SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Capa da edição impressa

Junho/2005

A ILHA: 25 ANOS DE LITERATURA

Falar aqui que este aniversário do Grupo Literário A ILHA é importante, é ser redundante, com certeza. São vinte e cinco anos de atividades em prol da poesia e da literatura catarinense e brasileira (por que não dizer?), pois nosso campo de atuação não se restringe apenas ao nosso estado.
Comemorar as nossas bodas de prata é vital, é dividir o reconhecimento vindo de diversos pontos do país e também do exterior, por todo esse tempo de caminhada. Inúmeros escritores, de vários estados e de outros países, passaram pelas páginas deste suplemento literário e não só visitaram como colaboraram com seu trabalho no portal Prosa, Poesia & Cia, mantido pelo grupo desde os anos 90 na Internet. Sem eles, sem os escritores e os leitores, nosso trabalho não teria razão de ser e por isso agradecemos a todos o que construímos juntos até aqui.
E vamos comemorar, sim, começando com a publicação desta edição do Suplemento Literário, que traz, nas páginas centrais, a história do Grupo A ILHA, um apanhado do que se fez ao longo destes vinte e cinco anos.
Selecionamos, também, para publicação nesta edição especial, algumas matérias das tantas publicadas em quase cem edições da nossa revista, que abordam temas ou acontecimentos que marcaram, de alguma maneira, o grupo ou a literatura como um todo.
Estaremos comemorando nosso aniversário na Feira de Rua do Livro de Florianópolis, já em maio, quando estaremos lançando esta edição do Suplemento e também livros publicados pelas Edições A ILHA: “Saudades de Quintana”, crônicas; “Nação Poesia”, poemas e “A Luz dos Seus Olhos”, contos.
Além disso, o Projeto Poesia na Rua estampará poema de Luiz Delfino, o maior lírico da poesia catarinense, em out-doors pelo estado.
Durante todo este ano de 2005, o grupo A ILHA estará participando das Feiras do Livro pelo nosso estado, nas quais fará o lançamento dos livros já citados e desta revista, também.

 

AS BODAS DE PRATA DO GRUPO LITERÁRIO A ILHA

Para ler a matéria especial contando a história e as realizações do Grupo Literário A ILHA no decorrer dos seus vinte e cinco anos de atividades, clique no título acima.

 

A ILHA – 25 ANOS

Francisco de Assis Nascimento

Luz da aurora iniciando o dia, a claridade,
Unindo em um só coro o gorjeio dos pássaros
Irmanados na literatura, nas asas da imaginação,
Zoando palavras ao som musical matinal.

Criatura formada em um ideal frutífero,
Alado pelos caminhos belos das letras,
Rumos seguem ao encontro do sonho e da
Luta de seguir adiante no tempo
Ondulado de esperanças, aspirações e inspirações,
Saudando a sensibilidade materializada!

Dádiva, divina jornada no sonho e
Entrosada com a realidade cultural, do tempo!

Agora e adiante o ideal caminhará
Mormente porque a vontade de fazer vencerá,
Outras versões apresentarão as mensagens
Ricas em entusiasmo, vida eterna para a
Ilha que vigorará tão preciosa e
Merecedora de todas as preces e elogios!

 

 

