinho invade
A rosa suave, beleza ostensiva.
Enquanto ela seduz com seu perfume
Ele zela, enciumado,
Pelo amor, sua majestade.
Da história “Rainha Flor”
Tomo lição pro caminho,
Com eles no meu compasso.
Curto a rosa do presente,
No passado deixo o espinho.
As matas, o luar, a flor
Marés em refluxo brando,
Rios entre pedras a rolar
Unem-se à misteriosa roda-viva
E eu com ela prossigo a sonhar.

 

FÁBULA DE CÃO E DE SAPO

Conto de Nuno Rebocho
(Cabo Verde)

Mal o sol rompeu, ergueu-se o cão. Aspirou profundamente o ar fresco, abanou a cauda, se acocorou nas patas de trás e ladrou. Depois, corresposta ao apelo da brisa, vadiou a quinta em rompantes. Assustou a pardalada. Agitou o galinheiro. Despertou os coelhos. O lobo de alsácia era - ficava evidente - dono e senhor. O ladrar afugentava, o vulto amedrontava, o correr aterrorizava.
Diariamente, o sol nascia e tudo que voava se aprontava para bater a asa às arremetidas do bicho. Tudo que tinha pernas se aprestava a fugir às ofensivas do canino. O animal, apreciado o sabor amplo do poder, saltava, trotava, latia às nuvens. E resfolegava.
O lobo de alsácia se impunha. Apenas a quem lhe dava a comida e o acorrentava ele obedecia. Então se agachava, lhe lambendo as mãos. A outros, desconhecidos ou no porte inferiores, era demo.
Ora, naquela madrugada, o cão - na praxe de rei no quintal - uma vez mais arremeteu. E correu. Outra vez saltou. E assustou. E, triunfante do garbo e da presença, reladrou. Silêncio amachucado, arrepiado, se fez na herdade. Nem vivalma se revelava, acoitada onde pudesse.
De súbito, insólito de impossível, um coaxar irrompeu detrás de um montículo. O bicho estancou, incréu. Espetou orelhas se certificando do que ouvia. O coaxar se repetiu. Entesou o rabo, farejou. Atento, pata adiante, pata atrás, ginasticado, avançou. A espreitar.
Para lá do monte, um charco. E ali, descuidado, se entretinha um sapo em brincadeiras na água estagnada. Indiferente a terrores, mirou o cãzarrão. Este aproximou-se. Fez-se o batráquio mais pequeno, mas permaneceu atascado, quieto e tímido.
- Xó, não me ouviste? Atreves-te a ficar, me desafiando? - falou com voz de baixo. Mas o sapo, amedrontado, não achou resposta que não sumido coaxo: croac.
O cão o recebeu no focinho, como ofensa. Se irritado estava, mais ficou. Abriu a bocarra de dentes pontiagudos para o tomar entre as maxilas. O desgraçado não soube o que fazer. No pânico, prestes a se despedir da vida, coitado, se urinou.
Foi um esguicho salino e breve o que se entornou pelos olhos do inimigo. Suportando com dor o acre da urina, o cão deu de cego. De rabo entre as pernas, ganindo, ganindo, o lobo da alsácia se pôs em corrida de encontrões às árvores.
Inesperadamente salvo, o sapo respirou fundo e comentou para os seus botões:
- Xiça. Olha se eu não tivesse medo...

 

É PRECISO AMAR A NATUREZA

Joel Rogério Furtado

Para sobreviver neste planeta
é muito urgente amar a natureza.
Urge ouvirmos o som da clarineta
da paz, do amor, com a maior certeza.
O homem será feliz se for amante
das árvores, do verde e das flores.
Cabe-nos vigiar, sempre, não só durante
a jornada nos derradeiros estertores.
Muita água vai rolar na natureza.
Dos estuários dos rios... oh! Que beleza...
o mistério revelado em nossa vida.
O clima de amor em nós já permanece
e é bom saber: será como uma prece
pelos caminhos sendo repetida.

