SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Capa da edição impressa - Dezembro/2005

 

O Suplemento Literário A ILHA chega a sua edição de número noventa e cinco, encerrando 2005, o ano de comemoração das nossas Bodas de Prata, vinte e cinco anos de atividades ininterruptas, e estamos orgulhosos e gratos pelo reconhecimento vindo de todos os lados, inclusive de países como Portugal, Estados Unidos, Espanha, etc.
O Grupo vai se renovando, as atividades vão aumentando e o Grupo Literário A ILHA se firma cada vez mais perene e forte.
Estamos preparando uma nova antologia com os integrantes atuais do grupo, um livro com toda a trajetória do grupo e os seus participantes, nestes vinte e cinco anos, para publicação no próximo ano.
Neste final de ano, o Projeto Poesia no Shopping tem sua edição especial de Natal, com dezenas de poemas sobre o tema dos integrantes do grupo e de grandes mestres. E o Projeto Poesia na Rua exibe um poema de Natal, é claro, neste mês de dezembro.
Feliz Natal e que 2006 seja o melhor ano de cada um de nós.

 

NATAL
Aracely Braz

Ah, quem me dera
Reviver outros Natais,
Ouvir das cigarras em coro
Um assobio, que ensurdece,
Jacatirões que florescem
Anunciando o Natal.

Ah, quem me dera
Desenrolar meu presente
Aos irmãos: transformação.
Ao invés
De violência, maldade,
Sentir de Jesus a humildade,
Ternura, crença, atenção.

Que brotem nos corações
Novas sementes de amor
Num abraço fraternal;
Com paz, o pão e a presença
De Cristo, o semeador.
Que Ele renasça neste Natal.

 

PAPAIS NOÉIS EXISTEM

Por Luiz Carlos Amorim

Está chegando o Natal, esse tempo mágico de renascermos, de deixarmos nascer em nossos corações um Menino que nos trará fé esperança, de mostrarmos que amamos nossas pessoas mais caras, dando-lhes carinho e presentes. Presentes que podem ser apenas simbólicos, mas que significam, antes de qualquer outra coisa, que lembramos daquela pessoa. Que pensamos nela.
Mas há aqueles, menos privilegiados que nós, que precisam mais que um presente simbólico: existem pessoas carentes, muito pobres, que precisam de tudo, até do alimento mais básico. Há crianças que nunca ganharam um presente, uma roupa nova, um par de sapatos novos. Parece exagero, eu sei, mas infelizmente não é.
Por isso, fiquei fascinado em ver, no Natal passado, acontecer uma coisa que eu achei fantástica. Todos sabemos que as crianças, até certa idade, acreditam em Papai Noel. Sabemos, porque nós também acreditamos, por um período curto, talvez, mas acreditamos. Antes mesmo de saber o significado do Natal, as crianças ficam conhecendo Papai Noel. E até que acabe o encanto, até que o Velhinho perca a magia, que a criança descubra que não existe quem consiga dar brinquedos para todas as crianças do mundo inteiro, os pequenos acreditam que os presentes que ganham na festa maior da humanidade são traduzidos por ele, o velho Noel de roupa vermelha e barbas brancas.
Por isso, pedem coisas a ele, escrevem cartas endereçadas ao Pólo Norte e até colocam no correio. Pois são essas cartas, de crianças fazendo pedidos ao Papai Noel, enviadas por crianças (nem só crianças) carentes, que os correios aqui da nossa região resolveram colocar à disposição de quem quiser e puder atender um pedido. Não é maravilhoso? Restabelecer o encanto, resgatar a magia, poder provar que existe um Papai Noel em algum lugar, por que não dentro de nós?
E algumas pessoas vão lá e escolhem uma carta que possam atender – ou escolhem aquelas que precisam mais, porque essas cartas não pedem só brinquedos, pedem remédios, comida, um lugar para morar, etc. – e vão lá entregar, embora não vistam a roupa vermelha nem tenham barba branca.
Este é o verdadeiro espírito do Natal. Isto mostra que o Menino de dois mil e tantos anos está nascendo, mais uma vez, no coração dos homens. Que ele está entre nós.
Ainda há tempo, podemos passar no correio mais próximo e pedir pelas cartas endereçadas a Papai Noel. Quem sabe não podemos ser o Papai Noel de alguém?

