SUPLEMENTO LITERÁRIO A AILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

 

Março/2012

Edição impressa da revista em pdf

 

RECONHECIMENTO

Chegamos à edição número 120 do Suplemento Literário A ILHA. São quase trinta e dois anos de publicação da revista do Grupo Literário A ILHA, divulgando a nova literatura que vem sendo produzida nas últimas décadas.
O trabalho de tantos anos do grupo, lançando novos escritores e fazendo a difusão da nossa literatura por todo o país e pelo mundo, por todos esses anos, finalmente está recebendo reconhecimento no nosso Estado, coisa que sempre recebeu de outros pontos do país e até do exterior. Isso é muito gratificante.
Os integrantes do Grupo Literário A ILHA têm se destacado no cenário das letras de nosso Estado Catarina, também. Primeiro foi Harry Wiese, que teve seu livro "A Sétima Caverna" premiado pela Academia Catarinense de Letras na categoria romance, em 2009. Este editor foi eleito Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes em 2011. A escolha deveu-se ao lançamento da segunda edição da antologia poética "Nação Poesia" e pelo trabalho junto ao Grupo A ILHA.
E o livro de contos de Jacqueline Aisenman foi premiado pela Academia Catarinense de Letras, em 2011, como o livro do ano, na categoria conto.
O Grupo também foi homenageado na 2ª Noite Poética de São José, pelas
Associações e Academias de Letras da Grande Fpolis, em dezembro.

 

 

EXPLICAÇÃO DA ETERNIDADE

José Luís Peixoto
(Portugal)

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.
os assuntos que julgamos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.
por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.
os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.
foste eterna até ao fim.

(In "A Casa, A Escuridão" José Luis Peixoto é um dos mais importantes poetas portugueses da atualidade)

http://www.joseluispeixoto.net/56493.html

 

 

PAZ PARA CRUZ E SOUSA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

O Memorial Cruz e Sousa, que foi prometido para o aniversário do poeta em 2008, só foi inaugurado depois do aniversário de 2010, em Florianópolis. Os restos mortais do maior poeta catarinense, trazidos de Minas para o Rio em trem de carga e finalmente vindos para Santa Catarina em 2007, iriam de novo para a senzala, que o local onde foi construído o Memorial é justamente o lugar onde ficava a senzala do casarão que hoje é o Palácio Cruz e Sousa. Os ossos do grande mestre do Simbolismo ficaram esperando todo esse tempo – três anos – para voltar à senzala.
Pois a polêmica não acabou. O espaço é pequeno para se realizar ali atividades culturais, literárias, eventos com algum público. Quando da inauguração, divulgou-se que ali, além de ser o jazigo de Cruz e Sousa, seria um novo espaço para acolher eventos artísticos e culturais. Mas a verdade é que o espaço é pequeno e desguarnecido de qualquer móvel para acolher reunião de pessoas.
Mais uma vez, o governo de Santa Catarina promete, mas não cumpre, ou cumpre pela metade. Promete espaço onde se poderia realizar lançamentos de livros, sessões de autógrafos, homenagens ao poeta, como saraus, exposições, mostras, mas não dá condições para isso.
Divulgou-se que a Fundação Catarinense de Cultura, que é quem administra o imóvel, vai reformar o Memorial, para torná-lo usável. A desculpa é que o referido está construído sobre local proibido, a Casa de Força do Palácio Cruz e Sousa. Levou tanto tempo, mais de três anos, desde a chegada dos restos mortais do poeta a Florianópolis, até que se inaugurasse o Memorial – pela metade, pois o projeto previa mais benfeitorias – e ninguém percebeu que estava sendo construído em lugar impróprio do jardim do Palácio, que era muito pequeno, que não seria possível realizar nenhum evento em espaço tão exíguo? Isso deve ser um capítulo desgarrado da reforma do Centro Integrado de Cultura, que já tem, também, mais de três anos, onde gastou-se milhões e mais milhões dos cofres públicos e até o início do ano, não havia sido feito praticamente nada. O maior teatro do Estado está fechado por anos sem que, até agora, estivesse sendo feito absolutamente nada nele.
As coisas precisam mudar. A cultura deve ser tratada com mais respeito, nossos valores culturais precisam ser reconhecidos e preservados. Afinal, é um pedaço da história do Brasil.

(Do Jornal Diario da Manhã-GO)

 

 

MORADA PROVISÓRIA

Júlio de Queiroz
(Florianópolis)

Vivo numa casa pequena
Em frente ao mar imenso,
Para que não me afogue
A cada dia,
Na miséria do meu povo.

A casa encara uma árvore
Com galhos fortes,
Para que, em vendo o mar,
Eu não me esqueça
Do dia da justiça do meu povo.

