SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Edição on-line da revista do Grupo Literário A ILHA

Dezembro/2006

 

O NATAL QUE EU QUERO

Luiz Carlos Amorim

Quero o Natal completo
e por inteiro,
verdadeiro.

Quero o Natal pulsando
em mim e em todo ser.

Quero o Natal nos olhos,
luz a colorir a vida,
a semear a paz.

Quero o Natal nas mãos,
carinho a semear ternura.

Quero o Natal nos lábios,
canção a propagar a fé.

Quero o Natal no coração,
multiplicando amor,
presente maior que posso ter...

 

 

MARÇO DE 2007: CENTÉSIMA EDIÇÃO DO SUPL. LIT. A ILHA

É dezembro e esta edição de número 99 do Suplemento Literário A ILHA é especial de Natal, com crônicas e muita poesia natalinas. Reunimos poemas sobre a maior festa da cristandade de integrantes de Grupo Literário A ILHA e de grandes poetas consagrados, como Olavo Bilac, Vinícius de Moraes e outros. Esperamos que os textos aqui mostrados ajudem avivar o espírito do Natal em todos os leitores.
Começaremos o ano de 2007 com a edição de número 100 do Suplemento Literário A ILHA e estamos preparando desde já, além do número especial desta revista, outras publicações que marcarão a comemoração deste marco que é uma centena de edições da revista do Grupo Literário A ILHA, ao longo de quase 27 anos de resistência.
Estaremos lançando, na Feira de Rua do Livro de Florianópolis, em maio de 2007, a coleção Poesia Viva, que consiste em nove livros de poemas de integrantes ou ex-integrantes do grupo que não tinham obra solo editada: Selma Maria Franzoi, Sólon Schil, Margarete Irai, Silvinha Scmidt, Darci A Nogueira, Salete Holske, Célia Biscaia Veiga, Maria de Fátima Joaquim e Maria de Fátima Barreto Michels.
Além desta coleção, será lançado o livro de crônicas “A Primavera Sempre Volta”,de Luiz Carlos Amorim e “Escritores Catarinenses e o Grupo Literário A ILHA – Quase três décadas de Literatura”.
Feliz Natal e Feliz 2007 para todos nós.

 

 

NATAL

Olavo Bilac

Jesus nasceu ! Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria ...

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus ...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na Cruz.

Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.

Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes,
Foi para os pobres seu primeiro olhar.

No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presépio os guia.
Vêm cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.

Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu ! Natal ! Natal !
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o Mal !

Natal ! Natal ! Em toda Natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia ...
Salve, Deus da Humildade e da Pobreza,
Nascido numa pobre estrebaria !

 

 

O DIA DE SÃO NICOLAU

Por Urda Alice Klueger

Comemora-se São Nicolau no dia 6 de dezembro e há muita coisa a ser dita sobre esse dia.
Para a Igreja Católica, São Nicolau foi um bispo polonês que viveu há muitos séculos. Era um homem justo e generoso e gostava de fazer caridade incógnito, deixando saquinhos com moedas de ouro durante a noite, nos umbrais das janelas dos necessitados. Foi isto que li a respeito do santo, numa “Série Sagrada”, quando era criança. Só que, quando li isso, São Nicolau já era uma entidade muito forte para mim e até fiquei um pouco decepcionada por saber que ele tinha vivido a vida sem graça de um bispo, quando poderia tê-la vivido na alegre companhia de Papai Noel.
Bem, de qualquer forma, ele foi uma pessoa muito forte, pois virou tradição e se perpetuou na memória de todas as crianças alemãs ou descendentes de alemães. E, na noite de 6 de dezembro, tantos séculos depois, São Nicolau continua visitando essas crianças e, incógnito, continua deixando suas dádivas, não mais moedas de ouro, mas balas, chocolates e castanhas, e é sobre a magia da noite de 6 de dezembro que eu quero falar.
A memória me traz a noite de São Nicolau de quando eu tinha três anos, a primeira de que me recordo. Meus pais nos orientaram, a mim e à minha irmã Mariana, a enfeitarmos nossos sapatos com as flores do jardim, e os colocamos na janela da sala de nossa casa pequena e aconchegante. Um grande mistério passou a envolver tudo depois daquele ato solene, e tínhamos o coração disparado enquanto jantávamos ouvindo o “Repórter Esso”, pois era noite de milagres, a primeira noite de milagres para mim. E, de repente, meu Deus, o susto! Grandes batidas nas paredes da nossa casa de madeira silenciaram as cigarras que cantavam e puseram em disparada meu coração virgem de emoções fortes.
“São Nicolau!” – confirmou meu pai, fazendo-se tão assustado quanto nós. Agarramo-nos a ele, chorando de medo, mas não por muito tempo. Um matraquear no chão de madeira da sala transformou o medo em pavor, e meu pai e minha mãe tiveram que nos acalmar para que fôssemos ver o que havia acontecido. E, milagre! – encontramos o chão da sala forrado de balas lindas e desconhecidas que algum vizinho ali jogara, e o medo e o susto passaram enquanto juntávamos aquelas balas maravilhosas vindas diretamente do além. Lembro-me, nos dias seguintes, de como ficava admirando aquelas balas chiques, envoltas em papéis lindos e coloridos, bem diferentes das triviais balas de coco-queimado que comprávamos na venda do vizinho seu Eugênio. Inesquecível primeira noite de São Nicolau, quantas outras vivi!
São Nicolau foi-se adaptando às necessidades das nossas vidas. Quando aprendemos a escrever, deixávamos nossas cartas ao Papai Noel dentro dos sapatos, na janela, na sua noite. Ele além de levar as cartas, ainda enchia os sapatos de guloseimas, e fiz isso até ser uma adolescente bem grandona.
Outras adaptações foram sendo necessárias. Por exemplo, quando meu sobrinho Mteka era pequeno, morava em apartamento, e não entendia como São Nicolau poderia chegar até a sua janela. Lembro dos seus grandes olhos claros enquanto perguntava:
- Mas ele é mágico? Ele pode vir voando até aqui?
- Claro que ele é mágico; São Nicolau tudo pode.
Nossa última criança foi minha sobrinha Laura e muito festejamos o São Nicolau com ela. Comemorávamos em grande estilo, com jantar e amigos que tinham outras crianças, e São Nicolau comparecia sem falta, a bater nas portas, a jogar balas e chocolates no meio da sala, a deixar as crianças aterrorizadas e encantadas. Querido São Nicolau!
Observei, porém, ao longo da vida, que São Nicolau só existe, na nossa região, para as crianças que descendem de alemães. Em lugares como Lages/SC, por exemplo, São Nicolau não existe. Amigos que tenho em Itapiranga/SC, lá no fim do estado, cidadezinha de colonização alemã, garantem-me que lá São Nicolau é festejado igualzinho como o é em Blumenau, o que nos leva, de novo, às raízes alemãs. É uma pena que todas as crianças não tenham São Nicolau! É um santo mágico, encantado, e que pode tudo. Fica a sugestão para as outras etnias: por que não dar São Nicolau para todas as crianças.

