SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Março/2002

 

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

O Suplemento Literário A ILHA é publicado há quase vinte e dois anos, mas as edições on-line, na internet, começaram apenas em 97. Daí para a frente, com o alcance mundial da grande rede, a audiência da revista do Grupo Literário A ILHA foi aumentando cada vez mais, com milhares de acessos a cada edição. Mas a edição impressa, tradicional, não acabou. Continuamos com a revista impressa, tamanho meio-ofício, ainda que com tiragem menor que antes, sendo enviada via mala direta para todo o Brasil e até para o exterior.
Este espaço literário é um dos mais importantes de Santa Catarina, reunindo novos escritores e também os consagrados. Em junho próximo, o Grupo A ILHA e a revista completam 22 anos e isto será um marco na criação e manutenção de uma publicação literária.
Continuaremos a realização desse trabalho como o fizemos até aqui, sempre com o apoio de escritores e de outras publicações e com a divulgação que a a Internet propicia.

 

SOL

Luiz Carlos Amorim

O sol me invade os olhos
e a emoção
pede carona com ele,
mostrando-me a vida brilhando,
pulsando, dentro e fora de mim.

Aluz que eu deixava ofuscar
vai adentrando minh'alma
e atinge o coração,
iluminando o meu ser,
inundando de calor.

E eu aprendo
a amar de novo:
descubro ternura na flor,
no sorriso das pessoas,
no carinho disfarçado,
na amizade verdadeira,
na palavra solidária
que afasta a solidão.
E eu volto a ser feliz...

 

"OS SERTÕES" - CEM ANOS


O livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha, ganha um dicionário que ajuda a desvendar a grandeza da obra que completa cem anos em dezembro. A primeira edição chegou ao mercado em 1902 por iniciativa da Editora Lemmert, do Rio de Janeiro. Sucesso imediato de público e crítica, o trabalho mereceu três edições em apenas três anos. "Lexicologia de Os Sertões - O Vocabulário de Euclides da Cunha", de Manif Zacharias, é o mais recente projeto da editora catarinense Garapuvu. É também o de maior fôlego não só literalmente pelo peso, mas sobretudo por sua dimensão e ineditismo.
Um dos maiores êxitos editoriais do Brasil, com mais de 50 edições em língua portuguesa e traduções em cerca de dez idiomas, "Os Sertões" traz a cobertura jornalística da Guerra dos Canudos, feita por Euclides como correspondente de "O Estado de S. Paulo". Entre agosto e outubro de 1897, o autor acompanhou 8 mil homens que formavam a quarta expedição que tentava conter o conflito na Bahia. A edição da Garapuvu é apresentada pelo advogado e escritor Aimberê Machado, que a enaltece pela pesquisa exaustiva dos verbetes. Elogia a paciência e o zelo do autor "dignos de um missionário", que construiu uma obra que resulta como "uma bússola, eficiente e segura. Para os iniciados em Euclides, é um banquete", define o apresentador.

 

CONFIDÊNCIAS

Erna Pidner

Noite, tuas horas vazias
Abrigam momentos de paz
Em que abro minh'alma
Aos murmúrios da emoção
Liberta do ter, agir, construir,
Para apenas ser
Na quietude do infinito!

Estrela, a indicar o caminho
Desde as mais remotas eras
Até o incerto amanhã
Absorvo teu brilho cadente
Para banhar-me na luz
Do que foi e será
No limiar do século ascendente!

Espaço entre o ser e o não ser
Desprendo-me dessa vã realidade
Procurando duendes
Entre fímbrias de teu manto
Doce fada madrinha
Guardiã de meus segredos
Vindos nem sei de onde!

 

POETA BRASILEIRO É INDICADO AO NOBEL


O poeta Ferreira Gullar é um dos nomes que devem ser avaliados para receber o Prêmio Nobel de Literatura. A proposta de seu nome foi feita por um grupo de professores universitários brasileiros, liderados por Antonio Carlos Secchin, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Secchin, organizador da reedição das obras de Cecília Meireles, esteve recentemente em Estocolmo para apresentar a candidatura de Gullar ao Nobel, levando um dossiê do autor de Poema Sujo, com edições, traduções e trabalhos acadêmicos sobre sua obra. "Pela primeira vez, acho que um brasileiro tem alguma chance, porque seu nome foi sugerido como deve ser", afirmou Secchin, que sabe que a apresentação do nome é apenas o primeiro passo para um escritor receber o Nobel.

