SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Junho/2002

 

TEMPO DE
COMEMORAR



E o Grupo Literário A ILHA comemora o seu vigésimo segundo aniversário! Completamos, o grupo e esta revista, vinte dois anos de atividades, vinte e dois anos insistindo em criar e manter veículos que levem a nossa produção literária até o leitor. Lançando mão de todo e qualquer recurso que possa fazer com que o nosso texto seja lido - desde a escrita com pincel atômico em cartolina até a internet - seguimos até aqui e pretendemos ir adiante.
A edição do PROJETO POESIA NA RUA com três out-doors estampando poemas de Cruz e Sousa volta às ruas de Joinville e algumas outras cidades do Estado, graças à parceria de Vogel Publicidade, para comemorarmos mais este ano de trabalho.
Uma edição do PROJETO POESIA NA ESCOLA - apresentação de coletânea de poemas dos integrantes do grupo em Power Point - está sendo distribuída às escolas para serem usadas em salas de aula.
No prelo, para lançamento na próxima Feira do Livro de Florianópolis, em setembro, o volume de crônicas "LIVRO, LEITURA E MERCADO EDITORIAL".
Atividades para comemorar mais este aniversário, entre outras, como esta edição da revista

 

COMUNHÃO


Luiz Carlos Amorim


Eu me refaço em ti.
Sou eu, completo, por inteiro,
sou você, sou nós, sou ser.
És parte de mim, indivisível,
és coração que pulsa no meu peito,
és luz a brilhar no meu olhar,
és música a tocar nossa canção,
és ternura de mãos entrelaçadas,
és carinho ao tocar de peles.
Eu me refaço em ti.

 

A ILHA - 22 ANOS DE LITERATURA EM SANTA CATARINA


Junho de 2002. Estamos comemorando mais um aniversário do Grupo Literário A ILHA, quando ele completa 22 anos de existência, criando e mantendo espaços para a poesia e a literatura de Santa Catarina e de todo o país. Parece que foi ontem: da vontade de alguns novos escritores em mostrar seu trabalho surgiu a necessidade de uma entidade, uma agremiação que propiciasse a sua reunião. Então o Grupo Literário A ILHA foi fundado em São Francisco do Sul, em 1980. Ao mesmo tempo foi lançada a revista Suplemento Literário A ILHA, cria do jornal do mesmo nome, hoje extinto. O grupo migrou para Joinville em 1982 e, no ano de 2000, transferiu-se para São José, continuando o trabalho desenvolvido até então. As atividades do grupo, no início, constituiam-se da edição do Suplemento Literário A ILHA, da exibição do Varal da Poesia, do Recital de Poemas, na Feira de Arte e Artesanato, nas escolas e festas. Também das Oficinas Literárias, no grupo e nas escolas. Hoje, além da revista, o grupo publica antologias e livros solo, através das Edições A ILHA. O Varal da Poesia transformou-se no Projeto POESIA NO SHOPPING, exibido por todo o estado e novos projetos foram colocados em prática, como o pioneiro POESIA NA RUA - poesia em out-doors pelas principais cidades catarinenses, criado em 1995. Outros projetos como PACOTE DE POESIA - um livro: a capa é um pacote, as páginas são folhas soltas dentro dele; POESIA CARIMBADA - o suporte da poesia, neste caso, pode ser qualquer superfície; SANFONA POÉTICA - folders com meia dúzia de poemas de um ou mais autores; POESIA NA ESCOLA - apresentações de poesia em Power Point, para uso nas escolas, usando a informática; O SOM DA POESIA - gravação de poemas em CD -, projetos que vieram dar mais força à divulgação da poesia feita pelo grupo, além é claro, do portal PROSA, POESIA & CIA., o Grupo A ILHA na Internet para todo o mundo, em http://planeta.terra.com.br/arte/prosapoesiaecia .
O Grupo Literário A ILHA comemorou seu vigésimo aniversário, em 2000, colocando a poesia de Cruz e Sousa na rua, com uma edição especial do PROJETO POESIA NA RUA, que consistiu-se de três out-doors - dois com trechos de poemas do maior poeta catarinense e um em sua homenagem. Neste ano, o Projeto Poesia na Rua com os poemas de Cruz e Sousa voltam às ruas do estado para comemorar os vinte e dois anos do grupo e da revista.
O Grupo Literário A ILHA é o grupo literário que mais tempo persiste na caminhada, no objetivo de popularizar a poesia, através dos mais diversos meios. As novas tecnologias têm ajudado muito nisso: o advento da informática veio ajudar, primeiro, na edição e confecção da revista e das outras publicações, como livros, folders, cartazes - a composição ficou mais simples e prática, conseqüentemente a edição também. A impressão, ainda que em pequena escala, ficou mais rápida, com a facilidade das impressosas jato de tinta. E a internet veio culminar com a comunicação instantânea, a disponibilização imediata de qualquer trabalho em qualquer lugar do mundo, a qualquer tempo. O site do grupo na Internet, é a mídia de maior audiência do grupo. Temos cerca de cem visitantes por semana no portal PROSA, POESIA & CIA., em http://planeta.terra.com.br/arte/prosapoesiaecia e http://br.geocities.com/prosapoesiaecia Lá o leitor encontra a edição on-line da revista Suplemento Literário A ILHA, a edição on-line da coluna Literarte, atualizada a cada mês. E várias outras seções, como Grandes mestres da poesia, com nomes como Quintana, Cora Coralina, Cruz e Sousa e outros; Autores Catarinenses; Literatura Infantil, com biobibliografia e trechos da obra destes autores para um público tão exigente; Vestibular 2000 - com resumos de obras literárias selecionadas para os vestibulares deste ano; Livros On-Line, com edições virtuais de livros de poemas em inglês, espanhol e português; as antologias "Todos os Poetas" e "O Tema do Poema", já com centenas de poetas publicados. E recém colocadas no ar, as seções "Entrevistas com Escritores" e "Artigos sobre Literatura", "Feira de Contos" e "Crônica da Semana".

