SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Capa da edição impressa

MARÇO/2005

 

A ILHA COMPLETARÁ 25 ANOS DE A TIVIDADES

Esta é a edição de véspera das bodas de prata do Grupo Literário A ILHA e do Suplemento Literário A ILHA. O grupo e a revista completam 25 anos em junho deste ano de 2005. São vinte e cinco anos de atividades ininterruptas e pretendemos comemorar com o lançamento de um livro de contos e de uma coletânea de crônicas, além da edição de aniversário desta revista.
Pretendemos, também, colocar nas ruas mais uma edição do projeto Poesia na Rua, mas vamos precisar de ajuda, pois a produção e exibição de out-doors é muito cara. Vamos ver se conseguimos. O Projeto Poesia no Shopping já não depende de recursos financeiros e sim de espaço, se bem que seria ótimo se pudéssemos colocar os poemas em banners bem produzidos, ao invés de fazer colagens em cartolinas. Mas o importante é levar a poesia até onde o povo está, colocá-la no meio do caminho das pessoas.
A ILHA começará as comemorações na Feira de Rua do Livro de Florianópolis, quando estará lançando livros e o novo número desta revista. Para junho estamos montando uma programação e em setembro estaremos na Feira do Livro de Florianópolis no Beiramar Shopping.

 

RENASCIMENTO

Luiz Carlos Amorim

Há um raio de luz
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.
É a vida ressurgindo,
É a Páscoa
do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus.

 

 

HÁ 60 ANOS, PERDÍAMOS
MÁRIO DE ANDRADE

Em 25 de fevereiro de 1945, o modernismo brasileiro perdia um de seus maiores representantes. Há seis décadas, um enfarto vitimava, aos 51 anos, o poeta e escritor Mário de Andrade, um dos mais influentes do movimento de vanguarda iniciado em 1922, com a Semana de Arte Moderna,em São Paulo.
Ao lado do amigo Oswald de Andrade, Mário de Andrade é considerado o principal fundador do modernismo brasileiro, que criou uma ruptura com os padrões utilizados na época. O movimento era fortemente influenciado pelos outros movimentos vanguardistas europeus. Ainda assim - enquanto inaugurava o desvairismo urbano em seu importante manifesto poético -, o escritor derrubava a europeização tradicional do País ao afirmar que “é somente sendo brasileiro que nos universalizaremos”.
O efeito mais evidente que usou e que repercute é o verso livre. Passa a ser a norma hoje. Para ser diferente, hoje, você usa a métrica. Outros resquícios do legado de Andrade passam despercebidos muitas vezes, como a utilização da linguagem coloquial. Palavras do cotidiano não entravam na poesiaA proposta de Mário de Andrade era estabelecer uma modernidade por meio da síntese de símbolos nacionais. Essa idéia o condicionou a publicar “Macunaíma” em 1928, sua mais conhecida obra, escrita em prosa. O enredo é um misto de romance, epopéia, mitologia, folclore e história, e traça um perfil do brasileiro, com seus defeitos e virtudes, e a convivência entre o índio e o europeu.

 

O OLHAR DE CHARLOT

Ma. de Fátima Barreto Michels

Vejo na TV que há muitos homens
Muitos
Odiando, odiando
Outros muitos homens
Acompanho nos jornais
Há alguns poucos homens que
Também odeiam muitos, muitos homens
Também ouço que há muitos, mas muitos
Homens mesmo
Odiando uns poucos homens
Mas odiando muito
Os olhares dos homens que odeiam
Por certo são plenos de morte
Os olhos dos homens odiados
Também são marcados de morte
Ainda não vi de perto olhos tão cheios de morte
Ainda bem que não vi!
Mas tive a graça de ver bem de pertinho
O olhar de Charlot!
Ah! Quanto foi importante ter visto os olhos de Charlot...
De um dia pro outro, aquela barriga prenhe
Era agora um pequeno tonel
De onde meia dúzia de filhotes puxava o leite quente
E Charlot, nossa boxer nos olhava com a expressão da Vida
Charlot fôra surpreendida pela gratuidade da Vida
Tinha só olhos pra Vida
Favorecia exclusivamente a Vida
Abarcando sua prole, jorrava alimento de si
Encantadora visão
Inesquecível
Ah! Se aprendêssemos a olhar
Favorecendo-nos, facilitando-nos, ofertando-nos a
Vida uns aos outros!
Ah! Se os homens aprendessem a olhar como as cadelas!