 

TECIDAS MANHÃS

Mª. de FátimaBarreto Michels

Não há galos nas redondezas
Bem-te-vis já tecem a madrugada
Aguardo, espreito, com a máquina ao alcance de um bote rápido
Ainda friozinho o ar passeia na varanda
Por trás dos prédios já se espalha o vermelhão
Chego até a sacada, nos surpreendemos. Lá vem!
Ele soberano, e eu, colhendo seu esplendor
Uma, duas, vinte, quarenta vezes!
Tento roubar cor e frescor desta praiana manhã... É Laguna!
Não, não há galos nas redondezas, mas irrequietos sabiás,
Pardais e quero-queros também tecem o amanhecer
São os minutos iniciais do cerimonial. Testemunho.
Fotografo, me envolvo. Ele soberano, súdita eu, colhendo-o
O vermelhão agora vai tingindo mesmo todos os vidros dos prédios
Questão de segundos e um laranja vai tomando conta das nuvens
Continuo colhendo todas as poses
Vai se dourando a sala e eu, ficando rica de repente
Meu corpo diáfano, coração e também meu pensamento
A passarada, insistente, agitada, tece ao léu
Penso no amor, nos amores, colho mais 21 vezes
A sala fica toda dourada com jeito de paixão
Passarada em vôos lilases, rosáceos, laranja, vermelhões,
Riscando, tecendo no espaço que a luz colore. Ao léu!
Meu coração também vai tecendo, vermelhões , alaranjados,
Lilases, dourados e cheio de passarinhos, vai tecendo...
Fica rico de paixões. Ao léu!

 

APOLÔNIA LANÇA OITO LIVROS


A professora Apolônia Gastaldi, escritora de Ibirama, que já tinha publicado seu primeiro romance “A Força do Berço”, em 86, não parou de produzir daquela época até agora. Além de poesia, que publicava em jornais e revistas, estava escrevendo romances, crônica, contos. Ela, que atuou no magistério em Joinville nas décadas de 70 e 80, lançou, em novembro, em Indaial e lança em dezembro, em Joinville, sua produção literária desde final dos anos 80, nada menos que oito livros: os romances “Herança”(segunda edição de "A Força do Berço", “Segredos”, “Sinais” e “Regresso” - que contam a saga de uma francesa, continuação de “A Força do Berço”, mas que podem ser lidos independentes uns dos outros e em qualquer ordem; “Barra do Cocho” - romance, cinqüenta anos da vida dos colonizadores do Vale do Itajaí, de 1893 a 1943; “Anjos Azuis” - romance; “Mar” - poema, e “Amor” – livro de poemas, intimista, pessoal. “Amor” tem um formato diferente, mais alto e estreito, elegante. Traz trinta e um poemas, a maioria deles românticos, firmando um estilo ao mesmo tempo sóbrio e sensível, evidenciando o lirismo e a cosmovisão da autora. O livro “Barra do Cocho” enfoca de forma romanceada a trajetória de uma família que se instala no Médio Vale do Itajaí por volta de 1897 e revela o cotidiano difícil daqueles primeiros povoadores da região.
A própria autora diz que em “Barra do Cocho” “vivo a procura de cacos, retalhos, lembranças, retratos. Cato, junto e rejunto para escrever este universo de ontem. Muitas vezes atravesso o rio Itajaí-açu em canoa velha, furada, remando contra a correnteza. Outras galopo, crinas soltas, surrando as pernas em badanas lavradas em desenhos fantásticos e transponho o tempo, o vulgar, o incrível. Saio por aí para conhecer outros que como eu quiseram romper a barreira do finito. Busco o reconto, o imaginário, revolvo os baús e decifro antigos apontamentos quase mortos, esquecidos no fundo de caixas de madeira. Respiro a poeira do passado, sinto o clima de outras épocas e falo quase sozinha. Conto outra geração, o passado”.
Sobre o método de criação, Apolônia diz que há um imenso trabalho preparatório que se antepõe ao escrever a obra. A realidade é buscada nos depoimentos, nos escritos deixados, no reconto. “Para mim é mais difícil escrever a realidade. Quando ficção, recorro a muitos artifícios como criar a personalidade dos personagens e outras características; árvores genealógicas, ambientação, cronogramas e fluxograma com os eventos que serão descritos”, afirma.
O que mais atrai a autora na obra, e mais a emociona, é a crua realidade em que viveram os personagens centrais. Seus prazeres e amarguras, a coragem do colonizador, suas limitações; a alegria e as lágrimas. Seu estímulo para a literatura, depois de tantos anos de magistério, veio da família, e depois, de grandes mestres como a Irmã Maria Ângela da Silva e Celestino Sachet. “Mas desde criança escrevia os fatos maiores que ocorriam na minha casa. Éramos dez irmãos, e eu, a primogênita. Meus pais sabiam contar fatos ocorridos, casos, contos folclóricos que haviam passado de geração em geração. Tínhamos, ainda, em casa, muitos livros e ler ensina também a escrever”, lembra.
No prefácio, o jornalista e historiador Apolinário Ternes (ex-aluno da professora) não economiza elogios à obra: “‘Barra do Cocho’, de Apolônia Gastaldi, é, de fato, um dos grandes prazeres da leitura. Um romance que nasce clássico e destinado a permanecer como leitura obrigatória e indispensável para qualquer avaliação, análise ou compreensão do que foi a épica conquista do Vale do Itajaí, a partir de meados do século 19. É um romance soberbo, como só as obras permanentes ousam ser e, ainda assim, simples e fácil, singularmente bem acabado, de intensidade e precisão."