 

 

O FILHO DO HOMEM


Vinícius de Moraes


O mundo parou
A estrela morreu
No fundo da treva
O infante nasceu.
Nasceu num estábulo
Pequeno e singelo
Com boi e charrua
Com foice e martelo.
Ao lado do infante
O homem e a mulher
Uma tal Maria
Um José qualquer.
A noite o fez negro
Fogo o avermelhou
A aurora nascente
Todo o amarelou.
O dia o fez branco
Branco como a luz
À falta de um nome
Chamou-se Jesus.
Jesus pequenino
Filho natural
Ergue-te, menino
É triste o Natal.

 

O LIVRO BRASILEIRO E O LIVRO IMPORTADO

por Luiz Carlos Amorim

Autores nacionais não conseguem publicar seus livros através de grandes (ou até de pequenas) editoras, as quais preferem enlatados, que já vem com todo o material promocional no pacote, muita informação sobre a obra e índices de venda muito bons em outros países.
Talvez a culpa não seja das editoras, que precisam vender o seu produto e por isso investem com mais segurança nos “sucessos” internacionais.
O fato de o brasileiro não comprar tanto livro quanto deveria, faz com que o mercado seja pequeno demais para que tanto os sucessos importados, já com referência e indicação garantidos, e os livros de novos autores brasileiros possam disputar em proporções pelo menos equivalentes, as chances de publicação. Já autores brasileiros consagrados não têm que se preocupar muito com isso, pois já têm status de estrangeiro: vendem até pelo próprio nome.
Uma matéria interessante sobre a performance de escritores estrangeiros e nacionais no mercado editorial brasileiro foi publicada há pouco tempo em um grande jornal de circulação em todo o país. Foram entrevistados editores, livreiros, agentes literários, escritores e leitores e a conclusão a que o trabalho chegou foi que o sucesso de vendas dos livros importados não é a razão da falta de espaços nos prelos das editoras e nas prateleiras das livrarias para os novos bons escritores da terra. Alguns acham que a coisa está equilibrada, que o índice de enlatados já foi muito maior. Outros acham que o mercado é que é pequeno, constatação antiga. E outros, ainda, acham que a seleção é que está mais criteriosa, mais exigente, hoje em dia.
Há, ainda, a corrente a constatar que o mercado brasileiro é obrigado a consumir os livros didáticos e falta, então, recurso para comprar o chamado livro literário. É outra velha discussão, mas tem o seu sentido: o livro é caro – isso também foi discutido na série de reportagem, mas não houve uma conclusão definitiva, pois o editor continua achando que não, que o livro não é caro e o público leitor sente na pela o custo dele - então não há o que escolher: primeiro o livro escolar, que é preciso estudar, para que o nível de vida melhore e se possa, então, escolher que livro comprar.
Outro fato relevante levantado pela reportagem é o fato de que as reedições aconteceram em maior quantidade do que as publicações de títulos novos em 2004, o que evidencia a preferência das editoras em reeditar títulos já conhecidos e bem sucedidos ao invés de novos títulos, de retorno não garantido.
E os mesmos números levantados pela reportagem – que obteve apenas retorno ao pedido de dados de 151 livrarias, das mais de quinhentas consultadas - mostram estatística onde o número de exemplares de livros vendidos em 2004 foi quatro vezes maior para livros nacionais, embora o número de títulos traduzidos tenha sido metade dos títulos brasileiros publicados naquele ano. Embora estes números não discriminem a quantidade de livros literários vendidos, englobando tudo o que foi publicado, ou seja, refere-se a obras gerais, o autor nacional leva vantagem, ainda que os títulos de traduzidos venham aumentando ano a ano. E as vendas também.
