SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Edição on-line - Setembro/2005

COMEMORANDO BODAS DE PRATA

E continuamos comemorando os vinte e cinco anos de atividades do Grupo Literário A ILHA, completados em junho último. O Grupo participou da Feira de Rua de Florianópolis, em maio e da Feira do Livro de Itajaí, em julho. Nete mês de setembro, participamos da Feira de Livro de Florianópolis, com o lançamento desta edição do Suplemento Literário A ILHA, trazendo como matéria principal o início das comemorações do centenário do nascimento do poeta Mário Quintana. Também estaremos lançando, lá, a segunda edição do livro "Saudades de Quintana" - crônicas e do "Livro de Natal" - poemas, contos e crônicas.
Agradecemos as manifestações de reconhecimento e de incentivo que recebemos de várias pessoas, de todo o Brasil e até do exterior. A mída tem publicado matérias a respeito, divulgando ainda mais o trabalho desenvolvido.
Nesta edição da nossa revista, o texto da escritora Urda Alice Klueger falando dos vinte e cinco anos d´A ILHA, um testemunho sincero e apaixonado de quem também faz.
Continuamos na luta por espaços para a literatura catarinense e brasileira, como o jornal "Leitores & Livros", por exemplo, um dos melhores jornais literários do país.

 

CORES

Ma. de Fátima Barreto Michels

Outonais...
são deste meu sentir as cores
Prismas inúteis em tempos sem arte
sou tela vazia, emudeço,
destarte.
Beleza há !

Tanta!
Mas não sei pintar desejos inconfessos
de Van Gogh
Sinto paixões do laranja ao ocre
fugidio
trigais repletos
Em mim
há consciência em tons de outono
em terciária
cor

Em ti
vermelho, azul e amarelo
brincam em distraída primavera
no tom do
amor

 

 

NÓS, PASSARINHO!

Urda Alice Klueger

Pois é, há 25 anos atrás, quando o Luiz Carlos Amorim começou a Revista/Movimento/Suplemento literário “A Ilha”, timidamente, lá em São Francisco do Sul, escrevendo os seus poemas com a singeleza que lhe é peculiar, sem o ranço que as Academias ou os que acham que funcionam de acordo com as Academias costumam enfiar goela abaixo de tantos que não sabem discernir bem o que é bom ou não, eu tinha lá meus vinte e poucos anos e também andava estreando na literatura com um ou dois livros, penso, também escrevendo com a singeleza que me é peculiar. Lembro bem de como éramos criticados, os dois, tanto eu quanto o Amorim, por nossa singeleza, por nossa simplicidade: ele, a falar da beleza dos jacatirões; eu, a contar como eram as mesas de jantar dos antigos colonos aqui da minha terra, e as críticas vinham de muitos lugares, como Joinville e Florianópolis, por exemplo, principalmente Florianópolis, que não admitia que em algum lugar nascesse uma revista cheia de simplicidade e de calor humano “do lado de lá da ponte”. Não vou perdoar Blumenau, é claro, onde também muita gente caía de pau na simplicidade tanto do Amorim quanto na minha – tem gente até hoje me classificando na imprensa como escritora “água com açúcar”. Como sempre gostei muito de História, e de romances-históricos, um dia, lá naqueles tempos, disse na imprensa que apreciava muito um romance chamado “...e o vento levou”, e aquilo pareceu alta ofensa a determinados intelectuais que acham coisas muito vazias, às vezes, sobre literatura, e nem se perturbam se o tal livro retrata uma terrível guerra fratricida ou não (e que já vem fazendo sucesso há um século – ah! A inveja mata!) – o fato é que, por algum tempo, fui chamada por aí de “Margareth Mitchell de Santa Catarina”, e como não sou muito boba, sentia bem as entonações de desprezo em determinadas vozes que assim me chamavam.
Vinte e cinco anos se passaram, e o Amorim continuou lá com a revista dele, e eu continuei escrevendo as coisas que achava que devia escrever, e os ditos “intelectuais” foram se arregando, por aí, em empreguinhos públicos, e escrevendo uma coisinha ou outra, e ganhando alguns prêmios e concursos que são visivelmente de cartas marcadas (já disse acima que não sou muito boba), e taí a Revista “A Ilha” fazendo 25 anos, e estou aqui continuando minha carreira, e penso que tanto quanto eu, o Amorim nunca precisou da ajuda governamental para fazer nada: sempre foi pegando e fazendo, bem como eu faço.
E o tempo passou e já são, agora, as Bodas de Prata de “A Ilha”, que tem soberba página na Internet e continua com a revista de papel, e já tenho uma bela produção de livros sempre com novas edições, e então fico a pensar: o que é que tem valor mesmo? As estruturas engessadas da Academia e seus seguidores ou a beleza incomparável dos jacatirões? Sei não, responda você. Sei que nós, o Amorim e eu, passarinho – não sei os outros. A História há de contar!

