SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Edição Número 100 - Março 2007

LITERATURA DE SANTA CATARINA PARA O MUNDO EM CEM EDIÇÕES


Faz vinte e seis, quase vinte e sete anos que a revista Suplemento Literário A ILHA surgiu, em São Francisco do Sul, a partir do jornal semanal A ILHA, que existia naquela cidade histórica – é a terceira mais antiga do Brasil, com mais de quinhentos anos – em 1982. A redação do jornal recebia originais literários – contos, poemas, crônicas, mas as páginas do pequeno jornal eram insuficientes e surgiu a necessidade de um outro espaço, específico, como um suplemento, que acabou reunindo os escritores e resultou no nascimento do Grupo Literário A ILHA, junto com a revista.
De lá para cá o grupo mudou para Joinville, onde ficou por quase vinte anos, congregando e integrando os escritores do norte do estado, de todo o estado, do Brasil e até de outros países, e em 2000 fincou sua sede em outra ilha, Florianópolis.
O Suplemento Literário A ILHA é, sem sombra de dúvida, a publicação literária mais perene em Santa Catarina. Nenhum grupo ou revista essencialmente literários resistiu tanto tempo em atividade. A cada três meses, uma nova edição da revista circulava, durante todos esses vinte e seis anos, ininterruptamente. E de pouco mais de dez anos para cá, com o advento da Internet, uma edição on-line no portal do grupo (http://br.geocities.com/prosapoesiaecia), levou ainda mais longe a publicação, então ao alcance de todo o mundo.
Muitos escritores passaram pelo grupo e pelas páginas do Suplemento Literário A ILHA e hoje, alguns são nomes conhecidos e respeitados pelo Brasil afora, como Urda Alice Klueger, Enéas Athanázio, Apolônia Gastaldi, Else Sant´Ana Brum, Eloí Elisabet Bocheco e outros.
Para comemorar a resistência e persistência da revista que conseguiu projetar a literatura de Santa Catarina pelo Brasil e pelo mundo, será lançada a coleção Poesia Viva, constante de dez volumes de poesia de poetas integrantes do Grupo A ILHA, que sempre publicaram no suplemento. Também o livro “Escritores Catarinenses e o Grupo Literário A ILHA”, focalizando a obra e a biografia dos poetas da praça e ainda o livro de crônicas “A primavera Sempre Volta”. Os lançamentos acontecem na Feia de Rua do Livro de Florianpolis, em maio e na Feira do Livro de Joinville em abril.

O editor

 

Clique AQUI para abrir edição número 100 em PDF

Clique AQUI para abrir a capa da edição 100 em PDF

Para abrir os arquivos PDF com a capa e edição 100 do Suplemento Literário A ILHA - versão impressa - você precisa ter o programa Acrobat Reader instaldado em sua máquina.

 

BIBLIOTECA PÚBLICA ESTADUAL EM RISCO

Recém entregue às mãos dos deputados estaduais, a proposta de municipalizar a administração do Teatro Álvaro de Carvalho, da Biblioteca Pública Estadual e da Casa dos Açores já causa polêmica no setor cultural catarinense. Desde que começaram a correr os rumores do projeto, há cerca de duas semanas, escritores, bibliotecários e freqüentadores iniciaram manifestações de repúdio à iniciativa do governo.
O projeto faz parte do pacote da reforma administrativa do governo estadual, apresentado recentemente na Assembléia Legislativa. O texto que propõe a municipalização inclui também a Casa do Governador Hercílio Luz, localizada em Rancho Queimado.
O principal impasse do projeto é em relação à Biblioteca Pública Estadual - na qual obras raras que datam do século 17 e jornais antigos de diversas cidades catarinenses integram o acervo de 110 mil volumes.
O presidente da Associação Amigos da Biblioteca é contra a municipalização: a Biblioteca é um patrimônio do Estado, de todos os catarinenses. Trata-se de uma instituição histórica. Seria uma perda enorme para o Estado de Santa Catarina.
O próprio superintendente da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes, Vilson Rosalino, admite que a municipalização da biblioteca não deveria estar na pauta da reforma administrativa.
O Estado tem que ter políticas culturais e é seu papel ter um bom acervo na bibliotecas que atenda inclusive outras cidades. É uma ferramenta poderosa que pode atender às demandas culturais do interior Estado. O projeto será votado no início de março.
(Excerto do DC, 20.02.07)

 

O ANOITECER

Aracely Braz

Ao cair da noite,
Encho meus olhos
Com o brilho fascinante da lua cheia
Que vem surgindo, formosa,
Prateando a escuridão.
Entrego-me às carícias
Da brisa benfazeja
Com a orquestra
De suave balé de folhas.
Ouço o sussurro dos pássaros
Que se aninham.
Cães ladram, gatos namoram,
Quebrando o silêncio da noite.
E uma voz inebriante
De cantador apaixonado
Lentamente se revela
Aquecendo o entardecer.
E quando dorme a noite criança
Mergulho em meu sonho de esperança...

 

RELEMBRANDO: da edição 22, de novembro/1986:

A PRIMEIRA FEIRA DO LIVRO DE SANTA CATARINA

Transcorreu, de 7 a 16 de novembro de 1986, em Florianópolis, a 1ª Feira do Livro, no Largo da Catedral Metropolitana. Ainda que sem a divulgação merecida e com uma cobertura que poderia ser melhor, a primeira Feira do Livro de Florianópolis constituiu-se do lançamento de 37 livros. Foram oferecidos ao público 100 mil livros e 30 mil títulos, distribuídos em 22 barracas, montadas no Largo da Catedral, ao lado da Praça XV.
Os livros foram vendidos com um desconto de 20 por cento, até mesmo os novos que estavam sendo lançados. Houve, no entanto, quem reclamasse que alguns títulos de sucesso da atualidade não fossem encontrados na feira.
Integrando o programa da feira, houve, também, no dia 11, à tarde, um debate sobre literatura catarinense no Teatro Álvaro de Carvalho, sem muito público e sem nomes mais representativos das Letras do Estado. Segundo alguns escritores que estiveram lá, o debate resultou vazio e não contribuiu em nada para solucionar os problemas relacionados com nossa literatura.
Essa primeira Feira do Livro de Florianópolis não foi um sucesso como é a de Porto Alegre, mas cumpriu o objetivo. Superou as expectativas, segundo os organizadores, já que foi a primeira edição. Venderam-se milhares de livros, escritores da terra tiveram contato com o público leitor, efetivando tanto a aproximação autor/leitor, como a integração escritor/escritor, pois muitos deles se encontraram na feira em decorrência dos lançamentos de seus livros.
Dos 37 lançamentos feitos no Paço das Letras, instalado na Secretaria de Turismo, no Largo da Catedral, 20 livros eram inéditos e de autores catarinenses. Apenas seis autores independentes fizeram os lançamentos de seus livros na feira. Do restante, todos os livros tinham selo de editoras do estado ou de outros estados.
O público correspondeu, acorreu à feira, comprou livros, prestigiou os lançamentos, mas nem tudo foi flores. Os autores novos, independentes ou alternativos, não importa como os denominemos, protestaram contra a discriminação imposta a eles. Apenas seis deles conseguiram encaixar seus lançamentos no programa da feira e alguns não puderam sequer colocar suas obras à venda, a não ser aqueles que recorreram à banca da Associação de Escritores de SC. Também a exibição de varais literários e os recitais de poemas foram impedidos, com o pretexto, por parte dos organizadores (Associação de Editores e Livreiros), de que nada deveria desviar a atenção do público do motivo principal da feira, que era o livro.
Lançaram seus livros nessa 1ª Feira do Livro de Fpolis, Urda Alice Klueger, Silveira de Souza, Abel B. Pereira, Moacir Pereira, Maria de Lurdes R. Kureger, Adolfo Boos Jr, Salim Miguel, Flávio J. Cardoso e outros.
De Joinville, apenas Werner Zotz e Luiz Carlos Amorim (“Uma Questão de Amor” – poemas, Editora Lunardelli) estiveram lançando seus livros no Paço das Letras.
O resultado foi bom e as próximas edições só tendem a melhorar, se tiverem uma organização mais apurada e um regulamento mais objetivo e voltado para todos os escritores catarinenses.