É nessa casa que durmo
Comigo mesmo e com outros corpos,
Para que eu não me esqueça
De que a justiça de nada vale
Se for solitária.

É uma casa construída com cansaços e esperanças
Mas quando chegar a véspera da aurora,
É cantando que a destruirei, sorrindo,
Para junto com meu povo redivivo,
Levantar a permanente moradia comum.

 

 

A VIDA (FÁCIL) DO CRONISTA

Por Norma Bruno

 

O cronista é um sujeito, ou sujeita, como outro qualquer com crises de flatulência e contas a pagar. O que diferencia o cronista é o jeito de olhar para aquilo a que chamamos realidade, além da mania de interpretar o que vê, ou acha que vê, e a necessidade de contar para os outros o que viu.
O cronista precisa ter o olhar atento, mas não treinado, precisa ter senso de oportunidade e, sobretudo, sensibilidade para saber que, por trás das coisas e dos fatos, existem as pessoas protagonizando suas vidas, seus enredos, suas histórias.
O cronista não precisa necessariamente ser um exímio escritor, qualidade rara, precisa é saber contar uma história. Na verdade, o que ele precisa mesmo é ser bem aquinhoado pela sorte, pois as histórias se contam sozinhas, o tempo todo. Estar no lugar certo, na hora certa significa presenciar ou não a cena, o fato acontecendo. A crônica está sempre por um triz. Que o diga Fernando Sabino, contador da crônica mais linda que eu já li até hoje - A Última Crônica -, ô inveja!
"A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café no balcão. Na realidade, estou adiando o momento de escrever. (…) Ao fundo do botequim, um casal de negros acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura de humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus 3 anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao seu redor. Três seres esquivos que compõem à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome…"

(Do blog O ESPÍRITO DA CIDADE,
http://normabruno.wordpress.com/
author/normabruno)

 

 

ASAS

Rosangela Borges
(México)


O pessegueiro sente medo.
Suas folhas cansadas, estranhas, amareladas.
O sol, a chuva, seu ninho:
Por que não nasci passarinho?

A macieira sente frio.
Suas flores, suas cores, suas sementes
A grama, a noite, a calçada
Meu Deus que vida gelada!

A laranjeira sente dor.
A fruta pequena, azeda, dourada
Desliza, cai e chora:
Por Deus, porque não nasci amora?

O gato sente medo.
Sua sombra persegue, lamenta, amassa.
Voa, foge, caça:
Meu Deus, porque não nasci fantasma?

Eu não sinto nada.
Esse vento, esse olhar, essa estrada.
O pêssego, a maçã, a laranja, o gato.
O passarinho, o frio, a amora, o fantasma:
Eu tenho o mundo:
Nasci com asas!

 

 

FOLHAS SECAS

Por Mary Bastian

 

As duas tinham muitas coisas em comum: gostavam de girassóis, passarinhos voando, andar de mãos dadas, tomar sorvete. Com o tempo, filmes policiais, sopa e pãozinho quente com bastante margarina. E aí parou.
***
Os pontos de conexão foram ficando frágeis e escassos. Enquanto a avó envelhecia procurando nas pequenas coisas manter o equilíbrio e energia para alegrar e suavizar o inevitável declínio biológico, a neta procurava outros rumos, muito ruins , na concepção da velha, mas dialogáveis.
Só que aquele diálogo, a cumplicidade gostosa, cheia de beijos e abraços, sumiu. Os elos estavam cada vez mais fracos, os encontros mais distantes. Os ídolos da jovem eram de um passado que ela mesma não conhecera, de mortes trágicas, exemplos questionáveis, mas que por alguma razão estranha povoam a imaginação e admiração de uma certa quantidade de moços.
A menina foi se distanciando de todos, criando um mundinho de insatisfações, de "deixa pra lá, ninguém se importa comigo, quero viver a minha vida, vou morar sozinha". E foi se fechando, conversando cada vez menos, agredindo cada vez mais, ficando horas sem fim ouvindo aqueles cantores antigos e olhando pro nada.
- Quero liberdade, preciso ser livre, não pertencer a ninguém, botar a mochila nas costas, um chapéu na cabeça e sair por aí sem rumo.
Um dia saiu e não voltou.
***
A cada outra primavera a avó viu cresceram novos girassóis, escutou o sabiá cantar na goiabeira, encheu o bebedouro do beija-flor, plantou alpiste pros pardais, fez uma coberta nova pro cachorro.
De vez em quando recebia um envelope grande, colorido, com uma folha seca dentro. A avó gostava de modelar folhas na argila e fazer pequenos enfeites, castiçais, incensários, pratinhos. Não vinha nenhum recado junto, só a folha seca e o carimbo do correio por fora, dos mais estranhos lugares.
A velha aproveitava as folhas e seguia com sua rotina. Agora passava mais tempo ao sol fazendo tricô e arranjou uma estante na sala só para a coleção de folhas de cerâmica.
***
- Carta do Sul, vovó! - Gritou o carteiro, me tirando de um cochilo. Peguei o envelope grande e amarelo da cor do sol e sentei novamente, demorando um pouquinho pra abrir, acariciando o papel espesso como fazia com os cabelos dela, há muito tempo atrás.
Lá dentro, uma folha de girassol e um pequeno galho de figueira do mato, daquelas abundantes nos campos do Sul. Nem uma palavrinha escrita.
Naquele momento soprou uma aragem forte e fria, o sabiá chegou perto e beliscou meu chinelo, o beija flor voejou em volta do bebedouro, os girassóis mudaram de posição e ficaram olhando pra mim.
O cão deitou embaixo da cadeira, e os pardais saíram em disparada, piando, piando em direção ao infinito.

