SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Junho/1980 - Junho/2003:

23 ANOS

Leia também nesta edição:(clique sobre os titulos na capa ou abaixo para ir direto ao assunto)

- "Livros, Leitores e Escritores", por Enéas Athanázio

- Projeto Poesia na Rua no aniversário d´A ILHA

- Novo livro de Veríssimo

- Novo filme sobre o Contestado

-Bienal do Livro do Rio

- Edições anteriores do Suplemento Lit. A ILHA

- E muita poesia

 

"A ILHA" ESTÁ FAZENDO 23 ANOS!

Li, recentemente, num jornal paranaense intitulado “Rascunho”, de autoria de Rogério Pereira, sobre a formação das “Panelas”, mais conhecidas como “panelinhas”, aquelas coisas pequenas e aviltantes que existem por todo o canto, onde um grupo que se intitula “intelectual” e, portanto, dono de toda a verdade, sente-se no direito de malhar o pau em quase todo o novo que chega na área de literatura e que não tenha a sua cara de quem sofre de prisão de ventre. Se o novato fizer sucesso, então, a coisa fica muitíssimo pior, pois a inveja é uma coisa que deixa as panelas esverdinhadas de amargura. Eu sei disto porque sofri bastante com as maldades de algumas dessas “panelinhas” - em minúsculo me soa melhor - que disseram, pelas minhas costas, toda uma sorte de coisas, como que eu eu era uma bobinha qualquer, escritora de coisinhas feitas de água e açúcar, escritorazinha de província dedicada ao mau gosto popular e outras bobagens assim, nascidas da inveja do sucesso que veio comigo desde o começo. Até hoje têm gente de tais “panelinhas” que ainda não se conforma que eu faça sucesso, mesmo duas décadas depois.
Daí vem o caso do meu amigo Luiz Carlos Amorim, que por coincidência nasceu no mesmo dia, mês e ano que eu - poderíamos ter sido gêmeos, embora só tenhamos vindo a nos conhecer já em idade adulta. Pois o Luiz Carlos Amorim, começando lá por São Francisco do Sul, e depois indo para Joinvile, e depois para Florianópolis, e depois para o mundo, através da Internet, foi, desde o começo arreliado o mais possível pelas “panelinhas” dos pobres de espírito, aqueles que vivem verdes de inveja do sucesso dos outros, e se falaram de mim, o que falaram do meu quase gêmeo!
Só que o Luiz Carlos Amorim nunca esmoreceu - de revista mimeografada, hoje ele tem uma belíssima revista virtual, “A Ilha”, disputada pelos melhores escritores (Ôõõõps! Como é que não estão naquela revista os esverdinhados das “panelinhas”, se eles são os melhores? Daí eu pergundo: quem disse que eles são os melhores?), e contribui ele, também, para um sem números de outras publicações virtuais ou não de alta qualidade - e cadê o pessoal das panelinhas? Continua verde de inveja, destilando veneno, incapazes de dizer: “Minha revista está fazendo 23 anos”, porque a capacidade dos invejosos nunca vai muito longe. Amorim, parabéns pelo seu sucesso! Que bom que nem eu nem você nunca prestamos atenção a esse pessoal meio esverdinhado, não?

Urda Alice Klueger - Escritora e historiadora.

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MEUPOEMA


Luiz Carlos Amorim


O meu poema é você:
Inspiração, emoção,
A rima do corpo-a-corpo,
Pele-a-pele, boca-a-boca,
O ritmo em sincronia
De corações como um só...
A métrica da ternura.

 

