SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Publicação trimestral

Março/2001- Edição número 76 - Ano XX

 

 

NOVA CARA DO PORTAL A ILHA

O portal PROSA, POESIA & CIA. do Grupo Literário A ILHA está de cara nova, todo refeito em dreamweaver e fireworks, com apresentação bem melhor do que aquela da versão anterior, feita em Frontpage: navegabilidade muito mais funcional e rápida, além de ampliado. Lá está a edição on-line da revista do grupo, o SUPLEMENTO LITERARIO A ILHA; na página GRUPO LITERARIO A ILHA, a trajetória e o trabalho do grupo nestes 20 anos de caminhada; a coluna LITERARTE, com muita informação cultural e literária e muita poesia, atualizada constantemente; a antologia TODOS OS POETAS, com centenas de poemas e poetas; também a antologia O TEMA DO POEMA, com poemas temáticos, já com vários temas; a seção GRANDES MESTRES DA POESIA com nomes como Quintana, Cora, Pessoa, Drummond e outros; em ESCRITORES DE SC, autores como Urda Alice Klueger e Enéas Athanazio, entre outros; LITERATURA INFANTIL reúne os contadores de histórias infanto-juvenis, como Eloí Bocheco, Else e Anamaria Kovacs; em LIVROS ON LINE, obras poéticas em português, inglês e espanhol; ARTIGOS SOBRE LITERATURA traz vários textos de autores diversos acerca de literatura; em ENTREVISTAS COM ESCRITORES, grandes nomes da literatura, como Saramago, Rachel de Queirós, etc, falam de si e de Literatura; LITERATURA PARA VESTIBULAR oferece resumo de inúmeras obras selecionadas para os vestibulares, como ponto de partida para a leitura integral dos livros.
Oferecendo sempre mais no que diz respeito à cultura e à literatura, o portal Prosa, Poesia & Cia. vai se firmando como o sítio literário mais completo feito em Santa Catarina. E o que é mais importante, constitui um grande espaço para divulgar o trabalho de autores novos ou não. Este é o objetivo e está sendo cumprido. Considerando-se que o sítio está em dois endereços, atualmente, na rede, e somando-se a visita dos dois, temos mais de cem acessos por semana. Isto é uma "tiragem" bastante alta.

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DANÇA DAS HORAS

Anamaria Kovács


Na minha casa
Não há hora certa:
Cada relógio,
Um tempo diferente.

Hora de comer?
Hora de dormir!
Hora de sonhar?
Hora de partir!

Ora, de amar...
Amar é pra vida inteira,
Amar sem eira nem beira,
Sem dia nem hora nem lugar...
Amar sem tempo, amar de corpo inteiro,
Sem medo, sem constrangimento!

Hora, ora!
Hora é coisa
Pra despertador,
Pra trabalhador,
Pra monotonia
Do dia-a-dia...
E existe hora pra Poesia?

 

CRUZ E SOUSA ULTRAPASSANDO FRONTEIRAS

 

O meios de comunicação, em Santa Catarina, notadamente os jornais, publicaram matérias sobre o maior poeta simbolista do Brasil e o maior poeta catarinense, Cruz e Sousa, quando da passagem do Centenário de sua morte. Mas os eventos comemorativos do centenário passaram e só se voltou a falar novamente dele, quando foi lançado, no início de 2000, o filme “Cruz e Sousa, o Poeta do Desterro”, de Silvio Bach, mesmo assim, superficialmente. Recebemos o Suplemento Literário de Minas Gerais de novembro de 2000, e qual não foi nossa surpresa, quando nos deparamos com metade da edição - 18 páginas - dedicada ao Cisne Negro: uma entrevista de cinco páginas, com o diretor Silvio Back, falando sobre o seu filme “O Poeta do Desterro”. Uelinton F. Alves, em “Espelho de uma existência”, também fala do cineasta e do seu filme, por conseguinte do poeta Cruz e Sousa. Ivone D. Rabelo, em “A Beleza Envenenada” faz uma leitura da obra de Silvio Back sobre Cruz e Sousa. Até um artigo de um tradutor americano, Steven F. White, que legendou o filme para ser exibido nos Estados Unidos está nesta edição do Suplemento Literário, falando da sua experiência em conhecer Cruz e Sousa; E tem ainda “A metafísica do sofrimento” de Ivan Teixeira, ensaio sobre a leitura e interpretação da obra de Cruz e Sousa. E é claro que há, também, poemas do poeta do Desterro em português, inglês e francês. É bom ver que o filme que mostra a vida e a obra do grande poeta negro está sendo visto por todo o Brasil e inclusive no exterior e, o que é melhor, está chamando atenção e provocando reações, tornando a poesia de Cruz e Sousa conhecida, apreciada e valorizada.