Pedidos dos livros: Caixa postal 14 - 89140-000 Ibirama SC - e-mail: apolonia@tpa.com.br

 

NOITE ANTIGA

Virgínia Vendramini

Havia no silêncio da noite
Sugestões de fantásticas lendas
Que os avós um dia contaram...
Incêndio na imaginação...

Havia também os vaga-lumes
E grilos ocultos na folhagem,
Havia o denso medo do escuro
E de tudo o que ele escondia.

Havia depois o sono quieto
E muitos galos cantando horas,
Anúncios sonoros da manhã
Que na luz afogava os temores.

 

2005: CENTENÁRIO DO NASCIMENTO
DE ÉRICO VERÍSSIMO

A vida e obra de Erico Verissimo - mundialmente conhecido por retratar com fidelidade a maneira de ser, pensar e sentir do brasileiro do Extremo Sul do Brasil - inspiraram uma série de eventos culturais ao longo de 2005, quando um dos mais importante escritores do Sul completaria cem anos.
A homenagem, consagrada como o “Ano do Centenário de Erico Verissimo”, mobilizou diversas áreas da administração pública e universidades para fazer com que os brasileiros conheçam um pouco mais de si mesmos através das idéias de um homem que conhecia seu povo.
Quem ainda não havia lido Erico foi estimulado a fazê-lo, e quem já o leu teve motivação para resgatar um pouco mais do que ele foi para o Rio Grande e para o Brasil.

