SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Setembro/2002

 

 

EDITORIAL

 


RECONHECIMENTO

Pra início de conversa, descobrimos que o jornal cultural O Papa-Siri continua ativo, existindo há quase tanto tempo quanto o nosso Suplemento Literário A ILHA. Numa de suas últimas edições, aquele jornal publicou texto inédito, no Brasil, de Fernando Pessoa. E nós, aqui d'A ILHA, estamos publicando matéria sobre o maior poeta lírico brasileiro, Luís Delfino, que é catarinense e teve sua obra publicada em dois volumes pela Academia Catarinense de Letras.
E, pra completar, o Grupo Literário A ILHA recebeu o título de Propagadores da Palavra, do Grupo Palavreiros, em homenagem pelo destaque na divulgação da poesia e da literatura, através do portal Prosa, Poesia & Cia. Agradecemos pelo reconhecimento.

 

DELFINO, EXPOENTE DA LITERATURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim

Quem foi Luiz Delfino? Não, ele não foi, como muitos pensam, apenas um político que virou nome de rua. Ele foi e é, isto sim, o segundo maior poeta catarinense. Ele até foi senador, por Santa Catarina, foi também médico, mas foi na literatura que se perpetuou, ficando atrás apenas de Cruz e Sousa.
Infelizmente, se fizemos uma enquete nas ruas de Florianópolis, sua cidade natal, pouquíssimos saberão dizer quem foi ele.
Delfino nasceu em 1834, na ainda Desterro. Morou na ilha até os 16 anos. Mudou-se, então, para o Rio de Janeiro, onde se formou em Medicina. Foi um dos mais importantes médicos da época. Casou-se com Maria Carolina Puga Garcia, com quem viveu até sua morte, em 1910.
Não publicou nenhum livro em vida, o que fez com que sua obra quase se perdesse no tempo. Sua poesia, de rima e métrica perfeitas, era publicada freqüentemente na maioria dos jornais e revistas da sua época, o que o fez conhecido e amado como poeta. Chegou a ser eleito, pelos próprios colegas escritores, em 1898, o "Príncipe dos Poetas Brasileiros". Foi chamado, também, de Victor Hugo brasileiro.
Sua obra é imensa - escreveu mais de cinco mil poemas - e foi publicada em 14 livros, por seu filho, Tomás Delfino, entre 1926 e 1943. A obra publicada, no entanto, soma apenas um mil e quatrocentos poemas. É que em 1968, foi leiloado tudo o que estava dentro de uma casa que pertenceu ao poeta, no Rio de Janeiro, casa esta que guardava boa parte dos seus originais. Quem comprou foi um americano, David T. Hoberly, que estuda literatura brasileira. A poesia inédita do poeta saiu do país e provavelmente nunca mais a veremos.

Sua poesia vai do romantismo ao parnasianismo, passando pelo simbolismo.
A perfeição na rima em métrica dá cadência e musicalidade à obra de Luiz Delfino.
O amor e a mulher eram seus temas preferidos. "Foi ele um verdadeiro obsessionado pelo mito da beleza, da sensualidade, da idealizada companhia feminina, cantando o amor com toda a sua força e com todas as suas formas de atração...", analisa Lauro Junkes.
E é justamente Lauro Junkes, que estuda a obra e a vida de Luiz Delfino há mais de vinte anos, que organiza e p
ublica dois volumes - "Poesia Completa - Sonetos" e "Poesia Completa - Poemas Longos", totalizando mais de mil e trezentas páginas, reunindo toda a poesia conhecida do poeta, resgatada dos livros que o filho de Delfino editou.
Os livros foram publicados através da Academia Catarinense de Letras, resgatando um legado riquíssimo deixado por este grande catarinense, marco das letras catarinenses.
Os dois livros foram distribuídos a todas as bibliotecas municipais e estaduais e escolas de segundo grau de Santa Catarina, para que o poeta tenha sua obra conhecida pelos leitores em formação e pelo público em geral e o seu valor reconhecido. Foram l.500 exemplares, segundo o organizador Lauro Junkes.

 

 

O AMOR

Luís Delfino

O amor!... Um sonho, um nome, uma quimera,
Uma sombra, um perfume, uma cintila,
Que pendura universos na pupila,
E eterniza numa alma a primavera;

Que faz o ninho e dá meiguice à fera,
E humaniza o rochedo, e o bronze, e a argila,
Sem o afago do qual Deus se aniquila
Dentro da própria luminosa esfera.

