SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Edição 126 - Setembro/2013

Veja aqui a edição impressa desta edição da revista

UM ANO DE COMEMORAÇÕES


Como eu disse na edição passada da nossa revista, o Grupo Literário A ILHA completou, em junho próximo passado, trinta e três anos de atividades. Iniciamos em São Francisco do Sul, migramos para Joinville e atravessamos os anos 80 e 90 lá, mudando a sede novamente em 2000, para Florianópolis.
E as comemorações começaram cedo, antes mesmo de junho chegar, quando participamos do Salão Internacional do Livro de Genebra, em maio. Uma edição especial da revista Suplemento Literário A ILHA foi editada para levar ao Salão, com escritores brasileiros que lá estariam marcando presença.
Em abril, o Grupo A ILHA esteve na Feira do Livro de Joinville, com a participação de integrantes como este coordenador, que lançou lá seu livro "O Rio da minha Cidade", Célia Biscaia Veiga que lançou "A Feia Acordada" - infantil e Mary Bastian, que lançou "No País do Sol Dourado", infanto-juvenil, os dois últimos da Editora Dialogar. Na oportunidade, foi lançada também a edição 124 do Suplemento Literário A ILHA.
Em junho, participamos da Feira do Livro de Jaraguá do Sul, lançando a edição comemorativa do aniversário do grupo e livros deste coordenador e da escritora e editora Célia Biscaia Veiga. Outros participantes do grupo também estiveram presentes, como Selma Ayala, Gil Salomon e outros. Essa comemoração foi exatamente no mês do aniversário do Grupo A ILHA.
No mês de agosto, o Grupo A ILHA foi convidado para a primeira Feira do Livro de Mafra e este coordenador lançou seu novo livro "Histórias de Natal", no estande da Editora Dialogar, da escritora Célia Biscaia Veiga, que também lançou seus livros "O nome dele era Pedro" e "A Feira Acordada".
Participamos, também, em agosto, da grande festa da literatura brasileira aqui em Florianópolis, realizada pelo Varal do Brasil. Foi o lançamento do "Varal Antológico 3", antologia da qual participam vários integrantes do grupo A ILHA.
Continuando, estaremos no Festival Cultural de Campos Novos, onde falaremos do Grupo A ILHA na palestra "A Nova Literatura Catarinense" e lançaremos o novo livro de contos "História de Natal" e esta edição do Suplemento Literário A ILHA.
Para fechar o ano de comemorações do aniversário do Grupo Literário A ILHA, participaremos, no final do ano, da Feira Catarinense do Livro, aqui em Florianópolis.
2013 está sendo um ano bastante movimentado para o Grupo Literário A ILHA. Como presente, o grupo ganha, ainda, uma nova diagramação, feita pelo Vlad Camargo, ilustrador, capista, diagramador, indicado pela escritora Clarice Villac.

 

 

CONFISSÃO

Júlio de Queiroz - Florianópolis SC

Parem com isto! Não me batam, não me chutem mais!
Confesso. Sim, sou o Júlio, o que gosta de poesia;
De olhar fachadas de prédios em que não o deixarão entrar;
De sorrir para cãezinhos em portas de restaurantes
Nos quais nenhum dos dois irá comer.
De conversar com as ondas da Praia do Curtume
E de dormir, enrolado em nuvens, sem nenhuma certeza do depois.
Não posso negar tudo isto. Vou continuar assim.

 

 

CACHORROS

Enéas Athanázio (Baln. Camboriú)


Andando pela rua, nas minhas costumeiras caminhadas, comecei a lembrar dos cachorros que tive. Eles são uma de minhas manias, herdada pelas filhas, uma vez que todas têm cachorros. Os meus foram tantos que nem consigo lembrar de todos.
Entre os mais antigos figura o Rocki, um cão brasino que ganhei dos amigos Mena Barreto, ainda filhote, e que se tornou uma fera para os estranhos, embora brincalhão e carinhoso com os de casa. Eu o recebi em Campos Novos, onde passava as férias, e teria que levá-lo para Calmon, residência de minha mãe. Junto com uma de nossas tantas Bolinhas, que lá também se encontrava por razões que não recordo, ele foi colocado num caixote gradeado na parte superior e despachado até Joaçaba pelo ônibus do Tessaro. Lá foram embarcados no misto, o mesmo trem em que eu viajava. Como ele atrasou muito, fato comum, só passou em Calmon alta madrugada e os ferroviários sonolentos esqueceram o caixote com os cachorros e ele seguiu até o fim da linha, em Porto União. Os pobres só retornaram no dia seguinte, permanecendo na prisão por dois dias e uma noite. Quando abri o caixote eles pareciam abobados e não conseguiam caminhar. Tive que massagear suas pernas e fiquei assombrado com a sede que tinham.

Outro que deixou boas lembranças foi o Mundinho. Era um "fox paulistinha", todo preto e de longas pernas. Tinha um impulso extraordinário nas pernas, saltando do chão aos meus braços, já se posicionando para ser agarrado, sob pena de se estatelar de costas no chão. Saltava do solo para dentro do carro, através da janela, e o mesmo fazia em casa. Gostava de me seguir até o Fórum, correndo atrás do carro, com as orelhas abaixadas, e não se perdia no trânsito. Às vezes eu subia as escadas do Fórum, escutava um barulhinho atrás de mim, e deparava com ele me seguindo, ressabiado. Tinha que voltar até em casa para levá-lo de volta. Foi envenenado e teve morte quase instantânea, numa tarde em que o Pedro Abreu, desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça, estava em nossa casa e testemunhou o desespero do animalzinho.