Não sei até que ponto estas estatísticas podem ser confiáveis, e a própria reportagem coloca essa dúvida: “O público prefere o produto made in Brasil. Será? Ou será preocupante que num país de 170 milhões de almas apenas menos da metade tenha comprado, em um ano, um livro não didático, nacional ou estrangeiro?” Isso não muda, no entanto o fato de que o brasileiro ainda lê pouco – não porque não goste de ler, mas por não ter acesso à leitura, ao consumo de livros - e isso foi muito bem discutido e esclarecido na reportagem. Repetimos aqui, novamente, o que já foi dito tantas vezes, em oportunidades diversas: para se vender mais livros em nosso país, o brasileiro precisa ter o hábito da leitura. E para que isso seja realidade, o leitor precisa conviver com o livro desde muito pequeno, desde antes de saber ler, em casa: a responsabilidade de colocar a criança em contato com o livro não é só da escola, isso precisa começar em casa, nos primeiros anos da criança. E precisamos de mais bibliotecas: as municipais, as escolares, as de associações, de clubes, de empresas. Precisamos até das bibliotecas particulares, como bem disse minha amiga Irene Serra, pois conhecemos bons exemplos disso, de pessoas que acabaram transformando seus pequenos acervos em bibliotecas de bairros, de comunidades, pois aos livros que a gente tem vão se juntando outros, por doação, e o número de títulos vai aumentando. E as bibliotecas precisam ser atualizadas e bem equipadas, sempre. Não há como chamar de biblioteca um lugar onde se coloca alguns livros e eles permanecem os mesmos por anos, como a maioria daquelas poucas – porque são poucas as bibliotecas - que existem por aí, até as das universidades, com a eterna desculpa de que não há verba para comprar novos títulos. Ou então, como acontece não raro, um lugar onde se coloca um acervo de algumas centenas de livros e depois de algum tempo, não sobrem mais do que dois ou três exemplares, como não é raro acontecer, fato constatado pela equipe que fez as matérias. Há hegemonia de pelo menos um gênero no mercado editorial brasileiro: a literatura infanto-juvenil, que detém, segundo a matéria lida, cerca de noventa por cento das publicações. Já é alguma coisa. Isso pode e deve significar que uma parte – esperemos que uma boa parte – dos leitores em formação estão tendo contato com livros. Isso talvez nos leve, no futuro, a ter um índice maior de leitura abrangendo outros gêneros. É claro que isso implicaria em mudanças estruturais na vida do brasileiro, principalmente do mais humilde, mas temos que nos mobilizar para exigir de nossos representantes no poder uma educação de melhor qualidade, mais bibliotecas e bibliotecas mais bem equipadas e qualificação de pessoal para trabalhar nessas bibliotecas. E espaço nos conteúdos programáticos do ensino de primeiro e segundo graus para os professores abordarem os autores da terra, que é assim que eles poderão ter seu trabalho conhecido e reconhecido, se tiverem valor. Temos direito a tudo isso. Mas não podemos deixar tudo como está, pois estaremos compactuando com o descaso que faz com que não tenhamos condições de comprar mais livros e, quando conseguimos, com sacrifício, comprar algum, não raro é traduzido.

 

SONETO DE NATAL


Martinho Brunning


Bastam poucos sinais para que viva
novamente a memória de outra idade,
e bem que a memória, ou a saudade:
a presença da infância rediviva.


Fez-se estável a quadra fugitiva:
efêmera na externa brevidade,
fez-se constante na profundidade
do ser, e, bela, fez-se imperativa.


O presépio... Natal! Natal! Natal!

A fé idêntica, poesia igual...
’Stou certo de que nada se perdeu.


Ouço os sinais batendo noutra aurora,
ouço os anjos cantando como outrora.
Não mudou o Natal, nem mudei eu.

 