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JARDIM

Rosângela Borges

É mágica.
Uma mistura de poema
Sorriso e dança.
É sonho.
Um abraço de princesa
Bailarina e criança.
É beijo.
Um vento de estrelas,
Carinho e mar.
É jardim.
Um espaço de cor,
Mãos e flores.
É música.
Um acorde de sol
Canção e luz.
É vida.
Um caminho de amor
Coração e céu.
É você.
Minha doce
Ana Beatriz.

 

ANO DA LITERATURA BRASILEIRA

O presidente da República assinou, em 08.02.2001, o decreto que instituiu o ano de 2001 como o ANO DA LITERATURA BRASILEIRA, em comemoração ao sesquicentenário de nascimento de Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Murilo Mendes, José Lins do Rego e Cecília Meirelles.
Para se juntar às comemorações, o Grupo Literário A ILHA leva de novo às ruas a edição do seu Projeto POESIA NA RUA com poemas de Cruz e Sousa, distribui às escolas o Projeto POESIA NA ESCOLA, apresentação em power point também com poemas do Cisne Negro e exibe mais uma edição do Projeto POESIA NO SHOPPING, com poemas em homenagem a Joinville, pelo seu aniversário. Tudo neste mês de março.

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A PRIMEIRA DOR


Fernando Fábio Fiorose Furtado


venho de habitar distâncias
o corpo esconso olhar gauche
saberei dizer o outro?
saberei dizer o nome?
não
a dor não diz o nome
atravessa distâncias
e sabe esquecer-se
e sabe lembrar
o centro do labirinto.

 

