SUPLEMENTO LITERARIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Capa da versão impressa do Suplemento A ILHA

Março/2006

Esta é a nonagésima sexta edição do Suplemento Literário A ILHA, revista do Grupo Literário A ILHA que comemorou, em 2005, os seus vinte e cinco anos de publicação ininterrupta, juntamento com as Bodas de Prata do grupo, com atividades desenvolvidas em prol da divulgação da poesia e da literatura também por um quarto de século.
E nos aproximamos da centésima edição, motivo para mais comemorações, já que o suplemento é a revista literária que mais tempo tem de publicação, pelo menos aqui no estado.
O próximo ano, 2007, então, será mais um ano de comemorações. E além das participações em feiras do livro, feiras de arte, lançamentos e projetos como Poesia na Rua, Poesia no Shopping, Sanfona Poética, O Som da Poesia e Poesia na Escola, estaremos publicando um livro com a história do grupo que poderíamos chamar de antologia, pois lá estarão registrados aqueles escritores que participam e participaram do grupo, ao longo de sua trajetória, com a biografia, biobibliografia e uma amostra da obra. Um panorama da literatura catarinenense, a partir da atuação do Grupo Literário a ILHA no nordeste do estado, em todo o estado e até fora dele.
Nesta primeira edição de 2006, o ano do Centenário do grande poeta Mário Quintana, o Suplemento Literário se alia às homenagens que estão sendo feitas ao maior lírico brasileiro e publica matérias especiais como "Ouvindo e Comemorando Quintana", o conto (baseado em fato real?) de Tânia Melo e "O Centenário de Quintana, o poeta eterno".
Uma justa homenagem ao nosso grande poeta.

 

 

POESIA CATARINENSE PELO MUNDO

Mais dois poemas de Luiz Carlos Amorim foram traduzidos para outras línguas, para que um público novo, distante do Brasil, tivesse acesso a sua leitura e compreensão da sua mensagem. Já com livros publicados em inglês e espanhol, com poemas traduzidos e publicados na Índia, Holanda, Cuba e outros países, desta vez foram os poemas “Canção da Esperança” e “Simplicidade” que mereceram destaque internacional.
O poema “Canção da Esperança” – “Song of Hope”, em inglês – foi traduzido para o grego, pelo poeta Denis Koulentianos, de Korydallos, na Grécia. A tradução foi publicada no Boletim da IWA –

Já o poema “Simplicidade” – “Simplicity” em inglês, foi traduzida por Adolf P. Shvedchikov, poeta e tradutor russo, PhD em Literatura, radicado nos Estados Unidos. Nesta edição do Suplemento Literário A ILHA, além das traduções dos poemas brasileiros, o leitor poderá encontrar, também, poemas dos dois poetas internacionais. O poema de Adolf P. Shvedchikov foi traduzido para o português por Jorge Saraiva Anastácio e o poema de Denis Koulentianos foi traduzido pela brasileira Teresinka Pereira, Presidente da IWA, radicada nos Estados Unidos.

 

 

O CENTENÁRIO DE QUINTANA,

O POETA ETERNO

Por Luiz Carlos Amorim

2006 é o ano do centenário de nascimento do poeta Mário Quintana. O nosso menino Quintana, dos seus eternos cantares, completaria, neste ano, cem anos de vida. O que todos nós sabemos, na verdade, é que ele não morreu: se a poesia é Quintana, se Quintana é a poesia e a poesia não morre, ele está por aí, em todo o lugar onde houver poesia: no céu, no sol, nas estrelas, num sorriso cristalino, nas asas de um passarinho, nas asas da liberdade, nas pétalas de uma flor.
Fala-se bastante, ultimamente, de Quintana, o poeta da simplicidade. Sim, também, mas só pela simplicidade um poeta não viria a se tornar tão grande, universal, imortal – ele não entrou para a Academia Brasileira de Letras, mas é muito mais imortal, se é que é possível se dizer isso, do que muito acadêmico. A simplicidade é importante, sem dúvida, mas a poesia de Quintana tem muito mais do que isso: ela tem conteúdo, tem ritmo, tem lirismo, tem musicalidade, tem sentimento, tem emoção. Tem verdade, tem universalidade.
“Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.” – Isto, dito pelo próprio poeta, quando pediram para falar de si, diz tudo sobre ele, deixa bem claro que ele está mais vivo do que nunca nos seus poemas, na sua poesia, seja ela em verso ou prosa. Quintana, este mágico artista das palavras, construtor de emoções, também disse que “poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras - poesia é a luta amorosa com as palavras.” Por isso nosso velho menino jovem, nosso menino eterno tem a obra-prima que tem, como “O Auto-Retrato”, por exemplo: “No retrato que me faço / - traço a traço - / às vezes me pinto nuvem, / às vezes me pinto árvore...”(...)
Ou como “Ah, sim, a Velha Poesia..’: “... a Poesia faz uma coisa que parece que nada tem a ver com os ingredientes, mas que tem por isso mesmo um sabor total: eternamente esse gosto de nunca e de sempre”. Como “O Poeta começa o dia”: “...Acabo de trocar / - em meio aos risos da rua - / todas as jubas do Sol / por uma trança da Lua!”. E também como “Quando eu Morrer”: ...”Eu levarei comigo as madrugadas, / Por de sóis, algum luar, asas em bando, / Mais o rir das primeiras namoradas...” E como tantos outros...
Felizes aqueles que conheceram Quintana de perto – eu não tive essa felicidade – pois certamente esses privilegiados podem ver, ainda, Quintana passeando, sereno, pelas ruas da sua Porto Alegre velha...
Outros poetas, aprendizes, como tantos, passarão. Você, menino Quintana, o maior lírico dos nossos poetas, poesia viva e eterna, você apenas passarinho... Você e a sua poesia continuarão vivos por muitos, muitos e muitos anos...