 

PASSEIO NA PRAIA

Wilson Gelbcke

Veio planando,
baixinho, baixinho,
quase tocando as ondas do mar.
Veio chegando,
devagarzinho, devagarzinho,
quase tocando as ondas do mar.
Passeavas na praia e ela, suavemente,
perto de ti deixou de voar.
Qual passe de mágica,
dois palmos da areia,
última brisa a pairou no ar.
Tranqüila, leve como pluma,
asas abertas,
pousou docemente.
Olhavas para ela
extasiada, cheia de ternura...
Sem esperar aplauso,
mesma serenidade no bater das asas,
a gaivota ganhou altura...

 

ANO NOVO. E A CULTURA EM SC?

Por Luiz Carlos Amoorim

Será? O ano de 2006 não foi muito promissor para a cultura de Santa Catarina. A Fundação Catarinense de Cultura foi praticamente esvaziada – se antes já fazia pouco, passou a fazer menos ainda. Teve o seu fim anunciado e o Estado mudou o sistema de captação de recursos para o aviamento de projetos culturais, revoltando todo o meio. A única publicação cultural oficial, o jornal “Ô Catarina”, teve sua publicação interrompida no início do ano passado e até hoje não teve nenhuma nova edição. O Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, o evento literário mais importante do estado, com projeção nacional, não teve uma nova edição desde 2002. A mostra de dança “Floripa in Jazz” foi cancelada de última hora, em 2006. As iniciativas culturais que conseguiram, de algum modo, serem levadas a efeito, não raro o foram por iniciativa privada.
E o ano novo começou, prometendo mudanças na cultural oficial. Com um novo mandato do governador, mudou o staf e novo nome para o comando da Fundação Catarinense de Cultura foi escolhido. Isto significa, além de mudanças na casa, que a entidade terá sobre-vida, apesar da anunciada extinção, no ano passado.
Não se sabe o que podemos esperar, mas é preciso dar um voto de confiança e contar com um bom desempenho da nova administração da FCC. A pessoa que está assumindo a FCC encontrará uma casa para ser colocada em ordem e muita coisa por realizar, inclusive a retomada de projetos abandonados, como os citados acima.
Não podemos esperar que tudo aconteça de uma hora para outra, mas contamos com uma Fundação Catarinense de Cultura mais ativa, mais atuante, que concretize mais projetos, que pratique mais cultura, que faça manutenção do que já existe. Sabemos que é preciso verba para isso, mas o secretário de Estado da Cultura já anunciou publicamente o valor a ser disponibilizado para a cultura em 2007: quarenta e cinco milhões de reais. Estamos contando com uma boa administração e uma boa distribuição desses recursos.
O secretário prometeu, ainda, a retomada do Plano Estadual de Desenvolvimento da Cultura, investimento na construção e reforma de espaços culturais e a consolidação do Funcultural, idealizado para destinação de recursos para projetos culturais através da captação junto a empresas, fundo que substituiu o mecanismo anterior de captação, recebido com muita polêmica e rejeição no meio, quando do seu lançamento em 2006.
A recuperação do incentivo à cultura em nosso estado vai exigir muito trabalho e dedicação, muita força e determinação. Exige que se invista mais em cultura em Santa Catarina. E quando digo investir em cultura quero dizer distribuir bem o investimento em todo o Estado e para todas as modalidades de arte. Não esperamos muito da administração anterior da FCC e tivemos quase nada. Infelizmente o antigo administrador da FCC ainda está lá, interinamente, pelo menos até este mês de fevereiro, e as notícias não são boas: o Estado quer se desobrigar da manutenção da Biblioteca Pública Estadual, do Teatro Álvaro de Carvalho e de outras instituições culturais tradicionais de Santa Catarina. O que mais está por vir?

(Veja matéria nesta edição.)

 

ONÇA

Apolônia Gastaldi


Os homens param
É o café da manhã
Traíra assada na brasa
E farinha de mandioca.

Todos se acomodam
como dá
Aglomerados
Em meio a selva
Comem sem falar

Logo um dos homens
Para de comer
Arregala os olhos
Fixos em algo

Os demais imitam
Olham para o mesmo local
Espanto
Inertes
Parecem aguardar
Alguma reação

Enquanto um dos homens
Pega a espingarda
Aponta
Todos atentos

A onça enorme
Malhada
Gorda
Bonita

Dá meia volta
E salta por entre o cipoal
Some
Some em segundos

Alguns minutos depois
Um rugido rompe a selva
e ecoa pelos morros.

 

RELEMBRANDO: da edição 22, de novembro/1986:

NOITE DE AUTÓGRAFOS EM SÃO FRANCISCO

Numa promoção do Grupo Literário A ILHA e da Associação Catarinense de Escritores, através do seu delegado na Babitonga, aconteceu, no dia 27 de novembro de 1981, na sede da AABB de São Francisco do Sul, a Noite de Autógrafos de Escritores Catarinenses. Foram lançados, na oportunidade, os livros “Minha Senhora do Desterro”, de Pinheiro Neto, “O Cavalo em Chamas”, de Silveira de Souza, “Crime na Baía Sul”, de Glauco R. Correa, “Pedaços”, de Luiz Carlos Amorim e a edição número 4 da revista Suplemento Literário A ILHA.
A noite de autógrafos foi bastante prestigiada pelos francisquenses amantes da literatura. Nunca havia sido realizada uma reunião de tantos escritores catarinenses em São Francisco do Sul, o que possibilitou a aproximação autor/leitor

 

 

SERENATA

Irene Serra

Noite. Um luar sarcástico se esconde
Numa nuvem tão tênue como um véu.
E sem que eu saiba como nasce e donde
Um murmúrio suave sobe ao céu.

Os violões soluçam; na atmosfera
Um lamento se espalha, se dilata
E vai morrendo lentamente, a medo...

Veio-me o sonho como a serenata,
Sem que eu soubesse donde que viera

Como não sei por que se foi tão cedo...