LIVROS: DISTRIBUIÇÃO E VENDA


Por Luiz Carlos Amorim


Numa entrevista que fiz com a escritora e editora Urda Alice Klueger, recentemente, aproveitei para indagar dela como é a distribuição de livros neste nosso Brasil. Sabemos como é publicar o livro: produzir a obra, editar, vê-lo impresso. Mas a distribuição é alguma coisa complexa, que envolve marketing, competência editorial e conhecimento das tendências literárias. E Urda, à frente da Editora Hemisfério Sul, de Blumenau, há três anos, nos diz que em todo este período que tem trabalhado para conseguir novos mercados para os seus livros, conseguiu coloca-los nas livrarias de Santa Catarina e Paraná. Por mais que tenha tentado, não conseguiu, por exemplo, entrar no Rio Grande do Sul.
As livrarias, como já sabemos, preferem publicar os best-sellers – livros que já fizeram “sucesso” em outros países, ou de autores consagrados, que têm venda garantida, às vezes até prescindindo de qualidade de conteúdo, no entanto.
E o problema torna-se um círculo vicioso, pois para uma pequena ou média editora, a dificuldade de distribuição significa venda deficiente e isto acarreta falta de dinheiro, que por sua vez inviabiliza a publicação de novos títulos. Em tempo: Urda é a escritora que mais vende livros em Santa Catarina, mas só publicou um livro seu pela Hemisfério Sul – e, diga-se de passagem, ele já está na segunda edição – os outros saíram pela Lunardelli, editora com a qual mantinha contrato.
A situação não é isolada. Em recente matéria em um grande jornal, sobre a difícil tarefa de publicar livros, constatou-se que reeditar é ainda mais complicado, mesmo considerando-se que há livros importantes que estão esgotados há bastante tempo. As editoras catarinenses confessam não ter interesse em investir em uma política de reedição, pois acham difícil saber se haverá público para uma nova edição – o mesmo problema que acontece com o livro de um autor novo. Pior ainda se o gênero for literatura – conto, poesia, romance, etc. – a incógnita é muito maior do que se o livro for técnico, de Historia, esoterismo, auto-ajuda, reportagem, etc.
A alegação é de que só vendem os títulos de autores consagrados e assuntos atuais na época da publicação do livro.
Poesia, segundo editoras e livreiros, não vende. Conto e crônica vendem pouco. Romance vende, se for assinado por autor de renome ou se for enlatado – o livro já chega aqui com toda uma campanha de divulgação feita pela mídia para despertar a curiosidade e induzir a compra. Se o leitor vai ler ou vai gostar, é outra história. O importante é comprar.
O fato é que se procurarmos determinados livros de poesia, digamos, por exemplo, de Manuel Bandeira ou Cora Coralina, em qualquer livraria escolhida aleatoriamente, corremos o risco de não encontrá-los. Então perguntamos: como vendermos um produto, se não o temos para oferecê-lo?
Nós, os autores “alternativos”, que fazemos edições de mil ou dois mil exemplares de livros de poesia, por conta própria, conseguimos vendê-los, até com alguma rapidez. Algumas edições de mil exemplares esgotam em menos de um ano.
Não se vende porque não se oferece ou não se oferece porque não vende?

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DE TRÊS EM TRÊS

Eloí Elisabet Bocheco

(do livro "Ô de Casa")

Três pontos
Caminho
e conto.

Três pingos
Espalho
e sigo.

Três passos
Chego
e passo.

Três riscos
Pulo e
me arrisco.

Três contas
Escolho a
da ponta.

Três linhas
Ponho a tua
mão na minha!

 

A ILHA ENTREVISTA URDA ALICE KLUEGER

A romancista maior de SC concede entrevista a Luiz C. Amorim e fala de seus novos projetos, de literatura, de livro e mercado editorial.

