SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista Trimestral do Grupo Literário A ILHA

Número 78 - Setembro/2001 - Ano 21

EDITORIAL

O ADEUS AO AMADO JORGE AMADO

Saudades... Muita saudades! Ao mesmo tempo que comemorávamos o descobrimento de poemas e outros textos inéditos da saudosa Cora Coralina, perdemos o escritor que mais divulgou a Bahia e o Brasil por este mundo afora: Jorge Amado. Às vésperas de completar 89 anos, ele mudou-se para o andar de cima e foi fazer companhia para Cora Coralina, Vinícius, Drummond, Quintana... Os preparativos para a festa de comemoração de seu aniversário foram abandonados para chorarmos a sua ausência. Mas ele ele está imortalizado em cada personagem, em cada obra, em cada linha que escreveu.
O Suplemento Literário A ILHA presta a sua homenagem ao grande escritor do Brasil, Jorge Amado e lhe dedica esta edição, humilde como todas as outras, mas firme no objetivo de manter o espaço para os novos escritores há mais de vinte e um anos.
O céu, com certeza, está mais alegre com a chegada de Jorge Amado.

 

CHUVA

Luiz Carlos Amorim

Chove.
E a infância,
saudadezinha contida,
teima em querer voltar.
Aqueles dias se foram,
aqueles dias felizes
e a criança também...
Já não corro mais na chuva,
nem solto na corredeira
meus barquinhos de papel.
Tão distante, aquele tempo...
Quem sabe, amanhã, talvez,
eu saia de pés descalços,
e o peito nu, a cantarolar
saudade da minha infância...

 

JORGE, AMADO E IMORTAL

Jorge Amado, o escritor mais amado do Brasil, cansado de guerra, deixou o Brasil mais órfão. Ele se foi, no dia 6 de agosto, pouco antes de completar 89 anos, quando a Bahia e o país preparavam a sua festa de aniversário, em 10 de agosto.
Sua obra – mais de trinta livros, o transformou no escritor que mais vendeu livros neste país: foram mais de vinte milhões de exemplares só no Brasil, contados apenas a partir de 1977. Foi traduzido em quarenta e oito idiomas e publicado em cinqüenta e dois países.
Muitos de seus livros foram adaptados para a televisão e o cinema. Tieta do agreste, Gabriela, Cravo e Canela, Mar Morto e A Descoberta da América pelos Turcos (Porto dos Milagres) Dona Flor e Seus Dois Maridos, Teresa Batista Cansada de Guerra, Tocaia Grande, Tenda dos Milagres, Capitães de Areia, Terras do Sem Fim, Seara Vermelha foram alguns deles.
Jorge Amado nasceu em Itabuna, na Bahia, em 1912. Passou sua infância em Ilhéus, foi para o Rio em 1930 e lá fez Direito. Foi deputado estadual em São Paulo, em 1945. Publicou seu primeiro romance, “O País do Carnaval”, em 1931, aos dezenove anos. Nascia então o escritor que soube como ninguém retratar a alma da gente da Bahia e do Nordeste.
Foram trinta e três livros e um deles ficou inacabado. O Brasil, com certeza, não terá outro escritor como Jorge, esse fantástico contador de histórias, construtor de cenários e personagens. Ele figurará, para sempre, popular e imortal nas letras desse nosso Brasil e do mundo.
Seu testamento? Segundo suas próprias palavras, “Aqui neste recanto de jardim quero repousar em paz quando chegar a hora”. O recanto de jardim fica ao pé da mangueira do quintal da casa do escritor, no bairro do Rio Vermelho, no litoral de Salvador, lugar onde gostava de ficar com a também escritora Zélia Gattai, a companheira de tantos anos, seu grande amor. E foi exatamente neste lugar que foi enterrada a urna com suas cinzas. No tronco da mangueira foi fixado um epitáfio com a frase do escritor citada acima, extraída do livro “Navegação de Cabotagem”, seu testamento.

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VERGONHA EM PRETO E BRANCO

Luiz Alberto Cavalcante Fº

Quando te vejo numa foto
Tendo os braços nus e o porte atlético,
Levando por entre as mãos guerreiras uma flecha,
Uma vergonha rasga meu recôndito,
Corta-me o peito.

Minha alma de europeu
Se cobre de vergonha,
Vergonha de ser branco!

Onde dormes agora, Índio,
Com teu corpo marcado
Pelas negras digitais da ambição?

Em que sepulcro silencia tua voz
Que outrora declarou guerra pelas matas?