Filho do farmacêutico Sebastião Verissimo da Fonseca e de Abegahy Lopes Veríssimo, Erico Verissimo nasce em Cruz Alta, em 17 de dezembro de 1905. Os pais eram tão diferentes quanto a água do vinho. Enquanto Sebastião era um gastador, sonhador, amante do conforto, das mulheres, da boa mesa, dos bons vinhos e de belas roupas, Dona Bega era uma pessoa econômica, de poucos amigos e realista.
Por volta dos 10 anos, Erico faz uma de suas maiores descobertas literárias: Júlio Verne. A obra A Casa a Vapor chega às mãos do menino depois de passar anos escondida numa das gavetas do escritório de seu pai.
Aos 13 anos excursiona pela literatura nacional com Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Joaquim Manoel de Macedo, Afrânio Peixoto. Durante recesso escolar provocado pela gripe espanhola, em 1918, o garoto descobre a literatura de José de Alencar, Eça de Queiroz, Dostoievski, Tolstoi e Zola.
Por volta de 1914, no início da I Guerra Mundial, o menino Erico Verissimo “funda” a revista Caricatura, que constava de um único exemplar em duas folhas de papel almaço, na qual fazia desenhos e escrevia pequenas notas. A revista acabou antes do fim da I Guerra.
O futuro escritor tem o seu primeiro emprego em 1923, como balconista no armazém do tio Americano Lopes. É no balcão da quitanda que Erico Verissimo realiza suas primeiras atividades literárias, transcrevendo obras de Euclides da Cunha, Machado de Assis e outros escritores. Depois, vai trabalhar no Banco Nacional do Comércio. É neste período que o jovem toma gosto pela música lírica, que começou a ouvir na casa dos tios, Doutor Catarino e Maria Augusta. Os primos, Adriana e Rafael, filhos do casal, seriam os primeiros a ler seus escritos.
Passam pelas mãos de Erico nesta época autores nacionais como Monteiro Lobato, Oswald e Mário de Andrade. Por influência do tio João Raymundo, lê obras de Stuart Mill, Nietzsche, Ibsen.
Em 1926, Erico se torna sócio da Farmácia Central, aceitando uma proposta do amigo de seu pai, Lotário Muller. A segunda farmácia da família Verissimo funcionou até 1930, quando faliu e deixou uma dívida que Erico só conseguiria liquidar depois de 17 anos. Em 1927, também começa a dar aulas particulares de literatura e inglês.
Mesmo administrando a farmácia, Erico não se afasta dos livros e começa uma intensa viagem pela literatura internacional com Oscar Wilde, Bernard Shaw, Anatole France, Katherine Mansfield, Margareth Kennedy, Francis James, Norman Douglas e muitos outros.
Ainda em 1927, começa o namoro com a então jovem de 15 anos Mafalda Halfen Volpe, que seria sua a companheira por toda a vida. Em Solo de Clarineta, Erico escreve sobre a esposa: “Mafalda amadurecia, transformando-se aos poucos numa companheira compreensiva que me dava todo o apoio moral e o estímulo que eu necessitava. Sem sua paciência, sua tolerância, seu bom-senso e seu bom-humor, minha carreira de escritor teria sido muito mais difícil do que foi ou talvez mesmo impossível.”
Obras do autor:
O Escritor Diante do Espelho (1966)
Solo de Clarineta (1973)
Solo de Clarineta II (1976)
Um Certo Henrique Bertaso (1972)
Brazilian Literature - An Outline (1944): o trabalho foi traduzido para português em 1955, com o título Breve História da Literatura Brasileira.
Rio Grande do Sul (1973)
Fantoches (1932): primeira obra publicada do escritor, reúne várias contos, a maior parte em forma de peças de teatro
As Mãos de Meu Filho (1942): mostra os sentimentos contraditórios de Gilberto e seus pais, Dona Margarida e Inocêncio, durante recital que o consagra como um grande pianista.
O Ataque (1958): reúne três contos: Sonata, Esquilos de Outono e A Ponte, além de um capítulo inédito de O Arquipélago
Um Certo Henrique Bertaso (1972)
Brazilian Literature - An Outline (1944): o trabalho foi traduzido para português em 1955, com o título Breve História da Literatura Brasileira.
Rio Grande do Sul (1973)
Fantoches (1932): primeira obra publicada do escritor, reúne várias contos, a maior parte em forma de peças de teatro
As Mãos de Meu Filho (1942): mostra os sentimentos contraditórios de Gilberto e seus pais, Dona Margarida e Inocêncio, durante recital que o consagra como um grande pianista.
O Ataque (1958): reúne três contos: Sonata, Esquilos de Outono e A Ponte, além de um capítulo inédito de O Arquipélago
Gato Preto em Campo de neve (1941)
México (1957)
A volta do gato preto (1946)
Israel em Abril (1969)
Obras infantis:
A Vida de Joana d’Arc (1935)
Meu ABC (1936
Rosa Maria no Castelo Encantado (1936)
Os Três Porquinhos Pobres (1936)
As Aventuras do Avião Vermelho (1936)
As Aventuras de Tibicuera (1937)
O Urso com Música na Barriga (1938
Outra Vez os Três Porquinhos (1939)
As Aventuras no Mundo da Higiene (1939)
A Vida do Elefante Basílio (1939)
Viagem à Aurora do Mundo (1939)
Gente e Bichos (1956)
Romances :
Clarissa (1933): primeiro romance de Erico Verissimo, Clarissa mostra o despertar de uma adolescente para o mundo. Através do olhar da menina de 13 anos alegre e confiante, Erico retrata a vida numa pensão familiar em Porto Alegre da década de 30 e, ao mesmo tempo, as convulsões do Brasil e do mundo naquele período.
Caminhos Cruzados (1935): realismo urbano e a abordagem crítica da sociedade contemporânea.
Música ao Longe (1935):  enfoca a decadência da tradicional família Albuquerque, de Jacarenga, interior do Rio Grande do Sul, sob o ponto de vista da ingênua Clarissa. O livro foi adaptado por Mário Prata para a TV Cultura em 1982. Um Lugar ao Sol (1936): personagens de histórias anteriores são reunidos em um mesmo livro. O autor movimenta cerca de 30 personagens, construindo um painel da vida urbana.
Olhai os Lírios do Campo (1938):  A obra foi o primeiro best-seller de Erico Verissimo. O livro foi adaptado para o cinema em uma produção argentina chamada Mirad los Lirios Del Campo, de 1947. O texto também chegou à televisão brasileira em 1980.
Saga (1940):  O romance foi publicado em 1940. Mais tarde, em Solo de Clarineta, seu livro de memórias, Erico afirmava considerar Saga seu pior romance.
O Resto é Silêncio (1943): No texto, Erico Verissimo traça um panorama da sociedade da época. A obra foi adaptada por Mario Prata, para a TV brasileira, em 1981.
 O Tempo e o Vento (1949-1962):  a segunda fase do escritor. O livro é composto por três livros (O Continente, O Retrato e O Arquipélago) publicados entre 1949 a 1961.  O Tempo e o Vento nasce da terra. Da saga da formação e da transformação do Rio Grande do Sul, e da construção da identidade gaúcha desde a ocupação do isolado e desolado “continente de São Pedro” no século 18, tendo como fio condutor a história da família Terra Cambará.
O Continente (1949): tem duração de 150 anos e cobre o período que vai do século 18, quando os vicentinos começaram a se instalar no território e as missões jesuíticas foram destruídas, até 1895, com as lutas do início da República. Dividido em dois volumes.
O Retrato (1951): focaliza as primeiras décadas do século 20.
O Arquipélago (1962): dividido em três volumes, esta última parte da triologia encerra a saga da família Terra Cambará, que é abalada por novos conflitos
Noite (1954): um homem anda pela rua sem saber quem é e desconfiado de que seja o culpado de um crime.
Senhor Embaixador (1965):  Foca a conturbada situação latino-americana, continente dominado por ditaduras, golpes e contragolpes militares, e pela submissão aos interesses econômicos e geopolíticos norte-americanos.
O Prisioneiro (1967): revela os dramas do racismo, subdesenvolvimento e opressão capitalista.
Incidente em Antares (1971):  retorna à temática do Interior, mas agora sob uma perspectiva crítica. A obra mostra a violência do gaúcho, discutíveis conceitos de honra e exploração econômica. Em 1994, o livro foi adaptado para a TV.

