SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

 

OS 24 ANOS DO GRUPO LITERÁRIO A ILHA

No início dos anos oitenta, o Varal Literário já existia, mas quem levou o Varal da Poesia para a rua, para a praça, foi o Grupo Literário A ILHA. Quem colocou um trecho de poema nas ruas, estampado em out-doors, pela primeira vez, também foi o Grupo Literário A ILHA. E assim por diante: o Pacote de Poesia, a Poesia Carimbada, as apresentações em Power Point com poemas, para serem usadas em sala de aula - Poesia na Escola -, a gravação de declamação de poemas em CD, também foram iniciativas do grupo.
Sempre pioneiro, o grupo A ILHA continua na luta, completando vinte e quatro anos de atividades neste mês de junho. Para comemoar, está indo para as ruas do Estado o Projeto Poesia na Rua com out-doors contendo poemas de Luiz Delfino, O Projeto Poesia no Shopping terá edições especiais para o Dia dos Namorados, em junho, sobre o Festival de Dança em julho e Dia dos Pais, em agosto, e estaremos lançando, na Feira do Livro de Fpolis, em setembro,o”LIVRO DE NATAL” e a antologia poética NAÇÃO POESIA de Luiz C. Amorim.

 

HOMENAGEM


Recebemosem nossa redação, correspondência do Dr. Enéas Athanázio:
Caro Amorim: O Grupo Literário A ILHA, por você liderado, está completando vinte e quatro anos de existência ativa e participante.
Venho acompanhando sua luta quase do começo, ainda dos tempo da Babitonga, e estive presente em muitos eventos realizados por você e seus companheiros. Procurei, pelas formas disponíveis, divulgar seu trabalho e, embora minha voz não tenha grande alcance, propaguei como pude o nome de A ILHA e seus integrantes. Sou testemunha do muito que vocês realizaram em termos de palestras, recitais, encontros, publicações, autógrafos, divulgação, etc., sem falar na edição do suplemento, já em seu número 89, e de muitos livros.
Chegar a quase um quarto de século, enfrentando a indiferença de tantos, a ausência de colaboração de muitos e até a hostilidade de alguns, é tarefa inacreditável no meio literário aqui do Estado. Creio que o caso de A ILHA é o único, pelo menos não recordo de outro que tenha sequer chegado perto, incluindo-se aí os editados com recursos oficiais. Quase todas essas publicações morrem domal dos sete números, isso quando não desaparecem antes, e sem deixar vestígios. Às vezes, contando com a notória falta de memória, passam a alardear uma repercussao quem nem de longe alcançaram e a invocar uma importância história que nunca tiveram.
Pensando no caso de A ILHA, avalio o grau de sua persistência e capacidade de absorver os pequenos e grandes dissabores desse longo período, sem dúvida imbuído da certeza de que a recompensa viria com o passar dos anos e o trabalho acumulado. Indiferente aos narizes retorcidos de muitos "consagrados" e ao desprezo de tantos "gênios" que, em geral pouco ou nada fazem, você e seu grupo continuaram. Hoje, A ILHA é conhecida em toda parte e pode, inclusive, se dar oluxo de dispensar ajudas e colaborações não solicitadas, entre as quais dos indiferentes e superiores de outrora. Como diz o povo, não há nada como um dia depois do outro.
Vão, portanto, meus parabéns e meus votos de longa vida, melhorando sempre e divulgando sem cansaço os que produzem nas letras catarinenses.

Um abraço a todos do
ENÉAS ATHANÁZIO
Escritor

 

NOSSO MAR

Aracely Braz

Eu vejo um mar
Um céu azul
Nos olhos teus
Do meu sonhar

Desato ao mar
Sol e infinito
Vibrantes rimas
Do meu cantar

Descrevo a cor
Do acontecer
No teu olhar
Desse meu mar
Doce viver

Sem fantasia
Busco meu mar
Pra te sentir
No meu olhar

Sem energia
Do nosso mar
Perderei a luz
Do teu olhar

 