A música dos sóis, o ardor do verme,
O beijo louco da semente inerme,
Vulcão, que o vento arrasta em tênue pós:

Curvas suaves, deslumbrantes seios
De vida e formas variegadas cheios.
É o amor em nós, e o amor fora de nós.

 

A VALORIZAÇÃO DA LITERATURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim

A lei que regula a compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais em todo o Estado, não vem sendo cumprida desde a sua homologação, em 27 de julho de 1992. Apesar de cobrado sobre o descaso à lei desde que ela foi instituída, o governo apenas vai empurrando a solução para mais tarde, evidenciando a falta de vontade de cumprir o que ele mesmo estipulou.
A União Brasileira de Escritores, enquanto presidida pelo escritor Enéas Athanázio, questionou formalmente o Estado, mas a desculpa, a mesma de sempre, foi de que não havia verba para tal investimento. E a promessa de que no próximo orçamento a lei seria lembrada ficou no ar. Este ano os governantes mudarão e teremos que voltar a cobrar.
Não é de hoje que a classe tenta apoio oficial à literatura catarinense. Várias cartas foram tiradas em congressos e encontros de escritores, que se sucederam ano após ano, enumerando reinvindicações que não foram atendidas e pouco ou nada mudou.
Sempre em defesa do princípio da liberdade de expressão, sem qualquer forma de restrição, para que não haja atrelamento, para que não se cobre "literatura" de encomenda, em troca de algum benefício, pediu-se e pede-se a valorização da obra literária; o estudo da literatura local no primeiro e segundo graus, paralelo ao estudo da literatura brasileira, estimulando a integração autor/escola e escritor/leitor, com a presença dos produtores literários nas salas de aula para o debate e divulgação de suas obras; a ação da Comissão Catarinense do Livro, no sentido de viabilizar a lei 8759, comprando, publicando e distribuindo a obra de autores catarinenses.
E quando se diz autores catarinenses, não se quer dizer este ou aquele figurão, político ou intelectualóide de plantão, integrante da "panelinha" de sempre, que têm seus livros publicados apenas para engordar currículos - livros quase sempre sem nenhum valor literário, que acabam encalhados em porões de repartições públicas.
Falamos daqueles escritores que estão atuando, produzindo, publicando seus livros às vezes às próprias custas, promovendo e agitando a cultura e as letras, projetando o estado por todo o Brasil, ao colaborar com jornais, revistas e sites por todo o país e até no exterior.


CRIANÇA

Aracely Braz

Se vejo você na chuva
Chutando, feliz, as poças,
Participo desse samba
Pois criança também sou.

Na ramada você é pássaro,
Me ensurdece o seu trinar.
Desperta-me para a vida
Meu chamado original.

Se a livre borboleta
Beija as flores sem cessar,
É você, criança amada,
A colorir meu viver.

Parabéns, pequeno amigo,
Dos anjos é oriundo.
Torna a existência mais leve,
Transforma todo esse nosso mundo.

 


JORNAL CULTURAL O PAPA-SIRI

 

Boa notícia para a cultura catarinense. O jornal da Fundação Cultural de Itajaí continua firme e forte. Fazia um bom tempo que não recebíamos nenhum exemplar, pensamos até que o mesmo não existia mais, mas em comunicação com pessoas ligadas à cultura daquela cidade, acabamos por renovar o contato com a publicação, uma das melhores do Estado. Vale a pena conferir. Quem não conhece, precisa conhecer. Endereço para contato: opapasiri@melin.com.br.

 


NOITE FRIA

Regina Lyra


A noite chegou clara
Bonita, estrelada.
A vida parou escura
Triste, faminta
Ele procurou o que comer
E encontrou estrelas no céu,
Procurou abrigo para o frio
Mas só viu o infinito,
Tristemente,
Com frio e fome
Não pôde ver beleza na noite,
Não pôde sentir seu calor,
Nem murmurar o seu nome...