 

AVENTURA AO REDOR DO MEU QUARTO

Por Enéas Athanáazio

Existe com esse título um poema que já foi famoso em que o poeta abordava aventuras psicológicas e imaginárias entre as quatro paredes daquilo que os antigos designavam por alcova (*). Mostrava que para os dotados de imaginação nem as paredes cruas conseguem impor limites. Agora, quando ditas aventuras são reais e vividas, não será tão fácil realizá-las em ambiente assim exíguo. Transpostas as coisas para o ambiente da cidade, nem sempre aventuras inovadoras são possíveis. Depois de muitos anos, tudo parece conhecido, visitado, sabido, palmilhado. Num sentido figurado, a cidade acaba se tornando nosso próprio quarto.
Essa, porém, não é uma regra. Sem sair dos limites urbanos, minha mulher e eu realizamos uma bela aventura aqui mesmo, sem viajar ou gastar, exceto o esforço físico, aliás bastante saudável. Vai o convite para que os curiosos nos acompanhem em imaginação ou refaçam nossos passos.
Percorremos passo a passo a longa passarela que o município constrói sobre as pedreiras situadas após a foz do Marambaia. É uma obra que se transformará em atração turística, uma vez concluída e ajardinada. Vencidas todas as curvinhas, penetramos pelo caminho que sobe o morro, o último, com mostras de ser antigo e bastante usado. Enveredamos por ali, sob o mato, vencendo a subida íngreme e o chão repleto de pedras e mais pedras. Não tardamos a deparar com companheiros de jornada, entre eles um pescador simpático e conversador, contador de “causos”, cuja satisfação maior era ser primo de um construtor arquimilionário que havia edificado este, aquele e aqueloutro prédio. Depois de muito suor, esforço e algumas escorregadelas, avistamos, lá em baixo, a Praia do Buraco, imensa, vazia, bucólica, com muita areia fofa e banhada pelo mar azul. Por ela seguimos, pés dentro d’água, sentindo a carícia do velho Atlântico, muito calmo àquela hora.
Andamos, andamos. Às vezes, solitário, algum praiano aproveitando, deitado ou vagando sem pressa, ruminando secretos pensamentos. Transposto o hotel, cujos fundos vão ter ao mar, chegamos até o penhasco do outro extremo. E ali, como que subindo ao céu, a inacreditável escadaria de concreto que leva ao pico do morro. E então, reunindo ânimo e coragem, iniciamos a escalada, degrau a degrau, dez, vinte, cinqüenta, uma paradinha para tomar fôlego, e mais dez, vinte, cinqüenta, até os duzentos do total (contados...). Esbofados, suados, arquejantes, entreparamos e olhamos para o mar. Inacreditável a vista que se descortina, compensadora de tanto esforço. Mar largo, azul e calmo, separando-nos da velha África, o misterioso continente negro das aventuras lidas na infância, a África do Sul com suas pradarias povoadas de bichos e a Namíbia com seu inóspito deserto e a maior feira livre do mundo. Além da cidade de Lüderitz, de onde Amir Klink deu a partida na travessia a remo do mar-oceano, como relata em “100 dias entre céu e mar.” Tudo entrevemos com olhos imaginativos, absorvendo em largos goles a beleza sem par do mar sem fim, o “mare magnum” cujo extremo tanto temiam os navegadores de antanho.
Descansados, deixamos de lado o último lanço de escadas que vai ainda mais acima e descemos pela via asfaltada que vai encontrar a Estrada da Rainha. Subindo ao topo, iniciamos a descida, tendo à frente a mole dos prédios que se elevam pela orla. A proximidade afirmava que, ainda que parecesse incrível, estávamos em nosso quarto. ((*) “Voyage autour de ma chambre”, Xavier de Maistre, poeta francês – 1763/1852, publicado em 1795)

 

É SEMPRE ASSIM

Teresinka Pereira

É sempre assim, cândido
como uma flor perfumada,
o presente do dia da amizade.
Tem uma ordem universal
disposta a preservar
a glória do amor
na convivência humana.
Palavras e doces versos,
corações de chocolate
representam vivos desejos
para alimentar o amor,
como o sol no caminho.
Reticência no olho da vida.

 

RELEMBRANDO: da edição 49, de Jul/94

NOITE DOS AUTORES CATARINENSES

Aconteceu, no dia 09 de junho/94, no Museu de Arte de Joinville, a Noite de Autógrafos de Autores Catarinenses, em comemoração ao décimo quarto aniversário do Grupo Literário A ILHA e da sua revista. Foram lançados os livros “Folhas ao Vento” – poemas, de Mariana; “Rio Cachoeira, Saudade” – poemas, de Abel B. Pereira, joinvillense radicado em Florianópolis; “Canção de Amor” – contos e poemas, de Luiz Carlos Amorim e “Poesia Viva”, a antologia poética com poemas de todos os poetas do Grupo Literário A ILHA.
Na oportunidade, estavam sendo abertas duas exposições de artes plásticas e, além de leitura de poemas de Quintana pelo grupo TEU de teatro, houve tamlbém concerto do Coral Universitário da Furj, regido pelo Maestro Melara. Um excelente trabalho de integração de artes, trazendo cada vez mais público ao Museu de Arte, apesar da falta de apoio e assistência por parte da Fundação Cultural a uma casa que merece muito mais atenção do poder público.

 

PINTASSILGOS

(para João Hélio e os meninos de Bagdá)

Por Urda Alice Klueger

(Foto de Maria de Fátima B. Michels)

O meu país sofre, e nem seria coisa de gente humana se não sofresse. Um ícone da dor nos deixou arrasados: um menino de seis anos foi imolado no altar da barbárie, do terror, e não se discute uma dor assim, nem a dor de um país, nem a dor de uma família que passa por tal coisa, nem a dor que deve ter brotado como um cogumelo atômico dentro do desespero do menino que sempre só fora amado, e que de repente descobria que o mundo podia ser mau, tão terrivelmente mau que nada lhe restava além da morte dolorosa. João Hélio deve ter ficado como um pintassilgo morto, quando morto ficou, assim pendurado do lado de fora de um carro. E não dá nem para entender que uma mãe, que um pai possam sobreviver a uma dor tão grande como a que vivem os pais de João Hélio, e o meu país sofre junto, e nem seria entendível se não sofresse. Nas últimas horas tenho visto todo o tipo de manifestação de gentes de todos os tipos, da imprensa, de chamadas a dia de protesto, de pedidos para que se faça algo – e eu também sou gente e também estou esperando que se faça algo, pois já não é possível ver-se pequenos meninos pendurados fora de um carro como pintassilgos degolados, e também já não é possível continuar se olhando para as injustiças sociais tão fortes deste meu país, que, na maioria das vezes, é o que leva à fome e às outras monstruosidades que acabam, na pior das hipóteses, em crimes que todos podem latejar no próprio peito, como o de João Hélio como aquele pintassilgo... Seria o momento de pensarmos de quem é a real culpa da criminalidade do pobre, se dele ou dos juízes Lalaus que ajudaram a criar mais dez mil favelas e mais alguns milhões de famintos – mas não é aqui o lugar, pois o espaço é curto.
O fato é que o meu país sofre, e nem teria outro jeito de ser quando um seu menino sofre a brutalidade que sofreu João Hélio. E então eu pergunto: e os outros meninos, aqueles lá de Bagdá, de Faluja, de Kabul, da Palestina? E os outros meninos de tantos outros lugares que estão sendo explodidos neste momento em nome da ganância do Capital e da vaidade de um louco? O quanto sofrem as pessoas dos bairros daqueles meninos que para nós são anônimos, mas que são meninos como João Hélio era, são pequenos pintassilgos que estão sendo aterrorizados até a morte por setenta vezes sete quilômetros, e que têm mães, e que têm pais, e que têm países ... Ah! mãe de João Hélio, ah! pai de João Hélio, eu nem posso entender como podem suportar o que estão passando, e queria abraçá-los junto ao meu peito e chorar com vocês até nem sei quando ... mas queria abraçar também as mães e os pais dos pintassilgos explodidos pela insanidade das guerras que os interesses do Capital espalham pelo mundo, e também queria chorar por eles, pois a dor deles e a de vocês não pode ser diferente... E se o meu país está sofrendo, o que dizer dos países dos outros meninos? Quantos meninos são explodidos por dia, por hora, em nome do deus Capital? Tento fazer algum tipo de conta: consta-me que apenas no Iraque já são mais de 800.000 as vítimas da guerra – quantos serão os meninos que já caíram como pintassilgos degolados? Dez mil, trinta mil, cinqüenta mil? Mais, talvez? Vai fazer quatro anos que o Iraque foi absurdamente invadido e eu fiquei no sofá da minha sala vendo os bombardeios na televisão e chorando sozinha, porque sabia o que aconteceria com os meninos. Quatro anos dá 1460 dias – cinqüenta mil meninos em quatro anos dá mais ou menos 35 meninos explodidos por dia, pendurados nos braços de pais desesperados como João Hélio ficou naquele carro... ai! Como é que o mundo pode suportar tanta dor e acreditar nas mentiras que a imprensa diz, de que tudo não passa de brigas religiosas à toa?
Enquanto não passarmos a tentar pensar nas coisas do jeito que elas são e acontecem, conseguiremos continuar sofrendo por um único menino que teve a infelicidade de passar por tamanho horror – e os outros? Talvez seja até bom para o nosso povo conseguir sofrer por um menino só, por maior que seja a dor – talvez a dor de todos os outros fosse insuportável demais. Eu, porém, não consigo acreditar na imprensa, e aquela dor insuportável, a dos tantos pintassilgos explodidos, me arrasa um pouco a cada dia.