"DEDO DE PROSA" RECEBE URDA

Aconteceu no dia 29 de abril, no auditório Henrique Fontes, no Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, mais uma edição de UM DEDO DE PROSA, desta vez com a escritora URDA ALICE KLUEGER. O auditório ficou pequeno para o grande público que compareceu para assistir ao bate-papo/entrevista com a escritora de Blumenau, um dos nomes mais importantes do romance
catarinense, no estado e fora dele. Urda desmistificou, talvez, aquela coisa formal e acadêmica, que é uma palestra com um escritor ou intelectual, tornando o encontro muito mais acessível, simpático, aconchegante, até. Aquele seu papo informal, mas ao mesmo tempo íntimo, cativou todo mundo. É claro que aí entram o carisma e empatia que Urda inegavelmente tem. Ela mudou a maneira de vermos um encontro com um escritor importante para a literatura catarinense e brasileira, como é o caso dela..

 

NÓS DOIS

Luiz Carlos Amorim

Vejo nós dois espelhados,
nos grandes lagos castanhos
cristalinos, os teus olhos.

Navegamos mansamente,
nas serenas águas claras
cheias de luz e poesia.

É nossa grande viagem,
percorrendo os caminhos
que nos levarão de encontro
à descoberta de nós.

 

LIVROS: ESTADO NÃO CUMPRE LEGISLAÇÃO


Criada em 1992 e regulamentada em 1996, a lei nº 8.759, conhecida como Lei Grando, que estabelece a obrigatoriedade da aquisição de livros de autores catarinenses, por parte do poder público estadual, com a finalidade de municiar as bibliotecas públicas municipais, não está sendo cumprida como deveria. Segundo previsto na legislação, a cada ano deve ser feita a seleção e aquisição de 22 livros, adquiridos por 50% do valor do preço de capa, todos editados no ano corrente ou no anterior. De 1996 a 1998, o número de livros aquiridos foi menor que o estipulado, e de 1999 para cá, apesar de alguns títulos terem sido selecionados, nenhum livro foi comprado. Agora, a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) decidiu reativar a Comissão Catarinense do Livro (Cocali), que tem a função de selecionar quais obras serão beneficiadas, e fazer valer a lei. Ninguém questiona a importância o cumprimento da legislação. “Ajuda a pagar a edição do livro, beneficiando nossos escritores e editoras, além de equipar as bibliotecas do Estado com boas obras. É papel do poder público fazê-la funcionar”, diz Sérgio Grando, que era deputado estadual quando criou a LEI. O problema é que ela nunca funcionou.
A Comissão Catarinense do Livro (Cocali) foi criada através do decreto nº 841, de 7 de maio de 1996, assinado pelo então governador Paulo Afonso Vieira. Os atuais membros foram selecionados e nomeados para mandato de um ano, conforme publicado no Diário Oficial de Santa Catarina em 1º de abril de 2004.
A LEI GRANDO
LEI Nº 8.759, de 27 de julho de 1992, de autoria do deputado Sérgio Grando. Regulamentada pelo decreto nº 842, de 7/5/96.
Dispõe sobre a aquisição de livros de autores catarinenses, pelo Estado de Santa Catarina, para as bibliotecas municipais.
Faço saber a todos os habitantes deste Estado que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte lei:
Art.1º - Fica estabelecida a obrigatoriedade da aquisição de livros de autores catarinenses, pelo Estado de Santa Catarina, com a finalidade de municiar as bibliotecas públicas municipais.
§ 1º - O disposto neste artigo aplica-se também a autores não catarinenses, desde que residentes e domiciliados no Estado de Santa Catarina por mais de dez anos.
§ 2º - Em todos os casos, será considerado a qualidade da obra.
Art. 2º - Cabe ao chefe do Executivo a regulamentação desta Lei.
Art. 3º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.(Tanscrito de A Notícia)

 

ESTE SORRISO


Rosângela Borges

Esse sorriso que mora em você
É só meu...
Eu o encontrei
jogado pelas calçadas,
perdido pelas ruas
e o trouxe pra casa...
Eu o iluminei
quando aqueci seu corpo
com meus olhos
E jurei renascer junto a ele,
toda vez que o choro
ameaçasse sua luz...
E fiz tudo: aqueci,
iluminei, renasci.
E agora esse sorriso
que existe em você
jamais conhecerá o frio:
dormirá em meus braços,
brincará com meus beijos,
conhecerá tudo o que tenho:
Sorrisos!
Esse sorriso que brilha em você
é meu, só meu...