OS CINQÜENTA ANOS DA MORTE DE GRACILIANO RAMOS: REEDIÇÃO DA SUA OBRA

Há cinqüenta anos morria, no Rio de Janeiro, o escritor brasileiro conhecido universalmente como mestre da observação. E mais fiel a sua terra: o objetivo do seu ofício de escrever era revelar o Nordeste e os conflitos de sua gente. Com as comemorações do cinqüentenário da morte de morte de Graciliano Ramos, toda a obra do escritor será relançada pela Editora Record com posfácios assinados por figuras importantes do mundo literário e uma nova bibliografia que será acrescentada a cada título. A reedição começa com “Vidas Secas” e os próximos títulos serão “São Bernardo”, “Infância”, “Insônia” e “Alexandre e outros heróis”. Em cada edição está sendo feito um trabalho de fixação de texto, comparando os textos com o último de cada um revisados por Graciliano, que estão no Instituto de Estudos Brasileiros da USP. O trabalho consiste em erradicar qualquer erro incorporado às edições ao longo dos anos e deixar o texto o mais fiel possível aos originais.
Lançado originalmente em 1938, “Vidas Secas” é o romance em que Graciliano - tão meticuloso que chegava a comparecer à gráfica no momento em que o livro entrava no prelo, para checar se a revisão não haveria interferido em seu texto - alcança o máximo da expressão que vinha buscando em sua prosa. O que impulsiona os personagens é a seca, áspera e cruel, e paradoxalmente a ligação telúrica, afetiva, que expõe naqueles seres em retirada, à procura de meios de sobrevivência e um futuro.
O alagoano Graciliano Ramos nasce a 27 de outubro de 1892, na pequena cidade de Quebrangulo, lugar onde permanece por poucos anos. “Meu pai, Sebastião Ramos, negociante miúdo, casado com a filha de um criador de gado, ouviu os conselhos de minha avó, comprou uma fazenda em Buíque, Pernambuco, e levou para lá os filhos, a mulher e os cacarecos. Ali a seca matou o gado - e seu Sebastião abriu uma loja na vila. Da fazenda conservo a lembrança de Amaro Vaqueiro e de José Baía. Na vila conheci André Laerte, cabo José da Luz, Rosenda Lavadeira, padre José Ignácio, Filipe Benício, Teotoninho Sabiá, seu Batista, dona Marocas, minha professora, mulher de seu Antônio Justino, personagens que utilizei anos depois.” Em 1899 nova mudança, para Viçosa, Alagoas. E, logo depois, para Maceió, onde passa a freqüentar o Colégio Quinze de Março. Suas primeiras experiências como escritor aparecem no periódico Echo Viçosense e no jornal carioca O Malho.
Ao completar 18 anos, Graciliano vai residir em Palmeira dos Índios, onde cuida da casa comercial do pai. Mas a vida de comerciante não o atrai. Pensa em “procurar alguma coisa na imprensa”, o que se torna uma realidade ao chegar ao Rio de Janeiro em 1914 e começar a trabalhar como revisor no Correio da Manhã. A experiência, no entanto, dura pouco tempo. No ano seguinte, uma tragédia familiar o faz voltar a Alagoas. Nessa época, deixa de colaborar com todos os periódicos, atividade que só voltaria a exercer cinco anos depois. Ainda em 1915, casa-se com Maria Augusta de Barros - com quem teve quatro filhos -, e que morre em 1920, devido a complicações no parto.
O ano de 1925 marca o início do romance “Caetés”, concluído em 1928, mas revisto várias vezes até 1930. “Vou mexer num capítulo e ver se mando logo para o Rio aquela encrenca”, diz. O lançamento do livro, de fato, só aconteceria em 1933. O final da década de 1920 marca ainda outros dois momentos importantes de sua vida: o casamento com Heloísa Leite de Medeiros, companheira até o fim de sua vida e mãe de seus outros quatro filhos, e a eleição para prefeito de Palmeira dos Índios, cargo que renuncia, em 1930, dois anos após a posse. Poucos meses depois é nomeado diretor da Imprensa Oficial de Alagoas, mas pede demissão em dezembro de 1931. No ano seguinte, na sacristia da Igreja Matriz de Palmeira dos Índios, escreve os primeiros capítulos de S. Bernardo, romance concluído no mesmo ano e publicado em 1934.
Em 1933, é nomeado diretor da Instrução Pública de Alagoas e, ao mesmo tempo, contratado como redator do Jornal de Alagoas. Em março de 1936 é preso, em Maceió, sem culpa formada, sob a alegação de que seria comunista. Passa por várias prisões, em Maceió e Recife. Segue no porão de um navio para o Rio de Janeiro, onde fica quase um ano na cadeia. Diz em uma carta à mulher: “Estou resolvido a não me defender. Defender-me de quê? Tudo é comédia e de qualquer maneira eu seria um péssimo ator.” Em agosto, ainda na prisão, publica o romance “Angústia”. Ao sair, vai morar no Rio de Janeiro com a família. Inicia a publicação de alguns contos no jornal argentino La Prensa, entre eles o texto “Baleia”, que faria parte da edição de Vidas secas, publicado em 1938.
Ao completar 50 anos, recebe o prêmio Felipe de Oliveira pelo conjunto de sua obra. Em 1945 lança “Infância”. Dois anos depois, sai do prelo seu sexto livro: Insônia. Em 1952, viaja com a mulher Heloísa à União Soviética, e as impressões dessa viagem são reunidas em um livro póstumo. Sua saúde se agrava no decorrer desse ano. Em setembro é operado sem sucesso e em janeiro do ano seguinte é internado. Morre no dia 20 de março, pela manhã. No mesmo ano, é publicado postumamente “Memórias do cárcere”. O Velho Graça deu também uma grande contribuição ao cinema brasileiro: vários livros dele se transformaram em filmes.