 

CAMPANHA PARA ESTIMULAR A LEITURA

Em parceria, os ministérios da Cultura e da Educação lançam em abril uma campanha para divulgar o livro e estimular a leitura. A campanha começa a ser veiculada este semestre e faz parte do calendário de comemorações do Ano Ibero-americano da Leitura, o Vivaleitura 2005, realizado em 21 países.
Além da campanha, os ministérios desenvolverão uma série da atividades durante o ano. Estão previstos projetos como a Caravana de Escritores, que deve passar por várias universidades, e o Circuito Nacional de Feiras do Livro.
A campanha é destinada principalmente aos 32 milhões de estudantes e oito milhões de professores da rede pública.
Ainda como incentivo à leitura, o ministro Gilberto Gil, da Cultura, discute como o presidente do BNDS formas de financiamento à produção de livros no Brasil e o fomento para a instalação das mil bibliotecas em municípios desprovidos desse benefício.
Para alcançar seus objetivos, o MinC, que coordena o comitê executivo do Vivaleitura, tem dois grandes desafios: identificar, estimular e dar visibilidade a tudo que se faz no âmbito do livro e da leitura e estivular novas iniciatvas, fomentando parcerias e facilitando ações de ministérios, governos etaduais, prefeituras, Ongs e iniciativa privada.

 

A PÁSCOA SURGIU

Vânia Moreira Diniz

Enquanto descobríamos o coelhinho,
Meu pai nos falava de  escuridão e luz,
Dores, vida e alegrias,
Rememorando a caminhada de Cristo.
As injustiças foram duras e cruéis,
Ele caminhava com serenidade ,
Procurando resgatar a saúde e paz,
acariciando as criancinhas.
Na cruz passou por humilhações,
Enquanto Poncio Pilatos “lavava as mãos”
No gesto covarde dos fracos,
E os ladrões, ao lado blasfemavam.
Mas a Páscoa surgiu brilhante,
Libertando os oprimidos,
a vida a brilhar em cada olhar,
a esperança e o sol a fazerem par.
Páscoa, alegria, comemoração,
O Deus que se fez homem ,
filósofo e amigo das crianças,
Compreensivo humanista

 

O SETOR CULTURAL NACIONAL E O ESTADUAL

“A cultura finalmente começou a ganhar espaço institucional e político. Já era tempo”, comemora o ministro da Cultura, Gilberto Gil, que compareceu ao anúncio da política de investimento em produções culturais do Banco do Brasil.
Produtores culturais de todos os segmentos deverão receber, neste ano, mais de um bilhão do governo federal para financiar seus projetos.
Já na nossa Santa e bela Catarina, o governo estadual anunciou a extinção da Fundação Catarinense de Cultura, no início deste ano, mas com a movimentação artistas e produtores culturais de diversas cidades do estado, voltou atrás, suspendendo a medida ate o final de 2005. Não que a Fundação seja a salvação da cultura em nosso estado – ela só pagará no decorrer deste ano parte dos projetos aprovados em 2003 e 2004; a lei Grando, que estabelece a compra e distribuição de livros de autores catarinenses às bibliotecas municipais, com mais de dez anos de idade, nunca foi cumprida. O Prêmio Cruz e Sousa teve sua última edição em 2002 e a edição que deveria ter acontecido no ano passado foi suspensa. E por aí afora. Mas a classe cultural está com medo de que fique pior ainda.

 

PERFEITA DIVINDADE

Virgínia Vendraminin

 Tempo é deus singular.
 Não pede preces, sacrifícios,
 Não castiga, nem perdoa.
 Trata a todos igualmente.

 Tempo é deus imortal
 Que se gasta e se renova
 Na lua cheia que morre,
 Na lua nova que  chega,
 No funeral dos milênios,
 No recomeço das horas.

 Tempo é deus onipotente.
 Cria sóis,apaga estrelas,
 Muda traços, deixa rastros
 Nos caminhos do universo,
 Rabisca dramas, comédias
 Na página incerta da história.

