O TEMA DO POEMA

Antologia de Poesia Temática

NATAL

 

O NATAL QUE EU QUERO


Luiz Carlos Amorim


 Quero o Natal completo
e por inteiro,
verdadeiro.
 
Quero o Natal pulsando
em mim e em todo ser.
 
Quero o Natal nos olhos,
luz a colorir a vida,
a semear a paz.
 
Quero o Natal nas mãos,
carinho a semear ternura.
 
Quero o Natal nos lábios,
canção a propagar a fé.
 
Quero o Natal no coração,
multiplicando amor,
presente maior que posso ter...

 

 

Escuridão

Vânia Moreira Diniz

Enquanto espero o natal,

Na guarida quente,

De corações que amo,

Surpreendo-me

Com a desesperança,

Com o frio e desabrigo,

Que muitos irmãos,

Sofrem na escuridão.

Luzes fortes ofuscam,

Meus claros olhos.

E quase cambaleando

De tanta luminosidade,

Penso no contraste aterrador,

De crianças a pedir auxílio,

Estendendo a sofrida mão,

Em variadas direções.

O colorido é maravilhoso

No burburinho das lindas lojas,

Oferecendo feitiços de matéria,

Que recebemos em efusão.

Ali bem perto alguém tem fome,

Não há cores, mas crepúsculo,

Não existem mimos, porém miséria,

Que passa despercebida e oculta.

Risos e barulho a todos entretêm,

Novidades que correm e divertem,

Vida que vibra em cada árvore.

Um pouco mais adiante, solidão,

Os rostos sérios e concentrados,

A pele marcada de lágrimas,

As mãos e a alma vazias,

E o olhar perdido na escuridão.

 

 

O RENASCER DO NATAL


Luiz Carlos Amorim


Um menino vai nascer,
 neste Natal.
Trará consigo a paz,
a pureza verdadeira
e o amor, quase esquecido.
Trará ternura nas mãos,
compreensão e carinho
e esperança no olhar.
Nós sabemos o seu nome.
E nós sabemos, também,
da flor do jacatirão,
que aparece todo ano,
lhe anunciando a chegada.
E quase ninguém a vê...
Um menino vai nascer.
E a flor do jacatirão,
arauto humilde e singelo,
lhe festeja o nascimento,
preparando as boas vindas.
Saberemos nós, os homens,
imitar a natureza?


 

VISITA DE NATAL


Virginia Vendramini


É tempo de voltar no tempo,
De rever antigas paisagens
E ainda uma vez abraçar nossos maiores.
É tempo de partidas e de chegadas,
De reencontros breves e despedidas.

É tempo subretudo de deixar que acordem
As velhas lembranças e a saudade aflore,
Fardos que às vezes pesam mais
Do que malas e bagagens,
Mas que não podemos deixar para trás
Esquecidos na confusão do embarque.

É para isto que serve o natal:
Para lembrar e ter saudade,
Para um mergulho no passado,
Quando ainda existiam sonhos,
Para pedir perdão no silêncio de um abraço
E em silêncio ser perdoado
Do imperdoável pecado da ausência.

 

 

 
NATAL


Luiz Carlos Amorim


Eu vou viver o Natal.
Não vou lamentar pacotes,
o dinheiro dos presentes,
nem vou enviar cartões.
 
Vou sentir este Natal,
festejar o aniversário
do arquiteto da vida.
 
Vou dar amor de presente,
vou oferecer sorrisos
e distribuir carinho.
 
Não foi o que ele ensinou?
Hei de aprender uma prece
pra pedir ao grande Irmão
a bênção neste Natal...

 

 

Papai Noel existe!