CAFÉ COM POESIA

Por Tânia Melo


Caminhando distraída pela Rua da Praia, não reparei, imediatamente, na figura que, de uma forma extremamente carinhosa, olhava para mim.
Aquele rosto alegre era quase um ímã. Não pude ignorá-lo.
-Meu Deus! Não é possível!-falei, quase num grito, tamanho foi meu espanto.
Seu olhar tornou -se duro. O rosto crispado. Furioso por minha desconfiança
- Como, não é possível? Estás pondo em dúvida minha identidade?
-Não, imagine! balbuciei, entre nervosa e encantada. É que...
-...morri? É isto?
Sorriu novamente ao sentir o quanto eu arregalava os olhos e tremia o queixo, sem controle.
-Acalma-te, moça.Vamos sentar um pouquinho. Precisas de um copo d’água.
-...com açúcar, de preferência - completei.
-Eu prefiro que seja em um lugar muito conhecido e aconchegante para mim.
Dizendo isso, ofereceu-me o braço e eu, como uma autômata, o segui.
Chegando ao Cataventos, no térreo da Casa de Cultura, lançou-me um olhar inquiridor e, ao mesmo tempo, triste.
-Me acompanhas? perguntou, parecendo temer uma resposta negativa.
Não articulei palavra. Somente acenei com a cabeça, de maneira afirmativa e consegui sorrir, muito sem graça.
Incrível o poder daquela criaturinha magra e miúda. Em poucos instantes eu me sentia completamente à vontade em sua companhia, como se fôssemos íntimos amigos que se reencontravam após uma longa e saudosa ausência.
O mais incrível foi a naturalidade com que ele entrou no bar, cumprimentou a todos e dirigiu-se a uma das mesas, onde, muito gentilmente, puxou a cadeira para que eu sentasse e tomou o seu lugar.
Assombrada, não conseguia entender como aquelas pessoas todas, ali, não demonstravam a menor surpresa diante de sua aparição. Sua presença, apesar de ser muito festejada, era tida como normal.Cliente costumeiro. Gente da casa.
Será que estava louca? Ou isto tudo era apenas um sonho?
Mas, não. Tudo era muito real.
Não precisou sequer fazer o pedido. O garçom, após nos receber, dirigiu-se ao balcão e providenciou o costumeiro cafezinho, acompanhado por deliciosos quindins e, obviamente, um cinzeiro.
-Estou de regime, disse-lhe, sorrindo.
-Hoje não estás, não.Recomeças amanhã.
-Por favor, explica-me, de verdade...
Com um gesto, interrompeu-me, dizendo: “Venho do fundo das Eras. Quando o mundo mal nascia... Sou tão amigo e tão novo, como a luz de cada dia!”
Não havia mais espaço para dúvidas. Eu estava sentada, tomando o famoso café com quindins, e conversando animadamente com o meu adorado Quintana.
-Meu Deus! Quanta falta nos fazes, meu amigo.
-Não. Cumpri a minha etapa, falava, enquanto acendia um cigarro.
Perguntei-me, íntima e silenciosamente, o que teria feito para merecer tal privilégio, tamanha alegria?
Adivinhou meus pensamentos.
-Não te questiones quanto a isso. Eu, simplesmente, não gosto de tomar café sozinho. Já tive muitos momentos de solidão, em vida. Agora, desfruto sempre de alguma boa companhia, quando venho até aqui.
Um gole de café, um pedaço de quindim... e mais um cigarro.
Aproveitei, então, para agradecer-lhe por tudo o quanto deixara de bom para esse mundo.
-Tuas poesias encantam a milhares de pessoas.São sementes que brotam e dão frutos sem parar.És amado e cons...
Novamente o gesto com a mão, fazendo -me calar.
-Teu café vai esfriar. E, se não gostas de quindim, não faças cerimônia. Pede o que mais te agradar. Além disso, meu tempo é curto. Hoje é quarta-feira, não? Tenho apenas mais uns dez minutos.

Entre quindins, cafés e cigarros, os instantes voaram e, com tristeza vi que levantava e achegava-se a mim, beijando, carinhosamente o meu rosto, em sua despedida.
Não pude conter as lágrimas.

Foi se retirando, sorrindo, acenando e, apesar da distância, ainda pude ouvi-lo: “As mãos que dizem adeus, são pássaros que vão morrendo lentamente...”

