Janeiro/2005


Clipping de material literário e cultural publicados na Coluna do mesmo nome, presente em alguns jornais de Santa Catarina e artigos e notas publicados em vários outros veículos.
E-mail para contato: lc.amorim@ig.com.br


 

O ANO NOVO QUE EU QUERO - QUE VENHA 2007!

Por Luiz Carlos Amorim


Um ano novo está chegando e o sol esplendoroso, o jacatirão florido, o flamboiant espalhando vermelho no meio do verde me dizem que 2007 será bom, muito bom.
Por isso, não desejo muito deste novo ano. Peço apenas o possível, como disse alguém na televisão um dia destes: crianças na escola, velhos assistidos, ou seja: educação e saúde neste nosso Brasil e por todo este mundão de Deus; trabalho para todas as pessoas e alimento na mesa de todos, em qualquer lugar; ética e honestidade em todos as atividades do ser humano, principalmente na "política" e conscientização geral de que precisamos preservar a natureza para que haja um futuro amanhã.
Que saibamos cuidar do nosso meio ambiente. Que paremos de desmatar, de envenenar o ar e a água, cada vez mais escassa, para que nossos filhos e netos possam ter um mundo viável mais adiante. Não quero, para todos nós, filhos de Deus, uma felicidade instantânea e fácil; quero uma felicidade conquistada, verdadeira e merecida.
Quero sorriso no rosto das pessoas, mas não sorrisos tristes. Quero sorrisos iluminados, pejados de fé e esperança, que se não os houver, não haverá vida. Quero luz no olhos de toda a gente, faróis a apontar o caminho. Quero paz no coração de todo ser humano, quero carinho a semear ternura, quero uma canção em todos os lábios a propagar a fé.
Quero pedir aos homens, principalmente aos que detém o poder, o fim das guerras, que o seu coração foi feito para abrigar a paz, e seus lábios, suas mãos e seus olhos foram feitos para disseminá-la. O homem não foi feito para deter o poder em suas mãos e com este poder destruir seu semelhante. Peço à força maior que rege o universo que erradique do coração do homem a ganância, a inveja, o ódio, a indiferença.
Não estou pedindo nada impossível, tudo o que peço pode se tornar realidade, se todos quisermos. E precisamos querer, para que este próximo ano que vai iniciar seja bom, seja melhor que os anteriores. Para que os nossos possam continuar, para que possamos ter esperança de realizá-los.

 

ESPERANÇA


Mário Quintana



Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
- ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...




As duas melhores fotos do ano...

Fátima de Laguna – Praia do Mar Grosso/Laguna/SC

... eu perdi!

Durante o ano de 2006 cliquei quase tudo que me apareceu pela frente.
Desde laranjas pesando três quilos, que nasceram na chácara de meus padrinhos até uma enorme teia de aranha tatuada no braço de um surfista.

Foram flores, peixes, poentes, feiras, casarios, barcos, etc. Muitos barcos que encontrei no Museu Nacional do Mar em São Francisco do Sul, aqui em Santa Catarina.

Fotografei objetos, gente, exposições, bichos, lugares e inclusive tive a alegria de ver que fotos minhas foram aproveitadas em capas de livros e também para ilustrar textos de escritores na internet. Dizem que “fica feio” babar em público diante da própria obra mas capturei uma imagem que merece um texto.

Ontem a escritora, poeta e editora Ana Peluso perguntou-me se poderia Wharolizar (*) tal fotografia. Significa que a talentosa ilustradora gostou da clicada a qual, num primeiro instante, creio que injustamente batizei de “TPM de Yemanjá”.

Mas conforme dizia, perdi as duas melhores fotos do ano. Naquele momento estava sem minha máquina, não me conformo! Eram já 21 horas, estava olhando uma bermuda para presentear o papai noel de casa quando ouvi a aproximação, o já conhecido som da Banda Carlos Gomes. Esta banda tem mais de 120 anos!

