O TEMA DO POEMA

Antologia de Poesia Temática

 

AMOR

 

TRADUÇÃO


Luiz Carlos Amorim


Pra que traduzir em palavras
o que o coração bate forte
e os olhos dizem tão bem?
Não é preciso palavras
quando estamos nós dois,
quando estamos nós, a sós,
nós, como um só, mais ninguém.
Emoções não são palavras,
sentimentos, muito menos.
Os olhos, sim, dizem tudo,
têm a linguagem perfeita.
E quando a emoção, o amor,
comandam o coração,
aflorando aos nossos olhos,
não é preciso mais nada.
É deixar o coração
comandar nossos sentidos,
deixar falar nossa pele,
nossos olhos, nossos corpos.
Há discurso mais bonito?
 
 

A JANELA


Luiz Carlos Amorim


Teus olhos, mulher, são assim:
meigos, brejeiros, castanhos,
malandros, sinceros, brilhantes,
essas luzinhas acesas
na janela do teu rosto.
E essa luz na janela
na janela do teu rosto,
convite irresistível,
me atrai para dentro,
no aconchego carinhoso
do teu/nosso coração.
E eu me sinto em casa,
com todo amor que há lá dentro.
Só saio pra ver de novo,
na janela do teu rosto,
aquelas luzes castanhas
convidando-me a entrar.

 

FUNERAL...

Laura B. Martins


Murchou a flor nascida no meu peito;
cuja capacidade era infinita
de amar tudo e a todos, ao seu jeito,
crescendo cada dia mais bonita.

Desabrochava em linda cor e se encantava
com o sol quente, o mar infindo, a natureza,
floresta, pássaros, a lua que brilhava...
Valia a pena viver com tanta beleza!

Só quando enfrentou a humanidade,
sentiu quanto era falso o seu amor;
e a tão apregoada caridade...

era degrau na escalada pra doutor.
Murchou, morreu de tanto ser pisada.
Celebra-se hoje o funeral daquela flor.

 


 
MEU POEMA


Luiz Carlos Amorim


Como vou fazer poesia
se o seu sorriso tão meigo
é o verso mais bonito
que jamais vou escrever?
O meu poema é você,
a inspiração/emoção,
a rima do corpo-a-corpo,
pele-a-pele, boca-a-boca,
o ritmo em sincronia
de corações como um só,
a métrica da ternura.
Minha poesia é você.
Pra que então, escrevê-la?
Fiz-me poeta em você,
poeta em seu amor...
Vem, comigo, minha musa,
vem morar neste poema...
 


 
VOCÊ


Luiz Carlos Amorim


Você, ah, você,
que invade meu coração,
infiltra-se no meu sangue
e aguça os meus sentidos...
Vem, me afaga, me afoga,
nessa fuga desenfreada
do mundo fora de nós.
Vem e pisemos juntos
este caminho só nosso
para o país do amor.

 

DIVERSAS MANEIRAS


Silvinha


Quero meu verso sem fronteiras,
sem rimas nem muros...
Em cantos, em risos,
em mares... em céus...
Quero meu verso sem limites
de linhas e folhas...
Em olhares, em vozes,
em ventos... em ti...

E seu eu te olhar,
que meus olhos tragam
os brilhos guardados
de tantos poemas,
as frases perdidas
de tantas esperas...
Que meus olhos 
te falem de amor...

 

AMOR PROFANO


                Cris


 
Toca-me a face, com carícias brandas
Busca-me nas ondas mansas
Desvenda-me nos aromas mais sutis
Descobre com desvelo
os meus sonhos de criança
Invade com astúcia
meus desejos juvenis
Deixa escapar entre os dentes
palavras deste amor profano
E embala-me como a um anjo
no sussurrar da brisa
até que, por encanto
estejas eternamente
aprisionado nos meus sonhos.  

 

CANTO DE OUTONO

Marilena Gomes Ribeiro

Lágrimas de amor povoam espaços
perdidos pelo além das circunstâncias.
Braços abertos procuram abraços
nos verdes mutilados de esperanças.
Dores e mágoas absortas no passado
abrem caminhos vãos de insensatez,
para encontrar nos veios de amarguras
o derradeiro instante de uma última vez.

Sobreponho o coração aos medos,
às mentiras fustigadas de descrenças
para sentir em mim a impaciência
de não poder amar,
de não poder sonhar,
encontrando meus fantasmas interiores
a sufocar lembranças de outros amores.

Plácidos passos caminham pela areia.
Doces compassos, cantos de sereias
no azul risonho da minha mocidade.
Vão-se as esperas, passam-se as bonanças.
Mesmo perdidos , meus dias de criança
voltam-me aos braços
em forma de saudade.

 

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