SUPLEMENTO LITERÁRIO

Edição on-line da revista do Grupo Literário A ILHA

Ediçao nº 75 - Dezembro/2000

EDITORIAL

ALTERNATIVO, SIM! E DAÍ?

Francisco Filardi, Editor de A Pipoca

Há um misto de receio e preconceito em relação à publicações Alternativas. Percebo isto em minhas andanças pelas ruas, pelos 'shoppings'. Quando o leitor avista um Alternativo, ainda que gratuito, num balcão ou escaninho, percorre os olhos discretos pela página, olha para os lados (para certificar-se de que ninguém o está observando), coça a cabeça e fica "tentado" a apanhá-lo. Uns, põem-no sob o braço e levam-no, disfarçadamente, para lê-lo em casa; outros, ávidos por novidades, acomodam-se pelas imediações e folheiam-no por ali mesmo. Mas não importa se o Alternativo é gratuito ou pago. Ainda hoje, há pessoas que, por desconhecerem o teor das publicações independentes, insistem em associá-las à "coisa de segunda categoria". Hoje, com a vertiginosa proliferação dos computadores para uso doméstico e o desenvolvimento dos programas de editoração eletrônica, há uma boa leva de Alternativos circulando, em todo o país, com refinada apresentação grafica e qualidade no conteúdo. Se possuem restrito tempo de vida útil, é devido à carência de apoio financeiro. Nossa missão, como editores de Alternativos, não é apenas publicar o que não está nos grandes jornais ou revistas; é, sobretudo, mostrar que não somos o "underground". Somos uma realidade presente, atuante, participativa. O que existe, de fato, são "escalas de valor" - que variam de pessoa para pessoa, pois expressam escolhas, tendências, crenças, preferências. Ao editarmos nossos Alternativos, apresentamos valores e conceitos que podem ou devem ser agregados, ou seja: tentamos modificar a ordem natural nessas escalas pessoais. Queremos, tão somente, mostrar aos leitores uma nova perspectiva, um outro enfoque. E batalhamos para levar ao público algo que, se não pode ser considerado "novo", expressa uma forma própria de interpretar o dia-a-dia, a sociedade, o mundo, a humanidade(?!). Entretanto, dói quando nós, editores, deparamos com leitores que passam os olhos pelas páginas e, em seguida, amassam-nas e jogam-nas no lixo, sem darem oportunidade de leitura a si e ao próximo. Esta atitude, instintiva e até "inconsciente" - revela profundo descaso para com o trabalho, o dinheiro e as horas do editor à frente de um micro. Essas coisas precisam mudar. Como disse, os Alternativos não contam com apoio financeiro. As despesas correm por conta. E, além do trabalho, tempo e dinheiro, há ainda, o fantasma da incerteza da próxima edição. Sem apoio, todos sabemos, ninguém sobrevive, seja pessoa ou empreendimento. Mas dispor apenas de apoio financeiro não nos basta. É preciso, por outro lado, que nossos leitores, consumidores de arte e cultura, internalizem, de modo consciente, que nem tudo que é "alternativo" é ruim, assim como nem tudo que é veiculado pela "grande imprensa" possui qualidade merecedora de distinção e apreço.

 

NATAL PRESENTE


Luiz Carlos Amorim

Eu vou viver o Natal.
Não vou lamentar pacotes,
o dinheiro dos presentes,
nem vou enviar cartões.
Vou sentir este Natal,
festejar o aniversário
do arquiteto da vida.
Vou dar amor de presente,
vou oferecer sorrisos
e distribuir carinho.
Não foi o que Ele ensinou?
Hei de aprender uma prece
pra pedir ao grande Irmão
a bênção neste Natal...