Supl. Lit. A ILHA - Urda, você é uma escritora consagrada e respeitada no Estado de Santa Catarina e também fora dele, não só no gênero romance, com o qual você iniciou e fez sempre muito sucesso, como também em literatura infantil e crônica urbana e de viagem. Qual o gênero que lhe dá mais prazer escrever?
Urda: Sem duvida, o que me da mais prazer é o romance-historico. É uma coisa muito trabalhosa, o romance-histórico, exige muita pesquisa prévia, etc - mas não há nada no mundo que me agrade mais do que escrever um romance-histórico.
Supl. Lit. A ILHA - E qual o gênero que prefere ler?
Urda - Também prefiro ler o romance-histórico, bem como livros de História de bons autores. Você vai achar engraçado, mas, neste momento, aos 48 anos, preparo-me para a minha formatura no Curso de História da FURB, aqui em Blumenau. Hoje, dia em que respondo esta entrevista (05.02.01), devo provar a beca para a minha formatura. Sou, realmente, uma pessoa ligada à História. Não sei fazer literatura sem história, nem história sem literatura. Já conto isso adiante, na entrevista.
Supl. Lit. A ILHA - O que você acha da atual produção literária no estado e no país? Na sua opinião ela melhorou, permaneceu estável ou decresceu?
Urda - Acho que produção literária é produção literária. Tem coisas boas e coisas ruins. É uma coisa dinâmica, cheia de altos e baixos, mas que está acontecendo com vigor.
Supl. Lit. A ILHA - No que você está trabalhando atualmente? O que está escrevendo e qual a previsão para o livro ser lançado?
Urda - Ainda estou trabalhando na pesquisa a respeito, mas já comecei a escrever o livro. É um romance-histórico sobre os catarinenses de 6.000 anos atrás. Essa gente ainda não era o índio, e nem o antepassado do índio. Chamamo-los, hoje, de Sambaquianos (foram eles que construíram os Sambaquis). Nesse tempo, praticamente nada, ainda, estava acontecendo na Europa, e em Santa Catarina já vivia muita gente, gente que já produzia arte e que tinha conhecimentos até de Geometria. Praticamente ninguem, do grande publico, sabe nada a esse respeito. Há muita pesquisa científica, a respeito, e estou usando essa pesquisa para fundamentar o meu romance.
Supl. Lit. A ILHA - O trabalho da editora - você está a frente da Hemisfério Sul, há três anos - interfere no trabalho da escritora, isto é: você está escrevendo menos do que antes ou uma coisa não tem a ver com a outra?
Urda - O que intereferiu com o meu trabalho de escritora nao foi a editora, mas o Curso de Historia. Estudar Historia é uma coisa tão absorvente que não deixa tempo para mais nada.
Supl. Lit. A ILHA - Sua antiga editora não tinha uma distribuição eficiente fora de SC. Atualmente, em que outros estados os livros da Hemisfério Sul estão chegando? Como é lidar com a distribuição dos livros?
Urda - É muito difícil lidar com distribuição de livros. Estamos no mercado faz 3 anos, e somente distribuimos em Santa Catarina e Paraná, e um pouquinho em Brasília. Tentamos e tentamos, mas, até agora, não conseguimos entrar no Rio Grande do Sul. É mesmo bastante difícil a distribuição.
Supl. Lit. A ILHA - Já faz alguns anos que você ocupa uma das cadeiras da Academia Catarinense de Letras. O que representou isso na carreira da escritora, ou melhor: isso mudou alguma coisa?
Urda. - Na minha vida, mesmo, não mudou nada. É claro que tenho orgulho e satisfação por ter sido escolhida para tal cargo, mas a minha vida continua igual. Creio que os meus amigos curtem mais este meu cargo do que eu própria.
Supl. Lit. A ILHA - A escritora Urda agora também é editora. Como você vê, hoje, a edição do livro no nosso país, olhando pelos dois ângulos, de escritora e editora?
Urda - Como já disse acima, o grande problema é a distribuição. E também a crônica falta de dinheiro das editoras pequenas.
Supl. Lit. A ILHA - Você acha que o livro eletrônico e a internet podem ameaçar o livro tradicional, impresso, como o conhecemos hoje?
Urda - Penso que haverá uma mudança física no livro que conhecemos hoje, mas não acredito no livro que deva ser lido no computador. Ler no computador é cansativo, é chato. Penso que o livro, como o conhecemos hoje, terá uma nova forma (talvez até um computador portátil, e isto já existe), mas sempre será algo que se poderá levar para a praia, para a cama, para uma rede, etc.
Supl. Lit. A ILHA - O advento das livrarias virtuais teria desestabilizado o mercado editorial,fazendo com que as livrarias tradicionais, que pagam aluguel do espaço físico para receber o cliente, funcionários para atender, etc., ficassem em desvantagem? Ou isso teria feito bem para a concorrência?
Urda - Ainda não sei responder a tal pergunta. Penso que ainda é um pouco cedo para respondê-la. O que posso dizer é que, por enquanto, apesar dos livros da nossa editora estarem em diversas livrarias virtuais, eles continuam vendendo mais nas livrarias tradicionais. Penso, porém, que no futuro tal coisa pode se inverter.