Sempre que encontro cachorros na rua eu costumo "falar" com eles. "Onde vai? Que anda fazendo? Onde mora?" Alguns se alegram com a atenção recebida, sacodem os rabos e dão mostras de simpatia; outros ignoram o cumprimento e prosseguem duros no rumo de seus insondáveis compromissos. Como os seres humanos. Alguns passam a me seguir, talvez esperançosos de encontrar um dono.

Cachorros são leais e não alimentam preconceitos ou ideologias. Não se importam se o dono é rico ou pobre, feio ou bonito, de esquerda ou de direita, branco ou preto. Reluzindo de gordos ou exibindo as costelas magras, estão sempre solidários com seu dono e o seguem pelos caminhos.

Essas lembranças me ocorreram ao terminar a leitura de "Marley & Eu", em que John Grogan relata a vida e o amor ao lado do pior cão do mundo (Prestígio Editorial - Rio - 2006). É um livro comovente que vem fazendo o maior sucesso.

 

 


POEMA À INDIFERENÇA DO MUNDO

Harry Wiese - Ibirama-SC

Não sou saprófago nem abutre
e não ouso burlar as leis fúnebres
da mesquinharia humana. Todavia,
aprecio a correção e o caráter determinista.
Na patifaria
humana, as palavras constroem poemas,
ou assassinam metáforas.
Na vasta contemplação do amor,
uso-(as palavras) como instrumento de rigor,
na luta contra a desagregação absoluta.
E o mundo assiste a desgraças e vitórias
resignado e frio na sua essência de mundo. Pasmem, quanta dor e indiferença!
A paz aparente pregada nos palanques e púlpitos
torna-se conceito de paz,
absoluto e eterno,
sem pudor e constrangimento.

 

 

TEMPOS FELIZES - Grande amor



Por Urda Alice Klueger - Blumenau-SC


- Quando está aqui, ele não descansa o suficiente - me conta Rosiani. Cada pessoa da família dela tem um horário diferente para sair ou para chegar do trabalho ou da escola, e a cada um que chega ou que sai Atahualpa tem que ir encontrar a pessoa, pular, lamber, fazer festa - quando se acomoda para descansar de novo, de novo há alguém para chegar ou para sair, e a atividade dele recomeça. Pelo tanto que ele gosta de todos de lá, penso que não pode haver um lugar melhor para um cachorrinho ficar. Já me aconteceu de viajar por três semanas seguidas para fora do Brasil e meu cachorro ficou na casa da Rosiani, e eu telefonava de muito longe e pedia para falar com ele, e ficava dizendo coisas assim:
- Meu amor, estás aí? Atahualpa, estás me ouvindo? É a tua Urda! Tu estás bem? - e outras coisas assim que a gente fala para grandes amores, e quem pegava o telefone, depois, me contava como ele abanava o rabo enquanto me ouvia - mas depois ia brincar sem trauma.
Foi a viagem mais longa que fiz depois que o tenho, e estava em Cochabamba, na Bolívia, quando Hana me mandou algumas fotos do meu bichinho. Num café cibernético de um país estranho eu chorei desconsoladamente, de tanta saudade dele!
No final da viagem, quando peguei o último avião para voltar ao Brasil, e fiquei olhando, lá embaixo, as belezas deste meu continente tão amado, de repente me veio uma indagação: e se quando eu chegasse de volta Atahualpa tivesse me esquecido? Se ele não me quisesse mais?
Aí meu coração pareceu parar, e todas as belezas e coisas boas vistas e acontecidas durante a viagem deixaram de ter sentido, e naquele avião onde a luz do por do sol entrava pelas janelinhas eu me pus a chorar doloridamente, muito doloridamente, temendo o nosso reencontro. O que seria de mim se Atahualpa já não me quisesse?
Esquecia-me de que há amores que são eternos, não importa o que aconteça. Pessoas vieram e foram da minha vida; outras virão e talvez também partirão, mas o amor de um cachorrinho é algo que não muda, que fica para sempre.
Neste momento em que escrevo isto é um final de tarde de chuva e estou sentada na varanda da nossa casinha rosa e branca. Ao meu lado, Atahualpa dorme e vela, pois o sentido da vida dele é este de estar comigo e cuidar para que tudo esteja a contento ao redor. Nada me assombra, me assusta ou me dá medo quando estou com Atahualpa, e penso que com ele a coisa deve ser um pouco parecida.
Quando peguei Atahualpa naquela agropecuária, pequenino e doentinho, fiz as contas de quanto vive um cachorro: ele morreria mais ou menos na época em que eu deveria ir para um ancionato, e acho que vai ser assim mesmo. Não terei mais tempo de ter um outro cachorro depois dele. Sei que há sempre tantos cachorrinhos precisando de um lar, filhotes e adultos abandonados por gente sem coração, mas quando Atahualpa se for, já será muito tarde para eu começar outra história de amor. Pela lógica da natureza ele partirá antes de mim, e eu desejo muito que seja assim, pois não sei o que seria dele se eu o deixasse para trás. Não sei como poderei viver sem ele, mas já tive tantas perdas dolorosas na vida que penso que saberei suportar. Ele, no entanto, só tem a mim como seu grande amor.
O que espero? Espero que as crianças que estão crescendo hoje tenham muito amor no coração, e no futuro peguem para si aqueles cachorrinhos abandonados que eu já não poderei pegar, e que dêem a eles o mesmo tanto de amor que eu dou a Atahualpa.
-