DESDE A BABIONGA

Dr. Enéas Athanázio

Vinte e cinco anos são um quarto de século, período em que muita coisa importante pode acontecer, mudando inclusive o destino de povos e nações. É um lapso de tempo em que muitas vidas surgem e prosperam, enquanto outras fenecem sem chegar à maturidade. Muita gente nasceu, cresceu e se diplomou nesse período, integrando hoje as mais diversas categorias profissionais. Escritores, poetas, artistas e músicos deixaram o universo dos anônimos, produziram e lançaram suas obras, e agora formam entre os reconhecidos e consagrados. Vinte e cinco anos não são vinte e cinco meses e, muito menos, vinte cinco dias.
Mas foi há exatos vinte e cinco anos, num recanto à beira da Babitonga, que nasceu o “Grupo Literário A ILHA”, reunindo um punhado de rapazes e moças que amavam a literatura, com o objetivo de batalhar pelas letras e pela cultura, incentivando escritores, poetas e artistas para que produzissem cada vez mais e melhor, publicando e divulgando suas obras de todas as formas possíveis. Sem qualquer ajuda, oficial ou não, afrontando o desinteresse e até a hostilidade de alguns, puseram-se em campo e jamais deixaram de agir. Promoveram encontros de escritores e poetas, lançamentos de livros, palestras, reuniões para debates, exposições, iniciativas criativas e variadas. Publicaram nesse período inúmeros livros, individuais e coletivos, além do Suplemento Literário A ILHA, que nunca deixou de circular, vencendo todos os obstáculos e dificuldades. As circunstâncias impuseram a mudança de sua sede, primeiro para Joinville e depois para Florianópolis, de sorte que o Grupo acabou se transferindo de uma ilha para outra. Isso, no entanto, não afetou a unidade e a disposição de seus integrantes, cada vez mais irmanados no seu ideal.
Num Estado em que todas as associações de escritores fracassaram, desaparecendo sem deixar vestígios e sem influir no meio cultural, o “Grupo Literário A ILHA” é um exemplo admirável de persistência e continuidade, merecendo o reconhecimento público de quem tem acompanhado sua luta de longos anos. Alegro-me por tê-lo prestigiado e aplaudido desde o início e faço votos que continue assim, ativo e dinâmico, pelo tempo afora, sempre liderado pelo incansável Luiz Carlos Amorim, a quem felicito pelo grande evento – as Bodas de Prata da entidade que inspirou.

Dr. Enéas é autor de 49 obras e acaba de lançar o seu mais recente livro, "Crônicas Andarilhas", do qual ainda falaremos aqui. A terceira e última parte de sua crôn ica "Uma Paixão Trintenária: "O Contestado", sairá na próxima edição d´A ILHA.

 

O MEU LUGAR

Rosângela Borges

O meu lugar é aqui:
Nesse mundo que não é mundo:
É um disco voador
Que veio de planetas perdidos
E que me leva para passear
No espaço, no quintal, na chuva.

O meu lugar é aqui:
Nesse mundo que não é mundo:
É um submarino gigante, colorido
Que veio de mares antigos
E que me leva para mergulhar
Nos sonhos, nos livros, no vento.

O meu lugar é aqui:
Nesse mundo que não é mundo:
É um carro de corrida... veloz, campeão
Que veio de muitas festas
Que me leva para conhecer
Montanhas, castelos, florestas

O meu lugar é aqui:
Nesse mundo que não é mundo:
É o meu quarto... especial e quentinho
Cheio de música, emoção, carinho
Que tem espaço para passear
De disco voador, de submarino,
De carro de corrida,
Que me deixa voar
Pelo meu espaço
meu mar
minha vida!

 

 

LITERATURA CATARINENSE PELO MUNDO

(Suplemento 63, de dez/97)

A edição em inglês de “A Cor do Sol” – “The Color of the Sun”, de Luiz C. Amorim, continua rendendo dividendos. A revista “The Activist”, publicada em Ohio, USA, traz no seu número 7 reportagem sobre o Grupo Literário A ILHA de Joinville e poema do referido livro.
O anuário de publicações literárias “New Hope International Revew”, publicado na Inglaterra e distribuído para vários países, traz resenha do livro “The Color of the Sun”, com comentário sobre a obra e destacando, inclusive, a impressão e a apresentação gráfica, que reputam de boa qualidade e a cor das páginas internas – amarelo – de acordo com o tema – sol.
É a poesia catarinense, em projeção lá fora, gerando referências em anuários, revistas e jornais literários pelo mundo, com a publicação, inclusive, de traduções de poemas. Recebemos a revista POET, publicada na Índia, com o poema “Sou” (I Am), de Luiz Carlos Amorim, do livro “The Color of the Sun”, traduzida para o bengalês. Junto, carta do editor da revista “The Future”, com pedido de remessa de outros poemas para publicação naquele espaço literário. Recebemos, ainda, outra edição da revista POETCRIT, também publicada na India, com poemas do autor em inglês, extraídos daquele livro.
“The Color of the Sun” foi publicado nos Estados Unidos em co-edição da IWA – International Writing and Association com as Edições A ILHA, com tradução da professora e poetisa Selma Franzoi de Ayala e revisão final de Teresinka Pereira e Erinn Dennison, ela presidente da IWA.