 

TRADUZIR

Ferreira Gullar

Uma parte de mim
É todo mundo:
Outra parte é ninguém:
Fundo sem fundo.

Uma parte de mim
É multidão:
Outra parte estranheza
E solidão.

Uma parte de mim
Pesa, pondera:
Outra parte
Delira.

Uma parte de mim
Almoça e janta:
Outra parte
Se espanta.

Uma parte de mim
É permanente:
Outra parte
Se sabe de repente.

Uma parte de mim
É só vertigem:
Outra parte,
Linguagem.

Traduzir uma parte
Na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?


POLÍTICA NACIONAL DO LIVRO


O ex-presidente e senador José Sarney apresentou o projeto de lei que institui a Política Nacional do Livro, com o argumento de que "nenhum país pode ser uma grande potência econômica sem antes ser uma potência cultural." Na justificativa da apresentação, Sarney considerou que a iniciativa permitirá ao cidadão o direito pleno de acesso e uso do livro, além de favorecer a edição, distribuição e consumo do livro no país.
O projeto do senador tem o objetivo de incluir verbas da União, oriundas do Fundo de Assistência ao Trabalhador, para "orientar a leitura através de campanhas e de bibliotecas, com aquisição e manutenção dos acervos." Outro ponto destacado é a simplificação de regras para o mercado editorial. Entre as diretrizes da Política Nacional do Livro, o projeto determinou o fomento e apoio à produção, à edição, à difusão, à distribuição e à comercialização; promoção e incentivo do hábito de leitura; criação de meios para converter o Brasil num grande centro editorial a fim de competir no mercado internacional.
O projeto prevê, ainda, a instalação e ampliação de livrarias, bibliotecas e pontos de venda.

 

ESSE SORRISO

Rosângela Borges

Esse sorriso
que mora em você
É só meu...
Eu o encontrei
jogado pelas calçadas,
perdido pelas ruas
e o trouxe pra casa...
Eu o iluminei
quando aqueci seu corpo
com meus olhos
e jurei renascer junto a ele,
toda vez que o choro
ameaçasse sua luz...
E fiz tudo: aqueci,
iluminei, renasci.
E agora, esse sorriso
que existe em você
jamais conhecerá o frio:
dormirá em meus braços,
brincará com meus beijos,
conhecerá tudo o que tenho:
Sorrisos!
Esse sorriso
que brilha em você
é meu, só meu...

 

 

UBE-SC PEDE CUMPRIMENTO DA LEI GRANDO

A União Brasileira de Escritores de Santa Catarina, através da nova diretoria que tomou posse no final de 2001, enviou ao governo do estado de SC correspondência reivindicando o cumprimento da Lei Grando, número 8759, de julho de 1992. Com aquela lei, o governo se compromete a comprar livros de autores catarinenses para colocar nas bibliotecas das escolas e nas bibliotecas municipais, propiciando, assim, que os leitores em formação e os leitores em geral conheçam os escritores da terra, a literatura produzida aqui no estado. O governo alega que já a vem cumprindo, mas o fato de comprar livro de um ou outro escritor para dar de brinde ou deixar guardado não chega perto do objetivo da lei.

 


VÔO DE PAPEL


Francisco Simões

Solta a tua alegria
Feliz e vadia no ar,
Faz flutuar no espaço,
Rompendo o mormaço
Com teu braço gigante
De linha ou barbante
Tua asa, teu céu,
Teu vôo de papel.
Rege com as mãos o bailado
Aéreo dançado,
Teus sonhos cruzando
Com sonhos rivais,
Buscando tais quais
A mesma vitória
E ter uma história
Para depois contar.
Guarda na tua alegria
Feliz e vadia, menino,
Teus sonhos bem pequeninos
Para poderes crescer e sonhar.
Nas tantas batalhas perdidas,
Nas muitas linhas partidas
Foge sempre um pouco da gente.
Estes sonhos não vão voltar.