O PRESÉPIO E O NATAL

Por Luiz Carlos Amorim

Fiquei feliz ao ver, no final de um novembro recente, o anúncio de um grande jornal prometendo dar de brinde aos leitores um presépio. Um presépio para colorir e montar, isto é: dirigido principalmente às crianças.
Entusiasmei-me com a idéia, porque um presente como este vem de encontro a uma preocupação que já foi assunto de uma outra crônica minha: as nossas crianças precisam ser esclarecidas, desde bem cedo, sobre o significado do Natal. Precisamos ensinar-lhes que o Natal não é simplesmente uma data para se ganhar brinquedos de Papai Noel. E que melhor maneira do que um presépio? Ele é a representação, com todos os detalhes, do nascimento do Menino que veio para trazer esperança e fé a todos aqueles que viessem depois dele. Aquele Menino que nasceu há mais de dois mil anos, o filho de Deus, que espalhou amor, ternura, compreensão e fraternidade e que morreu para salvar cada um de nós.
Com certeza é uma boa oportunidade para contarmos às nossas crianças a história do Menino que nasceu numa manjedoura em Belém, e se elas puderem interagir, pintando as figuras das personagens, montando o cenário da mais bonita história da humanidade, melhor.
É a grande motivação para mostrar aos pequeninos – e não só a eles – que Natal não se resume a presentes, Papai Noel, árvore enfeitada, guloseimas e roupa nova, coisas que nem todos podem ter. O que todos podemos fazer é festejar o aniversário do Cristo-menino, se conhecermos a sua história.
Por isso, é tão importante que tenhamos um presépio para montar, por mais simples que seja. Que mais jornais, revistas, etc., possam oferecer presépios para que todos aprendam o verdadeiro significado do Natal e para que amanhã, nossas crianças não sejam adultos que deixarão a magia desta época se acabar.
Porque na verdade nós, adultos, estamos deixando a magia e o encantamento do verdadeiro Natal, da comemoração do aniversário daquele Menino se perder.
Então, presépio serve também para nós aprendermos com as nossas crianças que Natal não é essa festa consumista que estamos vivendo. Que há um Menino querendo nascer, mais uma vez, no coração de todos nós. Abramos as portas dos nossos corações e far-se-á o Natal.

 

MITOS

Virgínia Vendramini

Aconteceu no Natal
Meu primeiro desencanto:
“Papai Noel não existe”,
Alguém mais velho me disse.

Depois se foram as fadas
E Aladim com sua lâmpada,
Sherazade se perdeu
Numa das mil e uma noites.

Mais tarde descobri surpresa
As imperfeições de meus pais...
Mentiras escritas nos livros...
Que não somos todos iguais.

Meus ídolos, heróis e deuses
Aos poucos viraram poeira...
Mas que falta hoje me fazem!
Era tão doce acreditar...

 

LITERATURA NACIONAL/LITERATURA REGIONAL

Por Celestino Sachet



Na qualidade de professor de Literatura Brasileira e de Literatura Catarinense sempre me preocupei com a análise do texto baseada na Estética da Recepção, que pode ser resumida nesta afirmativa: “o leitor também é autor do texto”.
Carlos Alberto Di Franco, especialista em Estratégia de Mídia, no artigo “Reinventar os jornais” – O Estado de São Paulo, 24 de outubro de 2005, garante que a globalização está produzindo um fenômeno curioso: quando tudo é (ou pretende ser) transnacional, o local ganha enorme importância. As pessoas estão carentes de vínculos próximos.
Transportando a afirmativa do jornalista para o campo dos estudos literários, conclui-se que é preciso reinventar a Crítica Literária libertando-a dos pressupostos universalistas e dos conceitos abstratos para trazê-la à esfera do convívio para uma vinculação próxima, pessoal, aqui/agora daquele que estiver comungando o texto, como leitor ou como analista.
O fruidor precisa provar o sabor do saber; precisa dançar ao som da palavra; precisa filosofar mergulhando no universo do texto; precisa professorar na estrutura única e irrepetível da pequena obra de arte que tem entre as mãos.
Para aplicar a minha Estética da Recepção na análise literária muito mais prático e consistente do que proceder a uma observação bifronte: de um lado, a Literatura Maior de uma Nação, como a Literatura Portuguesa ou a Literatura Brasileira; do outro, a literatura menor, a Literatura Açoriana ou a Literatura Catarinense, estas apenas literaturas regionalistas e, por isso, estigmatizadas pelos eixos Lisboa-Porto ou Rio de Janeiro-São Paulo; muito mais prático e mais consistente seria manejar o enfoque do Mito para ambos os casos. Enquanto na Literatura Nacional escondem-se os mitos culturais greco-romanos como a Fama, a Paz, a Discórdia, a Justiça, a Prudência, a Velhice, a Juventude, a Glória, a Virtude, a Sabedoria, a Esperança, o Dever, a Honra, o Amor à Pátria, à Família, ao Dinheiro, ao Poder, ao Consumo, na Literatura Regional afloram os mitos telúricos específicos como a Terra, a Ilha, a Montanha, o Vale, a Água, a Fonte, o Mar, o Rio, o Fogo, o Vento Sul (aqui em Florianópolis).
Enquanto a Literatura Nacional é a Literatura da Pátria, a literatura da convivência de todos os cidadãos de uma Nação que, entre outras habilidades falam a mesma língua – em grandes linhas – conhecem os mesmos direitos e os mesmos deveres, a Literatura Regional é a Literatura da Mátria, do local do nascimento, do torrão natal, das marcas individualizantes da Geografia e da Antropologia, marcas que diferem substancialmente de uma região para outra. Como catarinense, o autor destas linhas não sente nenhuma identificação com a floresta amazônica, com a seca do Nordeste, com o folclore africano da Bahia, com o samba dos morros do Rio de Janeiro. Mas nem por isso, ele se considera menos brasileiro.

 

 

OS PÁSSAROS

Apolônia Galtaldi

Eles voltam
Voltam sempre!
Assim como as auroras,
O entardecer,
Eles voltam.
Voltam a aparecer
Voltam sempre.
Vêm comer no beiral,
No beiral da minha janela.
Mansamente, chegam.
Pousam, olham,
Bicam, comem,
Trinam, dançam,
Consomem.
Cantam, abrem as asas
Assim, num abraço.
Depois, esvoaçam
Voam para longe e
Outro dia aparecem
Voltam como o sol.
Muitas vezes vem um só.
Chega sozinho.

