O TEMA DO POEMA

Antologia de Poesia Temática

PAIS

 

 
CANÇÃO DE AMOR


Luiz Carlos Amorim


 
Vem, pai,
senta-te à soleira
do meu coração
e me conta
uma história de vida.

Encosta a tua cabeça
num pedacinho da minha alma
e me canta
uma canção de ninar.

Depois, diga-me, por favor,
um poema de amor,
um daqueles
que quase ninguém disse,
e só você pode me dizer...


 

 
PRECISAMOS DE TI


(Silvio de Oliveira Dias)


 
Precisamos de ti:
Queremos a tua mão para nos apoiar.
Pela tua mão queremos nos guiar!
Não buscamos sensações
Para nos fascinar.
Queremos o teu sorriso
Para nos consolar.
 
Não buscamos emoções
Pra anos fazer chorar.
Queremos teus dois braços
Pra nos abraçar.
 
Não buscamos outros caminhos
Para caminhar.
Queremos o teu carinho
Para sempre nos embalar.
Nos braços da verdade,
No céu, na terra e o mar!
 


 
PARA SER PAI


(Célia Biscaia Veiga)


Gerar é fácil, qualquer macho faz.
E para ser macho,
Não precisa ser humano.
É macho o gato, o cachorro, o leopardo.
É macho o jacaré, o touro, o veado.
E todos geram os seus descendentes.
Porém, ser pai é muito mais que isso:
Para ser pai, não basta ser um macho.
É necessário ternura, compreensão;
É preciso dosar energia e doçura,
Correção e carinho, orientação e afeto.
Para ser PAI é preciso
Ser verdadeiramente Homem!


 
 

PAI...


 (Aracely Braz)


Brotei de ti,
Porque me deste o ser.
Copiei de ti
Humildade, crença, viver!
Refletes em mim
A pureza e amor
Que em teu caminho ficou.
Pai!
Quisera eu vencer
O firmamento
E num momento
Transpor do espaço
A imensidade
Da minha saudade...
Te agradeço
Dos vendavais o brilho!
Ajuda-me a pontilhar
O mesmo trilho
Que um dia pontilhaste, pai!



 
  AS MÃOS DE MEU PAI


(Mário Quintana)


As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
Sobre um fundo de manchas já da cor da terra
- Como são belas as tuas mãos
Pelo quanto lidaram, acariciaram
Ou fremiram da nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
Essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
Nos braços da tua cadeira predileta,
Uma luz parece vir de dentro delas...
Vira dessa chama que pouco a pouco, longamente,
Viste alimentando na terrível solidão do mundo.
Como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los
Conta o vento.
Ah, como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida que transfigura as tuas mãos nodosas...
Essa chama de vida – que transcende a própria vida ... e que os anjos, um dia, chamarão de alma...
 

 

PAI IMORTAL

Sonia Sales

Escondida entre hortênsias e miosótis
observava o homem do espaço
cavaleiro andante
possuidor do Santo Graal
guerreiro flamejante, senhor do mundo.
Na segurança do seu olhar de criança
de amor coberto em espumas e risos.

Pai - ser eterno no coração aflito
de saudades a mancha perdida
lembranças de afeto, rochedo no mar.

Sonho, das mais antigas memórias
da bicicleta azul-marinho
da natação, do caminho do altar.

Entre papeis e livros - pai.

Peito arfante, coração dorido,
ouvindo o silêncio, o não dito
algo inacabado, sufocado
na despedida final - pai.

 

Meu Pai


Vânia Moreira Diniz

Do meu pai eu não recordo

trago como se estivesse comigo,

e sempre que de manhã acordo

lá está aquele constante amigo.


Os mesmos olhos azuis intensos,

o olhar profundo e luminoso,

muito expressivo, terno e imenso,

que entra dentro da alma misterioso.


Fico pensando no tempo decorrido,

seus ensinamentos impressionantes,

e o devaneio torna-se concorrido,

nessa fantasia de fatos fascinantes.


Minha memória circunda e para

nas conversas tão vivas e atraentes,

que faziam na infância o momento raro,

de entremeio e parcerias diferentes.


Mas vem acompanhado de horas magoadas,

em que as conversas me suscitavam horror,

nas noites escuras, chuvosas e ansiadas,

que tudo parecia conduzir ao pavor.


Isso ficou na idade infantil do exagero,

que produz fantasias mascaradas em ardor,

detalhando com tão superlativo esmero

e esquecendo de incluir a nobreza do amor.


Amigo dos momentos inesquecíveis de dor,

que era capaz de perdoar com singularidade,

fixando-nos com os olhos de tão sugestiva cor,

e sorrindo com expressão de imensa raridade.


Hoje meu companheiro literal é a saudade,

que vem e se aloja com tal familiaridade,

que parece até que ainda estou na cidade,

que nos admirou juntos e com fidelidade.


Olhos Azuis que eu amo e não esqueço,

nas minhas pupilas presentes em reflexos,

a iluminar minha vida e na verdade peço

que perdure os ternos sonhos complexos.

 

 

MEU PAI

Araci Barreto

Existe uma flor na flor do meu jardim
que pura e bela
perfuma a primavera que existe em mim.
Flor mensageira,
sensual e passageira,
que ficará pra sempre em meu viver.
Sua lembrança,
amiga e prisioneira,
alegrará o meu amanhecer.
O seu perfume
perfuma a minha vida e enfeitará,
depois que ela for finda.
Ah! Foi curta a vida da flor que foi tão querida!

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