 

POESIA NA RUA

O Grupo Literário A ILHA comemora o aniversário de Joinville e Florianópolis com duas edições especiais do PROJETO POESIA NO SHOPPING. São dois Varais de Poesia, um com poemas em homenagem a Joinville, exibidos nos shoppings da Cidade dos Príncipes e outro com poemas dedicados a Florianópolis, nos Shoppings da grande Florianópolis. Também o PROJETO POESIA NA RUA volta com poemas homenageando as duas cidades.

 

A TERRA DO NUNCA


Araci Barreto da Costa

Oh! Vida!
Já fiz tudo nesta vida.
Plantei árvores e flores.
Criei cães, pássaros,
Filhos, amores.
Já escrevei poesia...
Até livros editei!
Fiz amigos, lindos amigos!
Com eles, sorri e chorei.
Já viajei, nesta vida,
Conheci de tudo um pouco:
Museus, praias, pescadores,
Rios e lagos estranhos;
Gente pobre, gente rica,
Gente preta e amarelada
De todos os tipos e cantos
Diferentes, que encantaram
Ou deixaram-me assustada.
Já fui feliz, nesta vida.
Já sorri, dancei, amei.
Tive sonhos, ah! Meus sonhos!
Alguns, até realizei,
Mas... tudo isso passou.
Hoje vivo da esperança
De algum dia encontrar
A "Terra do Nunca", e...
Com "Peter Pan" me casar.

 

LIVRO DE POEMAS EM EDIÇÃO TRILINGÜE

O livro “A COR DO SOL”, de Luiz C. Amorim, em sua edição trilingüe, finalmente está no prelo e deve ser lançado quando das comemorações dos vinte e dois anos do Grupo Literário A ILHA.
Já com uma edição em inglês lançada nos Estados Unidos e uma em espanhol lançada em Cuba e na Espanha, agora “A Cor do Sol” sai em português, espanhol e inglês em um mesmo volume, com tradução da poeta e professora Selma Maria Franzoi.

 

MINHA VIAGEM


Aracely Braz


Fui passarinho
Quando de asas gigantes
Devorei
A extensão infinita do ar
Entre nuvens brancas e cinzentas
Numa mágica trajetória
De um caminho espacial.

Fui borboleta
Quando procurei
O mais apropriado néctar
salpiquei-o pelos ares
E fugi dos impróprios
A fim de não me machucar.

Fui o peixe escolhido,
Dourado,
Quando mergulhei
No Éden do mar infinito
Apreciando a potência
Desse gigante adormecido
Que embala
Com cantiga de ninar
O mais variado espetáculo
De seres vivos.

Fui a flor de um jardim,
A mais perfumada e linda
Prateada pelo clarão da lua
Solfejada
Pelo brilho elegante
Do cancioneiro
Que enlevou-me
Apagando de meu coração
A imagem
De uma estrada escura.


RESGATE DO FOLCLORE CATARINENSE

Um pequeno verso, escrito em um coração de papel delicadamente decorado, foi, durante anos, a forma de se iniciar um namoro - ou demonstrar carinho e amizade - no litoral catarinense. A prática do pão-por-deus caiu no esquecimento e ficou restrita a pequenas e pobres comunidades rurais. O lançamento do livro "Vecchietti - Pão-por-deus", propõe o resgate de uma importante parte do folclore catarinense.
O livro reúne versos de 17 autores catarinenses, montados dentro de três modelos de corações desenhados, e coloridos pelo desenhista e tapeceiro Pedro Paulo Vecchietti (1933-1993), que iniciou o processo de resgate histórico em 1990. A prática foi pesquisada por historiadores, jornalistas, escritores e folcloristas, como conta o escritor Silveira de Souza no livro. A origem seria milenar, sendo transmitida através dos açorianos e portugueses apenas a expressão "pão-por-deus", que significa um pedido ou uma dádiva.

 

NOSSO CÉU

Else Sant'Anna Brum

Céu azul
A noite cheia de estrelas
Todos gostamos de vê-las,
Belo céu aqui do Sul.

Céu sereno,
Onde nuvens como fadas,
Percorrem-no de mãos dadas,
Ao vento que sopra ameno.

