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JUNHO

MÊS DOS NAMORADOS

O Grupo Literário homenageia a todos os namorados e enamorados com esta edição especial da coluna Literarte só com poemas românticos, além do Projeto Poesia no Shopping, também composto por estes mesmos poemas e da Sanfona Poética "Canções de Amor" e do Projeto POESIA NA RUA, com trecho de poema de Luiz C. Amorim, estampada em out-doors pelas principais cidades do estado.

 

NÓS DOIS


Luiz Carlos Amorim


Vejo nós dois espelhados,
nos grandes lagos castanhos
cristalinos, os teus olhos.

Navegamos mansamente,
nas serenas águas claras
cheias de luz e poesia.

É nossa grande viagem,
percorrendo os caminhos
que nos levarão de encontro
à descoberta de nós.

 

ME PLANTA DENTRO DE TI

Rosângela Borges

 

Eu prometo florir

Dentro de ti

Colar meu corpo

Pertinho do teu coração

Sem posse ou farsa

Estender meus braços

Oferecer meu carinho

Sem espinhos ou chuva...

 

Eu prometo viver

Dentro de ti

Dançar com teus lábios

Contar meus segredos

Sem pressa ou sombras...

 

Eu prometo acordar

Dentro de ti

Acender tua magia

Explodir em teus olhos

Sem culpa ou castigo

E te fazer feliz.

Então, me planta

Dentro de ti

Que eu prometo florir

Em qualquer estação...

 

 

MEU POEMA


Luiz Carlos Amorim


Como vou fazer poema
se o seu sorriso tão meigo
é o verso mais bonito
que jamais vou escrever?

O meu poema é você,
a inspiração/emoção,
a rima do corpo-a-corpo,
pele-a-pele, boca-a-boca,
o ritmo em sincronia
de corações como um só,
a métrica da ternura.

Minha poesia é você.
Pra que então escrevê-la?
Fiz-me poeta em você,
poeta em seu amor...
Vem comigo, minha musa,
vem morar neste poema...

 

DIVERSAS MANEIRAS


Silvinha


Quero meu verso sem fronteiras,
sem rimas nem muros...
Em cantos, em risos,
em mares... em céus...
Quero meu verso sem limites
de linhas e folhas...
Em olhares, em vozes,
em ventos... em ti...

E seu eu te olhar,
que meus olhos tragam
os brilhos guardados
de tantos poemas,
as frases perdidas
de tantas esperas...
Que meus olhos 
te falem de amor...




TRADUÇÃO


Luiz Carlos Amorim


Pra que traduzir em palavras
o que o coração bate forte
e os olhos dizem tão bem?
Não é preciso palavras
quando estamos nós dois,
quando estamos nós, a sós,
nós, como um só, mais ninguém.
Emoções não são palavras,
sentimentos, muito menos.
Os olhos, sim, dizem tudo,
têm a linguagem perfeita.
E quando a emoção, o amor,
comandam o coração,
aflorando aos nossos olhos,
não é preciso mais nada.
É deixar o coração
comandar nossos sentidos,
deixar falar nossa pele,
nossos olhos, nossos corpos.

Há discurso mais bonito?

 

 

BEM NO FUNDO

Margarete Iraí

 

Lá no fundo...

Bem no fundo...

No fundinho dos teus olhos

avistei um pleno mundo

sem paredes divisórias...

 

E no fundo...

Bem no fundo...

No fundinho destes olhos,

adentrei sem preconceitos

sem medo de palmatórias.

 

Foi no fundo...

Lá no fundo...

No fundinho, quase fim,

que percebi o início

de tudo dentro de mim!





A JANELA


Luiz Carlos Amorim


Teus olhos, mulher, são assim:
meigos, brejeiros, castanhos,
malandros, sinceros, brilhantes,
essas luzinhas acesas
na janela do teu rosto.
E essa luz na janela
na janela do teu rosto,
convite irresistível,
me atrai para dentro,
no aconchego carinhoso
do teu/nosso coração.
E eu me sinto em casa,
com todo amor que há lá dentro.
Só saio pra ver de novo,
na janela do teu rosto,
aquelas luzes castanhas
convidando-me a entrar.