 

ATÉ AMANHÃ, MEU AMOR.


Marli de Jesus Hickman

Vai...Nem disseste ainda: vou...
Já sinto em meus lábios
O sabor daquela lágrima
Que meus olhos já não retêm.
Meu coração já diz: vem!

Vai...
Nem dissestes ainda porque,
Minha voz quase afogada implora que expliques,
Meu corpo, trêmulo de carência,
Já reclama tua ausência

Vai...
Nem tocastes ainda minhas mãos dizendo: vou...
Já quero trazer-te num abraço ou contigo ir...
Minha alma já partiu - se em mil e chora!
Até amanhã meu amor, te espero aqui,
Na mesma hora!

 

 

O ESCRITOR CATARINENSE E O ESTADO

Por Luiz Carlos Amorim

O escritor catarinense - assim como muitos outros de outros estados brasileiros - é, antes de tudo, um forte. Forte e teimoso, pois além de não conseguir editora para publicar seu livro, nem aqui no nosso estado nem fora dele, quando consegue ter o livro pronto, fruto de recursos próprios ou algum patrocínio, também tão escasso, esbarra no fantasma da distribuição. E digo fantasma, porque ela não existe. Até mesmo as editoras tradicionais do estado têm dificuldade para distribuir e vender seus livros, imagine-se o escritor com sua edição própria.
É claro que o autor de edição própria se esforça, pega seu livro, coloca-o debaixo do braço e vai à luta, oferecer de porta em porta. Mas, por mais que consiga esgotar uma edição, o alcance do livro fica restrito a um círculo de amizade, um bairro, quando muito a uma cidade.
Para atenuar esse problema e fazer com que o escritor da terra seja conhecido e lido não só na sua cidade, mas em toda Santa Catarina, o governador sancionou a lei número 8759, em 27 de julho de 1992, que dispõe sobre a aquisição de livros de autores catarinenses pelo estado, com a finalidade de integrar acervo das bibliotecas públicas municipais.
A lei especifica, também, que em todos os casos, será considerada a qualidade da obra, qualidade esta que seria medida ou avaliada pela Comissão Catarinense do Livro.
Como a lei, no entanto, está fazendo dez anos sem que, na prática, tenha sido levada a efeito, a União Brasileira de Escritores de Santa Catarina veio reivindicar a sua execução, em documento enviado ao Sr. Governador. A resposta veio confirmar o não cumprimento da lei até então, por "falta de orçamento", mas trazia a esperança de, neste exercício de 2002, "contar com os recursos indispensáveis à perfeita execução daquele preceito legal".
Um passo já foi dado, que foi o de reativar a Comissão Catarinense do livro. Esperemos que a verba para a compra dos livros tenha sido lembrada e que finalmente os livros de autores desta terra catarina cheguem às bibliotecas municipais. Bom seria se chegassem até as bibliotecas das escolas, mas já estará muito bom se chegar às bibliotecas públicas.
O escritor catarinense terá de continuar o trabalho junto às escolas, fazendo-se conhecer e divulgando sua obra, tentando vender o seu livro ao leitor em formação e, na impossibilidade, fato comum, fazer saber que o mesmo está à disposição na biblioteca pública da cidade.