 

RENACIMIENTO

Luiz Carlos Amorim

Hay um rayo de luz
Naciendo en el horizonte
Hay un hilo de esperanza
Que apunta al futuro
Hay un resto de fe
Que se multiplica

Es la vida resurgiendo
Es lo Natal
Del renacimiento
Del encuentro de paz
De la búsqueda del amor
Y la comnión con Dios.

(Tradução para o espanhol
por Teresinka Pereira)

 

 

A POESIA PELOS "CAMINHOS DO MAR"

(Luiz C. Amorim)

Em uma visita ao professor Lauro Junkes, pesquisador e crítico literário mais atuante em Santa Catarina, com um trabalho constante e sério, sempre divulgando as letras do estado, seja a obra de novos escritores ou de autores consagrados, ganhei um grande presente. Foi engraçado, pois fui cobrar um presente que ele me prometera e ele me deu mais outros.
O presente que não havia sido prometido é o livro “Caminhos do Mar” - Antologia Poética Açoriano-Catarinense. Reputo de grande importância essa integração de poetas catarinenses com os poetas de além-mar, porque afinal de contas, foram eles que trouxeram para cá a nossa língua, a língua portuguesa. A única língua, aliás, que tem a palavra saudade.
Mas não me surpreende que tenha sido o professor Lauro a estar a frente do grupo que organizou a antologia luso-catarinense. Incansável, além das inúmeras resenhas sobre a obra de quase todos os escritores de Santa Catarina – e de outras plagas, também – ele tem algumas dezenas de livros publicados sobre literatura, é o presidente da Academia Catarinense de Letras, numa gestão das mais atuantes e tem resgatado a obra de grandes nomes da literatura de nosso estado, republicando suas obras. Ele organizou e publicou, por exemplo, a obra de Luiz Delfino, o grande lírico da poesia brasileira, o segundo maior poeta catarinense, ficando apenas atrás de Cruz e Sousa. São mais de 1.300 (mil e trezentas) páginas, divididas em dois volumes: “Poesia Completa – Sonetos” e “Poesia Completa – Poemas Longos”. O professor Lauro publicou, também os Contos Completos de Virgílio Várzea, em dois volumes, a Poesia Reunida de Maura Senna Pereira, o Teatro escolhido de Horácio Nunes Pires.
E ele já havia escrito “Açores – Travessias”, mostrando a influência da cultura açoriana sobre escritores catarinenses, como Almiro Cadeira, Flávio José Cardoso, Virgílio Várzea, Othon D´Eça e Franklin Cascaes. O livro analisa as obras dos cinco escritores, destacando a sua ligação com a cultura açoriana. “Açores – Travessias” foi lançado, em meados deste ano, no evento Travessias - Encontro de Escritores  Atlânticos - Açores-Brasil, estabeleceu, pela primeira vez, um diálogo entre autores dos dois lados do Oceano.
Então, por tudo isso, não me surpreende que Lauro Junkes tenha se juntado a outros escritores, catarinenses e portugueses, para organizar a antologia poética açoriano-catarinense.
Na antologia encontramos, na primeira parte, poetas do Arquipélago dos Açores e na segunda parte, temos os Poetas da Ilha de Santa Catarina. Um documento que perpetua sensibilidade, estilo e criatividade de poetas catarinenses e portugueses.

 

SEM A ROSA

Teresinka Pereira(USA)

Como viver sem a rosa,
materializando a brutalidade
anti-metafórica e mentir
frente às emoções
e o êxtase do amor?

As asas do tempo
no influem no querer
nem no sonhar e é nisso
que se ocultam os espinhos
dos beijos não dados
e dos encontros frustrados.

É a carência que nos leva
ao desejo, ao arrastar-nos
em um suplício de rosas e penas
buscando na temporalidade
formosa das flores
a ilusão de fortaleza do amor.