 

 

O QUE É SAUDADE

Célia Biscaia Veiga
(Joinville-SC)



Saudade é coisa doída
Que chega bem de mansinho
E se instala em nossa vida
Quando a gente está sozinho.

É uma doce lembrança
De um momento, de alguém,
De quando se foi criança,
Do dia de ontem, também.

É vontade de viver
Novamente o que viveu...
É querer de novo ser
Como foi o nosso eu.

É resgatar a inocência
Que havia no coração
Até a pré-adolescencia
E agora não há mais, não.

É rodar dentro da mente
Como se fosse filmado
O que aconteceu com a gente
Que merece ser lembrado.

 

 

AMEMOS A ILHA!

Por Enéas Athanázio

Godofredo Rangel

 

Suspeito de que ele tivesse outras, mas Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) confessou que alimentava a utopia de comprar uma ilha. "Quando me acontecer alguma pecúnia, - escreveu ele - passante de um milhão de cruzeiros, compro uma ilha; não muito longe do litoral, que o litoral faz falta; nem tão perto, também, que de lá possa eu aspirar a fumaça e a graxa do porto. Minha ilha (e só de a imaginar já me considero seu habitante) ficará no justo ponto de latitude e longitude que, pondo-me a coberto de ventos, sereias e pestes, nem me afaste demasiado dos homens nem me obrigue a praticá-los diuturnamente. Porque esta é a ciência e, direi, a arte do bem viver; uma fuga relativa, e uma não muito estouvada confraternização." Depois de divagações a respeito, pesando prós e contras, estabelecendo uma regulamentação mínima para o viver ilhéu, conclui por conclamar os leitores: "Amemos a ilha!"
Não me consta que tenha comprado a ilha, fosse por não ter acontecido o milhão de cruzeiros ou por esquecimento, envolvido talvez por utopias outras. Mas como não existe limite ao sonho do escritor, creio que ele o realizou em forma de livro, escrevendo uma de suas reconhecidas obras-primas. "A ilha que traço agora a lápis neste papel é materialmente uma ilha, e orgulha-se de sê-lo" - disse ele. E nasceu assim o livro "Passeios na Ilha - Divagações sobre a vida literária e outras matérias", cuja terceira edição, ampliada e acrescida, vem de ser lançada pela Cosac Naify, sem dúvida a mais sofisticada editora nacional (S. Paulo - 2011). Com primorosa feição gráfica, o volume contém crônicas variadas, páginas de memórias, perfis de escritores, apreciações críticas, prefácio e posfácio, fortuna crítica, bibliografia e esmeradas notas, além de interessante material iconográfico. É excelente amostragem para um reencontro com a prosa de Drummond.
Entre as crônicas coligidas, uma delas me diz mais de perto porque aborda a figura e a obra de Godofredo Rangel (1884-1951), escritor sobre quem tanto tenho escrito e falado e, ao que parece, quase em vão, tal o renitente esquecimento em que permanece. Em "Godofredo Rangel: Um Delicado", Drummond lastima não ter convivido mais com Rangel, acentua sua modéstia e humildade que causavam a impressão de pedir desculpas por ser escritor de talento. Transcreve trechos da carta de Milton Campos em que ele relata a visita que fez a Rangel, juiz numa "biboca arredia de civilização", e sai impressionado com o magistrado e o escritor, figura magra, envelhecida antes do tempo e que parecia padecer de fortes dores. Louva sem restrições as passagens de uma novela que Rangel escrevia e leu para ele. A crônica é um retrato autêntico e constitui bela homenagem ao autor de "Vida Ociosa."
Godofredo Rangel não foi bafejado pela sorte; diria mesmo que foi um azarado. A íntima amizade com Monteiro Lobato, editor poderoso, crítico influente e o escritor mais prestigiado da época, em vez de ajudá-lo só o prejudicou; apesar de seu talento, nunca mereceu o reconhecimento em sua própria terra e se defrontou com críticos ferozes e injustos. Edgard Cavalheiro, por exemplo, dizia que Lobato obrigou Rangel a ser o escritor que ele não era e sabia que não poderia ser, criando uma falsa expectativa, o que não é verdade, como constatei em meus estudos a respeito. Wilson Martins, ao que tudo indica sem conhecer toda a obra de Rangel, desancou-o ao comentar a biografia que escrevi. Embora reconhecendo meu trabalho, foi implacável com Rangel. Poupou o biógrafo, não o biografado.
Por tudo isso, a inclusão da crônica sobre ele neste belo livro foi um ato de justiça. Merece parabéns a Cosac Naify pela bela obra realizada.

