SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Edição 112 - Março de 2010

 

Capa do Suplemento Literário A ILHA 112 - versão impressa - em pdf

Miolo do Suplemento Literário A ILHA - versão impressa - em pdf

 

EM JUNHO, 30 ANOS DE A ILHA

E cá estamos nós iniciando o ano de 2010, com esta edição de número 112 da revista mais perene da literatura catarinense. 2010, o ano em que o Grupo Literário A ILHA e o Suplemento Literário A ILHA completam 30 (trinta) anos de atividades, de existência e resistência.
Como já dissemos em dezembro, a revista de junho será uma edição especial de aniversário e, além disso, estaremos publicando os primeiros volumes de uma coleção de livros de crônicas de escritores integrantes do Grupo Literário A ILHA, em comemoração ao nosso trigésimo aniversário, a exemplo da coleção de doze volumes de livros de poesia, POESIA VIVA, publicada quando esta revista publicou sem número 100.
Estaremos, antes, em abril, na Feira do Livro de Joinville, já comemorando os trinta anos de atividades, pois foi lá, na Cidade das Flores, que o grupo exerceu suas atividades por mais tempo, cerca de vinte anos.
Continuamos firmes no propósito de divulgar a literatura e dar espaço aos novos.

 

POEMA À INDIFERENÇA DO MUNDO

Harry Wiese

Não sou saprófago nem abutre
e não ouso burlar as leis fúnebres
da mesquinharia humana. Todavia,

aprecio a correção e o caráter determinista.
Na patifaria
humana, as palavras constroem poemas,
ou assassinam metáforas.
Na vasta contemplação do amor,
uso-(as palavras) como instrumento de rigor,
na luta contra a desagregação absoluta.

E o mundo assiste a desgraças e vitórias
resignado e frio na sua essência de mundo. Pasmem,

quanta dor e indiferença!
a paz aparente pregada nos palanques e púlpitos
torna-se conceito de paz,
absoluto e eterno,
sem pudor e constrangimento.

 

 

O CHÁ DOS IMORTAIS

Por Urda Alice Klueger

Desde criança que ouvia falar do famoso chá dos acadêmicos da Academia Brasileira de Letras, mas nunca me imaginei participando de um. Um dia, inclusive, fui eleita e tomei posse na Academia Catarinense de Letras e só então é que vi o quanto as pessoas tinham curiosidade sobre o chá dos imortais. Na ocasião, inúmeras pessoas vieram me perguntar se, a partir daí, eu também iria tomar chá, e tive que desiludi-las: cá por Santa Catarina, a Academia tinha uma série de sessões: Sessão de Posse, Sessão de Saudade, sessões festivas, mas nenhuma cerimônia de chá às quintas-feiras, como o pessoal da Academia Brasileira tem.
Eu teria que continuar a tomar chá de sabugueiro na ocasião das gripes, como sempre fizera, e quando falava isto, via a desilusão no olhar dos que me inquiriam. Assim, fiquei sabendo da importância que as pessoas davam ao famoso chá dos Imortais, da curiosidade que havia a respeito dele. Então, depois do que aconteceu nos últimos dias, achei por bem escrever esta crônica, contando como é, na verdade, o chá dos Imortais.
Faz duas semanas que estive no Rio de Janeiro, junto com os colegas Imortais de Santa Catarina, bons e criativos companheiros, uns amores de pessoas que me dão a impressão de terem o cérebro sempre em ebulição, tal a quantidade de ideias que rola enquanto a gente conversa. Fomos ao Rio a convite da Academia Brasileira de Letras e nosso convívio foi doce e bom: deixou na boca o gosto daqueles dias que depois a gente lembra com saudade. Íamos ser homenageados na Academia Brasileira de Letras, a convite da sua presidente, escritora Nélida Piñon e, na agitação que é a minha vida, não me inteirei muito da agenda a ser cumprida. Já no Rio de Janeiro, nosso presidente, Paschoal Apóstolo Pítsica, foi quem me intimou: amanhã, às três da tarde, na Academia.
Às três da tarde lá estava e com os colegas conheci as dependências daquela instituição tão tradicional na vida brasileira: a Academia funciona num antigo casarão do centro do Rio, lindo, harmonioso, cheio de peças decorativas de alto valor e com uma ampla biblioteca que me encantou. Estão lá todas as obras de todos os imortais, os de agora e os do passado, onde ficamos a bater papo com o simpático bibliotecário. A primeira hora passou num instante e logo Nélida Piñon nos chamava para o chá, o famoso chá, sim senhores, sem mais nem menos, só que não às cinco, mas às quatro da tarde, talvez para fugir um pouco à tradição britânica, à tradição desses britânicos que tanto mal fizeram ao Brasil e a tantos outros pueblos. A sala onde é servido o chá é uma sala ampla e luminosa - poder-se-ia dizer que é como uma grande sala de visitas de uma casa. Diversas mesas estavam requintadamente arrumadas e servidas - dei uma olhada geral para contar para vocês. Alguns acadêmicos muito velhinhos já estavam sentados, um deles tão velhinho que viera numa cadeira de rodas empurrada por uma enfermeira. Fiquei morrendo de pena: não os conhecia, não sabia os seus nomes, não conhecia suas obras. Eram pessoas de um outro tempo, de uma época anterior a minha, não tivera eu a oportunidade de saber o que tinham feito. Era de morrer de pena estar ali e não saber, ter a oportunidade de falar com eles e não saber o que dizer. Conformei-me quando me chamaram para sentar - fiquei numa mesa com gente bem conhecida, com alguns dos meus companheiros daqui de Santa Catarina e encaramos o chá.
Havia um monte de pratos e pratinhos com coisas deliciosas, como bolo de fubá com coco e pasteizinhos, e um garçom prestativo nos servia o chá quentíssimo. Apesar de estar me deliciando com as iguarias, não pude deixar de fazer uma comparação: aquelas coisas ali estavam muito gostosas, mas não chegavam perto das mesas de doces que a minha prima Sofia fazia nos seus aniversários.
Na verdade, eu não estava muito emocionada por estar ali. Estar na Academia Brasileira de Letras era como estar em qualquer outro lugar, até que, de repente, tudo se iluminou: acabava de chegar a grande mestra, a que trouxe a emoção que estava faltando. Rachel de Queiroz adentrou a Academia como se tivesse um halo luminoso, eu tremi e me arrepiei ao conhecê-la pessoalmente. Não é todo dia que se pode conhecer um ídolo! Aí senti que valeu a pena ter ido lá! Aí senti que o chá dos Imortais tem a sua grandeza!

