TODOS OS POETAS

Antologia Poética

 

Pedro Franco

 

PERMANENTE



A morte ronda, sempre ronda,
Ronda com seus mistérios incompreendidos,
Incompreensíveis, inconfessados,
Mas espreita.
E nem percebemos,
Ou fingimos que não percebemos.
Agarramo-nos em religião, em filosofia.
Em ardis e doutores. Mezinhas e remédios,
Crenças e sortilégios.
Fazemos da fragilidade, escudo, fortaleza,
Para tentar escapar, ou protelar.
Alguns julgam-se mais, que outros:
Vultos, santos, heróis;
Outros ficam pobres coitados, sempre.
Ela democraticamente ceifa. Vencedores
E vencidos, ganhadores e perdedores.
Tem lá seus cupinchas, os corruptos,
De toda a espécie, em todos os campos.
Mas sem lhes dar privilégios: morrem também.

Ela não respeita
Amor,
Esperança,
Desespero,
Ou mérito.
De repente foiça.
E tudo acaba.
Ou não acaba?
E acaba,
Ou não acaba?


VOLTAR