 

 

ERA ASSIM

Else Sant´Anna Brum
Joinville(SC)



No quintal de minha casa
No meu tempo de infância
Convivi com muitas árvores:
Laranjeiras, limoeiros
Romanzeiras, pessegueiros.
Pitangueiras que ao florir
Como noivas pareciam
Deixando um tapete branco
No lugar aonde caiam .
Havia um pé bem pequeno
Perto de minha janela
Os frutos uma delícia
E o nome: caqui-canela.
Ao lado das cerejeiras
(havia muitas por lá)
Destacava-se garboso
Belo pé de cambucá

 

 

 

ÚLTIMA VIAGEM

Maura Soares(Fpolis)

Na derradeira viagem
Quero estar contigo
Com teu abraço amigo
A esperar a hora da partida.

No último instante
Conforta-me, acalenta-me
Para que eu possa sentir
O sopro leve
Da última brisa da aurora.

 

 

literaturacatarinense sempontocom

Por Celestino Sachet



Como surgiu a ideia de escrever sobre literatura catarinense? Não sei. Melhor, sei. Acho que foi assim: Nasci na roça. Roça de pés descalços e chapéu de palha na cabeça, interior de Nova Veneza, município de Criciúma, que se escrevia Cresciúma. E a gente pronunciava Crixuma!
Primeiro dos dez filhos de Madalena e Antonio, por circunstâncias que não é hora de conferir, fui criado por meu avô, na Cada de Pedra que de vez em quando aparece na televisão e que virou o símbolo da cultura italiana no sul do Estado. Meu avô viera da Itália, em 1891, acompanhando a família. Com 19 anos, tinha fama de intelectual, embora fosse ajudante de pedreiro. Quando desembarquei na referida casa de pedra, ele assinava a secção dominical do "Corriere della Sera" - Correio da Tarde -, publicado em Milão. Ao mesmo tempo, ele assinava também o "Jornal do Rio de Janeiro", o melhor do Brasil, segundo me dizia. Aprendi a ler com o auxílio dos dois jornais, já que a língua utilizada em família era o italiano. Fora de casa, na escola, evidente que se falava o português. Mas nós dizíamos que era o "brasileiro".
Assim, eu respirava os ares da "piccola Itália" - pequena Itália - na atmosfera do "grande Brasil". Ninguém tocava em Santa Catarina, a não ser o interventor Nereu Ramos que a gente via o retrato dele pendurado numa das paredes da escola. Mas ninguém entendia o que significava a palavra "interventor". Mesmo assim, tenho vários primos com o nome de Nereu.
Sobre literatura catarinense, nem pensar! Além disso, Nova Veneza está plantada aos pés da Serra Geral. O paredão limita o campo da visibilidade em direção ao sul. Dá a impressão de que as montanhas querem correr para cima da gente.
Toda essa amarração familiar, sociológica e geográfica explorava minha vontade de conhecer tudo sobre quase nada, no limitado espaço em que vivíamos de enxada às costas. Em razão disso tudo, eu carregava a fama de ser muito curioso. Meio bicho-do-mato, mas ao mesmo tempo meio intelectualizado pela escola primária.
Aos 15 anos me descobri aluno interno no Colégio Catarinense, aqui em Florianópolis. E aí, passei a curtir uma sensação gostosa: o Latim, o Francês, o Inglês, a História, a Geografia. E eu ficava com uma pena de todo o tamanho quando chegavam as férias e tinha que voltar para a roça.
Ah, e tinha a música sertaneja que os padres tocavam, em alto-falante no pátio, sábados à tarde e domingos também à tarde. Nas ondas da música, veio o interesse pelo sertão, pelo interior, pelo regional e, com ele, Santa Catarina, em relação ao contexto brasileiro. Na Faculdade Catarinense de Filosofia, curso de letras, o professor Aníbal Nunes Pires nos mandava investigar autores catarinenses, sem importar fama ou "qualidade". Outra professora nos mandou vasculhar jornais antigos na Biblioteca Pública do Estado.
E, assim, veio à tona o que jazia escondido dentro de mim: a cultura regional que acabou dando origem a uma dissertação de mestrado sobre "A literatura regional do Brasil".
Por essa época, anos 60-70, comecei a escrever uns estudinhos sobre autores de Santa Catarina. O primeiro artigo que publiquei, em uma revista, sobre Othon da Gama D´eça, horroroso!
Mas ele está guardado com muito carinho.