 

OS NOVENTA ANOS

DE RACHEL DE QUEIROZ


Rachel de Queiroz é autora de 23 livros individuais e quatro em parceria. Sua vasta e preciosa obra está traduzida e publicada em francês, inglês, alemão e japonês. Além disso, traduziu 45 obras para o português, sendo 38 romances. Sua trajetória está marcada por sucessos e prêmios: em 1748, foi conferido a Rachel o prêmio Saci como autora da melhor peça do ano, por "Lampião". Em 1957, recebeu o prêmio-consagração da "Academia Brasileira de Letras", relativo ao conjunto de obra: "Prêmio Machado de Assis". Obteve, em 1957, o "Prêmio de Teatro do Instituto Nacional do Livro" e o "Prêmio Roberto Gomes" para a melhor peça dramática, "Beata Maria do Egito". Estreou na literatura infantil com "O Menino Mágico", 1971, prêmio "Jabuti" da "Câmara Brasileira do Livro".
Ao completar seu 90º aniversário (ela nasceu em 17 de novembro de 1910, em Fortaleza), a cearense que surpreendeu os meios literários em agosto de 1930, lançando O Quinze, continua ativa, escrevendo as crônicas que publica semanalmente no Estadão. E, quando conversa, seja com a irmã, seja com as visitas, suas respostas lembram as orações de seu romance de estréia - curtas e definitivas:
SL - Como é chegar aos 90 anos?
Rachel - Péssimo.
SL - Por quê?
Rachel - Dá uma sensação de ter vivido demais.
Rachel cultiva essa imagem marcada pela negação, embora afirme procurar evitá-la. Em 1957, à Cruzeiro, disse não ter medo de morrer, mas ter vontade.
Sobre O Quinze, por exemplo, escrito durante uma suspeita de tuberculose, publicado com a ajuda financeira do pai e que logo lhe garantiu um lugar na história da literatura brasileira, diz ser "uma obra juvenil": "Eu era quase uma garota, e isso se reflete no livro."
Os personagens, explica, saíram do que ouvia dos numerosos primos. Conceição e Vicente seriam, assim, a fusão de vivências de parentes que a autora observou em Quixadá, no interior do Ceará.
A obra é uma das pioneiras no romance regionalista brasileiro, precedida apenas por A Bagaceira (1928), de José Américo de Almeida. Graciliano Ramos, que publicaria Caetés apenas em 1933, custou a acreditar que uma mulher poderia tê-lo escrito. E, "o que na verdade causava assombro", era livro de "mulher nova".
A seca é o grande tema de O Quinze, que adota uma forma de se referir ao ano (1915) típica da região. Mais que um problema relacionado apenas ao clima, a seca está intimamente ligada à vida política nordestina.
Eleita em 1977 para a Academia Brasileira de Letras, Rachel foi também a primeira mulher a vestir o fardão, após
anos de debate em torno do regimento da casa. Depois dela, entraram outras mulheres, como Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon - que viria a ser eleita presidente da instituição, cargo do qual Rachel sempre procurou manter distância.
Rachel é capaz de fazer reclamações semelhantes às que reserva a O Quinze quando fala de outras obras suas, como João Miguel (1932), Caminho de Pedras (1937), As Três Marias (1939) e Dôra, Doralina (1975).
Nenhuma delas lhe escapa, nem mesmo as que fez para o teatro - Lampião (1953) e A Beata Maria do Egito (1958), preenchendo o tempo em que esteve afastada do romance (o motivo, segundo ela, era a pura falta de inspiração), e o folhetim O Galo de Ouro, publicado em 1950, em 40 edições da Cruzeiro, o que lhe pagou uma viagem à Europa.
Após muita insistência, admite ter uma preferência, um livro que lhe deu mais prazer: Memorial de Maria Moura (1992), seu mais recente romance, que virou uma minissérie televisiva de sucesso. "É uma obra madura, talvez seja a menos defeituosa", pondera. Mas insiste que, se pudesse, reescreveria todos os seus livros.
Neste ano, lançou um livro de cozinha, intitulado O Não me Deixes, em que mistura histórias e receitas saboreadas em suas propriedade no interior do Ceará. É, de certa forma, um retorno à Rachel de O Quinze, ao ambiente e à história que transformaram a professora em autora rapidamente reconhecida. O livro foi publicado pela Siciliano, sua atual editora, que deve lançar, no início de 2001, uma seleção de crônicas de Rachel. "Eles queriam que a coletânea saísse para o aniversário; não deu, ainda bem."
O rigor com a própria literatura é uma antiga característica de Rachel, talvez a coerência mais claramente identificável em toda a sua trajetória, bem com o fato de dizer que escreve apenas por obrigação. "Se eu morrer agora, você não encontra um inédito aqui em casa", brinca ela.
Publicado em 1930, o romance O Quinze, de Rachel de Queiroz - mostra a outra face do modernismo - a da paisagem social e humana de um Brasil embrutecido e atrasado que a ficção regionalista de 30 depois nos revelaria a fundo.
A simplicidade de Rachel não é falsa modéstia. Criada no sertão do Ceará, até hoje Rachel se deleita igualmente com as conversas dos caboclos em sua fazenda "Não me deixes", em Quixadá, no estado natal, e com as reuniões semanais da ABL. Em todas as ocasiõ
es, faz questão de ser chamada de você e de Rachel.