Promessa nem sempre é dívida, mas esperança é o que nos move para o futuro.

 

DENTRO DE MIM

Rosângela Borges

Eu já tentei demais!
Agora,
Ando sangrando pelo chão
E jogando meu sorriso
Na primeira chuva
Que sai de dentro de mim...
Ainda tenho dor
E meu grito é brilhante
Porque meu mundo
É parecido com ele:
Se encolhe
Se derrete
E fica inteiro
Pra guardar o que sobrou de mim...
Eu já tive demais!
agora,
Troco meu tempo, meu corpo
Por qualquer coisa nova
Que a vida ainda queira,
Que o amor ainda precise,
Porque tenho que esconder
Minha história
Perto da primeira chuva
Que entrar em mim...

 

 

REEDIÇÕES DA OBRA DE CORA CORALINA


A poeta goiana Cora Coralina (1889-1985) tinha mais de 70 anos quando publicou seu primeiro livro e quase 90 quando Drummond a consagrou. No início dos anos 80, a Global Editora deu início à publicação de toda a sua obra, oito livros, entre poesia e ficção. Agora, a casa volta a reeditar a obra e começa com duas preciosidades: O Tesouro da Casa Velha, seleção de contos, e Estórias da Casa Velha da Ponte, no qual ela mistura lirismo, memória e ficção. Dois excelentes livros para apreciar um dos grandes mitos literários brasileiros deste século.

 

CORA CORALINA

Luiz Carlos Amorim

Foi-se o corpo cansado,
A poesia viva ficou.
A poesia e o coração,
A alma de Cora Coralina
Continuarão muito vivos,
Mas vivos do que nunca,
Nos versos que ela deixou.

Cora Coralina, a mulher-menina
Dos becos da velha Goiás,
Não morrerá jamais,
Pois os seus tantos versos,
perenes, são eternos...

 

 

 