 

 


TEATRO DE FALCATRUAS


Jacqueline Aisenman - Genebra-Suiça

Eu me revolto em pequenos atos
sobre o palco, mas atrás das cortinas.
Recito textos incompreensíveis
E alcanço a glória de ser eu mesma.
Não levanto mais bandeiras e
sequer escapam gritos.
Interpreto cenas mudas
para pessoas surdas.
Minha rebelião não e mais jovem
e minhas causas
talvez nem sejam nobres.
É que sinto a dor dos abatidos,
dos torturados e abafados
daqueles a quem só resta o olhar.
Por isto, ainda de pé
Sucumbo aos papéis
que são a minha voz,
ego em batalha.
E deixo a alma lutar todas as guerras
Que eu, (d)esperta,
Apenas tento evitar.

 

 

 

UM CONVITE


Por Mary Bastian - Joinville-SC


Saiu das prensas da Dialogar mais um livro meu, na área infantil, também com espírito ecológico, " O País do Sol Dourado", um chamado para o desmatamento incontrolável que destrói este mundo em que a gente vive.

Modéstia à parte, o livro está lindo, colorido, com fadas, micos-dourados, bandidos botando fogo nas matas, ou serrando as árvores. Bichos falando com a Fada Florestal e com um final de arrasar quarteirões e corações. Bem movimentado, bem meu estilo bangue- bangue.

Acho que temos de criar na cabeça das crianças a ideia de que se nós não despoluirmos o nosso ambiente, quem irá despoluir ? E se elas ouvirem várias vezes a mesma proposta, feita de diferentes modos, quando crescerem, irão trabalhar para que isto aconteça, seja como políticas ou simplesmente como cidadãs conscientes.

Eu faço a minha parte, separo lixo, planto árvores e flores e escrevo livros sobre ecologia pra crianças. Passei mais de um ano falando do rio Cachoeira e do Fritz, e até agora só ouvi desculpas. Por sinal, outro dia vi uma foto do Fritz, continua gordo e bonito, e chamando a atenção de quem passa. Para mim, ele é o cartão-postal da cidade.

Portanto, vai o meu convite para a leitura do meu novo livro, cheio de esperanças de que um dia o verão não troque mais de lugar com o inverno. Gosto das coisas lé com lé, cré com cré, ou seja, cada coisa no seu lugar para não causar confusão, mas, vejam só, as estações climáticas estão muito atrapalhadas, culpa exatamente dos desmatamentos, aquecimento global, quedas de geleiras e todos os pecados que os homens cometem em nome do progresso.

Claro que eu adoro o progresso, TV, notebook, telefone (deste, então, nem se fala), e outras coisinhas mais, mas não esqueço de que não se pode ignorar o meio ambiente já tão castigado.

Então, vamos ler "O País do Sol Dourado" e incentivar as pessoas a terem muito cuidado com a nossa linda mata nativa.

 

 


OS PÁSSAROS


Apolônia Gastaldi - Ibirama-SC

Eles voltam
Voltam sempre
Assim como as auroras,
O entardecer.
Eles voltam
Voltam a aparecer
Voltam sempre
Vêm comer no beiral
No beiral da minha janela
Mansamente chegam
Pousam, olham
Bicam, comem
Trinam, dançam
Consomem
Depois, esvoaçam
Voam para longe
E outro dia aparecem
Voltam como o sol
Muitas vezes, vem um só.
Sozinho.

Os pássaros voltam,
Mas nenhum faz
Do meu beiral
O ninho!

Por que fico eu
No meu beiral
Sozinho?

 

 

 