 

OUVINDO E COMEMORANDO QUINTANA

(Luiz C. Amorim)

Um leitor do portal Prosa, Poesia & Cia., do Grupo Literário A ILHA, enviou-me um mail, dia destes, perguntando se eu tinha alguma informação sobre a reedição de CD com declamação de poemas de Quintana, gravados na voz do próprio poeta. Sei que foram lançados alguns, apesar de eu não ter nenhum deles e fiquei curioso e feliz por um possível relançamento. E fui procurar na internet.
Achei, entre tanta informação sobre o poeta, o site comemorativo do seu centenário – em http://www.estado.rs.gov.br/marioquintana/ , organizado pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul. Um trabalho muito bem feito, abrangente, eu diria completo. Muito bem produzido, agradável de se ver e navegar. Além da biografia, da bibliografia, de depoimentos, de entrevistas e fotos, de parte da obra, encontrei gravações do poeta declamando seus próprios poemas, dezenas deles. Também as entrevistas e depoimentos estão em gravações de áudio e vídeo.
Fiquei muito feliz e não tive dúvidas: Baixei as dezenas de declamações do poeta e vou gravar um CD para mim!
E já que estava com a mão na massa, não pude deixar de ver as homenagens que fazem parte das comemorações dos cem anos do nascimento do grande lírico brasileiro. Durante todo o ano de 2006, a vida e obra do nosso grande poeta serão lembradas em uma extensa programação de eventos culturais, marcando o “Ano do Centenário de Mário Quintana”, que foi instituído pelo governo do Rio Grande do Sul, através do decreto 43.810, de 24 de maio de 2005.
Também fazendo parte das comemorações do centenário, foi lançado pelos Correios, em meados de 2005, um selo em homenagem ao nosso menino Quintana.
Toda a obra de Quintana está sendo reeditada, desde o início das comemorações, em 2005. A Editora Globo já publicou “Canções”, “A Rua dos Cataventos”, “Sapato Florido”, “O Aprendiz de Feiticeiro” e “Espelho Mágico”. A coleção Mário Quintana é composta de 18 livros, que continua a ser publicada neste ano, obedecendo a ordem cronológica.
Foi lançada, ainda, a biografia sintética “Mário Quintana: poeta, caminhante e sonhador”, pelo Instituto Estadual do Livro, e o dicionário de citações “A Quinta Essência de Quintana”, editado pela Companhia Zaffari.
Em formato de bolso, a biografia integra a coleção Autores Gaúchos e reúne cronologia da vida do poeta, sumário da obra, além de depoimentos de Quintana. Com citações do autor organizadas em verbetes temáticos e fotos, o dicionário vem com um CD de poemas lidos por Paulo José. Não sei quais os poemas declamados no CD, mas vou tentar conseguir mais esse troféu.
Sempre dentro da programação das comemorações do centenário, foi lançado, também, o “Dicionário Mário Quintana”, resultado de pesquisa nos versos do poeta. Outra publicação em destaque é o relançamento de “A Porto Alegre de Mário Quintana”, da fotógrafa Liane Neves.
E muito mais eventos existem programados para comemorar o centenário do grande Quintana, durante este ano de 2006: toda a obra dele está sendo reeditada e outros livros sobre o poeta, a sua poesia e a sua vida estão vindo por aí.
Vale lembrar, aqui, o último livro de Quintana, “ÁGUA”, uma edição trilíngüe (português, inglês e espanhol) dos poemas escritos por ele para serem encartados no Relatório Anual do Banco do Brasil de 1994, publicado em 2001, pela editora Artes e Ofícios. São nove poemas sobre o mar e sobre lugares importantes pelo Brasil que tem a ver com água, como Cataratas do Iguaçu, Porto de Suape, Ponte de Blumenau, Usina de Itaipu, Fortalezas da Ilha de Santa Catarina e outros.
De amostra, publico “Ponte de Blumenau”: “Entre a minha terra e a tua / Há uma ponte de aço. / Desafiando o rio, / Desafiando o vento, / Desafiando a chuva, / Desafiando tudo! / Quem é que me espera, / Quem ainda me ama, / Lá do outro lado / Da ponte de aço?”
Todos os poemas do livro estão na edição 83 do Suplemento Literário A ILHA, de dezembro de 2002, no Portal Prosa, Poesia & Cia – http://geocities.yahoo.com.br/prosapoesiaecia .

 

MINHA SEDE

Teresinka Pereira

Há pedaços de sonhos
neste ramo florido
e há mãos invisíveis
atrás do silêncio.

Há um tempo ferido
separado da paisagem.

Pelo momento ninguém se move.
Só um pouco de vento
malicioso e árido.

Entretanto,
a morte se esconde
entre as margens.

Minha sede não se acalma
Um latido longínquo
Inquietando e não cessa. Ai!

Não cessa... nem pode cessar.

 

FEIRA DE RUA DO LIVRO DE FLORIANÓPOLIS

Será realizada de 3 a 13 de maio, no Largo da Alfândega, a Feira de Rua do Livro de Florianópolis 2006, promovida pela Câmara Catarinense do Livro.
No total, serão oferecidos 66 estandes, que se estenderão pelos 1,5 mil metros quadrados da feira. Como o Largo da Alfândega é também ocupado por uma feira de hortifrutigranjeiros, o espaço da Feira de Rua do Livro fica limitado. Se houvesse mais área, poderia ser oferecido um espaço cultural para a população com muito mais qualidade, com diversas atividades culturais paralelas. Se a feira de hortifrutigranjeiros fosse transferida de local durante este período, a Feira de Rua do Livro ganharia mais cerca de 1.000 metros quadrados. A Feira de Rua do Livro de Florianópolis 2006 terá como patrono o jornalista e escritor Moacir Pereira, presidente da Associação Catarinense de Imprensa.
O Grupo Literário A ILHA estará participando, mais uma vez, no stande das Academias e Associações Literárias, com o lançamento da terceira edição de “SAUDADES DE QUINTANA”, livro de crônicas de Luiz Carlos Amorim, da antologia NAÇÃO POESIA e desta edição do Suplemento Literário A ILHA.