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MEUS VERSOS

Aracely Braz


Rabisco em meus versos
o que dita o coração.
É um carinho, um presente
aos que buscam novos sonhos
fazendo deles canção.
Um presente também ao sol
que guia os nossos passos,
no encantamento da luz
que faz desabrochar a flor
na campina verdejante.
Um presente ao mar,
no seu esplendor azul,
mágico e infinito,
bordando areias,
construindo praias
de elegantes rendas.
Presente ao pescador,
homem com a dura missão
de ser irmão do mar,
a madrugar incansavelmente
em busca da sobrevivência.
Meus versos são presente
para a lua, mística lua,
que nos inspira vida,
no brilho romântico
do seu raio prateado
e nos conduz
por novos caminhos,
novos horizontes,
nos conduz a Deus,
Doador definitivo
de tantas maravilhas
e de nosso existir.

 

URDA LANÇA DÉCIMA EDIÇÃO DE “VERDE VALE”

Conheci a romancista Urda Alice Klueger através do seu primeiro livro, “Verde Vale” e tornei-me leitor assíduo da moça loura de Blumenau dos dedos cheios de poesia. O saudoso Odilon Lunardeli teve a sorte de descobrí-la – digo isso porque não tenho receio nenhum de afirmar que Urda foi a autora que mais vendeu livro na Editora Lunardeli – e ela publicou muitos outros títulos naquela casa, até fundar a própria editora: “As brumas dançam sobre o espelho do Rio”, “No tempo das tangerinas”, “Vem, vamos remar”, “Te levanta e voa”, “Cruzeiros do Sul”, “Recordações de Amar em Cuba”. “A Vitória de Vitória”, o primeiro livro infantil de Urda, foi o divisor de águas: ele já saiu pela Hemisfério Sul, em co-edição com a Lunardeli. Dali pra frente, os novos livros de Urda foram publicados pela sua editora: “Entre Condores e Lhamas”, “Crônicas de Natal de Histórias de Minha Avó” e “No Tempo da Bolacha Maria”.
Agora, acabou de sair a décima edição de "Verde Vale". Urda recuperou os direitos sobre toda a obra que havia sido publicada pela Editora Lunardeli e vai publicá-la através da sua editora, a Hemisfério Sul.
“Verde Vale” está de cara nova: nova capa, nova apresentação gráfica do conteúdo, apenas o texto é o mesmo, com a qualidade e a beleza que consagrou a Urda romancista.
Urda é daqueles escritores que escrevem como se estivessem, pessoalmente, contando uma história pra gente, de maneira simples, coloquial, mas com emoção e sensibilidade, com poesia e com objetividade. Suas personagens são pessoas que lutam, que sofrem, que buscam a felicidade, que vivem. Seus cenários são naturais e perfeitos. A cada romance, Urda pesquisa, estuda, esmiúça detalhes, até chegar ao resultado esperado. Seu mais recente livro, “Os Sambaquianos”, ainda não ficou pronto por isso: ela está trabalhando nele há mais de dois anos.
Vale a pena reler “Verde Vale”, o primeiro romance histórico de Urda, a saga dos primeiros colonizadores em Santa Catarina, uma canção verde da cor do amor e da ternura . Pra quem ainda não leu, melhor, vai conhecer um grande livro.