 

ÁRVORES DE POMBOS

Por Urda Alice Klueger

Não longe da minha casa, antes de um ribeirozinho que corre, onde há um certo vazio no alinhamento da rua, alguém, algum dia, plantou algumas árvores. Penso em quem as plantou e quando foi isso, pois as árvores já são adultas, antigas, decerto que mais velhas que eu, pois desde que me lembro elas estão ali e são assim. Uma vez ouvi falar de um estranho marinheiro de cabelos vermelhos que plantou aquelas mudinhas ali, em outros tempos; noutra vez, me disseram que era um alemão, um estudioso de plantas, que passou por aqui e aqui deixou aquela lembrança.
O fato é que aquelas árvores são únicas – em nenhum morro nem em nenhuma vargem de todas as redondezas há algo parecido. São árvores grandes e galhudas, que ficam desprovidas de folhas conforme o outono se adianta, e que explodem em flores lá pelo final do inverno. E as flores, ah! as flores! São diferentes de todas as flores que a gente conhece, abrem-se em fascinantes corolas brancas, cor-de-rosa, lilás, e nem parecem ser de verdade, de tão lindas! Cada árvore tem as flores de uma cor diferente, e elas não parecem reais, mas feitas de cera por habilidosa mão, como há flores de cera na igrejinha, frente à imagem do Menino Jesus.
Eu gosto muito de pensar que no dia em que o meu Marinheiro voltar será primavera, e que nos casaremos tendo eu na cabeça uma coroa feita com as flores daquelas árvores. Mesmo o tempo tendo passado e a minha primavera já ter fugido há muito, serão lindas aquelas flores numa coroa de noiva, e talvez só elas consigam expressar o que me vai no coração.
Já pensei tantas vezes tal coisa que aquele lugar ali nas proximidades daquelas árvores se tornou um dos meus favoritos para pensar no meu Marinheiro que está tão longe! Gosto de, nos finais de tarde, sentar-me um pouquinho longe delas, sobre uma pedra branca que há por ali, e olhá-las com os olhos do amor, tão lindas e coloridas contra a cor baça que os morros têm, mais adiante, quando chega esse tempo em que as árvores florescem. Fica lindo, aquele branco, rosa e lilás contra a cor de nostalgia de uma certa névoa que recobre os morros e o mundo, nesse tempo misterioso em que a primavera se faz anunciar.
Não é hora, porém, ainda, das misteriosas árvores florescerem – o frio do inverno enregela os nossos pés e deixa azuis as nossas mãos não protegidas, e os homens que pescam de arrasto usam seus gibões de lã de carneiro sobre as outras roupas, enquanto afrontam as ondas frias com as pernas desnudas, na sua faina anual da safra de tainhas. Não é tempo de se esperar pelas flores, agora – é tempo mais certo para se acocorar nos ranchos de espera e vigiar as mantas de tainha ao largo.
Então, ontem, no diáfano mistério azulado da tarde, depois de ter ajudado a escalar cestos e cestos com a tainha do arrasto, saí a caminhar pela praia sem outra pretensão além de sentir no peito a grandiosidade deste meu amor que tem atravessado os anos e o espaço, deste meu amor que tudo faria para voar pelos céus e ir ver, por um segundo que fosse, a face do meu amor que deve estar envelhecendo como a minha – deste amor que dá o sentido para a minha vida.
Banhara-me após escalar os peixes, e vestira o meu engomado vestido cor de cinza, aquele mesmo que usava no dia em que o meu amor partiu, e vinha pela praia quase sem sentir os meus pés, ou o ato de caminhar... quando vi coisas tremeluzindo e se mexendo naquelas árvores que deveriam estar nuas, naquelas misteriosas árvores que um homem misterioso, um dia, trouxe de algum lugar do outro lado do mar.
Já estariam a florescer, aquelas árvores, e então já teria se cumprido mais um ano da minha espera, ou estava eu enganada? Apressei o passo, curiosa e ansiosa: se já fossem as flores, quiçá estivessem elas a anunciar que era tempo de entrar na baía aquele navio que eu imaginava tão distante, e talvez eu viesse, mesmo, a me casar com uma coroa como aquela que sonhava?
Não eram as flores, no entanto. Em poucos passos as imagens clarearam, e então pude ver que o que estava causando a ilusão era um grande bando de pombos pousado ali!
Se o meu Marinheiro chegar agora, irei casar-me com uma coroa feita de pombos brancos, cinzentos e pretos. Não fará muita diferença, no entanto. Ele há de entender que o que conta é o que existe dentro do coração.

 

POETA

Luiz Carlos Amorim

Sou poeta,
amante, amado,
Sou mais que eu,
simplesmente.
Sou tantas vidas a um tempo,
Dentro e fora de mim,
Que me divido
em mais eus...

 

"DÁS UM BANHO, MEU JOVEM!"