 

 

CONVITE

Mª Fátima Barreto Michels

Respirar bem fundo e sentir outra vez
o cheiro bom que tem o mar.
Perceber
o jeito diferente que tem o astro rei,
a cada manhã, quando ele também
se levanta!
Dia e hora? Façamos nós!
O indispensável? São seus sonhos!
Não se esqueça de trazê-los porque
nas conchinhas vazias os descansaremos.
E naquela mãe d'água,
que vier espraiar-se em minúsculos pedaços,
enxergaremos cristais, mas nossos pés pisarão
distraídos.
Um bocado de sol lá na praia, convido você,
a partilhar comigo!

 

 

65 ANOS SEM MÁRIO DE ANDRADE

Mario de Andrade nasceu em São Paulo e construiu praticamente toda a sua vida na metrópole.
O escritor Mario Raul de Morais Andrade foi considerado unanimidade nacional e reconhecido por críticos como o mais importante intelectual brasileiro do século XX.
Mário de Andrade liderou o movimento modernista no Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do país, participando ativamente da Semana de Arte Moderna de 22
25 de fevereiro de 2010 marcou 65 anos sem Mario de Andrade.

POEMA

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade, Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,

Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...
Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

 

 

DE NOVO O FIM DO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim

O ano de 2009 completou a primeira década deste século. E se olharmos para trás, poderemos ver que este início de século foi um divisor de águas. Não me refiro ao fato de os últimos anos terem sido os anos da violência, da corrupção e da impunidade, do descaso com o meio ambiente e a consequente ira da natureza, traduzida em tempestades, ventos excessivos , inundações e terremotos.
Refiro-me ao boom da tecnologia da informação e da comunicação. Os primeiros anos deste novo século nos deram os celulares multifunção, que fazem de tudo, começando por permitir que se fale com qualquer pessoa em qualquer lugar, passando pela fotografia, pela música, televisão, internet, etc. Foi nessa década que estouraram os sites de relacionamento, como Orkut, Facebook, twiter e outros, estreitando a comunicação entre os internautas. Foi nestes anos que sites como You Tube popularizaram o vídeo na internet e que houve uma revolução na maneira de se ver filmes, seriados e televisão, com a banda larga ficando um pouco mais larga, felizmente. A internet democratizou a distribuição de filmes e as locadoras, como as lojas de CD, ficam cada vez mais obsoletas. A própria televisão se transformou, com a chegada das transmissões digitais, com as novas telas de leds, suplantando as de LCD e plasma, que baixam um pouquinho mais o seu preço, à medida que vendem mais.
E a tecnologia digital está influenciando e revolucionando até a maneira de lermos livros. O e-book, os livros eletrônicos que, apesar de terem sentenciado o fim do livro tradicional já nos anos 90, até aqui não tinham dado certo, estão voltando com força, já que aparelhos como o Kindle, leitor de textos americano que agora também é vendido para o Brasil, apesar de já haver um leitor fabricado aqui na terrinha, estão caindo no gosto de uma pequena parcela de leitores.
E já que o leitor de e-book foi bastante vendido nesse final de ano, volta também o discurso de que o livro impresso, de papel, está com os dias contados. Sei que o avanço do livro eletrônico, da popularização dos leitores de e-books é inevitável, embora a longo prazo, mas vai ser muito difícil acabar com o livro físico, como o conhecemos até hoje. Ele vai existir paralelamente ao livro eletrônico, mesmo que este se torne popular, mesmo que o preço do leitor baixe e mesmo que os arquivos a serem comprados sejam vendidos por um preço muito baixo.
Como dizia uma editora de uma grande casa publicadora de livros, o leitor de textos digitais pode ser uma ótima erramenta para alguns, mas não para outros. Até porque nas últimas semanas foi lançado outro aparelho, que transforma o leitor de livros em um quase computador, com acesso a internet e outras melhorias.
Sempre haverá quem goste do livro de papel, assim como haverá quem goste de ler o que quer que seja em aparelhos como o Kindle.
Uma coisa conviverá com a outra, pacificamente. Uma complementará a outra. Assim como já aconteceu com outras mídias, como a música, o filme, o rádio, etc.