 

QUERER

Apolônia Gastaldi

O exótico do meu ser
Ninguém conhece

Foge dos padrões
Tem lei própria

Indefinido
Forte
Corajoso

É dominante

Jamais vaga inerte
Sem saber o que

Qual fortaleza indômita
Guarda o segredo
No âmago profundo
Temperado na forja do viver
Resultante final da ação do mundo

Enfrentando a eterna sede de querer.

 

IRENE SERRA, A IRENE DO RIO TOTAL     


Notícias de eventos culturais nacionais e internacionais, notícias da comunidade judaica, Feliz Idade -bela página dedicada à chamada terceira idade, lendas e mitologia, escritores e poetas, crônicas semanais, literatura infantil, H.Q, esporte, matérias especiais sobre os imortais da literatura, gastronomia, opinião acadêmica, tudo é um show semanal, uma amostra do que a dedicação e o carinho podem conseguir. Tudo isso e muito mais é RIOTOTAL, excelente revista eletrônica de cultura, informação e variedades, acessada todas as semanas por pessoas de bom gosto cultural.
A pessoa responsável por isso é Irene Serra, foniatra e psicóloga, a Irene do Rio. Como reconhecimento do seu trabalho, já foi recebida na Câmara Municipal com elogios em plenário pelo trabalho de Feliz Idade. Atenciosa, abnegada e dedicada, recebe mais de 300 e-mails por dia e trata a todos com o mesmo afeto, a mesma atenção, a mesma gentileza. Mestre na arte de lidar com o ser humano, cada correspondente tem para ela a mesma importância. Tem dois sonhos: voltar a escrever seus próprios textos – ela é também escritora - e lançar a versão impressa do RIOTOTAL.
Ao seu lado o companheiro Luiz Carlos Guedes, que começou como locutor de rádio e depois foi apresentador do Jornal do SBT. Fez jornalismo e marketing e é o Webmaster do RIOTOTAL.
Entrevistada por Marciano Vasques, com a palavra Irene Serra.
- Como começou a RioTotal?
IRENE: Em 1994, criamos o Catálogo do Rio, que visava à divulgação de serviços médicos aqui em Ipanema; em poucas semanas, profissionais de diversas outras áreas e lojas nos procuraram para que os divulgássemos.  Com pouco mais de um ano, já havíamos amadurecido a idéia de expandir o catálogo em revista, colocando artigos vários, principalmente relacionados à literatura e ao bem-viver na terceira idade. Surgia, então a Revista Eletrônica Rio Total, com a seção Feliz Idade (para mim) e CooJornal (para o Luiz).
 Não dava para sufocar a realidade desta implosão e foram surgindo, então, as diversas seções do site. À medida que expandíamos, fomos convidando colaboradores, pessoas que se mostraram – e se mostram - sempre dispostas a mandar não só seus próprios artigos, como a pesquisar e solicitar matérias a outros. Incrível é o número de pessoas até então desconhecidas para nós,  que chegam querendo contribuir de alguma forma.
 Com esta expansão, fomos abandonando o Catálogo do Rio, que era nosso apoio financeiro e fomos nos dedicando cada vez mais à informação e cultura. Mas não há dúvida que um respaldo financeiro nos faz falta, pois temos um gasto muito grande. Como não temos tempo de batalhar um patrocinador, alguém que faça propaganda  no site, não  temos como contratarmos técnicos especializados na confecção de sites, por exemplo. É um moto contínuo e, a cada dia, as responsabilidades aumentam.
- A psicóloga tem tido muito trabalho na lida diária com a ‘alma do artista’ (colaboradores, leitores, etc..) que povoa o RioTotal?
 IRENE: Normalmente o convívio tem sido fácil e prazeroso. Só se complica quando a vaidade de alguns se torna possessiva e agressiva, o que muitas vezes nos faz desanimar. Haja tato para expor a alguém que sua matéria não será aproveitada, ou mesmo, apenas, fazer com que certas pessoas entendam que a edição do outro não fora elaborada com mais carinho. Todas são sempre realizadas com a mesma atenção, o que melhor consigo fazer. Preferia ter mil problemas técnicos a qualquer outro. Computadores consertam-se. A fragilidade da alma sempre deixa cicatrizes.
- A viabilização do site exige quantas horas de trabalho diário? Quem fica com qual parte?
IRENE: Hoje, para mim, praticamente tudo se resume ao Rio Total. Vou ao consultório pela manhã e, de 14h até às 22h, fico nesta atividade de criação e edição. Quando Luiz chega do trabalho, após termos um tempo de jantar e um pequeno descanso, ele resolve os eventuais problemas e debatemos novas estruturas. Começamos, então, juntos, nova carga horária. Temos dois computadores aqui em casa, então fica mais fácil, um não interrompe o outro. Resumindo: eu fico com o braçal e ele com o criativo, numa perfeita harmonia.

