SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Setembro/2011

FIM DE ANO COM MUITA LITERATURA

É setembro e as Edições A ILHA, do Grupo Literário A ILHA, lança o número 118 da sua revista, a mais perene do gênero, tendo completado seus 31 anos de circulação. Muita poesia, crônicas, informação literária e cultura. Nesta edição, três poetas de países diferentes estão presentes e temos crônicas de Eéas Athanázio, Urda Klueger, Sérgio da Costa Ramos, Flávio José Cardozo, Célia Biscaia Veiga, Mary Bastian, Erna Pidner.
Mas não é só isso: Está saindo, também, mais um volume da Coleção Letra Viva, o quinto, com crônicas da escritora Erna Pidner, correspondente do Grupo A ILHA em Minas Gerais.
O livro será lançado na Feira do Livro de Florianópolis, de fim de ano, assim como os livros "Cocô de Passarinho" e "Nação Poesia", deste editor.
O Grupo Literário A ILHA estará presente, no início de setembro, no Encontro Internacional de Escritores de Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis. Estarão lá escritores de todo o Brasil e até de outros países.
E em novembro, o Grupo participará, também, do Congresso Brasileiro de Escritores, da União Brasileira de Escritores, em Ribeirão Preto.
Muita atividade para estes últimos meses de 2011.

 

 

CONVITE

Júlio de Queiroz(Fpolis)

Não precisa bater.
Entre bem de mansinho;
A porta do coração está aberta;
A morte, ao esvaziá-lo, levou a chave.

Ocupe-o calma e suavemente.
Há, nele, espaço para você
instalar-se, dançar;
descansar e ser feliz.

Não obstrua sua entrada;
deixe lugar para outros;
não bata em suas paredes,
ou crave nada nelas.


Este coração já foi muito machucado.

E, entretanto, a cada vez,
não quis mais nada
senão ser luz e acolhida.

Como agora, com você.

 

 

CONGRESSO BRASILEIRO DE ESCRITORES

A União Brasileira de Escritores está com inscrições abertas para o Congresso Brasileiro de Escritores 2011, que acontecerá em Ribeirão Preto-SP, de 12 a 15 de novembro. Escritores, professores, estudantes e leitores que se interessarem em participar, podem fazer sua inscrição pelo site da UBE, em Http://www.ube.org.br/congresso .
Haverá oficinas litlerárias, mesas redondas, eventos culturais, como declamação de poemas e crônicas e apresentação de orquestra, lançamentos de livros, palestras e conferências e a entrega do Troféu Juca Pato.
Os associados de UBE estão isentos de taxa de inscrição. Outros interessados pagarão taxa de R$ 100,00.
Grandes nomes da literatura brasileira estarão presentes ao congresso, como Affonso Romano de Sant´ana, Ruth Guimarães, Deonísio da Silva e outros. O Grupo Literário A ILHA estará participando desse grande vento.

 

O ELOGIO DO CARDO

Nuno Rebocho
(Cabo Verde)

o cardo coroa a terra com a espinhosa ironia
das cores. é o sequeiro húmido
da resistência
a magoar o maquis
a flor erudita que desafia
a esteva pegajosa
e se enternece com a pobreza da babosa
em protesto contra incontinência
do astro ardendo soberania.
eu amo a alegre tristeza do cardo:
incita-me. zangão ou moscardo
assim cirando de corola em corola
de poemeira a tiracolo.
e disparo. e comparo. e reparo
em cada alvo. e nada salvo.
tal como o cardo
a poesia não traz clemências:
nem paciências.

 

 