 

A POESIA DE ROSÂNGELA BORGES,
UM PRESENTE PARA A CRIANÇA

Por Luiz Carlos Amorim


Não é de hoje que a poesia de Rosângela Borges é conhecida por publicações em jornais, revistas e antologias. Ela é poetisa de mão cheia e dona de estilo próprio, construído com competência e experiência, como podemos comprovar em seus vários poemas repletos de sensibilidade, emoção, ritmo e sonoridade.
Com uma produção constante desde muito jovem e, conseqüentemente, dona de uma obra consistente, que daria um excelente livro, Rosângela muda o rumo da sua poesia e envereda pela produção de versos infantis.
E é muito feliz a incursão da professora e poetisa pela poesia para crianças: Rosângela tem o dom de captar o encanto e a singeleza das coisas, no caso, dos animais, e combiná-los com a musicalidade e a cadência do seu ritmo.
Como ninguém, Rosângela sabe fazer a sua poesia encantar a criança que, começando a descobrir o universo por detrás da dança das palavras, ensina a ela, através de rimas envolvendo animais como o sapo, a tartaruga, o porco-espinho, a ovelha e outros, coisas da vida e do nosso dia-a-dia, de maneira divertida e criativa.
Que criança não gostará de um dinossauro de tênis, um leão bailarino, um lobo com saudades do Chapeuzinho Vermelho, um pingüim cantor, uma formiga passeando em Paris, uma girafa com bolas ao invés de listras, um urso apaixonado, uma caracol corredor, uma cobra apaixonada pelo Guga?
Sabemos que não é fácil escrever para crianças. Mas Rosângela conhece bem a criança, o seu universo e sabe muito bem o que está fazendo. Prova disso é este livro, que evidencia a capacidade e a eficiência do seu fazer poético.

 

O CARACOL


Rosângela Borges


O caracol
De tênis, chapéu e óculos de sol
Decidiu ser atleta
"Vou pilotar um carro
Ou então uma motocicleta
Vou ser um corredor na maratona
Afinal, a São Silvestre está aí,
Posso praticar skate, surf
Ou ir para o Havaí
Posso fazer muita coisa
Cuidar um pouco de mim...
Só não posso ficar assim,
Andando lentamente
Vendo a vida passar por aqui
E o mundo seguindo em frente!

 

Encontro Catarinense de Escritores

Será realizado em Itajaí, numa promoção da Academia Itajaiense de Letras, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura e a rede de livrarias "Época", com a colaboração da Fundação Cultural de Itajaí, o 7o. Encontro Estadual de Escritores. Está programado para os dias 25 e 26 de outubro, num dos auditórios da UNIVALI, no decorrer da Feira de Livros de Itajaí, evento que se prolongará por dez dias, com a participação de inúmeras editoras e livrarias. O tema central do evento será Política cultural em Santa Catarina: como atingir o escritor e o leitor.

 

O MAIOR SONHO

Else Sant'Anna Brum

Peguei folhinhas de certeza,
Desfiei-as com paciência,
Teci no calor da fé;
Betumei com alegria
E fiz um ninho em meu coração.
Coloquei nele
O meu maior sonho.
Cobri-o com ternura,
Embalei-o cantando,
Dia-a-dia
Hora a hora,
Minuto a minuto,
Na música suave da esperança.
Algum tempo depois
Senti meu coração pulsar
Alvoroçado,
E meus olhos contemplaram
O nascimento
De um mundo cheio de amor!

 

 

SEMANA EUCLIDIANA: CEM ANOS de "OS SERTÕES"


A Semana Euclidiana aconteceu, no mês de agosto, em São José do Rio Pardo(SP), cidade onde Euclides da Cunha escreveu boa parte do romance "Os Sertões". Nas duas primeiras mesas-redondas que faziam parte do evento, o público de especialista de Euclides da Cunha e sua obra participou tanto ou mais que o de estudantes. Estavam lá Roberto Ventura, professor de teoria literária da USP, que prepara biografia do autor, Leopoldo Bernucci, da Universidade do Texas, que organiza volume com todos os poemas até hoje conhecidos do escritor, Berthold Zilly, tradutor para o alemão de "Os Sertões", além de Walnice Galvão, professora da USP e autora de uma edição crítica da obra, que fez uma análise rápida da organização do romance: "A narrativa de "Os Sertões" tem três vigas mestras: o grande sintagma narrativo que mimetisa a Bíblia, a intertextualidade e a polifonia.
O livro começa com um "Gênesis"- a gênese da terra, dos vegetais e finalmente do homem; no final, ele faz uma inversão demoníaca da imagem da Nova Jerusalém, descrita no Apocalipse: em vez do cordeiro, há o bode, em vez do ouro, um labirinto inextricável, em vez do rio da vida, o Vaza-Barris, um rio que não corre.
A segunda viga é a intertextualidade: ele usa um número incontável de fontes, de folhetos de cordel e relatórios, passando por reportagens, notícias, livros. Ele tinha dificuldade de compor uma síntese, realizando, assim, um diálogo com essas fontes.
E a terceira é a polifonia: embora a voz de Euclides se sinta o tempo todo nesse diálogo com a fontes, elas não são subjugadas totalmente, elas seguem pelo texto. Disso, decorre o recurso às mais radicais figuras de oposição, com a aproximação dos opostos.
Ventura falou sobre o processo que levou o livro a se tornar um sucesso. O assunto, decorridos cinco anos do final da guerra, parecia frio, fazendo o país voltar a ver sentido no massacre dos seguidores do Conselheiro de Canudos.