Voltam os pássaros, mas,
Nenhum faz ninho
Na minha janela
No meu beiral.
Por que?
Se há tanto sol no meu beiral.
E nenhum faz ninho!

 

 

(SU)MÁRIO

Tânia Melo

Pelo vidro adentro teu intocável recanto mais íntimo.
Não eras dado a vaidades pessoais, percebo com clareza, mas teu quarto te retrata de uma forma inconfundível.
Sinto o cheiro dos cigarros no ar. Vejo a fumaça. Em minha fantasia (será?), saíste há pouco.
Tenho a impressão de que não gostarias de ser assim tão devassado. Por outro lado, amigo, é mais uma das formas que encontramos pra te manter aqui, presente, junto de nós.
O jornal deixado sob o travesseiro. A coberta jogada para o lado. Tenho a impressão de ver, na cama, a marca afundada de teu corpo magro que saiu pra andar um pouquinho, tomar sol no rosto pelas ruas repletas de gente e de ruídos que te faziam (ou fazem?) tanto bem.
Ouço os teus passos e penso em disfarçar, como se não estivesse invadindo a tua privacidade. Não consigo. Abres a porta sem te preocupar com a minha presença. Afinal, para mim, és velho conhecido. Acho que a recíproca é verdadeira, pois segues tua rotina, aparentemente, imperturbável.
Puxas a cadeira, acendes um Carlton e, jogando a cabeça para trás, curtes a baforada que sobe, espiralada, sumindo no ar.
Os dedos no teclado, lentamente, vão dando cores às passagens comuns do dia-a-dia, transformando-as em histórias com personagens repletos de encantamento.
A lixeira lotada denuncia tua insatisfação. Repetes os gestos com intervalos para goles de café, pequenas mordidas no quindim e tragadas no cigarro, coadjuvantes indispensáveis ao desenrolar da cena diária de criação.
Enquanto vais pintando tua tela, meus olhos descobrem mais detalhes em teu pequeno mundo: a linda atriz na parede, num pôster em preto e branco. Mais uma de tuas paixões, com certeza cantada em versos.
Esqueço do tempo e, quando me dou conta, o sol já está dando até-amanhã, obrigando-me a fazer o mesmo.
Até a próxima, amigo. Desculpa ter ocupado teu espaço sem sequer pedir licença e obrigada por mais este presente.

 

 

Bandeira branca aliás, bandei(rosa)

Fátima de Laguna


Então,
a verdade senhores, a verdade senhoras,
é que amo.
Amo quem nesta imensidão cósmica é alguém
que possui, provoca e contém, élan infinito.
Antes, é uma pessoa!
A verdade é que se trata de um tido, feito, certo sujeito.
Amo-o incestuosa fraterna. E ele, por certo me ama e nem sabe
Mas o que preciso lhes contar é que amo-o de qualquer jeito
Amo o ar que ele respira. Dito surrado, mas... que perfeito!
Amo-o também e quanto, no mesmo tanto, o mundo que ele defende.
Amo-o assim, tão sem juízo, que nem ama qualquer outro.
Amo-o, imoralmente feito os casados nos templos.
Amo-o como amam homoeróticos abissais
Amo-o tanto que sou pequena para conter dentro de mim
o tudo que ele é.
Mesmo se proibido amá-lo fosse
A verdade senhores é que o amo completamente vestida.
E nada obsta que mesmo distante, feito meretriz! Embora nada conste!
Amo ao modo de amar de todo bicho. É simples assim.
Amo com o desespero dos algemados, parece.
E meu amor, de tão exagerado temo ser apenas invenção.
Agora vem o pior: penso amá-lo com a razão.
Embora paixão, temo que seja.
Não me interessam vulcões.
Porque, senhores eu não quero um caso.
Peço que me perdoem, se os decepciono. Muito mais é o que almejo.
Amor todo e apenas. Tudo e só, é o que preciso. Sentir.
Tempo físico não será suficiente.
Hei de amá-lo feito fera da forma mais voraz. Ao mesmo tempo
delicada feito rosa (aliás branca) bandeirosa
e, ternamente!

 

"MEMÓRIAS DE MINHAS PUTAS TRISTES"