BICHOS, GENTE

Por Flávio José Cardozo

Menino, tu que gostas de olhar os bichinhos do mundo, me diz uma coisa: qual deles querias ser se não fosses gente? Sabes que mais de uma vez me surpreendi pensando nisso?
Já fui pretensioso à beça. Pensei na águia real que voa a duzentos quilômetros por hora; pensei no condor, que é quase como um avião - tem três metros de uma asa a outra e sobe a mais de cinco mil metros; pensei no tigre, tipo aquele da Esso, de pelo rajado, salto atlético, cabeçorra de rei; pensei no urso-branco, um sujeito de setecentos quilos que vive no gelo e corre como um cavalo; pensei no cavalo, talvez o animal mais bem construído que existe, não sei se tu concordas.
Com o tempo, fiquei mais modesto. Ser um burro, por exemplo. Pensas que me chatearia se uma varinha mágica - toc! - me transformasse num bem orelhudo? Nada de piada, nada de dizer que já sou um burro bem orelhudo. Estou falando sério, falo do burro mesmo, de quatro patas, um camarada tão plácido e ao mesmo tempo tão dono de si, que embirra firme quando acha que não estão agindo certo com ele. Um burro não seria mau, podes crer.
Como não seria má a coruja. É feia? A gente é que diz que é feia, são nossos olhos bobos - para nossos olhos bobos ela de fato não serve para miss. Mas me agrada muito o jeito pensativo que ela tem, num toco de pau ou numa torre de igreja, jeitão que não a impede de ser habilíssima na hora da caça.
E por que não o grilo, esse cidadãozinho sempre escondido? Dizemos que ele é chato, ele que é apenas um cara persistente. Cismou em querer ser cantor e como trabalha para isso! Esfrega uma asa na outra cento e cinquenta vezes por segundo, sabias? Tenho certeza de que um dia ainda vai cantar nem que seja uma musiquinha xaropinha de uma dessas duplas ditas caipiras que existem por aí.
Pensei no crocodilo também, mas esse fica bom mesmo é para quem anda na política. Olha só: os sucos digestivos de um crocodilo conseguem desmanchar anzóis de aço, pontas de ferro, tudo o que empurraram goela abaixo do coitado. Se eu fosse político, ia ficar bem indeciso entre ser uma esperta raposa ou um crocodilo capaz de engolir tudo numa boa.
E nos dias de apertura financeira e eventuais atrasos em algum pagamento, por que não ser uma vicunha? Sabes o que tem a vicunha de muito especial?pois dizem que a vicunha com um minuto de vida já corre mais do que um homem. Barbaridade. Queria ver que cobrador me alcançava se eu fosse uma vicunha já adulta.
É tudo brincadeira. Isso aí é só um agrado nos bichos. Nasci gente e, por enquanto, até que estou gostando disso - dá umas tristezas de vez em quando, mas também dá umas alegrias. Por exemplo: só sendo gente é que se pode ter mesmo uma visão bem boa da maravilha que são nossos manos bichos - todos eles, grandes e pequenos.

 

 

PERGUNTAS DE VIDA E MORTE

Teresinka Pereira(USA)

Só você poderá responder
as perguntas pertinentes
a sua vida, assim como:
valeu a pena sobreviver?
Você está em total controle
do que quer fazer
com a sua vida?
O verbo viver,
Mais do que qualquer outro,
tem significados individuais:
significa, por exemplo,
desejo e esperança,
independência e orgulho
e outras coisas mais
que você vai descobrindo
ao longo do caminho.

O importante é estar consciente.
É saber , inclusive,
que estar vivo
não é sempre a melhor opção.

 

 

A ILHA

Pinheiro Neto(Fpolis)

Recebi o número 117, edição de junho, do Suplemento Literário A ILHA, que completou, naquele mês, 31 anos de ininterrupta circulação.
O Suplemento é o órgão de divulgação de um grupo literário com o mesmo nome e que tem como coordenador o escritor Luiz Carlos Amorim, um dos candidatos à cadeira número 32, ocupada até então pelo saudoso Lauro Junkes, dinâmico ex-presidente da Academia Catarinense de Letras.
A ILHA começou suas atividades em São Francisco do Sul, em 1982, migrou para Joinville dois anos depois e lá desenvolveu atividades diversas, como o Varal da Poesia, recitais de poemas, publicação de livros e da revista. Em 2000, com a mudança do coordenador do grupo para Florianópolis, a sede do Grupo e, consequentemente do Suplemento, passaram para a capital.
Parabéns, portanto, ao grupo, pela longevidade.

 

LAVRATURAS
DE PENÉLOPE


Maria de Fátima B. Michels
(Laguna)

Fica lavrada esta conversa.
E renovadas dentro do peito
as antigas coisas que não dissemos,
mas cumprimos. Fundeemos nossa nau.
No mar de dentro de cima de fora.

Que seja louvado este contrato.
Que fique bem claro a toda gente.
Que todo sentir seja louvado!
Que fique bem escuro e a lua venha.
No fio do tempo teçamos o sempre.

 

 