 

CHAMA

Luiz Carlos Amorim

Um menino
cruzou o meu caminho.
Despido de tudo,
até quase de vida,
restava-lhe, apenas,
no fundo dos olhos,
uma chama pequena,
quase apagada,
de pura inocência.
Dei-lhe um sorriso,
velho e surrado,
de esmola
e fui procurar
a minha chama
perdida...

 

AS LETRAS PERDEM GUIDO WILMAR SASSI


Às vésperas de completar 80 anos faleceu, no dia 5 de maio, no Rio de Janeiro, onde residia há quase quarenta anos, o escritor Guido Wilmar Sassi. Natural de Lages, SC, Sassi teve uma trajetória literária singular. Sua estréia se deu com a publicação de um conto na Revista do Globo, em fins da década de 40. O Grupo Sul publicou textos seus e foi pelas Edições Sul que apareceram seus dois primeiros livros - "Piá" - 1953 e "Amigo Velho", em 1957. Este último dividiu, com "Nove histórias em grupo de três", de Autran Dourado, o prêmio do Instituto Nacional do Livro.
Sassi ganhou o prêmio Boa Leitura, da Melhoramentos, com o romance "São Miguel". Os contos de "Testemunha do Tempo" são de ficção científica e ele também escreveu contos policiais. O primeiro livro de ficção sobre as lutas do Contestado é "Geração do Deserto", publicado pela primeira vez em 64. Voltou a publicar apenas na década de 80, quando surgiram seus dois últimos romances, "O calendário da eternidade" e "Os sete mistérios da casa queimada".
O editor Carlos Appel, da editora Movimento, do Pará, vinha reeditando a obra de Guido Wilmar Sassi, tendo saído "Amigo Velho" e três edições de "Geração do Deserto". Sassi estava revisando "Piá", a ser publicado em 2003, no transcurso dos 50 anos de estréia. As letras brasileiras perdem um escritor consciente do seu ofício, que se propunha deixar um testemunho solidário de sua gente e sua época.


NO JARDIM

Araci Barreto

Existe uma flor na flor do meu jardim
que pura e bela
perfuma a primavera que existe em mim.
Flor mensageira,
sensual e passageira,
que ficará pra sempre em meu viver.
Sua lembrança,
amiga e prisioneira,
alegrará o meu entardecer.
O seu perfume
perfuma a nossa vida e enfeita,
depois que ela finda,
a curta vida da flor que é tão querida.
Outras virão, amigas, mensageiras,
perfumadas ou não.
E passarão, como passam as chuvas,
as noites, o luar, a primavera,
o inverno, o outono, o verão...

 

DRUMMOND, CEM ANOS


2002 é o Ano de Drummond, conforme instituiu o Congresso Nacional. Carlos Drummond de Andrade faria cem anos em 31 de outubro, mas as comemorações do aniversário começaram em agosto, com o cumprimento de uma extensa programação levada a efeito no Teatro Sérgio Cardoso em São Paulo. Grandes nomes da criação e dos estudos literários se juntaram a personalidades do teatro e das artes plásticas para mostrar a obra do poeta em diferentes dimensões num grande sarau, nos dias 5, 7 e 9 de agosto.
Durante o Projeto "Drummond: Cem anos: Um Poeta e Muitas Vozes", à palestras e depoimentos de estudiosos sucederam-se poemas na interpretação de atores convidados, como Sérgio Mamberti, em poemas como "No meio do caminho", "José", "Quadrilha". Outros atores declamaram poemas como "O Mito", "O Caso do Vestido" e "Necrológio dos Desiludidos do Amor".
Uma das palestrantes foi Lygia Fagundes Telles, que conviveu com o poeta. O crítico Affonso Romano de Sant'Ana também teve as suas confidências para contar.
Abordar teoricamente Drummond - dono de uma produção diversificada, que vai de assuntos metafísicos a poemas eróticos, exige visões "poliédricas". E este foi o teor da palestra de Fábio Lucas, que falou desde um "universitário provinciano" até de "engajamento político e existencial". Além dele, os críticos Leyla Perrone e Alcides Villaça apresentaram pilares dessa obra multifacetada.