 

 

TRAJETÓRIA

Aracely Braz

É o hino que canto,
Meu preferido,
Longe do pranto.
É a rosa que perfuma
Mesclando o verde da grama,
É luz, é cor, é fantasia
Que me extasia.
É o mágico sorriso
De esperança
Nos lábios de uma criança,
É a suavidade do poeta,
É a inspiração
Em sua linda canção,
É a trajetória na busca iminente
De um louco carente,
É a saudade que a gente tem
Quando dói a lembrança de alguém,
É Deus, que ao mar o abismo deu
Mas nele é que se espelha o céu.

 

 

O POETA E A MÍDIA

Por Enéas Athanázio

As relações entre o escritor, em geral, e o jornalista não costumam ser fáceis. Considerando minha experiência nas entrevistas, fico quase sempre com a impressão de que não foram feitas as perguntas certas, ao passo que o entrevistador deve pensar que não dei as respostas corretas. No caso dos poetas, a situação se agrava porque a linguagem poética parece criar barreiras às vezes insuperáveis. Deve ser por isso que tantos escritores e poetas, no Brasil e no restante do mundo, fogem da imprensa. Alguns chegam ao extremo de nem sequer permitir fotografias, como aconteceu com Nereu Corrêa, nosso crítico maior, de cuja amizade tive a sorte de privar em seus últimos anos de vida. Ele afirmava que os fotógrafos o retratavam sempre de ângulos impróprios, destacando os piores aspectos de sua efígie.
Foi pensando nisso que o Prof. Fábio Lucas, um dos maiores críticos brasileiros da atualidade, se entregou a extensas e estafantes pesquisas para desvendar as relações com a mídia de dois de nossos maiores poetas: Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. O ensaio daí resultante foi objeto do livro "O Poeta e a Mídia", publicado pela Editora Senac São Paulo (2002), para cuja confecção ele mergulhou num mar de entrevistas, reportagens, crônicas, cartas e arquivos relacionados à dupla, além de aspectos biográficos e da obra literária de ambos. O resultado foi um livro denso, fundamentado e esclarecedor, de leitura agradável e útil a todos os admiradores daqueles poetas que tanto marcaram nossa literatura.
Embora jornalistas e poetas usem o mesmo instrumento, - a linguagem, - eles a encaram de formas diversas. Enquanto aqueles empregam as letras para dar notícias ou opiniões, estes as usam para o exercício da criação. "Para o escritor a atividade da escrita é, em grande parcela, de natureza não utilitária, desinteressada. A profissionalização vem em segundo plano" - diz o ensaísta. Lembra o caso do escritor português Miguel Torga, hostil às entrevistas mal elaboradas, e famoso pelos destemperos a que se entregava nessas ocasiões. E daí aponta para Drummond, arredio a entrevistas e reportagens por longos anos. Só depois dos oitenta se tornou mais acessível. Ficava angustiado com a possibilidade de que seu pensamento fosse distorcido e se recusava a falar sobre assuntos que abordava em suas crônicas. Tímido, o poeta "sempre se isolou dos comandos comunitários, embora padecesse de grande curiosidade sobre os eventos circundantes", com suas "características de elevada desconfiança e crescente ceticismo" - escreve o autor.
Quanto a João Cabral, com ele a situação se complicava em face "das obstinações do poeta (idéias fixas) e de seus desvios. Imenso campo de conflitos da razão com as circunstâncias emocionais" - acentua o autor. Imagine-se que o poeta duvidava do valor do que havia escrito depois dos 45 anos, pois "não estou muito certo se já não é arteriosclerose." Diante de tais "oscilações críticas e emotivas", é fácil imaginar seu relacionamento com a mídia, ainda mais sendo autor de uma poesia tão erudita e complexa. Mesmo sendo um dos mais festejados poetas do século, queixava-se com amargor: "Agora, depois que eu saí de moda, ninguém me manda coisa nenhuma, por isso eu não estou a par do que está acontecendo."A dependência econômica do país, dominando os grandes grupos da mídia, tirou dos brasileiros o espaço nos jornais. Neles predomina a literatura importada, em sua maior parte da má qualidade.
O livro, porém, não fica nisso. Aborda inúmeros outros aspectos relacionados aos dois poetas e, como pano de fundo, a vida cultural brasileira. Muito além do proposto no título, ele debate importantes aspectos da teoria e da história literárias, idéias e opiniões, questões de jornalismo cultural, opiniões, atitudes, amores, amizades e reminiscências de ambos os poetas. É, enfim, um livro que informa e abre horizontes. Vale a pena.