Triste de ti que hoje
És apenas uma foto!
Não és bravo, não és forte,
Nem és filho da morte,
És apenas uma foto...

Triste de mim que levo nos ombros e na alma
O peso da mentira retratada em sujas letras
Exaradas nos livros da História!

Triste de mim, sim,
Pois quando te olho nesta foto, Índio,
Tenho vergonha,
Vergonha de ser branco!

 

ENCONTROS LITERÁRIOS


Aconteceu, em Jaraguá do Sul, em agosto, o 1º Encontro de Associações de Escritores, promovido pela Associação de Poetas Indenpendentes daquela cidade, com o apoio da Fundação Cat. de Cultura e da Fundação Cultural Jaraguaense. Escritores e jornalistas de Blumenau, Chapecó, Corupá, Curitiba, Florianópolis, São José, Gaspar, Joinville, São Bento e outras cidades participaram dos debates de temas como Direito Autoral e a proposta de criação da Federação Catarinense de Associações de Escritores.
A sede do próximo encontro será São Bento do Sul, no próximo ano. Aliás, São Bento também é a sede do 6º Encontro Catarinense de Escritores promovido pela União Brasileira de Escritores-SC, no dia 8 de novembro, quando começa, também, a 2ª Feira do Livro do Planalto Catarinense.

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ENTRE NA FARRA


Rosângela Borges


Me dê teu alerta
Me faça princesa
Me chame pra festa
Esqueça o perigo
Me mande um recado
Enfrente o abismo
Repita o começo:
Calor, doce desejo...
Me mostre o pecado
Me faça bebida
Mate tua sede
Tente a recaída
Me beije a boca
Me chame de louca:
Atração, libido, farsa...
Entre na farra
Durma em meus braços
Destrua os pedaços
Segure minha barra
Fale depois
Lembre de tudo
E esqueça nós dois...

 

CONTOS E NOVELA ATHANAZIANOS


Saíram, pela Editora Minarete, de Blumenau, dois novos livros do escritor Enéas Athanázio, talvez o maior representante das letras catarinenses por este Brasil afora. Trata-se de "O Cavalo Inveja e a Mula Manca", coletânea de contos, gênero no qual o autor é mestre. São histórias curtas, curiosas e gostosas, contadas com uma desenvoltura e uma simplicidade como se agente estivesse conversando e ouvindo Dr. Enéas contá-las pra gente.O estilo dinâmico, a temática centrada na vida de gente como a gente, de gente da terra da gente, confere à obra deste contista de mão cheia o sabor de autenticidade, de verossimilhança, até de cumplicidade do leitor. O outro livro, "A Liberdade Fica Longe", uma novela onde se percebe as mesmas qualidades do contista, mais a capacidade de manutenção da excelente narracão, o autor engendra uma pequena grande história que poderia ser verdadeira hoje, ontem ou amanhã. Com competência e graça em todos os sentidos, ele usa um vocabulário simples e rico ao mesmo tempo, integrando com maestria termos regionais interessantíssimos, que quase não ouvimos em centros urbanos. A leitura da obra de Enéas Athanázio é cada vez mais prazerosa e podemos recomendá-la com a maior segurança.

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EXCELÊNCIA

Francisco Simões

Fizeram-me promessas e eu ouvi,
Pediram-me calma e atendi,
Rogaram-me confiança e eu cri,
Cobraram-me paciência e esperei.
Ouvi, atendi, cri, esperei
E depois o que vi? O que presenciei?
As esperanças continuam mutiladas,
Cada ano novo tão velho e reprisado,
Quando falseiam anseios replantados,
Quando a ilusão como milagre é anunciada,
Pelo mentir repetitivo e consagrado,
Pelo deboche de sorrisos masturbados,
Na prepotência infiel e imunisada
De mãos que assinam e rasgam compromissos,
De olhos com antolhos que enxergam só por cima
Dos ombros, dos problemas, da penúria, da fome
De bocas sem nome, da dor que se aclima.
E ainda me exigem “tolerância , por favor”,
Enquanto a ganância e o desamor
Limpam suas botas em meu jardim, na sua flor,
Nos limites do mundo e da decência
Onde a inclemência insiste em se impor
Sem pudor, sem pejo, sem indulgência.
Excelência, a vida clama por amor.