DESTA VEZ, EU VI O OUTONO

Por Urda Alice Klueger

Nada como se ter um cachorrinho muito amado e uma casinha rosa e branca encostada na mata virgem neste tempo de outono da vida, neste tempo em que é tempo de se concluir que há muitas coisas inúteis atravancando o tempo que ainda há para viver, e reduzir diversas atividades e desperdícios de energia, para tornar a vida muito maior e intensa.
Já começara a pensar nesta redução de coisas para tornar a vida maior quando da Tragédia das Águas de 2008, mas foi só agora, neste ano de 2011, que passei a tomar algumas atitudes que realmente reduziram diversas atividades bastante inúteis para dar lugar a outras que realmente contam, e então, creio que pela primeira vez, eu vi o outono!
Já houvera na minha existência tempos com tempo para ver o outono, como na infância - mas na infância a gente não diferencia muito as coisas - lá, o que conta é o grande espetáculo de se estar vivo no planeta, coisa para a qual olhamos como um todo, como um torvelinho, aspirando profundamente o ar da vida como se se o bebesse em grandes e inebriantes goles, e as estações passam emaranhadas umas nas outras, e para mim foram muito mais marcantes coisas como o Natal e a Páscoa do que esta coisa de observar o outono.
Depois, o tempo corre e se está dentro de escolas, e depois, dentro de empregos, e a vida como que se escoa com muito poucas possibilidades de sentir bem de perto o outono. Lembro o quanto vivi intensamente os verões da juventude, mas quantas vezes parei para prestar a devida atenção ao outono?
Neste ano, no entanto, está sendo diferente. Com menos compromissos e um novo lugar na minha casinha, lugar que estou chamando de Ninho dos Sonhos, onde posso viver como se estivesse ao ar livre, vendo sob a janela os animaizinhos da floresta já começando a namorar, preparando os filhotes para a primavera, e um outro ritmo de viver, tentando que seja com menos pressa, dei-me conta de que, afinal, estava prestando a devida atenção a esta estação de matizes e fragrâncias tão diferentes. E por horas e horas e horas estive a observá-la, andando com meu cachorrinho pelos mais diversos lugares da cidade, procurando mudar de itinerário a cada dia, descobrindo bairros novos, lugares escondidos e horizontes inesperados, e, ah! como é lindo o outono!
Há aquelas manhãs já geladas, quando a gente se esconde nos casacos e a respiração até dói um pouco, de tanto frio; há aquelas manhãs mais amenas, onde o ar fino e frio parece de cristal luminoso e se tem a sensação de flutuar, e este tem sido um outono quase sem chuvas, mas a cada manhã, enquanto caminhamos pelos mais inesperados lugares, cada pedacinho de erva está molhado do orvalho denso desta estação, e é como se o mundo estivesse túmido da gravidez que nascerá na primavera!
E as tardes, ah! as tardes deste outono! São tardes de pura luz, e conforme se aproxima o anoitecer o azul do céu vai se colorindo das mais mágicas cores, que vão desde o amarelo limão até o profundo vermelho, e há uma luz cristalina e difusa pairando sobre tudo e deixando o mundo como que encantado, uma luz como não lembro de ter observado em outras estações - nem do ano e nem da minha vida. É uma luz tão encantada que vai entrando na gente e, em torvelinhos, vai trazendo à tona sensações, emoções e lembranças que pensava que se tinham perdido no passado, e então me dá uma grande pena por saber que a vida é tão curta, que não viverei os 800 anos que gostaria, para poder escrever sobre cada uma daquelas coisas. Nestes momentos de pena eu me abaixo e abraço com carinho o meu cachorro, que provavelmente terá menos tempo para viver, ainda, do que eu terei, e escuto um pouquinho o coração dele bater, e é muito mágico saber que ele ainda existe e ainda está ali comigo, o único companheiro certo na minha vida que sei que será até que a morte nos separe.
É tarde da noite, agora, e o outono findará em poucos dias. Há uma lua quase cheia num céu muito frio, e a lâmina de um lago à minha frente, de onde se evolam vapores gelados que parecem as brumas misteriosas saídas dos contos de fadas, e mesmo naquela água fria sapos coaxam e conversam entre si, no grande silêncio do frio e da lua. É outono, e meu cachorro vela a meus pés, embora eu saiba que ele está morrendo de sono. De vez em quando, ele rosna para algum sapo de voz mais alta. É lindo!
Sei que é outono, e que desta vez estou a vê-lo como nunca o vi. Que pena que a vida seja tão breve!

 

 

A VIDA NOS REPARTIU

Joel Rogério Furtado
(Araranguá)

Pouco importa (agora)
que a vida
nos tenha repartido.
Não importa (nada)
que estejam sempre abertos
caminhos paralelos
e distantes.
Mais importante é seguir
"porque as coisas idas
mesmo que perdidas
sempre existirão".
Em pleno andamento
o que idealizamos
(com tanto carinho)
em nosso interior.
Prossigamos (pois)
porque os tempos idos
mesmo indefinidos
nos consolarão.

 

 