 

BUSCA            
                 
Tania  Melo
 
vestida de uma angústia que me queima
eu sigo, assim, sem rumo pelos becos
escuros, fétidos, mendigando luz
o pranto se disfarça em risos falsos
e neste negro instante, a máscara do rosto
rompe em frangalhos, mostrando quem sou:
um frágil ser tomado pelo medo...
que, de joelhos, implora pela sorte
de um candeeiro que me indique o norte
 
jogo-me inteira nessa luta inglória
agonizando numa dor infinda
minh’alma geme, se contorce, grita
mas ele, surdo,cego,não ouve nem me vê
enveredou-se por vielas tortas
com sons e cheiros diversos dos meus
julgando ouvir o cântico dos deuses
nas podres ruas do seu novo mundo
foi- se perdendo em escuros profundos.
 
clamo por ele em noites que se arrastam.
fito as estrelas...tento compreender
se já estão mortas como ainda têm luz?
tempo assassino, cumpras teu destino!
monstro faminto que a tudo devora,
toma meu corpo pra saciar tua fome
pois, pela morte ficarei mais forte.
quiçá eu brilhe tal qual plenilúnio
e ele,então, se encontre no meu infortúnio.

 

CRÔNICAS ANDARILHAS E D´ALÉM MAR

Por Luiz Carlos Amorim

Há pouco tempo, foi publicada, num caderno de cultura e variedades de um grande jornal catarinense, uma matéria sobre a crônica. Nela, alguns escritores davam a sua opinião sobre a importância do gênero dentro da nossa literatura. A maioria deles classificou a crônica como um gênero menor, instantâneo e efêmero, sem sobrevida. Apenas dois a consideraram um gênero válido e eu digo que é um gênero rico e que pode perdurar, ser universal e perene. Entao prefiro aliar-me aos últimos e penso que não estamos sós, pois a publicação de livros de crônicas tem aumentado, nos últimos tempos e o gênero tem conquistado novos leitores.
Bons exemplos disso são os livros “Crônicas Andarilhas”, de Enéas Athanazio e “Histórias d´Além Mar”, de Urda Alice Klueger, dois dos mais importantes escritores vivos de Santa Catarina.
“Crônicas Andarilhas”, do escritor Enéas Athanázio, é um grande livro, em tamanho e conteúdo. Nas duzentas páginas deste livro de viagem que eu chamaria de “livro de viagens literárias”, que fala de chão, de gente, de natureza, de literatura e de escritores, de poesia e de história, o cronista nos leva a viajar com ele para conhecer esse Brasil de ponta a ponta, nos revelando curiosidades e descobertas, num estilo sempre sóbrio e elegante.
De início, um capítulo com título curioso e interessante: “A Amazônia que vi e li”, onde são reunidas crônicas sobre algumas viagens literárias (e todas elas não o são?) pela selva amazônica, desbravando suas matas, suas águas e conhecendo sua gente e sua literatura.
Os assuntos estão organizados e há capítulos sobre Canudos (o reduto do Conselheiro), sobre o Nordeste – sua beleza, seus rios, sua gente, seu cangaço; sobre “Figuras de perto e de longe” – Lima Barreto, do qual o Dr. Enéas é um estudioso, Câmara Cascudo, J. D. Salinger e Joyce Maynard, americanos; sobre Lobato, outra especialidade do autor; sobre o seu estado, “Terra Catarinense”; sobre o Contestado (Meu Chão); sobre o Cariri, as cidades de Gilberto Amado, o chão de “mestre Graça”, sobre “Utopia Campeira” e “Caminhos reais e imaginários”.
É possível considerar descartável um livro de crônicas como este? O conteúdo de “Crônicas Andarilhas” é história, é documento, é registro de um Brasil que muitos de nós não conhecemos, de diferentes espaços e tempos.
Histórias d´Além Mar”, da romancista blumenauense Urda Alice Klueger, que tem se revelado, já há anos, excelente cronista, é outra seleção de crônicas que merece ser eternizada em livro. Ela também é uma escritora viajante, mochileira irrequieta e dinâmica, eu diria quase andarilha. E como Dr. Enéas, tem necessidade de relatar suas experiências e descobertas, o que resulta em crônicas deliciosas e interessantes. Uma diferença que encontrei entre os dois é que ele viaja pelo Brasil e ela tem se aventurado mais por outros países. O que já rendeu alguns livros de viagem, como “Entre Condores e Lhamas”, “Amada América” e “Recordações de Amar em Cuba II”.
E o mais recente livro de Urda é “Histórias D´Além Mar”, seleção de crônicas que falam de suas viagens envolvendo principalmente a Europa e um pouquinho da Ásia, como ela própria diz na apresentação da obra. Em textos alegres e bem humorados, às vezes um pouco mais sérios, quando é necessário, Urda nos leva de carona aos Pirineus, a Paris e Portugal, Moçambique, Espanha, etc. E nos dá a conhecer as gentes, os costumes, os cenários, os sabores e os cheiros de plagas bem distantes do nosso Brasil.
Urda é aquela escritora que escreve como se estive conversando com o leitor: você começa a ler e é difícil parar, é difícil abandonar o bom papo. Esse tom coloquial, aliado à percepção de detalhes curiosos que passariam despercebidos ao escritor comum, fazem da escritora loura dos dedos cheios de poesia, uma autora tão lida e tão querida.
Não deu vontade de ler esses dois livros de crônicas? Pois eu li e leio de novo, tão gostosos e reveladores eles são. Contatos com os autores: e.atha@terra.com.br e urda@flynet.com.br