Alguns amigos meus receberam de presente o CD que a Carlos Gomes gravou, onde inclui peças de Chiquinha Gonzaga bem como de outros autores que são clássicos integrantes em discos de centenárias bandas. A capa do CD é uma cena do tricentenário casario lagunense com a banda passando, de autoria do artista plástico Artur Cook.

Pois lá vinha a alegria desfilando pela rua Raulino Horn! Pedi licença à vendedora, não resisti e corri para a porta da loja. Que momento mais agradável a olhos e ouvidos! Estavam vestidos de uniforme branco com uma touca de papai noel. A visão era digna de cinema! Sem exagero, que cena mais doce, gente! Os inúmeros arcos luminosos da decoração de luzes formavam uma abóbada sob a qual movia-se som e graça de uma banda, igual àquela que Chico Buarque contou (e cantou), “só Carolina não viu”.

Nossa modesta cidade (em termos econômicos) é de pôr inveja em muita rica metrópole. Temos a Sociedade Musical União dos Artistas – a banda mais antiga do Brasil, e a Carlos Gomes que ontem enchia de poesia a noite lagunense.

O desfile do maestro, dos senhores músicos, dos(as) adolescentes, executando temas natalinos e desfilando na tranqüilidade da pequena Laguna, era o que milhões de brasileiros gostariam de curtir. Não tenho dúvida!

Perdoem-me o deslumbramento!

Saí da loja com o presente e mais adiante lá na rua Gustavo Richard, o Coral Santo Antonio dos Anjos saudava o ADVENTO. Entoava cânticos também natalinos. Tal Coral também é valioso patrimônio cultural de nossa terra.

Já o mencionei em outra oportunidade e voltarei a falar sobre ele porque música é a linguagem universal.

Porque canto de corais é magnífica forma de comunhão!

Não tenho dúvidas de que o fato de eu ter jantado colaborou para que apreciasse toda a beleza e os valores da terra. Amigos, com a barriga roncando não há quem tenha ouvidos, nem olhos para a arte!

Acreditar em papai noel? É muito fácil porque é muito fácil ser lúdico e cultuar folclore com o estômago satisfeito, a roupa limpa, o chuveiro tépido.

Poesia? Nada mais prioritário na vida! Mas há um porém: os desatinados, os marginalizados, os necessitados, os ensandecidos pelo desespero de qualquer ordem, são capazes de produzir a poesia, a arte, mas só é capaz de reconhecer a importância da obra, de fruir da sua beleza, aquele que tem as básicas condições da vida digna. E só a garantia da cidadania plena pode prover vida digna.

É justo neste ponto que menciono a outra foto fantástica que perdi por inexplicável esquecimento de recarregar as pilhas da máquina.

Fui convidada para entregar o diploma a uma menina de seis aninhos do pré-escolar na Creche Padre Augustinho.

Não contive as lágrimas quando perfiladas aquelas pequeninas pessoas, com túnica e chapéu de formandos, cantaram que seríamos “amigos para sempre” ao público que ali estava. Não sabia quem era Vitória, a garota de seis anos para quem estava levando o vestido mais gracioso que havia encontrado. Minha afilhada enfim foi chamada e lá ficamos ambas fazendo charme ao lado da árvore montada no local, sendo clicadas pela professora Celeste.

A Creche é muito bem cuidada, por certo leva até as casas daquelas famílias e, principalmente até a percepção daquelas crianças, uma prática diária que favorece a compreensão da maneira ideal de se começar uma história. A história pessoal.

E a melhor maneira de se começar um currículo de vida é na valorização da aprendizagem, num ambiente limpo, com a pedagogia amorosa, a segurança, o respeito, a alimentação e os hábitos de higiene, enfim: Educação.

A equipe de professoras está de parabéns. Faxineiras, cozinheiras, coordenadora estão de parabéns. Só há uma saída para os que não têm o suficiente, ainda, para usufruírem do prazer da música, da poesia, da literatura, da arte: escola, conhecimento, informação, estudo: EDUCAÇÃO.