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INDIVISÍVEL SER

Luiz Carlos Amorim

Eu me refaço em ti.
Sou eu, completo, por inteiro,
sou você, sou nós, sou ser.
És parte de mim, indivisível,
és coração que pulsa no meu peito,
és luz a brilhar no meu olhar,
és música a tocar nossa canção,
és ternura de mãos entrelaçadas,
és carinho ao tocar de peles.
Eu me refaço em ti.

 

PRÊMIO JABUTI PREMIA LITERATURA INFANTIL

Pelo segundo ano consecutivo, a literatura infantil foi consagrada no Prêmio Jabuti, promovido, anualmente, pela Câmara Brasileira de Livros. O escritor Arthur Nestrovski ganhou dois prêmios, o de Livro do Ano na categoria ficção e o de melhor livro infantil por “Bichos que existem & Bichos que não existem”, editado pela Cosac & Naify. No ano passado, o poeta Manoel de Barros ganhara o prêmio de Livro do Ano por “Fazedor do amanhecer”, obra para crianças ilustrada por Ziraldo. Na categoria não-ficção, o Livro do Ano foi dado a “Biodiversidade na Amazônia Brasileira” (Estação Liberdade e Inst. Socioambiental), coordenado por João Paulo Capobianco.
Rubem Fonseca, que ganhou o Jabuti de contos e crônicas por “Pequenas criaturas” (Companhia das Letras), foi representado por seu editor, Luiz Schwarcz. Este é seu segundo prêmio em poucos dias. Semana passada, foi agraciado com o Camões, pelo conjunto da obra. Schwarcz também foi ao palco em nome de Ana Miranda, premiada na categoria romance do ano por “Dias & Dias”.

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EQUILÍBRIO


Vânia Moreira Diniz (www.vaniadiniz.pro.br)


Procuro o equilíbrio de todas as coisas,
Na fé da energia universal,
Na ternura simples dos sentimentos,
Na busca incessante da paz,
Na variedade das cores...
Procuro o equilíbrio de meu corpo
Nas sensações que se multiplicam,
Em desejos que inexplicáveis,
Repetem-se duradouros,
Na saciedade de inúmeros momentos,
Na aventura prazerosa da paixão,
A executar a força do fascínio...
Procuro o equilíbrio de minha mente,
Que desgovernada convida à fantasia,
Na concentração dos pensamentos,
Na reflexão das noites silenciosas,
Nas recordações instintivas e vividas,
A me lembrar experiências recuperadas.
Procuro o equilíbrio...
E não consigo,
Tudo é espontaneidade e vibração,
Em cada experimentada emoção
No mais doce despertar dos sentidos,
Mas eu procuro o equilíbrio...
Eu Procuro...

 

"LIVROS, LEITORES E ESCRITORES"

Por Enéas Athanázio - Escritor e advogado

Luiz Carlos Amorim acaba de publicar o volume "Livros, Leitores e Escritores" (Edições A ILHA - Florianopolis - 2002), reunindo inúmeras crônicas. A tônica da nova publicação do líder do Grupo Literário "A ILHA" é a preocupação com o livro no País e, acima de tudo, no Estado. O livro como instrumento de difusão de cultura e de aprendizado, como objeto de prezer estético, como produto e como técnica, está em todas as páginas. Não seria exagero dizer que ele levanta, trabalha, come e dorme com o livro bailando na cabeça. É um abnegado nem sempre observado com atenção pelos que vivem o mundo da cultura e das letras. Aqui ele aborda a leitura e os meios de aumentá-la, o mercado editorial, a distribuição e a venda de livros, as editoras, livrarias e bibliotecas, o livro como presente, o livro e a escola, a literatura em geral, o conto, a crítica literária, a literatura infanto-juvenil, o livro e a solidão, a literatura e o cinema, os livros itinerantes, a poesia, as bienais e as feiras, as apostilas, o livro e a internet, o escritor e o Estado, o livro e o vestibular, o preço do livro, os "best-sellers", as antologias, os escritores de ontem e de hoje e, naturalmente, a constante preocupação com o leitor. A poesia, que parece ser de sua preferência, é olhada de todos os ângulos. Trata ainda de alguns autores específicos, inclusive aqui do Estado, e examina o panorama catarinense das letras e do livro. É, enfim, o livro de um escritor engajado na campanha livreira em nosso Estado, esbarrando com as difíceis condições por aqui imperantes. Mas ele não perde a fé e continua pregando, como vem fazendo há mais de vinte anos à frente do Grupo Literário A ILHA. Grande Amorim, seu esforço merece ser reconhecido e proclamado. (In "Autores Catarinenses"-Blumenau em Cadernos)