 

NECESSIDADE URGENTE

Anamaria Kovács

Preciso de uma ilha de paz
No meio desse mar bravio.
Com uma palmeira
– uma só –
A cantar ao vento.

Uma ilha rasa,
Que a maré noturna
Lamba levemente
Ao entardecer,
Com o mar cor de mel
A escorrer docemente...

Uma ilha embalada
Pelo canto das sereias
Pela ronda das estrelas
Pelos suspiros do mar...

Uma ilha só minha,
Refúgio permanente,
Incólume, seguro...
Preciso de uma ilha!

 

RELEMBRANDO: da edição 82, de Setembro/2002:

LUIZ DELFINO, O MAIOR LÍRICO DA POESIA BRASILEIRA

Quem foi Luiz Delfino? Não, ele não foi apenas um político que virou nome de rua. Ele é, isto sim, o segundo maior poeta catarinense, o maior lírico da poesia brasileira. Ele até foi senador, por Santa Catarina, foi também médico, mas foi na literatura que se perpetuou, ficando atrás apenas de Cruz e Sousa.
Delfino nasceu em 1834, na ainda Desterro. Morou na ilha até os 16 anos. Mudou-se, então, para o /rio de Janeiro, onde se formou em Medicina. Morreu em 19l0.
Não publicou nenhum livro em vida, o que fez com sua obra quase se perdesse no tempo. Sua poesia, de rima e métrica perfeitas, era publicada na maioria dos jornais e revistas de sua época, o que o fez conhecido e amado como poeta.
Chegou a ser eleito, pelos próprios colegas escritores, em 1898, o “Príncipe dos Poetas Brasileiros”.
Sua obra é imensa - escreveu mais de cinco mil poemas – e foi publicada em 14 livros, por seu filho, Tomás Delfino, entre 1926 e 1943. A obra publicada, no entanto, soma apenas um mil e quatrocentos poemas. É que em 1968, foi leiloado tudo o que estava dentro de uma casa que pertenceu ao poeta, no Rio de Janeiro, onde estavam seus originais. Quem comprou foi o americano David T. Hoberly, que estuda literatura brasileira. A poesia inédita de Delfino saiu do país e talvez nunca mais a vejamos.
Sua poesia vai do romantismo ao parnasianismo, passando pelo simbolismo. A perfeição na rima em métrica dá cadência e musicalidade à obra de Luiz Delfino.
O amor e a mulher eram seus temas preferidos. Foi ele um verdadeiro obsessionado pelo mito da beleza, da sensualidade, da idealizada companhia feminina, cantando o amor com toda a sua força e com as suas formas de atração.
Recentemente, Lauro Junkes, que estuda a obra de Delfino, organizou e publicou dois volumes com a obra completa do poeta, com mais de mil e trezentas páginas: “Poesia Completa – Sonetos” e “Poesia Completa – Poemas Longos”. Os livros foram distribuídos a todas as bibliotecas

O AMOR

Luiz Delfino

O amor!... Um sonho, um nome, uma quimera,
Uma sombra, um perfume, uma cintila,
Que pendura universos na pupila,
E eterniza numa alma a primavera;
Que faz o ninho e dá meiguice à fera,
E humaniza o rochedo, e o bronze, e a argila,
Sem o afago do qual Deus se aniquila
Dentro da própria luminosa esfera.
A música dos sóis, o ardor do verme,
O beijo louco da semente inerme,
Vulcão, que o vento arrasta em tênue pós:
Curvas suaves, deslumbrantes seios

De vida e formas variegadas cheios.
É o amor em nós, e o amor fora de nós.

 

AQUELA MÚSICA

Crônica de Maicon Tenfen
(do novo livro "A Culpa é do Mordomo)