 

 

PARA UM CRIANÇA DIFERENTE

Vânia Moreira Diniz

Uma criança está sofrendo,
Nasceu diferente,
Diferente mas linda,
Excepcional como dizem,
Excepcionalmente maravilhosa.
Está padecendo porque?
Transtornos motores,
O olhar tão distante,
Crises de angústia,
Ah como está sofrendo!
Quando a vejo
Gostaria que pudesse
Passar para mim tanta dor,
Sentir e dominar
O que a torna inerte.
Mãozinhas frias que aconchego,
Por vezes a escuridão,
Vozes que se fazem presentes,
A agonia que pressinto,
E o olhar distante e terno.
Vamos continuar pequena Julia,
Estaremos unidas nesse universo
De transtornos inesperados,
Muitas vezes indiferenças,
Que superamos com amor.
Maior presente que seu sorriso
Só a luz incendiando o caminho,
Clareando as margens da estrada,
Alargando a passagem estreita,
E no seu olhar ressurgindo.

 

 

O 5º CONGRESSO NACIONAL DE ESCRITORES

(matéria publicada na edição nº 4 do Suplemento, de nov/1981)

“Tenho a impressão de que este encontro será muito parecido com o diálogo norte-sul de Cancun, ou seja: não vai resolver absolutamente nada.” Foi o que declarou o conhecido cronista carioca Carlos Eduardo Novais, em entrevista à imprensa, ao visitar Florianópolis para participar do V Congresso Nacional de Escritores, que foi de 22 a 25 de outubro de 81.
Poderia até ter razão, mas foi uma afirmação infeliz, para uma pessoa da representatividade dele. Pois mesmo que o congresso não consiga resolver todos os problemas do escritor brasileiro – e eles são muitos – foi de grande importância o encontro de escritores de todo o Brasil, que não acontecia desde 1945, para colocação e discussão das dificuldades que afligem a classe e, principalmente pela aproximação e integração de autores dos mais diferentes pontos do país.
O V Congresso Nacional de Escritores realizado em Florianópolis terá valido a pena, senão por nada, ao menos pelo fato de, através dos temas expostos e pelos debates que se lhes seguiram, constatar-se que a situação da literatura e do escritor brasileiro é a mesma em todo o território nacional, ou seja: há falta de espaços culturais nos meios de divulgação para o escritor levar até o leitor o que está produzindo, a dificuldade em se publicar um livro é enorme, porque as editoras não dão assistência ou crédito aos autores novos, para dar acolhida aos best-sellers estrangeiros. O leitor está mal condicionado quanto à escolha de sua leitura, além de não ter poder aquisitivo para comprar livro.
Constatou-se, também, que apesar da dificuldade de se publicar livros, o número de autores aumenta e as edições próprias se sucedem, ainda que em pequenas tiragens e condenadas ao regionalismo, pois o autor não dispõe de um esquema de distribuição e consegue atingir apenas um pequeno círculo de leitores.
Quanto à função social, embora se tenha verificado que o escritor não conseguirá mudar ou transformar a sociedade através do instrumento de denúncia que é a literatura, justamente porque ela não atinge de modo eficaz e eficiente o público leitor, pelos motivos acima citados e porque, ainda, a obra literária pode ser perigosa como agente denunciador para o Estado, tolhendo a liberdade do autor, constatou-se que, pelo menos, pode-se provocar uma tomada de consciência, um alerta para o que está acontecendo.
Do congresso foi tirada a Carta de Nossa Senhora do Desterro”, que não se preocupa apenas com a cultura, com a literatura, mas sim e fundamentalmente com o homem, em si, como pessoa humana, pela sua qualidade de vida, pelos seus direitos e liberdade democrática. Se o que consta lá vai se cumprir, é uma incógnita.