 

SOU MAR, SOU AMOR

Wilson Gelbcke

Pensei ser pedra, firme e segura...
Ser gaivota, liberdade e ternura...
Contemplo, escuto, me ponto a pensar:
Pedra não sou... Gaivota? Por que sonhar?
Sou mar!
Quando revolto, águas são turvas...
Assusto, amedronto, deixo marcas na areia.
Depois, arrependido, busco a praia limpar.
Quando sereno, águas são cristalinas...
Em sussurro, ondas te faço escutar.
Não te assustes, oh praia,
se pareço inconstante,
não sou águas de rio, que fogem do leito
para não mais voltar.
Revolto ou sereno, sempre fiel...
Turvas ou cristalinas,
minhas águas não fogem...
Estão sempre contigo,
sou mar, sou amor!

 

2006: CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE QUINTANA

A partir do dia 30/07/05, começaram no Brasil as comemorações do centenário do aniversário do grande poeta Mário Quintana. E a Biblioteca Pública Luiz de Bessa, de Belo Horizonte, foi quem deu a partida, com a exposição “Mário Quintana, o poeta do simples”, divulgando a poesia desse grande poeta, que é digno das mais belas homenagens. Quintana sempre se mostrou como um amante da simplicidade e voltou seu olhar, principalmente, para a vida cotidiana. Iniciadas antecipadamente, as comemorações do centenário de Mário Quintana, que se dará, na verdade, em 2006, a editora Globo já distribuiu nas livrarias os três primeiros livros do Mario (CANÇÕES, A RUA DOS CATAVENTOS, e SAPATO FLORIDO), em edições primorosas. Em seguida, sairam mais dois, O APRENDIZ DE FEITICEIRO e ESPELHO MÁGICO. Muito bom o destaque que a reedição do Mario Quintana vem ganhando na mídia. Na Bienal do Rio, os três primeiros títulos do Quintana tiveram um lugar especial nos cadernos de cultura das principais jornais brasileiros. Isso confirma a força e p valor que Mario Quintana. A Editora Nova Aguillar também prepara uma super edição de luxo organizada pela professora Tânia Carvalhal. E a Moderna esquenta os motores para lançar uma biografia do poeta escrita por Márcio Vassallo, dentro da coleção Mestres da Literatura. Ainda em função do centenário do grande poeta, em 2006, e para criar uma atmosfera mais aconchegane ao público que visita as dependências da Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, vários projetos serão levados a efeito, no sentido de tornar disponível todo o acervo da instituição. A aquisição de equipamentos facilitarão não só a consulta ao site da Casa da Cultura Mário Quintana e às informações sobre o poeta nele contidas, como também o aceso aos conteúdos de vídeos que integram o acervo.
Saiba um pouco sobre o poeta Mário Quintana:
-Poeta brasileiro, nascido em Alegrete (RS), em 30 de julho de 1906.
- Aprende a ler aos 7 anos de idade, auxiliado pelos pais, tendo como cartilha o jornal Correio do Povo.
- Seu conto, A Sétima Personagem, é premiado, em 1925, em concurso promovido pelo jornal Diário de Notícias, de Porto Alegre.
- Em 1940 sai a primeira edição de seu livro A Rua dos Cataventos.
- Em 1946 sai a edição de seu segundo livro, Canções.
- Em 1950, publicação de O Aprendiz de Feiticeiro, versos, pela Editora Fronteira, de Porto Alegre.
- Em 1967, recebe o título de Cidadão Honorário, conferido pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
- Em 1980, publicação de Esconderijos do Tempo, pela L & PM Editores. Recebe o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra.
- Em 1986, recebe o título de Doutor Honoris Causa pela UNISINOS (Universidade do Vale dos Sinos) e pela PUCRS (Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Publicação de Baú de Espantos, pela Editora Globo. Reunião de 99 poemas inéditos (1982 a 1986).
- Em 1988, lançamento de Porta Giratória, pela Editora Globo, Rio de Janeiro, reunião de crônicas sobre o cotidiano, a infância, a morte e o tempo.
- Em 1990, lançamento de Velório sem defunto, poemas inéditos, pelo Mercado Aberto, Porto Alegre.
- Em 1994, publicação de seus textos na revista literária Liberté - editada em Montreal, Quebec (Canadá). Publicação de Sapato Furado, pela editora FTD - antologia de poemas e prosas poéticas, infanto-juvenil. -Falece no dia 05 de maio.