UM POETA COM P MAIÚSCULO

Por Luiz Carlos Amorim - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

Foi uma coincidência e tanto, mas é assim mesmo que as coisas acontecem. Urda, minha amiga-irmã escritora de Blumenau me falava, outro dia, com entusiasmo e admiração, de um escritor confrade seu, da Academia Catarinense de Letras. E eis que senão quando, eu havia enviado a nossa revista literária A ILHA e um livro meu e ele havia contatado comigo através de um e-mail, dizendo que tinha gostado do conteúdo da publicação e do livro.
Se Urda gostava dele, não havia dúvida de que era boa pessoa. Então respondi, mandei outros livros, e pedi a ele que me enviasse alguns seus, pois eu tinha apenas dois. Falo do escritor Júlio de Queiroz, que eu não conheço pessoalmente ainda, mas isso não vai demorar a acontecer, pois ele me mandou fotos do seu jardim japonês e me convidou a conhecê-lo.
Então comecei a mergulhar na obra do excelente escritor. Já li dois livros de poemas, "Sementes do Tempo" e "Baú de Mascates" e estou impressionado. Livro de poesia a gente pode ler aos pedaços, mas os livros mencionados eu comecei e não pude parar até terminá-los. A poesia de Júlio não é o feijão com arroz com o qual estamos acostumados. Não é à toa que Dom Hildebrando de Melo, na orelha de "Sementes do Tempo", diz que o poeta lhe lembra Mario Quintana: seus epigramas "críticos, elegantes, jamais amargos - seu desvendar de alma se insere na mais genuína tradição da poética cristã".
Trata-se de uma poesia singular, abordando temas por vezes não comuns na poesia, de maneira única, aguçando a curiosidade do leitor, atiçando-o a acompanhar o poeta para ver aonde ele vai levar-nos com aquele ritmo cadenciado e musical, com aquelas figuras belíssimas e originais, com aquele conteúdo profundo, mostrando-nos a realidade e a existência humana por ângulos os quais não nos tinha sido dado ver, ainda.
É difícil, para mim, apontar este ou aquele poema, pois verdadeiramente todos os poemas de Júlio são grandes poemas e merecem ser lidos de novo e de novo. Mas uma coisa me chamou a atenção: nunca gostei de poemas encadeados, série deles sobre um mesmo tema. Mas nosso poeta faz isso e faz muitíssimo bem. A gente lê o primeiro, que nos encanta, e já pulamos para o segundo, para verificar que o autor consegue se superar, e assim sucessivamente. Aconteceu com a série "Vocabulário inicial do infante". São cinco poemas. O primeiro começa assim: "Primeiramente, as coisas não me são nada. / Depois da expulsão da água morna - minha única saudade -, / um ser macio, de cinco pontas, / cheio de vida cuidadosa e tateante, / quase sempre acompanhado de um outro, tão lhe igual"... Um verdadeiro tributo à boa poesia. Outra série grande de poemas, com versos sentidos e doloridos é "Simetria Quebrada", dedicada a Sílvio, filho de Júlio falecido em 92, poderia ser apenas uma coleção de poemas tristes, mas não é: são canções de amor, de carinho e de saudade. Um pequeno trecho que não dá a idéia da grandiosidade dos poemas em homenagem ao filho: "Meus vivos são sempre tão vivos, / tão palpitantemente fogo forte, / que, ao morrer, levam de roldão / suas vidas, muito do meu riso / e, de mim, sempre uma parte." Já comecei a ler dois livros de contos, "Deuses e santos como nós" e "Encontros de Abismos" e a maestria na arte de escrever é também cativante na prosa. E há, ainda, romances, ensaios, muitos outros livros para eu continuar a descoberta deste magistral Júlio de Queiroz. Quisera ter começado a ler antes a escritura deste grande autor.

 

 

SENHA

Apolônia Gastaldi
(Ibirama)

Quero a senha.
Preciso deste mistério.
Decifra-me,
Ensina o código.
Não é "monastério"!
Sei, já tentei
e por mais que se empenhe
raciocínio neste afazer
não se acha o caminho
deste buscar e querer.
Nem o tato mais acurado
consegue a senha obter.
Quero desvendar
preciso deste mistério.
Será que a procura
desta enigmática senha
vai me levar à loucura?
Que feitiço é este teu?
Quem te ensinou a ser Orfeu?
Será que é "desventura"?
Sinto que estou perdida
sem desatar o nó
deste mistério todo.
Preciso eu da senha
garanto que levarei o incenso
para alojar-me escondida
num cantinho só
só num cantinho
do teu imenso coração.

 

 