 

COISAS ASSIM

Rosângela Borges


... E fora de mim
Há brinquedos antigos
Linhas cruzadas
Coisas engraçadas
Livros emprestados
Sonhos perdidos
Perfumes sem fim...
Fora de mim
Há o caminho de casa
A história repetida
A ferida cicatrizada
O canal de TV
A cor preferida...
Fora de mim
Há palhaços sorrindo
Danças animadas
Roupas costuradas
Provas coloridas
Sorrisos dourados
Lugares fechados...
Fora de mim
Há trabalho forçado
Diversos recados
Planos proibidos
Cenas apressadas
Tantas coisas
E quase nada.
Fora de mim,
Ha coisas assim...

 

NOITE DA LITERATURA E ENCONTRO DE ESCRITORES


Dois eventos literários aconteceram em Joinville, no mês de novembro próximo passado. O primeiro foi a Noite da Literatura Catarinense, no início do mês.
Com o objetivo de mostrar a força da arte no Estado, os alunos do 1º ano de letras da Universidade da Região de Joinville (Univille) promoveram a Noite da Literatura Catarinense.
"Da segunda metade desse século para cá, a literatura catarinense teve um salto qualitativo muito grande e só não figura nos grandes centros por razões históricas mais profundas", comenta Lauro Junckes. "A literatura catarinense não deve nada a nenhum grande centro tanto na prosa quanto no verso. Temos grandes poetas e escritores de prosa surgindo com força, sem contar nomes célebres como Cruz e Sousa." Para Lauro, há uma razão mais profunda na falta de visualização nacional da produção literária catarinense. "A literatura é sempre a expressão de um povo, de um contexto político, social e econômico. Santa Catarina nunca teve grande destaque em âmbito nacional nessas áreas. O Estado tem aspectos regionais muito fortes, cada região com autonomia e traços culturais diferenciados, ou seja, não há uma unidade cultural. Há, sem dúvida, grandes livros sendo publicados, mas sua circulação fica restrita à região em que foi escrito, sem força estadual para alçar maiores vôos", avalia. A falta de um bom sistema de circulação e distribuição também é uma barreira. Há ainda o problema educacional. "As escolas estaduais não privilegiam os autores locais. Os professores não utilizam as obras catarinenses. O objetivo da Noite de Literatura Catarinense foi questionar a falta de expressão das obras catarinenses e buscar uma mudança de comportamento.
Também em Joinville, aconteceu outro encontro de escritores em novembro, para discutir a situação atual do escritor e da literatura catarinense. Foi o Encontro de Escritores Catarinenses, evento anual da União Brasileira de Escritores - seção de Santa Catarina. Foram dois dias de palestras e debates, que na verdade serviu para provocar o encontro de escritores de regiões diferentes do Estado, mais do que qualquer outra coisa. Nem todos são associados a UBEs, pela falta de atuação da mesma, de maneira que o encontro talvez tenha perdido um pouco do seu propósito, qual seja o de resolver ou tentar resolver problemas com a publicação e distribuição da literatura produzida e publicada no Estado de Santa Catarina.


