SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Edição impressa da revista

MAIS UM ANO DE LITERATURA

E vamos fechando o ano de 2012 com a edição de número 123 do Suplemento Literário A ILHA. Neste mês de dezembro o Grupo Literário A ILHA estará participando da Feira do Livro de Florianópolis, no dia 18, com o lançamento dos livros "O Rio da Minha Cidade" - crônicas e "Nação Poesia", deste editor e da nova edição desta revista.
2012 foi um bom ano para a literatura de Santa Catarina, pois o Grupo Literário A ILHA publicou autores novos na sua revista e está preparando uma nova edição do livro "A nova Lilteratura Catarinense", reunindo mais autores que estão ou passaram por aqui e ajudaram/ajudam a fazer as letras do nosso Estado.
O ano foi bom, também, porque a obra do professor Celestino Sachet, "A Literatura dos Catarinenses" foi lançada, uma obra aguardada há décadas. Um painel completíssimo da literatura produzida em Santa Catarina, como nunca havia sido feito.
O Grupo A ILHA continuará, por 2013 afora, abrindo espaços para a literatura produzida aqui, pelo Brasil e em qualquer lugar do mundo.

 

MEUS EIXOS

Jacqueline Aisenaman
(Genebra-Suiça)

Cadê?
A venda dos olhos,
a mordaça,
as cordas das mãos
e dos pés?
Cadê todas as ferramentas
necessárias
que recebem os que nascem
para aqui viver
e assim não ver
toda esta farsa...
Procuro há tanto tempo!
Sem os olhos velados,
sem os lábios calados
e os membros doídos
de tanto me debater...
Nem me sobra a vontade
de usar como ofício
um dom de escrever.

 

A LITERATURA DOS CATARINENSES

Caminhos de uma Identidade

Por Celestino Sachet

A obra de arte não se impõe: a obra de arte se expõe no aguardo da manifestação do espectador que estiver em contacto com ela.
Enquanto a linguagem coloquial, isto é, a fala do dia a dia assume o uso e as convenções da comunidade para ocorrer clareza na interlocução, a linguagem estética joga com a ousadia do artista. É o caso, entre outras, da linguagem da literatura, do teatro, do cinema.
Diante de uma obra de arte, o espectador, melhor, o fruidor tem o direito de manifestar as sensações que o objeto em análise lhe provocar: sentimentos que percorrem uma escala que vai da admiração incondicional, à indiferença e, até, à repulsa.
Não morro de amores por um certo tipo de música brasileira. Prefiro a música clássica. Diante da "Flauta Mágica", de Mozart, ou da "Grande Marcha", da ópera "Aída", de Verdi, corro o risco de entrar em êxtase.
Entendo, além disso que, o assim chamado "crítico" deve ser substituído pela expressão "analista" que precisa omitir quaisquer critérios de qualidade. Ao apresentar uma obra de arte, ele deve explicar o conteúdo e a estrutura, nos seus mínimos detalhes, sem ousadas opiniões catedráticas!
É o caso da minha obra de análise mais recente que comparece perante o público neste final de ano com o título "A Literatura dos Catarinenses. Caminhos de uma Identidade". Já é uma terceira edição.
Na primeira, lá pelos fins da pré-história dos anos 70 do século passado, dei ao livro o título de "A Literatura de Santa Catarina". A modesta reunião de 291 páginas levou umas lambadas bem aplicadas de um crítico federal porque ousei abrir os capítulos "A literatura de Blumenau", "A literatura de Joinville", "A literatura de Chapecó".
- Se no contexto nacional não existe uma literatura catarinense, como falar em miniliteraturas locais? - berrou sua excelência!
Calei-me. Como enfrentar uma voz de todo o tamanho, com alargado espaço em jornais e revistas de circulação nacional? A nível de província, até que o livro vendeu bem. Esgotou-se em cinco anos.
Preparei uma nova edição com as miniliteraturas locais incluídas na literatura estadual. E daí o grande Odilon Lunardelli me vem com a proposta:
- Abandona o título "A literatura de Santa Catarina". Vamos batizar a nova obra com o título "A Literatura Catarinense". E com uma vantagem: o título é original e ninguém mais, por aí afora, poderá intrometer-se com um outro livro com o mesmo título.
Agarrado pela expulsória dos 70 anos, a partir de 3 de fevereiro de 2000, transferi minhas energias do magistério para uma pesquisa mais ampla sobre o tema dos dois livros anteriores.
O resultado vem logo aí. E com uma nova cara: "A literatura dos catarinenses. Caminhos de uma identidade": um calhamaço de 600 páginas e, exatos, 1.179 autores apresentados, muitos deles submetidos a uma resumida análise.
- A literatura dos catarinenses?
- Claro! Quem escreve não é a entidade, o Estado; quem escreve é o cidadão, aqui nascido; aqui vivido; ou aqui vivendo.
E o leitor pode ir preparando sua análise. Se achar melhor, pode ser, também, uma crítica.