 Tempo é presença constante
 Na pedra, no rio, no inseto,
 Na face marcada do velho,
 Na memória de cada século,
 Na angústia da humanidade.
 Tempo é deus em que  todos crêem.

 

 

COMO CUIDAR DOS LIVROS


Ano novo, biblioteca nova. Para melhorar o aspecto da biblioteca, com os livros em bom estado, a recomendação é de um pouco de trabalho. Primeiro, uma limpeza geral sem usar álcool, detergente ou querosene, que só danificam os volumes. Os livros devem ser tirados das prateleiras e a primeira providência é se recolher deles qualquer papel ou marcador esquecido entre suas páginas para depois serem limpos com flanela. Para quem tem obras encadernadas em couro, a dica é passar óleo de mocotó, que evita principalmente rachaduras na dobradura da lombada. Em encadernações de outros tipos, é conveniente utilizar um pano levemente umedecido em água. Nas brochuras, a limpeza se faz apenas com flanela. Os livros limpos devem ser expostos ao sol durante 30 a 40 minutos, preferencialmente abertos, o que permitirá liquidar até com 90% dos ácaros e fungos, acumulados nas páginas e a eliminação de qualquer umidade mais recente. Durante o período de exposição, as páginas devem ser viradas para que a maior parte delas apanhe sol. O importante é o aproveitamento dos raios ultravioleta para acabar com ácaros e fungos.
Nas prateleiras, a dica é polvilhar todas com ácido bórico nos cantos. Também se pode dissolver um pouco de ácido bórico em água e pincelar as prateleiras. O mesmo produto ainda pode ser polvilhado levemente na parte superior dos livros.

 

 

A ESPERA

Bruna longobucco

Sempre espera
Vezes serena, outras fera
Entre tempos és esfera,
Dos sentimentos, atmosfera

Esperam poucos
Esperam muitos
Alguns, loucos
Outros, mudos

Revela-se em prantos
Também em sorrisos
Estás nas expressões felizes,
Ou nos olhares omissos

Sabes ser bela,
faz-se etérea
Sabes ser triste,
solidão venera

Reflete as intenções, porquês, ilusões
Caminhas nas dimensões, em eras
E embora sejam muitas as razões,
São incontáveis as esperas...

 

UMA PAIXÃO TRINTENÁRIA

Por Enéas Athanázio - 2ª parte

 

O livro se divide em duas partes, ambas densas e ricas de conteúdo, o que pode fazer dele, também, uma boa iniciação no assunto, com uma completa relação de fontes para estudo. Na primeira delas – “A Construção da Nova História do Contestado” – o autor expõe um glossário histórico do termo Contestado, esclarecendo seu significado e afastando confusões, definindo o que sejam território, região e guerra do Contestado, em geral envoltos numa nebulosa impenetrável. Esclarece depois vários outros aspectos, inclusive a respeito do Homem do Contestado, a ferrovia do Contestado, instituições ligadas a ele e muitas outras informações que buscam clarear o entendimento dos interessados. Descreve, em seguida, o que seja o “Projeto Resgate da Memória do Contestado”, as dificuldades encontradas na sua implantação e o longo trabalho por ele realizado, como jamais havia sido feito. “Durante muitos anos, - escreve – como ninguém fez até hoje, percorremos toda a região, quando entrevistamos quase uma centena de caboclos remanescentes da guerra para, pacientemente, dar ouvidos a sua versão. É impossível relatar por inteiro nossas profícuas atividades nas matas, nos campos e nas cidades – nosso habitat – quando conhecemos todos os lugares marcados na história como redutos de combates e de moradias, andamos pelos antigos caminhos de tropeiros, acampamos em grutas e cavernas, alimentamo-nos com comidas típicas, participamos de festejos populares, caçadas e pescarias, saboreamos frutas e animais silvestres e reviramos prateleiras, armários e baús” (pág. 26). Foi assim, andando, especulando, olhando, cheirando e apalpando que esse misto de cientista social e aventureiro transformou o Contestado num verdadeiro projeto de vida, tão ambicioso como o próprio projeto do Contestado. Nesse ponto, seu livro comove pela dedicação integral, pelo interesse no mínimo pormenor, pela decisão de fundamentar na realidade, passada ou presente, tudo que afirma e expõe.
Mostra, na seqüência, como a história do Contestado forçou as portas da Academia, antes trancada a sete chaves para ela, culminando com a criação da própria cadeira, cujo titular não poderia ser outro se não ele. Graças a isso, a juventude acadêmica passou a se conhecer melhor e a entender um passado por longo tempo varrido para baixo dos tapetes. Propõe, em seguida, um resgate do esquecido, sem esquecer o conhecido, como forma de traçar o mapa histórico, tão completo quanto possível, sem brechas ou falhas. “A região do Contestado – diz ele – ainda não tem sua história construída. Tem passado e tem histórias.” E nessa empreitada solitária, às vezes incompreendida ou ignorada, se lançou ele, levantando pedra por pedra a nova história regional. Propõe ainda uma reflexão critica nos estudos históricos, exercitando a dialética, pesquisando as mudanças, questionando, analisando e interpretando a sociedade para que o Homem do Contestado de hoje “tenha meios para que adote uma posição mais crítica em face da realidade” (pág. 49). (CONTINUA)