NATAL SAUDADE

Ana Cecília Ferri Soares

(Tradições Italianas)


Na guarda da cama... a meia
espera pelo presente...
Faz a mama o pão da gente
do trigo que a mão semeia!
Tudo pronto para a ceia:
mesa, vela reluzente
e o calor que se pressente
da família, da colmeia...
Com fé, na missa do galo
unindo as mãos, calo a calo
no dia em que Ele nasceu...
Que o Cristo nasceu na Itália,
na mesma cama de palha
em que o meu nono morreu !

 

A JOVEM LITERATURA CATARINENSE


Ele escreve desde muito cedo, e seus romances, não muito longos, quase se confundindo com o gênero novela, tem caído em cheio na preferência do público leitor do Vale do Itajaí, transformando-o em mais um representante da literatura catarinense. Falamos de Maicon Tenfen, já com cinco livros publicados, e um para sair: "Entre a brisa e a madrugada" - 2ª edição, Editora Hemisfério Sul; "O segredo da Montanha" - 2ª edição, Editora Hemisfério Sul; "Um cadáver na banheira" - 2ª edição, Editora Hemisfério Sul; "O Impostor" - Editora Garapuvu e "O filho do Feliciano" - Editora da UFSC.
Com fôlego de peregrino, o escritor Maicon Tenfen aventura-se em narrativas que vão do suspense ao romance regionalista, passando pelo sobrenatural. Ele acaba de lançar seu quinto livro, "O Filho do Feliciano", publicado pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina. A obra, conforme a prof. Tânia Regina Oliveira Ramos, "quer acima de tudo ser narração e literariedade, contando uma história que oscila entre o lógico e o aparentemente absurdo". "Às vezes, as histórias surgem como do nada e vêm quase prontas", comenta o autor. Nascido em Ituporanga, no dia de São Silvestre, Maicon escreve desde criança. Ele sempre gostou de histórias em quadrinhos e seu sonho de garoto era tornar-se autor deste gênero. Mas seus desenhos eram horríveis e logo percebeu que escrever era muito mais fácil. Estudou em regime de internato no seminário de Ituporanga, e aproveitava as horas ociosas para ler livros de aventuras e escrever histórias. Começou a escrever com 12 anos. Ainda menino, ficou cego do olho esquerdo. A partir daí ficou obcecado pela atividade literária. Não parou mais de escrever, nem de ler. Aprecia a literatura fantástica de Garcia Marquez e Júlio Cortazar e, lógico, Stephen King.
Aos 21 anos, publicou seu primeiro livro, "Entre a Brisa e a Madrugada", uma novela que explora o submundo de uma metróple. "O Segredo da Montanha" é uma trama romanesca que provoca debate sobre o nazismo. Seu maior sucesso é "O Impostor", um livro de contos, com destaque para "Diablo". Este trabalho também já tem uma adaptação em vídeo .
Formado em letras pela Universidade Regional de Blumenau, atualmente cursa mestrado na Universidade Federal de Santa Catarina e leciona língua portuguesa num colégio de Blumenau, onde reside com a mulher e a filha de dois anos.

 

JUNTO AO MAR

Else Sant'Anna Brum



Você me fez "ver o mundo
num grão de areia"
e "manter o infinito
na palma da mão".
Você me fez recobrar a alegria,
trouxe vida nova ao meu coração.
De mãos dadas seguíamos
tão jovens, sorrindo
que o mar, ao olhar-nos,
quebrou-se em ondas
cheias de ternura.
Parece que há tempo
ele não contemplava
tamanha ventura.
E ele então, brindou-nos
com muitas conchinhas
que nós ajuntamos
e que vou guardar
como nosso tesouro de amor.
Em ondas mansinhas,
os pés orvalhados
sentimos o mar
carregar nossa dor.
Que a dor da saudade
era forte, era grande
dos anos que longe ficamos então.
Eu acho que o mar
leva e traz nossos sonhos,
eu sinto que o mar
também tem coração...