PALAVRAS DO POETA:

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Nest e último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade. Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à min ha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos c omo os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. N ote-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.
(O texto acima foi escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984.)

 

MELHOR IDADE

Aracely Braz

A passos moderados,
Sigo despreocupadamente,
Sussurrando a imaginar:
Onde dará meu caminho?
E uma dúvida me assalta:
O que julgam de mim?
Não sei se vou ou se fico:
Se vou à praça,
Olho quem passa e lembro:
Quantos verões, primavera, outonos.
Feito o tempo, só vou:
Não sei se ele passa por mim,
Ou eu é que passo por ele.
Mergulho na imensidão do espaço
E convicta, murmuro:
Grata sou por viver
E pela magia dos sonhos,
Pois sem sonho não há vida.

 

INCENTIVO À PRODUÇÃO LITERÁRIA

Por Luiz Carlos Amorim

Fui convidado, recentemente, para ser jurado de um concurso de estímulo à produção cultural promovido pela Fundação Cultural de Joinville.Eu e mais outros dois escritores ficamos com a área literária. Já tinha participado de outros corpos de jurados anteriormente, mas então tínhamos que ler e avaliar apenas peças de gêneros como poesia, conto ou crônica. Desta maneira, por maior que fosse o número de inscritos, a quantidade de textos para ler não chegava a assustar.
Mas desta vez o concurso estava dando como prêmio o custeio da publicação de obras inteiras, completas. E não havia um gênero distinto. Os autores poderiam inscrever qualquer gênero, desde que fosse literário ou sobre cultura. Quando vi os originais dos vinte e cinco livros ao abrir dos envelopes, fiquei assustado. Um dos originais tinha mais de quinhentas páginas. Havia originais dos gêneros poesia, conto, romance, literatura infanto-juvenil, pesquisa na área cultural sobre teatro, sobre literatura e até sobre um ancianato.
Era muito trabalho, mas valeu a pena, pois havia coisas muito boas. Em contrapartida, é claro, havia coisas muito ruins. Mas foi bom saber que boa literatura está se produzindo, e melhor ainda, não por aqueles autores já conhecidos, as figurinhas marcadas. São trabalhos bons, de autores novos. De uma das obras premiadas não se pode dizer exatamente que era de autor novo, pois trata-se de edição crítico-genética do diário de um escritor catarinense – Harry Laus – já falecido, feita por uma leitora atenta, que se constitui num verdadeiro manual de leitura, de criação literária, de crítica literária, de teoria literária e de boas indicações de leitura – essa a obra mais volumosa.
Um detalhe que chamou a atenção, foi a pequena incidência de livros de poesia. Pensamos, eu e outro jurado, que o gênero poesia seria maioria, no que nos enganamos. Havia cinco livros de poemas – dois de qualidade média e os outros de baixa qualidade. Um deles, inclusive, tentou a rima, o que tornou mais desastroso ainda o resultado final – os temas eram fracos, o vocabulário idem. E com rima pobre, então, ficou péssimo.
A maioria era de romances – o que também surpreendeu – porque a gente imagina os novos escritores se aventurando primeiro no conto ou na poesia, para depois se lançar a outros gêneros. O que ficou provado que não é bem assim. Houve, até, alguns poucos que poderíamos classificar como bons – um dos autores tentou enveredar, talvez, pelo estilo de Dan Brown – consegui vislumbrar alguma semelhança - e não se saiu de todo mau. Em compensação, havia outros que era difícil conseguir ler. Um deles, por exemplo, não separou a prosa dos diálogos e ficou uma coisa muito embolada, massuda, até de difícil entendimento para o leitor, pois da maneira como estava tudo misturado, às vezes não se sabia quem estava falando com quem, se era diálogo ou não. Faltou, em alguns casos, no mínimo, uma boa revisão. E faltou também leitura, muita leitura, antes da escritura.
Houve um único livro de contos concorrendo e foi premiado, pois era muito bom. Histórias com temas singulares, beirando o fantástico-maravilhoso, com técnicas bem diversificadas de contar, muito dinâmicas e objetivas.
O gênero infantil ou infanto-juventil apareceu em duas ou três obras e uma delas foi muito feliz – pasmem – uma fábula ensinando tudo sobre a reciclagem de lixo para termos um mundo melhor amanhã. A história é muito boa, com ótimas personagens – envolvendo, além das crianças, anjos visíveis e invisíveis -,com fundo educacional que funciona muito bem no contexto geral.
Diferente do que nos parecia a tendência, nenhum romance foi premiado, apesar de ser o gênero da maioria dos originais, assim como também nenhum livro de poesia. Os premiados foram o gênero conto, o gênero infantil e outro de crítica de um diário literário.
Então, apesar da pequena amostra (pequena porque foram apenas vinte e cinco livros), a experiência foi boa, no sentido de que pudemos ver a quantas está a criação literária, a produção literária fora dos grupos de escritores já conhecidos, consagrados. E, considerando-se o que tem sido publicado, ultimamente, ela vai bem, obrigado (a produção dos novos, é claro)
!