 

TELA VIVA

Aracely Braz

Quando mais um dia se despede,
Deslumbra-me
O encantado agito do mar,
Expulsando ondas peroladas
Brandas ou bravias,
Compassado fluxo
Num embalo infinito
De vaivém.
O sol ainda aquece e ilumina
Desenhando seus raios dourados
Sobre o azul do mar.Embebida de magia,
Viajo com as gaivotas
Faceiras, mas famintas
E nesse vôo fantástico
Misturo sonhos, sol, mar e gaivotas
Com a célebre tela viva
De um maravilhoso entardecer.

 

"CRUZEIROS DO SUL"

Por Luiz Carlos Amorim

Recebo, recém saído do prelo, “Cruzeiros do Sul”, romance histórico da nossa romancista maior, Urda Alice Klueger, a moça loura de Blumenau, dos dedos cheios de poesia. Trata-se da segunda edição, de cara nova, toda revista, publicada pela Editora Hemisfério Sul, de Blumenau. A primeira saiu pela Lunardeli, de Florianópolis. Com maestria e segurança, Urda retoma a ficção histórica, sua especialidade, e nos dá a saga dos nossos antepassados, a saga da formação do povo catarinense, desde a chegada dos portugueses, que aqui encontraram os índios, donos da terra, até os dias atuais. “Cruzeiros do Sul” é a história das gentes que trilharam os caminhos do tempo, construindo o nosso Estado e o nosso futuro. É a história da nossa gente, começada com Madjá-Aiu, índia xokleng e um branco europeu, que por acaso veio parar no litoral de Santa Catarina. É também a história de Miguel e Manoel, dois portugueses que começaram outra linhagem de catarinenses. Essas duas famílias, através de muitas gerações, vêm até os nossos dias para cruzarem suas histórias, numa trajetória na qual a autora retrata com fidelidade as alegrias e lutas dessa gente que deu origem ao que hoje é a nossa Santa e bela Catarina. Urda recria a história com pesquisa, fidelidade e muita sensibilidade, fazendo tudo acontecer sob as luzes cúmplices e ao mesmo tempo indiferentes do Cruzeiro do Sul. Sei que o título deste romance de fôlego de Urda era, a princípio, “Sob o Cruzeiro do Sul”, que lhe cabia muito melhor do que “Cruzeiros do Sul”, opção do editor da primeira edição. Independentemente disso, este romance, talvez maior do que “Verde Vale”, marca registrada e referência de Urda, em grandiosidade de conteúdo, é exemplo de competência e maestria no ofício de escrever. Urda dá uma sacudida na gente quando, a certa altura do seu grande painel, nos deparamos com a dura realidade dos descendentes da índia e dos europeus, que cruzam seus destinos. E isso é muito importante, para que nos conscientizemos - e essa é a função da literatura - de que essas personagens não são apenas personagens, são pessoas contemporâneas nossas, que existem a nossa volta e fazem parte do nosso dia-a-dia. Urda nos mostra que a vida está acontecendo ao nosso redor, sem que nos demos conta, sem que tomemos conhecimento dela e, conseqüentemente, sem que tomemos atitudes para melhorá-la. E há que se olhar e ver, pensar e repensar a nossa realidade, que é a mesma das criaturas de Urda. Não estamos todos sob o Cruzeiro do Sul?
Urda já era conhecida em toda Santa Catarina e fora dela, pelo conjunto de sua obra, mas sobretudo por “Verde Vale”, seu primeiro romance. Seguramente, a partir deste grande romance, Urda tem seu nome vinculado a “Cruzeiros do Sul” que transformou-se, de imediato, num clássico da Literatura Catarinense. “Cruzeiros do Sul” me lembra “Cem Anos de Solidão” pela saga das várias gerações e me levou a ler novamente Garcia Márquez. E em lendo novamente “Cem Anos de Solidão” saltou-me aos olhos o contraponto entre o fantástico misturado com o real de Garcia e a recriação da realidade, da vida, com fidelidade e lirismo de Urda, empatando os dois na excelência da narrativa.   E o fôlego da escritora loura de Blumenau não pára por aí. Ela publicou, no final do ano passado, o livro “O povo das Conchas”, sobre os sambaquianos, que viveram em Santa Catarina há mais ou menos uns seis mil anos. E este livro é só uma prévia do romance que Urda está escrevendo sobre este povo e que certamente constituir-se-á em outro clássico dela.    