 

 

REAÇÃO

Mary Bastian

Te ergue, mulher, e reage
Olha em frente outra vez
Enfrenta dentro do olho
O olhar que te agride
Levanta a cabeça e os ombros
Sacode os pingos da chuva
Grita mais alto, pro alto
E faz ouvirem tua voz.
Não permite que te digam
O quê e como fazer
Mostra que ainda estás viva
Mostra que podes lutar
Te ergue, mulher, e reage
Sacode das costas o fardo
Cria novos horizontes
Não justifica teus atos
Levanta o olhar para o alto
Recebe o sol em teu rosto
Segue em frente, corajosa
Luta pelo que tu queres
E naquilo que acreditas
Te ergue, mulher, e vive
Não permite ser vencida.

 

 

QUER PUBLICAR SEU LIVRO?

Escritores estreantes têm enorme dificuldade para emplacar numa editora. Lançar um livro é um processo penoso, que costuma requerer mais contatos com o círculo editorial que méritos da obra em si. Tanto que, mesmo com o crescimento de 6,4% do mercado de livros brasileiro no ano passado, o número de lançamentos caiu 10%, segundo a Câmara Brasileira do Livro. Mirando nos escritores à margem do mercado, o site Clube De Autores (clubedeautores.com.br) estreia com uma proposta inédita na América Latina, mas que existe há pelo menos dois anos nos Estados Unidos, em sites como lulu.com e blurb.com, e na Europa, como o bubok.com. A publicação é sob demanda, sem limite mínimo. Se um único leitor comprar, uma única edição será impressa. Tudo pode ser publicado, de teses acadêmicas a romances, de troca de correspondências a manifestos. O autor se cadastra no site e inscreve sua obra, que precisa estar em formato A5 e arquivo PDF. Para quem não entendeu patavina, um miniguia no site ajuda na padronização. O autor pode fazer a capa com as combinações de cores e imagens disponíveis ou usar uma capa própria. Assim que coloca o arquivo na internet, o site calcula o número de páginas e o custo total de impressão e distribuição, por um preço bem menor que de publicações convencionais. Por fim, o autor estipula quanto quer receber de direitos autorais por livro vendido, também sem limite de valor. A obra está publicada - e, óbvio, não pode ser lida na internet. Quem comprar recebe o livro impresso em casa. Conforme os livros são vendidos, o autor acumula direitos autorais, depositados em sua conta, e o site lucra com as vendas.
Nota do editor: o valor mínimo para pagamento da comissão ao autor é R$ 300,00. E para o leitor o preço do livro, mas o transporte, fica meio alto.
(Excerto de matéria da revista Época, de 29.05.09)

 

 

CASCA DE PINHEIRO

Clotilde Zingali


não sei nada de árvores
tipos de solos
espécies de pássaros
- também não sei de cascas de árvores
sei que dentro das cascas
e árvores e frutos
tem a pinha no pinheiro
(tem muitas secas lá em casa)
tem monocultura, o papel
e tem o branco do papel
tem a pinha das festas de São João
esse fruto, feito alcachofra, feito poema
- tem pétala, a pétala encravada
Taquicardia lá dentro

 

 

EM MEIO AOS GIRASSÓIS

Por Irene Serra (www.riototal.com.br)

Muito me perguntam o que encontro no interior de São Paulo, que tanto me agrada. Muito simples: o verde! Não há um palmo de terra que não esteja cultivado, cuidado, produzindo.
Saindo da cidade de Pirassununga para São Carlos, esbarramos com laranjais que, se em flor regalam nossos olhos e exalam um perfume único, quando carregados de seus frutos amarelo-laranja nos deixam de pescoço torto a olhar a paisagem que fica para trás.
Se seguimos em direção a Leme, os campos de girassol a perder de vista nos abraçam e, como feiticeiros, não nos deixam querer voltar.
Mas, e a cana de açúcar - os mais desavisados reclamam - que está destruindo as demais plantações? Aí é que está o engano. Os canaviais são, de fato, enormes. Porém, em cada um deles há uma "ilha" de alguma outra agricultura ou de mata virgem. Então, é um espetáculo poder apreciar a cana entremeada de laranjas, limões, bananas, hortas e flores, das mais variadas.
As hortas são indescritíveis. A variação do verde é tanta que é impossível contar as nuances. São quadros a céu aberto, no sobe e desce montanhas.
E, não satisfeita em nos oferecer tanta beleza, a mãe natureza deixa que o gado se refestele nas pastagens, colorindo o verde de pontinhos marrons e brancos, em sua maioria.
É quando dá vontade de deitar na relva e apreciar o céu azul, o brilho do sol, a brisa constante a farfalhar as folhas e saborear a água límpida a escorrer em nossos dedos. Enfim, sentir a vida que emerge aos nossos olhos e em nossos corações.