Por Maria de Fátima Barreto Michels

Enquanto o carro corria pela Mauro Ramos ele começou a falar:
”A senhora tá vendo? Este é o templo do Macedo, o homem tem bala na agulha!
Não, por favor, não se ofenda caso seja esta a sua religião!”
- Ora não se preocupe, não é a minha religião e Jesus não veio para os donos dos palácios. O senhor sabe onde fica o Museu da Universidade Federal?
”É pra já que consigo descobrir, a turma são tudo meus amigos, quer ver?
”Ô meu jovem (falou ele ao rádio), pegamos a Beira Mar; qual é a entrada pra ir no Museu da Universidade? Sim, sei, sim... lá na Carvoeira...certo... certo!
Obrigada, meu querido! Dás um banho, meu jovem!” - “Eles me adoram!”
O motorista nascido em Coqueiros já passara dos 70 anos, mas o entusiasmo era de um moço e a alegria a de um menino. Olhando a paisagem comecei a cantarolar baixinho e ele logo observou: “ Adorei a senhora! Está cantando, está feliz, né?”
- Ora , ora, até nem notei que eu estava cantando, mas é que quando não sou eu quem está ao volante acho a cidade mais bonita. Gosto de apreciar o movimento, assim, numa tarde de sol.
”Adorei a senhora! E se desejar, posso esperar para trazer de volta!”
- Sim, claro que desejo, Seu...
”Valdir!”
- Ah sim, Seu Valdir, obrigada!
Ao me receber, o historiador e fotógrafo Joi Clétison, do Núcleo de Estudos Açorianos da UFSC, além de oferecer uma bela aula de história, colocou-me a par do evento que o NEA está preparando para festejar nos 260 anos da chegada dos açorianos.
O COLÓQUIO com excelente programação, ocorrerá de 15 a 17 de setembro na Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina.
Lá entrevistei esse grande conhecedor da açorianidade, Joi Cletison, homem sempre presente na organização da festa chamada AÇOR, que acontece anualmente, e já com 14 edições realizadas.
A próxima festa do AÇOR será em novembro na cidade de Itajaí, que sediou a primeira.
Já no carro notei que Seu Valdir dera a partida com o taxímetro desativado.
”Conforme combinei com a senhora o preço será o mesmo da vinda, mas voltaremos por outro caminho, quero lhe mostrar um castelo”.
Aquele senhor falante havia feito a gentileza de me aguardar enquanto eu me detivera no Núcleo de Estudos Açorianos, entrevistando o historiador. Fiz de conta que eu jamais passara por aquele entorno ao morro e o alegre taxista continuava a conversa, dizia que se acertasse na loteria compraria aquele castelo para vir morar ali com a mulher. Segundo ele, a esposa andava um pouco adoentada, mas levaria um presentinho para lhe agradar e ela, provavelmente, retribuiria preparando os charutos de couve com carne moída que ele muito apreciava.
Lá pertinho do tal castelo ele olhava para trás, me olhava e dizia:
”Veja , veja que belezinha, quando moço eu vinha muito aí com meu tio, que era amigo do senador, o dono da casa... e senhora sabe qual é o encanto?”
-Qual seu Valdir? Qual é o encanto?
”Senhora, dali ... dali da porta... se sai pro mar...”
A curva fechada logo adiante tirou nossos olhos do castelinho de pedra ... de cuja porta da varanda, presumi, se saía para o mar...
O mar salgado, de Fernando Pessoa ... quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!
O taxista sonhador, tão menino nos seus 70 anos, o mestre historiador lá da UFSC, tão sábio sobre coisas açorianas, o castelinho na curva do Saco dos Limões ...
Tudo fica tão bonito quando os meninos amam o mar! Naquela tarde na ilha de S C eu poderia gritar para aqueles dois homens tão gentis: “Dás um banho, meu jovem!” Quem gritou foi Seu Valdir, ao deixar-me de volta no Largo Benjamim Constant: “Adorei a senhora, beijão, heim ! Beijão!”

 

PROTEÇÃO

Apolônia Gastaldi

Vesti minha alma
Com armadura
Capacete
Escudo
Tudo
Numa couraça
Blindei meu coração
Fechei todas as portas
Mil vezes disse não
Sem prever
Um turbilhão de sonhos
Invadiu meu cerco
Inundou
Fez-me desejo
Estremeci
Caíram os meus muros
Muros de lata
Fui lata
Amei
Vibrei
Sofri
Hoje procuro a couraça
Escudo
Tudo
Clausura
Quero navegar solidão.

"SAMBAQUI", NOVO LIVRO DE URDA

Foi lançado, em agosto, em Blumenau, Florianópolis e outras cidades, o novo livro “Sambaqui”, de Urda Alice Klueger
O romance de Urda, SAMBAQUI, é baseado em pesquisas histórico-arqueológicas, sob a orientação da professora doutora Elizabete Tamanini, com prefácio da mesma, mapa, foto de objeto sambaquiano, de autoria de Charles Steuck, posfácios de Júlio de Queiroz, da Academia Catarinense de Letras, e do professor e historiador José Roberto Severino. É um romance que traz notas de rodapé e informa ampla bibliografia usada pela autora. A esmerada capa é de Johnny Kamigashima.