CANOA BORDADA

Por Norma Bruno - Florianópolis-SC

Ela já estava na praia quando as primeiras janelas se abriram na pequena vila. Passou o dia zanzando, indiferente às pessoas que a observavam curiosas. À aproximação da noite, alguém alertou que a mulher continuava por lá. Isso era incomum naquele tempo. Intrigados, decidiram que alguém deveria falar com ela.
Mestre Pedro foi o indicado não por ser um dos mais velhos entre os pescadores, nem mesmo pela autoridade que detinha como mestre do barco, mas por ser o único sem família, daí que não corria o risco de deixar viúva, caso a mulher fosse encantada.
Mestre caminhou apressado observando que a mulher já ia longe. Sabia que na entrada da noite a perderia de vista, por isso caminhava com a cabeça desprovida de pensamentos, como convém nessas horas, a respiração ofegante abafada pelo barulho dos seus pés na areia. Mantinha o olhar na silhueta recortada contra o céu adornado de cores, ocupado em não perdê-la entre os azuis, vermelhos, laranjas, verdes e violetas de todos os matizes. Finalmente conseguiu alcançá-la e chamou: - Hei! - Ela voltou a cabeça e ele se sentiu aliviado, pois, no fundo temia que a mulher cometesse um desatino.
Do que se desenrolou, nunca se soube o exato da prosa. O fato é que Mestre Pedro voltou trazendo consigo a mulher estranha. Sem disfarçar a curiosidade, as pessoas ouviram atentas quando ele a apresentou: - Galega -, viúva de Mestre Bento, um camarada seu da Armação do Pântano do Sul e disse que ela estava errando, sem rumo, pois não tinha para onde ir. Todos sabiam o que isso significava.
Pelo código de honra dos camaradas, a viúva de um pescador deve ser acolhida por todos, garantido o seu direito na partilha do pescado como se o pescador vivo fosse e tivesse ajudado na caça. Aliviados dos seus temores, todos passaram a ajudar. Por hora ela ficaria no velho rancho onde Mestre Pedro guardava os apetrechos da pesca. Havia ali um catre onde ela poderia se acomodar até que tivessem tempo de construir uma casinhola. Ele se arranjaria no rancho da armação. Ela agradeceu, ameaçando um sorriso, o que lhe trouxeram as mulheres: um boião de café coado, broa de milho, beiju e u'a moringa d'água. Mais não havia.
Ela era de pouca prosa, mas aos poucos foi se integrando à rotina da vila e ao trabalho das mulheres; carpia, lavrava e, cumprindo o que é de lei, todo dia recebia o seu quinhão. Quem o entregava era Mestre Pedro. Afora isso, pouco se encontravam. Quando muito se avistavam de longe, ele na lida da rede, ela na frente do rancho, bastidor de crivo sobre o colo, a urdir. Ele acenava, ela respondia com a mão. Ainda assim, nem chegaram a construir a casinhola. Não que houvesse má intenção da parte dele, isso não, e de mais a mais, não carecia. Era um homem mundiado, não tinha família, mas nem por isso ficava sem mulher.
Certo dia, chegado tarde do mar, Mestre Pedro foi entregar o pescado fora do horário habitual e a encontrou adormecida na canoa, os cabelos soltos pelos ombros, as mãos em concha sobre o ventre, o velho vestido. Foi ali, naquele exato momento, que ele, pescador experiente, forjado na fúria do vento e do mar, enxergou a beleza daquela mulher estranha. Saiu do rancho apressado, aliviado por não tê-la despertado com sua presença.
O fato é que a partir daquele dia nunca mais a olhou do mesmo jeito. Saber que ela dormia na canoa, algo tão intimamente ligado à sua vida, o deixava excitado e emocionado. E, já que a aflição não passava, Mestre tomou a decisão. Voltaria ao rancho no dia seguinte, àquela hora aproximada.
Como esperado, a encontrou adormecida. Deitou-se também, colocando nas mãos de Deus o encaminhamento das coisas como fazia diariamente com sua vida. Ela sorriu de olhos fechados, virou de lado abrindo espaço para que ele se acomodasse e disse: - Demoraste tanto…
Naquela noite, canoa bordada transformada em leito de núpcias, ela, de viúva de Mestre Bento passou a mulher de Mestre Pedro, sem que nunca se soubesse qual o seu verdadeiro nome. A não ser ele, desde o primeiro dia.

 

 

Primavera dos Sacis

Clarice Villac - Curitiba-PR

Tudo fica diferente
Quando chega a Primavera
Passarinhos namorando
O verde se recupera
Os sacis assobiando
pelos campos saltitando
A alegria é sincera !

Sacisperto e Sacimeiga
vão chamando a sacizada
Pra junto da amoreira
que está toda carregada
Vêm chegando os sanhaços
azulando os espaços
E a festa é animada !

As frutinhas cor de vinho
estão todas bem docinhas
Vão e voltam os sanhaços
chilreando animadinhos
Os sacis dançam em roda
e ninguém se incomoda
Borboletas nos caminhos !

http://www.sacisperto-e-sacimeiga.com.br/




LITERATURA INFANTO-JUVENIL


A HISTÓRIA QUE JUJUBA CONTOU


Else Sant'Anna Brum - Joinville-SC

O palhaço Jujuba prometeu contar uma história para as crianças do circo, onde trabalhava com seu irmão Picolé.
- Lembra, dizia ele, que eu fiquei de contar uma história naquele dia em que você contou sobre as bodas de prata do tatu?
- Lembro, disse Picolé. Você disse que história para crianças tem que ter bruxas, fadas, duendes, príncipes, princesas, reis e rainhas. Pois então. Vamos lá, sabichão!
E Jujuba contou que:
Num grande castelo, ao lado de um belo lago, morava uma linda princesinha de cabelos dourados chamada Luana. Do outro lado do lago havia uma floresta. Diziam que bem lá dentro numa caverna escura, morava uma bruxa malvada e muito feia.
Um dia a bruxa viu a princesa Luana passeando na beira do lago e, invejando sua beleza, transformou-a num cisne. Mas, nessa hora, um príncipe que era apaixonado pela princesinha vinha chegando ao castelo e presenciou a cena.
Imediatamente voltou galopando em seu cavalo até a casa de sua madrinha, uma fada muito poderosa que veio até o castelo e com sua varinha mágica desfez o feitiço da bruxa. Quando Luana viu o príncipe, abraçou-o dizendo:
- Que felicidade, meu querido príncipe! Você salvou minha vida!
Dias depois, com o consentimento do rei e da rainha o príncipe casou-se com Luana e...
- Já sei, falou Júlia, uma menina que ouvia a história com bastante atenção. Viveram naquele castelo felizes para sempre.
- Não, não, disse Jujuba. Infelizmente a história não termina aqui porque a bruxa voltou a atacar.
Naquela mesma noite quando a festa de casamento terminou, a bruxa transformou a princesa Luana numa pombinha, que saiu voando pela janela, deixando o príncipe desconsolado. Ele então montou em seu cavalo e correu alcançar sua madrinha, que não tinha ido muito longe, pois saíra tarde da festa.
A fada convocou todos os duendes da floresta ordenando-lhes que fossem à procura da pombinha.
- Como saberemos que é a princesa?
A fada contou que ao desfazer o feitiço do cisne deixara previsto que se a bruxa transformasse de novo a princesa em qualquer coisa, ela teria a marca de uma lua.
Assim os duendes saíram rapidamente em busca da pombinha encontrando-a não muito longe dali e a fada desfez o feitiço.
Julia perguntou:
- Será que a bruxa não fez mais mal à princesa?
- Não, falou Jujuba. Depois disso sim, eles viveram felizes para sempre, porque os duendes fecharam a caverna da bruxa e ela nunca mais conseguiu sair de lá!