OUTRA FESTA

Por Mary Bastian

Ano passado, lancei um livro de crônicas, coisa inédita pra mim, uma vez que comecei a escrever histórias infantis, passei pra contos e, de repente, estou cronista.
Isto foi muito interessante, e devo esta mudança a um monte de gente aqui da cidade, que já não dá mais pra citar numa crônica como fiz ano passado. Correria o risco de deixar de falar em alguém. Mas eles todos sabem quem são e que moram no meu coração.
Mas depois de mostrar meus livros infantis para a professora Marisa, que nem morta consigo escrever ou dizer o sobrenome, ela não largou mais o meu pé, até que eu reeditasse "O Rio que Ficou Triste".
Falei com as meninas da Biblioteca Rolf Colin, Rosemeri e Marlete, e elas acharam que poderíamos repetir a festa do ano passado.
Aí, é claro, o Amorim foi convocado, a Célia também, e o livro foi reeditado contra o tempo e o vento. Amorim que o diga!
Marisa se intitula madrinha do livro e tenho de dar as mãos à palmatória, porque ela é daquelas que mira e atira. Ou eu dava um jeito de fazer o livro, ou não teria nunca mais paz na vida. Obrigada, dindinha, você é trilegal. Amo você.
Então, amigos, o livro está prontinho, lindinho, fofinho.
É pra gente pequena, e acho que também pra gente grande, mas é principalmente para o Fritz, o jacaré que mora no Cachoeira, aquilo que um dia já foi um rio.
Os amigos apareceram, tivemos um teatrinho sobre o livro, coisas da Célia e sua trupe, pessoas pra lá de ativas. Célia também lançou o livro de poesias "Palavras e Exemplos". Amorim lançou o livro de crônicas "Cocô de Passarinho", além do meu "Rio que Ficou Triste", e dos docinhos da Patrícia (umas delícias).
Estivemos, desta vez, no novo endereço da Biblioteca Rolf Colim, lá na Anita Garibaldi, 79. Foi no dia 30 de julho e pra quem tem perninhas doloridas como eu, tem elevador! Não é um barato?
Esperamos e todos estiveram lá, com muito amor no coração para aquecer a noite que estava gelada.

 

 

AO RITMO DAS VENTANIAS

Cissa de Oliveira(Campinas-SP)

A inocência de cada manhã
nem ela encobre:
- és bela,
uma luz que aconchega,
o sol bem alto, a cachoeira
onde se lançam os olhos
em busca do mar
ou de um beijo.

As inflorescências dos ipês dourados
desabrocham nas avenidas,
e exalam promessas ao ritmo das ventanias,
como se fossem os teus cabelos nas tardezinhas,
sem que percebas.

Eu devia dizer também da noite
mas não posso pois sempre a esqueço
nos espaços
onde depões as tuas mãos
desfazendo as assombrações
para que eu adormeça.

 

 

O ARTICULISMO CULTURA DE M. PAULO NUNES

Por Enéas Athanázio

Tanto a crônica como o artigo, em regra, têm como suporte a página do jornal ou da revista. Podem, mais tarde, ocupar espaços de livros, o que é mais ou menos comum, embora não sejam eles seu destinatário original. E, no entanto, a crônica é um gênero literário, ao passo que o artigo não. Com efeito, dentre os gêneros literários em prosa os teóricos excluem o artigo. Hênio Tavares, por exemplo, para citar um autor didático, arrola o romance, a novela, o conto, a crônica, a anedota, a fábula, o apólogo e a parábola.
Quanto ao artigo, costuma ser definido como gênero jornalístico, a exemplo do editorial, da reportagem, da entrevista etc. Os manuais de redação de grandes órgãos de imprensa costumam defini-lo, com ligeiras variações, como "gênero jornalístico que traz interpretação ou opinião do autor, sempre assinado e que pode ser escrito em primeira pessoa."
Não significa isso que a feitura do artigo seja fácil. Também ele tem suas regras e medidas. Costuma ser o instrumento de que jornalistas e escritores se valem para transmitir opiniões, idéias, informações e ensinamentos, inclusive sobre temas e obras de literatura, aonde vão pingando noções que contribuem para a cultura em geral e a literária, em particular. Nesta última área, não são muitos os articulistas que escrevem e publicam com constância em todo o país. É por isso que merece atenção o trabalho que vem fazendo nesse campo o professor e acadêmico piauiense M. Paulo Nunes. Desde que o conheço e acompanhado seu trabalho - e lá vão muitos anos - ele aparece na imprensa teresinense e de outras localidades com uma freqüência admirável, mantendo sempre seus textos em alto nível, seja criticando livros ou enveredando pelos caminhos da educação, tema em que é "expert", ou da cultura em sentido lato. É um articulismo cultural vasto e variado, cujos textos poderiam rechear inúmeros e encorpados volumes.
Sempre em linguagem rica e elegante, M. Paulo Nunes revela em cada novo texto sua erudição admirável, fruto de incansáveis leituras e meditações, a sensibilidade na abordagem dos temas e a penetração na análise de obras alheias. Conhecedor da história e da evolução da literatura, dominou como poucos a teoria do romance, sua técnica, escolas e tendências, e tem uma visão abrangente, sempre atualizada, do que se produz no país e no exterior.Como costuma dizer, é um escritor da província que se recusa a ser provinciano. E também não perde de vista a produção de seus conterrâneos piauienses. Quase tudo que lá é produzido passa pelo seu crivo, numa espécie de batizado sem o qual o novo ente literário não se integra ao conjunto. E por outro lado, mesmo sem qualquer pretensão magisterial, seus artigos guardam um quê didático, revelando, no fundo, o professor que foi a vida inteira.Seus artigos estão sempre ensinando, orientando e opinando para que o leitor possa se situar e tomar o caminho correto.
M. Paulo Nunes, sem dúvida, é um dos grandes articulistas culturais do momento e seus textos engrandecem a imprensa do Piauí e do Brasil.