Como o canto de uma sereia, a música atingiu os ouvidos de Aramel no momento em que ele parou no sinal vermelho. Há quantos anos não ouvia aqueles acordes, aquela melodia, aquela letra estrangeira que, mesmo incompreensível, dizia-lhe tudo? Investigou os carros ao redor. A canção vinha do Gol prata com vidros fumê que estava no outro lado do canteiro.
— Ei, amigo! Ei!
Buzinou, mexeu-se dentro do veículo, fez o impossível para chamar a atenção do motorista do Gol, mas era tarde: o sinal abrira e o automóvel já se afastava com a música. A música! Aramel não teve tempo para refletir, muito menos para se amarrar a algum mastro salvador. Engatou a primeira, atropelou o canteiro e enveredou pelo retorno proibido. Por pouco não se espatifou contra um caminhão de concreto. Buzinas e xingões pelo ar.
— Desculpe — gemeu Aramel. — É essa música... ela... eu... eu preciso uma cópia...
E saiu na perseguição do Gol.
Só Deus sabe o que Aramel passou nos últimos vinte anos para encontrar aquela canção. Em todas as lojas de discos faziam-lhe o mesmo interrogatório. Sabia o nome da música? Do intérprete? Do compositor, talvez? Qualquer coisa ajudaria, mas Aramel só sabia que a música era cantada em inglês.
— É mais ou menos assim: ná-ná, ná-ná-ná, ná-ná-ná. Quer dizer, deixa eu ver se imito melhor o ritmo. Assim, ó: nô-nô, nô-nô-nô, nô-nô-nô.
— Desculpe, mas não podemos ajudar o senhor.
Uma vez ouviu a música no rádio. Ligou para a emissora e passou pelo mesmo vexame, ná-ná-ná, nô-nô-nô, sem contar que, na suspeita de um trote, bateram-lhe o fone na cara.
Tentou colar no Gol, mas o trânsito estava pesado. Sinalizou com os faróis, com as mãos, com a buzina. Isso pareceu assustar o outro motorista, que pisou fundo e tornou as coisas ainda mais difíceis.
Claro, claro. Aquela música fez muito sucesso na época em que Aramel namorou uma moreninha de riso gostoso chamada... Como era mesmo o nome dela? Aramel sempre teve problemas com a nomenclatura, mas o som e a imagem, ah, esses permanecem vivos em sua memória. Clarissa? Não, essa foi no tempo do Dire Straits. Camila? Bee Gees. Rosane? Xi, namorinho sem graça e sem fundo musical. O melhor de todos foi com a morena, a do riso gostoso, enquanto aquela música — “a nossa música!” — enchia a pista de casais.
Furou um vermelho para não perder o Gol. Mais uma multa no fim do mês. Paciência. Aramel queria a música, era o que importava. Tentou memorizar a placa do automóvel, mas pouco avistava além de manchas brancas e incompreensíveis. Lembrou-se do oftalmologista e das lentes dos seus óculos, que clamavam reparo.
No tempo em que namorava a morena do riso gostoso (o nome! o nome!), Aramel tinha um topete que lhe dava a feição de um galo de rinha pronto ao combate. Depois separou-se dela, perdeu a fita k-7 com a música de sua vida e passeou burocraticamente por um casamento, um divórcio e uma luta pela guarda dos gêmeos — que perdeu.
Um dia lembrou-se de olhar no espelho e quase morreu de susto. Já grisalho, o topete estava murcho e a ponto de se tornar uma ilhazinha de pêlos cercada por calvície de todos os lados. A maturidade.
Maturidade! Até um eufemismo lhe fazia entender que a velhice já era um fantasma próximo. Mas ainda havia — havia sim — uma centelha que continuava acesa e que de vez em quando afogueava o seu espírito juvenil. Dessa vez, em pleno trânsito, o fogaréu veio com a música. Aquela.
*****
Finalmente o Gol diminuiu e entrou no estacionamento de um supermercado. Aramel chegou cantando pneu e cortou a frente do carro. É agora, pensou. Vou me apresentar e me desculpar, depois peço a música, quero fazer uma cópia, mas tem de ser hoje, agora, posso pagar, cem, duzentos reais, o que for. Vai ouvir a música todos os dias até o fim da vida, quem sabe assim recordará o nome daquela mulher maravilhosa.
Aproximou-se do Gol preparado para uma reação violenta do motorista que, só então percebeu, não era o. Era a.
— Aramel? Quanto tempo, Aramel! E que coincidência! Ainda agora eu estava ouvindo Wish You Were Here.
O nome da música ele acaba de descobrir. Agora só falta relembrar o nome da motorista, que é morena, e ri gostoso.

 

SOL MISTERIOSO

Rosângela Borges

Tímida, romântica e lenta
A luz do sol atravessa
As cortinas de seda
Do quarto frio e solitário
Como a procura
de alguém...

Ainda ontem,
O sol se escondia,
Misterioso, romântico...
Hoje o sol desperta.

Cabelos trançados,
Luz terna, dócil,
Tão indefeso...
Pobre sol!
Como eu, está sempre só!

Ah, sol,
Sol de cabelos trançados,
De luz mansa,
De raios românticos,
Traz de volta
O meu primeiro encanto.

 

RELEMBRANDO: da edição 38, de Set/1991:

A NOITE DA POESIA

Apesar da chuva torrencial que caiu sobre Joinville no dia 20 de junho/91, a Noite da Poesia promovida pelo Grupo Literário A ILHA, na Sala de Eventos da AABB, foi um sucesso. Cerca de cem pessoas prestigiaram a noite festiva que comemorou o décimo primeiro aniversário da revista Suplemento Literário A ILHA e do Grupo A ILHA.
A Noite da Poesia constou de Recital de Poemas, lançamentos dos livros “Sonhos de Amor”, da poetisa Rosa C. Veiga: “Espelho de Mim”, de Maria Capozi; “A Cor do Sol”, de Luiz Carlos Amorim, que também esteve lançando seu livro na Coletiva de Autógrafos de Blumenau, em abril, ao lado dos escritores Enéas Athanázio, Urda Alice Klueger, Edltraud Zimmermann Fonseca e outros, na Galeria Municipal de Artes; das sanfonas poéticas “Pra Falar de Amor” e “Emoção Bailarina”, cada uma com seis poemas de poetas do grupo A ILHA; relançamento do programa “Fim de Noite”, comandado pelo poeta e comunicador Sólon Schil – música popular brasileira selecionada e poesia de gente da terra da gente.E do lançamento do número 37 da revista Suplemento Literário A ILHA.
Na ocasião, esteve presente o poeta Abel B. Pereira, editor da revista literária A Figueira, em Florianópolis.

 

POESIA INTERNACIONAL:

DESTINO

Adolf P. Shvedchikov
(Rússia)

Eu estou balançando entre o paraíso e o inferno.
De acordo com meu portão que é desconhecido,
Do céu glorioso fui soprado
Por uma rajada violenta de um indefinido bem.
E agora eu não posso contar
Como é fundo este abismo de escuridão terrível,
Quantos dias da minha juventude eu perdi,
Por que eu estou sentado aqui, que inferno!
Ainda não consegui resolver este mistério...
Eu fiz meu lance com uma chance de sorte.
Para ser honesto, eu odeio este equilíbrio instável,
Mas eu não posso destrancar a cela de ferro do meu destino!

 

LICENÇA

Por Eloí Elisabeth Bocheco

Entro agora em tua morada, Lavínia , entro descalça e peço licença para me atirar de todo comprimento nas toscas madeiras de teu assoalho. As tábuas de pinho, sempre tão areadas por você nos dias idos, enquanto entoava “ o canarinho não quer que o botão de rosa caia”, conservam o mesmo frescor e nelas me espalho no calor deste alto verão.
Bem ali, à janela, sentavas para bordar teu bordado sinuoso como a vida. Pés num banquinho e o mundo em suspenso. O arco-íris vinha beber no riacho ao lado e você nem via. Perdida entre linhas. Ou achada.
Nunca cheguei a entender como conseguias bordar com a mão torta da paralisia. Foi por causa de tua mão encurvada que a velha Palmira não queria acreditar que o bordado era de tua autoria. Desse dia, guardo bem a cara de espanto da velha, com a toalha na mão, acariciando o bordado, encantada, mas descrente do poder de tua mão. E de teu devaneio, porque tenho pra mim que entravas num transe ao bordar.
Breve desmancharão a casa, por isso vim olhar de novo e pela última vez o que sobrou de teu vulto no que ficou. Você se demora no céu e eu já não sei mais bordar. Ficaram velhos todos os fios. Rebentam, Lavínia. Rebentam.
No fogão de barro com chapa de ferro dorme o par de chaleiras, secas como a estiagem destes últimos meses. Não sei como as coisas agüentam tanta solidão. Que tempo que faz que a cinza tá ali no borralho. Cinza inútil porque dela você nunca mais se utilizará para aspergir a porta de casa ou benzer contra quebranto e tempestades.
Os Andrades dizem que tirarão a casa mas deixarão a lavoura e a mata. Virei cá sempre que puder. Não havendo mais o assoalho, atiro-me na terra pura. A terra ainda é um lugar de cura.
Pouco sei sobre a tua estada no além, só alguma notícia que me traz a tarde, mas a tarde se engana, porque o presente virou eterno, o que foi não interessa mais a ninguém; tudo é um hoje sem fim.
Recolho as colchas de crochê das camas vazias e dobro-as com muitos espirros por causa do pó. O que é um ponto atrás do outro, o que é um dia atrás do outro?