 

ROTEIRO BANAL

Júlio de Queiroz
(Fpolis)

Cheguei a este mundo feito um bobo:
não escolhi pai nem mãe;
não questionei tempo ou terra.
Mais tarde, morreu meu filho.
Para ser bem sincero,
nem sei mesmo pra que vim.
Ando por este mundo feito um bobo:
faço o trabalho dos outros;
choro as dores dos outros;
ninguém paga o que me deve.
Para ser bem sincero,
nem sei mesmo porque fico.
Vou sair deste mundo feito um bobo:
sem saber a saída certa;
sem escolher dia ou hora.
Ninguém sentirá minha falta.
Para ser bem sincero,
nem sei mesmo pr´aonde vou.

 

HOJE ENCONTREI O NATAL

Por Urda Alice Klueger

Hoje encontrei o Natal. Meu cachorro me acordou antes da hora costumeira, seis e pouco no relógio, e saí com ele para dar a volta matinal. No portão aqui do nosso abrigo de flagelados passava um homem empurrando uma bicicleta e levando uma cachorrinha presa por uma corrente.
No primeiro momento, só vi a cachorrinha, amizade certa para o meu cachorro, e os dois pularam um no outro e se lamberam, e o dia começava prometendo ser bom. O homem perguntou:
- A senhora sabe qual é o caminho que se deve tomar para se chegar à BR 470?
Eu disse que ele estava certo, que era seguir sempre em frente aquela rua, que ele acabaria chegando à BR 470.
- E lá vai dar em Guaramirim, não é mesmo?
Não, não era mesmo. Para Guaramirim havia que se tomar a rodovia Guilherme Jensen, e lhe expliquei como fazer, onde entrar.
- Mas não dá para ir pela BR 470?
Para Guaramirim não dava. Prestei mais atenção no homem, um dos tantos andarilhos que circulam por nossas estradas nestes tempos estragados pelo neoliberalismo, apesar de agora já estar mais que comprovado, lá nos centros de poder, que o neoliberalismo não passava de uma falácia das piores, simples estrangulador de pobres para encher cofres já abarrotados de ricos.
O homem da manhã estava incrivelmente sujo e coberto de feridas, com dois abcessos abertos nas bochechas. Havia muita crosta e muito pus em muitos lugares, e cobrindo tudo, a grande crosta de pó que é vestida, atualmente, quando a gente se locomove pelas ruas ou estradas da minha região, depois que secaram os mares de lama oriundos do derretimentos dos morros. Um executivo que saísse a andar por aí de bicicleta acabaria com a mesma crosta de pó - só não teria as feridas e os abcessos. Fiquei pensando: seria uma doença, ou seria falta de determinadas vitaminas? Talvez fossem as duas coisas; talvez fossem algumas doenças; quem garante que os abcessos nas bochechas não proviessem de terríveis dores de dentes que aquele homem sorridente com sua cachorrinha tivesse tido só e desamparado, nos escondidos de passar a noite que ele devia conhecer? Aí ele me disse:
- Mais para frente há acostamento? É que meu braço está quebrado em dois lugares, e está difícil tocar a bicicleta. Com acostamento fica mais fácil...
Só então reparei no gesso do braço esquerdo, tão coberto de pó e sujeira que a gente nem prestava atenção. Sim, haveria acostamento mais para a frente, e fomos conversando, e os cachorros foram correndo, e eu lhe mostrava as muitas feridas nos morros, de onde a minha cidade sangrara como nunca havia sangrado antes, e as casas que já não existiam, e outras casas que haviam ficado enterradas na lama até a altura da metade das janelas...
- Quantos quilômetros o senhor faz por dia, com essa bicicleta?
- Dá para fazer uns 80...
- E a cachorrinha anda isso tudo?
- Não, ela vai aqui no engradado...
Havia um engradado de plástico amarrado no bagageiro da bicicleta, onde o homem carregava seus bens. Não olhei muito, só reparei que havia uma garrafa de dois litros quase cheia de água.
A cachorrinha tinha se animado demais, andava fazendo umas incursões para o meio da rua, e ele temeu por ela. Puxou-a pela correntinha, colocou-a no engradado, onde ela ficou, toda faceira e feliz, sem nem se importar com a interrupção das brincadeiras que fazia com meu cachorro. Ela amava profundamente aquele homem, morreria por ele. E ele me contou:
- Era uma filhotinha jogada fora. Encontrei-a perdida numa rua de Navegantes. Está com quatro meses.
Conversamos rua afora, e fui descobrindo que aquele homem entendia de todas as estradas e cidades do sul do Brasil.
- Em Barra Velha - contou-me - há uma mulher que tem doze cachorros. Todos grandes. Ela os acha na rua e leva para casa. É uma mulher de coração muito bom. Gasta mil reais por mês, só de ração.
Eu me admirava.
- Lá em Itajaí a enchente foi terrível. Eu vi como as casas de madeira ficaram imprestáveis. Mas a senhora tem certeza de que para ir a Guaramirim não tem que pegar a BR 470?
Eu tinha. Perguntei-lhe o nome. Era José Aparecido e já não lembro o sobrenome, que ele tinha um singelo orgulho de ostentar, como quem tem um último bem que não pode ser roubado por nenhum neoliberal.
- Em Guaramirim eu tenho amigos! - ele me contou, como um segredo de enorme valor, e me fez lembrar de Saint-Exupéry. Eu estava mesmo bem curiosa para saber o que ele ia fazer numa cidade pequenininha. - Já trabalhei seis meses em Guaramirim catando papel, tenho amigos lá. Os meus amigos de lá fazem festa de Natal! No ano passado teve até chope!
Pronto, estava explicado! Fiquei com um bocado de vergonha desta dor que há dentro de mim, que está me impedindo até de ouvir música de Natal, quando ela aparece sem querer.
Ele contou-me outras coisas, sobre os três carrinhos de catador que já tivera; sobre as diferenças de preços de latinhas vazias que existia em Blumenau e em Curitiba - agora só tinha a bicicleta e a cachorrinha, que ia que ia montada na garrafa de água do engradado.
- Mas a senhora tem certeza de que para Guaramirim não tem que passar pela BR 470?
Garanti-lhe de novo, dei mais indicações do caminho. Perguntei:
- Como é a festa de Natal em Guaramirim? Tem galinha assada?
- Tem de tudo, dona. Tem carne, tem maionésia, tem chope! Tem até as mulheres que trabalham lá! - ele não disse da fraternidade que deveria ter, do consolo dos braços amigos, que sabe do reencontro com alguma antiga namorada, mas tudo estava implícito na intensidade da emoção dele.
Eu deveria voltar, já fora longe demais pela empoeirada Rua das Missões, onde íamos caminhando, e via meu cachorro de língua de fora. Disse-lhe:
- Tenho que ir. Meu cachorro já está com sede.
Então, a galanteza maior de todas que ele poderia ter feito:
- Mas tem água aqui na garrafa, dona. Pode dar para o cachorro.
Sei bastante da vida dos andarilhos deste mundo para saber que não conseguem água com facilidade, que muitas vezes são apedrejados quando se aproximam de alguma casa para pedir água, pois as famílias pensam que eles vêm para lhes roubar as crianças. Aquele homem de abcessos nas bochechas e esmagado pelo poder do Capital dividia sua última riqueza sem nem pensar. Então me senti pequena e mesquinha diante da grandeza dele, e fiquei com vontade de chorar. Antes que o fizesse, despedi-me, e ele me apertou a mão sem nenhum constrangimento pelas feridas supuradas, com a galhardia de um rei.
- Boa viagem para o senhor! Não esqueça de virar à direita onde lhe ensinei!
- Feliz Natal, dona! É uma pena que a conversa já está acabando tão cedo! É muito bom viajar quando a gente pode ir conversando!
Em Guaramirim, vai haver um grande Natal! É uma notícia muito boa. Será que aquele homem não era um dos reis magos e não estava encardido assim por ter atravessado os desertos bíblicos?