Francisco Simões

Lá vai ele outra vez
Levando nas costas a alegria,
Doando a todos o seu dia,
Sem renas, sem trenó,
Cumprindo um destino só,
Um D. Quixote natalino
Sem cavalo, sem Sancho Pança,
Sua lança é a esperança,
Seu amor são as crianças
Pois ele sente em cada menino
Quem sabe, um Jesus pequenino
Que não quer ver crucificado.
Seu coração bom também sofre
Como sofrem todos que amam
E todos aqueles que clamam
Por mais justiça e paz.
No peito carrega um cofre
E nele um tesouro: bondade
Que transmite num sorriso de luz,
Que enxuga lágrimas, limpa o pus,
Que adota tanta orfandade,
Que mente p'ra verdade do mundo
Plantando em minutos, em segundos,
O que a vida nem sempre dá: felicidade.
Ele confia no amor,
Ele acredita no céu.
Seu nome? Bem, seu nome é Márcio
Mas o que isso importa
Se quando lhe abrem as portas
Ele é o Papai Noel?


 

 
FESTA


             Luiz Carlos Amorim


O tempo corre, célere,
e a vida aposta corrida com ele.
Feito um relógio,
a vida se refaz.
Vai-se o inverno,
vem a primavera
e, arauto do tempo,
floresce o jacatirão,
o pincel da natureza
pintando a tela do mundo,
anunciando o verão,
anunciando o Natal.
 
Natal, essa época mágica
de desembrulhar esperanças,
dar muito amor de presente,
desempacotar paz e fé
e engavetar a saudade.
 
Feta de aniversário
do Senhor da grande tela
da cor do jacatirão,
enfeite maior do Natal.

 

Noite de Natal

Laura B.Martins


Era uma rena enjaulada
que se feria, atirada
contra as grades da prisão.
Penou tanto, magoada,
pela liberdade sonhada,
que morreu de solidão.

Vagueou pelo Universo,
o seu instinto disperso,
novos cheiros, novos mundos.
Encontrou-se co’a manada,
foi finalmente integrada,
viu-se feliz em segundos.

Essa manada trazia
um condutor, que dizia
ser amigo das crianças.
Vestia-se de vermelho,
as barbas brancas, de velho,
ao ombro, um saco d'esperanças.

Escolhida com outras sete,
o velhinho lhes promete
ser uma noite de truz.
Era noite de Natal,
tinha-se afastado o mal;
no céu, a Estrela reluz.

Foi atrelada ao trenó.
Viu que já não estava só
e era novo o seu destino.
O bom Pai Natal levar...
Prendas, aos meninos dar...
E nascera o Deus-Menino!

Desce ele pela chaminé
devagar, pé ante pé,
e a rena impaciente
ajuda a levar brinquedos,
doces de lamber os dedos:
- Inda falta muita gente!...

Já o dia quer nascer,
estão finalmente a descer
para um sono merecido.
As renas vão descansar,
e o Pai Natal vai deitar;
não foi trabalho perdido.

No mundo todo o infante
acorda e vai, confiante,
espreitar se foi premiado.
A rena pensa e não diz:
- Tens o prémio, estás feliz.
Compensou teres estudado.


 


 
 
NATAL


                (Luiz C. Amorim)


Natal é o renascimento
da esperança e da vida;
é um abraço, um sorriso,
um sentimento maior.
É a ternura
de um menino nascendo,
é uma estrela apontando
a direção do futuro...

 

 

 

FELIZ NATAL!

Sylvia R. Pellegrino

(www.boltimcult.com.br)

 

É Natal...

Novamente é Natal!

Dia de comemorar a vinda do maior,

O homem, irmão mais inteligente.

Aquele que veio puro e assim ficou,

O sonhador que sonhou sonhos!

Falou por todos com humildade.

Desfez injustiças,

A arrogância deixou ao largo,

Fome e miséria reparou.

Um companheiro leal, amigo, amoroso.

Foi complacente com as injúrias

E visionário em seus sonhos...

Sem armas, lutou pela paz,

Compreendeu nossas limitações,

Por ser homem como nós...

Transmitiu coragem, crença e fé.

Permanece em nós e nós nele.