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DEO GRÁCIAS

Virgínia Vendramini

(www.virginiavendramini.com.br)


Graças, meu Deus, por tudo ser transitório...
Mesmo a chuva mansa e benfazeja
Que vem de noite e leva consigo
O desconforto do verão,
Mesmo as flores com seus aromas...
Graças pelo vento travesso
Que de vez em quando
Indiscreto, invade a casa,
Espalhando os meus poemas.
Graças, meu Deus, porque tudo se renova,
Porque o outono sempre volta
E traz o inverno a seguir,
Com promessas de primavera...
Graças por nada ser eterno,
Pelo fim inevitável,
Pelo constante recomeçar
E o renascer diário da esperança...

 

LITERATURA PARA CEGOS

Por Luiz Carlos Amorim

Um escritor amigo meu, Enéas Athanázio, participou de uma antologia diferente, inovadora, original: um livro em braile. Uma obra para pessoas especiais, para pessoas deficientes visuais.
A antologia – “Blumenauaçu na Ponta dos Dedos” foi publicada pela Editora Cultura e Movimento e é pioneira em nosso estado: a coletânea tátil reúne trabalhos em verso e prosa de quinze escritores contemporâneos. A edição e impressão foram feitas pelo Centro de Difusão da Literatura para Cegos.
Um público específico, mas considerável, os deficientes visuais tinham acesso, até agora, a poucas obras em braile, quase todos clássicos. Melhor do que nada, necessário até, mas eles não tinhas as letras da região, a obra dos autores importantes e atuais de quem ouviam sobre o sucesso, mas não tinham como lê-los.
Isso me chamou a atenção sobre um fato cada vez mais evidente, a capacidade de aprendizado e de realização das pessoas especiais.
Numa entrevista com deficientes visuais, foi marcante e oportuno o repórter abrir um livro em braile e mencionar que, para ele, aquelas eram simplesmente páginas em branco. Em contrapartida, colocou um livro impresso com texto e desenhos na frente de uma menina cega que, tocando-o, afirmou que também ela tinha diante de si páginas vazias. Mas trocando os livros, a menina cega começou a tatear as páginas em branco com uma rapidez e uma sofreguidão que dava idéia da importância de poder ler
Isto lembrou-me também de uma outra matéria que vi, com pessoas especiais que, educadas e treinadas, trabalhavam em uma empresa e produziam como qualquer outra pessoa.
O livro em braile e a empresa formada pelas pessoas especiais são apenas uma mostra do que eles, marginalizados e subestimados até agora, são capazes de fazer.
Já está na hora de aceitarmos as pessoas especiais, de reconhecermos as crianças especiais como especiais que são, capazes de ensinar-nos a sermos nós, os normais, mais humanos e mais felizes.

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SILÊNCIO

Araci Barreto

(http://planeta.terra.com.br/arte/postalclube)

Silêncio dentro de mim, tudo quieto,
onde estará aquela antiga chama?
nada sinto, nada vejo, anoiteço...
Acho que a vida mudou-se daqui.
Silêncio em meu corpo, em minha mente,
não tenho nem saudade nem amor.
Tudo parece seco, destruído,
não sinto a dor, embora a sofra.
Silêncio até em minhas palavras,
tenho a sensação de que ninguém as ouve.
Falo só por necessidade...
Estou aqui, mas me sinto ausente.
Silêncio em tudo a minha volta
nem revolta consigo transmitir
apenas sinto que não sinto nada
e esse nada me desespera... mata.
Silêncio desesperador, angustiante;
como um surdo, mas que pode ver:
Vejo muita coisa que não sinto
e, sem sentir, vejo você.