 

RENASCIMENTO

Luiz Carlos Amorim

Há um raio de luz
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.
É a vida ressurgindo,
é o Natal do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus!

 

CARTÃO DE NATAL VIRTUAL

Por Norma Bruno

Antigamente era costume as pessoas trocarem cartões de Natal e Ano Bom. Os envelopes começavam a chegar já no final do mês de novembro, o mais tardar no início de dezembro, para que as pessoas pudessem respondê-los, e o Correio, entregá-los em tempo hábil.
Alguns cartões reproduziam quadros de pintores famosos em papel colorido e perfumado. Havia um tipo especialmente bonito e engenhoso que, ao ser aberto, armava uma paisagem, uma cesta de flores ou um lindo presépio.
Assim como as famílias, também as casas de comércio enviavam cartões impressos e sugestivos calendários onde, embaixo dos tradicionais votos de "Boas Festas e Próspero Ano Novo" figuravam o nome e o endereço do estabelecimento e se agradecia a "preferência" no ano que passou.
Hoje os tempos são outros. As pessoas alegam não ter mais tempo para enviar cartões e nem para respondê-los e mesmo as empresas já não presenteiam seus clientes com prosaicas mensagens que ninguém lê; ao contrário, elas invadem nossas caixas de correspondência com sofisticados catálogos de ofertas e, se nos enviam mais alguma coisa, é boleto bancário ou carta de cobrança.
O veículo mudou, a linguagem é menos formal, mas os desejos humanos continuam os mesmos. Aos amigos, continuamos declarando nosso afeto e votos de saúde, paz e felicidade, ainda que, às vezes, de uma maneira um tanto quanto inusitada.
Hoje pela manhã recebi um cartão virtual de Natal. O texto dizia assim:
"Querido (a) amigo (a),
Encontrei com o Papai Noel e ele disse que eu poderia escolher o presente que quisesse. Então eu falei que queria ter meus amigos sempre por perto. Por isso não se assuste se algum velho tentar lhe "empacotar", e… Vê se colabora, né?"".
Achei a ideia divertida e respondi:
Querida amiga,
Devias ter me avisado. Ontem à noite, um tarado tentou me agarrar na porta de casa. Desesperada, chutei o saco dele e comecei a berrar por socorro. A polícia chegou, deu-lhe uma camaçada de pau e o jogou no camburão. De longe, observei que era velho e que a sua camisa estava manchada de vermelho. Pensei que era sangue.
Deve ser por isso que a cartinha que eu escrevi para o Papai Noel com o pedido do teu presente voltou com o carimbo de "ausente do domicílio". Sinto muito. Da próxima vez avisa com antecedência.
De qualquer modo, agradeço a amizade, o motivo para sorrir e aproveito para retribuir os votos de Feliz Natal e Ano Novo.