 


´

A ILHA - 33 ANOS



Erna Pidner - Ipatinga-MG

Trinta e três anos transcorridos
levando cultura aos leitores
e alento aos corações.
Recordo os tempos primeiros
em que, em volta da praça,
recitávamos poemas
distribuíamos poesia
nas SANFONAS POÉTICAS.
Conversávamos com a galera
e mostrávamos nossos trabalhos
no VARAL DA POESIA.
Os tempos foram passando
muita coisa acontecendo
e os POETAS DA PRAÇA
não esmoreciam.
Veio a POESIA NO SHOPPING
e também os out-doors,
os livros, as antologias,
a poesia ensacada,
e a poesia e a prosa
migraram para a internet.
Gratos somos todos nós
ao Luiz Carlos Amorim
que, à frente desse grupo
que se dedica à literatura
deu muito de si
para que fôssemos adiante
e crescêssemos como crescemos.
Enfim, ao Grupo Literário A ILHA
muito mais sucesso
e muitos anos de vida ainda.

 

 

 


IDEALISTA


Célia Biscaia Veiga - Joinville-SC


Existem pessoas idealistas, que desejam realizar alguma coisa para poder beneficiar de alguma forma o seu semelhante. São incapazes de fazer alguma coisa exclusivamente para "ganhar dinheiro", "se dar bem", e coisas no gênero. São pessoas que tem como objetivo fazer a diferença para pelo menos uma pessoa que seja, que não faça parte do seu círculo familiar ou de sua roda de amigos, vizinhos e colegas. Um desconhecido, enfim. E se conseguir fazer a diferença para muitos desconhecidos, então se sentirá realizado. Enquanto isso pena bastante. Muitas vezes é ridicularizado e criticado, por diversas pessoas, às vezes sem maldade, às vezes por maldade mesmo.
Aí chega a encruzilhada: permanecer no ideal ou mudar de lado, tornar-se uma pessoa prática e que se preocupa apenas com a diferença que vai fazer na sua própria vida.
Se mudar, vai fazer com que aquelas pessoas que lhe diziam para mudar se divirtam, lembrando do quanto havia sido "fora da casinha" quando mantinha os seus ideais acesos, ou seja, vai continuar servindo de assunto para quando querem ridicularizar ou criticar outras pessoas que também sejam idealistas.
Se não mudar e não conseguir atingir os seus objetivos, passará a ser objeto de desprezo e de compaixão por não ser uma pessoa prática.
Se não mudar e atingir os seus objetivos, o que é muito raro de acontecer em vida, pode até passar a ser citado como alguém extraordinário, mas geralmente quando isso acontece, o reconhecimento tem início quando já partiu para outra dimensão.
O verdadeiro desafio é o equilíbrio entre o ideal e a praticidade, que não torna as pessoas notáveis e famosas, mas pode manter a consciência tranquila e o relacionamento com os outros, menos conturbado e sujeito a críticas destrutivas.

 

 

 

IMPOSSÍVEIS AMORES POSSÍVEIS - XI


Gil Salomon - Jaraguá do Sul - SC


tua voz tece melodias
agita os diáfanos véus que cobrem os olhos
transforma meu sangue.
lágrimas rubras
sulcam meu rosto
desenham caminhos
secam ao sol do meio dia.
ao findar o dia,
meu corpo é um deserto
meus amores
esqueletos espalhados pelo passado.
não há como renascer
apenas esperar
que a roda do tempo
transforme em pó
as últimas lembranças

 

 