 

ANIVERSÁRIOS

             Virgínia Vendramini

Cheiro bom de baunilha no ar,
E no bolo o glacê cor-de-rosa.
Poucas velas O tempo a somar...
Mais um ano da infância gostosa.

Muito tempo passou e os presentes
São da festa, por certo, o melhor.
Mas  dóem, hoje, os rostos ausentes,
Noutros tempos, da mesa ao redor.

Já não ouço a festiva canção
Já não brilham as velas acesas
Já não sinto a tão doce emoção...

Só me resta, de fato, a certeza
De que os anos maldosos nos dão
Solidão como prenda e tristeza.

 

LEITORES E LIVROS: O MELHOR JORNALISMO LITERÁRIO

O jornal (ou seria revista?) Leitores & Livros voltou com força total. Recebo a edição mais recente e posso dizer, sem favor nenhum, que está excelente. Novo formato, com mais páginas e mais conteúdo. Assuntos do maior interesse para quem gosta de livros e de leitura. A edição52 de Leitores & Livros já estava soberba. A edição 53, melhor ainda.
E a 54 ... Está circulando a edição 54, referente a julho e agosto, de uma das melhores publicações sobre literatura, atualmente. É, continuo falando de Leitores & Livros. Matérias interessantes e oportunas, com linguagem agradável e objetiva. Para quem não conhece, e é apreciador de bons livros e boa leitura, vale a pena tomar conhecimento. O site é www.leitoreselivros.com.br e ali já dá pra ter uma idéia do que o jornal é. E, importante, através do site pode-se entar em contato com os editores para assinar e assim, poder ler a versão impressa, repleta de bons assuntos, num formato prático e uma apresentação impecável.
Nesta edição, assuntos como “Memória Nacional é violentada”, sobre odescaso com a Biblioteca Nacional, “Biblioterapia”, “Algum mortal em meio à humana lida...”, crônica de Enéas Athanázio, “Sobre literatura e literatos”, “Jovem usuário de internet lê mais”, “Sumiço de livros raros na biblioteca de Paris”, “Professor instala acervo no interior e atende até estados vizinhos”, “Bibliocasa - quando a biblioteca toma conta da casa”, “Saudades de Quintana”, crônica com acréscimo de textos do próprio poeta gaúcho em prosa e verso.
A publicação não é, absolutamente, aquele tipo de jornal ou revista literários com ensaios imensos, de linguagem rebuscada e hermética, escrita para meia dúzia de “intelectuais”. Leitores & livros tem linguagem jornalística, objetiva e dinâmica, com uma diagramação inteligente e uma apresentação impecável. Visite o site de Leitores & Livros e conheça o trabalho de seus editores. Assine o jornal que vale a pena.