 

 

POEMA

Karine Alves Ribeiro

O poeta tem a sensibilidade à flor da pele.
De tal forma
que a fissão do átomo
acontece nele mesmo
no ato de escrever
Os versos, sementes de cristal embrulhadas num lenço.
O poema é mais,
é mais que o palácio mais suntuoso
maior que o próprio Everest
eterno como uma pirâmide
Porém, deve ser acessível como comer um doce
Saboreá-lo é a melhor parte...
É isto,
um poema se come
não se entende.
Para digeri-lo
é preciso ter consigo Deus
Porque a poesia é,
por vezes, tão sagrada,
tão delicada
Que faz chorar.

 

 

RUA SEM POESIA

Por Sérgio da Costa Ramos

Quando cheguei aqui, no Córrego Grande, entre o Morro da Lagoa e a UFSC, lá pelos idos de 1984, o bairro servia de bucólico presépio para vaquinhas de leite e cavalos de crina alta, pastando pachorrentamente pelos gramados, entre os quais começavam a se instalar residências unifamiliares.
Minha rua era pagã e assim permaneceu por mais de 10 anos. Tinha a veleidade de escolher para a minha rua um nome poético e suave, algo etéreo e romântico, como Pasárgada, Nirvana ou Travessa da Paz, assim, tão simples, como portugueses denominam as suas ruas.
Primeiro, teria que arranjar um vereador que simpatizasse com a ideia de batizar minha rua com um nome que não fosse o dele próprio. Ou o do seu candidato a deputado ou governador. Na pior das hipóteses, do seu cabo eleitoral mais eficiente.
Cheguei a perguntar a um desses edis o que precisava fazer para batizar minha rua com o nome de um daqueles velhinhos que fabricavam versos e devaneios, um Carlos Drummond de Andrade ou um Mario Quintana. Em primeiro lugar, teria que apresentar a certidão de óbito dos homenageados, em respeito a uma lei "que excluía dessas deferência o nome de pessoas vivas". E Carlos Drummond de Andrade e Mario Quintana ainda estavam vivíssimos.
Diante desse "conflito de sacristia", minha rua continuou pagã por mais de uma década, enquanto o carteiro se orientava por uma estranha sopa de números e letras. Meu domicílio ficava à rua B, bloco Y, lote 23. Cheguei a sonhar com a compensação de jamais ser encontrado pelos credores - já que morava, literalmente, na "rua do sobe-e-desce, quem não encontrou, desaparece".
Leda ilusão. Para os credores, é bom ficar sabendo, não existe aquela vaga expressão dos editais que se refere "a lugar incerto e não sabido". Minhas contas sabem exatamente onde aterrissar, mesmo que fosse numa cabalística combinação de letras e números.
Minha rua pagã e politeísta era capaz de inenarráveis prodígios, como enredar no mais negro labirinto um amigo bem-vindo, uma amiga ternamente esperada, mas incapaz de espalhar alguma confusão entre os meus credores federais, estaduais e municipais. A conta de luz, por exemplo, jamais experimentou alguma treva. E quanto mais ricos os bancos, mais exata e acurada era a religiosa chegada de todos os avisos de cobrança.
Tive esperança de batizar minha rua com nomes de estrelas ou de fenômenos eólicos: como Rua Cruzeiro do Sul ou Travessa Alisa Ventos, um pouco louvado nos nomes com que os "alfacinhas" de Lisboa denominam suas ruas e logradouros.
Desisti, porque me disseram que esses nomes eram "bizarros", e não homenageavam ninguém. O melhor para minha rua era esperar pelo trâmite legal na Câmara de Vereadores, "não demoraria muito".
Levou doze anos até que, finalmente, minha rua foi batizada com o nome de um cidadão que suponho honrado e morto, como exigia a lei.
Assim, fui aquinhoado com o meu endereço completo: Rua Volny Martins, número 4. Não tive a honra de conhecer o homenageado, mas imagino-o digno e merecedor. Só os moradores é que não mereciam a renitente repetição do nome atípico, a qualquer pedido de informação:
- Como? Volney?
- Não. Volny. Sem o "e". E com "y" no fim. "Peraí", vou soletrar.
E, como castigo, vi a rua vizinha ganhar também a sua placa: Rua Vinícius de Moraes.
E ouvi o poetinha gargalhando, como se declamasse aquele seu verso de Vida e poesia:
E diante da estranha germinação do meu apelo
Ouvi bruscamente a claridade do teu riso.

 

 

SONHO DOS BICHOS
Else Sant´Anna Brum

Um dia vi vários bichos
Numa grande reunião.
Cada qual contava o sonho
Que tinha no coração.

- Queria pernas bem altas,
Dizia um pato gordinho.
O gato queria asas
Como tem o passarinho.