Greve de escritores

Donald Malschitzky - Joinville - SC

Havia de acontecer, um dia se cansaria. O pedido, meio inocente meio atrevido, igual a tantos que já recebera, foi a gota d'água: "Você me dá um livro seu?" A resposta veio trovejante: "Por quanto tempo você vai trabalhar de graça para mim? Você acha que livros caem do céu? Que meu tempo não custa nada? Que aprendi o que sei por não ter o que fazer? Pensa que as editoras, as gráficas, as fábricas de papel e de tinta existem por dilentantismo de seus donos? Pois chega: estou em greve". Nunca mais escreveu uma palavra, um bilhete sequer.
À boca pequena, a notícia se espalhou e acabou empolgando outros escritores. Uns por preguiça, outros por solidariedade e um bom número por acordar para a necessidade de se indignar, aderiram. Virou rastro de pólvora antes de transformar-se em enorme explosão. Os escritores pararam de escrever!
Poucos tomaram conhecimento da greve. Alguns estranharam a falta de crônicas nos jornais, de colunas em revistas, outros as notícias sobre lançamentos, as críticas, mas nada causou maior comoção. Nas livrarias, as mesmas vitrines recheadas de "Best Sellers" e de livros de belas capas e nem sempre tão belos conteúdos. Nas editoras, um pouco mais de preocupação, mas o comentário mais forte era: "Coisa de egos feridos, daqui a pouco voltam a escrever e aí vão implorar publicações".
Com o tempo, tanto as resenhas em jornais e revistas, quanto as prateleiras das livrarias foram ficando cada vez mais parecidas com as de ontem e de anteontem. Um cheiro de passado e de falta de renovação tomou conta dos espaços. Primeiro, as editoras e, depois, toda a cadeia começou a sofrer as consequências. Quando sobrou papel no mercado e o preço da tinta caiu, os capitalistas acordaram. Mas era tarde: os escritores haviam se acostumado e passaram a viver de outras profissões, com a vantagem de não precisarem mais responder à incômoda pergunta: "Você também trabalha?".
Quando o primeiro morreu, poucos souberam. Uma flor murcha repousa sobre seu túmulo. A jovem a substitui por outra, fresca e viva. Por um instante, mira o epitáfio: "Finge que é dor a dor que deveras sente". Afasta-se para voltar na semana seguinte.

 

 

 

ANATOMIA


Carolina Baptista Axelsson - Suécia

Os ossos se formam no feto
determinando que vivo
Se você mora em mim
Já que sou quem sou
Então fiz a viagem
Sonhei com a viagem
Experimentei a aventura
daquele que me criou
Se Deus fez o homem à sua imagem
E se fez voce do meu jeito
Vivemos um no outro
Como células em relação ao organismo

 

 

 

A FESTA DA LITERATURA BRASILEIRA em SC

A antologia do Varal do Brasil, que reúne escritores brasileiros de todos os pontos do país e alguns que vivem no exterior, além de portugueses, foi lançada em maio no Salão Internacional do Livro de Genebra. Foi uma belíssima festa.
Nesse início de agosto, o "Varal Antológico 3" foi lançado em Florianópolis. Por que Florianópolis? Porque dos co-autores da antologia, alguns são aqui da região e a editora do Varal do Brasil, Jacqueline Aisenman, é catarinense de Laguna.
Mais uma vez o Varal do Brasil é o elo de ligação, o amálgama que une escritores geograficamente tão distantes um dos outros, que possibilita o encontro de produtores de literatura que, de outra forma, não ficariam cara a cara, não poderiam trocar um abraço de confraternização. Isso já foi feito anteriormente, tanto aqui em Santa Catarina como em Minas Gerais e em Genebra.
Todos sabem o quanto é importante essa integração entre escritores, coisa que o Grupo Literário faz desde os anos 80, ainda que, de certa maneira, em menor proporção. Começou reunindo escritores do norte do Estado de Santa Catarina, depois de todo o Estado e, a partir do advento da internet, também de todo o Brasil e de outros países.
A festa do Varal foi espetacular, com a presença de mais de uma centena de pessoas, além dos quarenta e três escritores de vinte e três cidades diferentes de onze estados brasileiros, fora representantes de Angola, França, Suécia e Suiça, conforme o escritor José Alberto Souza, no seu blog "Poeta das Águas Doces".
Além da antologia do Varal do Brasil, vários autores trouxeram obras de suas lavras. Jacqueline lançou seu novíssimo "Sentimentos Confiscados", Luiz Carlos Amorim, coordenador do Grupo Literário A ILHA, fez o pré-lançamento de seu novo livro de contos "Histórias de Natal", que foi lançado também na feira do livro de Mafra e terá lançamento, ainda, no Festival Cultural de Campos Novos e na Feira Catarinense do Livro em Florianópolis.
A reunião de tantos escritores de tantas regiões do país e até de fora do país, em Florianópolis, constituiu-se na grande festa da literatura brasileira.

 

 

 

ENTRA SEM BATER - V

Maura Soares - Florianópolis - SC



Entra sempre sem bater, amor,
minha casa te pertence,
meu coração de há muito já é teu.
Traz os teus haveres,
depois arrumaremos.
Te sacia da jornada nos meus braços,
alivia teus tremores, teus cansaços
e passa a noite se quiseres.
Se desejares abrirei um vinho,
brindaremos ao amor,
este sentimento fulgente
que bate em todos os corações.
Faz do meu corpo tua morada,
dança comigo aquela nossa balada.
Recosta tua cabeça no meu colo
e eu beijarei teus olhos, tua boca.
Beberei a gota de vinho
do canto dos teus lábios
e juntos nos deliciaremos no amor.

 

 


Em Homenagem ao Dia da Criança, em outubro:


PROCURA-SE UMA CRIANÇA


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br


Procura-se uma criança. Procuro a minha criança perdida. Cresci e minha criança interior foi se distanciando - ou fui eu que me distanciei dela? Hoje sou apenas um adulto estressado, procurando pela criança que deixou em algum pedaço do caminho, esperando que tenha ficado um pouquinho dela num cantinho escondido do coração.

Preciso reencontrar o riso cristalino da criança que fui há muito tempo atrás, preciso do sorriso franco e verdadeiro, sincero e iluminado, preciso do olhar sem preconceitos e sem vendas, preciso ouvir os sons da natureza com a percepção da infância de outrora.

Quero meu eu criança de volta, para poder brincar as brincadeiras mais infantis, para sonhar os sonhos mais ingênuos, para de novo exercitar a fantasia, para resgatar a pureza interior.