 

NOVA REVISTA LITERÁRIA

A revista "Poité" volta a ser publicada pelos alunos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) depois de um intervalo de três anos. O lançamento do número 6 da revista aconteceu no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis.
Originalmente criada por estudantes do curso de Letras, a "Poité" recebe também contribuições de alunos dos cursos de arquitetura, psicologia, agronomia e geografia.
A primeira edição foi publicada em março de 1986, depois do fim da "Revista Discente", que durante as décadas de 70 e 80 foi o veículo de expressão cultural e artística dos alunos da UFSC. Com o fim da revista, alguns alunos do curso de letras resolveram reeditar uma publicação que trouxesse os textos de estudantes.
Estava criada a "Poité", que em tupi-guarani significa mentira. Os membros do Conselho Editorial, afirmam que a falta de participação dos alunos ainda é o maior obstáculo para que a revista tenha maior periodicidade. A revista está hoje na Internet com os números 3, 4 e 5 pelo sítio www.dzo.com.br/poité.

 

PAPAI NOEL

Aracely Braz


Vê se nos traz
um Natal melhor,
sem dor, sem culpa,
nem maldade,
Papai Noel.
No silêncio da verdade,
põe calor humano
e nos corações
o homem de Nazaré,
que no resplendor da estrela,
na gruta em Belém nascia
pra salvar a humanidade.
... E os jacatirões explodem
em cores e euforia,
lembrando a festa maior!
Que reine o amor fraterno,
centelhas de esperança
com sementes de ternura!

 