 

AMOR

Aracely Braz

Eu te procuro no mar, no ar,
Na mata verde ou florida,
Entre as pedras, na guarida,
Nas cores do arco-íris
Que busca a água da fonte;
Na planície, pelos montes,
Te procuro sem cessar.
Na igreja, no bar, no lar,
Na areia verde da praia,
Na rosa, que já desmaia,
Num coração do caminho.
Já me sinto tão sozinho
Cansado de procurar.
E nessa busca incessante,
Por um instante, paro!
Porque descubro, enfim,
Que já não sou infeliz
Quando meu coração me diz
Que moras dentro de mim!

 

SAUDADES DE QUINTANA

Por Luiz Carlos Amorim

Assistindo a um programa sobre Mário Quintana, a propósito do décimo aniversário da morte do poeta, senti uma saudade infinita daquele velho menino jovem (ou seria jovem menino velho?), a poesia personificada, viva e eterna. Nunca o conheci pessoalmente, conheço apenas a sua obra, conheço-o apenas pela sua poesia, mas consigo, através do seus versos, vislumbrar o ser humano. E agora, vendo as entrevistas mostradas neste programa, vem-me a impressão de já tê-lo encontrado, de já ter convivido com ele e então sinto uma saudade imensa.
Só fui a Porto Alegre, terra onde o mágico artista das palavras viveu a maior parte de sua vida, bem depois da morte dele, e me surpreendo com esta saudade enorme que sinto do menino poeta. É interessante ter saudades de alguém que você nunca viu de perto. Mas é possível. Coisa de Quintana, tão lírico e tão travesso, construtor de emoções. Não é à toa que seus eternos cantares cativaram tantos leitores pelo Brasil afora, quiçá pelo mundo.
Ele sempre dizia que a sua poesia não era um simples exercício de ficção, que cada poema seu era uma confissão sua. A poesia era ele, ele era a poesia. Então, em se tratando de Quintana, é plausível, conhecendo os seus versos e a sua prosa cheia de poesia, que eu tenha conhecido o poeta. E é natural, conseqüentemente, que eu sinta saudades dele.
O grande poeta, perguntado sobre qual seria o seu maior sonho, certa vez, respondeu: “Fazer um bom poema”. Talvez aí resida toda a sua grandeza: ele não só era humilde, era simples e autêntico, verdadeiro como a sua poesia.
Quando morresse, “levaria junto apenas as madrugadas, pôr-de-sóis, algum luar, asas em bando, mais o rir das primeiras namoradas”, como ele mesmo escreveu.
E como diria Érico Veríssimo: “Vou revelar a vocês um segredo: descobri outro dia que o Quintana, na verdade, é um anjo disfarçado de homem. Às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casado, suas asas ficam de fora”. Quem ousaria desmentí-lo?
Outros poetas, aprendizes, como tantos, passarão. Quintana, o nosso menino Quintana, nosso eterno Quintana, apenas passarinho...

 

POESIA VIVA


Luiz Carlos Amorim

Eu conheçi um menino,
um velho menino jovem
lá do sul do meu país,
mágico artista, poeta,
construtor de emoções.

Esse menino é Quintana,
tão lírico e tão travesso.
Esse menino é Quintana,
de seus eternos cantares,
nosso menino poeta.

Outros poetas, aprendizes,
como tantos, passarão.
Você, menino Quintana,
poesia viva e eterna,
você apenas, passarinho...