A LITERATURA INFANTO-JUVENIL


Por Luiz Carlos Amorim

A literatura infanto-juvenil é, talvez, o gênero que mais vende livros, atualmente. Isto vem sendo constatado em feiras e bienais do livro e também nas livrarias, não é de agora. Verdade que o livro infantil é mais barato, porque é menor - geralmente tem poucas páginas - e as tiragens são maiores. Mas não é apenas por isso que ele vende bem. A criança é curiosa e tem sede de aprender, de fazer descobertas - combustível para exercitar a sua criatividade em ebulição. Ela sabe que o livro é uma porta para a fantasia e para novas realidades - por instinto, talvez, ela sabe isso assim que o vê: pode chamar a sua atenção pelas cores ou pelos desenhos, mas ela sabe que livro é o passaporte para o conhecimento e para a diversão.
É só dar a ela a oportunidade de ter acesso ao livro, desde muito cedo, que teremos um novo leitor em potencial. Lembro de ter lido, dia destes, um escritor contando que ao visitar uma feira do livro, viu um menino de rua contando suas parcas moedas, conseguidas a muito custo, para ver se tinha o suficiente - um ou dois reais - para comprar um livro.
O que mostra que não precisamos impor a leitura de títulos na idade escolar as nossas crianças, se oferecermos a elas livros desde muito cedo.
Prova disso é que o livro juvenil, aquele dirigido ao adolescente e ao jovem, já não tem mais poucas páginas e pouco texto, ao contrário, são volumes encorpados, como os livros de Monteiro Lobato ou a série Harry Potter, este último figurando na lista dos mais vendidos, com os quatro volumes da coleção, por semanas a fio.
Isto evidencia o fato de que a criança que teve o prazer da leitura, do contato com livros na sua tenra infância, não se intimidará ao ter pela frente uma história - boa história, é claro -com duzentas, trezentas ou mais páginas. O que contará, na verdade, será a qualidade do texto e o prazer da leitura, que poderá ser maior, se o livro for maior e o autor maior ainda.
É bom não esquecer que o público infanto-juvenil é, talvez, o público mais exigente de todos e não se deixa enganar, razão pela qual a obra tem que ser consistente para ser bem sucedida.
Criada face a importância com que o gênero vem se reafirmando cada vez mais, dentro da nossa literatura, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil comemorou, neste ano, o seu trigésimo quarto aniversário, entregando o seu prêmio anual, que é a distinção máxima concedida aos melhores livros publicados no ano anterior para crianças e jovens.
Temos bons autores e boa produção neste gênero, com ótimos representantes em todas as regiões do país. E sabemos como é importante que assim seja, pois é essa literatura infantil e juvenil que vai alavancar o hábito da leitura nos nossos leitores em formação.

 

LUA NOVA

Virgínia Vendramini

Lua nua, nova lua cheia,
Hoje em dia tão esquiva,
Em que recanto te escondes
Neste céu de tantas luzes?
Em que remotas paragens
Ocultas tua magia,
Teu rosto de deusa antiga?

Onde derramas agora
Teu brilho de prata lavrada
Em rendadas filigranas
Sobre as noites sossegadas?
Que águas são teu espelho,
Lua minguante de fama
Num mundo de luz neom?

Lua nua, lua escura,
Num crescente de tristeza
Procuro tua poesia...
Mas devassaram-te os homens,
Cassaram-te a divindade,
Confiscaram tua prata,
Deixaram-te nua no céu.

Já não passeias sozinha,
Soberana feiticeira,
Abençoando rituais...
Desvendaram teus mistérios
E hoje és simplesmente
Satélite sem luz própria
De um planeta sem amor.

Lua nua, nova lua,
Perdida, despercebida,
Neste céu de tantas nuvens,
Sem pompa, sem honras, nem véus,
Em que quadrante celeste
Escondes tua nudez,
Teu corpo de deusa morta?

Lua nua, pobre lua,
Lanterna quase apagada
De um mundo que te esqueceu.
Hoje flutuas à toa,
Sem poetas nem cantores,
Num céu que já não é teu.
Lua nua, velha lua, adeus.

 

A FEIRA DE RUA DO LIVRO DE FLORIANOPOLIS


A Feira de Rua do Livro de Florianópolis, que não era editado desde 1996, fez sucesso no mês de maio, no Largo da Alfândega, no centro de Florianópolis e traduziu-se numa excelente oportunidade para saber dos lançamentos, comprar títulos mais baratos e conhecer escritores que participaram de sessões de autógrafos. Trazer a feira novamente para as ruas teve como objetivo facilitar o acesso ao livro, incentivar e promover o hábito da leitura desde cedo, além de prestigiar e aproximar o escritor do leitor, incrementar o mercado, integrar o setor livreiro e proporcionar ao público a compra de livros com preços mais acessíveis. Florianópolis terá, a partir de agora, duas feiras do livro, pois a realizada no Beiramar Shopping, no segundo semestre, será mantida. Além da Bienal do Livro do Mercosul, é claro.

 

ILUSÕES


Regina Lyra


Ondas quentes
Sombras distantes
O que faz amante?
O que é torturante?

Ondas do mar
Nuvens do céu
Procura do véu
que encobre o rosto.

