TODOS OS POETAS

Antologia Poética

 

    Mariza Miranda


POETANDO


                                                                      
Me debruço frouxa
sob a espuma da margem
onde traço meu risco
e fico horas a escutar
o tagarelar da folhagem.
Quero o ruído da água
a dança do vento
a levantar a tênue saia
de cada uma das palavras,
enquanto meço e asculto
sua louca e rara acrobacia.
Quero sentir a imagem,
assim mesmo de soslaio,
a lamber-me o corpo molhado
arrancando lá do balaio
ruídos fechados, escuros,
que atrapalham seu curso.
Sou rebento neste instante
de mágica trajetória !
Sou parente do vento !
Cúmplice da água !
Busco o sentido perdido
arraigado na ilusão da forma.

 

VOLTAR