 

A ILHA INTEGRA A POESIA

Por Lauro Junkes (Publicado no Suplemento 41, de jun/92)


Desde 1980, mantêm-se vivos, atuantes, expressivos, cultivando sentimentos e divulgando valores, tanto o Grupo Literário A ILHA como o Suplemento Literário A ILHA, unindo o estado de Santa Catarina numa corrente poética e cultural, aberta essencialmente a quem conserva na alma a vitalidade do sentimento e não cedeu à vileza da fortuna material que tudo pretende abafar com sua venalidade sofisticada. Durante onze anos a revista Suplemento Literário já publicou trinta e sete edições, além de reunir em três antologias – Poetas da Praça, Poetas da Praça II e Um Toque de Poesia – poemas escolhidos de seus integrantes.
Resistindo à rotina do tempo, ao marasmo e arbitrariedades, ao menosprezo de elites culturais, A ILHA vem abrindo e mantendo espaço para novos valores. Projeta-se no panorama cultural catarinense como uma das iniciativas literárias mais persistentes e representativas, firmando sua publicação na resistência ímpar de quem sobreviveu, às vezes, como nosso imbatível Cruz e Sousa: “... florestas e mares foi rasgando / e entre raios, pedradas e metralhas, / ficou gemendo, mas ficou sonhando”, vencendo sem dependências econômicas nem subserviências e sofismas estruturais.
Desde o primeiro momento, projeta-se o idealismo realista de um grupo de poetas, que souberam tão equilibradamente harmonizar suas funções pragmáticas com a efervescência do sentimento mais sadio que brota da vivência humana. Fossem multiplicados tais equilíbrios entre a humanidade, as flores brotariam dos canhões, as estrelas ofuscariam com seu brilho os valores materiais e chafarizes multicoloridos complementariam os desertos tecnológicos.
A ILHA constitui essencialmente uma colméia de efervescência poética. Predomina entre eles o verso natural que veicula o estado anímico simples e autêntico de quem busca na poesia a expressão da beleza e do sentimento, num universo nem sempre belo e numa vivência humana cada vez mais desiludida e desfeita na sua expressão afetiva.
O amor, como o mais universal e impositivo dos sentimentos, não pode fugir ao centro das manifestações. Vigor e vitalidade sempre novos mantenham a coesão do grupo e ressensibilizem a sua poesia sempre humana.

 

 

DESEJOS

Virginia Vendramini

O vento conta histórias sem palavras,
No silêncio da noite calma e quente,
Sugestão de carícias delicadas,
Num sussurro sutil, em voz ardente.

Entre a folhagem um botão de rosa
Se esconde, pronto a se abrir em flor,
Mas é preciso mão habilidosa
Pra despertar-lhe o perfume e a cor.

E a rosa assim, abrindo-se, suave,
Umedecida de orvalho e mel,
Se oferecendo num silêncio grave

Vestindo da ternura o tênue véu,
A quem tocá-la, então, dará a chave
Do mais doce prazer, do mais cruel

 