Mar de melancolia
De cor sombria.
Lamento das ondas
Canto de sereia
Tormento das paixões
Procura das ilusões
Esculpidas na areia...

(do livro
Sonhos e Fantasias)

 

LIVRO DE CRÔNICAS SOBRE O LIVRO

A seleção de crônicas “LIVRO, LEITORES E MERCADO EDITORIAL”, de Luiz C. Amorim, está no prelo e deve ser lançado na Feira do Livro de Florianópolis, em setembro, como parte das comemorações do 22º aniversário do Grupo Literário A ILHA. Trata-se da reunião de crônicas sobre o tema publicadas em jornais e sites como Rio Total, Webcanal, Leitores e Livros, Usina de Letras, Praxis e outros, Prosa, Poesia & Cia e outros.

 

MEU VIVER

Aracely Braz

Tenho saudades
Do que ficou tão distante
Aquela roseira branca
Em cachos se debulhava
Beleza a ornamentar.

Tenho saudades
Da pracinha e do futebol
Que empolgava a vizinhança
Na emoção de altos lances.

Tenho saudades
Do violão, bandolim,
Nossas noites de seresta
No aconchego ao luar.

Tenho saudades
Das enchentes nos riachos,
A confusão nos gramados
Com peixes atordoados,
A pescaria em delírio
Com varas e samburás.

Tenho saudades...
Lembrando, volto no tempo
E co'a brisa viajo distante
Etapas do meu viver...

 

LITERATURA CATARINENSE

Um dos maiores estudiosos de Monteiro Lobato, Enéas Athanázio nos brinda com um pequeno grande livro, “Antecipações de Lobato e Outros Escritos”, lançado pela Editora Minarete, no início deste ano. Como sempre, um volume de conhecimento, fruto de estudo e pesquisa sobre Lobato, Rangel, Cendrars e outros.
A FÁBULA: CIDADE DOS DESGRAÇADOS - Pela Editora Hemisfério Sul, acaba de ser lançado o primeiro livro de Hugo Máximo, uma fábula sombria e instigante. Uma viagem onde tudo pode acontecer, principalmente o impossível. Uma história de arrepiar.
Pela Hemisfério, também, sai em breve, "Os aromas do deserto" de Mariana Klueger, sobre o segundo país onde ela viveu, na África.

 

 

 

COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DE “OS SERTÕES”

O barracão, em São José do Rio Pardo, onde Euclides da Cunha, então engenheiro civil e ex-correspondente de guerra, escreveu o que viria a se tornar um clássico da literatura brasileira, Os Sertões, cuja publicação completa cem anos em dezembro - foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Lá dentro, Euclides consultava as anotações que fazia para as reportagens sobre a resistência de Canudos contra as tropas republicanas.
A Casa de Cultura Euclides da Cunha promove, como vem fazendo há 90 anos, a Semana Euclidiana, movimento de preservação da memória do escritor e de estudo de sua obra. E estão abertas, até 31 de julho, as inscrições para o Concurso Euclides da Cunha 2002, que premiará, com R$ 12 mil, o melhor ensaio sobre Os Sertões. Mais informações no site www.casaeuclidiana.org.br ou pelo e-mail casaeuclidiana@casaeuclidiana.org.br.

 

OS VENCEDORES DO PREMIO JABUTI 2002


As editoras de livros infanto-juvenil e didático receberam uma boa notícia, durante a entrega do Prêmio Jabuti 2002: duas obras representantes daqueles setores foram escolhidos como o livro do ano, nas categorias de ficção (O Fazedor de Amanhecer, de Manoel de Barros) e não-ficção (Escrever e Criar... Uma Nova Proposta!, de Ruth Rocha e Anna Flores).
Cada um recebeu um prêmio de R$ 15 mil. Nas 17 categorias do Prêmio Jabuti entregues em maio, a editora Companhia das Letras venceu seis. O destaque foi a escolha de melhor romance, Barco a Seco, de Rubens Figueiredo. A editora venceu ainda em poesia (categoria especial), infantil/juvenil, ciências exatas, capa e ilustração juvenil/infantil.
Claudia Roquette-Pinto, com o livro Corola, foi escolhida como a melhor autora de poesia, enquanto Fernando Sabino recebeu o prêmio de contos e crônicas por Livro Aberto. Outro nome de destaque entre os vencedores foi o do poeta Haroldo de Campos, cuja versão em português da Ilíada, de Homero, foi apontada como a melhor tradução do ano.