Só amamos o que conhecemos. Para conhecer há que se ter os meios: Escola, escola. Educação. EDUCAÇÃO.

A foto da banda eu não fiz, e também não fiz a dos formandos da creche, mas foram as cenas mais plenas de poesia e esperança que presenciei neste 2006.

Agora explicando para vocês sobre a flor (pela qual babei), que encontrei na praia dia desses, penso que foi resultado de alguma dor de amor. Quem sabe um agradecimento. Quem sabe pedido de um coração febril. Alguém levou para ofertar à Yemanjá.

Talvez uma alma, quase morta de amor, talvez uma alma renascida de amor! Yemanjá devolveu a rosa amarela e eu de joelhos fotografei tão perfeita obra. É que só de joelhos conseguia pegar a praia, o mar e o céu, testemunhas junto comigo de tamanho caso amoroso.

Era algo muito marcante o que levou a pessoa a fazer aquela oferenda. Eram flores e mais flores que as ondas devolveram... quase um quilômetro!

A rosa amarela chamou-me a atenção, pareceu-me no lugar errado, na hora certa.

Na verdade o lugar estava certo.

Nada é certo ou errado, exatamente.

Sim, e a escritora Ana me perguntava ainda na mensagem de ontem, o que eu havia descoberto de mais recente sobre o NADA. Respondi a ela que no ano vindouro pesquisarei mas confessei do perigo de buscas tão nietzschenianas assim. Depois que me contaram que ele disse que "Deus está morto!" deixei ali na estante “Ecce Homo”... vai esperar até que eu tenha coragem de encarar autor de tamanha repercussão. Nietzsche não é para qualquer “Fátima de Laguna”, quem sabe com muito mais prévias leituras, eu chegue lá.

Por outro lado, desconfio que o NADA é o que se traduz em determinados olhares distantes, perplexos e aparentemente não traduzidos que vejo em certos adultos, em certas crianças e em muitos jovens que encontro pelas ruas. Posso estar equivocada, e justo nesses olhares estar o TUDO.

Um tudo extremamente fragilizado.

Justo por isto, de preocupante gravidade!

(*)Warhol, Andy - artista símbolo da arte pop.

 

NOVO TEMPO

Luiz Carlos Amorim

O futuro chegou.
Novo tempo, nova vida,
Esperança renovada.
Sim, eu sei,
Sou viciado
Em esperança,
Essa fé no amanhã
Que me empurra adiante.
Mas se não houver esperança,
O que será do futuro?
Precisamos, urgente,
Nós todos, seres humanos,
Juntar toda esperança
Que podemos cultivar
E fazê-la realidade:
Um mundo mais humano,
Com dignidade e justiça.
Depende de nós.
O ano novo não será feliz
Como que por encanto.
Há que se lutar por isso.
Não somos capazes disso?

 

 

"POR CAUSA DO PAPAI NOEL"