 

TUA FORÇA

Erna Pidner
(Ipatinga-MG)

Por que invejar as estrelas?
Tens o brilho de teu olhar!
Se o sol é astro-rei
com sua luz e esplendor,
és possante minissol,
irradias teu próprio calor!
Respeitas mares bravios,
como neles, há, em ti, maremotos
a exigirem desafios!
Causa temor a fúria do vento;
mais ainda se deve temer
o alcance de um pensamento...
Admiras lindas flores
a enfeitarem teu jardim.
Cultivado com esmero,
vicejarás também assim.
Se o rio corre pro mar,
segues, em ondas, a vagar;
como peixe que anseia
dos anzóis se libertar...
É o leão forte e valente.
Em ti, muita força há, latente;
dentre elas, a maior,
sem dúvida, o amor.
Teu corpo, máquina perfeita.
Nele trabalham, em sintonia,
Células, nervos, fibras, órgãos,
em obediência à Lei maior.
Sabendo fazer bom uso
de tanta energia retida,
de ti emanará, com toda certeza,
a eterna força da Vida.

 

A LITERATURA DOS CATARINENSES

Por Luiz Carlos Amorim

Foi lançado, no dia 15 de outubro, na Academia Catarinense de Letras, o livro "Literatura Catarinense - Espaços e Caminhos para uma Identidade", de autoria do Mestre Celestino Sachet. O livro é um panorama completo da literatura produzida pelos catarinenses e já sai com uma segunda edição. A primeira é completa, com seiscentas e tantas páginas, e a segunda é uma edição resumida, em formato grande, com capa dura, que o governo do nosso Estado fez para distribuir como brinde de final de ano. Isso vai ajudar muito na divulgação não só da obra, como também da literatura catarinense que ela desvela.
As ilustrações são do artista Rodrigo de Haro e a reunião desses dois artistas num mesmo livro - Celestino, o artista da palavra e Rodrigo, o artista plástico - foi uma das coisas mais felizes que podiam acontecer. O livro contempla tudo - mas tudo mesmo - o que foi escrito em Santa Catarina em prosa, verso e também teatro. É um livro que estava sendo esperado há muito, pois livros deste tipo, atualizados, reunindo informações sobre obras literárias e os escritores catarinenses, não existiam. O mais recente é do nosso saudoso Lauro Junkes e data de 1992.
Então agora temos uma obra de referência, no que diz respeito à literatura dos catarinenses, um livro que reúne todas as informações sobre a produção literária aqui no Estado até a contemporaneidade.
O Grupo Literário A ILHA está registrado em "A Literatura dos Catarinenses - Espaços e Caminhos para um Identidade" - mereceu até um capítulo próprio. Todos os integrantes do grupo, com obra publicada, estão lá.
Estudiosos, leitores, estudantes, todos temos, agora, uma obra de pesquisa, um lugar onde saber tudo sobre a literatura dos catarinenses. O professor Celestino é um grande pesquisador da produção literária em Santa Catarina. Nada do que é publicado em nosso Estado lhe passa desapercebido, tudo é lido e apreciado por ele. Por isso este livro passa a ser, a partir de agora, a maior referência da literatura produzida pelos escritores catarinenses ou radicados em Santa Catarina. Se procurarmos um documento que nos dê o registro de quem escreve em nosso Estado, com certeza é o livro do professor Celestino Sachet que devemos consultar.
A primeira edição do livro, com modestas 291 páginas, saiu nos anos 70, com o o título de "A literatura de Santa Catarina", segundo o próprio autor da obra, em artigo que está sendo publicado nesta edição do Suplemento Literário A ILHA. Lá ele apresentava os escritores das principais cidades catarinenses.
Em 1985, saiu a segunda edição, ampliada, com 350 páginas, muito mais informação sobre a nossa literatura e um título diferente, por sugestão do editor, o saudoso Odilon Lunardelli: "A literatura catarinense".
Conforme o próprio autor no seu artigo acima citado, "a partir de fevereiro de 2000 transferi minhas energias do magistério para uma pesquisa mais ampla sobre o tema dos dois livros anteriores. E o resultado está aí, com uma nova cara: "A literatura dos catarinenses - Espaços e Caminhos de uma identidade", um calhamaço de 600 páginas e exatos 1.179 autores apresentados, muitos deles submetidos a uma resumida análise."
"- A literatura dos catarinenses?" - Celestino pergunta e ele mesmo responde: "Claro! Quem escreve não é a entidade, o Estado; quem escreve é o cidadão, aqui nascido, aqui vivido ou aqui vivendo."
No convite do lançamento do livro, a editora apresenta a obra: "Um amplo painel da lilteratura produzida pelos catarinenses desde "Assembleia das Aves", obra publicada por Marcelino Antonio Dutra em 1847, considerada a primeira de autor catarinense, até os dias atuais. Distribuída em poema, prosa e teatro, a obra foi temperada com o sabor de dois condimentos: preferência pela expressão "literatura dos catarinenses", e não "literatura catarinense" e indicativos de uma identidade regional difusa, de vez que o operário industrial de Blumenau-Joinville-Jaraguá do Sul pouco se relaciona com o pescador do litoral, com o serrano de Planalto, com o colono de Nova Trento-Urussanga-Nova Veneza ou com o "gaúcho" do Oeste e vice-versa."
Estava faltando um painel completo da nossa literatura, da literatura praticada em nosso Estado.
Não está faltando mais. Agora o Mestre Celestino começa o painel dos autores de não ficção.

