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Antologia Poética

 

Espalhando estrelas

Leda Galvão de Avelar Pires


Esperar, sem desesperar, é quase conseguir
"Quero sair por aí
espalhando estrelas
azuis, douradas, prateadas...
Estrelas que adornem a fronte
da menina feia e triste;
estrelas que façam brilhar
os olhos daquela velhinha
que viu seus filhos crescerem
- e sumirem -
na poeira dos caminhos;
estrelas que façam sorrir
a menina aleijada
que todas as tardes, da janela,
observa a criançada
brincando de pegador;
estrelas ternas que consolem
a moça que perdeu a virgindade
e que nunca pôde ser mãe;
estrelas que entrem no barraco
e sirvam de cobertor
para a família João-Ninguém;
estrelas de faz-de-conta
pra botar nos sapatinhos
dos que esperam, como eu,
a NOITE que nunca vem.

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