POESIA NO CÉU


Luiz Carlos Amorim


E agora, Drummond?
E agora, poeta?
Nós ficamos sem você.
Será mesmo, Carlos, será?
Se a poesia é você,
se você é a poesia
e a poesia não morre,
você está por aí, no ar,
no céu, no sol, nas estrelas,
num sorriso cristalino,
nas asas de um passarinho,
nas asas da liberdade.
Só foi voar mais alto, poeta,
tão alto quanto seus versos;
foi visitar Coralina,
tão viva nos seus poemas.
Feliz encontro, poeta,
da poesia com a poesia.
Matar saudades de Cora,
fazer poesia de meia.
Com certeza escreverão
poemas tantos, os dois
e os soprarão para nós,
na vinda das primaveras...

 


MUDANÇAS NA DIRETORIA DA UBE-SC

Desde o mês de julho deste ano de 2002, a União Brasileira de Escritores de Santa Catarina não é mais, infelizmente, presidida pelo escritor Enéas Athanázio. Ele e este articulista apresentaram pedido de renúncia, em caráter definitivo. Dr. Enéas acha que o resultado conseguido até então, em pouco mais de meio ano de gestão, foi muito pequeno, em proporção ao esforço e trabalho exigidos. Mas ele conseguiu fazer muito, praticamente sozinho, pois a diretoria que deveria trabalhar em conjunto, era composta, na maioria, de pessoas que apenas falavam muito e bonito, mas fazer, realizar concretamente, nem pensar. Presenciei isso e essa é uma das razões porque me desliguei da diretoria da UBE-SC. Vi o Presidente trabalhar quase sozinho e deixar a casa em ordem - a entidade foi entregue para a diretoria eleita em fins de 2001 com diversos problemas, junto ao Registro Civil, à Receita Federal e ao Banco do Brasil - e mesmo assim, ser criticado duramente por quem não fez absolutamente nada, apesar de se dizer capaz de conseguir qualquer benefício para a entidade.
Todos os pontos propostos por ocasião da posse foram executados, ou pelo menos iniciados: Foi regularizada a situação com o Registro Civil - agora a UBE-SC tem CNPJ definitivo e não está registrada como empresa -, com a Receita Federal - as multas e acréscimos foram parcelados e três parcelas já foram pagas - e com o banco - o cadastro está atualizado e a conta tem saldo suficiente para o pagamento da dívida restante. Foram conseguidos, com empenho do então presidente, cerca de quarenta novos sócios com a anuidade em dia; o site da UBE-SC na Internet foi colocado no ar, contendo informações sobre a entidade, sua história e propósitos, mapas de abrangência no Estado e no país, regulamento, edições on-line do informativo em versão integral, notícias recentes e trabalhos de colegas associados - sem despesa para a UBE-SC; o jornal da entidade voltou a circular e foram publicadas duas edições, também sem ônus; foi reinvindicada uma sede própria para a UBE-SC, junto à Casa do Jornalista, com resultado negativo e junto ao Reitor da UFSC, que se mostrou receptivo e os entendimentos foram iniciados; o Estado foi cobrado quanto ao não cumprimento da Lei Grando; o Encontro Estadual de Escritores deste ano está agendado para os dia 25 e 26 de outubro, em Itajaí; a entidade foi divulgada em todas as mídias; a Câmara Catarinense do Livro disponibilizou espaço para a participação da UBE-SC na Feira do Livro de Fpolis.
Esperemos que o bom trabalho feito nesse início de 2002 tenha continuidade.

 

NOITE

Lucas Tenório

Sonhei com um soneto somente.
Era apenas um soneto, um soneto só.
Um soneto tão sozinho que dava dó.
Sonhei com um soneto, indiferente.

Era apenas um soneto, soneto mudo.
Ele não pedia nada, não me falava.
Entretanto me encarava, a tal me olhava
Como se quisesse pôr-me a par de tudo.

Mas era apenas um soneto, era mais um
Era apenas mais um sonho, mais um perdido
E era apenas um olhar, olhar algum...