O elefante sonhava
Em ser menor e mais leve.
O urubu desejava
Ser branco da cor da neve.

O sapo chegou pulando
No meio da reunião.
Queria braços compridos
Para tocar violão.

O rato queria casa
Igual a do caracol.
A cobra queria pernas
Para jogar futebol.

- Eu queria, disse o burro,
Ser sábio, inteligente.
O macaco arrematou:
- Eu queria era ser gente!

- Sábio foi o Criador,
Ouvi a coruja dizer,
Por não perguntar a ninguém
Como desejava ser!

 

 

NÃO É COMIGO

Por Célia Biscaia Veiga

- Triiiiiiimm
- "Você ligou para a Empresa Não Sei das Quantas. Para falar com Compras, digite 1. Para falar com Almoxarifado, digite 2. Para falar com o Financeiro, digite 3. Para falar com Compras, digite 4. Para falar com Vendas, digite 5. Para falar com a Secretária da Diretoria, digite 6. Ou aguarde."
- Ai, meu Deus, qualquer um que atenda está bom. Não vou digitar nada, vou aguardar.
- "Aguarde. Tanananananan, nananan.nananan, tanananananannanananan" "Sua ligação é muito importante para nós. Num instante estaremos lhe atendendo. Tananananananan, nananan .nananan.Sua ligação é..."
- Meu Deus, que loucura, vão atender ou não?
- Empresa Não Sei das Quantas, bom dia.
- Por favor, moça, é urgente...
- Pois não, estou lhe passando para o setor de Urgência.
- Não...
- "Sua ligação é muito impor..." Urgência,bom dia.
- Meu filho, eu preciso avisar...
- Um momento, avisos não é comigo. Vou devolver para a telefonista e o senhor pede o setor de Informações. "Sua ligação..."
- Mas que coisa...
- Empresa Não Sei das Quantas, bom dia.
- Moça, por favor, é só uma informação...
- Ramal ocupado. Aguarde um momento. "Sua ligação..."
- Não é possível. Já faz cinco minutos...
- Informação, bom dia. O que o senhor deseja saber?
- Eu não quero saber nada. Eu quer é lhe dar uma informação...
- Desculpe, receber informação não é comigo. Estou passando para o setor de ...
- Meu Deus, mas qualquer um pode tomar uma providência.
- Também não é comigo, vou passar o senhor para o setor de Providências. "Sua ligação ..."
- Estou quase desistindo.
- Providências, bom dia. Em que posso ser útil?
- É fogo, meu rapaz. Fogo. Vocês não vêem o perigo?
- Desculpe, mas perigo não é comigo. Vou passar o senhor para o setor de Segurança. "Sua ligação..."
- Assim não dá.
- Empresa Não Sei das Quantas, bom dia.
- De novo. Meu Deus, chega de me jogarem de lá pra cá. Você mesma pode me ouvir.

- Desculpe, senhor, mas nossa empresa faz questão de lhe dar um atendimento personalizado. De acordo com o assunto que o senhor tenha para nos falar, sempre terá o funcionário certo para ouvi-lo. Eu só atendo as ligações e as transfiro. O resto não é comigo. Qual é mesmo seu assunto?
- Minha querida, eu estou ligando para avisar que o prédio está pegando fogo, mas como já faz mais de quinze minutos que vocês não me ouvem, lamento informá-la, mas já não tem mais saída.
Não dará mais tempo de evacuar o prédio, mas isso, não é comig
o.

 

 

AMOR

Araceli Braz
(São Franciscso do Sul)



Assim como o sol aquece o mundo,
mais ardente é o meu amor por você.
Assim como a lua brilha para todos,
mais brilhante é meu amor por você.
Assim como a rosa é a rainha das flores,
você será sempre a minha rainha.
Assim como o mar conquista em ondas brandas,
mais eloquente é meu amor por você.
Assim como o beija-flor beija as flores
mais doce é meu beijo pra você.
Assim como o poeta compõe seus versos,
junto as letras em linda canção para você.
Assim como sol e o mar
manifestam exuberante tela viva
mais quero me aconchegar em você
e certificar que é verdadeiro e eterno
o meu amor por você.

 

 

ESCREVA!

Jacqueline Aisenman
(Suiça)

Não se preocupe com o pecado das letras e nem com a militar formação das frases. Escreva. Não busque os olhos críticos, tente encontrar os corações. Esqueça os títulos e as graduações, lembre do sentimento puro dos que muitas vezes nem são letrados. Escreva. Rime e brinque, crie, desconstrua, invente, seja poesia e faça poemas de vida. Escreva. Conte o seu dia, o momento do amigo, a saudade do pai. Escreva. Crie personagens, dê-lhes vida, conte histórias. Escreva. Mostre.
O perigo não está em alguém não gostar do que você escreveu, nem no estilo, nem nos erros. O perigo está em você não deixar livre sua alma, está em se preocupar com o que os outros fazem, em pensar que existe melhor ou pior. Escreva. Seja você em cada linha, seja cada palavra, viva tudo o que escrever, seja na vida ou na imaginação. Viva. Escreva.
E deixe as críticas para os que não tem nada a dizer...