 

 

FACAS DO TEMPO

Jacqueline Aisenmann
(Suiça)

 

Passa...
Passa e não para.
Passa e segue.
Passa...
Horas singulares,
momentos vulgares.
Tanto e pouco.
Passa...
Ponteiros agudos.
Facas sem escudo.
Movimentos
do tempo...
Que passa...
Passa...
Deixando marcas,
tantas marcas...
lindos, arcos,
passos.

(Jacqueline é editora do
Varal do Brasil, revista
eletrônica de Literatura)

 

 

TECNOLOGIA DE PONTA NAS ESCOLAS PÚBLICAS

Por Luiz Carlos Amorim

 

Sobre o uso de Tecnologia de Ponta nas escolas públicas brasileiras, faz-se necessária uma reflexão sobre o investimento de mais de cento e oitenta milhões de reais dos cofres públicos em tablets para nossos estudantes de primeiro e segundo graus.
É até promissora, como já disse em outra oportunidade, a possibilidade de se colocar computadores touch screen na mãos de nossos estudantes, pois as novas tecnologias, aliadas à internet, facilitam o acesso rápido à informação e, consequentemente, ao aprendizado.
Mas além da incerteza de que esses aparelhos apareçam, realmente, nas escolas, para uso dos estudantes - os notebooks, de outro programa, bem mais antigo, até hoje não foram entregues a todas as escolas brasileiras - há o fato de que a educação pública está falida, neste nosso imenso Brasil. Só não vê quem não quer. A impressão é de que há interesse em que o povo não seja esclarecido, inteligente, não tenha cultura. Será apenas impressão? Algumas escolas estão caindo aos pedaços, sem manutenção há anos, em muitas delas não há equipamentos indispensáveis para os alunos assistirem às aulas e para o professor ministrar as aulas e os professores recebem salários irrisórios para a missão que eles têm de educar nossos filhos e prepará-los para a universidade, para o futuro.
É claro que tecnologia é importante e ela pode ajudar na eficiência da educação, se for bem usada. Mas não seria mais racional se o dinheiro que vai ser usado para a compra dos tablets e notebooks (e mais tantas outras coisas que se compram a preço de ouro nas repartições públicas, em Assembleias, Senado, etc.), fosse usado para pagar melhor os professores e para capacitá-los melhor? Antes de qualquer coisa, precisamos ensinar nossas crianças, transmitir-lhes conhecimento, sem o que é inútil colocar em suas mãos ferramentas tecnológias de última geração. E para isso precisamos de boas escolas, equipadas e com professores capacitados e em número suficiente.
Os donos do poder precisam dar alguma atenção à educação. E não só à educação. O governo anunciou que o orçamento do Ministério da Educação, para este ano, teve um corte de 2 bilhões de reais. A educação deste país já está um caos, jogada às traças, e o governo ainda faz cortes na verba destinada a ela? A roubalheira precisa diminuir, para que o dinheiro que sobrar dê para fazer a manutenção de todas as escolas públicas deste país, equipá-las e pagar decentemente os professores que tem a missão de formar os adultos que dirigirão este país amanhã.
E a situação consegue ser pior: o corte da saúde é ainda maior, muito maior: cinco bilhões e meio. Não quero ser pessimista, mas sendo apenas realista, vejo que as pessoas continuarão a morrer nas portas de hospitais e postos de saúde e continuaremos a assistir à falência da educação. Talvez até distribuam os tais tablets, afinal, estamos em ano de eleição...

 

 

MAR

Apolônia Gastaldi

 

Sou gaivota
em pleno voo.
Solitária.
Buscando um céu
de opalas tintas
leves ares,
clara luz.
Buscando
fulgor no espaço.
Avançando
além da vista.
Procurando
campo vasto,
mar de escuma.
Vagar
vagar em trilha
de sonho
e em aventura
esquecer
o rumo medonho.
O ontem
Apagar.
Não ter.
Sou gaivota
solitária
entre o céu
e o mar.