 

LITERATURA NA INTERNET

Até recentemente, a idéia de que a internet engoliria a imprensa e os livros era um senso comum muito repetido, pouco questionado e menos ainda fundamentado. Mas hoje, assistindo à briga de cachorros enormes do setor gastando milhões de dólares para pôr livros de uma forma ou de outra na rede, pode-se dizer com certeza: o futuro do mundo virtual está no papel impresso.
Google, a mais completa ferramenta de busca na internet; Amazon, a maior livraria digital; e uma parceria-monstro entre Microsoft e Yahoo! travam uma luta encarniçada entre si e com autores e editoras para pôr as maiores bibliotecas do mundo ao alcance do teclado. O tema é especialmente urgente nesse momento, quando 176 países acabam de se reunir na Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, realizada na Tunísia, para discutir como a internet pode se tornar menos comercial e mais democrática e educativa.
O Google Print (print.google.com), já em funcionamento, pretende digitalizar em seus primeiros dez anos 15 milhões de livros das bibliotecas das universidades de Oxford, Harvard, Stanford e Michigan, além da biblioteca pública de Nova York. Tudo por US$ 200 milhões. Já a Amazon anunciou para o começo de 2006 dois serviços, o Pages e o Upgrade. Com o primeiro será possível comprar capítulos ou mesmo páginas individuais de livros. Com o segundo, compra-se o livro físico e sua versão digital. Por fim, Microsoft, Yahoo! e Internet Archive anunciaram o início de uma parceria para digitalizar dezenas de bibliotecas acadêmicas como as das universidades de Columbia, Johns Hopkins, Califórnia e Toronto, além dos acervos do Museu Histórico de Londres e Instituto Smithsonian, entre outros. O nome da iniciativa é OCA, Open Content Alliance (Aliança para o Conteúdo Aberto). Apenas a empresa de Bill Gates deve investir US$ 2,5 milhões. Para se ter uma idéia da magnitude das empreitadas, o Projeto Gutenberg digitalizou em dez anos apenas 17 mil títulos.
Números à parte, cada empreitada tem um lado polêmico. A Google, por exemplo, já foi processada tanto pela Associação de Editores dos EUA quanto pela dos escritores. A acusação: violação em massa de direitos autorais. No site, somente é possível — seguindo as regras — visualizar na tela em torno de um quinto de um livro, mesmo aqueles que ainda não estão em domínio público, mas não imprimir ou salvar. A empresa compara isso a uma folheada num exemplar interessante em uma livraria. Não é difícil, contudo — utilizando o próprio mecanismo de busca da empresa — encontrar na internet diversas formas de driblar as barreiras do sistema para, sim, conseguir imprimir e salvar qualquer livro digitalizado. Uma mostra de como a informação na internet é indomável.
Quando se trata de livros, há uma linha tênue entre tornar acessível informação sobre alguma coisa e não a coisa em si: a imagem de cinco páginas de um conto de cinco páginas é o próprio conto. Apesar de a empresa retirar de seu índice qualquer autor que assim o queira e de disponibilizar links para bibliotecas onde pode ser lido e livrarias onde pode ser comprado legalmente, escritores e editores estão irados.
O copyright nunca funcionou assim, essa atitude irresponsável da Google abala uma das suas fundações. Não cabe aos escritores esquadrinhar a internet para saber quem está violando seus direitos. Esses livros não estão na internet e é por uma razão: sabemos que a rede é a maior máquina copiadora do mundo. Se está em formato digital, está em risco.
O que é risco para alguns é oportunidade para outros.
(Prosa & Verso - Globo)

 

SEM TÍTULO

Djanira Pio

A brisa
Passou pela relva
Que se apaixonou
Por ela.
Toda manhã
A relva espera
Por sua visita.

*

O canário
Cor de gema
Canta e pula.
Pede ao homem
Socorro
Pela gaiola.

 

"JORNAL DO ENÉAS":
UM JORNAL SEM PRECONCEITO

O “Jornal do Enéas” é, como o próprio editor – o escritor Enéas Athanázio – o identificou, um boletim cultural independente. Independente porque não está atrelado à “cultura oficial”, de nenhuma maneira, e também porque quem financia as suas edições, via de regra, é o seu criador e mantenedor. Quando quase todos os espaços literários e culturais minguavam e desapareciam, nascia o “Jornal do Enéas”, despretensioso mas eficiente, de excelente qualidade e de alcance invejável.
Nas suas oito páginas tamanho ofício, o jornal, que não tem periodicidade fixa, mas que já está na edição número 13, publica poemas, contos, crônicas, ensaios, resenhas, charges e desenhos de gente de todo o Brasil. E do exterior, também.
A publicação tem circulação dirigida, por mala direta, com tráfego livre por todo o país e por alguns endereços internacionais. Não tem preconceito de qualquer natureza. Para constar das páginas do “Jornal do Enéas”, basta que a produção do artista tenha qualidade.
O editor, Dr. Enéas, já publicou muitas resenhas, crônicas e ensaios em revistas, jornais, antologias e nos seus livros solo, sobre autores, obras e pessoas que conheceu em suas muitas viagens pelo Brasil afora. Já publicou, por mais de doze anos, em jornais do norte catarinense, uma página literária onde reunia textos seus e de outros escritores, do estado ou não. Faz um trabalho na mesma linha para a revista Blumenau em Cadernos, há décadas.
O “Jornal do Enéas” continua, portanto, essa tradição do escritor Enéas Athanázio, dos campos de Lages, de dar espaço à boa literatura.
Um dos melhores espaços do gênero, é bom que se frize. Para conhecer essa publicação, entre em contato com o Dr. Enéas Athanázio, pelo mail e.atha@terra.com.br ou pela caixa postal 418 - 88330-000 - Balneário Camboriú - SC.

