TODOS OS POETAS

Antologia Poética

 

Celso Martins

 

ROMPIMENTO


Que se abram as portas das cadeias,
as gaiolas com passarinhos,
as comportas das represas,
ameaças impunes, além.
Arrebentem-se os grilhões,
apodreçam os latifundiários,
fora com o tio Sam.
Carecemos ter fechados os bordéis,
abertos os cabarés,
penetrados os úteros,
desfeitas as virgens.
Morte ao frio, dane-se o calor.
Sequem as águas do mar,
enfureçam-se os leões circenses.
Não pode mais existir inferno,
unifique-se o céu,
chega de santos,
reanimem-se os pecadores.
Despeje-se no palácio o lixo
retire-se do cego a muleta
e do aleijado os óculos escuros.

 

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