Vive até os nossos dias.

Por isso é Natal...

Hora de comemorar o Amor!

 


 
RENASCIMENTO


                  (Luiz Carlos Amorim


Há um raio de luz
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança   
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.
É a vida ressurgindo,
é o Natal do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus!
 

 

Novo Natal


Fernando Tanajura Menezes

Todos os dias
nasce um Natal em mim

Não o natal
dos shoppings
da coke light
do novo jeans
das french fries
do souvenir

Não o natal
de griffe
de Calvin Klein
de nome Gucci
dos mitsubishis
dos sons da Sony

Todos os dias
nasce um Natal antigo
de humildade
de simplicidade
de paz na terra
de boa vontade

 

 

 
EXPLOSÃO


            Luiz Carlos Amorim


É dezembro,
é verão, é Natal...
Explode com força a cor
da flor do Jacatirão:
pétalas de esperança
colorindo o futuro...
Sinal de vida, ainda,
a luz do nosso caminho
 

 

QUEM ME DERA


(Erna Pidner)


Quem me dera ser criança
Numa noite de Natal;
Cheia de fé, esperança,
Alegria sem igual.
Um sorriso inocente
Aguardando meu presente
Com muita ansiedade,
Ares de felicidade!
Querido Papai Noel
Eu teria um olhar brilhante
Um coração palpitante
Um sorriso terno e doce
Por menor que ele fosse;
Sabendo que seu valor
Seria medido com o amor
Que trarias lá dos céus
Ao romperem-se os véus
De tanta maldade humana
E de tanta mente insana
Voltando a justiça a reinar
e a paz a imperar!

 

PAPAI NOEL


(Rosângela Borges)


Desculpe, Papai Noel.
É que há alguma coisa estranha..
Jamais pensei
chamar-te padastro.
Mas é que há
Um Padastro Noel
Descendo pelos becos
Sem saídas da vida
E colocando
Disfarces e pretensões
No meu estranho
Presente de Natal.
Desculpe, Papai Noel.
Jamais pensei
Chamara-te Padastro,
Mas agora, não ligo;
Não há lugares suspeitos
há estranhos silêncios
Sangrando e colorindo
Meus presentes
E disfarces de Natal!
Desculpe, Papai Noel...

 

O guru Papai-Noel

Vânia Moreira Diniz

www.vaniadiniz.pro.br



Quando se aproxima o natal,
Luzes a clarear tantas ruas,
O colorido a embelezar as cidades,
Encontro em mim uma esperança.

Que papai-noel possa entender,
O quanto é difícil viver cada dia,
Tentando receber tantas dádivas
Quando mãos estão vazias.

Quando se aproxima o natal.
Vozes de crianças a gritar
O brilho em muitos olhos infantis
E as lágrimas para os que têm fome.

Papai-noel, o guru de nossa infância,
Símbolo de sonhos indiscriminados,
Decepção quando sabemos a verdade,
A desilusão de horas fascinantes.

Quando o natal se aproxima,
O homem que em séculos se eternizou,
Está nas lojas em suas roupas vermelhas,
Barbas brancas a sorrir para a criançada.

E aqueles que não são visitados,
Quem nem chegam por certo até ali,
Nos grandes shoppings e lojas,
A não entender o mistério da ausência.

Papai-Noel mito da minha infância feliz
Porque não ofertas pelo menos um carinho,
Nesse vale de misérias e fome
Que pelo mundo se estende?

 

 

PRECE DE NATAL


(Else Santana Brum)


Cristo,
Quero que o teu Natal
Não seja um dia apenas
E que os homens
vejam sempre
A tua estrela brilhando,
Iluminando o seus corações.
Que cada coração
Se faça manjedoura
Para te receber
com humildade,
ternura e devoção.
Que os seus braços, Senhor,
Saibam erguer-se aos céus
cheios de fé,
Uma fé forte, verde,
verdinha e esperançosa
Como os ramos
dos pinheiros
Iluminados com as velas
Coloridas de alegria,
Enfeitados com bolas
de amor.