 

LIRIO ASTRAL


O site LIRIO ASTRAL, coordenado pelo escritor José Endoença Martins, da Furb, está reformulado, completando um ano de sua nova fase. Trata-se de uma revista eletrônica de literatura catarinense, com edições mensais, apresentando poemas, crônicas, contos, entrevistas e informação cultural e literária, em Http://www.furb.br/lirioastral . Visite.

 

DEZ ANOS SEM QUINTANA

Quando morresse, ele queria apenas paz para endireitar alguns poemas tortos. Levaria junto apenas as madrugadas, pôr-de-sóis, algum luar, asas em bando, mais o rir das primeiras namoradas, como um dia escreveu. Há dez anos Mário Quintana partiu para descobrir se existiria mesmo o Outro Lado, onde, tinha certeza, as mortes são registradas como nascimentos. “Tenho pena da morte - cadela faminta - a que deixamos a carne doente e finalmente os ossos, miseráveis que somos... O resto é indevorável”, debochou o poeta no “Caderno H”. Mário Quintana morreu em 5 de maio de 1994.
Debater as dificuldades de popularização da poesia é discussão eterna sem chegar a lugar nenhum. Assim como imaginar até onde os poetas buscam compartilhar suas emoções. Assunto para poemas. Mas Quintana foi dos poucos que furaram o cerco. A lista talvez caiba em algum hai-cai: Carlos Drummond, Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Manoel Bandeira e, com fama mais recente, Manuel de Barros. Listas desse tipo costumam causar controvérsia. Como Quintana teria chegado lá, ao ponto de ser procurado por caravanas de fãs, sejam portadores de diminutas ou volumosas bagagens intelectuais, no Hotel Porto Alegre Residence, na capital gaúcha? “A gente nem sempre tem uma explicação, mas talvez pela simplicidade, o humor com o qual escrevia, a simpática forma de ser”, responde um poeta catarinense ex-viciado no Caderno de Sábado do jornal “Correio do Povo”. No suplemento, Quintana mantinha a seção “Do Caderno H”, título inclusive de livro homônimo. Poderia estar na publicação de poema em página de jornal, a chave da popularização de Quintana? Poesia, como se sabe, é artigo mais raro em jornal. Com certeza, o acesso às massas pode ter ajudado na fama. Mas a resposta, é claro, está em qualquer um dos seus livros.
PEQUENA HISTÓRIA DE UM GRANDE POETA:
Alfabetizado através da leitura do jornal no qual futuramente ganharia fama, Quintana deixaria a Fronteira-oeste rumo a Porto Alegre ainda na adolescência. Nesse período, começa a escrever os primeiros textos. Antes de completar duas décadas de vida, retorna a Alegrete. Trabalharia como manipulador na farmácia do pai; a experiência - o cuidado e exatidão com as quantidades - seria encarada futuramente como fundamental na construção poética. Pelo menos era o que dizia Quintana.
Já de volta à capital gaúcha na década de 30, se dedica à tradução. Inclusive de epópeias como “Em Busca do Tempo Perdido”, de Marcel Proust. Reconhecido no metiér, começa a conquistar o público na década de 50, quando ganha espaço no “Correio do Povo”. Naquele momento, a “Rua dos Cataventos” já é sucesso popular. Mário Quintana já era Mário Quintana nos anos 60, quando seu livro “Poesias”, uma reunião de quatro publicações anteriores, é saudado no País inteiro. Amigo de Érico Veríssimo e Carlos Drummond de Andrade e reconhecido por dezenas de intelectuais, Quintana produziria até 1994, o ano da morte e da publicação de “Sapato Furado”. Tentaria três vezes o ingresso na Academia Brasileira de Letras (ABL). Tudo bem, para ele, a melhor coisa que lhe tinha acontecido era apenas ter nascido. Mas o epíteto pertencia a Érico Veríssimo. “Vou revelar a vocês um segredo: descobri outro dia que o Quintana, na verdade, é um anjo disfarçado de homem. Às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casaco, suas asas ficam de fora.” (AN)

 

VIDA, SORRISOS E JOVENS


Gabriela Cristina Gomes

Jardim que floresce
(em pleno inverno)
onde canteiros
transformam em palcos
a rotina de todo dia.