 

NOITE
(Night)

Adolf P. Shvedchikov
(USA)

Noite, você traz doce ilusão.
Você evolui em um redemoinho.
Não posso acreditar em você.
Mas você é atraente e estou dentro
De sua rede, novamente!
Você traz docura e sofrimento.
Sou seu prisioneiro.
Sua aljava está cheia de flechas desejadas!

(tradução de Jorge Saraiva Anastácio)

 

FESTA DA POESIA


A agenda de festivais literários, que vem engordando ano a ano no Brasil, ganha agora uma festa dedicada exclusivamente à poesia. Depois da folia momesca, entre os dias 24 e 26 de março aconteceu o Festival de Poesia de Goyaz, que se realizou em Goiás Velho, com o objetivo, afirmam os organizadores, de tornar a cidade o “centro de divulgação da poesia contemporânea brasileira”. A solenidade de abertura foi no dia 23, às 20h, no Cine Teatro São Joaquim, com uma homenagem especial ao poeta Manoel de Barros, que esteve presente. Todas as atividades tiveram entrada franca. Houve palestras, leituras, recitais, oficinas, encontros com editores, lançamentos, autógrafos, exibição de vídeos, concursos e premiações. Alguns dos participantes foram Ivan Junqueira, Antônio Cícero, Gilberto Mendonça Teles, Chacal, Heloísa Buarque de Hollanda. Mais detalhes do que que rolou no site do festival, www.goyaz.unb.br.

 

AMIGOS

Belvedere Bruno

amigos são flores
que rego à medida das necessidades
que abraço forte,
sem cercear a liberdade.
que amo,
sem esperar reciprocidade.
amigos são jóias raras
e a qualquer sinal
respondo com o meu amor que
é sempre incondicional .

 

VERBA PARA PROJETOS CULTURAIS EM SC

O valor total de recursos a serem destinados ao incentivo a projetos culturais em Santa Catarina em 2006, dentro do Fundo Estadual de Cultura (Funcultural), será de R$ 37,650 milhões - o que significa 0,5% da receita líquida do Estado. O valor é 50% maior do que o de 2005, quando foram disponibilizados R$ 25 milhões através da extinta Lei de Incentivo à Cultura (Leic).
O valor foi divulgado pelaa secretaria de Cultura, Turismo e Esporte, logo depois de uma reunião extraordinária do Conselho Estadual de Cultura (CEC).
O incentivo do Funcultural será distribuído de acordo com a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) de cada região de SC. Foi divulgado, também, o cronograma de atividades do CEC.
Os proponentes de projetos que queiram concorrer a uma fatia da verba terão té o dia 5 de abril para protocolar os seus trabalhos nas Secretarias de Desenvolvimento Regional (SDR). Os conselheiros terão até o dia 30 de maio para realizar a análise das propostas, e os convênios e contratos devem ser assinados até o dia 1 de julho (90 dias antes do pleito eleitoral).
Aprovada em março de 2005, a lei que criou o Funcultural estipula que não haja repasses diretos para os proponentes que consigam aprovar seus projetos, mas sim que busquem captar os recursos junto à iniciativa privada. A captação tem de ser feita tanto por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado quanto pelos órgãos públicos culturais.

 

RELÓGIOS

Aracely Braz

Relógio de minha infância
Muito apressado batia.
Quero ser homem, dizia,
Tentando o compasso avançar.

Relógio da adolescência
Espaço de glória, ilusões,
De chuva, sol, emoções
- Quem dera o tempo parar!

No desgaste do caminho,
A fadiga na cadência
Já deixa transparecer:
São batidas calejadas
Lembranças, traços, saudade,
Mas continua a bater.

Relógio é coração
Narrando páginas idas
De frases quase esquecidas.
Sonhos, poemas, canções,
Detalhes de gerações,
Batidas marcando a vida.

 