PRESENÇA DA POESIA AMERICANA EM JOINVILLE

Numa promoção do Grupo Literário A ILHA, aconteceu, no dia 9 de junho de 1993, como parte das comemorações do seu décimo terceiro aniversário, no Auditório da Univille, a conferência da Dra. Teresinka Pereira, professora da Bluffton College, universidade de Ohio, nos Estados Unidos e presidente da IWA – International Writers and Artists Association.
A conferência da Dra. Teresinka, que é brasileira de Minas, radicada há vários anos nos Estados Unidos, foi sobre a poesia do poeta americano Jeff Ghandi. Ela falou sobre a obra e a vida do poeta e mostrou alguns poemas do mesmo, deixando transparecer a característica inquisitiva do seu trabalho e a presença da religião em alguns deles.
Depois foi a vez do poeta romeno Florentim Smarandache, que acompanhou a Dra. Teresinka. Ele falou sobre o Movimento Paradoxista, mostrando alguns exemplos. A poesia paradoxista de Florentim se assemelha, em alguns casos, com a poesia concreta brasileira.
Um segmento da poesia paradoxista, meramente visual, feito apenas com signos, traços e colagens, despertou a atenção pela singularidade. Florentim explicou, com a ajuda da Dra. Teresinka, que essa poesia não encerra mensagem e sim quer significar protesto ou chamar a atenção pelo inusitado, já que o movimento foi criado numa época de extrema censura e era preciso dizer as coisas indiretamente, por metáforas. Definiu a sua poesia como anti-poesia.
Já a poesia paradoxista de Florentim escrita de maneira convencional, em versos, agradou em cheio à platéia, porque essa mesma platéia descobriu-a impregnada de lirismo, contrariando a intenção do próprio autor.
Segundo a Dra. Teresinka, foi providencial a oportunidade de vir a Joinville, nesta sua visita ao Brasil, resultado de contatos com seu correspondente aqui, o poeta e escritor Luiz Carlos Amorim, pois assim pôde entrar em contato com os estudantes e professores da Universidade de Joinville e estabelecer um intercâmbio literário e cultural, da Universidade de Ohio com os escritores catarinenses. (matéria publicada na edição 46, de set/93)

 

A FUGA DA ABELHA RAINHA


Maria de Fátima Barreto Michels

Sei.
Planejas te mudar
Majestade do mel
E desta vez não permitirás que te sigam
Vejo.
São outras, tuas intenções!
Já não te satisfazem, 
geléia e própolis que te alimentavam
Exausta tentas despistar teu séqüito
Que na orfandade, sem rumo,
Descobre-se!
Tua natureza de apontar floradas,
 negar, ninguém há de.
 Pois o mel,
que nos deixas de herança,
contem uns sais
que não deterioram
E eu que
bem-te-vi
ainda com o cetro
Acompanho este plano-vôo
derradeiro para a
Flor Maior
Quando sumires,
 na imensidão de vez ,
 operária, revezar-me-ei,
junto com outras abelhas irmãs!

Da tua fonte
é que beberei, é da minha natureza
honrar tua doçura!

 

CEM ANOS SEM CRUZ E SOUSA

(matéria publicada no Suplemento 64, de março de 98)

O ano de 1998 marcou o centenário da morte do maior nome da poesia catarinense de todos os tempos e um dos maiores, senão o maior poeta simbolista do país: Cruz e Sousa.
João da Cruz e Sousa nasceu em Florianópolis, antiga Desterro, em 24 de novembro de 1861 e morreu ainda jovem, aos 37 anos, em 1898, no Rio de Janeiro.
O poeta era filho de escravos alforriados do Marechal Guilherme Xavier de Sousa que, além de emprestar o nome, possibilitou-lhe chegar ao Ateneu Provincial, de onde saiu professor e jornalista. Possibilitou-lhe, também, dessa maneira, a incursão pelo meio intelectual da província.
Em 1877, subia ao
s palcos para recitar seus poemas, com a elegância que lhe era peculiar. Sua cor, no entanto, causava antipatia: era negro. Como jornalista, escreveu para vários jornais e publicações culturais alternativas, como “Colombo”, que ele próprio fundou em 1881, aos vinte anos.
O preconceito sofrido na província, no entanto, fez com que procurasse um meio de deixar a ilha. Integrou-se à Cia. Dramática Julieta dos Santo
s e com o grupo percorreu todo o Brasil. Ao conhecer o Rio, em 1890, decidiu lá ficar. Conviveu com grandes nomes da literatura brasileira da época, como Raul Pompéia, Olavo Bilac e Coelho Neto. Trabalhou em vários jornais e publicou seus dois primeiros livros, “Missal” e “Broqueis”, num mesmo ano, 1893. Nesse ano, também, casava-se com Gavita.
Depois do lançamento dos dois livros, a editora do poeta fecha as portas e ele cai no esquecimento. O que não quer dizer que não tenha continuado produzindo, pois consegue concluir “Evocações” e “Faróis”, apesar de não poder vê-los publicados. O primeiro, saiu no mesmo ano da morte do poeta, em Minas, e o segundo saiu dois anos depois.
A obra de Cruz e Souza, de uma genialidade indiscutível, só foi reconhecida postumamente. A vida particular do poeta, marcada pela injustiça e pelo preconceito, foi trágica, desaparecendo a família toda vítima de um mesmo mal, a tuberculose.
Cruz e Sousa, poeta catarinense, merece o tributo da sua gente, pela sua obra a projetar o nome do nosso estado em âmbito nacional.
No ano de 1998, a Comissão Estadual do Centenário da Morte de Cruz e Sousa, criado por decreto governamental de agosto de 98, organizou um programa que pretendia fazer com que o Brasil todo passasse a conhecer a beleza e o significado da poesia e da prosa deste catarinense que não teve em vida o reconhecimento que merecia, difundindo a sua obra entre todos os brasileiros, pelas mais diferentes formas e meios, como cinema, tv, imprensa, teatro, etc.
Também fazia parte das comemorações o apoio ao projeto do filme “Cruz e Sousa, o poeta de Desterro”, do catarinense Silvio Back, filme que foi concluído e lançado com sucesso no ano seguinte. Enquanto o filme não ficava pronto, na época, foi exibido outro, “Ana Paixão”, nas escolas do estado.