Vida, sorrisos e jovens
pessoas vindas de todos os lugares
emocionam essa cidade.

Aplausos, luzes, brilho,
lição de cultura,
show de imagens,
arte e emoção
contagiando o nosso coração.

Fábricas, princesas, flores.
Moradores dessa cidade
imaginam o quanto todos lutaram
para fazer de Joinville
sinônimo de crescimento,
beleza e hospitalidade.

(Poema de aluna da escola Orestes
Guimarães, de Jlle, com a
coodenação da profª Márcia Akrouch)

A SAGA DA FAMÍLIA ASSEBURG

Com o livro “A Saga da Família Asseburg”, a autora, Marlene Dalva da Silva Rothbarth dá umacontribuição rica, comovente everdadeira à cidade de Itajaí, resgatando a genealogia e o cotidiano daquela família.
Marlene nos mostra, numa linguagem agradável, simples e ao mesmo tempo grandiosa, o quanto é importante a preservação do passado. Este livro, mais do que uma pesquisa histórica, está extremamente fundado no culto à memória. Memória esta, salva por pessoas como Marlene, que amam verdadeiramente Itajaí, que se empenham em preservar pessoas e fatos.

 

VILA RICA DE OURO PRETO

Maurício Abrão Barreto

Ouro Preto não é Vila Rica
Ricos são meus sonhos
E o Preto Ouro da Vila
As pedras, as sombras, os dias,
Não fazem brilhar o meu ser
Do brilho que há tempos havia
Das vozes que há tempos clamavam
De Tomás e Joaquim José
De Marília a beleza ainda
Floresce em versos imortais
De Cristina espero um dia
Um sorriso, um olhar, um valer
A razão de minha existência
Nas terras de Vila Rica
Que Ouro Preto não é
Que sonhos já não tenho mais
Nem ricos, nem d’oiros, nem pretos

 

BIBLIOTECA ESTADUAL: 150 ANOS DE MEMÓRIA

A Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina completa 150 anos de atividades no início deste mês de junho de 2004.
Para comemorar, será produzido um livro sobre os 150 anos da Biblioteca Pública, criada, em 31 de maio de 1854. Foi confeccionado, também, um livreto, onde há um pouco da história, informações sobre o prédio e o atendimento e reproduções de documentos e livros raros do acervo, como a do periódico O Moleque, de 1885, cujo redator era o poeta Cruz e Sousa. Talvez poucos saibam, mas a Biblioteca é a memória do Estado.
Nos cinco pavimentos do edifício na Tenente Silveira estão guardados 110 mil volumes, entre os quais obras raras do século 16, literatura brasileira, livros didáticos e históricos, além de jornais publicados no Estado desde 1850, em papel e microfilmes, e outros materiais informativos.
A Biblioteca Pública é mantida pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), mas conta com a ajuda da Associação dos Amigos da Biblioteca Pública. Com essa colaboração, por exemplo, são adquiridos livros atualizados. (dc)

 

ACALANTO DA CHUVA

Virgínia Vendramini

À noite, recolhida em minha calma
Gosto de ouvir a chuva a cantar leve
Sua canção que conta histórias breves,
Que sem palavras, chegam-me à alma

Essa cantiga sempre renovada
Na melodia mágica e sem notas,
Conta tristezas, fala de derrotas,
Mas quem a ouve, fica consolada.

Não a entendo, mas gosto de ouvir
O som dos pingos que me faz sentir
Um gosto de tristeza ou desencanto,

Mas aos pouquinhos, como um acalanto,
A cantilena sempre a repetir,
Suas histórias me fazem dormir.

