TODOS OS POETAS

Antologia Poética

 

Jorge Mendes
                                                                    


       SUÍTE 21   

                               

 
Enquanto o tempo passa
você fica fazendo bolinhas de fumaça,
flutuando dentro de seu arco-íris frio,
imaginando sonhos indolores, vôos panorâmicos,
imaginando que pode dominar o mundo.
 
Enquanto o tempo passa
há um desastre aéreo na ponta dos dedos
e você gruda o rosto no vidro da janela
e observa o sol ao longo da avenida:
há perfumes pálidos, som de frituras,
vários tipos de morte e a extensão cansa.
 
O ar viciado e o mel apodrecido dos olhos e dos lábios
se esfarelam pelo tapete como uma melodia oca.
Dentro do meu coração ouço seu coração de casa abandonada
e os pássaros que atravessam a manhã
são de puro concreto armado.
 
Não há crianças, música aérea
para esse domingo fechado.
Só esse sol parado
enquanto o tempo passa.

 

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