 

PALAVRAS TANTAS

Marcos Antonio Meira

Palavras tantas
Dançam na memória
Palavras-quase-silêncio

Palavras recriadas
Não escondem o passado
Palavras-sempre-vivas

A minha língua
Na tua carne

A tua boca
Na minha pele

Palavras-quase-tatuagem

Palavras...
São
Linhas
São
Guias
São
Caminhos
Do coração

Eu
Você
Uma só palavra
O silêncio

 

UM CONVITE

Por Mary Bastian

Está saindo das prensas da Dialogar mais um livro meu, na área infantil, também com espírito ecológico, " O País do Sol Dourado", um chamado para o desmatamento incontrolável que destrói este mundo em que a gente vive.
Modéstia à parte, o livro está lindo, colorido, com fadas, micos-dourados, bandidos botando fogo nas matas, ou serrando as árvores. Bichos falando com a Fada Florestal e com um final de arrasar quarteirões e corações. Bem movimentado, bem meu estilo bangue- bangue.
Acho que temos de criar na cabeça das crianças a ideia de que se nós não despoluirmos o nosso ambiente, quem irá despoluir ? E se elas ouvirem várias vezes a mesma proposta, feita de diferentes modos, quando crescerem, irão trabalhar para que isto aconteça, seja como políticas ou simplesmente como um cidadãs conscientes.
Eu faço a minha parte, separo lixo, planto árvores e flores e escrevo livros sobre ecologia pra crianças. Passei mais de um ano falando do rio Cachoeira e do Fritz, e até agora só ouvi desculpas. Por sinal, outro dia vi uma foto do Fritz, continua gordo e bonito, e chamando a atenção de quem passa. Para mim, ele é o cartão-postal da cidade.
Mas o convite para o lançamento do livro é para o dia 8 de dezembro, às 10 horas da manhã, lá na Biblioteca Pública, na Anita Garibaldi, os amigos sabem onde é. Gostaria de distribuir uma mudinha de flor para cada amigo presente, mas nem sei com quem falar para conseguir uma participação.
Portanto, vai o meu convite, cheio de esperanças de que um dia o verão não troque mais de lugar com o inverno. Gosto das coisas lé com lé, cré com cré, ou seja, cada coisa no seu lugar para não causar confusão, mas, vejam só, as estações climáticas estão muito atrapalhadas, culpa exatamente dos desmatamentos, aquecimento global, quedas de geleiras e todos os pecados que os homens cometem em nome do progresso.
Claro que eu adoro o progresso, TV, notebook, telefone (deste, então, nem se fala), e outras coisinhas mais, mas não esqueço de que não se pode ignorar o meio ambiente já tão castigado.
Então, vamos ler "O País do Sol Dourado" e incentivar as pessoas a terem muito cuidado com a nossa linda mata nativa.