Março: Bienal Internacional do Livro em São Paulo


Organizada a cada 2 anos pela Câmara Brasileira do Livro, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo é considerada um dos maiores eventos mundiais do setor editorial. Muito mais do que um importante evento comercial, durante 11 dias a Bienal torna-se palco de inúmeras atrações para editores, livreiros, distribuidores, gestores de bibliotecas, universidades, escolas e ong’s, além de professores, estudantes, autores, agentes literários e outros profissionais do mercado cultural. Ficção, poesia, jornalismo, livros de referência e muita auto-ajuda. Estes são alguns dos gêneros literários que os visitantes terão à sua disposição na 19ª edição da Bienal Internacional do Livro, que acontece de 9 a 19 de março no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Serão cerca de 3 mil lançamentos e mais de 1 milhão de exemplares vendidos por mais de 320 expositores representando 900 selos editoriais. Estão programadas ainda 425 sessões de autógrafos com 90 autores nacionais e 20 estrangeiros. Entre eles, no entanto, nenhum dos grandes nomes internacionais aguardados pelo público brasileiro. Esta é a primeira edição do evento a ser realizada no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na zona norte da capital paulista. Anteriormente prevista para abril, a Bienal do Livro teve que mudar de data para se encaixar no calendário do maior centro de exposições da América Latina. “Foi uma grande conquista”, disse Oswaldo Siciliano, presidente da Câmara Brasileira do Livro, que promove o evento. O valor do ingresso é R$ 10,00. Estudantes e aposentados pagam meia e para menores de 12 anos, maiores de 65, deficientes e profissionais do livro a entrada é, felizmente, grátis. Uma das grandes novidades deste ano é que o valor do ingresso poderá ser totalmente revertido em descontos para adquirir livros. A cada R$ 10,00 em compras, o visitante terá o direito de um abatimento de R$ 1 no valor do produto.


 

MAGNÍFICO DIA SOMBRIO

Wilson Gelbcke

Hoje o sol não saiu,
magnífico dia sombrio.
O vento é mais forte,
chuvisco vindo do norte.
Onde está o azul do mar?
Por que se importar?
Há tanto o que ver,
tanto o que pensar...
O quebrantar das ondas,
o voar das gaivotas,
deixa chover.
Mãos dadas na varanda,
no balanço da rede
que vai e que vem...
Por que lembrar
do céu limpo de ontem?
Hoje o sol não saiu,
magnifico dia sombrio.

 

VOZ DE PRISÃO

Conto De Enéas Athanázio

Feliz da vida, o promotor embarcou no carro e começou a viagem de volta à comarca, onde esperaria uma breve promoção. O fusca novo vencia bem a distância, engolindo os quilômetros da estrada poeirenta, cheia de pedras e buracos. Numa altura, sem maior esforço, podou o fusca mais velho que ia na sua frente, envolvendo-o num rolo de poeira vermelha. Nem cinco minutos se passaram e o mesmo carro o ultrapassou, com o motor batendo pino no esforço. Foi sua vez de engolir pó.
O outro se manteve algum tempo na frente, com o motor arrochado, mas perdeu terreno e foi novamente podado. Mais adiante, porém, o promotor notou surpreso que o fusca teimoso o ultrapassava de novo, desta vez passando bem perto e com o motorista fazendo gestos provocativos. E logo mais parou na estrada, bloqueando a passagem e obrigando-o a parar.
“Lá vem bronca!”, pensou o promotor quando o motorista do outro carro se dirigiu na sua direção. Um caboclão mal encarado, de chapéu largo e botas gaiteiras, cuja aproximação era um perigo sério. Desarmado, o promotor não sabia o que fazer, quando bateu com a mão, por acaso, na carteira profissional que levava no bolso. Apanhou-a, meio tremelique, baixou o vidro e esperou o sujeito ameaçador.
Quando ele chegou, empurrando o chapéu para a nuca, e curvou-se para encará-lo, o promotor, mais branco que papel, sacou da carteira e quase a esfregou no nariz do caboclo.
- Está preso! Está preso!” – gritou com a voz mais firme que conseguiu, simulando abrir a porta do carro e descer.
Deparando com a carteira vistosa e seu medalhão dourado brilhando ao sol, o caboclão levou um choque. Assustado, foi recuando de costas, primeiro devagar e depois quase correndo na direção do carro, enquanto repetida:
- Preso eu não vou! Preso eu não vou!
Embarcou no velho fusca, sem olhar para trás, arrancou jogando pedras e desembestando numa nuvem de poeira pelo primeiro atalho que encontrou.
O promotor respirou fundo e não se conteve. Deu um beijo na carteira. Esperou um pouco e retomou o caminho.

 

ENTARDECER

Amália Max

Já não procuro
restos de infância
pedaços de mim
que perdi pelos caminhos
de um tempo feliz.
Estes não mais procuro
pois são restos rasgados
pelo tempo implacável
que deixou apenas saudades.

Às vezes saio em busca da primavera,
ventura adulta,
que a névoa azul do tempo
cobriu de fria neblina
e eu, em vão, tateio o vazio.
Onde estás ventura pretérita
que em minhas buscas
não encontro nem o teu perfume?

Entardece...
Já estrelas riscam o céu
e os meus pedaços
onde foi que os perdi?

 

Blumenau abre espaço para produção literária local


Os escritores de Blumenau encontraram nos turistas um público extremamente interessado na produção literária local. A integração dos visitantes com os livros e temas editados pelos autores da cidade, às vezes colocados em segundo plano nas livrarias comerciais, está sendo possível graças à criação do Kunstgarten, o “jardim das artes”. O espaço funciona em anexo ao Museu da Cerveja desde o final do ano passado.
Somente no mês passado mais de 7,5 mil turistas estiveram no Kunstgarten, e boa parte deles aproveitou para comprar um livro. O precursor deste projeto foi o Varal da Poesia do Grupo Literário A ILHA, em Joinville, onde os poetas ofereciam seus livros aos visitantes leitores do poemas expostos em fios que atravessavam a praça. Os mais procurados são os infantis e os que falam da história da colonização alemã na região do Vale do Itajaí. Junto com os livros também estão sendo expostas obras de artes, principalmente pinturas de artistas plásticos locais. No saguão foi erguido o “Muro das Criações” - um local onde o visitante pode deixar uma mensagem, uma poesia, um conto ou mesmo ler o que foi deixado por outro visitante. O jardim das artes também abre espaço para escritores que ainda não publicaram nenhum livro ou são pouco conhecidos na região. Eles têm o currículo e uma amostra de suas obras fixadas em uma das paredes. O próximo passo dos escritores é criar um espaço para encontros de artistas, apresentações e lançamentos de livros, aproximando a comunidade da cultura local.