Quero a alegria simples e pura da infância, o descompromisso de ser feliz por ser feliz, quero de novo um coração menino a sentir todas as emoções e a capacidade de aprender tudo de novo. Quisera repetir os primeiros passos sem medo do futuro e correr, correr muito, descobrir a vida. (Hoje em dia já não corro mais, o corpo cansado já não encontra a criança na minha memória esquecida para usufruir da sua força e vitalidade...)

Procuro minha chama perdida, nem que seja pequena, quase apagada. Cresci e me tornei "gente grande". Preferia, agora, ter deixado crescer apenas a alma, mantendo intacta a pureza, a singeleza, a paz e a serenidade de menino.

Ah, saudades da minha infância, tão distante aquele tempo! Devolvam meu coração criança, quero ser menino de novo! Para aprender novos engatinhares, sorrir novos sorrisos, sentir tudo outra vez! Dividir meus sonhos, descobrir novas luzes nos caminhos.
Procuro uma criança... Procuro meu "eu criança"! Me procuro e me perco... Olho pra dentro de mim e não encontro a criança abandonada, a chama perdida. Vasculho meu coração e ela não está lá...

Em algum canto escondido, ela deve estar. Preciso encontrar a criança que fui dentro de mim. Preciso.

 

 

 

TORMENTA


Rosângela Borges (Mexico)


E essa chuva fria
que me corre na veia,
encharca meu espírito,
escorre pelos meus olhos,
apaga meu brilho,
me encharca os ossos.
E eu respiro.

E essa ventania
que me varre a pele,
esfria meu abraço,
passeia pela minha boca,
leva meu sorriso,
me atravessa a alma.
E eu resisto.

E essa escuridão
que me afoga o beijo,
alonga meu caminho,
alimenta meu medo,
encurta o meu destino,
me corta ao meio.
E eu existo.

E essa chuva.
E esse vento.
E essa escuridão.
Eu respiro.
Eu resisto.
Eu existo.
Só isso!

 


Transmudação

Karine Alves Ribeiro - Blumenau-SC

Eu não sei como, nem em que momento, mas os anjos que me guardam falaram comigo esta noite. Acordei mais viva, mais alegre, com a esperança renovada. Ser eu, ser o que sou. Saber que somos criaturas de Deus, às vezes não é suficiente para querermos viver. Mas hoje a vida adentra-me como perfume espraiado, renovando cada célula, 7x7 vezes e 70x7 vezes digo: - "Eu perdoo!" Meu avesso no espelho e tudo é tão vermelho que começa a azular. Vida - Viela de Inícios Dourados de Amar! Lutar! Não como quem acha que já perdeu, mas como quem tudo pode ganhar! Os cavalos vem, finalmente beber na minha fonte. Tranças e turíbulos, tules e torrentes, tudo me atravessa e me tange a buscar nas tulhas divinas os tabernáculos titânicos. Força ferrenha de umas sem mil alfaias se abrindo. É a vida, é a luz que de favas doces, dentro de mim cresce, transmudando o horizonte, concebendo as estrelas em novelos celestes.

 

 

A VIDA AO REALENGO


Maria de Fátima Barreto Michels - Laguna-SC


Vocês não acham que as pessoas que têm "a cabeça fraca"
tornam-se piores quando veem os poderosos do mundo
praticando as matanças que cometem só porque querem
dominar estados, países e nações?
Nossas palavras e atos fervem num caldeirão só,
desde sempre. Seria o tal inconsciente coletivo?
Pessoas com doenças mentais existem desde que o mundo
é mundo. Diz uma letra cantada por Chico Buarque:
"a dor é tão velha que pode morrer".
Ainda que, embora, às vezes, só faça bem para quem a escreve,
a poesia, ai de nós, se não fosse Ela!
Remédio bom!

 

 

 

UM MEMORIAL PARA CRUZ E SOUSA


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br


O Memorial Cruz e Sousa, que foi prometido para o aniversário do poeta em 2008, só foi inaugurado depois do aniversário de 2010, em Florianópolis. Os restos mortais do maior poeta catarinense, trazidos de Minas para o Rio em trem de carga e finalmente vindos para Santa Catarina em 2007, iriam de novo para a senzala, que o local onde foi construído o Memorial é justamente o lugar onde ficava a senzala do casarão que hoje é o Palácio Cruz e Sousa. Os ossos do grande mestre do Simbolismo ficaram esperando todo esse tempo - três anos - para voltar à senzala.


Mas isso não é o pior. O espaço do Memorial é pequeno para se realizar ali atividades culturais, literárias, eventos com algum público. Quando da inauguração, divulgou-se que ali, além de ser o jazigo de Cruz e Sousa, seria um novo espaço para acolher eventos artísticos e culturais. Mas a verdade é que o espaço é pequeno e desguarnecido de qualquer móvel para acolher reunião de pessoas.

Mais uma vez, o governo de Santa Catarina promete, mas não cumpre, ou cumpre pela metade. Prometeu espaço onde poder-se-ia realizar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, homenagens ao poeta, como saraus, exposições, mostras, mas não deu condições para isso.