 

NATAL DAS VICISSITUDES

Maria de Fátima Barreto Michels

Vi um velho triste, quase chorando
A moça não queria mais dormir ali
Passar a mão em suas pernas e talvez...
Vi a lojinha cheia de brincos e colares
Nas pálpebras da balconista
As cores todas possíveis
O povo comprava o frango na oferta
A barriga tem necessidades que
A própria razão desconhece
Os colares precisam combinar com os brincos
A vizinha não usa brincos
Mas usa frangos
Suas pálpebras caem de sono
O velho era uma velhinha, na verdade
É preciso ler Drummond
Ele também indaga sobre pernas
Pra que tanto brinco, meus Deus?
Uma bolsa por quatrocentos reais?
Daria para tanta gente comer frango!
Jesus vai renascer, que bom!
Alguns dias de vicissitudes
Haverá fartura de brincos e frangos!
(Eu desejo pra você canto de passarinho)

 

BIBLIOTECA NACIONAL: 200 ANOS

Por Enéas Athanázio

Importante revista de cunho cultural e educativo (*) publicou interessante reportagem a respeito da Biblioteca Nacional, hoje Fundação, cujo bicentenário passou mais ou menos despercebido. Segundo a matéria, quando deixou Portugal para escapar da invasão napoleônica, em 1807, o príncipe-regente D. João trouxe nas caravelas nada menos que 60.000 peças, entre livros, gravuras, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas. Chega a provocar calafrios a lembrança de que esse tesouro cultural e literário contendo a história do mundo e de Portugal, além de todo o acervo de obras formadoras da nossa língua foi embarcado em precários navios de madeira, às pressas, para transpor o oceano. Mas, para sorte nossa, a perícia daqueles velhos marinheiros trouxe tudo em segurança. Parte desse imenso acervo já havia sido salvo do célebre terremoto que atingiu Lisboa, seguido do grande incêndio que destruiu o centro da capital lusitana. Chegando ao Rio de Janeiro, sã e salva, a coleção foi acomodada de forma precária numa das salas do Convento da Ordem Terceira do Carmo. As instalações inadequadas punham em risco o acervo, até que o príncipe-regente baixou um decreto criando a Real Biblioteca, à rua Direita, atual rua Primeiro de Março, no Rio de Janeiro. No inicio a nova entidade se destinava apenas à realeza, como mais um de seus múltiplos privilégios. Cerca de um ano depois autorizou-se o ingresso de pesquisadores credenciados e três anos mais tarde, em 1811, foi, enfim, aberta ao público em geral, considerada esta a data de sua verdadeira fundação. Iniciava-se ali a história de uma instituição que teve nítida influência no desenvolvimento cultural e histórico do país, contendo hoje um acervo de livros que é o sétimo de todo o mundo e recebe 100.000 obras novas todos os anos.
Depois de mais uma mudança, a Biblioteca Nacional, já com essa denominação, passou o ocupar sua sede própria. “O edifício foi um projeto de Souza Aguiar, de estilo eclético, com elementos neoclássicos e art nouveau. O novo prédio foi inaugurado em 1910, durante o governo de Nilo Peçanha, no centro do Rio de Janeiro. Durante o século 20 a biblioteca foi ampliando e modernizando seus serviços a fim de acompanhar as necessidades dos pesquisadores e do público em geral. Em 1990 passou a constituir a Fundação Biblioteca Nacional, vinculada ao Ministério da Cultura. Em 2006, foi lançada a Biblioteca Nacional Digital. Hoje, possui um setor de restauro de papel considerado dos melhores do mundo” (p. 60). Segundo sua diretora, “a marca de 200 anos mostra a consolidação da instituição como uma das mais importantes do país. Além de ser um patrimônio da memória do povo brasileiro, também é um patrimônio simbólico pelo conjunto arquitetônico que se destaca na cidade. Intelectuais de várias épocas passearam pelos seus corredores, pesquisando e absorvendo informações para seus trabalhos. Benjamin Constant, Machado de Assis, Rui Barbosa, Manuel Antônio de Almeida e Carlos Drummond de Andrade eram figuras que cultuavam o local” (loc. cit.). Eu acrescentaria Lima Barreto, que foi assíduo frequentador. A visita à Biblioteca é uma experiência inesquecível. São impressionantes as estantes repletas de livros, cobrindo de cima a baixo as vetustas paredes, contendo um dos maiores conjuntos de obras de todo o mundo. Só o chamado armazém de obras gerais contém três milhões de títulos dessa área. A sala de leitura de obras raras guarda o mesmo ambiente tranquilo e silencioso de uma imensa catedral, convidando à leitura e à reflexão. Todo esse acervo, incluindo manuscritos, documentos, originais, coleções, fotos, gravuras e incontáveis peças variadas é conservado de forma meticulosa por funcionários especializados que “vestiram a camisa” de guardiões de nossa memória histórica e cultural. É da maior importância que todo autor de livros remeta exemplares para o acervo da instituição, o chamado depósito legal. Aqui no Estado essa providência tem sido descuidada. Na mesma data foi fundada a Biblioteca Pública Estadual da Bahia, em Salvador.