 

 

AMOR

Teresinka Pereira
(USA)



O amor é o pão
e a água da alma.
É dar a paz
sem nada pedir.
É a mão estendida
sem medir distâncias,
uma fresca primavera
diária,
sorrindo
de uns lábios
aos olhos do outro.

 

A INTUIÇÃO E A TÉCNICA DA ESCRITA

Por Cissa de Oliveira

Ser escritor significa também não nos esquecermos de que estamos inseridos num sistema literário, com regras e leis bem definidas, as quais temos que conhecer, nem que seja para contestá-las. É importante que saibamos a respeito de assuntos práticos, como edição, divulgação, direitos, políticas literárias, agente literário, prêmios, enfim, de todo um sistema de produção. E falando em produção, eu tenho lido a respeito do que se chama "técnicas de construção de textos" e cada vez mais me questionado sobre o papel da intuição. Ou seria mais acertado, na escrita, chamá-la de dom?
No escritor iniciante o que há é muita ausência, mesmo que seja daquela saudável, a dos textos, porque estes estariam ainda na "pontinha dos dedos". No escritor experiente, os textos são resultado do exercício constante, do conhecimento, e, cada vez mais, da leitura. Sim, porque não dá para falar em escrita sem se falar em leitura. O ato da escrita é gêmeo do ato da leitura, e se não é, deveria ser, sob a pena de sucumbirem ambos. É ela quem alarga os horizontes, impõe novas cores e saltos à fantasia e aprofunda o conhecimento. Quem dera ser um gênio, e não conhecendo de fato um determinado meio, construir um romance em torno dele. Depois da vivência, é a leitura o grande carro do questionamento humano.
Mas algumas perguntas relacionadas à "intuição" e à "técnica na escrita" poderiam ser feitas, por mais remotas que pareçam as respostas. Aqui eu faria duas: o ato de compor um texto pode ser atribuído unicamente à intuição ou à sorte? Tema proposto nos cursos de técnicas de construção de textos, o que se poderia chamar de "os elementos naturais da escrita"? Não tenho estas respostas, apenas mais questionamentos.
Escrever nos impõe, antes de tudo, a quebra de alguns tabus culturais, a começar pelo fato de que não se prevê a expressão individual, indiscutível direito do escritor. Que eu saiba, a quebra de tabus não é algo que possa ser ensinado. A fala do escritor ocorre como se num determinado ambiente onde muitos outros conversassem ao mesmo tempo e onde alguns naturalmente já se destacassem por falar mais alto e claro. E essa é a técnica mais sadia e acertada, porque ao mesmo tempo em que ela nos lança ao meio, nos cobra a viagem ao mais profundo de nós.
Tenho lido sobre cursos que se propõem a ensinar técnicas de escrita, discutindo sobre a importância da diversificação no vocabulário, coesão, gramática, originalidade etc. Acho construtivo porque são pontos que contribuem para a riqueza do texto, mas a minha pergunta continua, porque ela está ligada ao nascimento do texto, e de como ocorre o processo criativo até a sua finalização. Que caminhos o autor escolhe? Ele parte de uma idéia maior ou central, e depois constrói os pormenores, os detalhes, de forma que esse texto prenda o leitor, ou que tenha beleza suficiente para releituras? Haveria ali idéias que de tão originais estivessem escondidas nas entrelinhas, quase como se o texto fosse uma lenda? É possível imaginar que por meio de uma seqüência de pequenas idéias que culminassem noutra, até então insuspeita, uma espécie de assombro, se chegasse a um texto com grandes chances de prender ou impressionar fortemente o leitor? Isso se faz apenas por intuição? Tendo a pensar que não. Caberia aí uma outra explicação. Mas também acho que não é um curso de técnica de construção de texto que vai ensinar.
A briga, a nossa briga maior, é mais vasta e solitária, quase como se ela ultrapassasse a questão da intuição: porque antes de alcançarmos o leitor precisamos ultrapassar mesmo é a suposta leveza do papel em branco.

 

 

EXPECTATIVA

Else Sant´Anna Brum


Silêncio!
Na noite,
No mundo,
Na natureza,
No meu coração.

Silêncio!
Tudo é silêncio.
Silêncio de espera
Por tua chegada.

Silêncio!
Não!
Silêncio acabado,
Rumores de passos
De abraços...Chegaste!