 

PROSA SELETA" de LIMA BARRETO

Com a bela edição que a Nova Aguilar traz agora a público ("Lima Barreto -- Prosa Seleta"), o artista pode ser revisitado na perspectiva do conjunto de sua obra. Neste caso, a emenda saiu melhor do que o soneto: habitualmente relegado a edições colegiais que não faziam jus ao seu talento, a reedições esparsas ou a trabalhos coordenados por gente abnegada, como Francisco de Assis Barbosa, Lima Barreto recebe, enfim, um tratamento na medida de sua importância para a literatura brasileira. Reunir os seus romances, contos, crônicas e diários num só volume, em papel bíblia, representa um louvável desjejum editorial, o reconhecimento à figura desse criador de tipos extraordinários como o major Quaresma -- personagem quixotesco que se eleva ao nível das grandes sátiras da literatura, nas quais se fundem o cômico e o dramático. Quaresma é a loucura impregnada de poesia, e de um desmedido afã de justiça.

 

 

A POESIA A SERVIÇO DA MEDICINA

O uso da poesia como um método de terapia é uma tendência que vem se popularizando nos Estados Unidos, depois de uma bem-sucedida experiência com pacientes do Coler Goldwater Memorial Hospital. O projeto, que começou a ser posto em prática no hospital de Roosevelt Island, em 1984, pela poetisa e professora Sharon Olds, com financiamento da Very Special Arts, é desenvolvido com a colaboração de alunos da Universidade de Nova York (NYU). Kathleen Adams, presidente da Associação Nacional de Terapia Poética, disse que "nos últimos dez anos tem havido um enorme aumento" do uso de poesia e acrescentou que a técnica é empregada em muitos tipos de pacientes, desde os que estão no programa de desintoxicação de álcool ou drogas, até os que sofrem de Aids ou de demência. Essa modalidade de terapia também está sendo adotada no Japão e na Nova Zelândia.

 


PREMIO CRUZ E SOUSA DE CONTOS

 


Escritores catarinenses e brasileiros têm até o dia 30 de julho para realizar as inscrições no Prêmio Cruz e Sousa 2002 - Concurso Nacional de Contos, que irá distribuir R$ 280 mil em premiação e editará os três melhores livros escolhidos nas categorias nacional e catarinense. A premiação é a mesma nas duas categorias e vai conceder R$ 80 mil para o primeiro lugar, R$ 40 mil para o segundo e R$ 20 mil para o terceiro. Conforme o gerente de letras da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), não existe limites mínimo ou máximo para o número de contos a serem apresentados.
Os originais devem ser inéditos, sob o risco de desclassificar o autor. A intenção é que o prêmio se torne permanente - não era realizado desde 1998 -, e bianual. As inscrições pode ser feitas té 30 de julho, na Fundação Catarinense de Cultura, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis, gratuitamente.

REGULAMENTO

* O Prêmio Cruz e Sousa 2002 destina-se a livros de contos escritos em língua portuguesa por brasileiros, residentes no país ou no exterior, nas categorias Nacional e Catarinense.
* Para participar do concurso os candidatos deverão:
-Enviar os originais dolivro em seis vias, datilografados ou digitados em espaço dois, em uma só face do papel, identificados com título e pseudônimo, com todas as páginas numeradas e encadernadas em espiral.
-Anexar um envelope contendo o título da obra, pseudônimo, dados pessoais (nome, endereço, RG) e um breve currículo. Para os concorrentes na Categoria Catarinense deverá ser acrescentado um comprovante de naturalidade ou de residência há mais de cinco anos no Estado.
* Os originais devem ser inéditos, sendo que a divulgação pública dos mesmos, no todo ou em parte, eliminará o candidato.
* O autor catarinense concorrerá automaticamente nas duas categorias, desde que escreva em cada cópia dos originais, junto ao pseudônimo e ao título a palavra catarinense, podendo classificar-se em apenas uma delas.
* É permitida a participação no concurso com mais de um livro. No caso do autor classificar mais de um livro, receberá apenas o prêmio de maior importância.
* Os resultados do Concurso serão divulgados no mês de setembro de 2002, em dia ser definido.
* Além dos prêmios em dinheiro, os vencedores terão suas obras editadas pela FCC, à qual cederão os direitos autorais da primeira edição.
* A entrega dos prêmios ocorrerá na segunda quinzena de novembro de 2002, em Florianópolis.