 

UMA BIBLIOTECA EM CADA MUNICÍPIO BRASILEIRO

O Ministério da Cultura pretende zerar, até 2006, o número de municípios brasileiros que ainda não dispõem de uma biblioteca pública. Essa é uma das metas principais do Programa Fome de Livro, que está sendo articulado pela Fundação Biblioteca Nacional com diversos ministérios, governos estaduais, prefeituras, empresas públicas e privadas e organizações da sociedade para instalar mais de mil bibliotecas em três anos e desenvolver um conjunto de projetos e ações para estimular o hábito da leitura no Brasil. O índice atual é de 1,7 livro por habitante/ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura.

 

OBSCURIDADES


Evandro Maciel

A notícia correu
Tão rapidamente,
Que em três minutos,
Todos os ventos,
Todos os mares,
E as estrelas,
Também os planetas,
Eram sabedores da situação:
A NOITE MORREU!

Como?
Por quê?
Quando?
Onde?

Ninguém se conformava.
Tantas lágrimas,
Tantos vultos,
E as sombras,
Também a névoa,
Eram testemunhas da situação:
HOJE SE ENTERRA A NOITE.

A rua encheu-se de poesia.

 

 

PROGRAMAS PARA DEFICIENTES VISUAIS


Estima-se que, no Brasil, existam 12,5 milhões de pessoas com deficiência visual, ou seja, 7% da população brasileira. Para suprir algumas das dificuldades que estas pessoas enfrentam no que diz respeito a precisarem de outras pessoas para exercer algumas atividades, a Itália Nova Editora está trazendo para o Brasil três produtos para atender este público.
São três softwares que permitem a conversão de textos escritos para síntese vocal, para áudio e para gerenciamento dos computadores de mão (PDAs). O que mais se destaca nos produto é a excelente qualidade sonora, a partir de fonemas humanos.
Os produtos, que foram desenvolvidos pela Telecom Italia Spa na Europa, são direcionados também a bibliotecas públicas ou privadas, escolas, universidades, entidades assistenciais, locais de trabalho e residências.
Essas instituições podem usar os softwares para oferecer seus acervos para as pessoas que não enxergam. Além dos deficientes visuais de nível grave (cegos e visão subnormal), os programas poderão também ser de grande auxílio para pessoas idosas.
O programa Text to File possibilita a gravação dos áudios em CDs e será de extrema utilidade para editoras, bibliotecas, livrarias que queiram oferecer seus livros em CDs para deficientes visuais, criando produtos similares aos audiobooks.
O software Text Voice Speak 3 é um sistema de leitura que se assemelha a alguns disponíveis no Brasil. Auxiliado por um scanner comum, o programa permite a leitura de textos impressos como livros, jornais, revistas e documentos. Por meio de Reconhecimento Ótico de Caracteres (OCR), os dados são transformados em uma voz integrada.
A maior vantagem deste programa é a sua perfeita síntese vocal. O deficiente visual escuta os textos por meio de uma voz bem clara.

 

TERNURA

Vânia Moreira Diniz

O olhar era intenso,
Como brilhantes faiscantes,
Admiráveis,
Imutáveis.

Havia neles,
Mais do que o brilho,
O regozijo pela vida,
E o fulgor da esperança.

Fixavam um ponto distante,
Como perdidos no sonho,
Quimeras incandescentes,
De longa duração.

Nada parecia irreal,
Na intensidade do momento,
Refletido em soberbas pupilas.

Sinônimo era ternura,
Da expressão a mais linda,
Que enxerguei um dia...

 