 

AS CORES DA VIDA

Rosângela Borges Wiemes

A vida tem muitas cores!
Às vezes, são cores brilhantes
Como o azul do mar
do céu
E aquele azul maravilhoso
Dos olhos da Isabel!

A vida tem muitas cores!
Às vezes, são cores quentes
Como o amarelo do sol
da plantação de trigo
E aquele amarelo dourado
Dos cabelos do Rodrigo!

A vida tem muitas cores!
Às vezes, são cores perfumadas
Como o verde das árvores
da esperança
E aquele verde feliz
Do sonho da Ana Beatriz!

A vida tem muitas cores
Às vezes, são cores falantes
Como o vermelho das flores
E o vermelho nada discreto
Da timidez do Roberto!

A vida tem muitas cores
Às vezes, são cores estranhas
Como o cinza das montanhas
da fumaça
E aquele cinza tão triste
Da canção da Berenice!

A vida tem muitas cores!
Às vezes, são cores meninas
Como o rosa dos vestidos
dos laços
E o rosa tão engraçado
Do abraço da Carolina!

A vida tem muitas cores
Basta que você sonhe
espere
acredite
E quando tudo ficar preto e branco
Pegue um pincel e... pinte!

 

LIVROS DA ABL X OBRA DE AUTORES CATARINENSES

Por Luiz Carlos Amorim

Resultado de um acordo firmado entre a Academia Brasileira de Letras e uma distribuidora de livros de Florianópolis, os livros publicados pela ABL estarão nas livrarias de Santa Catarina ainda neste mês de março. Cerca de duzentos títulos chegarão ao estado no primeiro lote, e mais opções no que diz respeito à leitura sempre são bem vindas.
Mas será que livros como “Discursos Acadêmicos”, “Edição Crítica das Atas da Academia Brasileira de Letras”, “Série Biobibliografia dos Patronos”, “Arquivos dos Acadêmicos” e outros deveriam receber essa atenção e oportunidade? Verdade que há, também, bons títulos no acervo que a ABL distribuirá no estado, como “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”, ”Três Retratos”, de Manuel Bandeira e alguns outros.
Mas ao invés da oportunidade que se dá a essas obras que “não são best-sellers”, como os próprios idealizadores da idéia reconhecem, porque não dar espaço para a obra de autores catarinenses que nem sequer conseguem colocar seus livros nas prateleiras das livrarias?
E quando alguma livraria recebe alguns poucos exemplares de um livro de autor “não consagrado” em consignação, eles ficam escondidos em algum canto e os clientes da casa nunca os verão, com raras exceções ou a não ser que o leitor os peça. E mesmo assim, pedindo especificamente tal título de tal autor, a resposta poderá ser “não temos”, embora saibamos que ele deveria estar disponível.
No pacote, paralela à distribuição dos livros está prevista a realização de propaganda nas universidades e colégios para tornar conhecidos os títulos, embora se reconheça, também, que os possíveis interessados deverão ser poucos, como alguns professores e pesquisadores. Tal divulgação também seria muito bem-vinda para os livros de autores catarinenses, que são conhecidos apenas em sua cidade, quase sempre. O ideal seria o privilégio da distribuição e divulgação tanto para os livros da ABL como para os livros de autores catarinenses – interessante seria os dois serem contemplados.
Mas quem está em desvantagem, mesmo, é o autor de Santa Catarina ou aqui radicado, pois nem o próprio estado cumpre uma lei, que tem mais de dez anos e estabelece a compra de exemplares de livros de autores da terra para distribuição às bibliotecas municipais e escolas, o que já seria um grande passo para que alguns escritores ultrapassassem pelo menos as fronteiras da sua cidade.