 

POESIA INTERNACIONAL:

VIAGENS IMÓVEIS

Mélanie Lafonteyn
(Espanha)

Nos salões me calo
E me aborreço.
Escuto por um minuto
e logo saio.
Tomo em sonhos um trem
E vou passear.

Vou a Hong Kong
à Niágara,
à Sevilha,
Filadélfia.

E finalizo minha viagem
nos louros de teu jardim
no andiron escuro
de teu fogo aceso,
na recordação de tua voz,
de tuas mãos, de teus olhos,
de tua fronte, de tua boca.

 

O BOM TERRITORIALISTA CULTURAL

Por Luiz Carlos Guedes (Jornalista, editor do Rio Total)

Não o conheço pessoalmente, mas leio seus artigos no CooJornal, todas as semanas, através da fantástica facilidade permitida pela internet. Suas crônicas, comentários e reflexões conduzem nosso imaginário a formar seu perfil; como nos livros, onde nossa percepção pessoal define como vemos o personagem.
Outro dia assisti, por alguns minutos, o trecho de um filme que nem mesmo sei como se chama, mas que mostrava um menino com uma incrível curiosidade pelas palavras e uma ansiedade incontrolável em saber seus significados. Anotava todas as palavras que não conhecia e depois enlouquecia pais e conhecidos querendo saber o que queriam dizer. Sua maior felicidade foi quando ganhou do irmão mais velho um dicionário. Aquele livro grande, grosso, cheio de palavras com seus significados e variações foi sua glória maior. Tinha tudo ali. Tudo que ele queria e sonhou: o saber.
Tenho quase certeza de que este filme se referia à história de um escritor famoso.
Na minha concepção, nosso amigo deve ter sido, quando criança, muito parecido com o garoto do filme, ávido por entender as palavras. Capaz de ler, na adolescência, “Os Pardaillans” e “Fausta” de Michel Zevaco e extrair dos romances a realidade histórica do renascentismo e da França medieval.
Sim, por que ao contrário do que muita gente pensa, os romances através de sua ficção mostram muito da realidade de um lugar, de seu povo e da cultura da época onde se situam.
Que melhor forma de conhecer os baianos e seu jeito de ser que não através de Jorge Amado? Os gaúchos e a formação do Rio Grande do Sul com “O Tempo e Vento” de Érico Veríssimo? Ou, ainda, a saga do povo catarinense, com a leitura de “Cruzeiros do Sul” de Urda Klueger? E aqui estou citando só alguns autores que se dedicam à preservação da cultura de seu povo. Há infindáveis livros fascinantes que nos levam a conhecer o mundo.
Voltando ao nosso amigo, é assim que o vejo. Um apaixonado pela literatura e pelo saber sem egoísmo. Não quer o conhecimento só para si, mas para todos, principalmente para as gerações futuras, defendendo a cultura e os escritores de seu estado natal com o entusiasmo de um jovem revolucionário em praça pública.
Se o Brasil tivesse em cada uma de suas cidade um suplemento literário como “A Ilha” - editado e distribuído pelo Luiz Carlos Amorim - e seus projetos culturais populares, certamente teríamos uma juventude mais sábia, mais consciente de seus valores morais e culturais.

 

POESIA INTERNACIONAL:

SÓ A NOITE

Biplab Majumdar
(India)

Na solidão sonora da noite,
Sua vinda sempre me fere,
deitado no chão
como uma borboleta
de asas quebradas.

Um sem fim de tristes dores
me atormentavam como pólen
de um coração pesado e envolto
em nuvens longe, no horizonte.
Foi o fim total
de uma noite de preocupações,
ao mesmo tempo que indiferenças.
Logo as ilusões descaradas,
encharcadas de tristezas
me faziam tremer
nos sonhos de folhas de bambus.
Só a noite pode ouvir
o som da lágrima caindo
dos olhos na escuridão.

Todos os meus sonhos
foram bloqueados pela lua de cera
fazendo sombra na cama de versos.
Os invisíveis fantasmas soluçam
Movendo o ar, rompendo corações
em dois pedaços
com o severo golpe do tempo.
Só a noite pode ouvir
o som da lágrima caindo na escuridão.

 

RELEMBRANDO: da edição 78, de setembro/2001:

ENCONTRADOS INÉDITOS DE CORA CORALINA

Foram encontrados, no início do segundo semestre de 2001, cerca de quarenta poemas inéditos de Cora Coralina. Eles estão sendo lançados em livro, pouco depois de agosto, mês do aniversário da poetisa, que nasceu em 20 de agosto de 1889.
Faz mais de quinze anos que perdemos Cora Coralina, essa grande mulher brasileira que nos deixou o seu legado mais valioso: a sua poesia. Ela teve uma trajetória literária peculiar: embora escrevesse desde muito jovem, tinha 67 anos quando seu primeiro livro foi publicado e quase 90 quando sua obra chegou às mãos de Carlos Drummond de Andrade, responsável por sua apresentação ao mundo literário nacional.
Desde então, sua obra vem conquistando o público e seus livros têm sucessivas edições.
Cora Coralina, com seu estilo pessoal e característico que a consagrou, foi poeta e uma grande contadora de histórias de coisas da sua terra. Sua obra é considerada por vários autores um registro histórico-social deste século.
Os escritos inéditos foram encontrados por familiares da mais famosa poeta goiana, durante o trabalho de reconstituição de seu acervo. Detalhe marcante da obra de Cora, os poemas exaltam a cidade de Goiás, onde a poeta nasceu. Parte da história da cidade é contada nos poemas e contos da poeta. Através da palavra, ela faz um painel da cidade em que nasceu e morreu, biografando o povo do lugar e revendo o passado. Uma obra com forte influência modernista e engajamento social.
A poeta Ana Lins dos Guimarães P. Bretas recorre ao artifício de criar Cora Coralina, a velha senhora que faz doces e versos, e Aninha, a menina que encarna as experiências de sua infância, unindo as duas pontas da vida.
Cora antecipou seu tempo, rompendo com uma sociedade preconceituosa da época, quanto ao papel social da mulher.
Além dos poemas, foram encontrados cadernos com contos, cartas e uma pasta com manuscritos que não puderam ser aproveitados. Todos os manuscritos estão sendo revistos e copiados para evitar que se percam. Há cartas que não foram enviadas, textos comentando artigos de jornais e outros de forte cunho social.