 

ENCONTRADOS TEXTOS INÉDITOS DE CORA CORALINA

Deu nos jornais, no início deste semestre: foram encontrados cerca de quarenta poemas inéditos de Cora Coralina. E eles vão ser lançados em livro até o final do ano. É uma pena não ter havido tempo para lançar o novo livro em agosto, mês do aniversário da poetisa, que nasceu em 20 de agosto do ano de 1889. Faz  mais de quinze anos que perdemos Cora Coralina, essa grande mulher brasileira que nos deixou um legado tão rico: a sua poesia. Ela teve uma trajetória literária peculiar. Embora escrevesse desde muito jovem, tinha 67 anos quando seu primeiro livro foi publicado e quase 90 quando sua obra chegou às mãos de Carlos Drummond de Andrade - responsável por sua apresentação ao mundo literário nacional. Desde então, sua obra vem conquistando o público, e seus livros têm sucessivas edições.
Cora Coralina, com seu estilo pessoal e característico que a consagrou, foi poeta e uma grande contadora de histórias de coisas de sua terra. Sua obra é considerada por vários autores um registro histórico-social deste século.
Os escritos inéditos foram encontrados por familiares da mais famosa poeta goiana, durante o trabalho de reconstituição de seu acervo, iniciado há dois anos. Característica da obra de Cora, os poemas exaltam a cidade de Goiás, onde a poeta nasceu. Parte da história da cidade é contada nos poemas e contos da poeta. Através da palavra, ela faz um painel da cidade em que nasceu e morreu, biografando o povo do lugar e revendo o passado. Uma obra com forte influência modernista e engajamento social. A poeta Ana Lins dos Guimarães P. Bretas recorre ao artifício de criar Cora Coralina, a velha senhora que faz doces e versos, e Aninha, a menina que encarna as experiências de sua infância, unindo as duas pontas da vida. Cora antecipou seu tempo, rompendo com uma sociedade preconceituosa da época, quanto ao papel social da mulher.
O material encontrado pela família será transformado em livro e a sua edição já está sendo organizada, devendo sair pela Global, editora que publicou quase todos os títulos de Cora.
Além dos poemas, foram encontrados cadernos com contos, cartas e uma pasta com manuscritos que não puderam ser aproveitados. Todos os outros manuscritos estão sendo revistos e copiados para evitar que se percam. Há cartas que não foram enviadas, textos comentando artigos de jornais e outros de forte cunho social.
A Associação Casa de Cora Coralina, na cidade de Goiás, também está contribuindo para manter o acervo da poeta intacto. Todo o material existente será escaneado e microfilmado para a confecção de um CD Rom.
Autodidata, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas iniciou a carreira literária aos quatorze anos, contrariando os costumes do começo do século XX. Em 1910, publicou seu primeiro conto, “Tragédia na Roça”, no Anuário Histórico, Geográfico e Descritivo do Estado de Goiás. Na época, já usava o pseudônimo de Cora Coralina.
Depois de se casar com o advogado Contídio T. de Figueiredo Bretas, com quem teve quatro filhos, mudou-se para São Paulo, onde viveu 45 anos.
Somente onze anos após retornar à cidade natal, já viúva, é que Cora voltou a se decicar à literatura. Quando o livro “Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais” foi publicado, em 65, ela tinha 67 anos.
Depois, vieram “Meu Livro de Cordel” (76), “Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha” (83), “Estórias da Casa Velha da Ponte” (85) e “O Tesouro da Casa Velha da Ponte” (89). Postumamente, foram lançados os infantis “Os Meninos Verdes” (86) e “A Moeda de Ouro que um Pato Comeu” (97). Todos os títulos serão relançados pela Global Editora.

Um dos poemas inéditos:

ASSIM EU VEJO A VIDA

Cora Coralina


A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
Dos valores que vão desmoranando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições, lutas e perdas
Como lições de vida
E delas me sirvo.
Aprendi a viver.