 

 

OS CAMPOS DE ÉRICO VERÍSSIMO V

Por Urda Alice Klueger

E a cidade onde ele viveu, que ora tem a longa ladeira, as casas, os alguns prédios mais altos, as árvores lá onde a ladeira fecha seu semicírculo, como uma lua nova espetada no céu, agora já não estava ali, e ia se diluindo, se diluindo, deixando no ar como que uma curvatura, como se viajasse por dentro do Tempo e passasse por dentro da curvatura de uma lente que é a lente que separa o ontem do hoje e do amanhã...
E a cidade do homem que tornou únicos aqueles campos foi como que sugada pelo Tempo, e o Vento ondulou de leve por ali como um leve silvo que atravessou aquela lente que é como uma dobra do Tempo, e numa voragem dentre as eras a cintilância do verde tinha voltado, e só havia, ainda, a suavidade dos campos contornados por estreitos renques de árvores e arbustos, e as ondulações que se espraiavam como ondas horizonte afora, e aquela água num encontro de baixios, lagoa azul no verde, rodeada por um caminhozinho branco, milagre de águas antigas que já não era mais possível saber se ainda existiam ou não nos tempos de agora, mas que um dia ali houvera, e no milagre do trânsito entre as eras, estava ali, diante de mim, e talvez aquela fosse a água onde um dia Pedro Missioneiro bebera...
Eu caminhava pela rua de pedra da ladeira, mas agora tudo aquilo sumira e só havia o verde, a lagoazinha azul, o pequeno caminho branco arrodeando a água, e era como se o tempo estivesse sendo sugado para cima, para o infinito, mas eu não sentia nenhum medo no meio daquela catarse do Tempo que era como que levado pelo Vento, e mui tranquilamente assentei-me no degrauzinho verde que havia ao lado do estreito caminho branco, serena e certa de um milagre.
O Vento, então, de silvo leve tornou-se agudo, e era como se ele redemoinhasse em girândolas de flores e de aromas, e quando senti o perfume do manacá florido eu soube que o meu Príncipe se aproximava. Muda e quieta permaneci, maravilhada demais por estar recebendo aquele presente da vida.
Então, de repente, contra o fundo azul e verde, de pé no caminhozinho de fina areia, bem diante de mim, recendendo a manacá, o meu Príncipe chegara!
Apesar do frio, ele mantinha sua camisa de cambraia aberta ao peito que era amplo como o eram aqueles campos, e se protegia com um casaco de pelego de ovelha escura, e aquele conjunto destacava e ressaltava a sua barba de prata, o seu cabelo salpicado de geada, e nada podia ser mais lindo no mundo do que aquele homem amplo e imponente na minha frente, e que me arrasava de deleite apenas com a sua presença! Lentamente, fui deslizando do assento de grama e ficando de joelhos na areia, esmagada de delícia, e então observei algo que nunca vira antes: o meu Príncipe estava cheio de desejo!
Nem sei dizer muito como as coisas aconteceram - seria tarefa de Érico Veríssimo contar melhor, pois aqueles campos eram os campos dele - mas também agora um pouco meus, depois que tais prodígios me aconteciam ali. Sei que estendi as mãos como quem vai orar, e recebi nelas o desejo palpitante e latejante do Príncipe de camisa de cambraia, e como quem segura uma rosa em botão o trouxe aos meus lábios sedentos também do mesmo desejo, e como louca, beijei a rosa, quis engolir a rosa, e tanto carinho fiz à rosa que foi como que a chegada da primavera, pois a rosa floresceu dentro da minha boca e me encheu de tanto orvalho que eu me senti madura como os pêssegos ficam no auge do verão, quando o excesso da sua doçura faz com que escorram gotas do seu mel pela maciez da sua pele, e eu sentia o orvalho da rosa a sobrar na minha boca e a escorrer-me até o peito.
Lentamente, bem como acontece com todas as rosas depois do florescimento, o Príncipe foi recolhendo a sua e eu fui sorvendo cada gota daquele orvalho abençoado que viera me frutificar de beleza, e era tão forte, então, o aroma de manacá florido enchendo os campos verdes e luminosos, que eu poderia morrer de alegria! Entendi, então, o que sentira Beethoven ao compor o seu Hino à Alegria - e entendi, também, que coisas assim fantásticas só poderiam ter me acontecido ali, pois ali eram os campos de Érico Veríssimo!

 

 

PALAVRAS DO POETA

Harry Wiese

 

As palavras de poeta comovem
como comovem os saxofones,
na vibração sonora
do samba-canção,
na zoeira melancólica
da taberna.

As palavras de poeta germinam
como germina o sêmen sacrossanto,
na volúpia eterna,
na espera do milagre da perpetuação.
As palavras de poeta sangram
como sangram os corações
do povo faminto,
nas esquinas beira-vida,
na angústia fatal.

As palavras de poeta comovem
como comovem os gritos na gelidez da noite,
de crianças recém-nascidas,
de mães de seios estéreis,
de mães de braços vazios.