Divulgou-se que a Fundação Catarinense de Cultura, que é quem administra o imóvel, iria reformar o Memorial, para torná-lo usável, já que além dos problemas estruturais, o abandono acarretou outros. Constatou-se, ainda, que o referido está construído sobre local proibido, a Casa de Força do Palácio Cruz e Sousa. Levou tanto tempo, mais de três anos, desde a chegada dos restos mortais do poeta a Florianópolis, até que se inaugurasse o Memorial - pela metade, pois o projeto previa mais benfeitorias - e ninguém percebeu que estava sendo construído em lugar impróprio do jardim do Palácio, que era muito pequeno, que não seria possível realizar nenhum evento em espaço tão exíguo?
Finalmente decidiu-se, numa nova administração da Fundação Catarinense de Cultura, proceder às reformas para que o Memorial fique realmente pronto. Esperemos que fique pronto até a data de aniversário de Cruz e Sousa, que ocorre em novembro.

 

 


ETERNIDADE


Rita Pea - Portugal

Escrevo-te em poesia
Porque me Amas assim, tal como sou.
Porque nos teus braços
Sinto-me verdadeiramente versos de amor…
Só nos teus beijos,
O sonho fica eternizado no tempo…


 



MEMORIAL CRUZ E SOUSA


O Memorial Cruz e Sousa, inaugurado em maio de 2010, nunca foi usado, chegando a ser interditado em 2010, infelizmente, por problemas estruturais e outras inconsistências. Incompetência do Estado na construção daquilo que deveria ser um espaço em homenagem ao grande poeta.
Depois de tanto tempo abandonado, finalmente a Fundação Catarinense de Cultura, responsável pela manutenção do Memorial, lançará licitação, neste mês de setembro, para começar as obras para que o espaço possa, de uma vez por todas, ser aberto ao público e servir ao seu propósito.
O Memorial foi construído nos Jardins do Palácio Cruz e Sousa, no centro histórico de Florianópolis, ao lado da Praça XV, e abriga os restos mortais do maior poeta catarinense e um dos maiores poetas brasileiros.
Que o Memorial finalmente fique apto a receber o público para que se possa realizar ali eventos em homenagem ao imortal Cisne Negro.

 

 

POESIA


Aracely Braz

Era poesia, de verdade,
que descia lá dos montes,
penetrando os ouvidos dos poetas.
Era poesia o marulhar do mar.
Também sei que tudo o que eu sentia
era a mais pura e romântica poesia.
Tudo era lindo, tudo era belo
na rainha manhã, serena e bela;
era poesia o sol que irradiava
e batia na minha janela.
Era poesia o que meus dedos rabiscavam,
era poesia nos meus passos pro futuro,
na luz, nas trevas, nos sonhos mais confusos.
Era poesia no céu, na terra, na vida.

 

 


III Conferência Estadual de Cultura


A III Conferência Estadual de Cultura de Santa Catarina ocorrerá nos dias 2 e 3 de setembro de 2013, no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis. Tendo como tema "Uma Política de Estado para a Cultura - Desafio do Sistema Nacional de Cultura", o evento será um espaço para que a sociedade civil e os governos avaliem e façam propostas para as políticas culturais da União, Estado e Municípios. Etapa da III Conferência Nacional de Cultura, toda a sociedade poderá participar da Conferência Estadual, mas somente os delegados natos e os delegados eleitos nas Conferências Municipais e Intermunicipais terão direito à voz e voto.

 

 

REVISÃO DE TEXTOS

Não deixe seu texto ser publicado com erros. Fazemos revisão e copy desk. Livros, revistas, jornais, TCCs, etc. Temos os melhores preços. Revisões conforme a reforma ortográfica recente. Contato: revisãolca@gmail.com

 

 

 

O VERSO DE AMOR

Teresinka Pereira (USA)

O verso de amor
já não importa
depois da juventude.

As carícias sim,
o beijo, o abraço,
o olhar cúmplice.

O verso não tem asas
como as esperanças,
como a lágrima,
como a liberdade
presa a uma paixão.

Mas o verso pode precipitar-se
diante de quem o escreve
e seguir seu caminho
só e soberano,
sem as marcas da velhice
e do cansaço
até muito tempo depois
do amor já esquecido.

 

 

FESTIVAL DE CULTURA

O Grupo Literário A ILHA estará participando, em setembro, do Festival Cultural de Campos Novos, através do seu coordenador, Luiz Carlos Amorim, que estará fazendo a palestra "A Nova Literatura Catarinense" e lançando seu novo livro de contos, "Histórias de Natal".
Começando pela importância da literatura em nossa vida, na vida de todos nós, a palestra será um passeio pelo nosso Estado, focalizando gêneros e autores de diferentes regiões catarinenses, mapeando a nova literatura produzida por aqui. Não só aquela literatura publicada em livros, mas também aquela que pode ser lida todos os dias nos jornais, como crônicas s e artigos. O tema é uma prévia do livro "A Nova Literatura Catarinense", que terá um segunda edição no próximo ano.
Uma novidade de real importância para a cultura catarinense é a possível realização de uma feira do livro estadual, em Florianópolis, organizada pelo Estado e pela iniciativa privada, trazendo atrações paralelas para o público, além de livros, como grandes nomes da literatura de âmbito nacional.

 


EXPEDIENTE


Suplemento Literário A ILHA - Edição Nº 126 - Setembro/2013 - Ano 33
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA - Contatos: lc.amorim@ig.com.br
A ILHA na Internet: Veja o portal PROSA, POESIA & CIA. em
Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Edições Anteriores do Suplemento Literário A ILHA


VOLTAR