por Maicon Tenfen

Lançado em português há cerca de duas semanas, /Memória de minhas putas tristes/, do Nobel colombiano Gabriel Garcia Márquez, bateu /O Código da Vinci/, não se sabe por quanto tempo, nas listas de livros mais vendidos entre nós. O dado numérico se faz necessário, porque Márquez, desde que estourou em 1967 com /Cem Anos de Solidão/, constituiu-se num raro exemplo de escritor coroado com o sucesso tanto de público quanto de crítica.
Naturalmente, não é fácil explicar um fenômeno dessa natureza, mas basta ler três linhas de qualquer de suas obras para percebermos que sua genialidade passa longe do hermetismo e da falsa erudição que se tornaram moeda corrente no mundo das letras. Márquez consegue ser simples sem ser banal, profundo sem ser prolixo, poético sem ser clichê.
“No ano de meus noventa anos”, começa o personagem-narrador, “quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem.” É assim, com apenas vinte palavras, num chute de primeira e sem pulo, que o autor configura o protagonista, promete uma grande trama e dá o tom para o resto de sua novela.
A partir dessa sentença de abertura, não por acaso polêmica, uma história aparentemente imoral vai aos poucos se transformando numa lírica meditação sobre a vida. E essa meditação, sempre intercalada pelas tiradas espirituosas da cafetina Rosa Cabarcas (“Também a moral é uma questão de tempo”), vem confirmar aquilo de que os mais novos desconfiam e que os mais velhos sentem na pele: o Amor, fantasma incansável, rondará e atormentará até o último de nossos dias!
Enquanto narra seus encontros noturnos com a púbere Delgadina, espécie de anti-Lolita enclausurada nos mistérios do silêncio e da inocência, o protagonista nonagenário, raro na literatura e praticamente impossível no cinema, revive suas lembranças de fidalgo terceiro-mundista e seus infinitos quase-amores de bordel.
O título, por isso, não é despropositado. As prostitutas de antigamente, que norteiam as inúmeras fases da longa e solitária trajetória do narrador, são concretas, vivas, delineadas, ao contrário da jovem aspirante a concubina, tão vaporosa e fugaz quanto às melhores virgens do Romantismo. Quem ler entenderá o porquê dessa diferença.
Claro que não estamos diante de um novo /Cem Anos de Solidão/, imbatível inclusive por seu próprio criador, mas isso não quer dizer que /Memória.../ não tenha os encantos e os odores de Macondo e a simetria das outras obras de Garcia Márquez.
Há, nas páginas iniciais, uma melancolia que nos remete às melhores passagens de /Ninguém escreve ao coronel/, até que essa comparação — inevitável — se dissipa ao entendermos que aqui há mais ironia e mais sutileza no tratamento dos dois temas essenciais do autor: a velhice e a solidão.
Livro que inquieta e diverte. Recomendo. Especialmente a quem andava meio desanimado com as listas de mais vendidos.

(Maicon é escritor de Blumenau, com várias livros publicados)

 

NATAL

Aracely Braz

Cansados da caminhada
José e Maria
Repousaram na choupana
Da gruta isolada e fria.
Reis Magos iam chegando
A estrela ao mundo anunciando
Que o Menino Deus nascia.
E Jesus de Nazaré
Cresceu ciente das leis.
Mestres, reis inconformados
Jesus mandaram prender
E injustamente o mataram.
Ninguém o quis defender.
De tantos milagres
O maior
Foi a gloriosa ressurreição.
Só bons exemplos deixou:
De vida, verdade e amor.
De mão juntas, em união,
Neste novo Natal
Pedimos o seu perdão.

 

 

“BEATRIZ EM TRÂNSITO”


“A criança aceita perfeitamente coisas sérias, mesmo as mais abstratas e pesadas, desde que sejam honestas e espontâneas”.
É com essa honestidade que a escritora catarinense Eloí Elisabete Bocheco parece ter escrito Beatriz em trânsito (Nova Prova, 2005; ganhador do Prêmio Casa da Cultura Mario Quintana), livro que traz à tona “os três aspectos da Literatura Infantil”, apontados por Cecília Meireles: “o moral, o instrutivo e o recreativo”.
O livro de Eloí é uma ilustração do que se entende, hoje, por um bom livro infanto-juvenil. Segundo Cecília Meireles, “sempre se pode discernir entre um livro que ensina a não roubar (...), ou o que, embora falando de algarismos e virtudes, conduza o leitor para outros horizontes, sem formalismo de aprendizagem, gratuitamente, pelo prazer do passeio”.
Em Beatriz em trânsito, pode-se afirmar que “as categorias do estético” estão “integradas a uma ética que inclui a alteridade e o diálogo cultural”, categorias “fundamentais da literatura infantil”, de acordo com alguns estudiosos. Por isso mesmo, “considerar o livro para crianças um objeto estético é reconhecer-lhe o estatuto de arte, não de obra paradidática, e perceber sua capacidade de construir um espaço textual plurissignificativo do ser humano diante do mundo”.
Maria Zaira Turchi afirma que “a obra de literatura infantil falha quando não consegue construir pontos de vista em que a criança se reconheça, deixando sobressair a visão do adulto, sua autoridade, sua influência e ideologia. O escritor precisa encontrar conexões entre a vivência de adulto e os horizontes de expectativas do leitor/criança”.
Esse é o caso de Beatriz em trânsito, que, numa linguagem ágil e limpa, fala da perspectiva da menina e não para as meninas ou meninos leitores, e assim introduz o leitor (de todas as idades) no mundo da protagonista. Nas páginas de Beatriz em trânsito, o leitor encontrará, em certos momentos, o protótipo da menina contemporânea, que vive situações de medo, aflição, indignação, situações essas que não lhe cabe mudar.
Toda a literatura infantil, merecedora de ser lida, deveria, possivelmente, se enquadrar na seguinte categoria tipológica proposta pelo crítico francês Roland Barthes: “Texto de prazer: aquele que contenta, enche, dá euforia; aquele que vem da cultura, não rompe com ela, está ligado a uma prática confortável da leitura”.
A literatura infantil deveria, ainda, levar sempre em consideração o fato de que, “se leio com prazer essa frase, essa história ou essa palavra, é porque foram escritas no prazer”. Escrever no prazer não assegura, no entanto, o prazer do leitor, o qual terá que ser “dragado” pelo escritor, “sem saber onde ele está” (seja ele criança ou adulto). Para o escritor, não é necessário, então, a “pessoa do outro”, mas o “espaço de fruição”: “a possibilidade de uma dialética do desejo, de uma imprevisão do desfrute: que os dados não estejam lançados, que haja um jogo”, e isso serve para qualquer texto literário. Beatriz em trânsito vem justamente ilustrar essas idéias sobre literatura infantil, ou juvenil, e sobre o prazer do texto.