 

TERNURA

Vânia Moreira Diniz

O olhar era intenso.
Como brilhantes faiscantes,
Admiráveis,
Imutáveis.

Havia neles,
Mais do que brilho,
O regozijo pela vida,
E o fulgor da esperança.

Fixavam um ponto distante,
Como perdidos no sonho,
Quimeras incandescentes,
De longa duração.

Nada parecia irreal,
Na intensidade do momento,
Refletido em soberbas pupilas.

Sinônimo era ternura,
Da expressão a mais linda,
Que enxerguei um dia...

 

LANÇAMENTO DE "CONVERSA DE BICHOS"

Acaba de ser publicado, pela Franco Editora, de Minas Gerais, o livro de poesia infantil de Rosângela Borges, “Conversa de Bichos”. Com ilustrações de Ane C. Winter, o livro traz poemas sobre bichos como a pulga, a abelha, a cobra, o pato, o pinguim, o leão, o urso, o camelo e outros, em páginas coloridas e divertidas. O livro foi lançado no dia 25 de agosto na livraria Midas, em Joinville, quando compareceram centenas de crianças, e será lançado na Feira do Livro de Florianópolis, no dia 10 de setembro, a partir das 14 horas, nos Stands A31 e A33 das Academias e Associações literárias.
Rosângela tem o dom da poesia. Já publicou, desde a sua adolescência, em jornais, revistas, antologias. Enveredou pelo difícil caminho da literatura para crianças e foi muito feliz. Ela sabe captar e colocar em versos o encanto e a singeleza das coisas, sejam essas coisas objetos ou animais, com a musicalidade e a cadência que lhe é peculiar. Como ninguém, ela sabe fazer a sua poesia encantar a criança que, começando a descobrir o universo por detrás da dança das palavras, aprende através das rimas, de maneira divertida e criativa. Rosângela conhece bem a criança e o seu universo e prova disso é esse livro, que evidencia a capacidade e a eficiência do seu fazer poético.
O poema abaixo foi extraído do livro "Conversa de Bichos", e dá bem uma idéia do que é a obra.

 

O URSO ENCUCADO


Rosângela Borges


O urso anda estranho,
Calado,
Triste,
Irritado.
Já não quero saber de mel.
Já nem olha mais proc~eu...
Parece tão cansado,
Distante,
Desanimado!

O irmão se preocupa:
- O que há com a sua cuca?
Todo mundo pergunta.
E todo mundo se agita:
- Urso, por que você
Não canta, dança, dorme ou grita?

Mas o urso não sabe o que tem.
Ele não fala com ninguém.
Será a chuva?
Será a extinção?
Ou problemas de coração?

Com um olhar assim parado,
Ele diz meio amassado:
- Estou bem, só estou...
Apaixonado!

 

 

UMA PAIXÃO TRINTENÁRIA:
O CONTESTADO

(última parte)