 


O LIVRO, AS FEIRAS E AS BIENAIS

Por Luiz Carlos Amorim

A julgar pela 17ª Bienal Internacional do Livro, que terminou no início de maio, o "consumo" de livros vai muito bem no Brasil, obrigado. A cada grande evento de oferta de livros como esse - um ano acontece a Bienal de São Paulo, no outro a Bienal do Rio e pelo país existem várias Feiras do Livro - as vendas e o número de visitantes aumentam.
Na Bienal que recém terminou, segundo o presidente da Câmara Brasileira do Livro, a constatação maior foi de que reunir a maior quantidade de livros possível e colocá-los ao alcance do público, em lugar apropriado e agradável, faz com que o leitor venha até eles para comprá-los.
Eu diria, como já disse em outra oportunidade, pensando na Feira de Rua do Livro que acabou em meados do mês de maio, em Florianópolis, que colocar livros no caminho do leitor faz com que ele compre e leia.
Já testamos isso com a poesia: em Santa Catarina o Grupo Literário A ILHA colocou os poemas em cartolinas, pendurou-os em varais, presos por grampos, em Feiras de Arte e Artesanato, festas, escolas, praças, bancos, bares e lojas, e assim, com o Varal da Poesia, meses a fio, por vários anos, fizemos com que as pessoas esbarrassem com a poesia e acabassem por conhecê-la, adquirindo o hábito de ler, passando dos poemas expostos para os livros. O Projeto Varal da Poesia evoluiu para o Projeto Poesia no Shopping de hoje.
Os organizadores das feiras e bienais comemoraram o crescimento verificado: o público que visitou a Bienal do Livro em São Paulo aumentou em 35 por cento, em relação ao ano de 2000, e as vendas em 25 por cento. Não se comparou o resultado desta Bienal com a do Rio do ano passado.
Estamos comprando mais livros? É o que parece, felizmente. Embora o livro continue caro e o preço dos best-sellers não mude muito nas feiras, tem havido, nelas, oferta de títulos por R$ 1,00, R$ 1,99, R$ 2,00. E não são só livros infantis que podiam ser encontrados por esses preços: há outros gêneros, em edições econômicas, formatos diferenciados, não tão refinados, de outros gêneros, mas com boa apresentação.
Um "boom" nessas últimas feiras foram os livros que combinam fotos de animais com pequenos textos - quatro ou cinco deles - que vendeeram muitíssimo bem. Um formato simples e funcional: amarrar as fotos, de bom gosto e de animais, com textos objetivos, filosóficos ou poéticos.
Em Florianópolis já são três feiras do livro: a de rua, a tradicional, em local fechado, no segundo semestre e a Bienal do Livro do Mercosul. Esse crescimento deve significar que mais leitores estão comprando livros e isso é um ótimo sinal. Com a distribuição dos livros, pelo MEC, para os alunos do 2º grau, em todo o país, o que certamente vai incentivar a leitura entre leitores em formação, outro passo importante está sendo dado para que o livro venha a ser, num futuro próximo, uma presença mais constante na vida do brasileiro.

 


EXPEDIENTE


SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA Nº 81- Junho/2002 - Ano 22
Editor: Luiz C. Amorim
Endereço para contato:
E-mail: lc.amorim@ig.com.br
prosapoesiaecia@yahoo.com.br


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