 

SILÊNCIO

Wilson Gelbcke

Palavras escritas,
palavras ditas...
Palavras escritas,
mesmo ponderadas,
quando arrancadas,
acabam esquecidas.
Palavras ditas, não...
Ficam para sempre
gravadas no coração.
Palavras escritas,
em sua sabedoria,
são ditas em silêncio.

80 ANOS DE POESIA DE MARIO QUINTANA

Saiu o livro "80 ANOS DE POESIA DE MARIO QUINTANA", antologia que traz amostragem cronológica e abrangente de vasta obra do poeta.
O livro abrange os 80 anos de atividade poética de Quintana, portanto, seus principais livros: A rua dos Cataventos (1940), Baú de espantos (1986), Sapato florido (1948), Espelho mágico, O aprendiz de feiticeiro (1950) Caderno H (1945-1973), Apontamentos de história sobrenatural (1976) e Nova antologia poética (1981-1985). A elucidativa apresentação de Maria do Carmo Campos, intitulada "Quintana, a aventura da poesia", leva seu título ao pé da letra, comentando, em ordem cronológica, cada volume representado na antologia - logo, toda a aventura poética de Quintana.

 

SAUDADE

Luiz Carlos Amorim


Ah, essa saudade vadia...
Invade o meu coração
E mata todas as flores
Que desabrocharam em mim...

 

FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE E DE FLORIANÓPOLIS


O Grupo Literário A ILHA estará participando, também este ano, da Feira do Livro de Porto Alegre, através da Câmara Catarinense do Livro, levando a revista Mirandum, da Confraria de Quintana, o livro Saudades de Quintana e o Suplemento Literário A ILHA, além de um Varal de Poesia. A Feira do Livro de Florianópolis de final de ano ainda não tem data marcada, mas acreditamos que aconteça em dezembro. Estaremos lá.

 

PARA TODOS OS NOSSOS AMANHÃS

Sylvie Reff (França)

O que já se viu
que não pertence à vida?
Já viu alguma coisa
que não é nem âmbar nem cavalo,
suas pérolas e perdas,
seus presentes de valor
e suas febres musgosas,
o cavalete do torturador,
suas tormentas, suas rosas,
suas montanhas de leite,
suas rendas, para não mencionar
suas estrelas ou suas faces.
Porque se nós não somos
acreditados antes de acreditar,
ou não fôssemos cuidados
antes de poder cuidar de ir ao céu,
ou não fôssemos adorados
antes de amarmos
nem mesmo a minúscula coisa
aceitaria ter nascido.

 

ONDE ENCONTRAR

O livro “Borboletas nos Jacatirões”, de Luiz C. Amorim e todos os livros da Hemisfério Sul estão à venda nas seguintes livrarias: Saraiva (inclusive virtual), Curitiba e Catarinense. Central Livros e Rio Centro (Rio do Sul), Convivência, Fapeu, Livros e Livros, Catarainense, Saraiva (Florianópolis), Aladim e Casa Aberta (tajaí), Acadêmica, Alemã, Papelaria Danúbio, Blulivros (Blumenau), Diocesana (Lages), LDV (Indaial), Papelaria Mosimann (Brusque), Cultural (São Leopoldo-RS), Bauhaus (Balneário Camboriu), Midas e Catarinense (Joinville), Nova Objetiva (S. Miguel do Oeste), Origem (Timbó), Grafipel (Jaraguá do Sul), Recanto do Livro (Videira), Refopa Joli (Pomerode), Fátima Art. Esp. (Criciúma), Ponto do Livro (Cruz Alta-RS). Pedidos também para o e-mail hemisferiosul@san.psi.br

 

 

NADA

Teresinka Pereira (USA)

Nada é uma longa espera
no luto que entristece
cada uma das minhas manhãs.
Nada é o regresso
aos emancipados alentos
de liberdade sob palavra.
Nada foi a esperança
nos vãos do tempo,
a febre na língua
e nas entranhas.
Nada é esta mentira
de olhos errantes
e esta chama presa
se acaso chegas
a querer-me.

 


EXPEDIENTE

Suplemento Literário A ILHA - Edição Nº 106 - SETEMBRO/2008 - Ano 27
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
End. para Correspondência:
lc.amorim@ig.com.br - prosapoesiaecia@yahoo.com.br
A ILHA na Internet: Veja o portal PROSA, POESIA & CIA. em
Http://geocities.yahoo.com.br/prosapoesiaecia


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