Por Enéas Athanázio

Fechando a parte inicial, propõe um olhar à floresta e não apenas às arvores, no sentido de ampliar as pesquisas, antes focalizadas no episódio da guerra, e portanto muito estreitas. Lembra o abandono da região, distante de ambas as capitais (Florianópolis e Curitiba), cuja população viveu, e em parte ainda vive, à margem de tudo, esquecida e entregue à própria sorte. Note-se que só agora, em maio de 2004, é inaugurada a chamada “Estrada da Amizade”, ligando Caçador-Calmon-Matos Costa e Porto União, omissão que constituía autêntico escândalo administrativo. E conclui, relacionando os objetivos de seus estudos (pág. 66).
Na segunda parte – “Estudos sobre a Guerra do Contestado” – o autor relaciona a bibliografia e o patrimônio artístico-cultural existentes sobre o tema. Creio que se trata do mais completo levantamento até hoje feito do que se deu a público a respeito desse movimento revolucionário que abalou o sul brasileiro. Ele comenta as obras mais significativas, desde as primeiras tentativas de apresentação de referências bibliográficas impressas, e depois agrupa, segundo o gênero ou a origem, todas as obras surgidas: obras de militares que participaram do conflito, obras dos pioneiros ou construtores da história do Contestado, ensaístas que produziram no rigor científico ou com visão religiosa, autores de romances, novelas e poesias com temática calcada no Contestado, depoimentos pessoais, trabalhos jornalísticos, jurídicos, monografias, dissertações, teses, trabalhos inseridos em livros de história geral, regional e local, tanto dados a lume em nosso Estado como no Paraná e em outras regiões do país. Avoluma-se aí, como é natural, a vasta produção do próprio autor, uma das maiores contribuições ao tema. É curioso observar a riqueza da iconografia contida no livro, reproduzindo as capas das obras mais importantes, inclusive muitas de acesso quase impossível. Embora eu não seja historiador e nem me dedique de forma específica ao assunto, constatei com satisfação minha presença em vários lugares, em prefácios, orelhas e comentários, além do roteiro para leituras que procurei organizar por sugestão de amigos. Muitas obras ali reunidas foram por mim comentadas na imprensa. É hoje copiosa a bibliografia sobre o tema, permitindo o aprofundamento das pesquisas pelos interessados, e ela não cessa de crescer, atestando o interesse cada vez maior pela “insurreição xucra.”
No capítulo destinado ao patrimônio artístico-cultural o autor registra os murais concebidos por artistas plásticos, oratório e peças teatrais, o Museu do Contestado, montado numa réplica da antiga estação ferroviária, na cidade de Caçador, contando com amplo acervo e com trinta anos de existência, os marcos arquitetônicos, o Contestado no cinema, na televisão, em CDs, figuras do episódio vistas por chargistas e caricaturistas, turismo histórico, grupos de estudo e, por fim, a bandeira do Contestado, cujo tamanho, desenho, forma e cores foram regulados por lei. Além disso, perpassando todo o livro, a presença decisiva da Universidade do Contestado (UnC), através de seus campi, batalhando pela difusão da região e pela cultura em geral.
Trata-se, enfim, de um livro que é um marco na região do Contestado e sua história, registrando o trabalho incansável de um abnegado e contribuindo para que nosso Estado, tão dividido em regiões, passe a se entender melhor e, em conseqüência, lutar em conjunto pela Terra Catarinense. (Contatos com o Autor: Rua Poeta J. Amazonas, 3 3 – Santelmo – 89500-000 – CAÇADOR – SC).

 

LITERARTE:

 

2ª edição de SAUDADES DE QUINTANA


O livro de crônicas “SAUDADES DE QUINTANA”, de Luiz Carlos Amorim, está com uma segunda edição - revista e ampliada - sendo lançada na Feira do Livro de Florianópolis, no dia 10 de setembro, as 17 horas, nos stands A31 e A33, das Academias e Associações Literárias.
O livro é uma homenagem ao centenário de nascimento do poeta Mário Quintana, que acontece em 2006 e já teve as comemorações iniciadas.Trata-se de seleção de crônicas publicadas em jornais, revistas e portais na internet.

 

NECESSIDADE

Djanira Pio

Preciso de uma riquiza

Morna

Percorrendo

Meu sangue

Para animar

Meu coração ferido.

 

CHICO PEREIRA ASSUME CADEIRA NA ACL

O escritor Francisco José Pereira assumiu a cadeira número 5 da Academia Catarinense de Letras (ACL), na vaga deixada por Teobaldo da Costa Jamundá. A cadeira tinha como patrono o jornalista Crispim Mira, que dá nome à rua, no centro de Florianópolis, na qual Pereira passou a infância e que foi tema de seu livro "As Duas Mortes de Crispim Mira" (Editora Garapuvu). Pereira é escritor e jornalista. Começou a escrever em 1957, quando cursava direito. Formado, advogou na área trabalhista. Foi preso durante a ditadura militar, quando teve de se exilar na América Latina e na África. O autor prepara, para o mês de julho, o lançamento de mais uma obra: "O Tempo de Eduardo Dias - Tragédia em Quatro Tempos" (Editora Garapuvu), sobre o pintor catarinense.

 

INVENÇÃO

Djanira Pio

Inventei

Essa calma

Para enganar

A angústia

Que mora em mim...

 

“A ILHA” na FEIRA DO LIVRO DE FLORIANÓPOLIS

 

O Grupo Literário A ILHA estará presente à Feira do Livro de Florianópolis, que acontece de 01 a 11 de setembro no Beira-
Mar Schopping, com o lançamento desta edição do Supl. Literário A ILHA e do “LIVRO DE NATAL” - contos, poemas e crônicas de Luiz Carlos Amorim e do livro infantil “CONVERSA DE BICHOS”, de Rosângela Borges (vide matéria nesta edição).
Os lançamentos acontecerão nos standes das Academias e Associações Literárias, por gentileza da Câmara Catarinense do Livro. Rosângela Borges estará autografando no dia 10, Sábado, depois das 14 horas e durante toda a tarde.