 

 

CONVITE

Apolônia Gastaldi

Entra comigo
No reino da ternura
Quero desvendar
O ser

Sou um evangélio
De loucuras
Inteiro
Feito de ingênuas
Criações

Um delírio exuberante
De utopias
Marcado de sonhos
Ilusões

Não vivo
Vibro

Vibro como se a vida
Fosse imensa
Colossal eternidade
Um universo de venturas
Ingênuas
Loucuras.

 

Lixo reciclável trocado por livros


Cerca de duas toneladas de lixo reciclável foram trocadas por dois mil livros no Interação-Furb, evento da Universidade Regional de Blumenau. Os alunos das redes municipal, estadual e particular de ensino foram dispensados das aulas e, com um quilo de lixo reciclável, foram até uma das tendas do evento no campus 1 da Furb e trocaram por um livro de autoria de escritoras blumenauenses.
”Este é um projeto gratificante porque associa a educação ambiental com o gosto pela leitura”, observou a ilustradora Ana Raquel, que tem feito trabalhos ilustrativos para livros infantis em todo Brasil. Ela defende que o gosto pela leitura deve ser incentivado às crianças já na tenra idade. “Depois de adulto fica mais difícil”, opina. O aluno da Escola Barão do Rio Branco, Lucas, 10 anos, foi um dos que trocou um quilo de lixo reciclável pelo livro. “Gosto muito de ler, tenho esse hábito desde quando aprendi a ler. A leitura é muito importante para a gente ficar sabendo das coisas”, disse. A promoção no Interação-Furb foi inspirada em outro projeto desenvolvido desde o início do ano nas escolas da rede municipal, onde os alunos levam para escolas o lixo reciclável que é trocado pela coleção de livros infantis produzidos por Cristina Marques e a cantora Nana Toledo. Cada uma das canções compostas por ela deu origem a uma das 13 histórias que compõem a coleção escrita a quatro mãos. É um bem cultural que a criança poderá adquirir com o seu próprio esforço ao levar o lixo reciclável para escola. São livros que estimulam a imaginação da criança, tão importante para o seu desenvolvimento. Criança que cresce sem imaginação pode se tornar um adulto sem criatividade.

 

 

DESEJO

Tania Melo

Quero uma venda a cobrir-me os olhos
no exato instante em que te desnudas...
e as mãos atadas quando for tocar-te...
querendo tudo e não podendo nada.
Beijar-te a boca estando amordaçada.
Tentar andar sem conseguir mover-me...
pois no instante em que desvencilhar-me
destas amarras,vendas e mordaças,
penetrarei tua alma... tomarei teu corpo
e voaremos juntos...num só transformados

URDA LANÇA "HISTÓRIAS D´ALÉM MAR"

Aconteceu, no mês de novembro, o lançamento do novo livro de Urda Alice Klueger, “Histórias D´Além Mar”, em Blumenau. Trata-se de uma seleção de crônicas de viagens de uma escritora que viaja muito por este mundo afora e tem muita história para contar.
É o décimo quinto livro de Urda, o quarto de crônicas, dessa romancista por excelência.

As palavras tem a sua força e vão muito longe, e a literatura de Urda leva o leitor a viajar com ela, através das palavras que fluem da ponta dos seus dedos cheios de poesia. Ela tem o dom de cativar com a sua literatura, o dom de prender a gente com a sua narrativa. dinâmica e gostosa.

 

 

O CARACOL

Rosângela Borges


O caracol
De tênis, chapéu e óculos de sol
Decidiu ser atleta
“Vou pilotar um carro
Ou então uma motocicleta
Vou ser um corredor na maratona
Afinal, a São Silvestre está aí,
Posso praticar, skate, surf
Ou ir para o Havaí
Posso fazer muita coisa
Cuidar um pouco de mim...
Só não posso ficar assim,
Andando lentamente
Vendo a vida passar por aqui
E o mundo seguindo em frente! “

 

TRÊS ESCRITORES EM “UM DEDO DE PROSA”


A edição de novembro de Um Dedo de Prosa, no Centro de Comunicação da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, dedicou especial atenção aos vestibulandos. Os professores Lauro Junkes, Celestino Sachet e Gelci Coelho discutiram a obra de Guido Vilmar Sassi e Franklin Cascaes. No debate, foram destacados os livros O Fantástico na Ilha de Santa Catarina, de Cascaes, e Amigo Velho, de Sassi, incluídos na lista de leitura obrigatória para o Vestibular 2006 da Coperve.
Em setembro e outubro, os convidados foram os escritores Werner Zotz e Donaldo Schüler, também presentes na lista do Vestibular com, respectivamente, Apenas um Curumim e Império Caboclo.