 

ÚLTIMA VIAGEM

Maura Soares

Na derradeira viagem
Quero estar contigo
Com teu abraço amigo
A esperar a hora da partida.

No último instante
Conforta-me, acalenta-me
Para que eu possa sentir
O sopro leve
Da última brisa da aurora.

 

A NOVA SAFRA LITERÁRIA DE APOLÔNIA

Por Luiz Carlos Amorim

Um dos livros da nova safra da fecunda escritora Apolônia Gastaldi é “Destino de Mulher”. Digo da nova safra, porque ela está lançando quatro novos livros: o quinto e último volume da saga “A Força do Berço” – “Samir”, o livro de contos “Memórias”, o novo livro de poemas “Emoções” e o romance “Destino de Mulher”.
“Destino de Mulher” é um romance rural, eu diria, de época, talvez, pois se passa ainda no tempo do cruzeiro, do Karman Ghia. É uma trama densa de dramaticidade, de humanidades e desumanidades. São seres humanos lidando com a dualidade bem e mal, numa história que prende o leitor do início ao fim. Posso dizer que é a história de uma mulher de fibra tentando mudar o seu destino, mas é só isso, senão tiro toda a emoção da leitura, o suspense, a descoberta da inventividade da autora, ao fazer da realidade uma obra de ficção.
A autora, como sempre, é de uma criatividade magistral, pois pega um tema tão comum, como a infidelidade conjugal e a violência contra a mulher e os leva a extremos, conduzindo a narrativa a altos índices de tensão.
Apolônia Gastaldi transita com segurança por vários gêneros literários, como o conto, a crônica, a poesia, mas o romance talvez seja o que mais lhe tenha consagrado como escritora talentosa que é, como um dos grandes ícones da literatura catarinense. O seu “Barra do Cocho” já se transformou num clássico da nossa literatura e “Destino de Mulher” vai cativar muitos leitores.
A escritora Apolônia Gastaldi é, sem dúvida, uma grande representante da literatura produzida em Santa Catarina. Não é à toa que a sua obra, mais de uma dezena de livros, está sendo distribuída e vendida por todo o Brasil.

 

ASAS NO AR

Karine Alves Ribeiro

És a minha alegria,
o sol de todo o dia,
pulseira de conchas,
brisa e anzol.

És tinta, tela e solvente,
desenho na minha mente
iluminado pelo farol.

Na tua nobreza,
o teu encanto
d’alma límpida
e branca de jasmim.
Faz-me clamar aos ventos
unir nossas mãos novamente
com a bênção dos serafins.

Gigante de asas azuis,
no lago dos cisnes reluz
o velame de teu belo navio.
Flutua exuberante,
rumo ao cruzeiro do sul...

Onde esta sereia te espera
com a agonia que a refestela,
pois é saudade e alegria
o que ela sente por ti.

Volta, que o meu pulmão pisciano
não aguenta mais sem umidade.
De cima da rocha
te chamo, sem cessar
escrevo poemas, te desenho,
até o dia de você chegar.

 

LITERATURA INFANTIL

A MARGARIDA LILÁS

Por Else Sant´Anna Brum

Num lugar bem longe daqui havia um campo de margaridas brancas. Todas as manhãs, o sol lançava seus raios dourados sobre elas e dizia:
- Eu me vejo em cada miolo amarelo destas brancas margaridas!
Elas, então, sorriam para o sol!
Mas, no meio de tantas margaridas sorridentes havia uma que não sorria. Vivia triste, com carinha de choro. O sol não demorou a perceber e, intrigado, mandou um de seus raios conversar com ela.
- Que acontece com você? Por que não sorri como suas irmãs?
- Ah! Raio de sol, eu vivo triste porque não estou contente com a minha cor.
- Por acaso, perguntou o raio de sol, você quer ser amarela como as margaridas do campo ao lado?
- Não, não, eu também não quero ser amarela, pois o meu miolo já é amarelo. Eu gostaria de ser lilás!
O raio de sol ficou com pena da margarida branca que não queria ser branca, pois uma vez ele também teve vontade de ser um raio de luar. Levou então para o astro-rei o desejo da margarida.
O sol ficou encabulado. Ele sabia bronzear, mas transformar branco em lilás ele não sabia. Mas lembrou de alguém que sabia.
- Vá chamar a Fada das Cores, disse ele para o raio.
Quando a fada chegou, sorriu ao conhecer o desejo da margarida branca e disse:
- Ah! É bem assim. Garanto que se ela fosse lilás, gostaria de ser branca.
Mas, como tinha todas as cores em sua palheta, não gostava de ver ninguém triste e queria retribuir ao sol toda a luz que ele lhe dava, coloriu a margarida branca deixando-a lilás.
O raio de sol sorriu pelo final feliz.
A margarida lilás abrindo um grande sorriso, agradeceu à boa fada e naquele mesmo dia mudou-se daquele campo de margaridas brancas para formar outro campo de margaridas da sua cor, deixando ainda mais belo e colorido aquele lugar!