Noutro dia outra manhã, novos olhares
Dessa velha solidão nos calcanhares
E um soneto a me espreitar, adormecido.

 

O SOM DA POESIA


Por Luiz Carlos Amorim

Sempre gostei de ouvir alguém declamar um poema - alguém que soubesse fazê-lo. Há muita diferença em ouvir alguém ler um poema e ouvir alguém declamar um poema. A leitura, pura e simples, quase sempre deprecia o poema, não lhe faz jus. Ao contrário, uma declamação bem feita, apropriada, valoriza o poema.
Infelizmente, a arte da declamacão é cada vez menos praticada. A arte de saber dizer um poema é cada vez mais restrita a uns poucos e é uma coisa que não há onde aprender. Não existem cursos, é uma qualidade nata, que alguns privilegiados têm. Eles só precisam ser descobertos, precisam ter oportunidade de desenvolver o seu talento.
Temos muita necessidade de que existam pessoas que saibam dizer poemas, que saibam recriar a emoção e a sensibilidade que o poeta imprimiu em seus versos, arrancar todo o significado das palavras.
Porque eles são muito poucos, nos dias atuais, em que tanto precisamos de um pouco de poesia em nossas vidas. Eles existem, mas são poucos.
Tenho alguns amigos comunicadores que trabalham no rádio, que sabem declamar poesia e o fazem em seus programas. Eles dão vida aos poemas de poetas consagrados, mas também dão espaço ao trabalho de poetas novos como nós. Declamar é um dom. Acho que quem tem esse dom é abençoado, por conseguir dar som e significado aos nossos versos, fazê-los encontrar o caminho que os leva direto ao coração de quem ama a poesia.
Por tudo isso, reputo de grande importância o concurso anual de declamação que existe em Jaraguá do Sul, cidade ao norte de Santa Catarina, pois ele faz com que pessoas que tem esse dom sejam reveladas e sua arte possa chegar até nós. Sempre no mês de julho, quando a cidade faz aniversário, em pleno frio do inverno os jaraguaenses ganham o calor do som e da força da poesia. Há também outros eventos em que a declamação tem relevante importância, quando não se reduz apenas à leitura do poema: nos saraus, que voltaram à voga em Santa Catarina, em São Paulo, no Paraná e outros estados. Também nas Feiras de Arte, como em Joinville, onde existe o "Palco da Liberdade" e os poetas podem subir lá e dizer os seus poemas ou de outrem - talvez não declamar, mas pelo menos lê-los. E é assim, havendo oportunidade, que surgem os bons declamadores.

 

GRUPO A ILHA NA FEIRA DO LIVRO DE FLORIANOPOLIS


Acontece, neste mês de setembro, mais uma edição da Feira do Livro de Florianópolis, desta vez no Beiramar Shopping.A primeira edição teve lugar no Largo da Alfândega, ao ar livre, e obteve muito sucesso.
O coordenador d'A ILHA, Luiz Carlos Amorim, estará lançando, lá, sua mais recente obra, "Livro, Leitores e Escritores", uma seleção de crônicas sobre o tema publicada em jornais, revistas e sites em todo o Brasil.
Também será lançada, na oportunidade, a terceira edição do livro de poemas do mesmo autor, "Meu Pé de Jacatirão". Além disso, o Grupo Literário A ILHA estará distribuindo, no stand da Academia São José de Letras, onde acontecerão os lançamentos, uma edição do Projeto Sanfona Poética com poemas de Cruz e Sousa e uma edição especial do Suplemento Lit. A ILHA sobre a vida e a obra do Cisne Negro. O Projeto Poesia no Shopping estará presente na Feira com poemas de Cruz e Sousa e Luís Delfino, em outubro estará nos shoppings do estado com o tema Criança e em novembro estará na Festa das Flores, com poemas em homenagem ao tema.


SOCIEDADE DOS POETAS


O poeta Luiz Carlos Amorim recebeu da Socidedade dos Poetas o troféu de Honra ao Mérito, pelo segundo lugar alcançado no Concurso de Poesia Mural Livre, com o poema "Nação Poesia". O sítio, comandado pela poetisa Cecília Nassif, tem o endereço:
Http://www.sociedadedospoetas.com.br.



EXPEDIENTE

SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA Nº 82- Set/2002 - Ano 22
Editor: Luiz C. Amorim
Endereço para contato:
E-mail: lc.amorim@ig.com.br
prosapoesiaecia@yahoo.com.br


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