Céu escuro
Onde não se enxerga nada,
Mas vem a lua prateada,
Clareia tudo.

Céu risonho
Onde brilha o lindo sol,
Onde nasce o arrebol,
Como em sonho.

Céu anil
Maravilha
que o nosso bom Deus,
Com carinho concedeu,
Aos seus filhos do Brasil!

 

80 ANOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA


Há 80 anos São Paulo era sacudida pela Semana de Arte Moderna e durante três dias de fevereiro de 1922, foram realizadas conferências, recitais e concertos. Naquele fevereiro, um grupo de artistas e intelectuais de São Paulo, liderados por Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia e Paulo Prado, e vindos do Rio, como Di Cavalcanti, Villa-Lobos, Prudente de Moraes Neto e Manuel Bandeira, puseram a cultura brasileira em dia com o que ocorria no mundo. São Paulo virava o centro da vida cultural do País.
Muitas pessoas que foram não gostaram, os jornais quase não falaram do evento, mas ao longo dos anos seguintes ele acabou se tornando a mais importante manifestação cultural do País no século 20. O principal motivo do abalo foi a renovação dos padrões estéticos e artísticos. Os modernistas achavam que a arte precisava ser mais vibrante para refletir com fidelidade maior as transformações que estavam acontecendo no Brasil e no mundo. Este ano, o público teve boa oportunidade de conhecer um pouco mais sobre os modernistas. No Centro Cultural São Paulo, estiveram expostos 100 trabalhos de artistas importantes do período. Eles pertencem ao precioso acervo constituído por Sérgio Milliet, que dirigiu a Biblioteca Municipal quando o modernismo estava no auge - e que, por isso, conseguiu reunir cerca de 2 mil peças, a maioria em papel. Recentemente, o Museu de Arte Contemporânea também expôs 23 importantes obras de grandes nomes do modernismo nas artes plásticas. Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Portinari são alguns dos nomes importantes das artes plásticas com obras no Museu de Arte e Cultura. O Centro Cultural Banco do Brasil ofereceu cinema e música sobre o movimento de 22 e seus participantes. Todas as peças musicais do compositor Heitor Villa-Lobos apresentadas no Municipal em 22 foram executadas sob a direção artística de Mario de Aratanha. Na tela, filmes e documentários sobre obras e artistas modernistas. Do ponto de vista histórico, vale a pena ver Semana de 22, documentário de Suzana Amaral realizado em 1968. O filme reúne uma série de imagens de São Paulo na década de 20 e situa o modernismo dentro de seu contexto histórico.

 

EXPERIMENTE


Eloí Elisabet Bocheco


Pegar um vôo numa gaivota,
dar uma volta pelo espaço,
mexer no compasso do mundo
com olhos de pássaro.

Fazer um desenho bem bonito,
subscrito e mandar para o melhor amigo
com um cacho de trigo e um favo de mel.
Mandar junto a lealdade
para que dure pra sempre a amizade.

Mudar os pezinhos de pitanga
do teu quintal para o meu.
(Quando crescerem e derem novas mudas
devolvo com um ovo).

Transformar a vassoura daquela bruxa
numa bota de sete léguas e sair pelo mundo.

 