 

SENTENÇA DE VIDA

Ma. de Fátima B. Michels

Amar...amar...amar
Você pegou meus “enta” e tantos de praia...
Fez ao bafo
Fez caldo e fez pirão!
Água viva você queima!
Tanto fez que até fez um dodói cá
no meu coração
Amar é tubo no vento
surf na pedra
É bicho que pega e bicho papão
Tarrafa brandida no ar,
é amar!
É sorte lançada, sentença de vida
Amar é
condenação!

 

 

AGÊNCIA NACIONAL DO LIVRO

O ano de 2006 é o tudo ou nada para os gestores de políticas do livro e da leitura no governo Lula: em ano eleitoral, corre-se para aprovar, até o fim de março, a Agência Nacional de Leitura, órgão paraestatal que funcionará nos moldes de entidades privadas como o Sebrae, de incentivo a microempresas, ou o Serviço de Responsabilidade Social na Indústria (Sesi). A principal meta é difundir o hábito de ler, através de ações variadas, como o apoio a bibliotecas, a capacitação de profissionais, a realização de pesquisas. Os recursos virão da cadeia produtiva (editoras, distribuidores, livreiros, gráficas) que tem uma dívida social com o país: no fim de 2004, o setor se beneficiou da isenção total de impostos e, em troca, se comprometeu a contribuir com 1% de suas vendas para um fundo de estímulo à leitura - o qual, mais de um ano depois, só recebeu cerca de R$ 1 milhão até agora, segundo o governo. Isso num universo potencial de contribuições que se estima em R$ 85 milhões.
Mas a Agência ainda não foi criada. Com a proximidade da aprovação do projeto, muitas empresas já começaram a contribuir de maneira mais efetiva. Foram as próprias empresas que sugeriram a contribuição voluntária - afirma Galeno Amorim, presidente do conselho diretivo do Vivaleitura, nome dado às atividades do ano ibero-americano de leitura, em 2005.

 

SÉCULO XXI

Denis Koulentianos (Grécia)

Esqueceram-se de cantar,
de brincar, de assobiar.
Caminhamos apressados
com os pescoços abotoados
sob escuros céus,
eu... tu... todos...
Talvez ocultemos uma alma,
uma carícia, um sorriso.
Hoje, circulamos com falta de Deus.
Temos os pés de ferro,
mãos plásticas
e os olhos vidrados.
Como abraçaremos
Ao século que se aproxima
com mãos de plástico
e olhos vidrados?

(Tradução de Teresinka Pereira)

 

Lindolf Bell Ganha Biografia

A jornalista Helen Francine pesquisou e escreveu a biografia “Quixote Catarinense”, de Lindolf Bell, que está sendo lançada pela Editora da UFSC.Trata-se de um livro-reportagem, para o qual Helen começou a pesquisar em junho de 2003, quando fazia o trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Univali. Seu envolvimento com o poeta, no entanto, iniciou em 1996, ao ganhar um prêmio de poesia no colégio em que estudava, em Balneário Camboriú. Lindolf Bell era um dos jurados da premiação e lhe entregou o troféu em mãos. Ao assistir uma palestra da filha de Bell, Rafaela, em 2003, surgiu a idéia de fazer o livro. O evento ocorreu na Academia de Letras de Balneário Camboriú, da qual o poeta é patrono. Durante o discurso, Rafaela apenas rememorou algumas histórias da vida do pai. Foi assim que Helen teve o estalo. Helen define o livro como uma biografia aberta, da qual podem surgir mais histórias e outras recordações sobre Bell. "É um registro de memória, da história oral, coisas que iriam se perder no tempo se nao fossem feitas agora."

 

A NOITE, O TEMPO

Djanira Pio

Na quietude da noite
o relógio trabalha.
O tempo passa
e cumpre o seu destino
com indiferença.
Na quietude da noite
pia um pássaro nuturno.
Abro os olhos
no escuro
meu pesamento voa.
Na quietude da noite
meus nervos gritam
em silêncio.
O relógio marca o tempo
que passa indiferente
na quietude da noite.

 

ESCRITORES CATARINENSES NO RIO TOTAL

Mais três cronistas que fazem parte do Grupo Literário A ILHA estão escrevendo para o portal Rio Total, mais exatamente para a seção COOJORNAL. São eles Tânia Melo, Enéas Athanázio e Maria de Fátima Barreto Michels. O Rio Total é um espaço cultural e informativo dos mais visitados na Internet (www.riototal.com.br).


EXPEDIENTE
Suplemento Literário A ILHA - Edição número 96 - Março/2006 - Ano 25
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
End. para Correspondência:
lc.amorim@ig.com.br - prosapoesiaecia@yahoo.com.br


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