 

A CRIANÇA NA FEIRA DE RUA DO LIVRO

Por Luiz Carlos Amorim

A cada grande feira, como a de São Paulo, a do Rio, a de Porto Alegre, a de Florianópolis, podemos constatar que crescem as opções referentes à Literatura Infantil. E a cada final de feira verifica-se que o gênero que mais vende foi o da Literatura Infanto-juvenil. Provavelmente porque os livros infantis são mais baratos. Pode ser.
A Feira do Livro de Rua de Florianópolis, que encerrou-se recentemente, além de ter quase que dobrado de tamanho, deu a impressão de privilegiar a literatura infantil e infanto-juvenil. A feira de rua ia do tradicional Mercado Municipal de Florianópolis até quase a Praça XV, da velha e majestosa figueira, com direito a ocupar uma rua transversal, e o que chamava mais a atenção, ao se passear por ela, era a quantidade e a variedade de livros para crianças. De todos os tamanhos, cores e formatos, de texturas e até mídias diferentes, avulsos, em pacotes ou pequenas coleções.Havia livros de contos e fábulas do tamanho de uma caixa de fita cassete de áudio e havia livros gigantes, do tamanho de um jornal.
E venderam, venderam muito. Eu, que não tenho mais filhos pequenos, comprei uns dez livros infantis para dar de presente. Vi crianças muito pequenas, que provavelmente nem sabiam ler ainda, com moedas e notas de um real escolhendo, elas mesmas, o livro que iam comprar. E mais, vi meninos de rua contabilizando trocados (esmolas?) para comprar o seu livro – o primeiro, talvez.
Sim, é verdade, o livro infantil vende também porque são baratos. Mas quando do resultado final das feiras, o valor da venda dos livros infantis é bastante expressivo em relação aos outros gêneros.
E se o livro infantil pode ser vendido mais barato, por que os outros não podem? Reconheço que os livros infantis têm menor número de páginas, mas em contrapartida têm muito mais cores – isto significa mais impressões, mais fotolitos, maior custo. E sabemos que, por venderem mais, as tiragens são maiores, o que faz com que o preço da unidade possa ser menor. Mas vemos, também, que outros livros, de literatura clássica e contemporânea, são publicados em grandes tiragens para serem vendidos em bancas de jornais e revistas por preços bem mais convidativos do que aqueles que são cobrados nas livrarias pelas edições “convencionais” das mesmas obras.
Isto significa que há alternativas para colocar o livro – não só o infantil – ao alcance de todos os leitores.
Destacamos o quanto as grandes feiras (e por que não as pequenas?) de livros têm nas crianças, esses leitores em potencial, o seu principal alvo, porque é por eles que devemos começar, para que se leia mais neste país: precisamos colocar livros nas mãos das crianças, desde a mais tenra idade, para que elas aprendam a gostar de ler.

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RECADO

Rosângela Borges

Não esqueça:
Eu vou crescer...
E aí nós vamos ver!
Vou ter idade para entender
Porque ninguém salvou o rio
Plantou a árvore, cuidou do ar
Por que o golfinho resolveu se mudar!
Vou querer uma boa explicação
Sobre essa tal poluição
E a camada de ozônio
Alguém já tem a solução?

Ah... eu vou crescer!
E quero ver como me explicarão
Essa história de extinção
Quando eu perguntar
Onde está o bem-te-vi?
O que vão me responder?
Que ele foi embora?
Que preferiu sumir daqui?
E aí? O que foi que aconteceu?
Esqueceu que o mundo
Não é só seu?

Nem tente esquecer:
Eu também vou crescer!
Quero ver quem vai me explicar
Por que o pássaro deixou de cantar...
Por que rios, bichos e flores
Secaram, morreram ,
Ficaram sem cores!
Guardem respostas para mim
Porque eu quero saber
Por que você deixou
Tudo isso acontecer?

Ah, por favor!
Não espere eu fazer
Cuide do meu planeta
Faça isso por mim,
Por nós, por você
Acho que algum tempo
Ainda resta
Para recuperar uma floresta
Basta você querer
Eu ainda sou criança
Mas é você quem precisa crescer!

 

PROJETO "POESIA NA RUA" NO 23º ANIVERSÁRIO DE "A ILHA"

Para comemorar os vinte e três anos de atividades do Grupo Literário A ILHA, o Projeto POESIA NA RUA volta com uma edição especial, exibindo out-doors com trechos de poemas de Cruz e Sousa e Luiz Delfino nas principais cidades do estado de SC.
O Projeto Poesia no Schopping deste mês de junho conta com uma edição especial em homenagem ao Dia dos Namorados, em julho outra edição especial com poemas em homenagem aos dançarinos do Festival de Dança e em agosto os poemas são em homenagem aos pais.