 

 

LITERARTE

A ILHA NA FEIRA DE RUA DO LIVRO

Começando antecipadamente as comemorações das Bodas de Prata, o Grupo Literário A ILHA estará lançando, na Feira do Livro de Rua de Florianópolis, esta edição do Suplemento Literário A ILHA, especial de aniversário. São vinte e cinco anos criando e mantendo espaços para a poesia e para a literatura,
O Grupo estará lançando, também, no stand da Livraria Novo Horizonte, na quinta-feira dia 5 de maio, as 19 horas, os livros “Saudades de Quintana” crônicas, “Nação Poesia” poemas e “A Luz dos Seus Olhos” contos, de Luiz Carlos Amorim. Visite a Feira e conheça o trabalho deste grupo.

LANÇADA A COLEÇÃO MARIO QUINTANA

Foi lançada no dia primeiro de maio, em Porto Alegre, a coleção Mário Quintana, inaugurada com a reedição de seus três primeiros livros: “A Rua dos Cataventos”, “Canções” e “Sapato Florido”. Outros quatro volumes serão publicados ainda este ano e, em 2006, ano em que se comemora o centenário de nascimento do poeta, os demais, totalizando 18 livros, entre os quais duas antologias.
Os volumes da coleção obedecem à cronologia e ao conteúdo original de cada livro, recuperando a identidade das obras, ao delimitar com precisão o que ele desejou reunir em cada uma.

OBRA DE MARIANA EM REEDIÇÃO


Os três livros de Mariana - a poetisa Maria Ássima Fadel Dutra - serão reunidos em um só volume que será lançado ainda este ano, dentro das comemorações do vigésimo quinto aniversário do Grupo Literário A ILHA.
“Caminhantes da Minha Rua”, “Folhas ao Vento” e “Sonhar e Viver” serão transformados em uma antologia póetica de Mariana, que será publicada pelas Edições A ILHA.O lançamento será na Feira do Livro de Florianópolis, em Setembro, no Beiramar Shopping.


EXPEDIENTE
Suplemento Literário A ILHA - Edição número 93 - Junho/2005 - Ano 25
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
End. para Correspondência:
lc.amorim@ig.com.br - prosapoesiaecia@yahoo.com.br
A ILHA na Interne: Veja o portal PROSA, POESIA & CIA. em
Http://geocities.yahoo.com.br/prosapoesiaecia


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