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CINZAS DO TEMPO

Francisco Simões

A maré, a vazante,
O mar retirante
Recua diante
Da minha tristeza,
Presa de lembranças,
Represa de imagens,
Personagens, história
Que desenhei na memória
Com as cinzas do tempo.
Um dia de sol,
Trevas na alma,
Um momento, uma calma,
A pausa na dor.
Um alento, uma passagem,
Entre o amor e a amargura,
Entre a culpa e a tortura.
A frescura, a brisa
Me seduz, me abraça,
Festeja, me envolve
E assim me devolve a paz
Que deseja ficar
Mas, fraqueja e passa.
Um dia de sol,
A praia, a vida,
Na contrapartida
O escuro, o mergulho
Na saudade antiga,
Amiga, inimiga,
Refúgio, pensar,
Que agora me obriga
A rever e chorar

 

 


NOVO LIVRO SOBRE O CONTESTADO


Além de Geração do Deserto, romance histórico de Guido Wilmar Sassi, pouco existe sobre a Guerra do Contestado. A RBS tem trazido à tona o evento, em série muito bem produzida. Agora, o jornalista Paulo Ramos Derengoski está lançando o livro "Guerra do Contestado", pela Editora Insular. Além de pesquisa em bibliotecas e acervos particulares, percorreu diversas regiões onde ocorreram os conflitos, reuniu fotos históricas, entrevistou remanescentes daquela época e reconstituiu num livro um dos mais fascinantes e desafiadores episódios regionalistas brasileiros.

PRÊMIO PARA BIOGRAFIA ROMANCEADA DE CABRAL - Coube ao escritor gaúcho Walter Galvani, por seu livro "A Nau Capitânia", uma biografia romanceada de Pedro Álvares Cabral, o Prêmio Literário Casa das Américas do ano de 2000.

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AS ÁGUAS DO RIO CACHOEIRA

Erna Pidner

Corriam límpidas
Lépidas, fagueiras...
Quantos mais velhos
Me segredaram:
Já tomei banho
No Rio Cachoeira!
Eram respeitadas
Não poluídas
Nem por indústrias
Nem fossas caseiras;
Claras e puras
Corriam as águas
Do Rio Cachoeira!
Hoje, tão triste,
As observo:
Estão paradas,
Perderam a força,
Não mais conseguem
Seguir avante
Na corredeira
As negras águas
do Rio Cachoeira!

 

GENTE QUE BRILHA

Recebemos, enviado pela professora e artista plástica Solange Gerloff, de Joinville, o livro GENTE É PRA BRILHAR, antologia publicada pelo Centro Educacional Machado de Assis, dentro da série Descobrindo Talentos. A apresentação gráfica é impecável e o detalhe, importante, é que trata-se de uma seleção de poemas de alunos de 5ª a 8ª séries e 1º ano do Ensino Médio, feita a partir de trabalhos desenvolvidos durante as aulas de Língua Portuguesa. O objetivo, segundo a organizadora, foi de contribuir para o desenvolvimento da capacidade criadora do aluno, procurando despertar, descobrir e valorizar o talento para as letras existente no ambiente escolar.
Aplaudimos a iniciativa e parabenizamos os idealizadores. Abaixo, publicamos um poema da antologia, para que se tenha uma idéia da obra. Vale a pena conferir.

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SENTIMENTOS


Lorena Petra R. Fernandes


O que é aquilo
Que corre sem parar?
É o rio que corre apressado
Para desaguar no mar...

Desaguar no mar da esperança
Do amor e da alegria
E nos olhos de uma criança
O rio vira fantasia...

Que sentimento é esse
Tão belo e tão profundo?
Que nasce, que cresce,
Que morre e muda o mundo?

Que liberdade é essa
Que voa, que floresce
Que sorri, que canta
Que rejuvenesce?