 

FUTURO?

Célia Biscaia Veiga

Enquanto espero que o tempo chegue,
O tempo ideal para eu viver,
Aguardando um momento tão sonhado,
A vida passa sem eu perceber.

Enquanto espero o amanhã que vai trazer
De um grande sonho, a realização,
E eu imagino passo a passo o que vai ser
Posso viver só na imaginação.

Por que temos este hábito confuso
De projetar nossa felicidade
Sempre só para um distante futuro
Ou dependendo de outra identidade?

Planejar é importante, ninguém nega,
Ter objetivos na vida é crucial,
O que não dá é esquecer que pra chegar
A gente trilha um caminho bem real.

 

 

PRÊMIOS E LANÇAMENTOS LITERÁRIOS

- Na premiação de final de ano da Academia Catarinense de Letras, quando são escolhidos os melhores livros do ano publicados por autores catarinenses, desta vez o escritor Enéas Athanázio, integrante do Grupo Literário A ILHA, teve o seu livro “Contos Escolhidos” eleito o livro do ano de 2012 na categoria conto.
- A Academia também concedeu ao escritor Celestino Sachet, colaborador desta revista desde o seu início, o Prêmio Othon Gama D´Eça, pela sua grande obra “A Literatura dos Catarinenses”, lançada recentemente.
-Wilson Gelbcke, escritor dos mais importantes do norte do Estado, há muitos anos conosco no Grupo A Ilha, acaba de publicar o livro de contos “Causos da Minha Cidade”, livro premiado pelo Edital de Apoio à Cultura do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura de Joinville.
- Marcos Antonio Meira é outro integrante do Grupo A ILHA que lança novo livro. “Desenho à giz” é seu segundo romance. O primeiro foi escolhido o romance do ano de 2011 pela Academia Catarinense de Letras.

 

UM VERSO DE AMOR

Teresinka Pereira (USA)


não custa muito:
com um pouco de calor
e de esperança
pode-se romper a indiferença
e fazer brotar um roseiral
de uma pétala,
montanhas de uma colina,
e oceanos de um lago
em noites de luar.
Para um verso de amor
bastam umas poucas palavras
que tenham asas
e sonhos!

 

LANÇAMENTOS NA FEIRA DO LIVRO DE FLORIANÓPOLIS

O novo livro de crônicas “O Rio da Minha Cidade”, de Luiz C. Amorim, Menção Honrosa nos Prêmios Literários Cidade de Manaus, será lançado na Feira do Livro de Florianópolis, no dia 18 de dezembro, a partir das 14 horas, no estande dos Escritores.
A partir das 16 horas dessa mesma tarde, a escritora Apolônia Gastaldi estará lançando quatro obras: o quinto volume da saga “A Força do Berço” - “Samir”; “Memórias” - contos; “Emoções” - poesia; “Destino de Mulher” - romance”. Uma nova edição do romance “Barra do Cocho” também estará sendo relançada.
Esses autores do Grupo Literário A ILHA estarão na feira lançando seus livros e esta edição da revista A ILHA.

 

QUERER

Apolônia Gastaldi
(Ibirama-SC)

O exótico do meu ser
Ninguém conhece

Foge dos padrões
Tem lei própria

Indefinido
Forte
Corajoso
É dominante

Jamais vaga inerte
Sem saber o quê

Qual fortaleza indômita
Guarda o segredo
No âmago profundo
Temperado
na forja do viver
Resultante final
da ação do mundo

Enfrentando a eterna
sede de querer.

 

 

EXPEDIENTE

Suplemento Literário A ILHA - Edição Nº 123 - Dezembro/2012 - Ano 32
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
Contatos: lc.amorim@ig.com.br
prosapoesiaecia@yahoo.com.br
A ILHA na Internet: Veja o portal PROSA, POESIA & CIA. em
Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

 

FELIZ NATAL

Aracely Braz
(S.Fco. do Sul)

Feliz Natal,
pra você que põe a Estrela D´alva
em seu caminho;
Feliz Natal,
pra você que viu
e sentiu a humildade
que foi amigo
e com o inimigo repartiu o pão;
Feliz Natal
pra você,
ciente de que o jacatirão
desabrocha em flores
para anunciar um novo Natal;
Feliz Natal
pela criança do presépio,
Que veio ao mundo
para nos salvar;
Feliz Natal
pra você,
que acendeu novas velinhas
para o aniversário de Cristo,
na esperança de que essa luz
derrame muita paz,
gratidão e amor
neste novo Natal.

 

REVISÃO DE TEXTOS
Livros, jornais, revistas, monografias, TCCs, etc. revisão e copy desk
Contato: revisaolca@gmail.com


VOLTAR