 

 

UM GRANDE HERÓI

Rosângela Borges

Sou um grande herói
Sou um herói que grita
que ajuda
que agita e que luta

Sou um herói de verdade
Um herói da cidade
Que conta histórias
Que brinca e vai pra escola
Um herói que joga bola!

Como tantos heróis que existem por aí...
Também consigo voar
Vou até o Japão, Disneylândia ou fico em Minas
Sou um herói que apanha até das meninas!

Ás vezes, viro um herói problemático
Um herói com uns “grilos” clássicos:
Que não gosta de banho
Nem da irmã por perto
Um herói que só se acalma
Quando alguém pega um chinelo!
Um herói metido a esperto!

Sou um herói como outro qualquer
Um herói que todo mundo quer
Um herói que chora
(Quando a vida dói)
Um herói que adora os bandidos
(Dos filmes de faroeste)
Um herói que curte praia
(Principalmente as do Nordeste)

Sou um herói que não entende
Por que todo mundo se preocupa
(sente culpa e se desculpa)
Com um vilão tão amigo
(Tão distante e tão querido!)
Um vilão que eu, menino
Sempre chamarei de destino!

(do novo livro infantil da poetisa)

 

RIO TOTAL: AS 1503 NOITES


Por Irene Serra (Escritora, editora do Rio Total)


Observando essa composição feita para as 500 edições do Rio Total - são mais de 10 anos no ar - senti um orgulho enorme por termos chegado até aqui. As estrelas espocando sobre o Pão de Açúcar, bem ao nosso alcance, estão ali justamente refletindo nossa alegria. Já avançamos mais uma edição e coloquei-me a fazer cálculos: é uma labuta de pelo menos 3 vezes por semana, com 10 horas cada, para ter o prazer e a honra de apresentar trabalhos que nos são enviados - tanto por nossos veteranos quanto por novatos selecionados -, fazer pesquisas necessárias às diversas seções, ler, corrigir, burilar, trocar matérias no último momento, enfim, preparar o site. Foram 15.030 horas empenhadas, totalizando 1.503 dias/noites.
Assim como durante 1.001 noites Scherazade contou histórias ao Califa de Bagdá, editamos muitas passagens gloriosas escritas por vocês, nossos Simbads, Zoneidas e Aladins. Mas também, para sobreviver nesse mundo virtual, inúmeras vezes incorporamos Ali Babá, bradando um Abra-te Sésamo.
É como se a vida lá fora deixasse de ter existido por 4 anos, diuturnamente! Quantos cafezinhos na madrugada, festas não idas, comemorações adiadas... mas sempre a mesma dedicação, prazer e vontade de tudo sair perfeito. Este é o espírito do Rio Total, é a nossa história!
Mas nada disso valeria a pena se não fossem as amizades formadas ao longo desse tempo o bem mais precioso.
O que conseguimos agradeço a todos que estão ao nosso lado incentivando, colaborando, dando sugestões. E, àqueles que viram o brilho das nossas estrelas e vibraram conosco, deixo meu carinho nas “teias que vamos tecendo...”

 

 

CARTA DE NATAL

Lindolfo Bell

A mesa ideal sonhei
feita de paz real, leal
não a paz impossível dos acordos
escritos,
a mesa rara e comum ao mesmo tempo
e feita sem desconfiança
de tréguas passageiras entre irmãos,
primos, grupos familiares
e vizinhos
na disputa sutil, réptil
em secretos acordos sobre a liberdade.

 

NOBEL

Pela primeira vez na vida não estou de acordo com a eleição
do vencedor do Prêmio Nobel da Paz pelo comitê da Noruega: o economista chamado Muhammad Yunus (de Bangladesh) e seu banco Grameen Bank que oferece mini-créditos aos pobres para começar um negócio. Eu acho que ele pode merecer o Prêmio de Economista, mas o comitê explicou que a economia personal pode promover a paz.
A IWA propôs a POETA PACIFISTA DRA.ADA AHARONI, que faz um grande esforço com suas oficinas de poesia pela paz com as mulheres israelitas, palestinas e árabes juntas e que é membro do Parlamento Internacional pela Seguranca e Paz. Por isso, para nos da IWA ela e a vencedora este ano de 2006. (Teresinka Pereira)

 

CHEGOU O NATAL!