 

LEMBRANÇAS

Aracely Braz

 

Lembranças são primaveras

Outunos, lindos verões

Espaços de chuva e sol

Céu e mar em nossa estrada

E nada de horas marcadas.

Retas e curvas, saudades

Buscando reminiscências,

Desenrolando canções.

Um joão-de-barro a cantar

E eu no tempo voltando...

Lua cheia de luar

A alma cheia de luz

Coração cheio de amor...

 



TEMPO

Luiz Carlos Amorim

Olho pra trás,
tempos idos,
em busca de uma saudade.
Busco sonhos,
esperanças,
sorrisos,
e sentimentos.
Não estão lá,
no passado.
Nem é preciso catar
as migalhas de outros tempos.
Estão aqui, no presente,
bem presentes,
meus anseios e procuras:
você está aqui,
é o presente
e o futuro que eu preciso.

 

 

CENTRO DA ALMA

 

Marilena Gomes Ribeiro

 

Os icebergs na noite

estão impregnados de luar.

A lua contempla milhões de espaços,

onde as sombras

formam um corpo irreal

em profundos cortes,

que fazem sangrar as veias do céu.

Descem os pássaros,

e os anjos nas gangorras

trazem um musical repousante.

Como grãos a cair pelo chão,

as sementes dos sonhos

são um exército implacável

orvalhando os séculos

num imaginário sopro de vida.

Preciso encontrar essa lua

que queima, toda branca,

do lado mágico do mundo.

Preciso inverter as mutações

do frio antigo

e separar essa moldura dos perfis

dessa ambigüidade

que supera as crateras

da minha autocompaixão.

O sol cairá no mar

e a lua contemplará

o iceberg infinito.

Amigo, não se pode mais mudar

o naufrágio de sua escuna.

Agora, é só deitar,

devagar, sem nenhuma pressa

e recolher do amor, essa relíquia maior,

sob o cinza chumbo

das nuvens de chuva.





VOCÊ


Luiz Carlos Amorim


Você, ah, você,
que invade meu coração,
infiltra-se no meu sangue
e aguça os meus sentidos...
Vem, me afaga, me afoga,
nessa fuga desenfreada
do mundo fora de nós.
Vem e pisemos juntos
este caminho só nosso
para o país do amor.

 

BUSCA

 

Else Sant'Anna Brum

 

Naquele raio de sol

eu te busquei.

Naquele doce luar

te procurei.

Fui às estrelas

todas da amplidão,

não te encontrei.

Perguntei a mim mesma:

- Onde estará meu bem?

E meu amor

te encontrou então:

Tu estás

Dentro do meu coração!



TEU SORRISO


Luiz Carlos Amorim


Teu sorriso é minha casa,
minha luz, porto seguro,
o meu horizonte, infinito.
Teu sorriso é boa vinda,
é ternura do aconchego,
é calor que me aquece.
Teu sorriso é primavera
que se espalha por teu rosto
e sorri a tua boa
e sorri o teu olhar
e sorri teu coração
e sorri a tua alma...
Teu sorriso
é meu ponto de partida
e meu ponto de chegada...

 

SONHO

Araci Barreto da Costa

Gostaria que você estivesse aqui, agora,
que você pudesse ser, meu alento, nesta hora.
Gostaria que você fosse meu, de mais ninguém
e pudesse ser, pra sempre, meu passado... meu presente.
Que me amasse muito, muito; me quisesse sem parar,
flutuando em minha vida "como uma onda no mar".
Que matasse minha fome, que tentasse meu desejo,
que voasse, que planasse, que sumisse com meu beijo.
Gostaria que você só pudesse ver a mim, de passar
meus dedos tristes nos seus lábios de carmim.
Gostaria que você fosse todo o meu destino,
que me desse tudo e nada me matando de mansinho.
Que mudasse minha vida, que levasse tudo embora,
que trouxesse, no retorno, somente o nascer da aurora.
Gostaria de chorar quando, enfim, você partisse.
Não sofrer... só amar
se você... Existisse...