 

ENÉAS ATHANÁZIO VÊ O "MUNDO ÍNDIO"

O mais recente livro do escritor Enéas Athanázio é “MUNDO INDIO” - Editora Minarete, 2003, 96 páginas, uma feliz reunião de ensaios, artigos e contos oportunos e importantes sobre o tema. O livro é, na verdade, um valioso documento sobre o índio, onde o autor escreve sobre a sua própria experiência e conhecimento e comenta obras de outros autores, como Darcy Ribeiro, José Finardi, Sérgio Venturini, Nelson Hoffmann e outros.
O Dr. Enéas vai a fundo no problema do índio no Brasil, focalizando desde a criação do indianismo, por José de Alencar, passando pela invasão do chão indígena pelo branco, até a situação de abandono e miséria de hoje.

 

NOVO LIVRO DE VERÍSSIMO


Está chegando às livrarias “Banquete com os deuses” (Editora Objetiva), de Luis Fernando Verissimo. É um apanhado de crônicas sobre arte e cultura, publicadas em jornal e agora revistas pelo autor. Um novo Verissimo significa muito, mesmo já tendo sido servido antes. Significa humor refinado, humanismo inabalável, erudição sem pompa, tom coloquial, frases que deixam o leitor deliciado e presença certa na lista dos mais vendidos. Ao deixarem o dia-a-dia do jornal e virarem livro as 73 crônicas ganham novo sentido e permitem acompanhar de camarote às preferências do escritor, que teve recepção de popstar nA na Bienal do Livro e na Feira do Livro de Rua de Florianópolis.

 

CONTESTADO: NOVO FILME


A Guerra do Contestado vai ser tema de outro filme. Sylvio Back, o mesmo diretor que filmou "A Guerra dos Pelados/", baseado no livro "Geração do Deserto", de Guido Wilmar Sassi, produz e dirige agora o documentário longa metragem "O Contestado - Restos Mortais". As filmagens serão realizadas no próprio local onde aconteceu o conflito, no oeste de catarinense, e iniciam-se no final deste ano. Enquanto o novo filme não fica pronto, quem não viu ainda "A Guerra dos Pelados" (Geração do Deserto), terá uma ótima oportunidade: o filme vai ser exibido pela TV Assembléia do nosso Estado, um canal dos pacotes de tv por assinatura, em junho. Fique de olho.

 

BIENAL DO LIVRO DO RIO

Depois de receber mais de 500 mil pessoas, segundo uma projeção da produção, a 11 Bienal do Livro do Rio fecha suas portas no Riocentro. Foi a maior edição do evento desde sua criação, em 1983 - a primeira Bienal foi no Copacabana Palace: mais de 900 expositores, entre editoras, livrarias e outros envolvidos com o mundo dos livros. Apesar de preços salgados - R$ 8 a entrada inteira e mais R$ 7 para estacionar - o carioca parece ter aproveitado a oportunidade de, no mínimo, passear entre os livros. Crianças fizeram a festa durante a semana. A feira teve atmosferas distintas de acordo com o dia da semana: de segunda a sexta-feira, os corredores do Riocentro foram tomados por estudantes, que chegavam em dezenas de ônibus de lugares diversos do estado. Segundo a organização, os estudantes correspondem a cerca de 40% do público da Bienal - mais ou menos 200 mil pessoas. Na última Bienal, em 2001, eles compraram cerca de 250 mil livros. De olho no público jovem, comerciantes como Mann e editoras de livros infanto-juvenis viraram suas baterias para a molecada. A presença de autores como Maurício de Sousa e Ziraldo - que passou seis horas dando autógrafos - causou entre as crianças uma comoção.


EXPEDIENTE
SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA - nº 85 - Junho/2003 - Ano 23
Editor: Luiz C. Amorim
Correspondência: R. Prof. Maria do Carmo Souza, 12
Campinas - 88101-360 - São José - SC.
E-mail para contato: lzamorim@terra.com.br


 

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