Luiz Carlos Amorim


Natal chegou.
Muitas luzes se acenderam,
Muitos enfeites surgiram,
Muita coisa se comprou.
Alguém lembrou do Menino
Razão dos nossos Natais?
Natal chegou.
Mas parece que mudou.
Só lembramos de presentes,
Enfeites e muitas luzes,
Só pensamos em comprar.
E o Menino que nasce,
Todo dezembro, há milênios,
Ninguém vai lhe comemorar
De verdade o aniversário?
Natal chegou.
O Menino chegou.
E traz de presente
Serenidade, amor,
Justiça e dignidade.
O Menino traz perdão,
Traz carinho e compreensão
Para toda criatura.
E nós não aceitamos
Esses tão ricos presentes.
Não é hora de mudar?

 

SEMANA DO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim

Florianópolis já tinha a sua tradicional Feira do Livro, em setembro de cada ano, há décadas. Foi realizada em locais diferentes, no decorrer do tempo, quase sempre ao ar livre, mas o vento de beira-mar dificultava a manutenção das barracas, então ela acabou indo definitivamente para um local fechado, o sexto andar do Beiramar Shopping. O lugar se revelou ideal e ela lá ficou, com sucesso sempre crescente.
E há também, há quase uma década, a Feira de Rua do Livro de Florianópolis, nos meses de maio, montada na Rua da Alfândega, ao lado do Mercado Municipal. Foi encontrada a maneira ideal de conviver com o vento da capital, com barracas de lona conjugadas ao longo de toda a rua, abertas apenas nas extremidades, por onde pode continuar passando o fluxo de pessoas que normalmente por ali transita, colocando-se os livros no caminho do transeunte.
Deu tão certo que, instituído o Dia Estadual do Livro, por lei estadual, a Câmara Catarinense do Livro de Santa Catarina promoveu, do dia 20 ao dia 25 de novembro, a Semana do Livro, nos mesmos moldes da feira de rua do livro, com uma área de exposição de quatrocentos metros quadrados.
Uma feliz iniciativa para incentivar o gosto pela leitura, colocar livros no caminho do leitor e do ainda não leitor numa época mais perto do Natal e quando está sendo pago uma parcela do décimo terceiro salário. Pode aumentar a prática de se dar livro de presente de Natal, coisa que alguns poucos já faziam. E como o destaque de feiras do livro têm sido, invariavelmente, o livro infantil, mais uma oportunidade de oferecer livros para um imenso público de leitores em formação.

 

 

POR QUE SERÁ?

Wilson Gelbcke

Por que será
que o dia mais brusco
se enche de luz
e a noite mais densa
acaba em luar?

Por que será
que os campos
parecem mais verdes
e os jardins
mais repletos de flores?

Por que será
que todo o ruído
se transforma em música
e simples palavras
em poesia?

Por que será
que a tristeza
dá lugar à alegria
e a melancolia
ao eterno cantar?

Por que será
que quando te vejo,
ao tocar tua pele,
tudo isso acontece
e quero te amar?

 

 

PROJETO POESIA NA RUA

O Projeto Poesia na Rua do Grupo Literário A ILHA está exibindo poema de
Natal e o Projeto Poesia no Shopping apresenta um Varal da Poesia Especial
de Natal, com dezenas de poemas sobre a data, de poetas do grupo e de poetas
consagrados. Nas ruas e shoppings do estado.

 

 

CAENORHABDITIS ELEGANS*

Teresinka Pereira(USA)

Começamos a não acreditar
o dia em que nascemos
e a vaidade chega a nossa mesa
com o pão que comemos cada dia.

Mas vivemos em desterro
por vontade própria
e nosso trânsito por terras alheias
nos acerca as muralhas quebradas
que nos cobrem a cara com
suas frias sombras de ameaças.

Por isso nos sentimos como vermes,
nos equivocamos ao falar outro idioma,
nos esquecemos de nosso nome,
nossa idade e ate mesmo quem somos.

Mas um dia seremos capazes de regressar
à perdida intimidade de nossas pegadas
e na fragilidade melancólica
de nossa fadiga, recordaremos
que o heroismo e somente a conquista
de um itinerário um pouco mais legitimo.

* Nome cientifico de um verme

 

 

OF THIS I PRAY
(An Asian Sonnet)

Benjamin r. Yuzon
(Califórnia-USA)

Lord, like the sun at its meridian height
In the beauty and glory of the day,
Let me walk forward in thy holy light
Before Thee and man with all my heart´s might,
Unto Thee O my Lord, of this I pray.

Above all to love Thee ever more
That I may live in peace and happiness;
Good will to all men who is my neighbor,
For no evil shall I ever harbor
On this earth with cold and fire of darkness.

In all things I do, please, be mu counsel;
Wherever I am, enlighten my way;
And never let go my guardian angel;
Humbly on my knees, Lord, of this I pray.

 


EXPEDIENTE
Suplemento Literário A ILHA - Número 99 - DEZEMBRO/2006 - Ano 26
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
Contatos: lc.amorim@ig.com.br - prosapoesiaecia@yahoo.com.br
A ILHA na Internet: Veja o portal PROSA, POESIA & CIA. em
Http://geocities.yahoo.com.br/prosapoesiaecia


VOLTAR