AS APOSTILAS E OS LIVROS


Por Luiz Carlos Amorim

Início de ano letivo. Quem tem filhos na escola, começa a maratona de pesquisa de preços para a compra de material escolar, livros e apostilas.
Os livros, como sabemos, são caros, mesmo os didáticos - principalmente, talvez, porque precisamos comprá-los. Então, em alguma época de um passado não muito distante, alguém descobriu a apostila: ela reuniria toda a matéria a ser estudada, de várias disciplinas em um único volume, para baratear o preço final para o aluno.
A finalidade da idéia era fazer com que o estudante, ao invés de comprar vários livros, tivesse as suas necessidades supridas com a apostila. Infelizmente, o propósito inicial desvirtuou-se, porque a apostila tornou-se popular e prática e - ironia do destino - acabou transformando-se no pesadelo de pais e alunos. Sim, porque apesar de ser feita com material "condensado" de outros livros, está saindo muito cara e nem sempre tem bom conteúdo.
Uma apostila de um conhecido curso, para segundo grau, adotada por várias escolas, reunindo todas as disciplinas correspondentes à série estudada, mas dividida em volumes por bimestre, está custando de quarenta e cinco a cinqüenta e cinqüenta e cinco reais cada uma. Se fizermos as contas, os livros que seriam comprados no lugar das apostilas poderiam, até, sair por menos.
E isso sem contar que não há um crédito, sequer, nas ditas apostilas, uma bibliografia que indique de onde foram "condensados" os textos publicados ali. Quer dizer: o conteúdo pode ter sido copiado aqui e acolá e é publicado sem pagar direitos autorais a ninguém.
Não é uma "indústria" de lucro fácil? É, realmente, muito fácil catar conteúdo - eu diria "chupar" - em várias fontes e publicar, simplesmente, sem dar nenhum crédito a quem quer que seja. Mas é ilegal. Isso é plágio, é roubo. É pirataria.
Onde estariam as autoridades competentes que ainda não viram isso? O propósito da famigerada apostila, que era facilitar ao aluno a aquisição do material didático para estudar, diluiu-se na ganância de cursos e editoras que o transformaram numa maneira fácil de ganhar dinheiro.
O Ministério da Educação está gastando 67 milhões e meio de reais na compra de livros das grandes editoras brasileiras para que os estudantes de quarta e quinta séries montem bibliotecas em suas escolas. Ótimo, excelente, pois isso vai disponibilizar boa literatura brasileira e portuguesa nas escolas para formar o hábito da leitura. Talvez pudesse, também, fiscalizar ou normatizar as "apostilas" que proliferam por aí para que pais e alunos não sejam roubados.

 


FINALMENTE, LIVROS A UM REAL


A editora Expressão e Cultura lançou, recentemente, na Academia Brasileira de Letras, no Rio, os primeiros 36 livros de uma coleção de bolso cujo diferencial (e atrativo) está no preço: cada exemplar será vendido por apenas R$ 1, quase 40% mais barato que uma passagem de ônibus. Trata-se da Coleção Páginas Amarelas, que empresta o nome de outro produto da mesma editora.
A série integra o projeto Livro - Passaporte para a Cidadania e é uma iniciativa do diretor da própria editora, Ferdinando Bastos de Souza. A idéia é ampliar e fortalecer o universo de leitores do País e popularizar o hábito de compor bibliotecas particulares. Assim, a coleção também será vendida em kits com 12 títulos.
Com média de 210 páginas em papel jornal, a coleção inclui clássicos da literatura brasileira, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, Espumas Flutuantes, de Castro Alves, e Senhora, de José de Alencar; obras infanto-juvenis, como A Floresta do Rio, de Jucy Neiva, e As Belas Histórias da História do Brasil, de Viriato Corrêa; livros de história, saúde, educação, culinária; e ainda obras de referência como a Constituição Brasileira e o Código de Defesa do Consumidor.
Para chegar ao projeto, a editora serviu-se de dados que quantificam o elitizado hábito da leitura no Brasil: apenas 14% da população alfabetizada tem o costume de ler; 14% dos brasileiros não possuem livro algum em casa; e o principal: para 57%, o preço é o principal obstáculo à aquisição de mais livros.
A iniciativa da editora, portanto, é também uma ação social. Desta forma, exigiu dela e também das livrarias baixar as margens de lucro. Mas ainda há redes de livrarias que resistem à idéia e não terão a série à venda. Vamos confe-
rir e ver se chegou a nossa região.