 

 

 

ANTOLOGIA MINEIRA

QUINZE ANOS DE POESIA

A escritora Erna Pidner, que faz parte do Grupo Literário A ILHA desde o seu início, em Joinville, agora de volta à sua terra natal, Minas, nos envia a antologia QUINZE ANOS DE POESIA, coletânea comemorativa dos quinze anos do Clube dos Escritores de Ipatinga, entidade da qual é presidente. Apresentação impecável e muita poesia da boa. Parabéns ao CLESI, pela realização do belíssimo trabalho. Dois senões, apenas: porque nenhum poema da presidente, Erna Pidner? A antologia ficou imcompleta. E faltou o nome do autor ao lado dos poemas, no índice.

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LIBERTAR-SE

Rose Pereira

Antes que o medo te devore,

Deixa o amor traçar teu caminho

No terreno, ainda fértil, do coração.

Antes que a tua voz silencie,

Deixa que o riso escancare tua dor

E dissipe esta saudade bandida.

Antes que a angústia te cristalize a alma,

Deixa os sonhos cavalgarem velozmente

Nos labirintos dos teus sentidos.

Antes que teus olhos se desfaçam em pranto,

Faze da poesia teus passos

Arcoirizando teu sofrer.

Antes que o sonho se desfaça,

Vá ao encontro das sensações fugidias

E deixa tua alma florescer.

Antes que role a última lágrima,

E que o hoje se torne amanhã

Ousa declarar-te para a vida

Rompendo as garras da solidão!

(do livro "Quinze Anos de Poesia")

 

 

SAI O PROJETO VIVER JOINVILLE

Depois de mais de três anos, a "cartilha didática" para a rede escolar municipal de Joinville - o Projeto Viver Joinville está indo para as mãos dos alunos. Sei do projeto, porque fui convidado pelos professores organizadores, na época em que iniciaram as discussões e seleção dos textos. Fui convidado e participei, vi o que foi feito e fiz parte do projeto, só que, quando ele saiu da gaveta, retomado em 2000, apareceu todo mudado: os textos de autores joinvillenses que tinham sido selecionados já não eram mais os mesmos, trabalhos de minha autoria que tinham sido incluídos foram retirados, sem contar que saiu um poema de Rosângela Borges, do Grupo A ILHA, com o nome errado, assinado por Rosângela Ramos. Sumiram os meus textos, alguns de outros escritores e entraram muitos textos - prosa e poesia - de gente de dentro da Secretaria de Educação, que é o órgão responsável pela edição do Projeto.
Coincidência? Acho que não. Até porque foi uma luta para conseguir que pelo menos um poema meu entrasse na "nova" seleção. Mas o importante é que o livro saiu. Viver Joinville é um livro de História e Geografia da cidade, com muita literatura abordando todos os aspectos da vida, do cotidiano de Joinville. Um livro dinâmico, com muita ilustração, cores e idéias. Um livro que deve motivar os estudantes de primeira a quarta séries, com uma linguagem apropriada e uma apresentação atraente, sem a sisudez do livro didático tradicional, tão formal e por vezes, desinteressante. No que diz respeito à literatura, um ponto importante foi usar textos – crônicas, poemas, contos – de autores da terra. Lá estão integrantes do Grupo Literário A ILHA residentes na Cidade das Flores – ou que lá residiram até recentemente – como Else Sant’Anna Brum, Rosângela Borges e este colunista. Outros escritores joinvillenses não tiveram espaço no livro, em favor de autores que fazem parte da secretaria, isto é: estavam à frente da finalização do projeto, mas esta é outra história. A edição do livro ficou parada por mais de dois anos, mas finalmente está indo para as salas de aula. Isto é mais importante. A primeira edição, de mil exemplares, saiu com alguns problemas, como texto sem autor ou com o nome do autor errado, um ou outro erro de digitação, mas a tiragem definitiva, que está sendo entregue aos estudantes das escolas municipais neste início de ano letivo de 2001 deve estar com as correções. Digo deve estar, porque ainda não a vi.