 

POESIA DO MUNDO

Nesta edição do Suplemento Literário, espaço para a poesia de poetas de alguns países, traduzida pela também poetisa Teresinka Pereira e uma delas por Luiz Carlos Amorim.

 

A ETIQUETA DO AMOR

Teresinka Pereira

(Brasileira radicada nos Estados Unidos)

Não o vejo,
Mas toco sua pele
Com meus sentidos e minha sede.

Em minha boca
Tenho gravada
A etiqueta do amor,
Testemunha de meias noites
Sem preço
Com licores e carícias
Na sala e em seu quarto.

Beijando sua pele em silêncio,
Com minhas mãos ardentes
Levanto-o como a uma torre
Onde lhe entrego minha tristeza
E minha total liberdade.

 


OS ANOS

Paul Courget (França)

"Eu tenho mais lembranças
Do que se tivesse mil anos."
Disse um poeta em algum lugar...
Quanto a mim, eu as possuo,
Aos milhares e às centenas
Escondidas no fundo do esquecimento.
Mas, quando eu trago
Alguma dessas lembranças à tona
Para arrancá-la de minha cabeça,
Ela se escapa no pó da fuga
Mesmo nas barbas do importuno.

(De "La Ronce et le Chardon)

 


EM QUE DIREÇÃO VOCÊS ESTÃO
CRESCENDO, CRIANÇAS?

Florentin Smarandache (Romênia)

Começa a primavera
Com ramos adornada
Com flores
As árvores estão crescendo
Suas cabeças
No vento
As folhas
Falam da solidão
Da Terra
Da grama verde
Os brotos estão crescendo

Em que direção vocês estão crescendo,
Crianças?

(Tradução de Luiz Carlos Amorim)

 

PERGUNTE AOS SEUS OLHOS

Petr Sevcik (República Czka)

Pergunte aos seus olhos
E não diga nada depois disso
Volte ao silêncio
Um sorriso mais ou menos
Parecido ao murchar florescendo
O chão úmido,
Cheirando mal, inseguro
Como úlceras ou espinhas
A vida vai passando
De qualquer jeito
E nada vai mudar
Ouvindo o que digo
Tudo em voz suspensa

(Tradução por Teresinka Pereira)


SEM TÍTULO

José Bono (USA)

E mais sangue derramado
E mais sangue será gastado
E mais sangue vai manchar a terra.

A sede nunca vai ser aplacada
Sempre mais sangue,
Rubro, pegajoso, quente,
Certamente como brinquedos
Para nossos líderes
Fingindo ser deuses.

Não são seus os filhos
Que tomam armas
E marcham para a batalha,
Que se lançam no conflito
Sobre o qual nossos dignatários
Nos mentiram, para convencer
Aos que estão dispostos a morrer
Para manter nossa maneira de viver
Contra os outros que defendem
A soberania da sua nação

Eles pagam o preço
E o preço é a morte!

(Tradução de Teresinka Pereira)


VÃO-SE AS NUVENS


Loreta Bonucci (Itália)

Vão-se as nuvens
no céu
vão-se lentamente
na direção da montanha.
Nuvens ignoradas
que adornam
o céu
e dão harmonia
a este dia
que passa com pressa
assim como passam
as coisas de prazer.

 


CARAS DE FORA

David Stone (USA)

Anjos acrobáticos
Abraçados
Numa rua escurecida

Membranas incomodadas
Se encontram no verde xisto.


OUTSIDE FACES

Acrobatic angels
Embaraced
On a darkened street.

Teething membranes
Met in green shale.

(Tradução de Teresinka Pereira)

 


EXPEDIENTE
Suplemento Literário A ILHA - Edição número 94 - Setembro/2005 - Ano 25
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
End. para Correspondência:
lc.amorim@ig.com.br - prosapoesiaecia@yahoo.com.br
A ILHA na Interne: Veja o portal PROSA, POESIA & CIA. em
Http://geocities.yahoo.com.br/prosapoesiaecia


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