Por Luiz Carlos Amorim


Recebi, num final de semana de dezembro de 2005, um convite para a estréia de um filme de Mara Salla, cineasta que já conquistou prêmios em alguns festivais de cinema, com este seu primeiro filme. O convite foi quase em cima da hora, pois o lançamento seria já na segunda-feira, mas eu não poderia deixar de comparecer, pois tratava-se de "Por causa do Papai Noel", curta baseado em uma crônica da nossa escritora mor, a moça loura de Blumenau, dos dedos cheios de poesia, Urda Alice Klueger.
Foi uma festa belíssima, uma oportunidade de rever velhos amigos e conhecer gente boa, além de ver um belíssimo trabalho na tela.
O filme é uma obra que consegue retratar com fidelidade o talento de escritora de Urda, o talento de Mara em transportar para a tela a excelência literária da escritora e, além de tudo, mostra um pouco da infância da própria autora do tema. O elenco, primordialmente composto de crianças está de parabéns, pelo ótimo desempenho. Tanto crianças como adultos foram impecáveis.
E, concluí, depois de ver o filme, que o mérito do filme não é só um, não é só o fato de mostrar a obra de uma escritora como Urda que representa a literatura catarinense além fronteira. Não é só o brilhante trabalho de direção de Mara, dos autores, de toda a equipe. Não é o fato de celebrar o Natal, essa festa maior dos filhos de Deus, na figura de Papai Noel, apenas.
A adaptação para o cinema do texto de Urda contemplou com destaque o gosto pela leitura de uma menina muito jovem, mostrando-a lendo vários bons livros e imaginando personagens a sua volta, num processo de verdadeira integração com a obra lida, como Clarissa, de Érico Veríssimo, "Meu Pé de Laranja Lima", de José Mauro de Vasconcelos e outros. Até uma personagem que a própria escritora viria a criar mais tarde transitou pelo filme.
Pode-se dizer que o curta é um filme para crianças, embora encante os adultos também. E o filme pode, quem sabe, incentivar crianças que o assistirem e que ainda não descobriram o mágico, encantado mundo da leitura, a se aproximar dos livros e a mergulhar neles, para descobrir o universo de conhecimento, de informação e de imaginação que há neles.
Foi um belo presente de Natal, sem dúvida.

 

INFIDELIDADE

Teresinka Pereira


Talvez a aguia
sem o papel de simbolo
possa voar com a vida vitoriosa,
passando pelas janelas e portas
dos povoados, para chegar onde
canta o mar, que e' livre.

Mas aqui estamos presos pelo
desespero do pensamento vao,
sem poder vencer o tempo,
este inimigo transparente,
oculto em si mesmo,
devorando nossas forc,as.

Como escrever sobre este
jorrar de infidelidades, sem chorar,
sem sentir o vazio nos dedos
contando os dias que se vao?


Mara Salla, Mara - A Maga


por Urda Alice Klueger *


Pela vida afora muitas bruxas encontrei, de diversos tipos, calibres, feitios e intenções, desde a Bruxa Malvada das histórias infantis até as malvadas mais verdadeiras, como Margareth Tatcher, por exemplo, a lamentar a morte de um Assassino da Humanidade como Pinochet – isto sem contar que sou do Estado de Santa Catarina, Brasil, e a capital do meu Estado é uma Ilha onde aportaram, ao longo dos séculos, récuas de bruxas de todos os tipos, desde aquelas que para cá vieram para se salvarem das ignorâncias maldosas da Inquisição, até bandos recentes de bruxas da maior simpatia, daquelas que só fazem o Bem, como Elaine Tavares e a Baiana Denise Queiroz, maravilhosas e queridas bruxas que moram no meu coração! Tem umas outras bruxas por aí que não gostam muito do Bem, também, mas é melhor nem falar nelas...

Fadas conheci muitas, também. Foram tantas na minha vida que fica difícil lembrar de todas, mas vou tentar colocar aqui uma pequena amostragem, que vai desde a minha professora de quarto ano, Irmã Maria Adalgisa, com suas bondosas asas de Anja [1], e a minha prima Sofia, com suas inigualáveis mesas de aniversário cheias de tortas incomparáveis, e a minha prima Synova, admirável Ser Humano de muita cultura e muito sofrimento por quase toda a vida, e a minha orientadora Elizabete Tamanini, Fada-Madrinha sem tirar nem pôr, e por aí vai...

Mas aqui quero falar é das Magas, e ser Maga é uma coisa extremamente difícil, tanto que não tenho viva lembrança de nenhuma outra na minha vida que se comparasse com ela, a Maga Mara Salla! Pelas minhas contas, já faz perto de quatro anos que a gente se conhece, mas foi só ontem à noite que aquilatei, mesmo, as infinitas possibilidades e a profundidade da alma e da sensibilidade de alguém que chega a Maga.