 

 

BORBOLETAS

Aracely Braz

No vaívem do seu vôo indelével
Entre as rosas e botões, desocupadas
Adoçantes de mel, embriagadas
Colaborando no raiar do sol.

Na verde relva são pedras preciosas
Fascinando nosso mundo, extasiado.
De flor em flor, no labor do leva-e-traz
Transporte rotineiro do arrebol.

Assim, no peito humano, a borboleta
Enche de esperança a flor que engana
Sonhos e sorrisos de ilusão;

Elas, as pétalas esvoaçantes
Vão deixando espinhos palpitantes
As marcas do registro ao coração.

 

DIA DA POESIA


Neste mês de março, no dia 14, comemora-se o Dia Nacional da Poesia. Um dia para a poesia se espalhar por todos os espaços, corações e emoções. Um dia para a poesia ter um espaço um pouquinho maior na mídia: para que o jornal publique um poema, para que o rádio recite outro poema, para que algum programa de TV esqueça, só por um momento fofocas, más notícias, novelas, filmes repetidos e entrevistas insossas e declame uma poesia, e até o out-door no meio do nosso caminho deixe de vender qualquer coisa e nos brinde com uns poucos versos. É Dia da Poesia, dia de saudá-la de coração aberto e convidá-la a entrar e se demorar. O Grupo Literário A ILHA, em homenagem a esse dia, estará com o Projeto Poesia no Shopping em várias cidades de SC, além de reeditar o Projeto Poesia na Rua com poemas de Cruz e Sousa.

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POESIA VIVA


Luiz Carlos Amorim

Eu conheçi um menino,
um velho menino jovem
lá do sul do meu país,
mágico artista, poeta,
construtor de emoções.

Esse menino é Quintana,
tão lírico e tão travesso.
Esse menino é Quintana,
de seus eternos cantares,
nosso menino poeta.

Outros poetas, aprendizes,
como tantos, passarão.
Você, menino Quintana,
poesia viva e eterna,
você apenas, passarinho...

 

PRONTO FILME SOBRE DRUMMOND

 

O cineasta Paulo Thiago encerrou em dezembro de 2000 as filmagens externas e recentemente a montagem de "O Poeta de Sete Faces", primeiro documentário para TV sobre o poeta Carlos Drummond de Andrade.
O documentário, em dois episódios de 52 minutos cada, será exibido pelo canal Multishow, da Net/sky, a partir de março deste ano. O custo é de R$ 400 mil, um super orçamento para o gênero no Brasil, com patrocínio de Vale do Rio Doce, Cemig e BNDS.
A atração, segundo o diretor, refaz a trajetória da vida e da poesia de Drummond, cujo centenário de nascimento será comemorado em 2002. Traz entrevistas com Affonso Romano de Sant'Ana, Ferreira Goulart e Adélia Prado, entre outros.
O ator Carlos Gregório interpreta Drummond. E Paulo José, Zezé Mota, Paulo Autran, Tonia Carreiro, Ana Beatriz Nogueira e Cláudio Mamberti interpretam poemas. Alguns poemas são encenados. Há também imagens de Belo Horizonte nos anos 20.
Samuel Rosa, vocalista da banda Skank, tem cantado o "Poema das Sete Faces", musicado por Túlio Mourão. Mas não se disse se isso está no filme.

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ESPERANÇA

Else Sant'Anna Brum

Só a esperança
sabe acalentar
os sonhos que parecem
estar morrendo.
Só a esperança
possui réstias de luz
para iluminar
os caminhos escuros da solidão.
Só a esperança
cosegue dizer ao coração:
- Descansa!
Amanhã tudo vai mudar.
Só a esperança
traz o dom da espera
e como a primavera
renova as ramagens
e faz tudo brotar!

 


EXPEDIENTE


SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA Nº 76 - Março/2001 - Ano 20
Editor: Luiz C. Amorim
Endereço para contato:
E-mail: lc.amorim@ig.com.br


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