Por coincidência, em crônica anterior, falávamos dos livros de poesia publicados por este Brasil afora, que vem à lume às expensas do próprio escritor. Isso, porque não há editoras para publicá-los e porque o gênero poesia é o mais fecundo, apesar de não ser o gênero no qual se consagrem muitos novos valores.
Então o que consta das estatísticas oficiais é que o gênero poesia não vende. Na verdade, as edições do autor, que são a maioria em se falando de poesia, até vendem, sim, de mão em mão, levadas pelo autor até o leitor. E é a única maneira do poeta “não consagrado” vender a sua obra, porque como já mencionamos, as livrarias não têm espaço para livros de autores novos e desconhecidos.
Uma boa divulgação, como a que se propõe fazer com os livros da ABL no estado de Santa Catarina seria de grande valia para tornar conhecidos autores da terra e a sua obra. Nem todos são Drummonds ou Quintanas, mas com certeza mais bons poetas seriam revelados.

 

NOTAS LITERÁRIAS

A ILHA NA FEIRA DE RUA DO LIVRO

A Feira de Rua do Livro de Florianópolis deste ano terá seu espaço físico ampliado, mantendo na programação os concursos literários e as apresentações artísticas. O evento começa no dia 4 e segue até o dia 14 maio, no Largo da Alfândega, no centro da Capital, com uma agenda de lançamentos e presença de escritores.
O Grupo Literário A Ilha estará presente, lançando três livros: “Nação Poesia”, antologia poética; “A Última Noite”, antologia de contos e “Canção da Saudade - Saudades de Quintana” - crônicas, além da edição especial desta revista, comemorativa das Bodas de Prata do Grupo e do Suplemento. A ILHA começa a festejar os seus vinte cinco anos de atividades na Feira.

O FIM DA FUNDAÇÃO CATARINENSE DE CULTURA

O governo do estado de Santa Catarina resolveu incluir a cultura na reforma administrativa anunciada no início deste ano. Decidiu que a Fundação Catarinense de Cultura será extinta. É claro que uma “Frente em defesa da cultura catarinense” se formou em protesto, e o governo recuou, prometendo manter a entidade até 31 de dezembro deste ano. Mas já avisou que, mesmo sem a FCC, será impossível criar a Secretaria de Cultura, como quer a “frente”, composta de artistas e pessoas do meio, defendendo a criação do Funcultural, entidade ainda meio nebulosa e que dividiria os recursos porventura conseguidos entre cultura, esporte e lazer. Como ficará a falida cultura oficial de SC?

NOVO LIVROS EM LANÇAMENTO


Dois novos livros serão lançados este ano, nas Feiras do livro de maio e setembro, em Florianópolis, pelas Edições A ILHA. Trata-se de “A Última Noite”, antologia de contos, e “CANÇÃO DA SAUDADE - Saudades de Quintana”, coletânea de crônicas publicadas em jornais, revistas e portais na internet, os dois de Luiz C. Amorim.
O primeiro reúne contos de livros anteriores do autor, que migrou da prosa para a poesia e depois voltou para a prosa, desta vez praticando a crônica, que resultou em três livros, o último a ser lançado este ano, “Canção da Saudade - Saudade de Quintana”. Visite a Feira do Livro de Rua e conheça esses títulos.


EXPEDIENTE


Suplemento Literário A ILHA - Edição número 92 - Março/2005
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
End. para Correspondência:
lc.amorim@ig.com.br

prosapoesiaecia@yahoo.com.br


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