Mara Salla veio de um lugar do Rio Grande do Sul chamado Arvorezinha, e não se entende por quê, por conta de um destes acasos do Destino, acabou ela encantando-se por um texto meu e querendo usá-lo para fazer um filme. Foi um parto longo mas não doloroso, pois estava tudo muito cheio de intenso prazer: desde o primeiro dia em que ela veio à minha casa, para conhecer-me, trazendo-me de presente músicas de Mercedes Soza, até os infinitos mistérios das filmagens na pequenina cidade de São Pedro de Alcântara, faz ano e meio, e até à estréia do filme, ontem, lá em cinema de Florianópolis.

Houve o conhecimento, o tempo, o parto, o saber da capacidade de direção de filme que Mara tinha ... mas foi só ontem, só ontem à noite que eu soube mesmo que ela era uma Maga. Eu ainda não tinha visto o filme (que se chama “Por causa do Papai Noel”), e tudo seria novidade para mim, e para tanto me preparara, Não sabia, no entanto, que Magas existem de verdade e podem viver bem perto da gente!

É necessário ir um pouquinho para traz no tempo, voltar a estas décadas que tenho vivido como escritora, e à convivência que tais décadas me levaram a ter com outros escritores, para poder explicar a minha emoção. Eu já falei tal coisa em muitas palestras e entrevistas, e também já falei a respeito dela com muitos outros escritores, desde meu amigo pessoal Viegas Fernandes da Costa até o Monstro Sagrado Jorge Amado, para saber que é uma coisa comum a muitos escritores: o escritor “vê” coisas que os outros não vêm, “vê” cenas que ainda não se criaram na sua escrita, “vê” personagens que ainda não conhece – e essa gente e cenas todas tomam conta da sua vida, e entram pela sua casa, e passam a fazer parte da sua realidade – mas nunca tinha visto alguém que não é escritor entender isto. Então chega Mara Salla com o filme que fizera a partir de um texto meu, e ela, a Maga, ela sabia! E lá no filme uma menina que um dia eu fui fica espiando, encantada, os personagens que mais tarde passaria para o papel ... e só Magas muito mágicas para entenderem tal coisa.

Mara Salla, minha Maga, como te agradecer? Nem dava, tanto chorei abraçada à minha prima Mayde, quando entendi quanto entendias!

[1] Por que é que tem que ser “anjo”, se também há “anjas”?

 

 

 

BRILHO DO ANO NOVO


Vânia Moreira Diniz

Acompanho o velhinho até o fim,
Imaginando que suas lembranças
Fiquem marcadas em minha alma,
Com o prazer das grandes emoções!

Sua sabedoria entenderá as indecisões,
A procura, carências e até injustiças,
Que possa, imperfeita ter cometido,
No caminho que ele liderou com fé.

Revejo esse velho ano que se extingue,
Em meio aos prazeres e tantas decepções,
Que o mestre me fez compreender sorrindo,
No valor inexcedível de marcantes vivências.

A tristeza de saber que o velho ano se vai,
Encarcerando ilusões que ficaram para trás,
Levando sonhos que adormeceram tristes,
Marcará a época vindoura com esperanças.

Sinto a alegria de uma nova fase que chega,
Mostrando em sua breve aparição a luz,
Que brilhará na eloqüência de gestos,
A nos indicarem uma era de desejos.

Enquanto o bom velho alquebrado e triste,
Acompanha os passos já do tempo que esvai,
Deixando as marcas da ternura que ficarão,
O jovem chega sem experiência, mas vibrante.

E os dois, carregando ambos emoções,
Miram-se no apogeu da linha que se cruza,
No horizonte do destino misterioso,
A falar de sentimentos de qualquer tempo.

O presente e o futuro ali se encontram,
Plenos de certeza e expectativas,
O primeiro saindo tão devagarzinho,
Realizado, às vezes triste ou glorioso,

O futuro nos acena, então,
Indeciso e transbordante de cores,
Com passos tranqüilos, mas tateantes,
Na semi-escuridão do nascimento.

 


 

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