SIMPLICIDADE II


Luiz Carlos Amorim



Gosto de natureza,
simplicidade, pureza,
da flor do jacatirão,
de terra, mar e de sol.
Gosto de você.
Sei que já disse isso,
mas eu gosto de você.
De segurar sua mão,
de sussurrar no ouvido,
de misturar nossos eus.
Gosto do sol na pele,
mas gosto mais do calor
da luz dos olhos castanhos
a aquecer minha alma.
Gosto da chuva lá fora
a ninar nossos sonhos
e gosto da noite estrelada
cúmplice do nosso aconchego.
Gosto mesmo é de você.
O que seria de mim,
seu eu não tivesse você?

 

DE VOLTA O ROMANTISMO

Erna Pidner

Meu olhar, perante a vida

Apesar de um tanto triste,

Sempre, em si, refletia

Algo de sonhador;

Acreditava, sem reservas,

No encantamento existente

Em dar e receber amor.

 

Tempo, foste passando

Derrubando, um a um,

Sonho, desejo, anseios,

Trazendo-me a realidade

Com a qual eu tanto cismo;

Numa curva do caminho

Lá se foi meu romantismo.

 

Tracei rumos definidos

Policiei sentimentos

Afastei velhos fantasmas

Consquistei o meu lugar;

Mas de algo senti falta:

Eis-me aqui, romantismo,

Voltei para te buscar.



COMUNHÃO


Luiz Carlos Amorim


Eu me refaço em ti.
Sou eu, completo, por inteiro,
sou você, sou nós, sou ser.
És parte de mim, indivisível,
és coração que pulsa no meu peito,
és luz a brilhar no meu olhar,
és música a tocar nossa canção,
és ternura de mãos entrelaçadas,
és carinho ao tocar de peles.
Eu me refaço em ti.

 

CONCURSO DE POESIA


Por Luiz Carlos Amorim

A biblioteca pública de uma cidade de porte médio promoveu, recentemente, um concurso de poesias entre estudantes de primeira a oitava séries. Iniciativa meritória, incentivar a criação literária e a leitura entre leitores em formação. E até porque o certame é dirigido aos pequenos leitores e possíveis futuros produtores de texto, não seria preferível chamar de concurso de poesia (no singular) ou de poemas? Porque poesia é o conteúdo e poema é a forma. Um poema pode não conter poesia (e isso é tão comum de se encontrar) e a poesia está contida em tudo, na prosa, num gesto, na natureza, etc, etc. Talvez fosse bom enfatizar essa diferença para crianças e adolescentes, para que soubessem a diferença e pudessem entender melhor o que estão fazendo.

Sei que não está errado, está lá no Aurélio, entre outros significados: poesia - "composição poética de pequena extensão". Mas parece soar mal "concurso de poesias", assim, no plural. De qualquer maneira, já foi.

Mas o que me fez abordar o tema foi outra coisa. Entre os poemas vencedores podemos encontrar pelo menos dois que são "inspirados" ou "baseados" em músicas conhecidas, uma de Vinícius de Moraes e outra cantada (?) pela Xuxa. Não sei se o grupo de poetas que selecionou os vencedores foi questionado - e acho que deveriam ser - mas a professora que coordenou o concurso justificou como sendo "paródias" as referidas "poesias". Acho muito triste um professor incentivar o
plágio, justamente um professor, que deve incentivar os alunos e ensinar a maneira mais correta possível de criar o próprio texto.

Voltamos, então, a um assunto já discutido numa de nossas crônicas, mas muito delicado e que merece ser relembrado. Não podemos usar a obra de outrem impunemente, sem colocar o trecho que "emprestamos" entre aspas e citando o autor e a fonte. Não podemos pegar um texto ou um poema de quem quer que seja, trocar algumas palavras e assinar como sendo nosso. Isso é apropriação indébia, é plágio. E plágio é crime.

Já fui jurado de concurso de poesia e encontrei trechos de "Marília de Dirceu", assinado por outro "autor" que não Tomás Antonio Gonzaga, poema de Neimar de Barros e até coisa minha. Mas o grupo que estava selecionando os melhores poemas descartou de imediato aqueles nos quais se reconhecia alguma coisa já existente.

Espero que tenha sido um caso isolado e que não se cometa por aí este tipo de erro.

 


 

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