 

 

O MUNDO DOS LIVROS E O CARNAVAL

Por Luiz Carlos Amorim

Grata surpresa, neste carnaval, ver o livro, em toda a sua exuberância, presente na folia. A Salgueiro trouxe o livro para a passarela, coisa meio que impossível, pois o livro parecia, até então, não combinar com carnaval.
Pois a Salgueiro trouxe o mundo dos livros, com toda a sua história e trajetória para o Sambódromo, usando um evento tão popular como o carnaval para incentivar o hábito da leitura e mostrar a importância do objeto mágico que tem o poder de transformar o mundo.
O samba-enredo, "Histórias sem fim", fala de realidade e fantasia, arte do saber, cita o livro como "divina criação", fonte de sabedoria e inspiração. Recomenda os clássicos, os romances e aventuras, chamando atenção para a "quanta riqueza no nossa literatura". O desfile mostrou como histórias e personagens mexem com a imaginação da gente e começou contando a história da imprensa com a apresentação de manuscritos, escribas e iluminuras.
Na comissão de frente, a volta à era medieval, quando os livros eram manuscritos. O carro abre alas representou uma gráfica contemporânea com 55 acrobatas da Intrépida Trupe imprimindo movimentos. A divisão dos setores foi feita de acordo com os gêneros literários, compostos de obras representativas e personagens de cada um deles.
Foram apresentados gêneros como romance, clássicos, aventura, ficção, infantil e autoajuda. No gênero infantil, desfilou Monteiro Lobato com Pica-Pau Amarelo, Pequeno Príncipe e Ali Babá e os 40 Ladrões. Dois personagens se destacaram na avenida do samba: a personagem Emília do "Sítio do Pica-Pau Amarelo" e um robô do clássico da ficção científica "Eu, Robô". O desfile terminou com o livro de autoajuda hindu.
Muito bom ver que o carnaval se presta a mostrar que o hábito da leitura é uma coisa importante para a vida de todos nós.

 

 

A LINGUAGEM
DOS PÁSSAROS

Zhang Zhi (Diablo)
China

O grito dos pássaros não pode ser
mais alto do que o céu
O ser humano nunca pode ver
nitidamente pelas suas pupilas
seus ossos e seu sangue
guardados no cimento
já sem poder acordar

Mesmo se eu descrever a pintura
ou mesmo se eu apresentar
meu testemunho ou se segurar
as mãos dos bebês ou vigiar
os filhotes dos tigres
ou mesmo se lermos em voz alta
todos os dias as histórias
na língua dos pássaros.

Quem acreditaria que de repente
as águias começassem a voar
para baixo e as estrelas
perdessem a luz
ou a neve fosse esquentando?

Mas nas noites em que a terra
fica enfeitiçada,
a lua vai de mãos dadas
com os mortos.

 

 

A MÚSICA "A LISTA"

Por Célia Biscaia Veiga

Recebi outro dia uma mensagem com a música "A Lista", do Osvaldo Montenegro. Achei sensacional. Essa é daquelas músicas que, a partir dos 15 anos talvez já dê para levar a pensar, e quando dobra ou triplica ou quadruplica os 15, cada vez mais é interessante.
A música começa falando para fazermos uma lista dos amigos que tínhamos há dez anos atrás e ver quantos deles ainda fazem parte de nossa vida, e segue daí pra frente sobre várias situações que já foram importantes em nossa vida e que nem pensamos mais nelas, e que com essa música faz com que pensemos e façamos uma avaliação.
Só pensando nos amigos que já passaram por nossa vida, quantos foram imprescindíveis em determinados momentos e agora não temos a menor idéia de por onde andam, se ainda estão vivos ou não, o que fizeram de suas vidas, se ainda cruzarão as nossas ...
Aqueles amigos que dividiam os bancos escolares conosco desde as primeiras letras até os últimos anos de estudo, aqueles com quem fizemos trabalhos escolares juntos, que estudamos juntos, que falamos mal dos professores juntos (coisa feia, né...), por onde andam todos eles? Será que temos notícias, será que lembramos de seus nomes, de seus rostos? E também vem a dúvida, quantos ainda lembrarão também de nós?
Através das comunidades do Orkut, podemos encontrar nossos antigos colégios, mas de uma idade em diante, raramente encontramos conhecidos. Às vezes encontramos lembranças comuns, como um professor que marcou época, um lanche específico que era preparado na escola, uma atividade esportiva em que o colégio se destacava por várias gerações de alunos... E aí encontramos lembranças comuns com pessoas que não conhecemos, mas que, como nós, também querem recordar coisas que marcaram sua juventude e não tem com quem, principalmente se já não moram na cidade onde cresceram. Até porque comentar uma lembrança comum não é o mesmo que partilhá-la com alguém que não a viveu, pois muitas vezes algo que era muito engraçado para quem estava lá no momento, não tem graça alguma se for simplesmente contado para quem não estava inserido no contexto.
Por essas e por muitas outras coisas é que ouvir uma música como "A Lista" mexe com o nosso coração. O compositor realmente estava muito inspirado ao escrevê-la, e só tenho a agradecer ao amigo que me enviou a mensagem.