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LIVRO E INTERNET

Por Luiz Carlos Amorim

Ouvi, há alguns dias, num telejornal, uma notícia que me deixou feliz, mas ao mesmo tempo descrente: a venda de livros infanto-juvenis, no Brasil, subiu 50% (cinqüenta por cento!) neste ano de 2001. Só que este índice fabuloso, segundo a notícia, era creditado à Internet. E foi este crédito que tornou discutível a informação. Está certo que a Internet facilita a divulgação de quase tudo o que é publicado, tanto no suporte tradicional, o livro impresso, como em outras mídias, proporcionando maiores opções de escolha. Mas daí a dizer que foi ela quem provocou um aumento tão significativo nas vendas, vai um tanto de exagero.
A Internet é um recurso tecnológico valioso na pesquisa de qualquer assunto e uma ferramenta insubstituível nos dias atuais. Mas é sabido, também, que os adolescentes que tem acesso, não vão à rede procurar novos títulos para ler, com raras exceções. Eles participam de bate-papos em salas de chat, icq e outros programas de comunicação, participam de jogos on-line, capturam e trocam músicas, navegam ao sabor dos sites. O que é natural, diga-se de passagem, mas isso ocupa um tempo que poderia ser usado para ler, por exemplo. É, portanto, inverídico, creditar à Internet o crescimento do índice de leitura em crianças e adolescentes.
Acredito que o índice de cinqüenta por cento no incremento da venda de livros infanto-juvenis pode ser correto, pois como já escrevemos em outra oportunidade, o que vimos na última Bienal do Livro ajuda a corroborar isto: famílias inteiras foram à feira, pagando ingresso para poder comprar livros e saíam de lá sempre com algum título nas mãos. E quando digo famílias inteiras, quero dizer pais com os filhos – crianças, jovens, adolescentes.
Interessante que, poucos dias depois de ouvir essa notícia, leio numa dessas revistas semanais de informação, uma matéria de capa a respeito de pesquisa sobre leitura, que veio de encontro àquilo que havíamos concluído, quando voltamos da Bienal: o brasileiro gosta de ler. Ele pode até não ter dinheiro para comprar livros, mas gosta de ler.
De acordo com a pesquisa, 78% de cinco mil, quinhentos e três pessoas consultadas em quarenta cidades brasileiras, gostam de ler livros – e há que se considerar que esta é uma esmagadora maioria daqueles que responderam ao que foi perguntado. Destes, 62% leram ou consultaram livros em 2000 e 30 % leram livros nos três meses que antecederam a pesquisa, que começou no final do ano passado e foi até janeiro deste ano.
Outra descoberta interessante é quanto aos gêneros preferidos por esse índice de 78 % das pessoas entrevistadas, que tinham idade a partir de quatorze anos. Vinte e nove por cento prefere a literatura classificada como adulta pela pesquisa, onde se inclui ficção, história da literatura, ensaios, poesia.
A literatura infanto-juvenil quase não aparece, nesta pesquisa, pois os entrevistados tinham a partir de quatorze anos: apenas quatro por cento. Mas se as vendas dos livros infanto-juvenis cresceram cinqüenta por cento – e sabemos que este gênero é um dos que mais vende, nos últimos tempos – em se baixando o limite de idade para sete anos na referida pesquisa, o índice seria muito maior.

 

MASCARADOS

Cora Coralina

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranquilo
Sem pensar na colheira
porque muito tinha colhido
do que os outros semearam.
Seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

(Outro dos poemas inéditos de Cora)

 

FEIRA DO LIVRO DE SC E BIENAL DO LIVRO DO CONE SUL

De 13 a 23 de setembro, a Câmara Catarinense do Livro promove a 16ª Feira do Livro de Florianópolis e a 2º Bienal do Livro do Cone Sul, no Beiramar Shopping da Ilha de Santa Catarina. O Grupo Literário A ILHA estará participando com uma edição especial do Projeto Poesia no Shopping, qual seja: um Varal da Poesia com poemas de Cruz e Sousa. Junto do Varal, estaremos distribuindo aos visitantes a edição especial do Suplemento Literário A ILHA - CRUZ E SOUSA - MAIS DE CEM ANOS DE POESIA, além da Sanfona Poética “A Poesia de Cruz e Souza”, com nove poemas do maior poeta catarinense. Na feira serão lançadas, também, a terceira edição do livro de poemas MEU PÉ DE JACATIRÃO, de Luiz C. Amorim e a antologia A NOVA POESIA DO NORTE CATARINENSE.

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COSTUMES

Eloí E. Bocheco

Alecrim-de-beira-d'água
não se planta em fevereiro
Se planta no aniversário
da vó da menina rendeira.
Manjerona-de-jardim
não se colhe pra tempero
Se colhe no pôr-do-sol
pra encher o travesseiro.

Malva-rosa com perfume
não se joga na bacia
Se joga na direção
de qualquer estrela guia.

(do livro Ô de Casa)

 

PROJETO POESIA: CRIANCA E FLORES

O Projeto Poesia no Shopping estará presente nos shoppings de Santa Catarina em setembro, com uma edição especial com o tema Independência, além, é claro da participação na Feira do Livro. Em agosto, será a vez da edição especial em homenagem ao Dia da Criança, com poemas dedicados a ela de autoria de todos os integrantes do grupo A ILHA e de poetas consagrados.
Em novembro, quando acontece a Festa das Flores em Joinville, o Projeto Poesia no Shopping leva aos shoppings da Cidade das Flores um Varal da Poesia todo em homenagem à cidade que estará presente também na festa.