LIVRO, LEITURA E MERCADO EDITORIAL

Por Luiz Carlos Amorim

Faço parte de um grupo de discussão por e-mail, grupo este formado por escritores de vários pontos do país e de Portugal, e de vários gêneros: romance, poesia, crônica, conto, ensaio, teatro, etc. Recentemente, a propósito de um artigo publicado no JB,de Rodrigo Alves, falamos da situação atual do livro, do mercado editorial e, por conseqüência, da leitura, no Brasil. Assunto que também foi abordado por reportagens no Estadão, com reflexões de escritores conhecidos, como Ignácio de Loyola Brandão, Moacyr Scliar, Assis Brasil, Lya Luft e outros.
Moacyr e Lya acham que "o brasileiro lê, sim, desde que estimulado a tal". Lya Luft acrescenta, porém, que "a crise econômica afeta toda a cultura e isso se reflete, de alguma forma, no mercado." Ignácio Loyola acredita numa "certa estabilidade do mercado editorial". "Continua igual a cem anos atrás. Só a população aumentou, mas o leitor que consome literatura ainda é pequeno. Faltam escolas, bibliotecas, livrarias."
Acompanhando o artigo, perguntamo-nos se o advento das livrarias virtuais representava algum perigo para as tradicionais, onde a gente vai, manuseia o livro, lê um trechinho, troca idéias e indicações com outras pessoas, etc. Chegamos à conclusão, tirando uma média de todas as opiniões, de que, pelo menos por enquanto, a livraria mais próxima, ainda que não seja tão perto, é a mais indicada, até pela segurança do nosso cartão de crédito na hora do pagamento ou pela insegurança até a hora do recebimento.
Falamos sobre os descontos eventuais na compra dos livros e constatamos que nem sempre o desconto é real, mas quando ele existe, constitui estímulo para a aquisição de alguns títulos, dependendo da oferta e da preferência do leitor. Ainda que tais descontos sirvam de chamariz para a venda de outros títulos. Isto é marketing e para o livreiro, o livro é produto.
Conjeturamos quanto a idéia, surgida no artigo em questão, sobre preço único para o livro. Nem pensar. Há muitas variantes a serem consideradas e a proposta não é viável. Como cobrar o mesmo preço por um romance de 300e tantas páginas e um livro de poemas de menos de cem? A qualidade do segundo pode ser muito superior a do primeiro, mas o custo de confecção é diferente.
Os livreiros questionam os livros colocados à venda em bancas de jornais, ou seja, em locais não dependentes exclusivamente da venda de livros. Sentem-se prejudicados, porque além de se vender livro fora da livraria, as tiragens são bem maiores e os preços, bem menores. Ainda que em detrimento da qualidade do material usado, como papel e impressão. Mas o resultado final ainda é uma boa apresentação e se os grandes jornais e algumas editoras podem faze-lo, por que outras não podem? Se alguém faz é porque e possível, o que vem provar que o livro realmente é vendido pelos
senhores livreiros por preços acima do que seria o justo.
Marisa Lojolo, citada na reportagem, acha que a estrutura irregular do mercado editorial depende de um "megaprojeto político". Não concordamos. O que se precisa para um mercado mais estável é menos ganância de livreiros e editores, praticando preços justos, por exemplo. Já imaginaram livreiros e políticos unidos? Nossos livreiros precisam parar de promover muito os "best sellers" e quase nada as obras nacionais.
As bibliotecas, fixas e/ou volantes, em número maior, resolveriam a questão, favorecendo a aproximação do leitor e do livro? Mais livrarias seria bom, principalmente em localidades pouco privilegiadas. Mas também deveriam ser repensadas: na maioria delas, atualmente, não se pode falar ou fazer qualquer ruído. A necessidade de uma sala, um lugar onde se pudesse conversar, trocar idéias, faz-se premente nos dias de hoje.
Iniciativas como a de grande editoras e grandes jornais, de vender clássicos da literatura brasileira e mundial em bancas de jornais a preços baixos são ótimas alternativas para quem gosta de ler mas tem pouquíssimo dinheiro. O que não quer dizer que os livreiros e editores estariam interessados em diminuir sua margem de lucro, pois grandes edições fazem com que o custo unitário diminua. O material usado para a confecção do livro não é o mais sofisticado, o que desencarece a edição e, por fim, os clássicos publicados, via de regra, não são onerados com direitos autorias. A pouca demanda em relação ao livro, segundo Raul Wassermann, seria o grande problema do livreiro. Será? Como já vimos, o livro pode ser mais barato. O problema da pouca demanda é o preço e a incapacidade de pagá-lo, por parte do leitor. Alem do que, existe também a questão da formação do leitor, que começa em casa e é, também, um problema social de educação e cultura. Que esbarra, de novo no poder econômico. A criança que convive com o livro desde pequena, terá muito mais possibilidade de gostar de ler. Mas para ter livros em casa, a família terá que ter supridas todas as suas outras necessidades.

O aumento de Feiras do Livro, pelo menos aqui no sul, dá a entender que esta é uma boa estratégia para que o leitor se motive a comprar títulos que lhe interessam. Temos a tradicional Feira do Livro de Porto Alegre, sempre em novembro. Existe a Bienal do Livro, em São Paulo, a Feira do Livro de Santa Catarina, em Florianópolis, todos os anos. Além dessas, muitas outras, menores, têm aparecido por Santa Catarina e Rio Gande do Sul. Em Santa Catarina, há uma Feira do Livro em Camboriu, em outubro, em Jaraguá do Sul há outra em julho, em Joinville há a Feira do Livro Estudantil, nas escolas. Em São Bento do Sul, houve a primeira edição de uma Feira do Livro neste ano, em novembro. E existem os grandes sucessos, como a de Porto Alegre, que nos seus 20 dias em ser na Praça da Alfândega, teve uma visitação de l,5 milhão de pessoas e vendeu cerca de 400 mil livros. O que significa que colocar os livros no caminho do leitor funciona. Se ele tiver algum dinheiro para pagar, é claro. A maior Feira do Livro ao ar livre da América Latina terá seu prazo de duração aumentado, na próxima edição.