Que os seus lábios, senhor,
Sejam como os sinos
Exaltando-te em cânticos
Da maior gratidão,
Com a alma festiva,
Bimbalhando em sorrisos,
Por saberem-se amados,
Tão amados
que mereceram o teu Natal!

 

NATAL SEM SINOS


Manuel Bandeira


No pátio a noite é sem silêncio.
E que é a noite sem o silêncio?
A noite é sem silêncio
e no entanto onde os sinos
do meu Natal sem sinos?
Ah meninos sinos
de quando eu menino!
Sinos da Boa Vista
e de Santo Antônio.
Sinos do Poço, do Monteiro
e da igrejinha de Boa Viagem.
Outros sinos
Sinos
Quantos Sinos!
No noturno pátio
Sem silêncio, ó sinos
De quando eu menino,
bimbalhai meninos,
pelos sinos
(sinos que não ouço),
os sinos de Santa Luzia.

 

NAQUELA GRUTA


(Else Sant’Anna Brum)

 

Naquela gruta tão fria
Havia o calor materno
Da doce e meiga Maria.
havia o clarão brilhante
De um astro nunca antes visto
Que só veio iluminar
O nascimento de Cristo.
A criancinha tão loura
Deitada na manjedoura
Teria um nome: Jesus!
Tão inocente a sorrir
Já lhe esperava um porvir
O lenho ingrato da cruz!
Há corações que parecem
Com aquela gruta fria,
Falta o calor de Maria
E da estrela o clarão
Para que nasça o Cristo
Trazendo a salvação!

 

 

O MENINO


Araci Barreto



Um dia nasceu um menino,
bem longe, em grande pobreza
ninguém podia prever o que iria acontecer
com aquele pobre menino.
 
Sabia das leis, ainda pequeno.
Ensinava aos velhos e aos moços, também.
Falou de outros mundos, de outras vidas; do céu.
Falava de coisas estranhas
que a todo o mundo assustava.
 
E pelo mundo se foi
deixando sua mãe a chorar:
Onde andará meu menino?
 
Só fez o bem o menino
que homem já se tornara
e ensinou tanta coisa...
Que em vida a gente prepara
para "viver" bem depois.
 
Mas, essas coisas estranhas,
os milagres que fazia
e a coragem que tinha o rapaz
abalaram o mundo de então.
E os doutores da lei,
os chefes, mestres, sabidos,
dele tiveram notícias.
 
E por medo de perder a fama,
por inveja do saber,
o menino mandaram prender.
 
E mesmo sem culpa provada
e mesmo sem ter porquê,
lavaram as mãos e mataram
aquele pobre menino
que ninguém quis defender.

 

PRECE DE NATAL


                                  Angela Togeiro


Mais um ano, mais uma vez no céu
a estrela de Belém está presente,
para anunciar o Natal.

Menino Jesus, minha prece
é canto de louvor
que fiz para Ti saudar.
Canto, também, por alguém
que quer Te agradecer
por uma benção, uma luz
que de Ti já recebeu.
Canto, também, por um outro alguém
que quer Te implorar
por uma cura, uma ajuda,
ou um alguém para amar.
Canto pedindo para o mundo
fim da guerra, fim da fome,
fim da doença, fim da violência,
fim do ódio entre credos,
entre povos, entre irmãos.

Menino Jesus, toda vez que é Natal,
vejo o mundo sorrindo,
entregando-se a Ti,
para então, ser feliz,
recebendo o Teu amor
vivendo na Tua paz.
Minha prece,
pedindo, agradecendo ou Te louvando,
é a expressão do meu amor,
que canto nos meus versos,
para Te saudar no Teu Natal.

Meu doce Menino Jesus:
Bem-vindo às nossas almas.
Feliz Natal! Feliz Ano-novo!

 

 


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