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MEDITANDO


Aracely Braz


As flores
A sombra
A música
O sol
A natureza


A noite
A lua
A viola
O vento
Uma canção


A infância
O idoso
O sorriso
A volta
A saudade


A distância
Um lamento
O amor
Lembranças
Sem volta


O mar
O infinito
A areia
O céu
Um carinho
Você...

 

 

A DIFUSÃO DA POESIA

Por Luiz Carlos Amorim

A poesia, até algum tempo atrás, era tida como gênero literário apreciado apenas por intelectuais e/ou adolescentes e merecia muito pouca atenção de livreiros, editores e leitores, se comparada a outros gêneros, como o romance, por exemplo. Dos anos 70 para cá, a poesia tomou conta das praças – através dos varais literários e recitais, dos jornais (embora conseguindo aí apenas pequenos espaços), das revistas e livros, citando-se apenas os meios tradicionais de publicação. Sim, porque a poesia saiu do seu suporte tradicional e passou a ocupar camisetas, quadros, shopping centers, bares, lojas, bancos, palcos, o rádio, a televisão, o disco, embalagens de produtos, out-doors (o pioneiro Projeto Poesia na Rua do Grupo Literário A ILHA) e a internet, que veio para democratizar as oportunidades de levar até o leitor, em qualquer lugar, a produção dos poetas novos ou não. Um fator decisivo para que a poesia passasse a ser conhecida e apreciada foi o aparecimento dos varais literários, notadamente no norte de Santa Catarina, no início dos anos 80, que a tornaria acessível e popular, enquanto a internet não chegava até nós. De um primeiro contato com a poesia, através dos varais de poemas, dos recitais de poesia e dos folhetos alternativos, que publicaram, sempre, a produção dos novos poetas, é que os novos leitores poderiam saber se a apreciavam. E muitas das pessoas que esbarravam com a poesia, em qualquer lugar, a qualquer hora, descobriam que gostavam dela. E passaram a comprar livros, não só de autores locais, mas também de poetas consagrados nacionalmente. Aos Varais de Poesia – hoje transformados em projetos como Poesia no Shopping, vieram juntar-se os recitais em praça pública, em bares, escolas, festas, etc., os programas de rádio, e até a televisão aderiu, com programas literários como “Literatura”, “Musikaos” e outros. O resultado disso tudo é que o público está se aproximando mais da poesia, porque esbarra com ela na praça, na esquina, nas festas populares, nos shoppings, nos out-doors – impossíveis de não se ver – e até dentro da sua própria casa, quando liga o rádio, a televisão ou acessa a rede. A própria escola está colaborando neste processo de popularização da poesia, incentivando a produção dos seus alunos, promovendo mostras e organizando publicações internas e convidando autores para possibilitar o contato direto autor/leitor, a troca de experiência e a divulgação do que está sendo produzido. Tempos promissores que prometem resgatar os escritos dos nossos escritores que não têm grandes editoras para publicá-los.

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MERGULHO

Else Sant'Anna Brum

Mergulhei na quietude do campo...
Enchi meus olhos do verde
de tantos matizes.
Ouvi os pássaros cantando,
cada qual com seu trinado
afinado,
formando um lindo coral.
A água do rio
pulava nas pedras
marulhando canções suaves.
No céu de azul brilhante
nuvens brancas passeavam
descuidadas.
Deitei na grama
e fechei os olhos.
O sono veio,
não deixei ficar.
Pois quem pode dormir
neste lugar?

 

BALA, PERDIDA?


Este o título do novo livro lançado pela Editora Hemisfério Sul, de Blumenau. Trata-se de um romance de Mauro Cesar Gruginski Carmargo, um romance policial com todos os ingredientes que o título sugere, mas com uma trama bem urdida, com uma narracão dinâmica e agradável. É um livro alentado, com 267 páginas, que dá gosto ler. Segundo o próprio autor, o objetivo da obra, seu grande desafio, foi "buscar, nos desvãos da violência, o conteúdo humano imortal que todos temos, que pode ser trucidado pela dor, pela revolta, pela decepção, mas que continua ardendo como chama divina em todos nós".

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EXPEDIENTE


SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA Nº 78- Setembro/2001 - Ano 21
Editor: Luiz C. Amorim
Endereço para contato:
E-mail: lc.amorim@ig.com.br


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