 

 

MENINO QUINTANA

Erna Pidner

Menino Quintana
Pureza e alegria
De sua poesia
Emana.
Arquiteto da palavra
Arrebatador de emoções,
Os versos de sua lavra
Encantam corações!
Vieste em grande missão,
Disso eu tenho certeza
Para falar de verdades
Da vida, da natureza.
O poema mais bonito
Por ti escrito
É a tua trajetória
Que ficou na história
Do povo riograndense
E de todo nosso Brasil
De encantos mil.
Receba o nosso carinho
E a saudade imorredoura
De nós, que aqui ficamos
Sentindo tua partida
E que desejamos
Em tua nova vida
Que faças muito poemas
Junto a Cora Coralina,
A Drummond, a Cruz e Sousa

 

 

GRUPO A ILHA NA FEIRA DO LIVRO DE JOINVILLE

A sétima Feira do Livro de Joinville, edição 2010, acontece de 7 a 17 de abril, na Praça Nereu Ramos.
Nessa edição a Feira do Livro joga luz sobre três questões urgentes e indissociáveis: Cultura, Educação e Meio Ambiente.A leitura não apenas liberta, como dá consciência de liberdade – do cidadão, do indivíduo, do espírito, da imaginação, da subjetividade, das emoções...!
O grupo A ILHA estará presente, com o lançamento dos livros “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas” - crônicas, e “Flexa Dourada” - infantil, de Luiz C. Amorim, no dia 10, as 16 horas.

 

 

A CARIDADE

Orazio Taneli (USA)

Como tantas pérolas
o carisma celeste
caiu em um mar
de lágrimas
e falsos rancores
me privaram do desejo de dar
a minha alma aos pobres
por medo que eu um dia
ficasse como eles.

A cabra continua queimando
o peito magro
para dar leite
ao cabrito ansioso.

O pastor a prende
para dar o leite
a quem não o merece,
ao rico.
Assim a caridade se perde.

 

 

GRUPO A ILHA - 30 ANOS


O Grupo Literário A ILHA, que começou em São Francisco do Sul, migrou para Joinville nos anos 80, permaneceu lá por vinte anos e depois fixou-se em outra ilha, Florianópolis, completa, no próximo mês de junho, trinta anos de atividades em prol da leitura e da literatura. Divulgando a literatura catarinense e brasileira em todo o mundo, o grupo e suas publicações, como esta revista, vem dando espaço aos novos escritores da Santa e bela Catarina e de outros estados do Brasil durante todos esses anos. Integrantes do grupo são hoje nomes importantes da literatura catarinense, representando-a aqui e pelo Brasil. Em junho, além da coleção Letra Viva, de crônicas, estaremos publicando edição especial de aniversário desta revista.

 

 

A INTRANSFERÍVEL TAREFA DOS POETAS

Joel Rogério Furtado

Os poetas haverão de chorar
todas as mágoas do mundo
porque compartem
a obra de Deus.
Ao perceberem o ar
em movimento
os poetas traçarão
o horóscopo das almas
que andam perdidas
penando na ausência
de todos os amores.
Será por isso
que querem tanto?
Será por isso
que sofrem assim?
Será por isso
que entendem melhor o mundo?
Os poetas vivenciam melhor os dias -suportam melhor os embates -
superam mais facilmente os obstáculos
porque vêem com os olhos da alma.
Eis aí porque os poetas serão capazes
De enfrentar e chorar
Todas as mágoas do mundo
(além das suas).

 

FEIRA DO LIVRO DE FLORIANÓPOLIS


Sem data marcada ainda, a Feira do Livro de Florianópolis deve acontecer em maio, como em todos os anos anteriores. A diretoria da Câmara Catarinense do Livro mudou, neste início de ano, mas as articulações para a realização da primeira feira do ano já começaram.

 

IRREDENTA ESPERANÇA

Nuno Rebocho (Cabo Verde)

escondo-me no saco dos brinquedos:
ainda aí guardo esperanças e segredos
fechados a sete chaves.
deles por enquanto nada direi
- quero-os irredentos
puros (sagrados)
como serão os corpos nos noivados
e são as mulheres que eu amei.

escondo-me mas não deserto. fico
à espreita na tocaia a que me dedico
sempre à espera de novidades.
sei que virá o tempo
de abrir o saco
e sacar lá de dentro outro pacto
com a chuva com o sol e com o vento.

eu sei: virá o tempo. e então direi
quanto esteve sufocado e conservei
com força de medrar e viço
e alma. direi o chão
da aventura
regada pela viva água da ternura
onde por nossas mãos brotará o pão.

eu sei: virá o tempo.