 

 

PROCURA

Harry Wiese
(Ibirama)

 

Procuro meu verso na ribanceira do rio
onde as pedras olham fixas para as águas.
Procuro meu verso no palco
onde os homens esperam ansiosos pelo espetáculo.
Procuro meu verso nos baús envelhecidos
onde as aranhas tecem embaçado o passado distante.
Procuro meu verso na tua face plácida
onde a dor desfez as pétalas da vida.
Procuro meu verso nos porões do abismo
onde repousam tesouros sinistros.
Procuro meu verso em tantas procuras
e procuras tantas que é um procurar constante
a fortuita imagem de procurar.

 

 

REALIDADE BRASILEIRA

Por Erna Pidner

Terra da promissão! Abençoada pelo Criador com exuberante natureza, clima tropical, bênçãos sem fim.
Por que trevas sorrateiras, a se abaterem sobre teu solo bendito, toldando a luz teimosa, a se infiltrar nas brechas encontradas, rico e idolatrado país? Por que tanto sofrimento carregam os filhos teus?
Legiões de seres cabisbaixos, tristes, revoltados, frente à impossibilidade de usufruírem sequer do direito ao labor, imprescindível ao sustento próprio e dos seus.
Parte da elite econômica, a tripudiar sobre a miséria humana à sua frente. Não aceitam abdicar de nada a que julgam ter direito, obtido da exploração dos que, na ânsia de mitigarem a fome e não verem os seus morrerem à míngua, aceitam qualquer tarefa que lhes renda alguns trocados.
E, como se isso não bastasse, alguns até dispõem da vida desses que julgam inferiores, eliminando-os quando põem em risco virem à tona barbaridades que cometem, oriundas de suas mentes doentias.
Violência de toda ordem, crimes, drogas, prostituição, de onde de originam?
Será que a família se desestruturou? A escola não consegue mais incutir nas mentes em formação noções básicas de civilidade? As igrejas, apesar de todos os seus esforços, não atingem o âmago desses corações, já em tenra idade, a vivenciarem conflitos e incertezas? O senso moral não mais existe?
Ações comunitárias e voluntariado, aí estão, com seus belíssimos projetos a serem postos em prática.
Mudanças, ainda não muito perceptíveis, paulatinamente, ocorrem ante olhos atônitos e corações oprimidos, frente ao caos reinante.
Brasil, forte, altivo e varonil; que será de nós, agora que
ingressamos no ano dois mil?
Só o futuro dirá! Dito tão lugar comum; mas, ante tantas incógnitas, a me povoarem os pensamentos, a repeti-lo sou mais um!

 

 

POEMINHA ILETRADO

Norma Bruno
(Florianópolis)

Aqui vai meu coração,
Vai dobrado como a flô,
Vai dizê pro meu amô
Apará co’ essa bobiça
De ficá tão longe d’eu
E corrê aqui pra perto,
Porque isso não tá certo.
O amô não tem idade,
E eu não sei mais o que faço,
Pra espantá esta saudade.

 

 

ENCONTRO DE ESCRITORES

A cidade de Alfredo Wagner, distante 78 km de Florianópolis, sediará o III Encontro Catarinense de Escritores e o I Encontro Internacional de Escritores de Alfredo Wagner e Região, dias 2 e 3 de setembro de 2011. O encontro reunirá escritores de Santa Catarina, do Brasil e de outros países. A promoção dos eventos é da Academia de Letras do Brasil/SC e da Prefeitura Municipal de Alfredo Wagner
Haverá feira de livros e de artes, lançamentos de livros, palestras, apresentações artísticas, apresentações culturais, visita aos pontos turísticos e históricos da cidade.O Grupo Literário A ILHA estará presente também neste evento literário.

 

 

NOVO LIVRO DE ERNA PIDNER

O novo livro da Coleção Letra Viva, lançada em comemoração aos 30 anos de atividades do Grupo Literário A ILHA tem mais um volume. Trata-se de “Vida”, volume de crônicas da escritora mineira Erna Pidner. É o quarto livro da autora e reúne os textos mais recentes dela, inclusive crônicas premiadas. Erna é membro fundador do Grupo Literário A ILHA.
Participou ativamente do grupo quando vivia em Joinville e continua até hoje.


EXPEDIENTE

Suplemento Literário A ILHA - Edição Nº 118 - Set/2011 - Ano 31
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
Contoatos: lc.amorim@ig.com.br - prosapoesiaecia@yahoo.com.br
A ILHA na Internet: Veja o portal PROSA, POESIA & CIA. em
Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


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