TODOS OS POETAS

Antologia Poética

Luiz Carlos Amorim

 

VIDA NOVA

Bebo um gole de vida
e saio pelos caminhos,
faróis nos olhos,
canção nos lábios,
o futuro nas mãos
e sonhos no coração.
Planto sorrisos,
cultivo a paz
e lanço sementes
no chão de um mundo novo.
Aprendo poesia
e eternizo a essência
de um novo ser,
num tempo novo
onde a emoção me leva.
Construo uma nação
dentro do meu poema
e convido você
a morar nele...

 

SOU

Sou assim inquieto,
irrequieto, indócil,
romântico, atrapalhado,
simples tal qual criança.
Sou um aprendiz da vida,
do amor e da esperança.
Saudade é dever de casa...
Sou qual garoto precoce,
com pressa em ser gente grande;
sou qual adulto, crescido,
desejando ser criança.
Sou poeta, amante, amado,
sou mais que eu, simplismente;
sou tantas vidas a um tempo,
dentro e fora de mim,
que me divido em mais eus.
Sou pequenino, sozinho,
mas sou grande,
muito grande,
com alguém
a me esperar...

 

SIMPLICIDADE II

Gosto de natureza,
simplicidade, pureza,
da flor do jacatirão,
de terra, mar e de sol.
Gosto de você.
Sei que já disse isso,
mas eu gosto de você.
De segurar sua mão,
de sussurrar no ouvido,
de misturar nossos eus.
Gosto do sol na pele,
mas gosto mais do calor
da luz dos olhos castanhos
a aquecer minha alma.
Gosto da chuva lá fora
a ninar nossos sonhos
e gosto da noite estrelada
cúmplice do nosso aconchego.
Gosto mesmo é de você.
O que seria de mim,
seu eu não tivesse você?

 

PAIXÃO


Feitomeu coração
a espargir gotas de estrelas
sobre o papel, poesia,
os meus dedos, atrevidos,
percorrem a tua pele,
seguindo um só caminho,
o caminho da paixão...

 

ÁRVORE-FLOR

Meu pé de jacatirão
caiu semente em meu coração;
brotou viçoso e verde,
fincou raízes,
cresceu frondoso
e desabrochou,
floresceu cores.
Pintou de branco,
rosa e vemelho
todo o chão
do meu coração...

 

A JANELA

Teus olhos, mulher, são assim:
meigos, brejeiros, castanhos,
malandros, sinceros, brilhantes,
essas luzinhas acesas
na janela do teu rosto.
E essa luz na janela
na janela do teu rosto,
convite irresistível,
me atrai para dentro,
no aconchego carinhoso
do teu/nosso coração.
E eu me sinto em casa,
com todo amor que há lá dentro.
Só saio pra ver de novo,
na janela do teu rosto,
aquelas luzes castanhas
convidando-me a entrar.



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