 

MEC DISTRIBUI LIVROS PARA ESTUDANTES

O Ministério da Educação (MEC) distribuirá, a partir de abril, uma coleção com seis obras literárias para os 8,4 milhões de estudantes de quarta e quinta séries do ensino fundamental montarem suas próprias bibliotecas. Os livros serão propriedade dos estudantes - O importante é formar o hábito da leitura. A seleção de livros de capa mole, feita por especialistas de todos os Estados, excluiu textos juvenis de autores como Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Jorge Amado Lygia Bojunga Nunes, Érico Veríssimo e Lobato. Ao custo de R$ 40 milhões, o governo comprará coleções apresentadas pelas editoras Ática, FTD, Moderna, Nova Fronteira, Companhia das Letras e Objetiva. A presença de textos "truncados" em quase 30 coleções apresentadas, segundo o MEC, deixou de fora autores que fizeram a história da literatura no século passado. Da lista de livros que serão distribuídos, estão presentes "Os Miseráveis", de Victor Hugo, "A Ilha do Tesouro", de Robert Louis Stevenson, e "Odisséia", clássico grego que foi selecionado a partir de uma adaptação para crianças de Ruth Rocha. Também foram selecionados textos de Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Marcos Rey, Pedro Bandeira, Ana Maria Machado, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, João Ubaldo Ribeiro, Manuel de Barros, Gonçalves Dias e Chico Buarque.


INÉDITOS DE MONTEIRO LOBATO

A Unicamp anuncia a incorporação do acervo de Monteiro Lobato (1882-1948) que estava em poder da família do escritor. Parte do acervo, constituído de cartas, fotografias, aquarelas e diversas obras que pertenceram ao autor do 'Sítio do Picapau Amarelo', começou a ser mostrada ao público na própria Unicamp. Marisa Lajolo, responsável por um acervo de Lobato anterior a esse, que já pertencia à Unicamp, explica que o novo material é rico em detalhes das atividades literárias do autor entre os anos 20 e 40. Com os documentos recém-adquiridos, a universidade passa a ter o maior entre todos os acervos de Lobato.
Os documentos - muitos dos quais inéditos - contêm a correspondência que Lobato trocou com outras importantes personalidades da literatura brasileira, como Érico Veríssimo e Oswald de Andrade.

 

DOZE IMORTAIS DAS ESTANTES


Lançada uma obra que reúne 12 breves biografias de personagens da literatura brasileira. Trata-se de "PERSONAE", que agrupa personagens que apareceram na literatura em um período de pouco mais de cem anos e, reunidos, mantém um forte diálogo sobre a história e a identidade brasileiras.
É justamente por terem resistido ao tempo e mantido vivas discussões, mesmo quando levantadas há mais de um século, que Lourenço Dantas Mota e Benjamin Abdala Junior reuniram especialistas para biografar - em ordem cronológica - Iracema (José de Alencar), Brás Cubas e Capitu (Machado de Assis), Policarpo Quaresma (Lima Barreto), Emília (Monteiro Lobato), Macunaíma (Mário de Andrade), Paulo Honório (Graciliano Ramos), Augusto Matraga e Riobaldo (Guimarães Rosa), Rodrigo Cambará (Érico Verissimo), Dona Flor (Jorge Amado) e Macabéa (Clarice Lispector). São personagens mais vivos do que aqueles que respiram e se vestem.


REEDITADO "CARTAS A UM JOVEM POETA"


A solidão acompanhou a vida do poeta alemão Rainer Maria Rilke como um combustível indispensável. Apesar de todo o sofrimento, ele se armou de energia suficiente para enfrentar os desafios a sua identidade e criou uma obra que inspirou as gerações seguintes. E a forma como transformou o isolamento em impulso para o trabalho está revelada em dois livros, Cartas a um Jovem Poeta, que a editora Globo está relançando, e Diário de Florença, inédito em português que a Nova Alexandria promete para breve. Escritas entre 1903 e 1908 com a intenção de revelar a um jovem poeta, Franz Xaver Kappus, o intrincado mundo interior do escritor, as Cartas a um Jovem Poeta apontam a solidão como a condição única e verdadeira para a criação de uma obra autêntica. E, no Diário de Florença, Rilke encadeia um conjunto de pensamentos e reflexões sobre a arte, a partir de uma viagem à cidade italiana. Nos dois casos, sobressai a força de sua linguagem que busca a expressividade das palavras que, embora herméticas em alguns casos, surgem sugestivas por serem mais capazes de provocar emoção que esclarecê-las

 


EXPEDIENTE


SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA Nº 80- Março/2002 - Ano 21
Editor: Luiz C. Amorim
Endereço para contato:
E-mail: lc.amorim@ig.com.br
prosapoesiaecia@yahoo.com.br


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