O SEMEADOR

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranquilo
Sem pensar na colheira
porque muito tinha colhido
do que os outros semearam.
Seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

 

APOESIA VIVA DOS POETAS DA PRAÇA E O NÚMERO 100 DO SUPLEMENTO A ILHA

A idéia não é nova, já fora engendrada há um bom tempo, antes que o Grupo Literário A ILHA completasse as suas Bodas de Prata. O problema é sempre o mesmo: conseguir pagar a publicação. Sim, porque o conteúdo, a obra em si, já estava pronta, sempre se renovando.
Então, antes que chegássemos ao número 100 da revista Suplemento Literário A ILHA, juntamos o material e começamos a editar as obras, para ver como ficava. Começou a tomar forma, então, a coleção “POESIA VIVA”, composta de livros de poemas de integrantes do Grupo A ILHA que não tinham publicado, ainda, livro solo, ou estavam há muito tempo sem fazê-lo. E o resultado foi ótimo. O trabalho deu forma a dez livros e/ou opúsculos, que terão uma edição pequena, mas passarão a existir.
Os poetas que não tinham publicado um livro ainda e que terão sua obra solo são Sólon Schil, poeta e radialista, produtor e apresentador do programa “Fim de Noite”, talvez o único programa radiofônico que tinha como motivo central a poesia de gente da terra e música popular brasileira selecionada. Quem sabe não por acaso, o título de seu opúsculo é “Dentro da Noite”; Margarete Irai, de um estilo romântico e forte ao mesmo tempo, nos dá "Fera Azul" e tem outro livro pronto para ser publicado, “Ecos da Alma”; Silvinha, na verdade Silvia Schmidt, dona de muito lirismo, aparece com parte de sua obra de um romantismo único em “Palavras a um sonho chamado você...”; Salete Holske, poetisa do cotidiano, reúne em “Percurso” a sua poesia preocupada com o social, mas ao mesmo tempo intimista e romântica; Célia Biscaia Veiga, poetisa e atriz, de uma cosmovisão apurada, nos dá sua poesia sensível e engajada em “Palavras e Exemplos”; Darci A. Nogueira, cujo tema preferido é o amor, nos dá sua poesia impregnada de sensualidade, de sentimento e de emoção em “Caminhos”; Maria de Fátima Joaquim é outra que vê com olhos de poeta o mundo ao seu redor e o transforma em poesia com romantismo e sensibilidade, na obra “Pedra Falsa”; Selma Franzoi de Ayala é poetisa de mão cheia, com poemas escritos em outros idiomas, como italiano, inglês e espanhol, línguas que ela domina e também publicados em outros países, a exemplo de “Tenerezza” e “Sueños”, que estão em “Alma Boêmia”; Maria de Fátima Barreto Michels, a Fátima de Laguna, é escritora de prosa e verso, defensora e divulgadora das coisas catarinas, catarinense convicta que é. Fátima sabe usar as palavras, inflando-as de poesia, sabe fluir ritmo, construir canções. Isso é fácil de ver em “Tecidas Manhãs”. E o décimo volume não poderia deixar de ser de Aracely Brás, a poetisa do Grupo A ILHA que tem mais idade mas é a mais jovem e atuante dos Poetas da Praça. Ela lembra, pela pessoa humana e pela poetisa que é, a grande Cora Coralina. Já teve dois livros publicados, “Pedaços de Mim” e “Eureka”, este último em 95. Já era tempo, portanto, de uma nova publicação: “Tela Viva”.
Esta é, portanto, a coleção Poesia Viva que o Grupo Literário A ILHA e as Edições A ILHA apresentam para comemorar a centésima edição da revista Suplemento Literário, presenteando o público leitor com boa poesia e os próprios autores com uma publicação reunindo exclusivamente a obra de cada um.
Há que se comemorar o número 100 de uma publicação literária, completando vinte e sete anos de vida, em grande estilo. E nada melhor do que com a poesia de quem publicou nela.

 

POESIA INTERNACIONAL:

FRAGMENTO

Gerard Faucheux
(França)

Esta manhã
uma penosa dor
do lado esquerdo,
sob a espádua,
forçou-me a levantar
e ficar ereto,
como se eu
devesse morrer
em pé.

 

O PESCADOR DE POESIA

Maria de Fatima Barreto Michels (texto e foto)

Foi durante a semana santa de 2003 que a escritora Urda Klueger, enviou-me alguns endereços de revistas eletrônicas sugerindo que eu publicasse minhas crônicas e poemas na internet.
Eu conhecia a escritora de nome e ao pesquisar sua obra na rede, entrei em um site onde o editor era Luiz Carlos Amorim.
No início, o que mais me chamou a atenção foram as resenhas que Amorim escrevera sobre as obras indicadas aos vestibulandos pois minha filha estava naquela fase, então passei a recomendar o endereço a outros estudantes. O passo seguinte foi descobrir as crônicas semanais que Amorim publicava no Coojornal da revista carioca Rio Total editada por Irene Serra, onde uma equipe oferecia minha leitura predileta ou seja, a crônica.
Não me lembro exatamente como aconteceu mas um dia lá estava um texto meu em “LITERARTE” seção mensalmente publicada no site de Amorim.
Não levei muito tempo para perceber nos textos do escritor a valorização que ele fazia questão de evidenciar pelo que se produzia na literatura de Santa Catarina.
Ele levava para o mundo tudo o que pescava nos mares catarinenses.
Descobri que o Amorim era um tarrafeador de textos! Comecei a prestar atenção à sua obra. Descobri um poeta que adorava divulgar novos poetas e então fui “folhear” melhor todas as seções do “PROSA POESIA & CIA”. Aos poucos fui sendo incentivada por Luiz Carlos Amorim a publicar meus poemas e vim a saber que o Suplemento Literário A Ilha era editado e impresso trimestralmente.
Descobri também que o tarrafeador já publicara vários livros e vinha há anos participando de Feiras de Livros. Ia me surpreendendo cada vez mais com aquele poeta, escritor e editor tão a serviço da literatura.
Amorim pescava tudo que podia e divulgava junto com sua própria obra e inclusive poetas de outros lugares do Brasil entravam nas suas edições de Literarte e Suplemento Literário.
Há muitas e diversificadas seções abrigadas no site de Luiz Carlos Amorim, inclusive muitas obras dos grandes poetas brasileiros.
No ano passado mais uma grande surpresa para mim: A ilha – o suplemento literário, completava 25 anos de existência. Isto sim é resistência!
O tarrafeador edita sozinho, há 25 anos uma revista. Sem patrocínios, sem panelinhas políticas!
Recentemente o Diário Catarinense fez uma reportagem com o poeta onde mostra em entrevista parte desta maratona que o tarrafeador vem perfazendo nestes mares de Santa Catarina.
Neste março de 2007 Luiz Carlos Amorim edita e publica a edição de número 100 do Suplemento Literário A Ilha. O tarrafeador fez o cesto e o cento. Desejo que tu poeta Amorim faças centenas.
Na obra de Luiz Carlos Amorim, entretanto, o que ressalto como fator da maior importância e talvez único em Santa Catarina é o investimento que ele faz no leitor em formação. Amorim criou e realizou projetos para atrair novos leitores, insiste e resiste como pescador do leitor novo. Agradeço e aplaudo o tarrafeador !

 

POESIA INTERNACIONAL:

OLHANDO AO LONGE

Lisa Choi
(Hong Kong)

De pé no navio
Olhando ao longe,
No distante horizonte
Eu chego a ver
Uma branca nuvem
Ainda intacta.

Meu coração filial
Voa nas asas do amor
Como uma ave selvagem
Deslizando alto no céu.