As palavras de poeta são a vibração esperançosa,
na zoeira melancólica,
da grande nação,
mas não conseguem despetrificar
os monumentos da teimosia banal
dos que não nasceram para compreender
a Poesia.

 

 

FÉRIAS

Por Aracely Braz
São Francisco do Sul

Chegou janeiro. Chegaram também as férias. Percorro o ano mergulhada no trabalho, porém na expectativa do descanso que chegará com as férias. Procuro esquematizar esse espaço de tempo para usufruir dignamente de uma pausa para novos encontros no ar saudável e puro do campo.
Primeiro projeto: visitar minha tia Ana, no sítio Bela Esperança. Matar as saudades e provar de novo seus deliciosos quitutes. Em seguida, rever nossas crianças carentes do abrigo, levando-lhes um sorriso amigo, aquela palavra de esperança de que tanto precisam e novas histórias para contar-lhes.
É bom rever velhos amigos e matar as saudades. Ouvir de novo o trinar dos pássaros nas florestas, assim como o trombetear inigualável de nossas cigarras.
Quero me deitar na relva macia da chácara do Tio Maurício, assim como também extasiar-me nas areias mornas da saudosa Praia Alegre, onde tanto me banhei em tempos outros. Quero apreciar de novo nosso céu azul de verão e a magia infinita do mar. Livrar-me-ei, assim, do atropelo e do estresse da cidade.
Deus nos deu a vida e o direito de saber unir o útil ao agradável. Sinto-me privilegiada por nunca me sentir só e convicta de que algo bom estará sempre ao meu lado: o anjo de Deus que nos ampara. Assim, retorno feliz ao tradicional corre-corre da vida cotidiana da cidade, na rotina da convivência também saudável dos amigos e do trabalho, certa de que o trabalho dignifica, mas o descanso é merecido!

 

 

QUADRILÁTERO
AMOROSO

Mª de Fatima Barreto Michels
(Laguna-SC)

A vida inteira namorei minha avó materna
embora meu pai fosse a paixão proibida.
Eles morreram, mas nunca nossos incestos

Por pouco não sou (ainda) uma vaca perfeita.
O mérito seria todinho da mãe
porque ela me marcou, tangeu e engordou.

Mal comecei a aprender a comer capim
e temo que ela me deixe sozinha mugindo,
dada a ruminações, neste pasto mundo

 

LIVROS DA HEMISFÉRIO SUL

 

O livro “Borboletas nos Jacatirões”, de Luiz C. Amorim e todos os livros da Hemisfério Sul estão à venda nas seguintes livrarias: Saraiva (inclusive virtual), Curitiba e Catarinense. Central Livros e Rio Centro (Rio do Sul), Convivência, Fapeu, Livros e Livros, Catarainense, Saraiva (Florianópolis), Aladim e Casa Aberta (Itajaí), Acadêmica, Alemã, Papelaria Danúbio, Blulivros (Blumenau), Diocesana (Lages), LDV (Indaial), Papelaria Mosimann (Brusque), Cultural (São Leopoldo-RS), Bauhaus (Balneário Camboriu), Midas e Catarinense (Joinville), Nova Objetiva (S. Miguel do Oeste), Origem (Timbó), Grafipel (Jaraguá do Sul), Recanto do Livro (Videira), Refopa Joli (Pomerode), Fátima Art. Esp. (Criciúma), Ponto do Livro (Cruz Alta-RS). Pedidos também para o e-mail hemisferiosul@san.psi.br

 

 

NOS BUSCAREMOS SEMPRE

Joel Rogério Furtado

 

Nós bem sabemos
Que foste minha
Mais que de ninguém...
(isso eu percebo
em teus suspiros
de espera, de chegada, de partida.
No teu olhar de ansiedade
e de gozo,
bebo a vibração profunda
das cordas mais sensíveis
de tua alma.
Nossos corpos já navegaram
nas direções mais difusas.
Nossos anseios tontos
Já se esgotaram
Nossos sonhos tantos
já se findaram
Nossos desejos tímidos
já se soltaram.
Resta a certeza, entretanto,
que no fundo
nos buscaremos... sempre....

 

 

LANÇAMENTO ESTADUAL DE "NO OUTRO LADO DO MAR"

O romance “Do outro lado do Mar”, de Karine Alves Ribeiro, será lançado, no dia 13 de março, na Livraria Catarinense do Beiramar Schopping, em Florianópolis, as 19h30min. No dia 15 de março, o lançamento será em Gaspar, no Hall da Prefeitura Municipal. E no dia 18 de abril, “Do outro lado do Mar” terá noite de autógrafos no Shopping Neumarkt, de Blumenau, as 19 horas.
Karine estréia muito bem no ofício de escrever, pois este seu primeiro romance é uma obra reconhecida-mente de valor.