CLÁSSICOS DA LITERATURA DE GRAÇA NA INTERNET

Os pais de estudantes nos cursos fundamental e médio são obrigados a pensar nas obras literárias que deverão adquirir durante o ano. Embora as obras pedidas sejam os clássicos da literatura, todo ano uma infinidade de pais correm às livrarias e sebos (estabelecimentos que vendem livros usados) em busca de preços baixos.
Como o Brasil não é um país de leitores, são poucas as pessoas que têm em suas casas ao menos as obras básicas de Machado de Assis, José de Alencar, Euclides da Cunha, Eça de Queiroz, Luiz Vaz de Camões, Camilo Castelo Branco e alguns outros invariavelmente solicitados pelos professores.
E, infelizmente, as escolas, públicas ou particulares, não costumam ter um acervo na biblioteca que supra as necessidades dos alunos, o que também ocorre nas bibliotecas públicas do País.
Porém, como muitos clássicos da literatura são obras de domínio público, vários sites já disponibilizam para download gratuito os livros mais solicitados nas escolas, o que acaba barateando a educação e poupando o tempo dos pais que não precisam pesquisar preços. A coisa é meio complicada, pois os olhos do ser human não foram feitos para ler obras inteiras na tela de um monitor brilhante - e a impressão doméstica dessas obras acaba saindo muito car. Algumas opções de sites são: Http://bibliotecavirtual.org.br , http://www.biblio.com.br , Http://bibvirt.futuro.usp.br , Http://www.cce.ufsc.br/~nupil/literatura/literat.html

 

VOCÊ

Luiz Carlos Amorim

Você, ah, você,
que invade meu coração,
infiltra-se no meu sangue
e aguça os meus sentidos...
Vem, me afaga, me afoga,
nessa fuga desenfreada
do mundo fora de nós.
Vem e pisemos juntos
este caminho só nosso
para o país do amor.

 

ESPAÇOS PARA A LITERATURA

Por Luiz Carlos Amorim

Dois eventos importantes marcaram o calendário cultural catarinense, do final de abril até meados do mês de maio. Primeiro, foi a 14ª edição de Um Dedo de Prosa, encontro que o CCE da Universidade Federal de Santa Catarina vem realizando com escritores da terra. Esta última edição foi com a escritora de Blumenau, Urda Alice Klueger, a moça loira dos dedos cheios de poesia, convidada para falar de sua vida e obra. O local teve que ser mudado para um maior e o evento foi realizado no auditório da Reitoria da UFSC, que mesmo assim foi pequeno. Foi a maior audiência de toda a história do “Dedo de Prosa”. Uma boa constatação, ver que um escritor da terra é tão prestigiado, ver que a literatura feita no estado está sendo reconhecida. E – importante – os espectadores não eram escritores, como via de regra acontece nesse tipo de evento – a maioria dos presentes era gente jovem, estudantes. Sempre considerei Urda a principal romancista de nosso estado, e tivemos a comprovação disso naquela oportunidade.
Outro evento importante foi a Feira de Rua do Livro de Florianópolis, que realizou-se de 5 a quinze de maio, no Largo da Alfândega, próximo ao Mercado Municipal – indo desde o mercado até a Praça XV – praça da figueira centenária. A feira, por si só já é um grande acontecimento, mas o mérito da feira de rua é colocar o livro onde as pessoas passam, dar acesso a todos, indistintamente, principalmente àqueles que não puderam ter, até então, por qualquer que seja a razão, contato com a literatura. E é a aproximação deste público novo, o fato de interferir concretamente na realidade de cada um, de colocar o livro no caminho das pessoas comuns, que faz com que se atinja o objetivo de conquistar novos leitores, de fazer com que se leia mais.
Feira do livro na rua não é novidade, pois a de Porto Alegre é feita a céu aberto faz muito tempo. A própria feira do livro de Florianópolis era feita ao ar livre, há alguns anos. Foi, então, para o Beiramar Shopping, e agora temos duas feiras anuais: em maio a Feira de Rua do Livro e em setembro a Feira de Livro tradicional, em local fechado.
E esta edição da feira de rua do livro foi dedicada às crianças, não por acaso, pois a tendência das últimas feiras em geral tem sido a crescente venda de livros infantis. A feira de rua parecia uma imensa festa do livro para a criançada: o grande destaque era a variedade de publicações infantis, com apelo bastante forte na maior parte dos quase cem estandes. E a criançada enchia os corredores, indo e vindo a escolher os livros que comprariam.
Os onze dias do evento levaram aos estandes cerca de 150 mil pessoas, que compraram em torno de 35 mil livros, apesar da chuva que caiu em Florianópolis em quase metade do tempo da feira.


EXPEDIENTE
Suplemento Literário A ILHA - Edição número 89 - Junho/2004
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
End. para Contato:
E-mail: lc.amorim@ig.com.br


 

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