 

A PRAÇA SEM POESIA

Por Luiz Carlos Amorim

Relendo edições mais antigas da revista do Grupo Literário A ILHA, deu-me uma saudade danada dos bons tempos em que fazíamos o Varal da Poesia nas feiras de arte e artesanato de Joinville, São Francisco do Sul, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, etc, etc. Na feira de arte de Joinville os poetas da praça já eram tradição: havia quem não perdesse o segundo sábado de cada mês para ver os novos poemas dos integrantes do grupo.
Hoje o varal se modernizou, transformou-se em “Poesia no Shopping”, para se adequar aos novos tempos. Mas não é a mesma coisa. O poema escrito a mão em uma cartolina, com ilustrações coloridas, pendurado em varal com grampos, feito roupa, balançando ao sabor do vento, como a acenar para o caminhante que passava, convidando para ser lido, não se compara aos cartazes feitos em computador, verdadeiros banners, exibidos em biombos ou painéis em espaços nobres de shoppings. Esses últimos, tão bem feitos e comportados não têm o romantismo do antigo varal da poesia, que estava sempre “acompanhado” pelos próprios autores dos poemas, numa verdadeira integração autor/leitor.
A feira de Joinville ficou reduzida à feira de artesanato e não tem mais o Varal da Poesia, desde que os poetas da praça tiveram que parar de participar, porque não podiam prender os fios nos postes ou nas árvores da praça, conforme proibição da prefeitura municipal. Um outro grupo de poetas da cidade, ligado à cultura oficial até tentou ocupar o espaço que deixamos, mas logo em seguida a poesia desapareceu definitivamente da feira.
Foi esse varal que, colocado no meio do caminho das pessoas, fez com que muitos transeuntes que nem conheciam poesia, passassem a gostar dela. Foi o começo da popularização da poesia, em nosso estado, um trabalho que continua até hoje. Depois dele veio o Recital de Poesia, levado com o Varal a escolas, festas, bares e museus, o projeto Poesia na Rua, que estampa poemas em out-doors pelas ruas da cidade e o Projeto Poesia Carimbada, impressão instantânea de poemas em qualquer superfície. Isso sem contar a revista Suplemento Literário A ILHA, que já está na sua edição número 100, as antologias e livros publicados pelo grupo.
Mas o que dá saudade mesmo é aquele Varal da Poesia artesanal, humilde, mas vivo, pleno de inspiração e alcançando o seu objetivo de levar a poesia até o leitor.

 

POESÍA VIVA

Luiz Carlos Amorim

He conocido um nino,
Um viejo, niño joven
Allá del sur de mi país,
Mágico artista, poeta,
Constructor de emociones.

Esse niño es Quintana,
Tan lírico y tan travieso.
Esse niño es Quintana,
De sus eternos cantares,
Nuestro niño poeta.

Otros poetas, aprendices,
Como tantos, pasarán.
Usted, niño Quintana,
Poesía viva y eterna,
Usted solo pajarito...

(Tradução Teresinka Pereira)

 

RELEMBRANDO: da edição 83, de Dezembro/2002:

OS ÚLTIMOS POEMAS DE QUINTANA

Aqui, alguns dos poemas do derradeiro livro de Mário Quintana. Trata-se da edição trilíngue (português, inglês e espanhol) dos poemas escritos por Quintana para o livro "ÁGUA", publicado em 2001 pela Editora Artes e Ofícios, de Porto Alegre, a pedido do Banco do Brasil.

O HOMEM E A ÁGUA

Deixa-me ser o que eu sou,
o que sempre fui,
um rio que vai fluindo.
E o meu destino é seguir...
seguir para o mar.
O mar onde tudo recomeça...
Onde tudo se refaz...

 

USINA DE ITAIPU

Como um riso trancado
o rio explode numa gargalhada
de luz, calor, energia!
Parece até mágica
do Homem da Usina.
(E, se duvidares muito,
daqui a pouco sairão voando
todas as gravatas borboletas...)

 

FLORICULTURA NO CERRADO

Quando a árvore não dá frutos
seus galhos se contorcem
como mãos de enterrados vivos,
os galhos desnudos,
ressecos, sem o perdão de Deus!
E, depois, meu Deus,
uma lenta procissão de retirantes...
De vez em quando um tomba,
exausto à beira do caminho
porque não há no lábio o frescor da água.
A doçura do fruto...

 

PONTE DE BLUMENAU

Entre a minha terra e a tua
Há um ponte de aço.
Desafiando o rio,
Desafiando o vento,
Desafiando a chuva,
Desafiando tudo!

Quem é que me espera,
Que ainda me ama,
Lá do outro lado
Da ponte de aço?

 

CATARATAS DO IGUAÇU

Os rios são caminhos
mais antigos
que a redondeza da terra.
Eles descem horizontes
seguem sozinhos no ar.

E a bela asa em pleno vôo,
entre o partir e o chegar,
sem se importar com fronteiras.
Mas como se há de parar?

 

PRAIAS DO NORDESTE

Ondas dançando na praia,
Areia quente como o nosso olhar.
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar?
Nós também fazemos parte da paisagem!

 

FORTALEZAS DA ILHA DE SANTA CATARINA

Os velhos marinheiros meus avós...
Para eles ainda não terminou
a espantosa Era dos Descobrimentos.
Das construções com longos
e intermináveis corredores
que a lua vinha às vezes assombrar.
Nas casas novas
não há lugar para os nossos fantasmas!
E se acabarem as construções antigas,
a nossa história vai ficar sem teto!...

 

A ILHA COMEMORA NA FEIRA DE RUA DO LIVRO

O Grupo Literário A ILHA comemora a centésima edição do Suplemento Literário A ILHA na Feira de Rua do Livro de Florianópolis, no Largo da Alfândega, em maio, fazendo o lançamento desta revista, dos livros “A Primavera Sempre Volta” e “Escritores Catarinenses e o Grupo Lit. A ILHA”, de Luiz C. Amorim e da coleção “Pesia Viva”, composta de dez volumes de poemas.
O Grupo A ILHA estará no stand das Associações e Academias Literárias, a convite da Câmara Catarinense do Livro, organizadora do evento.

 

URDA: ENCONTRO COM A INFÂNCIA

Novo livro de crônicas da escritora Urda Alice Klueger, de Blumenau, no prelo, para lançamento nas próximas semanas. Trata-se de “Encontro com a Infância”, coletânea de crônicas sobre reminiscências dos tempos de criança da autora no Vale do Itajaí.
É o décimo sétimo livro de Urda e sai pela Editora Hemisfério Sul, de Blumenau.
As crônicas de Urda são conhecidas do público leitor, que já se acostumou a lê-las em jornais como A Notícia, Diário Catarinense, portais na Internet como Rio Total, Prosa, Poesia & Cia e outros, em revistas e nos livros dela..

 

TERCEIRA FEIRA DO LIVRO DE JOINVILLE

A terceira Feira do Livro de Joinville, a primeira do estado este ano, abrindo a temporada, acontece de 27 de março a 5 de abril, no calçadão da Praça Nereu Ramos, em barracas, no estilo da Feira do Livro de Porto Alegre e da Feira de Rua do Livro de Fpolis. Diversos escritores catarinenses estarão autografando seus livros, entre eles integrantes do Grupo Literário A ILHA, como Rosângela Borges e Luiz Carlos Amorim . O editor desta revista, estará lançando seu novo livro de crônicas “A Primavera Sempre Volta” e “Escritores Catarinenses e o Grupo Lit. A ILHA”. Também estará sendo lançada, na oportunidade, esta centésima edição do Suplemento Literário A ILHA.

 


EXPEDIENTE

Suplemento Literário A ILHA - Número 100 - Março/2007 - Ano 26
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
Contatos: lc.amorim@ig.com.br
prosapoesiaecia@yahoo.com.br


VOLTAR