 

 

A FALTA QUE EU
QUERO


Adriana Niétzkar
& Vanucci B. Deucher
(Jaraguá do Sul)



senti falta da tua falta
a falta que tu me fazes
deixou de ser falta em mim

alguém sentindo falta de si?!
pode ter roubado
dos sonhos?
puxando-a pela janela

ou a esqueci
quando a tirei
quando brincava de embaralhar

sinto falta desta tua ausência
da falta de ti
que tive
da falta de tua presença
que era minha

para que a procure
para que a devolva
se tiver encontrado
se a tiver tomado

posso ensinar a fazer
a sentir a minha ausência,
melhor
sentir a falta de outro
que sentir falta de si.

 

 

BRASILEIROS NO SALÃO DO LIVRO EM GENEBRA

O Salão Internacional do Livro de Gennebra 2012 é o autêntico encontro entre editores, autores, promotores, distribuidores, mídias e outros atores do mundo literário e da cultura. São aproximadamente 100.000 visitantes. O Salão do Livro de Genebra é um local onde visitantes de todas as idades e profissionais se encontram durante cinco dias para compartilhar e trocar ideias em torno de uma mesma paixão: a cultura através da leitura e os encontros com mais de 500 autores presentes. Visitantes de toda a Europa afluem para o Salão do Livro de Genebra! A Livraria Varal do Brasil estará presente com um stand onde terá o prazer de apresentar a literatura brasileira e de língua portuguesa em geral, com os autores conquistando uma janela de visibilidade muito expressiva num dos mais renomados eventos literários da Europa. O editor do Suplemento Literário AILHA faz parte do catálogo da Livraria Varal do Brasi, que estará impresso em francês, e seu livro “Nação Poesia” estará disponível no evento. O salão acontece de 25 a s9 de abril.

 

 

FILHOS, ÁRVORES, LIVROS

Erna Pidner
(Ipatinga-MG)

 

Ter filhos, doce aspiração do ser vivente.
Sonhos acalentados de esperanças
nem sempre realizadas.
Se não os tens, quem sabe, de repente,
possas ser pai ou mãe dessas crianças
a atravessarem teu caminho
pedindo apenas um pouco de carinho.
Plantando árvores, auxilias Mãe Natureza
em sua tarefa de fazer brotar da terra
sombra frondosa, flores, frutos e madeira
de uma forma de vida muitas vezes maltratada
por nós, homens, tão vilipendiada!
Se árvores não te for dado plantar
sementes de otimismo e simpatia
tens o dom de espalhar.

Escrever livros é algo tão bonito!
Palavras, frases, histórias bem urdidas
Trazem mensagens a ecoarem no infinito.
Nem todos podem ser, nessa vida, escritores;
no entanto, ao viver dramas e amores,
quantos não escrevem, com a pena da experiência
o seu próprio Livro da Existência!

 

VARAL DO BRASIL 2

O livro Varal Antológico II já está em fase de produção. Textos reunidos, de autores de vários pontos do Brasil e também de Portugal, além de brasileiros radicados em outros países, dão a oportunidade de vislumbrar a paisagem de um novo panorama literário formado por várias mentes e corações unidos em muitas páginas e com um só propósito: dar o melhor ao leitor!

A editora da antologia, Jacqueline Aisenman, anuncia o lançamento para abril e maio, a princípio, em Belo Horizonte e Salvador.

O livro também será lançado no segundo semestre deste ano na Suíça.
Tenho a honra de ter sido convidado para ser o apresentador do livro e estou escrevendo o prefácio para enviar à editora. Uma prévia já está aqui no blog, mas não é o texto definitivo.

 

 

A MARGARIDA E O POETA

Karine Alves Ribeiro
(Blumenau)

"Enquanto a margarida descansa no vasto jardim,
o poeta vem e admira seus ínterins.
Ela, sem perceber, acorda, boceja e espreguiça-se
olha ao seu redor, ninguém para vê-la cantar.
Solta a bela voz, enche de música o ar.
Somente o poeta admira a cena, escondido atrás de uma árvore.
Quando as outras flores abrem os olhos,
a bela margarida respira o orvalho de suas folhas,
recompõe-se e volta para a sua brancura serena e silenciosa...

Assim nasceu o poema da rainha das flores.
Nas páginas do poeta, a margarida despe-se do branco,
para vestir-se mais colorida que o vermelho.
O veludo se estente para ela passar...
Ela canta, canta, sem parar
e quem lê os seus versos
logo começa a bailar."

 


EXPEDIENTE

Suplemento Literário A ILHA - Edição Nº 120 - Março/2012 - Ano 31
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
Contatos: lc.amorim@ig.com.br
prosapoesiaecia@yahoo.com.br
A ILHA na Internet: Veja o portal PROSA, POESIA & CIA. em
Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


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