 

ONDE ENCONTRAR

O livro “Borboletas nos Jacatirões”, de Luiz C. Amorim e todos os livros da Hemisfério Sul estão à venda nas seguintes livrarias: Saraiva (inclusive virtual), Curitiba e Catarinense. Central Livros e Rio Centro (Rio do Sul), Convivência, Fapeu, Livros e Livros, Catarainense, Saraiva (Florianópolis), Aladim e Casa Aberta (tajaí), Acadêmica, Alemã, Papelaria Danúbio, Blulivros (Blumenau), Diocesana (Lages), LDV (Indaial), Papelaria Mosimann (Brusque), Cultural (São Leopoldo-RS), Bauhaus (Balneário Camboriu), Midas e Catarinense (Joinville), Nova Objetiva (S. Miguel do Oeste), Origem (Timbó), Grafipel (Jaraguá do Sul), Recanto do Livro (Videira), Refopa Joli (Pomerode), Fátima Art. Esp. (Criciúma), Ponto do Livro (Cruz Alta-RS). hemisferiosul@san.psi.br

 

 

ANIVERSONHO

Luiz Carlos Amorim


Sonho com uma Joinville
mais humana
para poder lhe dar parabéns,
num março próximo.
Sonho com gente feliz,
pelas suas ruas,
em suas bicicletas,
indo e vindo do trabalho.
Sonho com o teu rio,
que há tanto tempo se foi,
um Cachoeira vivo,
de águas claras e puras,
um rio de pescar e nadar...
Sonho com a estação ferroviária,
cartão postal rasgado...
Sonho com a tua cultura,
teu renascimento...
Sonho com um cidade sem enchentes,
mas com água em todas as torneiras.
Sonho com uma Joinville com mais flores
(parem de cortar jacatirões!)
Mais amores, com mais alma.

 

 

LIVROS MILIONÁRIOS

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Participando da última Feira do Livro de Florianópolis, ouvi coisas, digamos boatos, que conseguiram me deixar estarrecido. Já não me surpreendo com algumas coisas que a "cultura oficial" faz acontecer por aqui, mas indignado não há como não ficar. Gostaria de pensar que são apenas boatos, mas não tenho mais essa ilusão. Aquele chavão que diz que "onde há fumaça há fogo"...

Vocês se lembram do edital para compra de livros, pelo Estado - que escolheu 300 exemplares de dez livros de autores catarinenses para distribuição, pela FCC, às bibliotecas municipais catarinenses? O autor, para concorrer no edital, precisava juntar 9 (nove) exemplares de sua obra à inscrição. No regulamento do edital constava que esses livros seriam incorporados ao acervo da Biblioteca Pública do Estado. Foram 172 livros inscritos, o que dá um total de 1.548 livros. Só que os livros ainda não foram entregues à Biblioteca Pública, passados meses do resultado do edital. Pior: uma amiga gaúcha afirma ter visto, no stand de Santa Catarina, na Feira do Livro de Porto Alegre, um livro de autor catarinense que foi inscrito para o edital. Só que ele não foi à feira do livro gaúcha e não encaminhou nenhum exemplar para lá. O stand onde a leitora gaúcha teria visto a obra inscrita no edital era da Fundação Catarinense de Cultura, a promotora da seleção dos livros.

Mas tem mais: ouvi, em dezembro, em plena feira do livro de Floripa, que a FCC teria cogitado de colocar à venda, no stand da FCC da edição daquele evento, alguns dos livros inscritos no edital de seleção dos 10 livros de autores catarinenses promovido por ela, livros que devem ser destinados à Biblioteca Pública Estadual. Nem fui conferir no stand da FCC e nem sei se havia stand da FCC naquela feira, tão indignado fiquei.

E, para completar, soube que o Estado está comprando mais centenas de milhares de livros para distribuição às escolas. Não sei se isso é bom ou mal. Já aconteceram umas três compras milionárias de livros pelo Estado, uma delas aquela do livro do Tezza selecionado para o Vestibular, que foi considerado impróprio para os alunos do segundo grau e, por isso, recolhido. Posteriormente foi distribuído às centenas para as bibliotecas municipais. Centro e trinta mil exemplares do mesmo livro para duzentas e poucas bibliotecas dá muito livro igual para uma mesma biblioteca, não é mesmo?

E houve, ainda a compra de milhares de exemplares de uma caixa com 12 livros, no ano passado. Agora o boato de que foram comprados outro tanto de livros que não se sabe quais são.

É interessante como essa Secretaria de Estado da Cultura aqui de Santa Catarina tem tanto dinheiro e como essas compras milionárias são autorizadas e feitas sem nenhuma divulgação, sem nenhuma prestação de contas.

Como disse no início, gostaria que tudo fosse apenas boato.

 

MEU BERÇO NATAL

Martim Elias

.Verdes campos de minha terra
Da minha Campina querida
Orgulho de minha vida
Minha grata inspiração

Os seus rios transbordando
De coração te saudando
Nesta simples criação

Um panorama que me guarda
As nuvens negras que passam
Em busca de outros ninhos
Me deixando tão sozinho
Pensativo a meditar
Vai e leva contigo
As saudades e os castigos
Traz amor no seu lugar


 

POET

Luiz Carlos Amorim
(Brasil)

I AM a poet,
Lover, loved.
I am more than what
I am, merely
I am so many lives
At the same time
Inside and outside
When I divide myself
In many Is…


 

EXPEDIENTE

Suplemento Literário A ILHA - Edição Nº 112 - Março/2010 - Ano 29
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
Contatos: lc.amorim@ig.com.br - prosapoesiaecia@yahoo.com.br


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