 

CAVALINHO BRANCO

Eloí E. Bocheco


O cavalinho branco
come estrelas e
raios de luar.
De noite,
o relincho do cavalinho
brilha tanto
que dá pra enxergar:
os piolhos da cobra,
a cicatriz no pé
da centopéia,
a unha encravada
do tamanduá,
o pesadelo da coruja
e até os ninhos
dos sabiás nas árvores.
Ontem o cavalinho
deu um relincho
tão iluminado
que clareou
a outra ponta do mundo.

 

 

Ô DE CASA

A professora e escritora Eloí Elisabet Bacheco acaba de publicar, pela Editora Grifos, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, o seu terceiro livro de poesia para criança. Aliás, eu não diria que a poesia de Eloí é exclusivamente "para criança", pois criança é um público exigente e nós adultos, ficamos a admirar a qualidade da obra da autora, com vontade de ter feito igual.
Por outro lado, Eloí, como professora é uma formadora de leitores, motivando e disseminando o gosto pela leitura junto às crianças. Acima, uma amostra da poesia que o livro contém.

 

 

 

ATÉ QUE ALGUÉM CHEGOU...

Erna Pidner


Partículas minúsculas se agregam
Movem-nas forças invisíveis
Energia cósmica a entrar em ação
Explode a vida em todos os níveis!
Prapara-se nova morada
Onde seres em evolução
Conquistam a oportunidade
De ser, sentir e crescer;
Eis o início da humanidade.
Nos primeiros passos,
o homem titubeia;
O cair e o levantar
Os perigos e armadilhas
Obrigam-no a pensar,
A seguir por novas trilhas.
Vão se formando as nações,
Governos, leis, direções
Nem sempre bem conduzidas.
Comunidades, lideranças,
Oprimindo consciências
Minam anseios, esperanças.
Em meio à atrocidades,
Corações em sobressalto,
A promessa de um Messias
A trazer algo de novo
Nascido do meio do povo.
Há tanto tempo ele chegou,
O seu exemplo nos deu,
Espalhou sua mensagem
E, até hoje, ao festejarmos
A data de seu nascimento
Sentimos o quanto de luz
Nos legou Mestre Jesus!

 

A ILHA: POESIA NO NATAL


O Grupo Literário A ILHA estará presente em mais este Natal com a poesia de seus integrantes, através do Projeto Poesia no Shopping, que terá uma edição especial exclusivamente com poemas Natalinos, exibida em todos os shoppings do Estado.
Junto ao Varal da Poesia, será distribuída a Sanfona Poética "É Natal". Para terminar, o Projeto Poesia na Rua terá mais uma edição com trecho de poema natalino, exibido nas principais cidades de Santa Catarina.

 

 

RENASCIMENTO

Luiz Carlos Amorim


Há um raio de luz
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.
É a vida ressurgindo,
é o Natal do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus!

 

NOVO LIVRO INFANTIL

O primeiro livro infantil de Luiz Carlos Amorim, "FLECHA DOURADA", está pronto para ser publicado. O livro irá para o prelo no início do próximo ano e estará pronto para ser lançado no Dia da Criança de 2001. Em seguida, ele será lançado, também, na Feira do Livro de Florianópolis, junto com a terceira edição de "Meu Pé de Jacatirão" e a edição trilingüe de "A Cor do Sol".
Flecha Dourada é um pequeno índio brasileiro que vê o homem brancoinvadir a sua terra e a sua vida, ameaçando a sobrevivência da sua gente.
Os desenhos do livro são da artista plástica Solange Gerloff, que dá uma amostra do que será a capa do mesmo acima.

 

EXPLOSÃO

Luiz Carlos Amorim


É dezembro,
é verão, é Natal...
Explode com força a cor
da flor do Jacatirão:
pétalas de esperança
colorindo o futuro...
Sinal de vida, ainda,
a luz do nosso caminho...

 



EXPEDIENTE

SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA Nº 75 - Dez/2000 - Ano 20
Editor: Luiz C. Amorim
Endereço contatos:
E-mail: lc.amorim@ig.com.br


VOLTAR