 

VARAL DA POESIA DE NATAL

O Projeto Poesia no Shopping de dezembro - Varal da Poesia Especial de Natal do Grupo Literário A ILHA teve uma edição antecipada. O Varal esteve exposto no Hemosc, em Florianópolis, de 21 a 25 de novembro, durante a semana de doação de sangue. Neste mês de dezembro, o Projeto estará nos shopings do estado, com dezenas de poemas de Natal, de poetas do grupo e de grandes mestres.Junto ao Projeto Poesia no Shopping, será distribuída a sanfona poética “É Natal” e será lançada a Segunda edição do “LIVRO DE NATAL”, de Luiz C. Amorim
O Projeto Poesia na rua tambaém estampa, neste mês de dezembro, poema de Natal, nas principais cidades do Estado.

 

VINHO BRANCO

Belvedere Bruno

Sentado na cadeira que pertenceu a várias gerações da família, faço o inventário de minha vida. O que fiz com ela? Percorri os caminhos que deveria,ou preferi atalhos? Aos noventa anos, já não tenho como modificar meus traçados, equívocos, rezas tortas...

Sozinho, miro o firmamento. O ser humano envelhece, se encarquilha, mas, se não houver a mão do homem, os cenários da natureza nunca se desfiguram.

Gosto do vinho branco seco. Me traz paz à alma.

Meus filhos já se foram. Triste foi a morte da mais novinha, Mariazinha da Conceição, que a tuberculose levou. Coloquei nela uma roupa branca com véu cobrindo o rosto, e um terço entre as mãos. Nunca mais consegui sorrir como antes. Meu riso ficou preso.

A mulher envelheceu antes do tempo, foi murchando, sequer notou a ida dos filhos. Sofri a dor da morte dos cinco, enquanto ela ia se encolhendo na cama, me deixando só. Uma tarde, sorriu , olhou para o teto suspirando e morreu. Nem senti falta, porque, na verdade, ela já havia morrido há trinta anos.

Fiquei neste casarão sozinho . Não gosto de estranhos, nem preciso que cuidem de mim, pois tenho pernas e braços. Monto a cavalo, cozinho, lavo e passo.Empregado é pra cuidar dos bichos , da terra e do trabalho pesado da casa.

Cheguei a pensar numa nova companheira, mas desisti. Nasci pra ser só. Não gosto de vozerios, confusões, e as pessoas sempre trazem essas coisas.

Os vizinhos moram longe. De quando em vez, recebo visita. Trazem compotas de frutas , vinhos, pão de aveia. Não gosto de desfeitear, e aceito ,mas digo que visita não pode passar de meia hora.

O que a vida ainda quer de mim?

Rasguei todas as fotos que havia por aqui. Quem ficaria com elas após minha morte? Não tenho herdeiros, os vizinhos acham pecado queimar lembranças , e as fotos ,dizem que têm alma... Já doei todos os objetos de valor para a igreja. Meu maior apego é com aquele Sagrado Coração de Jesus em louça que tenho na parede da sala .Ainda não sei o que fazer com a casa. Tenho tempo pra pensar.

Leio muito bem, nenhum problema pra enxergar, nunca fui a médico, tenho uma saúde de ferro, mas um dia virá o sono eterno.Para onde vou ? Como será a morte? Penso que acordarei no céu, vendo meus cinco filhos, mas por conta do que Conchita me fez, peço a Deus Todo Poderoso que me livre dela na outra vida. Que continue encolhida no além...

Vou tomar uma tacinha de vinho pra me ajudar a dormir . Os fantasmas às vezes aparecem e me tiram o sono. Nunca matei ninguém, apenas dei ordens.Cada cabra safado que encontrei na vida !.. Chegaram a matar dois de meus filhos. Dei idéia para queimarem eles. Sobrou só pó. Ri e joguei no charco. Quem sabe eles agora cismaram? Deixa isso pra lá! Tô velho demais pra me preocupar com esses assuntos.

Não sei por que ainda estou por aqui. Acordo, fico o dia todo olhando a paisagem, como, escuto rádio, ponho uns discos que já estão chiando de tão velhos... Que cansaço anda batendo em mim ao cair da tarde! Me enrosco nas cobertas e vou dormir.

São cinco horas e ainda há sol. Vou tomar meu vinhozinho branco, ler meu livro de rezas, depois dormir na santa paz.

Nunca gostei de vinho tinto, por me lembrar sangue.

Que canseira me deu de repente, que sonolência estranha... Sinto frio, arrepios. Meus olhos se embaçam, pareço ver vultos, mas nunca tive problema de visão...

Estilhaços de garrafas e taças compunham o cenário final do inventário daquele homem.


EXPEDIENTE


Suplemento Literário A ILHA - Edição número 95 - Dezembro/2005 - Ano 25
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
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